segunda-feira, 17 de março de 2025

Cobertura de Show: The Offspring – 11/03/2025 – Pepsi on Stage/RS

Por: Vinny Vanoni

Fotos: Marcio Dorneles

Meus senhores, senhoras, rapazes e senhoritas, como um fã da banda de punk rock californiano que foi uma das principais responsáveis por colocar o punk rock novamente no “mainstream” da indústria musical, vós lhes digo, que show ESPETACULAR que ocorreu no Pepsi on Stage em Porto Alegre nesta terça feira, 11 de março de 2025.

A começar com a banda de abertura, The Warning, um power trio mexicano formado pelas irmãs Villareal Vélez, Daniela, 25, (Guitarra, vocal principal e de apoio), Paulina, 23, (Bateria, vocais principais e de apoio) e Alejandra, 20, (Baixo, vocais de apoio e ocasionalmente principais), formada em Monterrey, México em 2013, época em que as irmãs tinham de 7 a 12 anos de idade, e que pode ser considerada um dos expoentes do rock alternativo, hard rock e heavy metal da nova geração e uma sonoridade que lembra muito um também o power trio das antigas, RAGE!.

Com vocais potentes e drives fenomenais, riffs pesados e bem trabalhados, um baixo pegado ao extremo e uma bateria que estava ecoando no peito, literalmente. A cada pancada de Paulina na caixa, tons e bumbo, o peito ressoava dando a impressão de estarmos tendo um ataque cardíaco e que nossos corações iriam sair para fora do peito, igual ao filme Alien. Juntando toda esta qualidade fantástica a uma entrada fenomenal, as gurias do The Warning chegaram colocando a casa abaixo com sua sonoridade que fez todo mundo bater cabeça e cantar junto!

Uma curiosidade sobre as irmãs Villareal Vélez é que durante sua infância e adolescência gostavam de jogar o jogo Rock Band e segundo elas, o utilizavam também para praticar seus instrumentos de interesse. A banda The Warning começou a receber reconhecimento a nível mundial após colocarem um vídeo cover da música Enter Sandman do Metallica que viralizou e fez com que o próprio Kirk Hammet tecesse elogios à banda e principalmente a Paulina, comentando “a baterista chuta traseiros ao máximo!”.

Lembram que comentei das gurias serem fãs e terem utilizado a franquia de jogos Rock Band para praticarem? Pois é, os desenvolvedores do quarto jogo, Rock Band 4, decidiram retornar o carinho e empenho do The Warning incluindo duas de suas músicas autorais no jogo. Além de uma nova versão da Enter Sandman tocada por elas, dessa vez com a vocalista Alessia Cara nos vocais, ter sido colocada tanto no jogo Marvel’s Midnight Suns e no seriado The Imperfect’s, após ter sido gravada no álbum tributo ao Metallica, The Metallica Blacklist.

“Mas vem cá, por qual motivo o The Offspring escolheu elas para abrir o show em Porto Alegre?” vocês podem perguntar, e eu irei responder. Porque a banda, desde sua criação em 2013, possuí quatro álbuns lançados desde 2017 até agora, já tocou em diversos festivais reconhecidos mundialmente como Wacken Open Air, Summerfest, Rock al Parque (Maior festival de rock da América Latina) além de já terem sido a banda de abertura para bandas lendárias como The Killers, Foo Fighters, Sammy Hagar, Stone Temple Pilots, Muse e duas vezes para o Gun’s’n’Roses, a segunda sendo na turnê de retorno da banda, We’re F’N’Back! Tour.

Se não bastasse, foram banda de apoio para o Halestorm, The Pretty Reckless, Three Days Grace, tocaram no MTV Europe Music Awards, 25th annual Latin GRAMMY Awards e MTV Vídeo Music Awards. Para a primeira vez delas aqui no Brasil, principalmente em Porto Alegre, elas simplesmente arrebentaram! Foi uma das únicas vezes que eu vi, uma banda de abertura conseguir ter quase a mesma energia e agitar tanto o pessoal como a banda principal. Cheers to you girls, you fucking ROCK!

Sobre a atração principal, The Offspring. Galera... Admito que não sei exatamente o que falar devido a qualidade já conhecida, e reconhecida, dos integrantes. Seja em presença de palco, seja na qualidade musical/vocal/instrumental, na produção, nos efeitos de luzes, tudo... O show foi simplesmente perfeito!

Como sempre a banda ofereceu um verdadeiro ESPETÁCULO musical e visual, onde realizaram uma linha do tempo ao tocarem alguns de seus maiores sucessos como “Pretty Fly”, “Come Out and Play”, “Want you Bad”, “All I Want”, ”Bad Habit”, “Why Don’t You Get a Job”, “You’re Gonna Go Far, Kid”, “Self Esteem”, dentre outras que fazem parte da história da banda e dos corações de nós fãs.

Além de suas músicas já consagradas mundialmente, tocaram também uma que fizeram especialmente para a turnê em terras tupiniquins, “Come To Brazil” ao qual fez o público inteiro ir à loucura, cantando junto inclusive cantando mais alto do que o próprio Dexter Holland, pulando, com mãos levantadas, roda punk rolando e copos voando (registrei este momento em vídeo se quiserem provas)! Simplesmente sensacional.

Um detalhe que chamou, positivamente, a atenção do público, foi o novo baterista oficial que entrou recentemente para o backline de uma das bandas mais consagradas do rock/punk mundial, Brandon Pertzborn, que embora destoe do restante da banda por ser mais jovem, possuí uma qualidade técnica matadora, afinal de contas já tocou com ninguém menos do que Marilyn Manson, Doyle, Black Flag, Suicidal Tendencies e também ter tocado em turnês com outros grandes nomes mundiais do rock e metal, tais como Corey Taylor e Limp Bizkit.

Ao fim de cada música, perfeitamente executadas, havia aplausos e reverências tanto de seus colegas de banda, como do público. Brandon chegou “chegando” e mostrando que não está nada para brincadeira! Go get them, mate!

Como tenho dito escrito na verdade, os integrantes do Offspring, são mestres do “Showsmanship”, sabem como realizar não somente um show, uma turnê, e nada prova mais isso do que os detalhes deste show, como faixas coloridas amarradas no teto do Pepsi on Stage caindo sobre o público, uma máquina na frente do palco que começou a fazer chover confetes das mais diversas cores e bolas de plástico gigantes, também coloridas, jogadas para a plateia, que começou a jogar volei NO MEIO DA PISTA!

O público foi a loucura, simplesmente a loucura! Este foi um dos melhores shows não só da minha, mas como da vida de todos os presentes, havia mães e pais com seus filhos pequenos nos ombros, pessoas mais jovens, de meia idade, mais idosas, todas as gerações estavam presentes para aproveitar, comemorar, criar lembranças e apresentar aos seus descendentes, uma das melhores bandas do gênero já vistas.

E claro que como não podia deixar de ser, o público quase fez a estrutura do Pepsi on Stage cair quando foi tocado o hino do Grêmio.

Obrigado The Warning, Obrigado The Offspring por esta noite memorável e simplesmente fantástica que vocês nos proporcionaram. KEEP ON ROCKING!

 

 

sábado, 15 de março de 2025

ATREYU: A JORNADA DE UMA DAS MAIORES BANDAS DO METALCORE - O INÍCIO, O AUGE, A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL

Por Guilmer Costa da Silva

O Atreyu é uma das bandas mais icônicas e influentes do metalcore, gênero que combina a agressividade do metal com a intensidade emocional do hardcore. Desde sua formação em 1998, na Califórnia, o Atreyu ajudou a moldar o cenário do metal moderno, influenciando uma geração de bandas como Bring Me The Horizon, A Day to Remember e Asking Alexandria. Com uma carreira repleta de altos e baixos, experimentações sonoras e um retorno triunfante, o Atreyu se consolidou como uma das bandas mais importantes do gênero. Vamos mergulhar na história dessa formação lendária, desde seus primórdios até os dias atuais.


O INÍCIO: OS PRIMEIROS PASSOS E A DEFINIÇÃO DO SOM - Visions E Suicide Notes and Butterfly Kisses 

Tudo começou em 1998, em Orange County, Califórnia, quando o vocalista Alex Varkatzas, o guitarrista Dan Jacobs, o baixista Marc McKnight, o baterista Brandon Saller e o guitarrista Travis Miguel se uniram para formar o Atreyu. Inspirados por bandas como Metallica, Pantera e The Misfits, eles buscaram criar um som que misturasse a agressividade do metal com a energia crua do hardcore.

Seu primeiro álbum, Suicide Notes and Butterfly Kisses (2002), lançado pela Victory Records, foi um marco inicial para o metalcore. Com faixas como "Ain't Love Grand" e "Lip Gloss and Black", o álbum trouxe uma combinação única de vocais guturais, melodias cativantes e letras emocionalmente carregadas. A dualidade entre os vocais agressivos de Alex e os vocais limpos de Brandon Saller se tornou uma das marcas registradas da banda.

Curiosidade: O nome "Atreyu" foi inspirado no personagem de A História Sem Fim, um clássico da literatura e do cinema. A escolha reflete a conexão da banda com temas de fantasia e superação, que permeiam suas letras.


O AUGE: A CONSOLIDAÇÃO NO METALCORE - The Curse E A Death-Grip on Yesterday


Com o lançamento de The Curse (2004), o Atreyu alcançou o sucesso mainstream. O álbum trouxe hits como "Right Side of the Bed" e "The Crimson", que se tornaram hinos do metalcore. A combinação de riffs pesados, solos melódicos e letras introspectivas conquistou fãs ao redor do mundo. O videoclipe de "The Crimson" foi amplamente exibido na MTV, ajudando a banda a ganhar visibilidade.

Em 2006, veio A Death-Grip on Yesterday, outro marco na carreira da banda. Com faixas como "Ex's and Oh's" e "Creature", o álbum mostrou uma evolução sonora, com uma produção mais polida e uma abordagem mais melódica. "Ex's and Oh's" se tornou um dos maiores sucessos do Atreyu, sendo tocada incessantemente em rádios e programas de TV.

Curiosidade: O Atreyu foi uma das primeiras bandas do metalcore a incorporar elementos visuais e estéticos mais elaborados em seus shows, como pirotecnia e iluminação dramática, elevando a experiência ao vivo do gênero.



O APOGEU: A DOMINAÇÃO DO MAINSTREAM - Lead Sails Paper Anchor E Congregation of the Damned


Em 2007, o Atreyu lançou Lead Sails Paper Anchor, um álbum que marcou uma guinada mais acessível e experimental. Com influências de rock clássico e metal alternativo, o disco trouxe faixas como "Becoming the Bull" e "Falling Down", que alcançaram grande sucesso comercial. A banda explorou novos territórios sonoros, incorporando elementos de rock sinfônico e até mesmo country, o que dividiu a opinião dos fãs, mas ampliou seu público.

Em 2009, veio Congregation of the Damned, que retomou um som mais pesado, sem abrir mão da abordagem melódica. Com músicas como "Storm to Pass" e "Gallows", o álbum consolidou o Atreyu como uma das bandas mais versáteis do metal moderno. No entanto, após anos de turnês intensas e mudanças no cenário musical, a banda decidiu fazer uma pausa em 2011.



A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL - Long Live E In Our Wake


Após um hiato de dois anos, o Atreyu anunciou seu retorno em 2014, para a alegria dos fãs. Em 2015, lançaram Long Live, um álbum que marcou o renascimento da banda. Com faixas como "Do You Know Who You Are?" e "So Others May Live", o disco mostrou que o Atreyu ainda tinha muito a oferecer, mantendo sua essência enquanto explorava novas sonoridades.

Em 2018, veio In Our Wake, outro álbum aclamado pela crítica e pelos fãs. Com músicas como "The Time Is Now" e "Super Hero", o disco trouxe uma abordagem mais madura e emocional, refletindo as experiências pessoais dos integrantes. A turnê de In Our Wake consolidou o retorno do Atreyu ao topo, com shows lotados e performances energéticas.



A SAÍDA DE ALEX VARKATZAS: UMA MUDANÇA DE CAPÍTULO


A saída de Alex Varkatzas, vocalista e um dos fundadores do Atreyu, em setembro de 2020, marcou um momento significativo na história da banda. Alex foi uma peça fundamental na identidade do Atreyu, contribuindo não apenas com seus vocais guturais característicos, mas também com suas letras emocionalmente carregadas e profundamente pessoais. Sua presença no palco e sua conexão com os fãs eram inegáveis, o que tornou sua saída um choque para muitos.

Em um comunicado oficial, Alex explicou que sua decisão de deixar a banda foi motivada por uma combinação de fatores pessoais e profissionais. Ele mencionou que, após mais de duas décadas de turnês intensas, gravações e dedicação quase integral ao Atreyu, sentiu a necessidade de priorizar sua saúde mental, sua família e outros projetos pessoais. Alex também destacou que sua paixão pela música e pela arte permanecia intacta, mas que ele precisava de um novo rumo para expressar sua criatividade.

Por outro lado, os membros restantes do Atreyu respeitaram a decisão de Alex e expressaram gratidão por sua contribuição ao longo dos anos. Em entrevistas, Brandon Saller, que assumiu os vocais principais após a saída de Alex, mencionou que a mudança foi desafiadora, mas também uma oportunidade para a banda se reinventar. Ele ressaltou que o Atreyu sempre foi uma entidade em evolução, e a saída de Alex foi mais um capítulo nessa jornada.

Curiosidade: Apesar da saída, Alex e os membros do Atreyu mantiveram um relacionamento amigável. Em várias ocasiões, Alex expressou apoio à banda e ao álbum Baptize (2021), o primeiro sem sua participação. Ele também continuou envolvido em projetos musicais e artísticos, explorando novas formas de expressão criativa.

A saída de Alex Varkatzas representou o fim de uma era, mas também o início de uma nova fase para o Atreyu. A banda provou que, mesmo sem um de seus pilares originais, poderia continuar evoluindo e mantendo sua relevância no cenário do metalcore. Para os fãs, Alex sempre será lembrado como uma voz icônica que ajudou a definir o som e a identidade do Atreyu durante seus anos mais influentes.



O QUE ESPERAR DO FUTURO?

O Atreyu continua ativo, com uma formação que inclui Brandon Saller (vocais e bateria), Dan Jacobs (guitarra), Travis Miguel (guitarra), Marc McKnight (baixo) e Kyle Rosa (bateria). A banda segue tocando em festivais e turnês ao redor do mundo, levando sua música a novas gerações de fãs.

Com mais de duas décadas de carreira, o Atreyu é uma das bandas mais importantes do metalcore. Sua influência é sentida em todas as gerações do gênero, e sua música continua a inspirar milhões de fãs. Enquanto estiverem no palco, o espírito do Atreyu viverá, provando que o metalcore é, de fato, eterno.

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SOBRE O SHOW

Os californianos do Atreyu finalmente desembarcam no Brasil para um show único e imperdível! A banda, que mescla metalcore e hard rock, se apresenta no Carioca Club, em São Paulo, no dia 20 de março de 2025.

A turnê “25 Years in the Making” celebra os 25 anos de estrada do grupo e também marcará sua estreia em países como Argentina, México, Colômbia e Chile.

Com uma carreira sólida, o Atreyu já passou pelos maiores festivais do mundo, dividiu palco com nomes como Slipknot, Avenged Sevenfold e Linkin Park, e continua inovando sem medo de soar pesado demais ou acessível demais.

O último álbum da banda, “The Beautiful Dark of Life”, foi lançado de maneira inovadora em três EPs antes de ser reunido em um disco completo.

Agora, os fãs brasileiros terão a chance de conferir essa potência sonora ao vivo.

Serviço:
Data: 20 de Março de 2025 (quinta-feira)
Abertura da casa: 19h
Local: Carioca Club Pinheiros
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros – São Paulo, SP
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/atreyu-sp
Classificação: 18 anos

sexta-feira, 14 de março de 2025

Cobertura de Show: The Cult – 23/02/2025 – Vibra/SP



No domingo, 23 de fevereiro, São Paulo recebeu os gigantes do The Cult com a turnê comemorativa de 40 anos da banda, a 8525. Antes da capital paulista, o grupo havia passado pelo Rio de Janeiro no dia anterior e encerraria sua passagem pelo Brasil em Curitiba, no dia 25.

Foram oito longos anos de espera. A última vinda do The Cult ao país havia sido em 2017, durante a turnê do álbum Hidden City, lançado em 2016. Com uma leve mudança na formação, a banda liderada por Ian Astbury (voz) e Billy Duffy (guitarra) veio acompanhada por John Tempesta (bateria), o integrante mais longevo além dos fundadores, Charlie Jones (baixo) e um membro pouco mencionado: Matt McKenna, responsável pelos teclados e pela guitarra base. Sua presença faz diferença, já que os arranjos das gravações costumam contar com mais de uma guitarra, embora ele fique discretamente posicionado na lateral do palco, fora do campo de visão principal.


Baroness: peso, técnica e energia antes da celebração do The Cult

Escalados para a abertura dos shows poucas semanas antes do início da turnê, os americanos do Baroness aqueceram o público que lotou o Vibra São Paulo. Formada por John Baizley (guitarra/vocal, que também assina as artes das capas dos discos da banda), Gina Gleason (guitarra/backing vocal), Nick Jost (baixo) e Sebastian Thomson (bateria), a banda apresentou um set de dez músicas que percorreu praticamente toda sua discografia.

Seu som, que mistura elementos de sludge, rock progressivo e outras influências, pode não ter uma conexão direta com o The Cult, mas foi bem recebido pelo público. John, extremamente enérgico e carismático, contornou eventuais problemas de som (comuns para bandas de abertura) com simpatia e bom humor. Vale destacar também a performance intensa e dinâmica do baterista Sebastian Thomson, que manteve a energia do show sempre em alta. Em alguns momentos é notável a influência de bandas como Tool e Mastodon, mas com a identidade do Baroness, um exemplo perfeito de influência bem aproveitada e não uma cópia propriamente dita.

A participação do Baroness como banda de abertura aconteceu exclusivamente na passagem brasileira da turnê. Após o show em Curitiba, no dia 25, cada banda seguiu seu

próprio caminho pela América Latina, com o The Cult dando sequência à sua celebração de 40 anos e o Baroness promovendo seu mais recente álbum.

Baroness - Setlist:

Last Word

Under the Wheel

A Horse Called Golgotha

March to the Sea

Shock Me

Chlorine & Wine

Swollen and Halo

Tourniquet

Isak

Take My Bones Away


Sem maiores delongas, o Baroness encerrou seu set e deixou o palco para que a equipe técnica preparasse tudo para a atração principal da noite. Enquanto a montagem avançava, o som mecânico ajudava a criar a atmosfera perfeita para o que estava por vir, com músicas de artistas que, em algum momento, se conectaram — pelo menos em termos de sonoridade — com a fase clássica do The Cult. Entre eles, Nick Cave, The Cure, Depeche Mode e Siouxsie and the Banshees.

A troca é rápida e, como Ian Astbury mencionou em entrevista ao jornalista Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, "o The Cult não é entretenimento". Não há backdrops, telões ou grandes elementos visuais. O palco é montado de forma simples, com a ambientação do show sendo conduzida apenas pela iluminação.

Um detalhe curioso que chamou a atenção dos fãs aconteceu no final da preparação do palco: um dos integrantes da equipe técnica percorreu o espaço “defumando” os instrumentos, os colegas de equipe e até o público próximo à grade com algo que parecia ser sage (sálvia, em tradução literal). O gesto, quase ritualístico, deu início à atmosfera mística da apresentação. Isso é puro Ian Astbury.

Com o show marcado para as 21h30, um atraso sem motivos óbvios ou visíveis começou a deixar o público impaciente. A situação se tornou constrangedora quando, após 15 minutos, vaias já podiam ser ouvidas na plateia. Cada nova música no som mecânico era recebida com mais sinais de insatisfação. O que aconteceu nos bastidores, jamais saberemos.


The Cult: um ritual intenso, mas desperdiçado pelos pseudo-fãs

A Marcha das Valquírias, de Wagner, anunciava o início do culto (sem trocadilhos intencionais). Apesar da casa cheia, desde o começo era possível perceber um certo descontentamento no ar.

Algo que vale destacar é que o The Cult só não é maior porque não quis. Os primeiros álbuns foram sucessos consecutivos, culminando no auge comercial com Sonic Temple, de 1989. No entanto, ao longo da carreira, a banda se recusou a “se vender”, mesmo que isso significasse não lotar arenas ou vender milhões de discos.

Costumo dividir os fãs em três grupos: os que acompanharam a fase pós-punk/gótica do Dreamtime e do Love; os fãs de hard rock, atraídos principalmente pelo Electric e Sonic Temple, talvez até chegando ao Ceremony; e aqueles que, como esta que vos escreve, seguem a banda em todas as suas fases e sempre estiveram lá para apoiar.

Os primeiros a se posicionar no palco são John e Charlie, seguidos por Billy Duffy, sempre à direita. Os primeiros acordes de In the Clouds — faixa que ficou de fora do álbum homônimo de 1994 (ou, como os fãs chamam, o “disco do bode”) e que está presente na coletânea Pure Cult — ecoam pelo Vibra. Em meio a saudações calorosas, a entidade Ian Astbury faz sua entrada.

Essa música reflete bem a sonoridade atual da banda. Na verdade, ouso dizer que o The Cult faz desde 1994 já era “moderno” para a época e continua soando atual. Ainda assim, as origens da banda sempre se fazem presentes nos detalhes.

Sem pausa, Rise, do ótimo Beyond Good and Evil, deu sequência ao set. A recepção foi um pouco mais calorosa — seu riff marcante e refrão enérgico dificilmente deixam alguém parado, nem que seja apenas acompanhando as batidas de Tempesta com a cabeça. Mas foi na terceira música que até os mais tímidos se entregaram e devolveram a energia que a banda oferecia. Wildflower, hit do Electric, foi cantada por quase todos os presentes. Afinal, ir a um show do The Cult e não conhecer esse hino é, no mínimo, peculiar — salvo os curiosos, é claro.

É difícil escrever sem ser tendenciosa, já que o The Cult é minha banda favorita. Mas o setlist, no geral, faz todo o sentido — é a essência da banda, passando por praticamente todas as suas fases (com exceção de Ceremony, Born Into This e Hidden City que não tiveram músicas incluídas nas apresentações).

Foi aqui, porém, que a energia do público despencou. Não por culpa da banda, de forma alguma, mas porque a maioria dos presentes parecia pertencer aos tipos 1 e 2 que mencionei anteriormente.

Star, um dos singles do “disco do bode”, veio na sequência, com um arranjo excepcional. Em seguida, The Witch, single produzido por Rick Rubin e que nunca entrou em um álbum de estúdio, apenas na coletânea Pure Cult. Nessa faixa, ficou evidente a importância de ter um baixista de alto nível na banda — o arranjo ficou fenomenal, destacando uma parte instrumental extremamente bem ensaiada.

Ian, como já disse, é uma entidade. Seus movimentos de artes marciais, danças, giros de microfone, além do ritmo marcado com maracas e pandeirola, fazem com que seja impossível desviar o olhar. Mas um público desinteressado em retribuir essa energia acaba não aproveitando o show por completo. Pena deles.

Mirror, do mais recente Under the Midnight Sun, talvez seja minha única ressalva no setlist. Honestamente, há músicas melhores nesse excelente disco. Faixas como Give Me Mercy, Vendetta X ou Impermanence talvez encaixassem melhor e até ajudassem a abrir a cabeça daqueles que se recusam a ouvir material novo.

Uma ótima surpresa foi War (The Process), do Beyond Good and Evil. Com sua atmosfera sombria e letra pesada, foi um presente para os fãs que nunca tiveram a chance de ouvi-la ao vivo — algo que se repetiu com outras músicas ao longo da noite.

Para agradar os mais tradicionais, uma versão reduzida — e incrivelmente hipnotizante — de Edie (Ciao Baby) trouxe o público de volta ao canto. Com um início quase a capella, apenas com Billy e Ian, certamente seria um momento para levantar isqueiros. Mas, em uma casa fechada e lotada, talvez não fosse uma boa ideia.

Em uma transição perfeitamente executada, a banda seguiu para Revolution, adicionada especialmente para a turnê no Brasil. Aqui, era impossível alguém não cantar — afinal, essa música tocou (e ainda toca) bastante nas rádios. O clima seguiu no alto com o hit Sweet Soul Sister, mas logo voltou a dividir opiniões com Resurrection Joe.

Ah, se as pessoas soubessem o privilégio que é ouvir essa música ao vivo… Assim como The Witch, ela nunca saiu em um álbum de estúdio, apenas no EP de mesmo nome. Quem aproveitou, aproveitou.

Daqui para frente, viriam apenas os grandes clássicos (ou quase isso). A iluminação faz toda a diferença, com cores que se transformam e se harmonizam com cada música. Rain foi um sucesso absoluto, cantada por todos — mas como não cantar? Essa é uma das grandes músicas da banda.

Ian está cantando muito bem. Nem sempre segue à risca a melodia das versões de estúdio, mas é justamente aí que reside a beleza: no feeling do momento, na troca de energia. Spiritwalker, do álbum de estreia Dreamtime (um dos pontos altos da noite), e o mega hit radiofônico Fire Woman encerraram a primeira parte do set.

O encore começou com Brother Wolf, Sister Moon, do Love. Talvez esse tenha sido um dos momentos musicais mais bonitos que já presenciei. Uma música intensa, de significado profundo, envolta em uma ambientação quase mística — capaz de emocionar até o coração mais fechado. O solo, em especial, foi simplesmente inesquecível.

Sem delongas, veio a música que nunca pode faltar e que já indicava o desfecho do show: She Sells Sanctuary. Aqui, a nostalgia toma conta. Seja qual for o significado da canção — relacionamentos amorosos ou não —, é inegável que ela carrega uma forte memória afetiva para os fãs.

Com a apoteótica Love Removal Machine, o The Cult encerrou sua soberba apresentação em São Paulo. Antes de deixar o palco, Ian apresentou os integrantes da banda e foi ovacionado pelo público ao ter seu nome gritado em coro. Agradeceu aos céus, à terra e à plateia antes de se retirar.

Talvez por conta do atraso, o set de São Paulo não teve Lucifer (ao contrário do Rio e Curitiba), do álbum Choice of Weapon. Uma lástima.

Pude comparecer aos três shows da turnê, e cada um teve seus diferenciais. No Rio de Janeiro, a banda estava "zerada", e, embora o Vivo Rio não estivesse lotado, o público correspondeu aos estímulos da apresentação, deixando a banda visivelmente feliz e mais interativa com os fãs.

Em São Paulo, a performance foi impecável, mas a plateia pareceu um pouco apática. Já em Curitiba, a casa estava cheia, o público engajado, mas a rotina de aeroportos e viagens já mostrava uma banda talvez um pouco mais cansada.

O que acontece, ao meu ver, é que o The Cult não conquistou uma nova base de fãs significativa nos últimos anos, o que faz com que seu público envelheça junto com a banda. Portanto, caro leitor, dê uma chance aos discos menos comerciais. Apresente a banda aos amigos. E, se o som não for do seu agrado, ao menos vá a um show com o coração e os ouvidos abertos. Podemos ter presenciado as últimas apresentações do The Cult no Brasil.

Sorte a nossa se não for.


Texto: Jessica Tahnne Valentim

Fotos: Amanda Vasconcelos


Realização: Liberation MC

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


The Cult - Setlist:

Ride of the Valkiries - Richard Wagner (som mecânico)

In the Clouds

Rise

Wild Flower

Star

The Witch

Mirror

War (The Process)

Edie (Ciao Baby)

Revolution

Sweet Soul Sister

Resurrection Joe

Rain

Spiritwalker

Fire Woman

Bis

Brother Wolf, Sister Moon

She Sells Sanctuary

Love Removal Machine

sábado, 8 de março de 2025

Cobertura de Show: Rotting Christ – 08/02/2025 – Carioca Club/SP

O Rotting Christ é uma banda de death metal grega, formada em 1987. Desde o surgimento da banda, foram responsáveis por criar e apoiar a cena de black metal e metal underground de toda a Europa. A banda, tão importante para a cena, se apresentou no Carioca Club, no dia 8 de feveiro.

A tour que fizeram é a “Pro Xristou”, em divulgação do álbum de estúdio mais recente da banda, que possui o mesmo nome da tour.

O show contou com Miasthenia como banda de abertura, banda brasileira de black metal. Por mais que a casa ainda estivesse meio vazia durante o horário do Miasthenia, não deixaram de entregar um show carregado e animado. Todos os que já estavam dentro da casa foram tomados pela música da banda.

Mas, mesmo com um show cativante, tocaram apenas 5 músicas. É triste que não tenham dado mais tempo para o Miasthenia, pois o show acabou em meia hora, deixando por volta de uma hora vazia para os gregos da banda principal subirem no palco. A setlist foi focada no álbum mais recente de estúdio da banda, "Espíritos Rupestres", lançado em outubro do ano passado.

Então, as 19:30, depois de uma hora, a música de introdução começou a tocar nas caixas de som, e o Rotting Christ subiu ao palco, iniciando o show com a música “Aealo”, faixa título de seu décimo álbum.

A banda mudou a formação diversas vezes ao longo da carreira, sendo os únicos membros constantes os irmãos Tolis: Sakis, guitarrista e vocalista, e Themis, baterista. Contam atualmente com Kostas Heliotis no baixo e Kostis Foukarakis como guitarrista solo.

Em seguida, tocaram “Pretty World, Pretty Dies”, do último álbum. As duas primeiras músicas foram mais mornas, com a plateia meio parada, e foi assim durante todo o início do show, mas, quando entraram com uma outra música mais animada, como “Demonon Vrosis”, o público começou a gradualmente ficar mais agitado. Até que, após “Elthe Kyrie”, Sakis anunciou que ia tocar algumas músicas de álbuns mais antigos, o que fez todo mundo começar a ganhar mais energia. A casa se animou tanto, que contou com a plateia cantando e cantando em coro de “Oh-oh” com os riffs poderosos da “King of a Stellar War”, de seu terceiro álbum, “Triarchy of the Lost Lovers”.

Logo em seguida, chamaram Armando, do Mystifier, para tocar baixo na “The Sign of Evil Existence”, e a partir daí que o público começou a ficar cada vez mais animado com cada música que passava. Se iniciaram até pequenos moshs pelo Carioca, especialmente na “In Yumen-Xibalba”.

A banda, durante todo o show, estava bastante precisa, tocando as músicas perfeitamente. Sakis estava doente no dia, mas isso não o impediu de cantar bem e animar pelo palco. Destaque vai para o baixista Kostas, que não parava de correr e agitar o público pelo palco.

Fizeram a finalização falsa do show com “The Raven”, e após alguns minutos, Sakis retorna ao palco dizendo que iria tocar mais uma música, em português mesmo, e finalizaram o show com “Noctis Era”.

O Rotting Christ é uma banda lendária, e para todos os ouvintes de black metal, é realmente uma banda necessária de assistir ao vivo pelo menos uma vez. Esperamos que voltem ao Brasil em menos de um ano de novo.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Estética Torta



Miasthenia – setlist:

Evocação

Bruxa Xamã

Espíritos rupestres

Tapuia marcha

Transmutação


Rotting Christ – setlist:

Aealo

Pretty World, Pretty Dies

Demonon Vrosis

Kata Ton Daimona Eaytoy

Like Father, Like Son

Elthe Kyrie

King of a Stellar War

The Sign of Evil Existence
(with Beelzeebubth)

Non Serviam

Societas Satanas
(Thou Art Lord cover)

In Yumen-Xibalba

Grandis Spiritus Diavolos

The Raven

Bis

Noctis Era

quarta-feira, 5 de março de 2025

Lacuna Coil: Progredindo Sem Esquecer Suas Origens


Por Eduardo Okubo Junior

O Lacuna Coil é uma banda que, ao longo de 10 álbuns, sempre teve o seu som em evolução. Esse constante realinhamento da sua sonoridade divide a carreira dos italianos em três eras distintas: a primeira, uma banda cheia de melancolia, com arranjos lentos e polidos e flertando com o gótico, que culminou no clássico terceiro álbum, Comalies. 

Com o Karmacode , o Lacuna Coil modernizou sua música inspirado nas bandas novas (New/Nu Metal) que tomaram de assalto meados dos anos 2000 (Korn, Meshuggah) e deixando um pouco de lado sua personalidade meio Doom/Gótica. Essa fase do meio durou por quase uma década, até o mais sombrio Broken Crown Halo . 

Dessa fase atual, com um som mais fresco e energético, chegou ao seu auge com o incrível Black Anima , atingindo o equilíbrio entre o Groove da fase do meio e o peso gótico e melodia de suas origens. O Sleepless Empire logo é uma continuação evolutiva do seu antecessor, mais pesado, com flertes ao passado (eu imaginava essa possibilidade com a gravação do Comalies XX) e se voltando para o futuro da banda.

Todas as 11 músicas do novo álbum funcionam incrivelmente bem juntas, como um conjunto coeso. Recomendo ouvi-lo a primeira vez de cabo a rabo, engrandece a experiência sonora."The Siege" mantém uma tradição da banda, abrindo sempre com uma ótima música, e aqui já podemos perceber um dos destaques das novas composições: o rosnado gutural de Andrea Ferro é denso, feroz, brilha... Ou melhor, amedronta! Quando contrastado com a linda voz melódica de Cristina Scabbia, temos uma receita que é única e perfeita no Metal, é quase sobrenatural.

"Gravity", "Oxygen" e "Scarecrow" são extremamente pesadas, a primeira mais melódica, com uma introdução que é puro Lacuna Coil do Velho Testamento, um dos pontos altos dessa jornada; a segunda é um show de interpretação de Andrea e Cristina, e os riffs são gigantescos. E aqui tem que se destacar o trabalho do Marco Coti Zelati, que assumiu as guitarras além das habituais funções como baixista, compositor e produtor; a terceira é pesada, hipnótica e seus teclados criam uma atmosfera sombria.

Aí temos "I Wish You Were Dead", divertida, animada e... dançante! É Glam Rock, é puro Ghost para mim. E no bom sentido, até porque adoro a banda do Tobias Forge. São menos de três minutos delicioso, e tem um vídeo musical que desde já é um clássico. Ah, as dancinhas, as dancinhas, veremos o que acontece nos shows que irão acontecer no Brasil, começando no dia 15 de março em São Paulo no Carioca Club e passando por Curitiba, Belo Horizonte e Brasília, nos dias 16, 18 e 19 de março respectivamente.

E temos as participações de Randy Blythe, do Lamb Of God, e Ash Costello, do New Years Day, respectivamente em "Hosting The Shadow" e "In The Mean Time", mas são músicas do Lacuna, e a primeira realmente é melhor que a segunda e me dá uma vontade imensa de algum dia vê-los juntos no palco performando essa paulada.

"In Nomine Patris", "Sleepless Empire" e "Sleep Paralysis" são visitas ao passado da banda nos anos 2000, num ótimo album não são as melhores composições, mas novamente, dentro da temática do album, funcionam bem.

E fechando esse novo trabalho temos "Never Dawn", que já havia sido lançada a algum tempo, um belo fechamento.

Sleepless Empire é um passo para o futuro, com um olho no passado. E deixa a banda no lugar exato que precisa estar em 2025. Longa Vida Lacuna Coil.






Avatarium: O Doom Entre o Divino e o Profano


Por Jessica Tahnne Valentim
Colaborou: Carlos Garcia 
Fotos: Divulgação


A banda sueca de doom metal Avatarium lançou seu mais novo trabalho, “Between You, God, the Devil and the Dead”, no dia 24 de janeiro de 2025. Em entrevista exclusiva ao Road to Metal, os músicos Jennie-Ann Smith e Marcus Jidell conversaram com nossa colaboradora Jessica Valentim sobre as inspirações para este álbum, as influências da banda e o que os fãs podem esperar do futuro.


Entre Deus e o Diabo: As Inspirações do Novo Álbum

Desde seu início, o Avatarium sempre explorou a dualidade entre o sombrio e o belo, e seu mais novo disco aprofunda ainda mais essa abordagem. 

Jennie-Ann compartilhou sua visão sobre a faixa título do álbum: "Queríamos falar sobre os conflitos internos que todos enfrentamos. A relação entre luz e escuridão, fé e dúvida, vida e morte. É um tema eterno no doom metal, mas buscamos dar nossa própria interpretação."

Marcus complementou a ideia, destacando a importância da narrativa dentro do trabalho: "Cada música conta uma história, e queríamos que a atmosfera do álbum refletisse essa batalha constante entre forças opostas."

A ideia do título veio cedo no processo criativo, como explicou Jennie-Ann: "Foi a primeira música que escrevemos para o álbum. Estávamos na costa oeste da Suécia, em pleno inverno, com tempestades e neve. O refrão veio primeiro e sentimos que esse era o título perfeito, pois amarrava todo o conceito."

A Influência de Leif Edling e a Evolução da Banda

Ao longo dos anos, o Avatarium passou por transformações naturais, especialmente após a saída de Leif Edling do processo criativo ativo da banda. Ao ser questionado sobre essa mudança, Marcus explicou: "Claro que há diferenças. Quando você escreve a música, inevitavelmente coloca sua própria identidade nela. Mas ainda seguimos a tradição que ajudamos a construir."

Jennie-Ann complementou: "Cada pessoa que se envolve na criação da nossa música deixa sua marca. Trabalhar com Leif foi uma experiência enriquecedora, pois ele foi um mentor para nós, mesmo que de forma não intencional. Aprendemos muito com ele, e sua influência ainda está presente."


Influências e Sonoridade

Musicalmente, Between You, God, the Devil and the Dead mantém a identidade doom do Avatarium, mas traz nuances novas. Segundo Marcus, "Há influências do blues e do rock clássico, além do peso característico do doom. Procuramos criar um som que seja denso, mas também emocional."

Jennie-Ann destacou sua abordagem vocal no disco: "Sempre busco trazer emoção para minha interpretação, e este álbum me desafiou a explorar diferentes nuances. Há momentos de pura melancolia e outros de uma intensidade quase teatral."

Quanto ao álbum ter uma sonoridade mais pesada em comparação aos anteriores, Marcus respondeu: "Sim, queríamos um som que funcionasse bem ao vivo. As músicas precisavam ser baseadas em riffs marcantes, mas sem perder a autenticidade."

Sobre a identidade da banda ao longo dos anos, Marcus comentou: "Não nos preocupamos em rotular nossa música. Desde o início, estabelecemos que Avatarium deveria soar 'sombrio, pesado e poético'. Isso nos permite explorar diferentes direções, sem perder nossa essência."

Marcus acrescentou: "Sempre voltamos ao Black Sabbath, que foi uma grande influência. Mas ouvimos de tudo: de Beethoven a Sex Pistols. Isso influencia nosso som de maneira orgânica."

Foto: Alex Hinchcliffe

O Futuro do Avatarium

Ao serem questionados sobre o futuro da banda, os músicos demonstraram entusiasmo. "Gostamos de evoluir a cada álbum, e esse sempre será nosso objetivo," disse Marcus.

Jennie-Ann completou: "A turnê será muito especial, pois estamos ansiosos para ver como as músicas serão recebidas ao vivo. Há algo mágico em levar essas canções para o palco."

Sobre turnês, os músicos mencionaram que adorariam tocar no Brasil: "Vemos muitos fãs pedindo nos comentários: 'Venham para o Brasil!'. Seria incrível trocar o inverno sueco pelo calor brasileiro!" brincou Jennie-Ann. Marcus revelou que já esteve em São Paulo e adoraria voltar com a banda.

Quando perguntados sobre o próximo passo da banda, Jennie-Ann disse que ainda está absorvendo o novo álbum, mas espera continuar explorando novas ideias. Marcus, por outro lado, brincou: "Dessa vez, não tenho um plano definido. Mas quem sabe? Talvez tenhamos mais um disco pela frente."

Com um álbum que promete emocionar e aprofundar ainda mais a sonoridade única do Avatarium, a banda segue firme na sua jornada entre o divino e o profano. “Between You, God, the Devil and the Dead” já está disponível, e os fãs podem esperar uma experiência intensa e introspectiva.





Thanks To:
Mona Miluski From All Noir PR
AFM Records