sábado, 13 de maio de 2017

Entrevista - Arjen A. Lucassen: Fonte Inesgotável de Criatividade




Para Falar sobre o álbum "The Source", conversamos com o mastermind Arjen Anthony Lucassen, o qual também marca um recomeço para o projeto mais famoso do músico e produtor, que além de estar de gravadora nova, Mascot Label Group, também retoma a saga da "Forever Race", contando o início de tudo, e fazendo referências também à origem da raça humana e a origem do projeto.

A história, recheada pela fantástica "trilha sonora" Progressive/Heavy/Classic/Folk Rock, é dividida em quatro crônicas, e conta como o planeta Alpha foi destruído, por conta das convicções de um super computador criado por eles, "The Frame", para descobrir a causa do planeta estar morrendo, então "The Frame" chega a conclusão que o problema é o povo do planeta, e que este deve ser erradicado, e aí se inicia a tentativa de sobrevivência da espécie.

Para falar sobre alguns detalhes mais desta nova obra, conversamos com este genial holandês, que, como sempre, proporcionou uma ótima entrevista, com sua simpatia de sempre, sendo praticamente uma conversa entre amigos, e descrevo abaixo, praticamente 99% da conversa, tentando transmitir a vocês o clima desse papo, onde ainda pude dar um alô pro Hoshi, o cãozinho do Arjen, figurinha conhecida dos fãs e artistas e amigos do músico.

Não há muito mais a dizer, somente acompanhar e apreciar a música produzida por Arjen, e conferir o que ele nos contou sobre o álbum e alguns outros assuntos:


RtM: Olá Arjen, tudo bem?
Arjen: Hey man! Tudo ok! Como você vai? Que horas são aí?

RtM: Tudo certo Arjen! Aqui são onze horas da manhã (a entrevista foi sábado passado, 6 de maio)
Arjen: Aqui já são quatro da tarde! 

RtM: Antes de tudo, queria dar os parabéns pelo ótimo álbum, a cada audição eu encontro mais detalhes e curto ainda mais, as minhas canções favoritas mudam todo dia! (risos)
Arjen: Ah ah ah! Isso é bom cara! Bom sinal! Obrigado.

RtM: Bom, as reações estão ótimas, e tenho visto muitas entrevistas, muito boas inclusive, estava difícil preparar uma pauta e não ser repetitivo nas perguntas! 
Arjen:  Ha ha ha! Não se preocupe, provavelmente serei repetitivo nas respostas também! (Risos)

"Acho que cada álbum que faço, é uma reação ao anterior. Sempre quero fazer algo diferente."
 RtM: A primeira coisa, é um pedido, acho que você tem que criar um personagem pro Hoshi no próximo trabalho! Um personagem canino na história! (Risos) Muito legal ver ele interagindo com todos que vão no estúdio, adoro ver os extras no DVD.
Arjen: Ha ha ha! Boa ideia! Ele adora quando as pessoas vêm no estúdio, principalmente as mulheres! (risos) Adora cantoras, ele fica ali pertinho, esperando ganhar abraços.

RtM: Garoto esperto! Bom, sobre o álbum, gostaria que você falasse um pouco sobre o título, "The Source" ("A origem", ou "A Fonte"), o qual possui muitos significados implícitos.
Arjen: A principal referência é a fonte da humanidade, de onde viemos, e neste caso, a fonte, a origem da "Forever Race", e também a respeito da água, que é uma grande parte nisso tudo, pois vem dela a origem da vida. Também é a substância "Liquid Eternity", que está nesta história, também citada como "The Source". Então, temos várias referências.

RtM: É um álbum também mais pesado, com ais guitarras do que os trabalhos anteriores, o Ayreon "Theory of Everything" e o The Gentle Storm. Você sentiu necessidade de fazer algo mais nessa linha, mais "heavy", depois desses álbuns?
Arjen: Sim, eu acho que cada álbum que faço, é uma reação ao anterior. Sempre quero fazer algo diferente, ter um contraste, e basicamente manter o interesse para mim mesmo, e também para as as outras pessoas. Naturalmente, "Theory of Everything" é um álbum mais progressivo, mais orientado ao teclado, e The Gentle Storm (composto em conjunto com Anneke Van Giersbergen), um álbum mais feminino, uma história de amor. Então desta vez eu queria voltar à ficção científica, e algo mais orientado à guitarra, mais pesado.

RtM: Não é uma regra pra você, que não gosta de se limitar, ou colocar algo como definitivo, mas se logo após um álbum de Ayreon surgisse inspiração para um próximo álbum do projeto, você faria ou guardaria a ideia para mais tarde, e procuraria compor para outro projeto?
Arjen: Boa pergunta! Não funciona desta maneira pra mim, a inspiração vêm, e eu não tenho ideia do que vão se tornar. Basicamente, eu comecei este projeto como um álbum solo, mas quando ficou muito pesado para isso, eu pensei que talvez poderia ser um novo Star One, mas depois partes mais folk vieram. Não é algo como "oh, esta ideia não cabe no projeto, vou salvá-la", sempre eu uso todas as ideias que eu tenho, eu pego cerca de 50 ideias, e em algum ponto, quando começo a gravar, vou transformando-as, e cerca de 60 por cento eu descarto, não guardo para outros projetos, as tiro fora e deleto. Seria confortável usar essas sobras, mas eu tenho aquele sentimento de querer sempre usar o melhor do melhor.

"Desta vez trabalhei com cantores que eu conheço, e contei com alguns dos melhores do mundo."
RtM: Gostei da ideia de você ter retomado a saga da "Forever Race", a qual aparece em vários dos seus álbuns. Como surgiu essa ideia de falar sobre o início de tudo?
Arjen: Em algum ponto, quando percebi que se trataria de um novo álbum do Ayreon, então eu pensei "Ok, tenho que voltar a ficção científica", e pensei que, já que estava começando com uma nova gravadora, uma nova maneira de trabalhar, fui procurar a inspiração na arte gráfica, fui para o google procurar imagens de artistas de Sci Fi. Então acho que por 2 ou 3 semanas fiquei procurando, centenas e centenas, até que encontrei essa (a arte que foi usada na capa), e o legal é que me identifiquei com ela, e também gostei de tudo que o artista fez, não uma ou duas, mas tipo umas 40 imagens que ele fez. Muitos detalhes, profundas, muito sombrias, e encaixavam no tipo de música que eu estava criando. 

RtM: Realmente, a arte da capa ficou maravilhosa.
Arjen: Então, eu vi aquela arte com a garota dentro d'água, conectada àqueles tubos, então percebi algo relacionado a um humano forçado a viver em baixo d'água, e de repente tive a ideia de que como seria legal se aquela pessoa fosse alguém da Forever Race, e que esse indivíduo fosse um humano, basicamente a ideia de saber de onde viemos, qual nossa origem.

RtM: Legal, e sendo fã de Sci-Fi, sei que é um sonho provavelmente, mas não seria muito legar essas sagas transformadas em uma série, ou quem sabe um comic book?
Arjen: Sim, hehe, um sonho. Seria muito legal. Eu sei que é um sonho, eu estou acompanhando a série da HBO "Westworld", e são produções muito caras.

RtM: Excelente série! Sim, caras, mas quem sabe alguém gosta da sua história e resolve adquirir os direitos.
Arjen: Sim! bom, e cada episódio custa milhões, 10 episódios, dez milhões de dólares, claro, não teria tudo isso pra investir. E sim, se surgisse um interesse eu ficaria muito feliz.


RtM: Bom, falando nesse novo começo, com um novo selo, por esse motivo você cogitou iniciar com um álbum do Ayreon? Ou antes de fechar com eles já estava encaminhado?
Arjen: Outra boa pergunta! Acho que a razão de ter ido trabalhar com o Mascot Label Group foi por ter lançado com eles o álbum do Guilt Machine, e para o lançamento do vinil, tinha de ir até o escritório deles, e me perguntaram "E o Ayreon? O contrato com a Inside Out está terminando, você poderia assinar conosco.". Eu disse "Sim, mas estou contente com eles.", Mas eles insistiram "vamos conversar, assine conosco, venha conhecer nosso escritório.". E eu gostei muito de como eles colocaram as ideias, gostei muito de tudo, e o escritório deles fica somente a uma hora e meia de onde eu moro. Então, tive essa boa impressão, e fiquei pensando a respeito, por tipo um ano e meio. Então, quando estava compondo e percebi que seria um novo álbum do Ayreon, eu pensei que talvez deveria fazer com uma nova gravadora, Tipo, eu vejo "The Source" como um novo começo, uma nova companhia, novas pessoas...

RtM: Sim, novas ideias...
Arjen: Exato! Sim, um novo início, tudo encaixava.

RtM: Me parece que eles estão fazendo um excelente trabalho. Bom, e nesse álbum você também reuniu um grande cast de cantores, muitos conhecidos seus já, e que haviam trabalhado com você antes. Foi difícil reuni-los desta vez?
Arjen: Não, não foi, é complicado quando é com pessoas que não me conhecem, pois se eles não me conhecem, não é fácil convencê-los... "Oh, uma Rock Opera? Não sei se vou gostar disso...", não conhecem meu estilo. Desta vez trabalhei com cantores que eu conheço, e contei com alguns dos melhores do mundo, muitos que se tornaram amigos, como James Labrie, Russel Allen, Tobias Sammet, então não foi difícil convencê-los. Eu só perguntei: "Você que fazer parte do álbum?" e eles "Mas é claro!" (Risos). Claro, eu tive tempo, eles são bem ocupados, e desta vez não pude ter todos no estúdio, como eu gostaria, somente 3 deles, Floor, Simone e Michael Erikssen, o resto deles estava muito ocupado, então...mas todos fizeram um grande trabalho.

RtM: E teve alguma das músicas que foi mais complicada de gravar?
Arjen: Bom, quando eu tenho a inspiração, nada é complicado, pode soar meio arrogante, nenhuma teve uma dificuldade maior que as demais.

RtM: Sim e todos eles conhecem já seu trabalho, e são muito experientes.
Arjen: Sim, os melhores cantores do mundo, e eu confio 100 por cento neles!

RtM: Eu gostaria que você comentasse sobre algumas das músicas. escolhi algumas das minhas favoritas, e o legal é que foge um pouco das que eu vi o pessoal perguntar, e afinal, todos já falaram da música de abertura que é fantástica.
Arjen: Isso é legal! Vamos lá.

RtM: Vou ir citando aqui as partes, cada uma das quatro "Crônicas", em que é dividido o álbum, e respectiva música que gostaria que você comentasse. Bom, a primeira que vou perguntar é mais óbvia, a "Everybody Dies", onde as pessoas percebem que o apocalipse vai acontecer, na parte 1, "The Frame", e é uma música bem diferente, apesar de ter elementos familiares, como os seu teclados analógicos.
Arjen: Bom, eu acho que ficou muito forte quando Mike Mills se envolveu, quando ele veio com todas aquelas melodias estranhas, e também aquelas melodias estilo Queen, e acho que isso elevou a canção, a fez especial, e eu mesmo tive esse feeling meio Devin Towsend, eu amo o trabalho dele, e ela tem um pouco de um "happy feeling" (cantarola as melodias), mas por outro lado parte a letra fala de um momento terrível, onde percebem que todo mundo vai morrer, então eu gostei muito desse contraste, é tipo um filme do Stephen King! (risos) Tipo, você vê palhaços vindo e pensa "oh não, más notícias!" (risos).

"Gostei muito desse contraste (melodias felizes x letra que fala de um momento terrível), é tipo um filme do Stephen King! (risos) Tipo, você vê palhaços vindo e pensa 'oh não, más notícias!'" (sobre a música "Everybody Dies)
RtM: Bom, na parte 2, "The Aligning of the Ten", a canção "All that Was", com essas belas melodias folk, uma canção de despedida, algo melancólica.
Arjen: Sim, novamente, ela também tem esse tipo de sentimento positivo, mas claro, é algo terrível, eles tem que deixar o planeta, deixar os entes queridos, simplesmente porque não servem para a nave espacial, onde estão os escolhidos para prosseguir com a raça no novo planeta, "Planet y", que é formado por água. É uma canção triste, mas também traz esse sentimento positivo, de esperança, e eles relembram boas coisas que viveram. No geral é uma canção bem folk, eu adoro esse tipo de música.

RtM: Na parte 3, "Transmigration", onde eles, já no novo planeta, utilizam a substância desenvolvida, a "Liquid Eternity", também referida como "The Source", que lhes dá a habilidade de viver embaixo d'água, e minha favorita nessa parte é "The Dream Dissolves".
Arjen: Novamente, é uma canção bem Folk...

RtM: Pois é, percebi que a maioria das minhas favoritas foram as mais folk.
Arjen: Sim, eu adoro folk, aquela cantora...Loreena Mckennitt, e essa música tem esse tipo de feeling, com flautas e violinos, e claro, os belos vocais de Simone (Simons, Epica) e Floor (Nightwish). Eu adoro essa canção também, tem uma construção muito interessante, tem essa parte clássica, depois essa parte "folky", onde as garotas cantam, e tem uma parte pesada, e claro, dois lindos solos, primeiro o de teclado do Mark Kelly (Marillion), e depois tem o solo de guitarra de Marcel Coenen (Sun Caged), eu acho ele um dos melhores guitarristas solo do mundo, seu solo é maravilhoso, fantástico.

RtM: Nossa, sim, excelente! Bom, da quarta e última parte, "The Rebirth", onde eles já estão construindo o novo lar, vivendo embaixo d'água, e minha favorita é ""The Source Will Flow", que tem uma atmosfera belíssima, nem consigo descrever, e também tem partes bem folk.
Arjen: Eu acho que ela tem aquele feeling, não sei se você é um fã de Led Zeppelin, ela tem algo da "No Quarter", aquele efeito em que o piano parece que está embaixo d'água, e Tommy Rogers (Beetween Buried and Me) cantou lindamente, e depois você tem aquela parte meio Pink Floyd, com o James Labrie, e novamente, o que você falou que gostou, uma parte bem folk. E os vocais de Simone. Então, ela veio ao meu estúdio, e fizemos alguns backing vocals, não estava planejado. Eu disse "quem sabe gravamos alguns backing vocals", e começamos, e eles ficaram muito bonitos, e acabamos tirando toda a música, ela ia em um "crescendo" (quando a música vai aumentando gradativamente de intensidade), e é por isso que ela acabou ficando bem calma do início ao fim, tinha muitas camadas de música, e acabamos tirando.

RtM: Que legal, e ela ficou perfeita, uma atmosfera suave, quase etérea. Bom, no finalzinho temos aquela parte "March of the Machines", um tipo de ligação com a outra parte da história (principalmente em "01011001"), tipo uma pista de que eles poderiam estar repetindo os erros do passado (o computador criado, "The Frame", que acabou causando a destruição do planeta natal)? Uma referência que me veio a cabeça foi a questão homem conta máquina, como na franquia "Terminator".
Arjen: Certo! Bom, tecnologia não é algo ruim, não é uma coisa má abraçar a tecnologia, mas o que as pessoas podem fazer com ela, é o que a minha questão se refere. Tecnologia sempre vai evoluir, o que significa que daqui a alguns anos, cientistas desenvolverão computadores muito mais inteligentes que as pessoas. Claro, é interessante pensar nas coisas que poderão acontecer então.

RtM: Bom, para ir já finalizando, gostaria que você nos contasse alguns detalhes sobre os shows do Ayreon Universe", que acontecerão em outubro.
Arjen: Será tipo um "Best of Ayreon", não será somente sobre o "The Source" ou algum outro álbum, serão shows de Rock, não serão espetáculos de teatro. O melhor do Ayreon significa que pretendo tocar pelo menos duas canções de cada álbum, e teremos 16 cantores! Maravilhoso, claro. Teremos grandes músicos, instrumentos clássicos como Cello e Violino, uma tela gigante, onde passarão belas imagens...e muitas surpresas extras, que não posso contar, porque não seria surpresas daí! (risos)

RtM: Sem spoilers! Sem Spoilers! (Risos)
Arjen: Ha ha ha! Não, não, claro. Será fantástico, 3 shows lotados, 9 mil pessoas virão, os ingressos esgotaram em um dia. É legal ter 3 noites, pois teremos mais tempo, e os dois primeiros shows serão filmados para um DVD e Blu-Ray.


RtM: Isso é ótimo, para nós, que não poderemos estar lá. E um DVD do Ayreon é algo que muitos sonhavam também. E sei que é difícil, mas espero que hajam outros shows.
Arjen: É... Eu não posso prometer nada, mas, quem sabe se tudo for um sucesso, e eu gostar, talvez possamos fazer algo mais. Vamos ver o que acontece.

RtM: Bom, obrigado Arjen, o tempo que tínhamos está no fim...
Arjen: Ok Carlos...ah, você gostaria de dar um alô pro Hoshi?

RtM: Claro! ha ha ha (Nesse momento Arjen levanta e abre uma porta para outra sala, e chama Hoshi, ouço ele falar com a Lori, sua esposa, "um grande fã do Hoshi!", e retorna com seu cãozinho, figura conhecida dos fãs, e dos artistas que vão gravar com Arjen, inclusive Hoshi aparece em vários extras nos DVDs bônus, e o coloca em frente a câmera)
Arjen: Venha Hoshi, aqui está ele! (risos) Diga oi Hoshi!! (eu então dou um Hi-Five pela tela. Nos extras do "Theory of Everything", tem cenas de todos cumprimentando Hoshi com um Hi-Five! ha ha). Aí está ele Hoshi, esse é o Carlos! (Muitos risos)! Ok Carlos, obrigado pela agradável conversa! Até mais. Falamos pelo Facebook, como hoje cedo!


Entrevista: Carlos Garcia
Agradecimentos: TRM PRESS

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Leia a resenha do álbum

   


   

Ayreon: "The Source" - Um "Recomeço" Brilhante



Sempre que algum trabalho novo deste genial holandês, Arjen Anthony Lucassen, começa a ser moldado, é gerada uma expectativa grande, principalmente quando se trata do seu projeto mais famoso e mais querido pelos fãs, a Opera Rock AYREON.

O garoto que começou fazendo playback na escola, imitando ídolos como David Bowie e Alice Cooper, descobriu o que queria para si quando foi apresentado ao som do Deep Purple, e imediatamente tornou-se um fã de Ritchie Blackmore. Em 1994, iniciou sua carreira solo, e, indo totalmente contra a maré, compôs o primeiro álbum do Ayreon, "The Final Experiment" (ele brinca que achava que seria a "experiência final" mesmo.), uma Opera Rock em plena era em que o mercado musical atravessava profundas transformações, a era do "Grunge", de bandas como Nirvana, Alice In Chains, Pearl Jam e etc, e por conta disso, o trabalho foi recusado por várias gravadoras, até que a Transmission Records lançou o álbum, e a aceitação e vendas foram aos poucos aumentando, sendo um grande êxito, tanto que a gravadora logo pediu um novo álbum.


A partir daí, é mais história, e vamos falar do presente, que é o álbum duplo "The Source" (A Origem), que em seu título traz vários significados, ligados à parte lírica, onde Arjen retoma a ficção científica,  a origem da "Forever Race", a própria origem da humanidade e do Ayreon, com vários elementos ligando aos álbuns anteriores, como a substância "Liquid Eternity", utilizada pelos Alphas para sobrevir embaixo d'água, além disso, Arjen também viu como um recomeço, pois inicia o trabalho com uma nova gravadora a partir deste álbum, a "Mascot Label Group". 

Para explanar aqui em poucas palavras, a  história, que é dividida em quatro crônicas, conta como o planeta Alpha foi destruído, por conta das convicções de um super computador criado por eles, "The Frame", para descobrir a causa do planeta estar morrendo, então "The Frame" chega a conclusão que o problema é o povo do planeta, e que este deve ser erradicado. Frente a um iminente apocalipse, alguns poucos escolhidos são destinados a procurarem um novo planeta para que a espécie sobrevivesse, e o destino é um planeta formado por água, onde vão tentar recomeçar, com ajuda da substância chamada "Liquid Eternity" (ou "The Source"), a qual lhes permitiria sobreviver embaixo da água e comunicar-se telepaticamente.

Em 2016, quando revelou que o novo trabalho seria um álbum do Ayreon, já foi gerando expectativas, que aumentaram com os "jogos" de adivinhação, onde Arjen postava em sua página do Facebook teasers das músicas, para que os fãs adivinhassem qual ou quais cantores estavam nas referidas.


Para este álbum, Arjen reuniu um maravilhoso time de vocalistas, contando a seu favor o fato que todos já eram amigos ou no mínimo familiarizados com o seu trabalho, e a primeira faixa apresentada, "The Day That The World Breaks Down", causou impacto extremamente positivo. Uma produção magnifica, que introduz a história, trazendo os 11 vocalistas principais, em uma música que traz todas aquelas nuances características do Ayreon. Fantásticos vocais, grandes teclados, peso, melodia, mesclando o Progressivo, Classic Rock e Heavy/Hard. 

É um álbum mais típico e, digamos, "seguro", pois "The Theory of Everything" foi um trabalho que dificilmente pode ser ouvido parcialmente, e não há uso de refrãos, não seguindo da maneira mais tradicional, já em "The Source", mesmo que siga uma história com início, meio e fim, e as faixas vão se completando, é possível a audição pura e simples, não sendo necessário ouvir na ordem. Mas o álbum é tão bom que fica difícil querer pular músicas! hahah! Com certeza vai ser complicado tirar do playlist.

E todas essas nuances que conhecemos do projeto, estão em "The Source", uma produção magnífica, grandes músicos, e sonoridade que transita pelas influências do 70 e 80 que Arjen nunca nega, mas é um cara sempre aberto a coisas novas, mas o certo é que seu trabalho possui grande personalidade. Então, temos muita música excelente, viajando por partes progressivas, Hard Rock, Heavy e Folk. Você vai notar que é um álbum mais pesado, bastante orientado pela guitarra, mas temos também muitos teclados e aquelas lindas partes mais folk e viajantes.


Podemos sentir o peso já na citada faixa de abertura, e as nuances progressivas e folk em "Sea of Machines", e algo mais experimental na "Everybody Dies", com sua melodias criativas, algo de Queen, e um certo humor negro, pois as melodias "felizes" se contrastam com a letra (Arjen sempre cita o grupo de humoristas Monty Phython, e gosta de utilizar esse tipo de contraste, como em seu álbum solo, na música "Dr. Slumber's Eternity Home"). A história vai se desenvolvendo e as músicas vão trazendo os climas, em performances excelentes dos vocalistas, e em músicas que a cada audição do álbum fica difocil destacar, temos o peso, melodia e cadência de "Star of Sirrah", para em sguida a beleza do clima folk de "All That Was", que traz um certo ar de melancolia, mas também de esperança. Floor e Simone estão magistrais nas suas participações.

Passamos também por momentos que remetem as influências de Blackmore, como a rápida "Run! Apocalipse! Run!", que traz um ar bem Rainbow/Purple, porém com mais peso, aliás, como falei, é um trabalho bem orientado para a guitarra, mais pesado. E o que dizer da tensão dessa intro com os cellos e violinos em "Condemned to Live"? e os fantásticos coros de "Aquatic Race" e "Journey to Forever"?, esta última aliás, remete ao outro projeto de Arjen, o Star One, mais ainda porque há Russel Allen nela, porém há melodias folk. Bom, Arjen mesmo achou que poderia ser, no início, um álbum do Star One, mas depois com a diversidade das demais ideias que foram surgindo, percebeu que um novo Ayreon nascia.


Temos momentos em que a música beira ao Power Metal Melódico, como em "Planet Y is Alive", principalmente nos trechos em que Hansi Kürsch canta,  e logo em seguida a atmosfera belíssima de "The Source Will Flow", com aquele teclado com efeito como se estivesse embaixo da água, vocais intensos e carregados de emoção, além de dois solos magníficos, o de teclado, por Mark Kelly (do Marillion) e o de guitarra por Mark Coenen (Sun Caged). É fantástico como Arjen encaixa as peças, e também tira o melhor de cada um, e o pessoal faz com muito gosto, muito feeling, e ele segue mostrando que é um produtor acima da média.

Com todas essas nuances, encaixadas de forma genial, nos proporciona uma audição em que dificilmente você vai achar o álbum cansativo, é um álbum que vai ser celebrado por muito tempo pelos fãs, que com certeza seguirão aumentando, pois uma mente brilhante como Arjen Lucassen merece ser ouvido, um gênio do Rock Pesado/Progressivo contemporâneo. Não tem muito mais a dizer, "The Source" é simplesmente maravilhoso, o que eu vier mais a falar vai se tornar clichê, ou até piegas.


Texto: Carlos Garcia

Artista/Banda: Ayreon
Álbum: The Source
Estilo: Rock Opera/Progressive Rock/Classic Rock
País: Holanda
Selo: Mascot Label Group (lançamento nacional via Hellion Records)

Confira Line-up e participações em cada faixa:

Joost van den Broek (ex-After Forever) – grand piano and electric piano
Mark Kelly (Marillion) – synthesizer solo[14] on "The Dream Dissolves"
Maaike Peterse (Kingfisher Sky) – cello
Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X) – guitar solo[15] on "Star of Sirrah"
Guthrie Govan (The Aristocrats, ex-Asia) – guitar solo[16] on "Planet Y Is Alive!"
Marcel Coenen (Sun Caged) – guitar solo[17] on "The Dream Dissolves"
Ed Warby – drums
Ben Mathot – violin
Jeroen Goossens (ex-Pater Moeskroen) – flute, wind instruments
Arjen Anthony Lucassen – electric and acoustic guitars, bass guitar, mandolin, synthesizers, Hammond, Solina Strings, all other instruments

   

Chronicle 1: The 'Frame
1. "The Day That the World Breaks Down" (James LaBrie, Tommy Karevik, Tommy Rogers, Simone Simons, Nils K. Rue, Tobias Sammet, Hansi Kürsch, Mike Mills, Russell Allen, Michael Eriksen, Floor Jansen) 12:31
2. "Sea of Machines"  (Rogers, Eriksen, Rue, Simons, Sammet, Allen) 5:08
3. "Everybody Dies" (Mills, Karevik, Rogers, Allen, Kürsch, Eriksen, Sammet, Jansen) 4:42
Tempo Total: 22:21

Chronicle 2: The Aligning of the Ten
4. "Star of Sirrah"  (LaBrie, Allen, Kürsch, Sammet, Rue, Rogers, Eriksen, Jansen) 7:03
5. "All That Was" (Simons, Jansen, LaBrie, Eriksen) 3:36
6. "Run! Apocalypse! Run!" (Karevik, Kürsch, Mills, Allen, Jansen, Sammet, Rue, LaBrie) 4:52
7. "Condemned to Live" (LaBrie, Rogers, Eriksen, Simons, Karevik, Jansen) 6:14
Tempo Total: 21:45

Chronicle 3: The Transmigration
1. "Aquatic Race" (LaBrie, Sammet, Karevik, Eriksen, Allen, Simons, Rogers, Jansen, Kürsch) 6:46
2. "The Dream Dissolves" (Simons, Jansen, Eriksen, Rue) 6:11
3. "Deathcry of a Race" (Allen, Sammet, Jansen, Karevik, Zaher Zorgati, Simons) 4:43
4. "Into the Ocean" (Allen, Mills, Eriksen, Kürsch, Sammet, Karevik, Rue) 4:53
Tempo Total: 22:33

Chronicle 4: The Rebirth
5. "Bay of Dreams" (LaBrie, Rogers, Mills, Eriksen, Rue) 4:24
6. "Planet Y Is Alive!" (Karevik, Allen, Kürsch, Mills, Sammet, Jansen) 6:02
7. "The Source Will Flow"  (Rogers, LaBrie, Simons) 4:13
8. "Journey to Forever" (Sammet, Eriksen, Kürsch) 3:19
9. "The Human Compulsion" (Simons, LaBrie, Rogers, Eriksen, Allen, Rue, Sammet, Kürsch, Karevik, Jansen) 2:15
10. "March of the Machines" (Mills) 1:40
Tempo Total: 21:53

   

   

quarta-feira, 10 de maio de 2017

NAILS – Extremismo Grind




  
Grindcore insano e brutal. Sem concessões. O Nails, que foi formado na Califórnia em 2009, não perde tempo e desce a lenha já na abertura com  ‘You Will Never Be One Of Us’; segue a brutalidade com ‘Friend To All’ com um baixo agressivo no talo; ‘Made To Make You Fail’ começa com uma levada bem Death metal, pra depois cair em desgraça. Pena que isso dura somente 55 segundos(!)...; ‘Life is a Death Sentence’ lembra os primórdios do glorioso Napalm Death. Aqui se ouve riffs Thrash também!.

Na trilha vem ‘Violence is Forever’, baseada em guitarras insanas, com levadas mais contidas, pequenos e distorcidos solos, e com uma duração de tempo maior; ‘Savage Intolerance’ já um bate-estaca que despenca pra brutalidade bem fácil com vocais desesperados. Tem tempo ainda pra um ‘headbanging’; ‘In pain’ não foge à regra; com ‘Parasite’ o bicho continua pegando, lembrando longinquamente Nailbomb em riffs.


‘Into Quietus’ segue pro fim sem deixar a peteca cair; fechando a pedrada, a longa (mais de oito minutos) 'They Come Crawling Back’, em que a banda viaja em várias direções, até mesmo com toques industriais em guitarras carregadas de peso, quebras de ritmo e levadas inquietantes. Chega um ponto em que o Nails veste um manto Doom e arrasta a atmosfera, com um pé no primeiro álbum do Catheral, por exemplo, só que menos sorumbático.


Certo que este power trio de Grindcore forjou uma obra bélica, um verdadeiro soco na boca do estômago. Indicado somente a mentes acostumadas a Grindcore.



Texto: Marcello Camargo

Edição: Carlos Garcia


Banda: Nails
Álbum: You Will Never Be One of Us
País: EUA
Estilo: Grindcore, Death Metal, Thrascore




Lançamento: Nuclear Blast/Shinigami Records




Line-Up:

Todd Jones – Vocals, Guitar

John Gianelli – Bass, Vocals

Taylor Young – Drums





Tracklist:

1. You Will Never Be One of Us
2. Friend to All
3. Made to Make You Fall
4. Life is Death Sentence
5. Violence is Forever
6. Savage Intolerance
7. In Pain
8. Parasite
9. Into Quietus
10. They Come Crawling Back


  


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Entrevista - Attractha: Metal Destemido!


Formada em 2007, tendo um breve hiato para voltar reformulada em 2012, o grupo paulista ATTRACTHA surgiu com a intenção de fazer um Metal livre de rótulos, imprimindo personalidade, reunindo as influências de cada integrante.  O nome da banda foi  inspirado em uma santa da Irlanda, ligada á igreja católica e que possuía uma estalagem na beira da estrada,  reza a lenda que todo soldado ferido que passava por lá saía curado. (English Version)

Após um bem recebido EP, o grupo passa por mais alterações no line-up, e finalmente, sob a produção de Edu Falaschi (ex- Angra, Almah), o grupo então entra em estúdio no primeiro semestre de 2016, a fim de registrar o primeiro álbum completo, resultando em "No Fear to Face What's Buried Inside You". O álbum, lançado em parceria com os selos Dunna Records e Shinigami Records, foi mixado em Los Angeles por Damien Rainaud, recebeu excelente críticas, e traz uma sonoridade mais encorpada e pesada, aliada as influências mais tradicionais.


Para falar mais sobre esse álbum e outras questões, conversamos com o fundador Humberto Zambrin (Bateria), confira a seguir:


RtM: Saudações pessoal, antes de mais nada, parabéns pelo excelente trabalho, que além da parte musical, apresenta uma arte gráfica linda!
Humberto Zambrin: Opa, obrigado!! Fico feliz em saber que gostaram!

RtM: Bom, falando nessa arte gráfica, gostaria que vocês falassem um pouco sobre ela, e também a respeito desse conceito apresentado no título do álbum.
Humberto: Bom, a arte nasceu da complexidade do álbum e etc…quando estávamos escrevendo as letras, percebi que havia uma ligação entre elas, um senso comum, que são os sentimentos mais profundos que temos dentro de nós…daí veio o título do álbum! A partir dai terminei de escrever o que faltava das letras e vi que poderia trabalhar algo próximo a um álbum conceitual. Mas com tantos álbuns conceituais ai, resolvemos pensar numa forma mais ampla, com a arte incluída no contexto. Dai eu tive a ideia, fiz os rascunhos, mostrei pro pessoal da banda, eles curtiram, e eu fui desenvolver isso com o João Duarte. A arte seria muito complexa pra caber no formato de cd, então busquei, tanto nas capas quanto no encarte o formato do vinil, que nos dava muito mais possibilidades de detalhes. O resto é a obra em si, o digipack, suas opções e tudo mais. Quero encorajar as pessoas a verem e pegarem o álbum em suas mãos…olhar os desenhos, detalhes e mensagens escondidas ali!

"Quero encorajar as pessoas a verem e pegarem o álbum em suas mãos…olhar os desenhos, detalhes e mensagens escondidas ali!"
RtM: Ouvindo o álbum, senti bastante personalidade, sendo o Attractha uma banda que desde seu início, lá em 2007, tinha como meta fazer Metal livre de rótulos.  Como você vê essa proposta hoje em dia? Vocês sentem que conseguiram atingir o que buscavam? Principalmente agora depois do full lenght já com um certo tempo de lançamento.
Humberto: Com certeza!! Estamos muito felizes com o que este album traz! Tudo está ali…do Hard Rock ao Thrash Metal, refrãos, riffs, linhas de bateria e baixo, solos…tudo é independente de rótulos, de tendências e outras travas. Pra nós soa tão livre quanto queríamos que soasse.

RtM: E que bandas você citaria como inspiração, que possuem essa personalidade livre de rótulos que o Attractha colocou como meta?
Humberto: É difícil falar uma banda que esteja no mesmo ponto, mas fomos muito influenciados por Adrenaline Mob, Stone Sour, Five Finger Death Punch…isso como coletivo, como banda…porém, individualmente as influencias são muito peculiares e distintas.

RtM: As mudanças de formação atrapalharam um pouco os planos da banda, que pretendia ter lançado o primeiro trabalho já em 2015. Mas por outro lado, você acredita que talvez isso tenha contribuído para somar ainda mais experiência e influenciando diretamente no resultado final?
Humberto: Com a máxima e absoluta certeza. Não só pela troca de vocalistas, mas também pelo tempo…nesses curto espaço de tempo a banda amadureceu muito, crescemos como músicos e ficamos ainda mais entrosados em todos os aspectos. Ter trabalhado continuamente no álbum também ajudou muito, enfim, cada tempo adicional, soma experiência no processo…agora entendo porque o Metallica fica 5 anos gravando um CD!!! (hahahahaha).


RtM: Gostaria que você falasse também sobre a escolha de Edu Falaschi para a produção, e também de Damien Rainaud para a mixagem e masterização.
Humberto: Em 2014 e 2015 eu conheci o trabalho do Almah e gostei muito…sempre achei que era uma banda tão diversificada quanto o que queríamos fazer, porém muito mais técnica. Lendo e assistindo entrevistas, descobri que o Edu era o responsável por 99% das composições, arranjos e melodias e me rendi ao talento dele. Quando achávamos que era hora de começar a trabalhar focadamente no álbum, eu sugeri que contratássemos ele para nos produzir, já q era um dos serviços que ele vende através do site dele. Marcamos de nos reunir, discutimos os pontos e fechamos a parceria. Já a Damien veio depois. Um dia, na casa do Edu, ele mostrou uma música finalizada do que viria a ser o E.V.O do Almah. Eu disse que gostava mais do som do Unfold e ele rindo disse q era o mesmo cara, um “gringo” que havia feito as mixes e masters do Unfold e do que seria o E.V.O e eu achei fantástico. Dai ele passou o contato e fomos negociando com o Damien. Fechamos com ele no dia que começamos a gravação de bateria! Foi uma indicação acuradíssima!

RtM: Além da personalidade, gostaria de elogiar também o quanto vocês conseguiram dosar muito bem o peso, um Metal contemporâneo, mas com melodia e nuances mais tradicionais aqui e ali, e já na abertura com “Bleeding in Silence”, temos um bom exemplo.
Humberto: Ela foi a última música composta pro álbum! Nos 47 min do 2º tempo! Kkkkkk Hoje é uma das mais pedidas e elogiadas nos shows…a prova de que transpiração vale tanto quanto inspiração!

RtM: “Move on” é uma que gostei bastante também, inclusive a parte lírica, que remete de imediato ao título do álbum, falando sobre seguir em frente, de evoluir com relação a si mesmo, encarar os medos. Gostaria que você falasse um pouco mais sobre ela.
Humberto: A "Move On" foi composta em 2015…foi uma das primeiras músicas que fizemos pra esse álbum. Boa parte da letra foi inspirada no Ayrton Senna e no Anderson Silva, quando fraturou a perna. Tanto que a ilustração do encarte que simboliza a Move On é a de um atleta. Os atletas tem esse espirito latente de auto superação, não importando a adversidade. Acho q isso falta nas pessoas em geral, e é disso que a música fala. Gosto muito dela, principalmente de tocar…acho q é um dos arranjos de bateria mais complexos do álbum.

 "Os atletas tem esse espirito latente de auto superação, não importando a adversidade. Acho q isso falta nas pessoas em geral."
RtM: Gostaria que você falasse mais sobre a No More Lies, também é uma das que eu aponto como destaque, daquelas que ouvimos e já dá vontade de ouvir de novo. Melodiosa, estilo Power Ballad.
Humberto: A "No More Lies" nasceu de uma inspiração inicial em Led…só que quando o Ricardo trouxe a música e nós começamos a colocar nossas influências, ela ficou muito diferente do que era. Ganhou mais peso do que uma power ballad normal, eu acho. A letra fala de assumir sentimentos mais profundos como amor, que às vezes pode ser difícil, dependendo da pessoa. Convidei uma amiga cantora talentosíssima, a Maitê Gondim para fazer uma participação especial nos vocais, criando um clima interessante.

RtM: Grande destaque para mim, Victorioustambém sintetiza bem o som da banda, Metal pesado, contemporâneo, refrão forte e melodias marcantes, e também tem uma bela mensagem: A cura está dentro de você, só derrote a dor, nós seremos vitoriosos.
Humberto: Sim, essa é nossa homenagem para as pessoas que superaram o câncer e tomara, uma inspiração para aqueles que estão enfrentando!!

RtM: Mesmo com a redução da venda de CDs, muitas bandas seguem investindo, e vocês, como uma banda nova, mesmo que talvez seja um investimento de, digamos, maior risco atualmente, apresentaram um material magnífico em termos gráficos e sonoros. Vocês acreditam que, mesmo com uma certa crise, se não houver um investimento em um trabalho de alto nível, mais difícil ainda seria. Como vocês avaliaram essas questões?
Humberto: Ah, isso com certeza! Hoje, a aquisição de CD’s é algo que fica relegado ao último plano nos investimentos dos jovens em geral. Para podermos recuperar parte do dinheiro que foi investido, a melhor solução é ter o que chamamos de produto “Premium”, algo que realmente as pessoas queiram ter…e a única forma de se fazer isso é apresentando um produto com as melhores musicas que pudemos fazer, com a melhor gravação que pudemos pagar e a melhor arte que foi possível criar pra isso.No nosso caso, por ser um primeiro álbum, não conseguimos pensar num lançamento puramente virtual. Precisávamos de algo concreto nas mãos para mostrar para as pessoas, então apesar de “n" análises, optamos pelo CD físico!


RtM: E como vocês estão sentindo a questão de retorno financeiro e vendas do álbum,  agora aqui no País com essa certa instabilidade.
Humberto: Está rolando, bem devagar, mas está rolando.As vendas pelo site são boas, mas a maior quantidade de CD’s é vendida mesmo nos shows! Não só CD’s, mas o merchan em geral. É nossa maior fonte de retorno, sem sombras de dúvidas!

RtM: Estes dias comentando com alguns outros jornalistas, surgiu a questão que, com a aposentadoria, ou iminência dela, de várias das grandes bandas ou das mais tradicionais, poderia ser um fator positivo, fazendo com que o  público quem sabe volte mais a atenção aos novos nomes. O que você pensa a respeito?
Humberto: Eu discordo parcialmente. Se pensarmos num cenário mundial e de “mainstream” isso é válido, mas se você se voltar ao mercado Brasileiro ou ao underground, eu realmente não concordo. Hoje, no Brasil, só temos nas grandes arenas espaço para os dinossauros e com a aposentadoria das grandes bandas, em “arenas” temos uma grande tendência a vermos somente artistas do mainstream pop, que é um dos poucos nichos onde a indústria fonográfica ainda faz dinheiro. Existe renovação no pop mainstream, mas não no Metal. Tanto que muitas bandas antigas voltaram a ativa para pegar um pouco desse mercado.

RtM: Como você vê o futuro para as bandas de Metal?
Humberto: Para o Metal, o futuro está nos grandes festivais, combinando públicos diferentes dentro do estilo, para atrair grandes quantidades e ter retorno do investimento necessário para um show de arena. Já o underground, está fadado ao nível que está. Na falta de investimento em larga escala das gravadoras, as bandas underground podem até lançar bons álbuns e excursionar bastante, como algumas bandas tem feito, mas sempre estarão fadadas ao circuito menos glamouroso de casas de shows. Lembrem-se sempre que, mesmo no Metal, quem colocou grandes nomes lá onde estão, como Kiss, Iron Maiden, Metallica, AC DC, Black Sabbath e Ozzy (pra citar alguns que ainda podem encher - não lotar - estádios sozinhos) foram as gravadoras. Sejam gravadoras que cresceram junto com os artistas, ou as que foram compradas por gravadoras maiores…enfim, são várias teorias e só quem viver, verá!

"Para o Metal, o futuro está nos grandes festivais, combinando públicos diferentes dentro do estilo" 
RtM: E quanto à distribuição e divulgação no exterior? Quais as principais dificuldades que vocês sentem para atingir um mercado mais amplo?
Humberto: Hoje o limitante maior é a disponibilidade de capital para investir nisso. Mesmo quando tem-se gravadoras fora que se propõem lançar o material, em geral elas são pequenas e não tem condições de dar um suporte maior. Algumas bandas daqui, finalmente estão conseguindo isso, após 10 a 12 anos de trabalho, mas o limitante de qualquer hiper-exposição hoje, é capital.

RtM: Pessoal, obrigado pela atenção, mais uma vez parabéns pelo excelente trabalho, fica o espaço para a sua mensagem final.
Humberto: Queremos agradecer de coração a todos  que nos têm dado apoio, prestígio e nos acompanhado por ai. Agradecemos imensamente a vocês por nos abrirem esse espaço e expor nossa realidade de forma honesta e sincera! Sigam as bandas locais e apoiem realmente o Metal Nacional!!


Entrevista: Carlos Garcia

Attractha are:
Cleber Krichinak (vocals)
Humberto Zambrin (drums)
Ricardo Oliveira (guitars)
Guilherme Momesso (bass)

Contatos: