Em seu quinto álbum de estúdio "The Rising Inner Eden” (O Éden Interior Em Ascenção), com data de lançamento para este 10/08,2026, o guitarrista, compositor e produtor fonográfico Marcelo Demichelli - da prolífica cena Metal e Underground da região central do RS - apresenta em seu release que esse é o seu trabalho mais conceitual e introspectivo até então.
E realmente após as primeiras audições é o que podemos sentir, além da constante evolução a cada álbum do seu Metal Místico e Oriental, sendo que neste, Demichelli trouxe uma preocupação maior na construção de riffs e melodias marcantes, além de explorar novos elementos, como o Gothic Metal, que faz parte das inspirações do músico.
Este já é o terceiro trabalho produzido, mixado e masterizado pelo próprio artista em seu home studio, o que lhe proporciona tempo e comodidade para trabalhar e maturar as composições.
Afirmo que o álbum terá a capacidade de agradar além do público que é aficionado aos trabalhos instrumentais, principalmente os voltados à guitarra, pois essa trilha sonora carregada de climas densos, intensos e de melodias introspectivas, conduzem o ouvinte por uma jornada que desperta vários sentimentos, como reflexão, surpresa, ansiedade e libertação.
O álbum inicia com a atmosférica intro "InnerCure", que embora traga uma atmosfera bem interessante e introspectiva, em minha impressão inicial, poderia ser um pouco mais curta.
A intro prepara o caminho da jornada, que começa a tomar mais corpo com "A IrmandadeDa Fênix". Os riffs e arranjos de fundo apresentam nuances sombrias que demonstram as inspirações Gothic Metal, transitando por climas e atmosferas orientais, que já são característicos do trabalho de Demichelli, e finaliza com belos e introspectivos arranjos ao violão.
Na sequência temos "O Nascer Da Serpente", e aqui o peso dos riffs vêm mais intenso, e já se percebe o que comentei acima, que neste trabalho o guitarrista deu mais ênfase aos riffs e melodias, tornando as músicas mais marcantes.
As nuances orientais estão bem presentes e mais marcantes. O clima tenso predomina, e nos solos, virtuosos, mas trabalhando para completar os climas que a música busca traduzir ao ouvinte.
Chegamos à faixa título, "The Rising Inner Eden", e aqui novamente podemos sentir as influências Gothic Metal nos riffs e na atmosfera da música, com peso e melodias sombrias e introspectivas, e nos solos temos nuances neoclássicas.
Em "Silence Kisses but Silence Kills" prosseguimos a jornada, e ela é a faixa mais pesada do trabalho, onde o clima Dark ainda se faz presente, mas o que se sobressai são os trechos que beiram o Metal Extremo, com riffs velozes e nuances Death Metal.
E essa variedade de riffs e mudanças de atmosferas, por vezes caóticas e com aquela sensação de urgência, mantém o ouvinte atento e interessado, e a cada audição poderá perceber mais detalhes.
Fechando o trabalho temos "Rosa Mystica" (new version/Bonus Track), umas das músicas mais conhecidas de Demichelli ganhou nova roupagem, e posso dizer que ficou ainda mais encorpada, pesada e dinâmica, e casou perfeita com a proposta deste álbum, que traz esse clima mais Dark/Gothic, com mais ênfase nos riffs e melodias.
Marcelo Demichelli demonstra aqui que sua proposta musical está cada vez mais coesa, madura e carregando forte identidade, e alguns excessos de outrora dão lugar a mais melodias, climas e riffs marcantes, e claro, como o título sugere, podemos sentir que é um álbum bem pessoal e transmite essa atmosfera introspectiva.
Os solos seguem como parte marcante, e muitas vezes se sobressaem, mas de forma a contribuir com o todo, quase "conversando" com o ouvinte, sem "exibição gratuita". Sabemos que muitas vezes, nos trabalhos "guitarrísticos", é difícil para o músico segurar aquela vontade de colocar mais notas aqui e ali (risos). Demichelli traz uma forte identidade, capaz de o diferenciar e ser logo reconhecido aos primeiros acordes, algo que todos certamente buscam.
Um artista que merece ser "descoberto" por mais ouvintes. Não se enveredou por caminhos fáceis, o Metal já é um nicho, e o Metal Instrumental ainda mais.
Tracklist 1 - Intro - Inner Cure 2 - A Irmandade Da Fênix 3 - O Nascer Da Serpente 4 - The Rising Inner Eden 5 - Silence Kisses but Silence Kills 6 - Rosa Mystica (new version/Bonus Track)
Celebrar duas décadas de carreira é um privilégio reservado a poucas bandas dentro do metal moderno. Desde sua formação em 2005, na Pensilvânia (EUA), o Motionless In White construiu uma identidade própria ao combinar metalcore, industrial, nu metal, metal alternativo e elementos eletrônicos sob uma estética inspirada no horror, no gótico e na cultura pop sombria. Ao longo dos anos, o grupo liderado por Chris Motionless refinou sua sonoridade sem abandonar a agressividade que conquistou sua base de fãs. Em Decades, lançado pela Roadrunner Records para celebrar os 20 anos da banda, o quinteto apresenta um trabalho que revisita sua trajetória enquanto aponta para o futuro, reunindo peso, melodias marcantes e participações especiais que ampliam ainda mais a experiência do álbum.
O conceito de Decades funciona como uma homenagem à própria história do Motionless In White. O encarte reforça esse caráter comemorativo com uma direção artística impecável, repleta de referências visuais à estética sombria que acompanha a banda desde seus primeiros lançamentos. É um material que dialoga diretamente com os fãs de longa data, mas que também serve como porta de entrada para quem está conhecendo o grupo.
Na parte técnica, a produção assinada por Drew Fulk e Justin DeBlieck é um dos grandes triunfos do álbum. Ambos encontram um equilíbrio admirável entre brutalidade e acessibilidade, entregando uma mixagem extremamente limpa, poderosa e moderna. Cada instrumento ocupa seu espaço sem comprometer a intensidade das composições, enquanto os elementos eletrônicos são incorporados de forma orgânica, enriquecendo as músicas sem jamais ofuscar o peso das guitarras.
Chris Motionless vive um dos melhores momentos de sua carreira. Sua interpretação é intensa e convincente, transitando naturalmente entre vocais limpos extremamente melódicos e guturais rasgados carregados de emoção e agressividade. A dinâmica vocal acrescenta dramaticidade às composições e reforça o caráter cinematográfico presente em boa parte do repertório.
As guitarras entregam riffs encorpados, grooves impressionantes e uma quantidade generosa de camadas que tornam cada faixa rica em detalhes. São aqueles grooves que fazem qualquer headbanger bater cabeça naturalmente. O baixo aparece firme, preenchendo a sonoridade com profundidade e sustentação, enquanto a bateria alterna precisão técnica, peso e criatividade, acompanhando perfeitamente as constantes mudanças de atmosfera do disco.
O grande mérito de Decades está justamente em sua capacidade de fundir diferentes estilos sem soar exagerado. Nu metal, industrial, metal alternativo, metalcore e música eletrônica convivem em perfeita harmonia, resultando em um álbum extremamente envolvente, energético e moderno. Os refrões são explosivos, memoráveis e fáceis de assimilar, tornando o trabalho acessível inclusive para quem normalmente não acompanha o metalcore. O Motionless In White demonstra maturidade artística ao refinar sua técnica sem sacrificar a essência que definiu sua carreira.
A faixa-título, "Decades", sintetiza perfeitamente a proposta do álbum. Combinando peso, melodias marcantes e uma atmosfera grandiosa, ela funciona como uma verdadeira declaração de identidade da banda e representa com competência o espírito comemorativo do trabalho.
Em "R.I.P.", a participação de Skylar Grey acrescenta uma dimensão emocional impressionante. A introdução conduzida por sua voz delicada cria um contraste marcante antes da explosão instrumental comandada pelo Motionless In White. O resultado é uma das músicas mais cinematográficas do álbum, alternando momentos de vulnerabilidade e intensidade com enorme eficiência.
"Fight Like Hell" aposta fortemente na influência do nu metal, trazendo grooves pesados, refrão explosivo e uma energia contagiante. Chris Motionless conduz a faixa com autoridade, transformando-a em um dos momentos mais empolgantes do disco.
Já "Playing God", com a participação especial de Corey Taylor, certamente figura entre os grandes destaques de Decades. A química entre os dois vocalistas é impressionante. As alternâncias entre vocais limpos e guturais elevam ainda mais a intensidade da composição, enquanto Corey entrega uma performance agressiva, raivosa e extremamente carismática, acrescentando ainda mais peso ao resultado final.
Em "Blood Rave", com participação de Anthony Martinez, a banda surpreende ao explorar uma atmosfera de balada gótica moderna. Hipnótica, envolvente e bastante diferente do restante do repertório, a música aposta em sintetizadores, batidas eletrônicas e um refrão dançante que permanece na memória após poucas audições. Aqui, os elementos eletrônicos assumem o protagonismo, demonstrando a versatilidade do grupo.
"Love At First Bite" mergulha de vez na temática vampiresca que sempre permeou parte da estética do Motionless In White. A composição incorpora influências da música dos anos 1980 sem abrir mão da produção moderna, criando uma atmosfera elegante, sedutora e divertida.
Em "Afraid Of The Dark", a banda entrega um dos momentos mais emocionantes do álbum. A abertura com guturais rasgados estabelece imediatamente um clima dramático que logo dá lugar a passagens melódicas extremamente marcantes. O refrão é envolvente, grandioso e reforça o equilíbrio entre agressividade e sensibilidade que caracteriza o disco.
A atmosfera retrô retorna em "Sunglasses At Night", que flerta com o AOR e o synth rock dos anos 1980 sem perder o peso contemporâneo. O resultado é uma faixa divertida, nostálgica e surpreendentemente dançante, capaz de agradar tanto aos fãs de metal quanto ao público que aprecia a estética das tradicionais baladas góticas.
Fechando a edição com uma energia extra, a bonus track "Fight Like Hell", desta vez com participação do Outlier, oferece uma nova leitura para uma das músicas mais fortes do álbum, encerrando Decades com a mesma intensidade que acompanha toda sua execução.
Decades não é apenas uma celebração dos 20 anos do Motionless In White, mas também uma demonstração clara de maturidade artística. A banda encontrou um equilíbrio raro entre agressividade, melodia, experimentação e apelo comercial, entregando um álbum que respeita sua identidade enquanto amplia seus horizontes musicais. Com produção impecável de Drew Fulk e Justin DeBlieck, performances inspiradas e composições repletas de refrões marcantes e grooves irresistíveis, o disco reafirma por que o Motionless In White continua sendo uma das principais forças do metal moderno.
Divulgação
***ENGLISH VERSION***
Celebrating two decades of a band's career is a privilege reserved for only a handful of acts in modern metal. Since forming in 2005 in Pennsylvania, USA, Motionless In White has forged a distinctive identity by blending metalcore, industrial, nu metal, alternative metal, and electronic elements under an aesthetic inspired by horror, gothic culture, and dark pop culture. Over the years, the band led by Chris Motionless has refined its sound without sacrificing the aggression that won over its loyal fanbase. With Decades, released through Roadrunner Records to commemorate the band's 20th anniversary, the quintet delivers a record that honors its past while looking firmly toward the future, combining crushing heaviness, memorable melodies, and high-profile guest appearances that elevate the listening experience.
The concept behind Decades serves as a tribute to Motionless In White's own legacy. The album booklet reinforces its commemorative nature through impeccable artistic direction, packed with visual references to the dark aesthetic that has accompanied the band since its earliest releases. It is a package that speaks directly to longtime fans while also serving as an inviting gateway for newcomers.
From a technical standpoint, the production by Drew Fulk and Justin DeBlieck stands as one of the album's greatest strengths. The duo achieves an admirable balance between brutality and accessibility, delivering a mix that is exceptionally clean, powerful, and modern. Every instrument occupies its own space without compromising the intensity of the compositions, while the electronic elements are seamlessly integrated, enhancing each track without ever overshadowing the crushing guitar work.
Chris Motionless delivers one of the finest vocal performances of his career. His interpretation is both powerful and convincing, moving effortlessly between soaring clean vocals and raw, emotionally charged screams. This dynamic vocal approach adds dramatic weight to the compositions and reinforces the cinematic atmosphere that defines much of the album.
The guitars unleash thick riffs, infectious grooves, and multiple layers that make every song feel rich and detailed. These are the kind of grooves that naturally make every headbanger bang their head with a smile. The bass provides a solid and commanding foundation, adding depth and fullness to the overall sound, while the drums combine technical precision, power, and creativity, perfectly complementing the album's constant shifts in mood and intensity.
Decades truly shines in its ability to merge different musical styles without ever sounding forced or excessive. Nu metal, industrial, alternative metal, metalcore, and electronic music coexist in remarkable harmony, resulting in an album that feels energetic, immersive, and refreshingly modern. The choruses are explosive, instantly memorable, and highly accessible, making the record appealing even to listeners who are not typically fans of metalcore. Motionless In White demonstrates remarkable artistic maturity by refining its craft without sacrificing the essence that has defined its career.
The title track, "Decades" perfectly encapsulates the album's overall vision. Combining crushing heaviness, memorable melodies, and a grand cinematic atmosphere, it serves as a powerful statement of identity while capturing the celebratory spirit of the record.
On "R.I.P." Skylar Grey brings an impressive emotional dimension to the song. Her angelic vocal introduction creates a striking contrast before Motionless In White unleashes its instrumental intensity. The result is one of the album's most cinematic moments, effortlessly balancing vulnerability and sheer power.
"Fight Like Hell" fully embraces its nu metal influences through heavy grooves, an explosive chorus, and infectious energy. Chris Motionless commands the song with confidence, turning it into one of the album's most adrenaline-fueled highlights.
"Playing God" featuring Corey Taylor, is undoubtedly among the standout tracks on Decades. The chemistry between both vocalists is undeniable. Their interplay between clean vocals and guttural screams elevates the song's intensity, while Corey delivers a fierce, aggressive, and emotionally charged performance that adds even more weight to the final result.
On "Blood Rave" featuring Anthony Martinez, the band surprises listeners by exploring the atmosphere of a modern gothic ballad. Hypnotic, immersive, and unlike anything else on the album, the song relies on lush synthesizers, electronic textures, and a danceable chorus that lingers long after it ends. Here, the electronic arrangements take center stage, highlighting the band's impressive versatility.
"Love At First Bite" fully embraces a vampiric atmosphere that has long been part of Motionless In White's artistic identity. The song incorporates clear influences from 1980s music while maintaining a thoroughly modern production, resulting in an elegant, seductive, and highly entertaining composition.
With "Afraid Of The Dark" the band delivers one of the album's most emotionally impactful moments. The opening guttural screams immediately establish a dramatic tone before giving way to soaring melodic passages. Its captivating chorus reinforces the balance between aggression and emotion that defines the record.
The retro influences return on "Sunglasses At Night" a track that flirts with AOR and 1980s synth rock without sacrificing contemporary heaviness. The result is an irresistibly fun, nostalgic, and danceable song that is likely to appeal not only to metal fans but also to listeners who appreciate the atmosphere of classic gothic club anthems.
Closing the special edition with an extra burst of energy, the bonus version of "Fight Like Hell" featuring Outlier, offers a fresh interpretation of one of the album's strongest tracks, bringing Decades to an intense and satisfying conclusion.
Decades is far more than a celebration of Motionless In White's twenty-year career; it is a compelling demonstration of artistic maturity. The band has achieved a rare balance between aggression, melody, experimentation, and mainstream appeal, delivering an album that remains faithful to its identity while confidently expanding its musical horizons. Backed by the outstanding production of Drew Fulk and Justin DeBlieck, inspired performances, unforgettable choruses, and irresistible grooves, Decades reaffirms why Motionless In White continues to stand among the leading forces in modern metal.
A estreia da gaúcha Linda Roshae com "Serpentine Seduction" traz ao metal nacional um contraponto interessante entre a força do gênero e a bagagem artística de sua idealizadora. Conhecida por sua atuação na dança do ventre oriental e no circuito de concursos de beleza — onde conquistou o título de Miss Universo Alvorada 2023 —, a artista transporta sua visão estética para um trabalho de 12 faixas claramente voltado à construção de atmosferas.
Trata-se de um álbum conceitual que abre mão do imediatismo comercial para explorar temas como ocultismo, paganismo e os aspectos mais profundos da psique humana.
Do ponto de vista musical, a obra se sustenta no equilíbrio entre o peso característico do Doom Metal e a elegância melódica do Gothic e do Symphonic Metal. Um dos principais méritos do disco está na produção e nos arranjos de Alex Voorhees (Imago Mortis), que conseguem integrar diferentes influências — do Folk ao Black Metal — sem comprometer a identidade sonora do álbum ou tornar a experiência excessivamente carregada.
Nos vocais, Linda Roshae aposta na expressividade em vez do exagero técnico. Ao invés de recorrer constantemente a interpretações operísticas, privilegia linhas delicadas e emotivas, cantadas em diferentes idiomas, recurso que amplia a riqueza da narrativa e reforça o caráter sofisticado da obra.
As guitarras de Jean Carlos (Dio Tribute) também desempenham papel importante, priorizando texturas, melodias e ambientações em vez de demonstrações gratuitas de virtuosismo.
O repertório apresenta boa coesão e conduz o ouvinte de forma consistente pela proposta do álbum. A abertura com "Lucifer's Lover" estabelece de imediato a atmosfera sombria do Doom/Gothic Metal, funcionando como uma introdução eficiente ao universo do disco.
Já a faixa-título, "Serpentine Seduction", presta homenagem ao Doom Metal europeu do início dos anos 1990, evocando uma sonoridade familiar que certamente agradará aos admiradores do estilo.
O ponto alto do álbum é "Aphrodite". A composição se destaca pela capacidade de integrar elementos do metal moderno, progressivo, sinfônico e da música Folk de maneira natural e bem estruturada, revelando o potencial criativo de Linda Roshae como compositora.
Na sequência, "Venus Daughter" mantém o alto nível ao combinar o peso do Doom Metal com arranjos sinfônicos elegantes, resultando em uma das faixas mais refinadas do trabalho.
Na reta final, "Siren's Serenade" e "Aradia" reforçam a proposta cinematográfica do álbum ao alternarem momentos de grande intensidade com passagens mais contemplativas, encerrando o disco de forma coerente com sua identidade artística.
Serpentine Seduction não pretende reinventar os fundamentos do metal, mas demonstra personalidade ao executar sua proposta com segurança e consistência. É um álbum de estreia maduro, sustentado por uma identidade visual marcante, uma direção conceitual bem definida e composições que valorizam a construção de atmosferas.
Linda Roshae entrega um trabalho que certamente encontrará espaço entre os ouvintes que apreciam experiências musicais imersivas e obras que privilegiam substância artística em vez de fórmulas previsíveis.
******** English Version*******
Linda Roshae Delivers a Conceptual and Atmospheric Debut with "Serpentine Seduction"
Brazilian artist Linda Roshae makes a compelling entrance into the country's metal scene with Serpentine Seduction, offering an intriguing contrast between the genre's raw intensity and her diverse artistic background. Known for her work as an Oriental belly dancer and her participation in beauty pageants—where she earned the title of Miss Universo Alvorada 2023— Roshae channels her visual sensibility into a 12-track album built around atmosphere and storytelling.
Rather than chasing commercial appeal, this conceptual debut explores themes such as occultism, paganism, and the deepest layers of the human psyche.
Musically, the album finds its strength in the balance between the crushing weight of Doom Metal and the melodic elegance of Gothic and Symphonic Metal. One of its greatest assets is the production and arrangements by Alex Voorhees (Imago Mortis), who successfully blend a wide range of influences—from Folk to Black Metal—without compromising the album's identity or allowing the sound to become overcrowded.
Vocally, Linda Roshae favors emotional expression over technical excess. Instead of relying heavily on operatic techniques, she delivers delicate and heartfelt performances in multiple languages, adding richness to the album's narrative while reinforcing its sophisticated character.
Jean Carlos (Dio Tribute) also deserves recognition for his guitar work, which emphasizes texture, melody, and atmosphere rather than empty displays of virtuosity.
The tracklist is cohesive and guides the listener naturally through the album's artistic vision. Opening track "Lucifer's Lover" immediately establishes the dark Doom/Gothic atmosphere, serving as an effective introduction to the record's sonic landscape.
Meanwhile, the title track, "Serpentine Seduction," pays tribute to the European Doom Metal sound of the early 1990s, evoking a familiar sense of nostalgia that longtime fans of the genre will likely appreciate.
The album reaches its creative peak with "Aphrodite." The song stands out for seamlessly blending elements of modern, progressive, symphonic, and Folk Metal into a cohesive and engaging composition, showcasing Linda Roshae's songwriting potential. Following that, "Venus Daughter" maintains the album's high standard by combining the heaviness of Doom Metal with elegant symphonic arrangements, resulting in one of the record's most refined moments.
Toward the end of the album, "Siren's Serenade" and "Aradia" reinforce its cinematic approach by alternating between moments of powerful intensity and more restrained, contemplative passages, bringing the record to a conclusion that feels both coherent and artistically satisfying.
"Serpentine Seduction" does not attempt to reinvent the foundations of metal, but it succeeds through the confidence and consistency with which it executes its vision. It is a mature debut, supported by striking visual aesthetics, a well-defined conceptual direction, and compositions that prioritize atmosphere over immediacy. With this release, Linda Roshae delivers a work that is likely to resonate with listeners who value immersive musical experiences and artistic substance over predictable formulas.
A banda portuguesa de Gothic/Dark Metal formada em 1992, consolidou sua carreira através de composições marcadas por temas como ocultismo, poesia, melancolia e erotismo, tornando-se uma das maiores referências do gênero. Agora, o grupo chega ao seu 14º álbum de estúdio, "Far From God".
Embora as comparações com Irreligious (1997) sejam inevitáveis, "Far From God" está longe de ser uma mera cópia daquele clássico. As semelhanças aparecem principalmente na melancolia que permeia a obra e em suas temáticas sombrias, mas a execução segue um caminho próprio, marcado por uma abordagem mais sóbria e madura.
Ao mesmo tempo, o álbum resgata parte da sensibilidade romântica e decadente que remete à poesia de Charles Baudelaire, influência que se revela tanto nas letras quanto na construção emocional das canções.
Em vez de apostar em grandes arranjos ou momentos excessivamente dramáticos, o Moonspell constrói sua identidade através de uma instrumentação cuidadosamente equilibrada.
As guitarras de Ricardo Amorim ocupam posição de destaque, explorando afinações mais baixas e linhas minimalistas que acrescentam peso sem comprometer a elegância característica da banda. Os solos surgem com forte influência do gothic rock clássico, funcionando como extensões naturais das melodias e contribuindo para a paisagem sonora contemplativa que atravessa o disco.
A influência oitentista é perceptível ao longo de toda a obra, especialmente na forma como as composições priorizam clima e emoção em vez de impacto imediato. Ainda existem os teclados de Pedro Paixão, que dá o elemento atmosférico, enriquecendo os arranjos, mas eles são utilizados com moderação, sempre a serviço das canções e nunca como protagonistas.
Fernando Ribeiro entrega uma de suas performances mais consistentes dos últimos anos. Seu vocal soa mais controlado e introspectivo do que em alguns momentos de Irreligious, privilegiando interpretação e nuance em vez de teatralidade. Essa abordagem combina perfeitamente com o caráter do álbum, reforçando a sensação de maturidade presente em cada faixa.
"Far From God" demonstra a capacidade do Moonspell de revisitar aspectos fundamentais de sua identidade sem se tornar refém deles. O resultado é um trabalho que conversa com uma das fases mais celebradas da banda, mas encontra vigor suficiente para caminhar com personalidade própria.
Entre os destaques do álbum, "Cross Your Heart" é provavelmente uma das faixas que mais abraça a proposta do rock gótico oitentista. Guitarras carregadas de texturas e efeitos modulados, aliadas a bateria de Hugo Ribeiro, que dão contorno à composição e reforçam sua identidade.
A letra já estabelece seu tom melancólico logo nos versos iniciais — "Crosses and flowers by the side of the road" — conduzindo o ouvinte a uma paisagem fúnebre e contemplativa. Uma passagem falada acrescenta profundidade à música, enquanto seu ritmo envolvente e levemente dançante faz dela uma forte candidata a se tornar um dos pontos altos das apresentações ao vivo.
A faixa-título, "Far From God", surge de forma intimista, com vocais falados e quase sussurrados acompanhados por teclados que estabelecem uma ambiência sombria desde os primeiros instantes. Fernando Ribeiro adota uma interpretação sóbria e controlada, enquanto o baixo de Aires Pereira, é marcante e característico do gothic rock, assume papel de destaque na construção da música.
Liricamente, a faixa introduz com maestria a forte influência de Charles Baudelaire que permeia a obra. A composição transborda o conceito do amor baudelairiano, onde o afeto caminha lado a lado com a decadência, a culpa existencial e um romantismo sombrio. O resultado é uma canção nostálgica, fortemente ancorada na poesia maldita e nos elementos tradicionais do gênero.
Já "The Great Wolf in the Sky" representa o ponto alto do álbum. A faixa se desenvolve sobre uma ambientação soturna e densa, na qual instrumentos e vocais trabalham em perfeita sintonia para sustentar a proposta emocional da composição. Os teclados desempenham papel fundamental na construção do clima da música, enquanto uma passagem com vocais mais rasgados adiciona intensidade sem recorrer à teatralidade que marcou alguns trabalhos anteriores da banda. O violino presente nos momentos finais amplia ainda mais a carga dramática da faixa, encerrando-a de forma memorável.
"For the Love of Mortals" é, possivelmente, a composição mais atmosférica do disco, mergulhando de cabeça no romantismo trágico que define o conceito lírico do trabalho. A interpretação vocal permanece contida e melancólica, mas aqui são as guitarras que roubam a cena. Os solos carregam grande parte do peso emocional da música, enquanto a bateria atua de forma precisa, preenchendo os espaços e tornando a experiência ainda mais envolvente.
A mais pesada das composições é "Our Freedom to Fall", faixa que também remete de forma mais evidente à era Irreligious. Alternando vocais limpos e passagens guturais, a música apresenta uma intensidade emocional muito bem expressa por Fernando Ribeiro. Sua performance confere personalidade à faixa e amplifica o impacto de seus momentos mais sombrios.
O encerramento do álbum fica a cargo da faixa "Reconquista", que inicia com vocais rasgados que transmitem a revolta e a carga emocional exigidas pela composição. A atmosfera é densa, intensa e carregada de tensão, enquanto uma passagem falada em português acrescenta identidade e autenticidade à música.
Trata-se de um recurso recorrente na trajetória do Moonspell, reafirmando que a banda jamais abandonou suas raízes portuguesas. O próprio título parece sugerir uma dupla missão: a reconquista do território sagrado do metal gótico clássico e a reafirmação de sua própria soberania cultural e identidade lusitana.
Segundo os próprios integrantes, Far From God foi concebido com simplicidade musical, mas grande complexidade emocional. Fernando Ribeiro comentou sobre as dificuldades criativas enfrentadas durante o período da pandemia, e esse peso emocional parece ecoar em cada faixa do álbum. Ao mesmo tempo, o trabalho soa como um verdadeiro manifesto em defesa do metal gótico, reafirmando a relevância de um gênero que raramente ocupa posição de destaque no cenário contemporâneo.
O resultado é um álbum profundamente nostálgico, mas que evita a armadilha da mera repetição. Carregado de melancolia, romantismo, decadência e imagética vampírica, Far From God abandona boa parte das reflexões filosóficas e sociais presentes em Hermitage (2021) para mergulhar de cabeça na estética gótica que ajudou a consagrar o Moonspell.
Sóbrio, soturno e emocionalmente denso, o disco encontra um equilíbrio admirável entre tradição e maturidade, oferecendo aos fãs do gênero uma obra que honra o passado sem deixar de possuir identidade própria.
********ENGLISH VERSION*********
Gloomy, Mature, and Baudelairean: Moonspell Reclaims the Essence of Gothic Metal on Far From God
By: Michelle Santana Photos: Courtesy Label: Napalm Records
Moonspell, the Portuguese Gothic/Dark Metal band formed in 1992, established its career through compositions marked by themes such as occultism, poetry, melancholy, and eroticism, becoming one of the most influential acts in the genre. Now, the group arrives with its fourteenth studio album, "Far From God".
While comparisons to Irreligious (1997) are inevitable, Far From God is far from being a mere copy of that classic. The similarities lie mainly in the melancholy that permeates the record and its dark themes, but the execution follows its own path, marked by a more restrained and mature approach.
At the same time, the album revives part of the romantic and decadent sensibility associated with the poetry of Charles Baudelaire, an influence that reveals itself both in the lyrics and in the emotional construction of the songs.
Rather than relying on grand arrangements or excessively dramatic moments, Moonspell builds its identity through carefully balanced instrumentation. Ricardo Amorim's guitars take center stage, exploring lower tunings and minimalist lines that add weight without compromising the band's characteristic elegance. The solos draw heavily from classic gothic rock, functioning as natural extensions of the melodies and contributing to the contemplative sonic landscape that runs throughout the album.
The influence of the 1980s is evident across the entire record, particularly in the way the compositions prioritize atmosphere and emotion over immediate impact. Pedro Paixão's keyboards continue to provide the album's atmospheric dimension, enriching the arrangements while being used with restraint, always serving the songs rather than dominating them.
Fernando Ribeiro delivers one of his most consistent performances in years. His vocals sound more controlled and introspective than in certain moments of Irreligious, favoring interpretation and nuance over theatricality. This approach perfectly complements the character of the album, reinforcing the sense of maturity present in every track.
"Far From God" demonstrates Moonspell's ability to revisit fundamental aspects of its identity without becoming trapped by them. The result is a work that engages with one of the band's most celebrated eras while possessing enough vitality to move forward with a distinct personality of its own.
Among the album's highlights, "Cross Your Heart" is probably one of the tracks that most fully embraces the spirit of 1980s gothic rock. Textured guitars layered with modulation effects, combined with Hugo Ribeiro's drumming, help shape the composition and reinforce its identity.
The lyrics establish their melancholic tone immediately with the opening line, "Crosses and flowers by the side of the road," leading the listener into a funeral-like and contemplative landscape. A spoken-word passage adds depth to the song, while its engaging and subtly danceable rhythm makes it a strong contender to become one of the highlights of the band's live performances.
The title track, "Far From God," unfolds in an intimate manner, with spoken and nearly whispered vocals accompanied by keyboards that establish a dark atmosphere from the very beginning. Fernando Ribeiro adopts a restrained and controlled performance, while Aires Pereira's bass, prominent and deeply rooted in gothic rock tradition, plays a key role in shaping the song.
Lyrically, the track masterfully introduces the strong influence of Charles Baudelaire that permeates the album. The composition overflows with the concept of Baudelairean love, where affection walks hand in hand with decadence, existential guilt, and dark romanticism. The result is a nostalgic song firmly anchored in cursed poetry and the traditional elements of the genre.
"The Great Wolf in the Sky" stands as the album's high point. The song develops through a gloomy and dense atmosphere in which instruments and vocals work in perfect harmony to sustain its emotional purpose.
The keyboards play a fundamental role in shaping the song's mood, while a passage featuring harsher vocals adds intensity without resorting to the theatricality that characterized some of the band's earlier works. The violin that emerges toward the end amplifies the song's dramatic impact even further, bringing it to a memorable conclusion.
"For the Love of Mortals" is arguably the most atmospheric composition on the album, diving headfirst into the tragic romanticism that defines its lyrical concept. The vocal performance remains restrained and melancholic, but here it is the guitars that steal the spotlight. The solos carry much of the song's emotional weight, while the drumming acts with precision, filling the spaces and making the experience even more immersive.
The heaviest composition on the album is "Our Freedom to Fall," a track that also bears the strongest resemblance to the Irreligious era. Alternating between clean vocals and guttural passages, the song presents an emotional intensity masterfully expressed by Fernando Ribeiro. His performance gives the track its personality and amplifies the impact of its darkest moments.
The album closes with "Reconquista," which opens with harsh vocals that convey the anger and emotional charge demanded by the composition. The atmosphere is dense, intense, and filled with tension, while a spoken passage in Portuguese adds identity and authenticity to the track.
It is a recurring element throughout Moonspell's career, reaffirming that the band has never abandoned its Portuguese roots. The title itself seems to suggest a dual mission: the reconquest of gothic metal's sacred territory and the reaffirmation of its own cultural sovereignty and Lusitanian identity.
According to the band members themselves, Far From God was conceived with musical simplicity but emotional complexity. Fernando Ribeiro has spoken about the creative difficulties the band faced during the pandemic years, and that emotional burden seems to echo throughout the album. At the same time, the record feels like a true manifesto in defense of gothic metal, reaffirming the relevance of a genre that rarely occupies a prominent place in today's musical landscape.
The result is a deeply nostalgic album that avoids the trap of mere repetition. Filled with melancholy, romanticism, decadence, and vampiric imagery, Far From God leaves behind much of the philosophical and social reflection found on Hermitage (2021) and dives headfirst into the gothic aesthetic that helped establish Moonspell's legacy.
Restrained, gloomy, and emotionally dense, the album achieves an admirable balance between tradition and maturity, offering fans of the genre a work that honors the past while maintaining a strong identity of its own.
Antes de iniciarmos a falar deste novo álbum do Heavenwood, é bom fazer um breve histórico, para quem ainda não conhece a pioneira banda de Dark/Gothic Metal Portuguesa. O grupo , oriundo de Vila Nova de Gaia, iniciou atividades lá no início dos anos 90, ainda sob o nome Disgorged, lançando duas demos, trabalhos que chamaram a atenção da Massacre Records.
No selo alemão faz sua estreia em 1996, com o álbum “Diva”, e já rebatizados como Heavenwood (que foi tirado do título de uma música da primeira demo, “Judith Heavenwood”), pois o antigo nome já não parecia adequado à evolução sonora da banda, que estava mais sombrio e melódico.
Com “Diva” (96), o Heavenwood rompeu fronteiras, e foi a primeira banda de Metal Portuguesa a ter material também distribuído no Japão.
Com “Swallow” (98), Heavenwood expandiu ainda mais a sua sonoridade melódica e sombria, e também o seu nome no cenário mundial, se tornando a primeira banda lusitana de Metal a tocar no Wacken. Vale ressaltar que contaram como convidados no álbum, Kai Hansen e Liv Kristine.
Apesar de um, digamos, recuo nas atividades, principalmente turnês, o Heavenwood seguiu lançando álbuns os quais sempre buscavam novos desafios, e tendo o desejo de fazer música e arte principalmente.
Então vieram “Redemption” (2008) e o orquestral “Abyss Masterpiece” (2011), inspirado na obra da poetisa portuguesa Marquesa de Alorna, e em 2016 apresentou sua, provavelmente, obra mais ousada, a primeira parte de duas de “Tarot of the Bohemians”.
Com a inspiração lírica nas palavras de Gérard Anaclet Vincent Encausse (13 de julho de 1865 – 25 de outubro de 1916), cujos pseudônimos esotéricos eram Papus e Tau Vincent, foi um médico, hipnotizador e popularizador do ocultismo francês, fundador da Ordem Martinista moderna, o Heavenwood entregou um trabalho instigante, coberto de camadas inspiradas tanto musicais, como liricamente falando, transportando o ouvinte por uma atmosfera densa, pesada, melódica e reflexiva.
Em 2022 o mentor e mente criativa do Heavenwood, Ricardo Dias, sofreu um acidente quase fatal, e essas lutas pessoais, aliadas a mudanças de formação, chegaram a colocar em dúvida a continuidade da banda, e por conseguinte, da conclusão da obra.
Mas felizmente, dez anos após sua primeira parte, “Tarot of the Bohemians Part II” , sexto álbum da banda, finalmente teve seu lançamento oficial no dia 12/06/2026, via Mighty Music.
São 10 músicas, as quais completam a obra que aborda os 22 arcanos maiores do tarô, e marcam também uma nova fase, com uma visão mais individual de Ricardo Dias, que a partir de 2024 iniciou a produção do álbum.
Ricardo foi responsável por gravar todos os instrumentos, além dos seus vocais, com exceção da bateria, gravada por Eduardo Sinatra. A bela e misteriosa arte da capa foi concebida pela artista gráfica Naya Kotko.
Neste universo abordado, onde cada ouvinte certamente também terá sua própria interpretação e será tocado pela música e atmosfera de formas diferentes.
“Tarot of the Bohemians Part II” inicia com “Death”, a carta que significa transformação, encerramento de ciclos e recomeço, se mostra perfeita para essa nova fase, com certeza tendo significado especial para Ricardo. Uma canção de andamento lento, guitarras carregadas de peso e vocais guturais, nos conduz a uma imersão recheada de melodias sombrias, por vezes desesperadoras e caóticas, atmosfera essa que permeia as primeiras 4 faixas do álbum.
“Temperance”, a carta do equilíbrio e harmonia, traz uma atmosfera Gothic/Doom envolvente, com seu andamento sereno e belas melodias sombrias nas guitarras. Já “The Devil”, representante dos desejos materiais, inicia tempestuosa e com andamento mais veloz, com a bateria rápida, quebrada e orgânica. Mescla riff melodiosos e agressivos, que se completam com as camadas vocais, aqui com apoio de vozes femininas.
“The Lightning Struck Tower”, a representação das mudanças repentinas e quebra de ilusões, também traz um ritmo mais frenético, iniciando com double-bass na bateria e o baixo pulsante, para em seguida serem acompanhadas por riffs urgentes e destacando a bateria intrincada. A faixa traz mudanças de atmosfera, com solos melodiosos, até finalizar com muito peso e agressividade.
Esperança, inspiração e fé no futuro, é o que representa a estrela no Tarô, e “Stars” envolve desde o início com suas melodias cativantes, andamento dinâmico e refrão marcante. Se destacam também os vocais femininos, em uma faixa de sonoridade predominantemente limpa e melodiosa, e com atmosfera mais leve.
“The Moon”, que nas cartas do tarô representa a intuição aguçada e o inconsciente, traz uma atmosfera semelhante à sua antecessora, porém ainda mais melodiosa, repleta de melodias cativantes e refrão memorável. A atmosfera Gothic Rock e o dueto de vocal feminino e masculino se destacam.
Vitalidade, sucesso e clareza, alguns dos elementos que a carta sol representa, e “TheSun” traz um manifesto em forma de uma balada Gothic/Metal, de vocais quase sussurrados de Ricardo, tendo no refrãos o contraponto de vocais femininos. De ritmo lento e envolvente, a canção é entrecortada por momentos límpidos e melodias cativantes da guitarra.
“The Judgement”, representação do despertar e auto perdão, surge em uma faixa que novamente o peso predomina, e nos faz transitar por caminhos sinuosos, embora alterne com alguns momentos mais melodiosos. Os vocais guturais se contrapõem com um coro de vozes de crianças no refrão.
Um salto no desconhecido, um dos significados do “tolo” do tarô, e chegamos a ela, “The Fool”, que inicia com violão acústico e a voz sussurrada e grave de Ricardo. A música traz elementos de Classic Rock ao Gothic/Metal melodioso que a permeia.
As melodias ao violão vão entrecortando os riffs de guitarra, o refrão é marcante e provavelmente o mais melodioso do álbum, tendo novamente duetos de vozes masculinas e femininas. Destaque também para o uso de slide e solos que valorizam a simplicidade e melodias tocantes.
Fechando a obra, temos a bela e dinâmica “TheWorld”, a carta que significa realização e conclusão de ciclos. Inicia intensa, como recomeços, e traz peso, melodia e uma atmosfera revitalizadora.
Com seu andamento mais acelerado, destaca novamente o excelente trabalho da bateria. As melodias no refrão se insinuam ao mesmo tempo suavemente melancólicas e cativantes, onde mais uma vez a voz grave e introspectiva de Ricardo faz contraponto com vocais femininos.
Um belo “grand finale”, onde o refrão ficará ecoando na sua mente: "...I'll be There, Sooner or Later".
Fazer música enquanto questão artística, essa frase ecoou na minha mente, e a uso novamente para encerrar esta matéria, pois condiz muito bem com a história do Heavenwood e de Ricardo Dias, que, felizmente, entrega mais um grande álbum, uma viagem Dark/Gothic Metal carregada de emoções e musicalmente intensa e variada, trazendo aquela aura anos 90 dos melhores momentos do estilo, porém renovada.
Com certeza um trabalho muito significativo para Ricardo, face a todos os acontecimentos que antecederam a criação e finalização da saga iniciada uma década atrás.
E agora, o que reserva o futuro para os Heavenwood? Talvez as cartas tenham a resposta.
***********ENGLISH VERSION************
Heavenwood: A New Beginning and the Final Part of the "Tarot of the Bohemians" Saga
Before we begin discussing this new Heavenwood album, it's good to give a brief history for those unfamiliar with the band. The Portuguese group began its activities in the early 90s, still under the name Disgorged, releasing two demos, works that caught the attention of Massacre Records.
They made their debut on the German label in 1996 with the album "Diva," already renamed Heavenwood (taken from the title of a song from their first demo, "Judith Heavenwood"), as the old name no longer seemed adequate to the band's sonic evolution, which was becoming darker and more melodic.
With "Diva" (96), Heavenwood broke boundaries and became the first Portuguese Metal band to have material distributed in Japan as well.
With "Swallow" (98), Heavenwood further expanded its melodic and dark sound, and also its name on the world stage, becoming the first Portuguese Metal band to play at Wacken. It's worth nothing that Kai Hansen and Liv Kristine were featured as guests on the album.
Despite a, let's say, slowdown in activities, mainly touring, Heavenwood continued releasing albums that always sought new challenges and had the desire to make music and art above all. Then came "Redemption" (2008) and the orchestral "Abyss Masterpiece" (2011), inspired by the work of the Portuguese poet Marquesa de Alorna, and in 2016 they presented what is probably their most daring work, the first of two parts of "Tarot of the Bohemians".
Inspired lyrically by the words of Gérard Anaclet Vincent Encausse (July 13, 1865 – October 25, 1916), whose esoteric pseudonyms were Papus and Tau Vincent, a French physician, hypnotist, and popularizer of occultism, and founder of the modern Martinist Order, Heavenwood delivered a thought-provoking work, covered in inspired layers both musically and lyrically, transporting the listener through a dense, heavy, melodic, and reflective atmosphere.
In 2022, Heavenwood's mentor and creative mind, Ricardo Dias, suffered a near-fatal accident, and these personal struggles, coupled with lineup changes, cast doubt on the band's continuity and, consequently, the completion of the work.
But thankfully, ten years after its first part, "Tarot of the Bohemians Part II" finally had its official release on June 12, 2026, via Mighty Music.
These are 10 songs, which complete the work that addresses the 22 major arcana of the tarot, and also mark a new phase, with a more individual vision from Ricardo Dias, who began producing the album in 2024.
Ricardo Dias
Ricardo was responsible for recording all the instruments, in addition to his vocals, except for the drums, recorded by Eduardo Sinatra. The beautiful and mysterious cover art was conceived by graphic artist Naya Kotko.
In this explored universe, each listener will certainly have their own interpretation and will be touched by the music and atmosphere in different ways.
“Tarot of the Bohemians Part II” begins with “Death,” the card that signifies transformation, the closing of cycles and a new beginning, proving perfect for this new phase, certainly having special meaning for Ricardo. A slow-paced song, with heavy guitars and guttural vocals, leads us to an immersion filled with dark, sometimes desperate and chaotic melodies, an atmosphere that permeates the first 4 tracks of the album.
"Temperance," the card of balance and harmony, brings an immersive Gothic/Doom atmosphere, with its serene tempo and beautiful, dark guitar melodies. "The Devil," representing material desires, begins tempestuously and with a faster tempo, featuring fast, broken, and organic drumming. It blends melodic and aggressive riffs, complemented by vocal layers, here with the support of female voices.
"The Lightning Struck Tower," representing sudden changes and the shattering of illusions, also has a more frenetic rhythm, starting with double-bass drumming and a pulsating bass line, followed by urgent riffs and highlighting the intricate drumming. The track features changes in atmosphere, with melodic solos, before ending with great weight and aggression.
Hope, inspiration, and faith in the future are what the star in the Tarot represents, and "Stars" captivates from the start with its catchy melodies, dynamic tempo, and memorable chorus. The female vocals also stand out, in a track with a predominantly clean and melodious sound, and a lighter atmosphere.
“The Moon”, which in tarot cards represents keen intuition and the unconscious, has a similar atmosphere to its predecessor, but even more melodious, full of captivating melodies and a memorable chorus. The Gothic Rock atmosphere and the duet of female and male vocals stand out.
Vitality, success and clarity, some of the elements that the Sun card represents, and “The Sun” brings a manifesto in the form of a Gothic/Metal ballad, with Ricardo's almost whispered vocals, having the female vocals as a counterpoint in the choruses. [The text abruptly ends here, so the rhythm is incomplete.]
Slow and captivating, the song is interspersed with clear moments and engaging guitar melodies.
“The Judgement,” representing awakening and self-forgiveness, emerges in a track where heaviness again predominates, taking us on a winding journey, although alternating with some more melodic moments. The guttural vocals contrast with a chorus of children's voices in the refrain.
A leap into the unknown, one of the meanings of the “fool” in the tarot, and “The Fool” begins with acoustic guitar and Ricardo's whispered, hoarse voice. The music brings elements of Classic Rock to the melodic Gothic/Metal that permeates it. The acoustic guitar melodies interweave the guitar riffs, the chorus is striking and probably the most melodic on the album, again featuring duets of male and female voices. Also noteworthy is the use of slide guitar and solos that emphasize simplicity and touching melodies.
Closing the album, we have the beautiful and dynamic “The World,” the card that signifies fulfillment and the completion of cycles. It begins intensely, like a new beginning, and brings weight, melody, and a revitalizing atmosphere.
With its faster tempo, it once again highlights the excellent work of the drums. The melodies in the chorus are simultaneously subtly melancholic and captivating, where once again Ricardo's deep and introspective voice contrasts with female vocals. A beautiful “grand finale.”
Making music as an artistic endeavor—this phrase echoed in my mind, and I use it again to conclude this article, as it fits very well with the story of Heavenwood and Ricardo Dias, who, thankfully, delivers another great album of Dark/Gothic Metal, bringing back that 90s aura from the best moments of the style, but renewed
,full of emotions and musically intense, and certainly very significant for him, considering all the events that preceded the creation and completion of the final part of the saga that began a decade ago.
And now, what does the future hold for Heavenwood? Perhaps the cards have the answer.
O Draconian é uma banda de Gothic Doom Metal formada na Suécia em 1994, que definitivamente sabe transformar poesia em sonoridade densa e melancólica.
Não foi diferente em In Somnolent Ruin, oitavo trabalho da banda, lançado quase seis anos após o aclamado Under a Godless Veil (2020). O álbum chega em um momento importante da trajetória do Draconian: o primeiro registro após o retorno de Lisa Johansson, que deixou a banda em 2011 por motivos pessoais e retornou em 2022, substituindo Heike Langhans.
A comparação com Under a Godless Veil é inevitável. O álbum anterior consolidou ainda mais a estética melancólica e contemplativa que se tornou marca registrada do Draconian. Entretanto, In Somnolent Ruin aprofunda essa identidade com uma abordagem mais introspectiva, filosófica e emocionalmente austera. Embora o disco não busque reinventar a fórmula da banda, encontra força justamente na maturidade com que aprofunda sua própria essência.
As letras de Anders Jacobsson caminham para um olhar quase platônico no sentido filosófico e contemplativo. O álbum aborda emoções como entorpecimento, alienação, o “desenraizamento” do mundo moderno, a dor e a angústia da desilusão, sentimentos tão inerentes ao ser humano, apresentados aqui de maneira extremamente poética.
O disco contém nove faixas. A abertura, “I Welcome Thy Arrow”, inicia de forma minimalista e soturna, conduzida pela voz etérea de Lisa Johansson, antes de explodir no peso característico do gothic doom metal e no gutural esmagador de Anders Jacobsson. A letra contempla a relação entre caça e caçador, impotência e sofrimento, tratando a dor quase como instrumento de despertar. A faixa estabelece com precisão a identidade emocional e sonora que o álbum pretende desenvolver.
“Anima”, que conta com a participação de Daniel Änghede (ex-Crippled Black Phoenix), é uma das músicas mais melancólicas do álbum. A faixa começa com a voz limpa de Daniel, que logo se funde à de Lisa, criando uma atmosfera íntima, obscura e quase cinematográfica. Os três vocais constroem uma experiência emocional profunda, enquanto a música aborda aceitação, fragmentação psicológica e integração da própria escuridão.
Já “Cold Heavens” surge como uma das faixas mais dinâmicas e pesadas do trabalho. Anders apresenta um vocal ainda mais visceral, enquanto Lisa explode no refrão com a carga emocional necessária para sustentar a proposta da música. A faixa fala sobre vida, morte e o desespero de existir em um mundo frio, paralisante e sem perspectiva.
Destaque também para “Misanthrope River”, faixa que ganhou videoclipe e se inicia com a frase: “Estou muito sozinho neste mundo, mas não sozinho o suficiente para consagrar a hora”, de Rainer M. Rilke, poeta conhecido por sua intensidade lírica e reflexões existenciais. Assim como a obra de Rilke, a música mergulha em sentimentos de isolamento e desconexão diante do mundo moderno. O próprio título sugere rejeição ao comportamento humano, enquanto versos como “De onde nada é o que parece / Eu nunca pedi por isso” reforçam o desencanto diante da superficialidade e do vazio existencial contemporâneo.
Para encerrar o álbum, “Lethe” surge como uma conclusão quase ritualística. Inspirada no “Rio do Esquecimento” da mitologia grega , passagem para o submundo, a faixa apresenta referências gnósticas e espirituais profundas. “Um arconte espera pelo rio”, figura associada ao aprisionamento da alma no mundo material, aguardando a ruína inevitável. O eu lírico então se entrega a essa presença assombrada sem resistência. Musicalmente, a composição encerra o álbum de forma grandiosa, com andamento arrastado, teclados épicos e uma construção sonora contemplativa que conduz o ouvinte delicadamente ao fim dessa jornada melancólica, reforçando a identidade gnóstica da banda.
A sonoridade de In Somnolent Ruin é impecável e certamente agradará aos amantes do doom gothic metal tradicional. As guitarras de Under a Godless Veil eram mais densas e cadenciadas, focadas em uma atmosfera sufocante e obscura. Em In Somnolent Ruin, a banda adota uma abordagem mais paciente e contemplativa, sem abandonar o peso característico do doom metal. Johan Ericson e Niklas Nord também conseguem presentear o ouvinte com solos mais destacados e emocionais, tornando a experiência sonora ainda mais impactante.
É inegável a química vocal entre Lisa Johansson e Anders Jacobsson. Lisa traz um vocal limpo, lúcido e espectral, que dialoga perfeitamente com a proposta do álbum, contrastando de maneira coesa com o gutural profundo e sombrio de Anders.
O Draconian continua demonstrando enorme habilidade em construir monumentos sonoros a partir da melancolia, equilibrando peso extremo com temas sensíveis e emocionalmente complexos. Definitivamente, não é uma banda que abre espaço para superficialidades.
In Somnolent Ruin é um álbum introspectivo e maduro, de produção quase cinematográfica, etérea e hipnótica, capaz de transportar o ouvinte para paisagens gélidas e dias melancólicos de forma profundamente poética. Para quem se permitir vivê-lo, trata-se de um mergulho em águas profundas do próprio eu, pois In Somnolent Ruin não busca escapar da escuridão, ele aprende a habitá-la.
Em um fim de semana repleto de shows em São Paulo, o Carioca Club se transformou em território português para uma celebração histórica: os 30 anos do álbum Wolfheart, do Moonspell, marco fundamental do gothic metal mundial. Para tornar a experiência ainda mais especial, a noite foi brindada com uma dobradinha lusitana, tendo a banda Sinistro como convidada de honra, que fez sua estreia no Brasil diante de uma alcateia brasileira fervorosa.
A abertura da noite ficou por conta dos conterrâneos do Sinistro, que abriram os trabalhos com uma performance pesada, atmosférica e visceral, típica do sludge/doom que fazem. O setlist, que incluiu “Ruas Desertas”, “Partida”, “Abismo”, “O Equivocado”, “Relíquia” e “Templo das Lágrimas”, imergiu o público em uma sonoridade que transitava entre o doom metal e o rock gótico, com Patrícia Andrade hipnotizando com seus vocais poderosos e melancólicos. A atmosfera sombria e os riffs arrastados prepararam perfeitamente o terreno para o headliner, conquistando o público que já chegava animado e provando que o underground português segue forte.
Pontualmente às 20h, os lendários Moonspell adentraram o palco, recebidos por uma ovação estrondosa. Com Fernando Ribeiro (vocais), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclados e guitarra), Aires Pereira (baixo) e Hugo Ribeiro (bateria), a banda portuguesa veio celebrar os 30 anos do icônico álbum Wolfheart. Fernando Ribeiro, com sua presença carismática, abriu a noite com um caloroso “Boa noite, Brasil, somos o Moonspell e estamos aqui para celebrar os 30 anos do Wolfheart”, antes de mergulhar de cabeça em “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, transportando a todos para a atmosfera sombria e mística do álbum que definiu uma era para o gothic metal.
Em seguida, executaram a envolvente “Love Crimes”, na qual os vocais líricos da convidada Eduarda Miss Blue, da banda Glasya, entrelaçaram-se de forma sublime com a voz gutural e expressiva de Fernando, criando um contraste vocal que adicionou uma camada extra de profundidade à performance. Na sequência, a banda entregou a densidade de “…of Dream and Drama (Midnight Ride)”, consolidando a imersão no universo de Wolfheart e mostrando a maestria dos músicos em recriar a atmosfera original do disco com uma energia renovada.
Fernando Ribeiro fez uma pausa para interagir com a plateia, expressando a honra de estar no Brasil em uma noite 100% portuguesa. Ele ressaltou que, apesar de ser domingo e de muitos terem compromissos no dia seguinte, a banda faria um setlist longo e completo, diferente da última vez em que tiveram que cortar músicas devido ao horário. Essa promessa foi recebida com entusiasmo, e a banda seguiu com a sombria “Tenebrarum Oratorium (Andamento I)”, mantendo a intensidade e a conexão com o público.
A diversidade musical do álbum foi explorada com a belíssima “Lua d’Inverno”, um momento instrumental que destacou o talento de Pedro Paixão nos teclados e Ricardo Amorim na guitarra, criando uma paisagem sonora hipnotizante. A seguir, “Trebaruna” trouxe à tona os ritmos e a melodia portuguesa, com a plateia acompanhando com palmas, criando um momento de intercâmbio cultural. Fernando então compartilhou uma curiosidade sobre “Ataegina”, explicando que a faixa havia sido inicialmente excluída do álbum pela gravadora por ter um “clima muito festivo”, que destoava do restante do material. No entanto, o sucesso estrondoso da música nos shows levou à sua inclusão em uma reedição do disco, uma prova da força e do apelo que a canção sempre teve junto aos fãs.
A atmosfera mística e sedutora retornou com “Vampiria”, uma das joias do álbum, que manteve a plateia em transe. Em “An Erotic Alchemy”, Eduarda Miss Blue voltou a brilhar, com seus vocais líricos ganhando destaque em um dueto bem à frente do palco, adicionando uma dimensão teatral à performance. O clímax da noite, no entanto, estava por vir. Antes de chamar o convidado especial, Fernando Ribeiro fez uma emocionante homenagem ao Brasil, afirmando que o país “criou o death metal” e relembrou sua admiração por bandas como The Mist, Sarcófago, Holocausto e, claro, Sepultura, destacando Jairo Guedz como um de seus integrantes favoritos. A casa veio abaixo com a entrada de Jairo, e, juntos, entregaram uma versão poderosa de “Alma Mater”, cantada em uníssono do início ao fim por uma plateia extasiada.
A surpresa da noite não parou por aí. A banda apresentou uma versão “dark” e arrepiante de “Lanterna dos Afogados”, clássico dos Paralamas do Sucesso. Essa releitura inusitada e brilhante demonstrou a versatilidade e a ousadia do Moonspell. A energia continuou alta com a execução de “Opium”, mantendo a plateia conectada e vibrante. O show seguiu com a energia contagiante de “Awake!”, seguida pela intensidade de “In Tremor Dei”. A banda não se limitou ao Wolfheart, presenteando os fãs com faixas de outros álbuns, como “Extinct”, “Scorpion Flower” e “Everything Invaded”, mostrando a diversidade de sua discografia e a evolução de sua sonoridade ao longo dos anos. Cada música foi executada com precisão e paixão, reafirmando o status do Moonspell como uma das maiores bandas de metal gótico do mundo.
Para encerrar a noite de quase duas horas de show, o Moonspell se despediu com a icônica “Full Moon Madness”, um hino que toca a alma de sua “alcateia”. Fernando Ribeiro aproveitou o momento para agradecer novamente a Jairo Guedz e a todas as bandas brasileiras que serviram de inspiração para o Moonspell, reforçando a profunda conexão e admiração mútua entre as cenas musicais dos dois países. O público, caloroso e receptivo do início ao fim, demonstrou que a fidelidade à banda portuguesa permanece inabalável, celebrando não apenas um álbum, mas uma trajetória de três décadas de música e paixão.