domingo, 17 de março de 2024

Cobertura de Show – Tarja Turunen e Marko Hietala – Bar Opinião/RS – 09/03/24

Cobertura por: Renato Sanson

Fotos: Daniele de Oliveira

Após o sucesso da turnê “Living The Dream The Hits Tour 2023” que passou por Porto Alegre em setembro com Sold Out, a rainha retornaria seis meses depois com mais um Sold Out, mas desta vez com o seu ex-companheiro de Nightwish o grande Marko Hietala. Para uma tour histórica, onde ambos iriam dividir o palco novamente quase vinte anos depois.

Porém, o que seria uma noite dos sonhos acabou não sendo bem assim e a ideia da “Living The Dream – The Hits Tour 2024” com Marko acabou deixando um gosto amargo na boca dos fãs.

A casa abriu antes das 21h para pontualmente a banda Andreas Solrak entrar em cena e aquecer os presentes. De fato, seu Folk/Rock demorou a ganhar o público, não por falta de competência dos músicos, mas sim, por ser uma escolha pouco assertiva para a ocasião. Não combinando com a noite ali proposta. Mas no que se propuseram (mesmo tendo um inicio prejudicado pela questão do som que engrenou algumas músicas depois) mandaram bem e certamente saíram dali com mais pessoas interessadas em sua musica.

Com um Opinião abarrotado e com um calor imenso, já que os ar condicionado do ambiente não davam conta e a capital fervia como o inferno do lado de fora, notamos que o palco acústico de Marko já estava montado e teríamos uma dinâmica diferente do show de São Paulo.

Pontualmente às 22h Marko entra em cena para delírio dos fãs acompanhado do músico Tuomas Wainola e a belíssima “Stones” adentra a casa e mostra que teríamos uma noite épica. Teríamos... Já era perceptível a dificuldade de cantá-la que Marko estava tendo.  Encerrando a mesma e deixando o palco deixando todos com duvidas, pois já tinham se passado mais de 15 minutos e os músicos não retornavam.

Ao retornar e ser ovacionado, Hietala informa que não vai conseguir prosseguir com o show, estava com a garganta bem prejudicada pelas mudanças climáticas e as poucas horas de sono. Pediu desculpas e os presentes o abraçaram e foram extremamente compreensíveis com o carismático Marko Hietala. Que informou que se fosse possível realizaria um Meet & Greet ao final para suprir um polco à falta do show.

Então ficamos todos apreensivos, já que Marko não estava bem, possivelmente Tarja também não estaria. O palco foi organizado rapidamente e Paulo Baron aparece no palco para conversar com os presentes informando que a Tarja não estava bem e antes que pudesse continuar uma sonora vaia ecoou, onde Baron pediu calma e informou que estava ali para fazer um pedido, que a Tarja iria subir e fazer seu show, mas queria que os fãs a ajudassem cantando com ela.

Então a glamorosa Tarja entrou em cena com sua excelente banda de apoio sendo ovacionada e tendo a trinca “Demons in You”, “Die Alive” e “Diva”. Mostrando que mesmo doente Tarja é um show a parte e não economizou sua voz o que deixou todos impressionados. De fato, dando o seu melhor nas piores condições possíveis!

“Shadow Play” foi mais um exemplo de superação da finlandesa e o caminho estava pronto para os clássicos do Nightwish e uma ponta de esperança se acendeu quando Marko voltou ao palco com Tarja, mas subiu novamente para se desculpar e que estaria indo para o hotel, pois não estava se sentindo bem. Pedindo desculpas e a plateia gritando seu nome em respeito à situação complicada de saúde que estava.

Mesmo assim Tarja nos brindou com as ótimas “Planet Hell” e “Wish I had an Angel” contando com o apoio do guitarrista Alex Scholpp nas partes de Hietala. Levantando o público.

Sabemos que as composições do Nightwish sempre serão os pontos mais altos de seus shows, mas considero “I Walk Alone” tão grandiosa e tão incrível o clima gerado quanto dos clássicos de sua ex-banda. Provando que sua carreira solo é grandiosa!

Pois bem, o show se encerra com a ótima “Until My Last Breath” e o sonho de rever esses dois ícones lado a lado destilando os clássicos que os consagraram acabou não acontecendo. Gerando certa frustração nos fãs ainda mais que Tarja reduziu o seu setlist para poder se apresentar.

O gosto amargo ficou sim e quem sabe a melhor solução para este caso seria a remarcação do show para que pudéssemos presenciar essa tour histórica do modo em que mereceríamos, já que, Porto Alegre sempre esteve com a casa lotada para ver a rainha Turunen. Espero que retornem em breve para o show completo e vivenciarmos essa história que não acontece há quase vinte anos.

P/S: novamente não tivemos pit para os fotógrafos, o que gerou certa dificuldade na captação de fotos. Com um Opinião extremamente lotado, ficou ainda mais difícil encontrar uma posição boa para os registros. Que são de extrema importância para uma cobertura. Gerando ainda mais qualidade. Um ponto a ser revisto.


Setlist:

Demons in You

Die Alive

Diva

Shadow Play

Dark Star

Dead Promises

Planet Hell

Wish I Had an Angel

I Walk Alone

Victim of Ritual

Until My Last Breath


quinta-feira, 14 de março de 2024

Cobertura de Show: Tarja Turunen & Marko Hietala – 08/03/2024 – Tokio Marine Hall/SP

Após 18 anos, a rainha do Metal Sinfônico, Tarja Turunen, e o brilhante multi-instrumentista e cantor Marko Hietala, conhecidos no mundo todo por serem as magníficas vozes da principal formação clássica do Nightwish, finalmente se reencontram para a turnê latino-americana “Living the Dream – The Hits Tour” para matar a saudade de seus fãs que sonhavam em revê-los juntos. Em São Paulo, o evento ocorreu na sexta-feira passada (08/03) no Tokio Marine Hall, incluindo outras datas aqui no Brasil. 

Infelizmente a noite chuvosa atrapalhou a logística, e nos impediu de chegar a tempo de assistir à apresentação da banda de abertura Allen Key, que por sinal executa um Rock moderno muito competente, destacando-se os belos vocais de Karina Menasce.

O set acústico de Marko (contrabaixo e voz), acompanhado de seu parceiro e guitarrista Tuomas Wäinölä, começou às 21h com a bela “Stones”, primeiro track de seu álbum solo “Pyre Of The Black Heart”. É muito fácil apreciar qualquer música na belíssima voz de Marko, que continua em plena forma como sempre. Ao término da “Crazy Train”, cover de Ozzy Osbourne, Marko fala sobre sua carreira solo e sobre o lançamento do single “Left On Mars”, que conta com a participação de Tarja Turunen.  Logo após tocam “Two Soldiers”, que também estará em seu segundo álbum solo, a ser lançado em 2024. Marko agradece ao final da música, disse que é ótimo estar de volta a São Paulo, o público aplaude e começa a gritar “Marko” sem parar.

A próxima música, de acordo com o Marko, “é algo que nunca fica velho” e de um outro grande astro do Metal. Fazem uma pequena intro com firulas e, então, tocam “Holy Diver” (cover do Dio), que ganhou uma improvisação no final com Tuomas batendo os pés rápido como se tivesse um pedal duplo, além de fazer ressoar os instrumentos. Marko gritou “Don’t Talk To… Don’t Talk To Estranjeros”, fazendo alusão a outra canção de Dio. O público seguiu empolgado e aplaudindo.

Após os agradecimentos, Marko deixou o seu baixo em repouso por um tempo e pegou uma guitarra acústica para tocar a próxima música, “The Islander”, do Nightwish. Antes de começar, ele brincou falando que pode tocar várias coisas, deixando todos felizes em vê-lo cantando e tocando a música de sua antiga banda.


Com o baixo novamente em mãos, fechou seu set acústico com a poderosa “Children Of The Grave”, cover de Black Sabbath, que teve um coro bem empolgante do público. Ao final, Marko despede-se com os gritos de ‘Marko, Marko, Marko’ mais uma vez.


Enquanto todos aguardavam o próximo show, notava-se o calor aumentando ao redor da imensa pista premium, que estava lotada. Mas neste momento seria impossível sair para o bar, correndo o risco de perder o lugar para a principal atração da noite. Tarja Turunen, às 22hrs e com um leve atraso de poucos minutos, começa o set com “Eye Of The Storm”, canção inédita que consta na coletânea “Best Of: Living The Dream” (2022) e que levaram a plateia à loucura quando a cantora entrou no palco.

Em inglês e português, Tarja disse que é lindo estar de volta aqui no Brasil e ver todos sorrindo e felizes. “Demons In You” – do “The Shadow Self” (2016) e que em estúdio conta com a participação de Alissa White-Gluz, mas com os backings do guitarrista Alex Scholpp e do baixista Pit Barret ao vivo – deu seguimento ao show.

Uma bela intro com a orquestração de Guillermo de Medio e um solo de bateria bem interessante de Alex Menichini fez com Alex Scholpp entoa-se os acordes de “Die Alive”, um clássico do “My Winter Storm” (2007). A plateia ficou bastante animada cantando junto ao ponto de a Tarja fazer agradecimentos no meio da música, que sem perder tempo, mandou a música com o título que faz jus a sua beleza, “Diva”, do “The Shadow Self” (2016). 

Logo depois, ela perguntou se alguém sabia quantas vezes ela veio a São Paulo, mas ninguém soube dizer: ‘como assim, eu achei que vocês sabiam! Eu não sei, quem sabe? Ok, a primeira vez foi em 2000, certo? Isso é 24 anos atrás! É bastante tempo, mas eu amo isso’, falou.  

No piano, cantou a bela “Shadow Play”, do “In The Raw” (2019). Neste momento, principalmente, ficou evidente o bom entrosamento entre Alex, Julian, Pit e ela, que deixou o palco para que o Alex Scholpp e Julian Barret executarem um belo dueto de guitarras.

Eis que, finalmente, chega o momento mais esperado da noite: Tarja e Marko chegam juntos ao palco, sendo fortemente ovacionados pela galera. Afinal, são 18 anos desde que os ouvimos juntos pela última vez no Nightwish. Começaram com o clássico “Dead To The World”, do “Century Child” (2002) e depois com “Dark Star”, do “What Lies Beneath” (2010). Não há palavras suficientes para descrever este momento, mas vocês podem imaginar a empolgação de todos do início ao fim cantando junto. É maravilhoso ver Tarja e Marko cantando felizes, como se o tempo não houvesse passado. Suas vozes permanecem intactas e parecem bem à vontade no palco.

Tuomas Wäinölä apareceu ao palco para fazer participação em “Left On Mars”, que foi lançado oficialmente nas plataformas digitais na última quarta-feira (13/03). Porém houve um problema em seu equipamento, e Tarja brincou dizendo que foi culpa dela quando foi abraçá-lo. Todos encararam de boa, tanto é que o público começou a gritar ‘ole, ole, ole, ole, Tarja, Tarja’ e logo depois ‘ole, ole, ole, ole, Marko, Marko’. Sem dúvidas é um belo dueto, e esperamos que eles façam mais duetos em breve! ‘Bem, neste ano nós gravamos um novo dueto novamente. É uma música que eu e Tuomas Wäinölä compomos, eu convidei a Tarja e ela disse sim. Foi um acordo de cavalheiros, o que fizermos depois, eu prometo, vocês vão curtir’, falou Marko antes de executá-la.

De volta ao palco, Marko e Tarja cantaram a empolgante “Dead Promises”, mais uma do último álbum “In The Raw” (2019), com Alex, Pit e Julian agitando bastante. Tarja perguntou se Marko estava feliz, que respondeu: ‘sim, está sendo realmente muito divertido’. Tarja disse que, realmente, depois de todos estes anos, está sendo uma grande diversão. Sendo assim, despejaram mais pérolas, como a poderosa “Planet Hell”, do “Once” (2004) – último álbum do Nightwish com Tarja nos vocais e que esse ano completa duas décadas de lançamento. Com certeza um dos pontos altos da noite, com o público cantando e agitando sem parar do início ao fim. A animação seguiu com “I Wish I Had An Angel”, também do “Once” (2004), com Tarja bangueando.

Mais músicas da carreira solo da Tarja foram tocadas antes do tradicional Bis: a clássica “I Walk Alone”,– que no finalzinho fez um trocadilho cantando ‘na verdade eu caminho com vocês’ – e “Victim Of Ritual”, do “Colours In The Dark” (2013). Nesta música o público faz um belo coro junto com a cantora. O final apoteótico desta música, mais uma vez, mostrou a competência dos músicos de apoio com direito a mini solos de guitarra e bateria.

Novamente sob os gritos de ‘ole, ole, ole, ole, Tarja, Tarja’, a cantora e seus músicos voltam para mandar a última trinca da noite, dando o pontapé inicial com a bela “Innocense”, do  mais uma do álbum “The Shadow Self” (2016). Ao longo do show, o telão passava os clipes de várias músicas. Tarja apresentou seus músicos e agradeceu o apoio de todos. O público reagiu com muitas palmas, que pediu sem parar “The Phantom Of The Opera”, seu mais famoso dueto com Marko, mas era a vez de executar mais uma do álbum “What Lies Beneath" (2010), e a escolhida foi “Until My Last Breath”.

A galera queria ver mais um dueto com Marko, tanto é que gritaram novamente (sem parar) “The Phantom Of The Opera”. Ele e a Tarja, que neste momento estava vestida com uma camiseta da Seleção Brasileira de futebol, se uniram novamente para encerrar o show com o cover de “Over The Hills And Far Away”, do Gary Moore, e que é bem conhecido entre os fãs de Nightwish. Mais uma vez, o público ensandecido gritou com todas suas forças “The Phantom Of The Opera”, mas sem sucesso. Quem sabe numa próxima...

Em tempo, esperamos que Tarja e Marko se recuperem totalmente e que voltem a brilhar tanto quanto como brilharam nesta noite maravilhosa, em São Paulo, fazendo novos duetos no futuro.


Texto: Juliana Novo

Fotos: André Tedim

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Top Link Music

Agradecimentos: Isabele Miranda e Clovis Roman pelo credenciamento


Marko Hietala

Stones

Crazy Train (Ozzy Osbourne cover)

Two Soldiers

Holy Diver (Dio cover)

The Islander (Nightwish song)

Children of the Grave (Black Sabbath cover)

 

Tarja Turunen

Eye of the Storm

Demons In You

Die Alive

Diva

Shadow Play

Dead to the World (feat. Marko Hietala, Nightwish)

Dark Star (feat. Marko Hietala)

Left on Mars (feat. Marko Hietala)

Dead Promises (feat. Marko Hietala)

Planet Hell (feat. Marko Hietala, Nightwish)

Wish I Had An Angel (feat. Marko Hietala, Nightwish)

I Walk Alone

Victim of Ritual

***Encore***

Innocence

Until My Last Breath

Over the Hills and Far Away (feat. Marko Hietala, Gary Moore cover)

Resenha: Valk - Martyr

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.0/10.0

Ontem mesmo eu estava ouvindo o "Angels Cry", meu preferido na discografia do Angra, quando recebo do nosso editor uma cópia deste "Martyr", EP de estreia da banda VALK. Coincidências ou não, estes goianos não se furtam em assumir o próprio Angra como influência direta na sua musicalidade. Isso é tão evidente que, caso negassem, seria de uma falsidade absurda! Até porque, já nos primeiros momentos de "Lotus", faixa de abertura, podemos linka-la de bate pronto com a clássica "Carry On". E este é apenas um dos aspectos...

Como dito acima, não dá pra escapar de algumas comparações, mas a VALK busca caminhar com as próprias pernas, pois traz consigo diversos outros elementos, mais voltados para a escola europeia, do que o Angra que mergulhou de cabeça na cultura musical brasileira. Até a arte da capa de "Martyr" revela isso, com algo bem medieval, europeu, quase na linha da obra de J. R. R. Tolkien. Outro exemplo é “Cold Stone”, que foi a que mais gostei de todo o trabalho. Ela parece seguir o caminho para ser uma balada típica, porém mergulha no peso e traz até um tom mais progressivo ao CD. Ela é a maior do EP, e pode vir a se tornar obrigatória nos shows deste quarteto.

"Martyr" é bem curtinho mas se revela em ótimos momentos, outros nem tanto, quando justamente tentam soar como o Angra. Mas por ser um primeiro registro, dá pra levar em consideração que a VALK ainda está encontrando o seu caminho, sem ser necessário se escorar em mais ninguém. Estou curioso para o que estes caras vão nos apresentar no seu primeiro álbum, que deve chegar muito em breve, através da equipe da MS Metal Records.

Resenha: Morkalv - An Ancient Cult to the Aesir


Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.5/10.0

Que as chamas dos sete caldeirões do inferno nunca se apaguem! E que toda a cultura anciã nórdica, sempre tenha cada vez mais espaço na nossa cena underground. Dito isto, tenho que reverenciar estes caras da MORKALV, que com este debut “An Ancient Cult to the Aesir” presta um enorme serviço ao nosso cenário, por ser uma das obras mais sinceras que já ouvi em muitos anos, dentro do Black Metal, principalmente.

“An Ancient Cult to the Aesir” é um típico álbum de Black Metal, que respeita muito todas as características e elementos do segmento. Com isso, ele acrescenta mais força para uma cena repleta de posers, e que veem mais ímpeto nas intrigas do que propriamente em fazer música de qualidade. Por isso a MORKALV me ganhou, pois o que encontrei aqui foi uma devoção musical poucas vezes equiparada! Dá pra sentir em músicas como “Odin”, “Sutr” e “Tyr”, que os caras veneram este modo de vida. Veneram a ideologia e os preceitos que fazem um headbanger ter sua vida conduzida para a escuridão.

Até a arte gráfica foi confeccionada como antigamente, com desenho feito a mão. E por falar nela, está aí uma ilustração que representa com fidelidade, o que você vai poder encontrar ao apertar o play no spotify. Black Metal pagão, com uma estética que nos joga para o período que bandas como Darkthrone, Dissection, Immortal e Mayhem reinavam absolutas em todo o mundo. Dá pra sentir o peso com as referências, não?! Pois é, tudo aqui é levado com uma seriedade absurda por todos os envolvidos.

A versão física de "An Ancient Cult to the Aesir" está prestes a sair e vou adquirir a minha, através da gravadora dos caras, a Eternal Hatred Records. Que já vem fazendo um excelente trabalho com a horda, e outras revelações do nosso cenário brasileiro. Longa vida à MORKALV e que novos ventos os levem aos palcos mundo a fora.

domingo, 10 de março de 2024

Cobertura de Show: Rotting Christ – 29/02/2024 – Carioca Club/SP

A lenda grega do Black Metal, Rotting Christ, retornou mais uma vez ao Brasil para celebrar seus 35 anos de carreira com a turnê latino-americana “35 Years Of Evil Existence”.

Liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Sakis Tolis, e também composta por seu irmão Themis Tolis, além dos músicos de turnê Kostas Heliotis (baixo) e Kostis Foukarakis (guitarra), o Rotting Christ é conhecido por sua abordagem inovadora, incorporando elementos de folk e até gótico em sua música obscura.

Com uma discografia rica e influente, a banda possui uma boa base de fãs leais ao redor do mundo, e isso constata-se com a grande presença do público – pessoas de todas as gerações vindo até de outros estados – em meio a uma quinta-feira mágica que ocorreu no Carioca Club.

Antes de começar o show, o fundo do palco mostrava o logo da banda, porém, algum tempo depois, foi substituído pelo número 666 em grego: Χ Ξ Σ. Sem abertura e marcado para começar às 20:30, o show começou em ponto e com a banda sendo ovacionada ao som da intro de “Χ Ξ Σ (666)”, animando os que se aglomeravam para ficar mais perto do palco. 

Com todos erguendo os punhos para cima, executaram “P'unchaw kachun/Tuta kachun” com agradecimentos do Sakis pelo apoio nestes 35 anos no final; a cadenciada “Demonon Vrosis” veio para apaziguar os ânimos. Um ponto que merece ser destacado aqui é a qualidade sonora, pois estava impecável desde o inicio.

Dando continuidade, “Kata Ton Daimona Eaytoy” teve como destaque a bateria impiedosa de Themis Tolis. Sob os gritos de guerra de “Apage Satana”, Sakis interagiu fazendo o famoso sinal do Baphomet, o baixista Kostas Heliotis e o guitarrista Kostis Foukarakis ajudaram nos backings e também se interagiram e agitaram bastante. 

Em seguida, tocaram a épica “In The Name of God”, que levou todo mundo à loucura. Sakis se mostrou satisfeito com o que viu, e com isso executaram em primeira mão “Pix Lax Dax”, uma bela música que estará no próximo álbum, “Pro Xristoy”, a ser lançado em 24 de maio de 2024.


O repertório também passou por fases mais antigas, começando com “King of a Stellar War”, onde pode ouvir o ótimo trabalho de percussão de Themis, com direito a um grande coral no meio da dela, culminando no ponto alto do show; “Archon” fez abrir uma imensa roda e pescoços não foram poupados.

Os clássicos chegaram com “Non Serviam”, tocaram o empolgante cover de “Thou Art Lord” – banda da qual Sakis faz parte sob o pseudônimo de NecroMayhem –,“Societas Satanas”, que mais uma vez fez abrir uma grande roda.

O massacre continuou com “In Yumen-Xibalba”, pessoal gritou ‘Rotting Christ’ por um bom tempo ao som de uma intro até rolar a densa “Grandis Spiritus Diavolos”, com destaque para os vocais de Sakis alternando limpo e gutural. 

Ao final, mais uma vez, o pessoal não parou de gritar ‘Rotting Christ’, e nesse meio tempo alguém jogou uma bandeira do Brasil customizada com o logo da banda, Sakis abraçou a bandeira e colocou com carinho na frente da bateria.


Com um português bom para um grego, Sakis gritou: ‘quer mais dois?’, ‘mais uma, mais dois?’ antes de mandar “The Raven”, seguida da empolgante “Noctis Era”. Nesta música houve um belo coro, deixando a banda mais que satisfeita antes de voltar para o bis com “The Sign Of Evil Existence”, que teve a participação do Fernando Iser nos vocais proporcionando outro ponto alto. O encerramento, com chave de ouro, veio com “Fgmenth, Thy Gift".


Foi um show realmente emocionante, a banda parece ter vindo sedenta após a pandemia. A atmosfera ao vivo é arrepiante, candidato a um dos melhores shows deste ano no quesito Metal Extremo. Só faltou o meet and greet prometido para a galera que esperou por um bom tempo.


Texto: Juliana Novo

Fotos: Paula Cavalcante

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Estética Torta

Mídia Press: Lex Metalis Assessoria e Agenciamento

 

Rotting Christ

666

P'unchaw kachun- Tuta kachun

Demonon Vrosis

Kata Ton Daimona Eaytoy

Apage Satana

In the Name of God

Pix Lax Dax

King of a Stellar War

Archon

Non Serviam

Societas Satanas (Thou Art Lord cover)

In Yumen-Xibalba

Grandis Spiritus Diavolos

The Raven

Noctis Era

***Encore***

The Sign of Evil Existence

Fgmenth, Thy Gift

quarta-feira, 6 de março de 2024

Resenha: Inglorious Basterds - Inglorious Hearts

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.0/10.0

Ergam suas armas, meus nobres soldados! É neste clima de supressão aos discípulos de Hitler que inicio este texto, com toda a empolgação que me cabe. Muito legal poder ter contato com "Inglorious Hearts", primeiro lançamento oficial da banda INGLORIOUS BASTERDS. Heavy Metal dos bons, feito por quem entende muito bem do assunto, e que se esforçou para entregar o seu melhor para o fã.

A capa é muito bem sacada, com os músicos em um campo de batalha, provavelmente em Berlim, no ano de 1945, quando as forças aliadas mandaram pra vala as aspirações nazistas. Como sou estudioso do assunto, apreciei cada detalhe deste álbum como acredito que ninguém tenha feito ainda. Tanto que, desde que tive contato com ele, todo o santo dia o escuto nas minhas horas vagas. “Of Hawks and Rats” e “Papilon” são as melhores, até porque as letras das duas são muito carregadas, passando mensagens fortes e que nos levam a refletir, sobre a era mais negra da raça humana.

Um dos destaques aqui é, certamente, o vocalista Cássio Williamson, que soube ser versátil, imprimindo muita personalidade em todo o álbum. Além dele, o trabalho de cordas também se mostra muito eficaz, contrastando melodias marcantes com bases pesadas, no decorrer de toda a track list. Acredite, este trampo é completo e pode ser um divisor de águas para a carreira da banda, pois colocou o nível de exigência dos fãs lá pra cima, em próximos trabalhos. Pode encarar, eu estou atestando...