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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Graham Bonnet Band – 26/07/2026 – Burning House/SP

O penúltimo domingo do mês de julho ficou marcado por um dos melhores shows do ano, mesmo sabendo que teremos muita coisa para o restante de 2026. Sim, o show a que eu me refiro é o de Graham Bonnet, que, depois de meia década, retornou ao Brasil para desfilar os seus melhores momentos da carreira para o público fiel e encerrar a sua turnê pela América Latina em grande estilo. Quem esteve na Burning House, local do show, não só viu alguns dos seus clássicos do Rainbow, Michael Schenker Group, Alcatrazz e Impellitteri, como também viu um homem que resistiu ao tempo.

Ao adentrar na casa, localizada no bairro da Água Branca, avistamos um número significativo de pessoas. Não chegou a atingir a sua capacidade, mas foi quase, o que é de se surpreender em se tratando de um artista subestimado. Sim, foi isso mesmo que eu disse, pois, mesmo tendo integrado e gravado trabalhos ao lado de guitarristas como Ritchie Blackmore, Michael Schenker, Yngwie Malmsteen e Steve Vai, Graham não teve o merecido reconhecimento que os outros vocalistas de sua época tiveram, o que é uma pena, pois é um cantor talentosíssimo e influente para muitos do ramo – vide Dave DeFeis, que, em conversa com este repórter, falou que é uma de suas principais influências.

Não demorou muito para que o inglês e sua banda tomassem conta do palco, pois é raro, em pleno domingo, shows começarem antes das 20/21hrs. Por volta das 19h30, uma introdução interestelar saía dos sons da casa, indicando que o início seria com Eyes of the World, do Down to Earth (1979), que logo animou os presentes nos seus primeiros minutos, assim como a emblemática All Night Long, que pôs a maioria para cantar com força. Esse começo teve ainda mais energia com S.O.S. Intensa e dona de um refrão cômico, a música trouxe um breve peso antes de partir para uma rápida calmaria, que foi instaurada na melódica Love’s No Friend e que resultou no primeiro momento de interação, no qual Graham brincou que a gravou nos idos de 1800, quando ainda os dinossauros andava pela terra. Nesse embalo, ele aproveitou para agradecer ao saudoso Ronnie James Dio – por ter saído da banda – e ao Ritchie Blackmore por ter lhe dado um bom trabalho, que mudou a sua vida.

Por esse início, já dava pra sacar que o setlist ia trazer muitos clássicos, mas, em meio às pérolas, também teve coisas de sua carreira solo. Night Games, que, assim como S.O.S., também do Line-Up (1981), é um dos principais singles do álbum, trouxe a aura oitentista com uma mistura de hard rock e AOR carregada de energia. Antes de anunciá-la, Graham relembrou que a música foi gravada ao lado dos saudosos Cozy Powell (Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath, Michael Schenker Group e etc.), Jon Lord (Deep Purple, Whitesnake), Rick Parfitt (Status Quo) e Micky Moody (Whitesnake). Imposter e Into the Night – durante esta última, Graham quase caiu enquanto retornava ao seu banquinho – mostraram um pouco do que o vocalista e sua banda fizeram nos últimos anos. Ambas detêm riffs pesados e melodias marcantes, sem deixar aquela característica clássica de lado.

Essa parte, em específico, mostrou o poderio dos músicos que o acompanham, e vale um destaque especial para cada um, a começar pelo brasileiro Conrado Pesinato, que surpreendeu todo mundo com seu timbre poderoso de guitarra. Do começo ao fim, ele mostrou ter personalidade própria, pois em nenhum momento quis soar parecido com os guitarristas que tocaram com o Graham no passado, como bem definiu a baixista Beth-Ami Heavenstone em um momento do show. Uma pena não ter o devido reconhecimento, pois é impressionante o talento desse sujeito.

O tecladista Alessandro Bertoni e o baterista Francis Cassol, trajado com a camiseta das Spice Girls, tiveram os seus momentos de protagonismo, com solos vibrantes, enquanto o dono da noite repousava. Beth-Ami Heavenstone, que, além de baixista, é a esposa do Graham e tour manager da banda, fez de tudo para que a turnê acontecesse da melhor forma, como ela mesma bem disse. No palco, ela mostrou ter uma performance consistente, esbanjando empatia e distribuindo sorrisos.

Sobre Graham, faltam palavras para descrevê-lo, pois, mesmo com suas limitações físicas, que o obrigam a fazer o show sentado, e no auge dos seus 78 anos, ele consegue mostrar que sua voz resistiu ao tempo. Sua potência vocal e seu alcance continuam intactos, deixando muita gente de queixo caído com o que viu.

Fora o eixo Rainbow e carreira solo, também teve espaço para os seus tempos de Alcatrazz, que só poderiam ser dos álbuns No Parole from Rock 'n' Roll (1983), o único com Yngwie Malmsteen nas guitarras, e Disturbing the Peace (1985), com Steve Vai. A primeira foi justamente desse álbum, com God Blessed Video, dona de um refrão memorável, e Jet to Jet, uma das melhores da banda, por ter um andamento intenso. As escolhas foram mais do que óbvias, mas suficientes para mostrar que o Alcatrazz tem sua importância na história do hard rock, deixando os fãs ali presentes felizes com o que viram.

E, por falar em felicidade, ela se elevou na hora de Desert Song, a primeira do Michael Schenker Group, tirada de Assault Attack (1982), que provocou interação de Graham com o público, que aplaudiu sua performance com fervor. 

O final da primeira parte reservou mais momentos especiais. Since You Been Gone, originalmente composta por Russ Ballard, mas famosa pela versão do Rainbow, veio de forma bem descontraída, pois, antes de executá-la, Conrado reforçou que tocariam uma música inédita, soltando trechos de Smoke on the Water para a inconformidade de Graham, mas tudo na base da brincadeira. Assault Attack, faixa-título do único álbum que gravou com Michael Schenker, preparou o bis com um verdadeiro petardo.

O bis, por assim dizer, não teve, pois ninguém precisou sair do palco. Mas, obedecendo ao protocolo, o início da segunda parte veio de forma bem carregada com Too Young to Die, Too Drunk to Live, talvez o maior clássico do Alcatrazz e que trouxe uma performance vocal agressiva de Graham, antes de encerrar, de forma sofisticada, com Lost in Hollywood, já deixando um sabor de saudade e o desejo de quero mais.

Não foi apenas um show, foi uma verdadeira aula. Todos, incluindo Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), que esteve presente no show, saíram felizes e contentes com o que viram. Nada deu errado: Graham em plena forma vocal, banda com sangue nos olhos, som impecável, pontualidade e organização de aplaudir e tirar o chapéu. Espero que não demore muito para vir novamente, pois é um show que compensa ver diversas e diversas vezes.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: DNA Rock Events



Graham Bonnet Band – setlist:

Eyes of the World

All Night Long

S.O.S.

Love's No Friend

Night Games

God Blessed Video

Imposter

Desert Song

Jet to Jet 

Since You Been Gone

Into the Night

Assault Attack

Too Young to Die, Too Drunk to Live

Lost in Hollywood

domingo, 24 de maio de 2026

Jayler: Reflorestando o Espírito do Rock Clássico (Also In English)

Silver Lining Music (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Jayler dá nova vida ao som dos anos 70 em Voices Unheard

Jayler chega com o debut Voices Unheard mostrando que o rock clássico ainda consegue soar vivo e verdadeiro nas mãos de uma banda nova. O álbum é praticamente uma viagem pelo hard rock e blues setentista, mas sem parecer uma cópia vazia do passado. Pelo contrário: tudo soa muito natural, como se o Jayler realmente tivesse crescido ouvindo esse tipo de som e simplesmente quisesse continuar carregando essa energia adiante.

As comparações com Led Zeppelin são inevitáveis, principalmente por causa da voz de James Bartholomew, que lembra bastante Robert Plant em alguns momentos. Mas a própria banda parece lidar muito bem com isso. James comentou que eles pegam aquilo que bandas como Led Zeppelin representavam e ‘replantam’ de uma maneira própria — e honestamente, faz bastante sentido. Afinal, apesar da influência do Zeppelin ser muito clara, o Jayler não vive só disso. Dá para perceber referências de Aerosmith, AC/DC e The Beatles, além de muito blues e rock psicodélico espalhados pelo álbum em vários momentos.

Edu Lawless - @edulawless

A "Intro" já mostra exatamente essa proposta. A intro começa com uma gaita carregada de blues, um canto despretensioso, trazendo uma vibe muito setentista e até lembrando algumas coisas mais clássicas do Aerosmith. O jeito que a faixa soa quase parece uma gravação antiga em fita, com aquele clima vintage extremamente aconchegante e nostálgico. É aquele tipo de introdução que já te joga direto para a estética dos anos 70, 80 e até 90, criando uma sensação muito familiar logo de cara.

Depois disso vem “Down Below”, uma música energética, divertida e muito gostosa de ouvir. A gaita continua presente, o ritmo é dançante e a música passa uma mensagem de superação e volta por cima. Aqui, James já mostra sua técnica vocal impecável, alternando momentos mais agressivos com linhas melódicas muito naturais.

Edu Lawless - @edulawless

“Riverboat Queen” mergulha ainda mais fundo na identidade setentista da banda. É intensa, energética e cheia daquela 'sujeira' boa do hard rock clássico. Os riffs têm bastante personalidade e a música inteira parece feita para tocar alto.

A faixa “Bittersweet” vem como um momento de calma no meio de toda a energia do álbum. A faixa tem uma pegada mais acústica e folk, mostrando um lado mais sensível da banda. Aqui, a voz de James fica angelical e doce, e justamente pela simplicidade, a faixa acaba se tornando uma das músicas mais bonitas do disco.

Edu Lawless - @edulawless

“Lovemaker” traz aquele hard rock clássico, pesado e cheio de atitude. As guitarras distorcidas, os riffs marcantes e os vocais rasgados remetem muito à escola de Jimmy Page e ao rock setentista mais explosivo. É uma faixa intensa e extremamente divertida.

O álbum fecha com “The Rinsk”, talvez uma das músicas mais interessantes do disco. Ela vai crescendo aos poucos, ficando cada vez mais intensa conforme avança. O solo mais longo no final traz um lado mais experimental que combina muito bem com a proposta da banda, mostrando que Jayler consegue ir além da simples nostalgia.

Edu Lawless - @edulawless

Voices Unheard convence justamente porque soa verdadeiro. E é verdadeiro porque cumpre bem sua missão, eles não apenas "replantam", mas reflorestam o rock clássico. O Jayler claramente ama o rock clássico e coloca paixão em cada faixa, conseguindo transformar todas essas influências em algo que ainda tem uma  personalidade própria. A banda entende algo fundamental: algumas linguagens musicais se tornam atemporais justamente porque continuam encontrando novas vozes dispostas a mantê-las vivas. É um álbum energético, nostálgico, divertido e muito bem feito, daqueles que nos fazem lembrar por que o rock dos anos 70 continua influenciando tanta gente até hoje.

Edu Lawless - @edulawless

***ENGLISH VERSION***

Jayler arrives with their debut album Voices Unheard, proving that classic rock can still sound alive and genuine in the hands of a new band. The record feels like a journey through ’70s hard rock and blues, yet it never comes across as an empty imitation of the past. On the contrary, everything feels incredibly natural, as if Jayler genuinely grew up immersed in this kind of music and simply wanted to carry that energy forward.

Comparisons to Led Zeppelin are inevitable, mainly because of James Bartholomew’s voice, which strongly recalls Robert Plant at certain moments. But the band itself seems completely comfortable with that. James once mentioned that they take what bands like Led Zeppelin represented and “replant” it in their own way — and honestly, that description makes perfect sense. Even though Zeppelin’s influence is very clear, Jayler is far from being limited to it. You can also hear traces of Aerosmith, AC/DC, and The Beatles, alongside plenty of blues and psychedelic rock scattered throughout the album.

The “Intro” immediately establishes this concept. It opens with a blues-driven harmonica and an unpretentious vocal delivery, creating a deeply ’70s atmosphere that even recalls some of Aerosmith’s more classic moments. The way the track sounds almost resembles an old tape recording, carrying that warm, vintage, nostalgic feeling. It’s the kind of introduction that instantly throws you into the aesthetics of the ’70s, ’80s, and even ’90s, creating a strong sense of familiarity right from the start.

Then comes “Down Below,” an energetic, fun, and incredibly enjoyable track. The harmonica remains present, the rhythm is danceable, and the song carries a message of resilience and overcoming adversity. Here, James already showcases his impeccable vocal technique, alternating between more aggressive moments and naturally melodic lines.

“Riverboat Queen” dives even deeper into the band’s ’70s identity. It’s intense, energetic, and full of that gritty, dirty charm that defines classic hard rock. The riffs have a lot of personality, and the entire song feels designed to be played at maximum volume.

“Bittersweet” arrives as a calm moment amidst the album’s explosive energy. With a more acoustic and folk-inspired approach, the track reveals a more sensitive side of the band. James’ voice sounds angelic and delicate here, and precisely because of its simplicity, the song becomes one of the album’s most beautiful moments.

“Lovemaker” delivers classic hard rock in its purest form — heavy, loud, and packed with attitude. The distorted guitars, memorable riffs, and raw vocals strongly evoke Jimmy Page’s school of hard rock and the explosive spirit of the ’70s. It’s an intense and extremely entertaining track.

The album closes with “The Rinsk,” perhaps one of the record’s most interesting songs. It builds gradually, becoming more intense as it progresses. The longer solo near the end introduces a more experimental side that fits the band’s proposal perfectly, proving that Jayler is capable of going beyond simple nostalgia.

Voices Unheard succeeds precisely because it feels authentic. And it feels authentic because it fully accomplishes its mission: they don’t merely “replant” classic rock — they reforest it. Jayler clearly loves classic rock and pours genuine passion into every track, transforming all these influences into something that still carries its own identity. The band understands something fundamental: some musical languages become timeless precisely because new voices continue to emerge, willing to keep them alive. It’s an energetic, nostalgic, fun, and extremely well-crafted album — the kind that reminds us why ’70s rock still influences so many people today.

Divulgação


sábado, 25 de abril de 2026

Cobertura de Show: Dirty Honey + Jayler – 02/04/2026 – Audio/SP

Dois dias antes do evento principal no Allianz Parque, na noite de 2 de abril, São Paulo recebeu dois side shows especiais do Monsters of Rock Brasil: Jayler (Reino Unido) e Dirty Honey (EUA), que fizeram sua estreia no país em uma noite intimista, comandada pelo lendário Eddie Trunk como mestre de cerimônias. Com um público reduzido, afinal, era meio de semana, e as duas bandas ainda não são muito conhecidas no Brasil, a casa ficou com aquele clima de “clube do rock”, mas o que faltou em quantidade sobrou em qualidade e energia. Jayler abriu a noite, e Dirty Honey fechou, entregando dois sets completos que deram um aperitivo do que seria apresentado no festival.

Jayler subiu ao palco com James Bartholomew (vocais e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo e teclados) e Ed Evans (bateria). O quarteto inglês, com seu hard rock setentista, abriu com “Down Below” e já mostrou sua forte influência de Led Zeppelin. 

Bartholomew, com voz rouca e presença magnética, comandou o palco como se estivesse em um festival de 50 mil pessoas. A banda seguiu com “The Getaway” e “No Woman”, faixas que misturam riffs pesados com refrões melódicos, e o público respondeu bem ao som deles. Era nítido o prazer dos ingleses em estar ali: sorrisos largos, olhares de “não acredito que estamos no Brasil”.

Vieram “Riverboat Queen”, que contou com um solo marcante de gaita de Bartholomew, “Lovemaker” e uma versão cheia de personalidade de “I Believe To My Soul”, de Ray Charles, mostrando toda a versatilidade da banda. “Need Your Love” e “Over The Mountain” mantiveram a intensidade, com Arrowsmith e Bartholomew duelando nas guitarras de forma orgânica e visceral. O show foi encerrado com “The Rinsk”, uma pedrada que deixou o público entusiasmado. A apresentação deixou a sensação de que o Jayler soube aproveitar a oportunidade de estreia no Brasil. Foi um show sem firulas, mas eficiente, que serviu para apresentar identidade e potencial da banda.

Fechando a noite, o Dirty Honey mostrou por que vem sendo apontado como um dos nomes mais promissores do rock atual. A banda, formada por Marc LaBelle (vocal), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria), subiu ao palco com confiança, abrindo com “Gypsy”, com um riff marcante e LaBelle em destaque nos vocais, e logo emendou “California Dreamin’” e “Heartbreaker”, que rapidamente chamaram a atenção do público.

A intensidade continuou com “Scars”, “Get a Little High” e “Tied Up”, evidenciando a coesão e o entrosamento do quarteto. Durante “Don’t Put Out the Fire”, o vocalista Marc LaBelle desceu do palco e cantou no meio do público, chegando a subir em uma cadeira no centro da pista. Em meio ao calor da plateia, demonstrou carisma e presença ao longo da canção, levando o público à euforia. Na sequência, “The Wire”, “Another Last Time” e “Won’t Take Me Alive” reforçaram a veia do mais puro hard rock californiano.

A reta final contou com “When I’m Gone”, a estreia ao vivo de “Lights Out” e “Rolling 7s”. Com cerca de uma hora de show, o Dirty Honey deixou o palco com a sensação de missão cumprida, deixando claro que, mesmo com público reduzido, entregou uma apresentação de grande porte. Foi um show que não apenas preparou o terreno para o festival, mas também marcou uma estreia consistente no Brasil. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts

Press: Catto Comunicação 


Jayler – setlist:

Down Below

The Getaway

No Woman

Riverboat Queen

Lovemaker

I Believe To My Soul [Ray Charles]

Need Your Love

Over The Mountain

The Rinsk 


Dirty Honey – setlist:

Gypsy

California Dreamin'

Heartbreaker

Scars

Get a Little High

Tied Up

Don't Put Out the Fire

The Wire

Another Last Time

Won't Take Me Alive

When I'm Gone

Lights Out 

Rolling 7s

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Christopher Cross – 06/12/2025 – Vibra/SP

Christopher Cross emociona público no Vibra São Paulo com clássicos, precisão musical e clima de nostalgia

No sábado, 6 de dezembro de 2025, o Vibra São Paulo recebeu o retorno de Christopher Cross após nove anos longe dos palcos brasileiros. Em turnê comemorativa pelos 40 anos de carreira, o cantor e guitarrista norte-americano entregou um espetáculo pautado pela elegância, pelo repertório conciso e por arranjos impecáveis — ingredientes que tornaram a noite memorável para o público majoritariamente nostálgico.

Com mais de 10 milhões de discos vendidos e dono de prêmios como cinco Grammys, um Oscar e um Globo de Ouro, Cross consolidou-se como uma das vozes mais influentes da música romântica internacional. No Vibra, reforçou esse legado com uma apresentação que privilegiou a qualidade musical acima de grandes efeitos de produção.

O artista subiu ao palco acompanhado de uma banda afiada, composta por músicos de altíssimo nível: Kevin Reveyrand (baixo), Francis Arnaud (bateria), Jerry Leonide (pianos) e David Mann (sax), além do trio de backing vocals Julie Peters, Lisbet Guldbeck e Jess Opong. O grupo não apenas sustentou o repertório com segurança, como brilhou em momentos solo, sempre com equilíbrio e sem exageros instrumentais.

Um dos destaques da noite foi a performance de “I Know You Well”, apresentada por Cross em dueto com a vocalista Jess Opong, que surpreendeu o público com sua presença vocal marcante — um momento de rara delicadeza e sintonia no palco.

A voz suave e inconfundível de Christopher Cross manteve-se firme ao longo do show, preservando a assinatura que marcou gerações nos anos 1980. Clássicos como “Sailing”, “Ride Like the Wind” e “Arthur’s Theme (Best That You Can Do)” foram recebidos com entusiasmo e cantados em coro pela plateia, relembrando a trilha sonora de uma era. “Arthur’s Theme”, inclusive, reacendeu memórias do famoso filme Arthur, o Milionário Sedutor, protagonizado por Dudley Moore e Liza Minnelli.

O setlist também trouxe composições mais recentes, mostrando que o artista segue ativo e criativo, sem ficar preso apenas aos sucessos do passado. O público, formado por fãs que viveram o auge da carreira de Cross e por jovens que descobriram suas canções por meio de pais, filmes ou playlists, celebrou a música em sua forma mais pura.

A passagem de Christopher Cross pelo Brasil, quase uma década após sua última apresentação, ressaltou a importância de artistas que ajudaram a moldar a sonoridade de uma época e que permanecem relevantes. Para muitos presentes, o show representou a chance de revisitar capítulos importantes de suas histórias pessoais.

Ao final, a noite no Vibra São Paulo transcendeu a nostalgia e se transformou em uma celebração sincera da arte de compor, interpretar e emocionar. Christopher Cross mostrou que, quatro décadas depois de seu auge comercial, sua música continua a unir gerações e reafirmar o poder duradouro de canções bem construídas e eternas.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Opus Entretenimento 


Christopher Cross – setlist:

All Right

Never Be the Same

I Really Don't Know Anymore

Alibi

Sailing

Walking in Avalon

You

Arthur's Theme (Best That You Can Do)

Talking in My Sleep

I Know You Well

Simple

The Light Is On

No Time for Talk

Ride Like the Wind

Think of Laura

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Cobertura de Show: Best Of Blues And Rock – 15/06/2025 – Parque Ibirapuera/SP

Assim como no dia anterior, e durante toda a semana, a temperatura continuava em queda, trazendo um daqueles frios que nos obriga a nos enfurnar em camadas de roupa para ficar minimamente aquecidos. Mesmo assim, os fãs de classic rock seguiram firmes rumo ao Parque Ibirapuera para o quarto e último dia do Best of Blues and Rock, que teve como headliner o Deep Purple junto com a Judith Hill e os brasileiros do Hurricanes. Em comparação aos dias anteriores, este dia teve menos atrações – todas de excelente qualidade – proporcionando ótimas experiências para quem esteve presente.

O início das apresentações, diferente do dia anterior, aconteceu mais tarde, com os trabalhos começando pontualmente às 17h20. Formados em 2016 e com dois discos lançados, os gaúchos do Hurricanes carregam em seu caldeirão musical as influências do rock das décadas de 60 e 70. Mesmo diante de um público relativamente pequeno, a banda entregou um show enérgico e, ao mesmo tempo, emocionante – especialmente por parte do vocalista Rodrigo Cezimbra, que se destacou durante toda a uma hora que esteve em cima do palco.

O repertório foi uma mescla de faixas dos dois discos lançados pela banda, todas executadas com instrumentos característicos da época, como o baixo Rickenbacker, a guitarra Gibson SG e o órgão Hammond, além de duas vocalistas de apoio que deram ainda mais força às canções. Músicas como “Weary Hearted Blue”, com seu andamento climático, combinaram perfeitamente com o pôr do sol que surgia ao fundo; a bluesy “Through the Lights” e a melódica “Flower” – escrita em homenagem ao filho de Rodrigo Cezimbra – também se destacaram e conquistaram rapidamente o público. “Devil’s Deal” foi a mais aplaudida entre as 11 músicas selecionadas, apesar de um imprevisto com Leo Mayer, que teve uma corda da guitarra arrebentada logo no início da execução. Ainda a tempo, com o instrumento trocado, a banda fez questão de retomar a música do começo. “With a Little Help from My Friends”, cover dos Beatles, trouxe um clima de despedida afetiva, deixando todos com um sorriso no rosto.

Igual a Larissa Liveir, muitos também não tinham feito a lição de casa em relação a Judith Hill, onde ela e sua banda se apresentarem pela primeira vez no Brasil. No entanto, com uma pesquisa rápida, é possível descobrir que se trata de uma cantora com bastante experiência, com o nome ligado a trabalhos com Michael Jackson, Prince, Stevie Wonder, entre outros. Desde 2015, a cantora americana segue em carreira solo, sendo Letters from a Black Widow seu trabalho mais recente.

Com sua impressionante voz, Judith presenteou a plateia – que a essa altura já era bastante volumosa – com uma apresentação intensa e vibrante. Cada música, transitando entre o soul, funk e blues, deixou até os fãs mais roqueiros do Deep Purple boquiabertos, não só pelo talento da americana, mas também pela competência da banda que a acompanhava, demonstrando eficiência e entrosamento do início ao fim. Além de sua potência vocal, Judith também se destacou como guitarrista, mantendo o instrumento em mãos durante todo o show e mostrando grande habilidade.

Mais um ponto para o time do Best Of Blues And Rock por ter trazido um nome que ainda não é tão conhecido por aqui, despertando em nós, brasileiros, a curiosidade de descobrir talentos que raramente ganham espaço na mídia nacional. Em resumo foi um excelente show, daqueles que merecem aplausos a cada música.

O Deep Purple é uma daquelas bandas que sempre demonstrou um carinho especial pelo Brasil. A cada nova turnê promovida, o país entra na rota obrigatoriamente – somando, com o show realizado no Best Of Blues And Rock, nada menos que 15 visitas. É bem provável que, em uma dessas passagens, você, caro leitor, já tenha tido a chance de vê-los ao vivo. E sim, fui assistir aos ingleses por dois motivos. O primeiro é óbvio: trata-se de uma banda formadora de caráter, um verdadeiro pilar da "santíssima trindade" do rock, ao lado do Black Sabbath e do Led Zeppelin. O segundo é o fato de ser a única banda no mundo que se apresenta de forma totalmente autêntica: sem overdubs, sem playback, sem bases pré-gravadas ou qualquer artifício técnico. Só músicos, instrumentos e verdade no palco.

Quem foi ao show acabou se deparando com o mesmo repertório do ano passado. Muitos esperavam novidades, especialmente a inclusão de “Perfect Strangers”, aguardada por grande parte do público. Mas, mais uma vez, ela ficou de fora. Como não vieram de uma sequência intensa de shows, a banda teve mais tempo para se preparar, o que resultou em uma apresentação superior à do ano anterior. A abertura com “Highway Star”, seguida de “A Bit On The Side”, já mostrou toda a excelência dos músicos, com destaque para o baterista Ian Paice e o baixista Roger Glover, que seguem formando uma das melhores bases rítmicas do mundo.

A sequência de “Hard Lovin’ Man” e “Into the Fire” fez muitos se perguntarem, de imediato: como Ian Gillan lidaria com o desafio vocal dessas músicas? Com quase 80 anos, é natural que ele já não tenha a mesma potência de antes, mas ainda consegue sustentar um bom alcance dentro do que é possível, continuando sendo, até hoje, um dos vocalistas mais influentes da história do rock. Em vários momentos, demonstrou seu carisma agradecendo e interagindo com o público. 

Simon McBride, que vem substituindo o grande Steve Morse com maestria, teve o seu momento com um solo maravilhoso de guitarra, que abriu caminho para a majestosa “Uncommon Man”, tirada do álbum Now What?! e dedicada ao antigo e saudoso tecladista Jon Lord, conforme mencionou Gillan após o encerramento.

“Lazy Sod” é a prova de que a banda continua com sua criatividade aflorada. Ela, assim como “A Bit On The Side” e “Bleeding Obvious” – executada mais adiante – faz parte do trabalho mais recente, =1, lançado no ano passado. Além disso, a faixa também abriu caminho para um dos momentos mais hilários da noite com “Lazy”, outra pérola da carreira da banda, que levou um casal próximo deste repórter a dançar freneticamente. Nessa música, Don Airey, sempre bem-humorado, antecedeu a execução com um breve solo de teclado e brindou a plateia com uma cerveja – diferente das outras vezes, em que fazia o brinde com uma taça de vinho. Esse solo se estendeu após a calma “When a Blind Man Cries” – acompanhada por uma iluminação toda azulada – e “Anya”, que, para mim, foi o melhor momento do set. No segundo solo da noite, Don Airey homenageou o Brasil com “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, e ainda surpreendeu ao incluir a famosa introdução de “Mr. Crowley”, composta pelo próprio para o Ozzy Osbourne.

Antes de encerrar a primeira parte, veio uma dobradinha de sucessos do Machine Head, começando com “Space Truckin’” e finalizada com “Smoke on the Water”. Por mais que muitos já estejam cansados de ouvi-la, não tem jeito... É impossível não se render ao maior riff da história e ao refrão, que fez todo mundo cantar impulsivamente. O desfecho dessa apresentação marcante veio com “Hush”, antecedida pela instrumental “Green Onions”, e “Black Night”, que, como de costume, contou com os tradicionais “ô, ô, ô” acompanhando os riffs. Um final perfeito!

Usando as mesmas palavras da resenha do show do ano passado, o Deep Purple é uma daquelas bandas que você sempre quer ver de novo assim que o show termina. Apesar da idade avançada da maioria dos integrantes – com exceção de Simon, que é mais jovem – os músicos ainda demonstram um vigor jovial impressionante, que promete se manter por bastante tempo, tanto em futuros álbuns quanto em apresentações ao redor do mundo.


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Mariana Dantas (Hurricanes, Judith Hill) / Bárbara Matos (Deep Purple)


Realização: Dançar Marketing 

Press: Marra Comunicação 


Hurricanes – setlist

Penny In My Pocket

Over The Moon

Waiting

Come To The River

Weary Hearted Blues

The Bird’s Gone

Flowers

Devil’s Deal

Thunder in the Storm

Through The Lights

With a Little Help From My Friends


Judith Hill – setlist

I Can Only Love You by Fire

Fire (Ohio Players cover)

Gypsy Lover

Runaway Train

Burn It All

Give Your Love to Someone Else

Dame De La Lumière

Flame

You Got It Kid

Cry, Cry, Cry


Deep Purple – setlist

Highway Star

A Bit on the Side

Hard Lovin' Man

Into the Fire

Uncommon Man

Lazy Sod

Lazy

When a Blind Man Cries

Anya

Bleeding Obvious

Space Truckin'

Smoke on the Water

Bis

Green Onions (Booker T. & the MG’s cover)

Hush (Joe South cover)

Black Night

sábado, 17 de maio de 2025

Cobertura de Show: Simple Minds – 04/05/2025 – Espaço Unimed/SP

Na noite do dia 4 de maio de 2025, o Simple Minds desembarcava em São Paulo para o show que aconteceria no Espaço Unimed, um de seus destinos na Global Tour.

Sendo uma das bandas mais icônicas e cheias de hits que embalaram os anos 80, o retorno do grupo à capital paulista foi muito aguardado por uma geração de fãs “veteranos”, que estavam ali desde o começo e viram os lançamentos acontecerem na época – e também pela nova geração, que redescobriu o som oitentista por meio de filmes, séries, playlists digitais ou até pela família com ótimo gosto musical.

O público estava visivelmente ansioso e emocionado: muitas famílias, pessoas de outros estados e até de países estrangeiros!

Logo no início do show, quando os primeiros acordes de "Waterfront" explodiram pelos alto-falantes, a banda já entrou totalmente enérgica e potente. Estava claro que eles queriam estar ali naquela noite – e o resultado foi um show incrível do início ao fim.

Além da presença magnética de Jim Kerr (vocal) e da entrega incrível de Charlie Burchill (guitarra), duas figuras que chamaram muita atenção do público, não só pelo carisma e dedicação, mas também pelo talento, foram a baterista Cherisse Osei e a backing vocal Sarah Brown. Duas energias incríveis juntas – foi realmente uma surpresa para todos ali e, com certeza, um show à parte. Muita entrega a todo momento, muita energia e emoção.

Nadando contra a maré e contrariando o que muitos pensam, apesar de ser uma banda tida como “antiga”, o Simple Minds provou que é extremamente atual, inclusivo e que, assim como tudo, soube se reinventar – mostrando que juntos fazem o show ser único e vibrante. Realmente uma experiência que vale muito a pena viver.

Os fãs também não deixaram a desejar, participando ativamente de cada música: dançando, cantando, batendo palmas e interagindo sempre com a banda. E, claro, ao se aproximar do fim do espetáculo, vieram os clássicos – e até quem não era superfã reconheceu os longos e estendidos acordes de “Don’t You (Forget About Me)”, a mais famosa canção da banda. Cada verso foi cantado com tanta força e vontade que, por um instante, o Simple Minds se tornou apenas coadjuvante. Jim, visivelmente comovido, apenas regia a plateia que entoava os tradicionais “la-la-la-la-la”... Ao fim da música, a banda se despede rapidamente – e, como em todo show, claro, vieram os bis.

O grupo volta ao palco e toca mais quatro músicas, entre elas os clássicos "Someone Somewhere (In Summertime)" e "Alive & Kicking", quase explodindo o coração de todo mundo e fechando o show com chave de ouro.

Jim, emocionado, agora se despede de verdade, mas deixa a promessa de que voltarão – e esperamos que seja o quanto antes.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Simple Minds – setlist:

Waterfront

The Signal and the Noise

Speed Your Love to Me

Big Sleep

Hypnotised

This Fear of Gods

She's a River

See the Lights

Once Upon a Time

I Wish You Were Here

All the Things She Said

Don't You (Forget About Me)

Ghost Dancing

Bis

Dolphins

Someone Somewhere in Summertime

Alive and Kicking

Sanctify Yourself