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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Concordea: Em Busca de Novos Horizontes


Fundado pela guitarrista Daria Piankova e pelo tecladista Aleksei Turetckov em 2012,  em Ekaterinburg, região das montanhas Urais na Rússia, o Concordea lançou um EP de estreia em 2014 (“Before the Sunrise”), pelo selo italiano Defox Records, recebendo boas críticas. Em 2017 chega ao seu full-lenght, “Over Wide Spaces”, lançado de forma independente, e com muito trabalho, pois, além da falta de apoio, algo que vemos que não é um problema só no Brasil, houve saída de integrantes. 

Com a adição de músicos convidados (o baixista Ilya Reingard, da também banda Russa Incarnator, e o jovem vocalista italiano Felippo Tezza) a dupla Daria e Aleksei concluiu o álbum. Passado mais de um ano do lançamento, conversamos com a banda, para saber mais a respeito dos próximos passos, os feedbacks recebidos, destacando que o debut recebeu boas críticas. Agora contam com um novo vocalista, para a continuidade do trabalho, mais um italiano, Marco "Moz" Moranzoni, e com o primeiro show fora da Rússia marcado para dezembro, na própria Itália. 

Confira e conheça um pouco mais desta promissora banda, e claro, você poderá fazer um paralelo com a nossa cena aqui no Brasil. É o "Global Metal"!
Aleksei, Daria e Ilya
Road to Metal: Mais de um ano após o lançamento da sua estreia com “Over Wide Spaces”, como vocês avaliam os resultados e o feedbacks recebidos?
Daria Domovik: Durante esse ano recebemos críticas muito boas de todo o mundo, algumas delas foram realmente incríveis, porque deixou claro que as pessoas gostaram de todos os minutos do álbum! Ao mesmo tempo, alguns deles não estavam tão entusiasmados, acho que alguns ouvintes estavam entediados, ha ha ha. Ou simplesmente não curtem Power Metal e esse tipo de melodia.

RtM: Vi boas notas em vários sites, inclusive aqui no Brasil. Percebi é que muitos ficaram surpresos quando descobrem que a banda é da Rússia, acredito que, por causa da questão das bandas mais famosas lá, como Aria, Kipelov e Arkona (que esteve no Brasil ano passado) só cantam na língua nativa.
Daria: Sério? Normalmente, as pessoas de outros países têm uma ideia muito vaga da Rússia, talvez seja por isso que alguns deles ficaram surpresos em ouvir essa música russa? (risos) Nós recebemos reações muito diferentes: positivas, indiferentes e negativas também. Eu acho que é normal. Às vezes, recebemos algo inacreditável.  Um crítico disse que a nossa banda criou um estilo único! Ha ha ha, é um prazer receber tal elogio, embora tal estimativa dificilmente possa ser verdade.

Ao vivo, com Moz nos vocais
RtM: Eu me lembro de vocês comentando sobre algumas incertezas sobre a continuidade da banda, mas felizmente eu vejo que vocês estão com um novo vocalista e preparando um novo material. Conte-nos sobre o momento atual da banda e sobre o novo vocalista, Moz. 
Daria: Filippo deixou o nosso projeto há um ano e se concentrou em suas próprias bandas e projetos solo. É bastante compreensível, porque tocar em uma banda internacional não é para todos. Nós vivemos tão longe um do outro; nós não fazemos shows todo final de semana. E infelizmente não podemos tocar juntos quando quisermos. 

Mas eu não queria desistir, porque eu tinha e ainda tenho muita confiança no material de "Over Wide Spaces" e acho que pode atrair muitos fãs. Em novembro passado eu entrei em contato com Moz (Marco Moranzoni), ouvi seus vocais no My Refuge e fiquei muito impressionada: tão fresco e belo timbre, tão emotivo. Ele elogiou muito nosso álbum e, para nosso espanto, veio até aqui para fazer alguns shows em março. Foi uma experiência muito legal. Nós realmente queremos repetir isso em algum lugar, mas primeiro vamos publicar um novo single com seu vocal.

RtM: E sobre esse novo material, o que você pode nos adiantar?
Daria: Eu não posso lhes contar tudo sobre novas gravações, ainda estamos trabalhando nisso. Mas esperamos introduzir o vocal de Marco ao público em geral em um futuro muito próximo! Vocês ficarão sabendo com certeza!

RtM: Voltando um pouco no tempo, vocês poderiam contar um pouco sobre como vocês começaram na música e no Metal, e quando surgiu a vontade de formar uma banda?
Aleksei: comecei aos 8 anos e, desde então, tentei vários instrumentos, incluindo acordeão, saxofone e guitarra. Especificamente, eu me interessei em Metal quando comprei um violão para tocar músicas do Scorpions, porque comecei a gostar da banda. Mas foi quando um amigo da universidade me convidou para a sua banda, que precisava de um tecladista, que desde então, toco teclados.
Daria: eu tinha 12 anos quando meu irmão me deu um disco, com uma capa azul escura e cheia de fantasia. Era a banda italiana Rhapsody, o álbum de 1998. Minha família me perdeu completamente aquela noite;  O Rhapsody mudou muito minha vida e também me aproximou mais da música. Um pouco depois, percebi que queria criar minha própria banda, e que também queria cativar o ouvinte com melodias brilhantes.


"Normalmente, as pessoas de outros países têm uma ideia muito vaga da Rússia, talvez seja por isso que alguns deles ficam surpresos em ouvir nossa música" (Daria)
RtM: Para fazer um paralelo com a cena aqui no Brasil, quais são as principais dificuldades que vocês enfrentam para manter uma banda de Metal aí na Rússia e na sua cidade natal?
Aleksei: uma das dificuldades é combinar trabalho de escritório e trabalho de música. A abordagem séria da música exige muito tempo. A segunda dificuldade é que não se usa pagar por música na Rússia, tudo é baixado da Internet, não ganhamos com vendas de música em nosso país. Além disso, não há grandes meios de comunicação que promovam nosso estilo de música na TV e no rádio, por isso é difícil levar nossa música para uma maior quantidade de ouvintes, pois a mídia é ocupada por música pop antiga de baixa qualidade russa.

RtM: Foi a primeira opção  gravar em inglês? Pergunto porque a maioria das bandas russas que conhecemos canta na língua nativa.
Daria: Nós não éramos exceção, e nossas letras em primeiro lugar foram escritas em russo. Em primeiro lugar, tudo era para o público russo. Considerávamos que fazer letras em inglês seriam um lugar comum, e não queríamos entrar nesse círculo. No entanto, as letras em inglês resultaram-se necessárias quando começamos a colaborar com o primeiro vocalista convidado,  Andrea Bicego (da banda italiana 4th Dimension). Acabamos entrando na tradição internacional do rock. Então, traduzimos nossas letras para o inglês ou, pelo menos, as tornamos tão próximas quanto possível do original.

Daria "Domovik"
RtM: Houve também a coincidência de vocês terem vocalistas Italianos nos seu dois trabalhos.
Daria: Uma vez que a colaboração com Andrea Bicego acabou, entendemos que um vocalista italiano em um projeto Russo poderia ser um ponto interessante. Tenho alguns rockers italianos e metalheads entre meus amigos. Então, uma vez que notamos que definitivamente não havia vocalista para o Concordea em nossa cidade natal, convidamos Filippo Tezza, um amigo de Andrea, e, felizmente, ele aceitou nossa proposta.

RtM: Sobre seu debut Full-Lengh, "Over Wide Spaces", como vocês descreveriam a sonoridade dele para as pessoas que conhecerão a banda, e de que forma a banda evoluiu desde o seu EP de estréia em 2014?
Aleksei: Eu diria que é o equilíbrio entre o Power e o Progressive Metal, não muito complexo, mas não muito trivial. Além de evoluir na composição de músicas e gravações, também nos envolvemos mais na parte de mixagem, e para masterização buscamos a T.A. Production, da Ucrânia, fatores que melhoraram a sonoridade final.
Daria: Eu descreveria nosso álbum desta maneira: riffs de guitarra pesados, belas melodias cantadas por uma expressiva voz masculina alta, muitos teclados, ritmo Power Metal, letras românticas e um leve toque de Metal Progressivo. Trabalhamos para arranjos mais bem equilibrados e uma composição mais definida. Em minha opinião, essa diferença é notável.

Ensaiando.
RtM: Falando sobre algumas das músicas, destacaria “Between Two Worlds", "Wing's Motion" e a balada que encerra o álbum, "The Unknown", que e não me engano Daria, você disse que teve inspiração do poeta russo A. Pushkin.
Daria: Na verdade, estava relendo suas poesias geniais na busca da forma correta da letra da balada final. Seu esplêndido talento me inspirou, embora o argumento principal de "TheUnknown" já existisse. É o resultado final do álbum. Para mim, não conseguiríamos concluí-lo melhor! É como um "fim aberto". Ninguém sabe o que vem depois. “Wing’s Motion” era uma composição mais antiga, deixamos mais rápida, adicionamos várias partes solo de guitarra e teclado. Fala sobre os companheiros de banda, sobre como é difícil, às vezes, encontrar alguém que ame as mesmas coisas e pense da mesma forma que você pensa.
Aleksei: “Between Two worlds” foi inspirado pelo Prog Metal. Descobriu-se uma música Prog para nós. Mas conseguimos manter o equilíbrio entre a melodia e a complexidade do Prog. Também gosto muito do solo de teclado.

RtM: Há também um cuidado especial nas letras, e lembro que o Aria tinha uma parceria com os poetas russos e senti que você tem esse lado poético, com o seu jeito de descrever as histórias em suas letras. Gostaria que você falasse sobre o que te inspira a escrever, principalmente as letras deste álbum.
Daria: A melhor musa para as músicas é a minha vida e todas as experiências que tive. Até mesmo o conto de fadas sobre a Princesa Sapo que resulta da base para as letras de "Confession of My Pride" ("Confissão do meu orgulho") me atraiu porque há algo que encontrei correlacionando com meus sentimentos e minha vida.

RtM: Seus textos são originalmente em russo? E como é o processo para transcrever para o inglês? É muito difícil expressar as mesmas emoções?
Daria: Leva tempo… Eu lembro que queria incluir “Portrait” no primeiro EP e tentei traduzir minhas letras russas, mas você sabe… algo estava indo muito errado, minha tradução não encaixava, ficou presa e não tomava uma forma. Voltei à essas letras três anos depois e traduzi tudo em um ou dois dias. Às vezes acontece que acabo gostando mais das letras em inglês do que a versão original. Talvez porque os versos ingleses me fazem ter novas idéias e diferentes aspectos do mesmo tema.


"Uma das dificuldade é que não se usa pagar por música na Rússia, tudo é baixado da Internet"
RtM: Você falou sobre o tema de "Confession of My Pride", e ela tem um lado mais progressivo, o teclado me lembra algo do Gothic e Folk Metal, além de arranjos muito bons de baixo e bateria, e as letras, conforme você comentou, são inspiradas na lenda russa da princesa sapo. Conte-nos mais sobre essa música e suas letras.
Daria: Gothic Metal? Ha ha ha. Achei que escrevi algo mais voltado para o folk. Na verdade, você pode ouvir um eco de uma música folk russa ou alusão a ela pelo menos. Especialmente aqueles interlúdios melódicos no começo e nas partes finais. É uma música sobre sofrimento. Ou melhor, sobre superar a dor e o sofrimento. É sobre o que você quer obter a qualquer preço no momento, mas você perde por causa de sua impaciência e por causa de seu orgulho. O conto folclórico original fala sobre o príncipe que se casou com um sapo, que na verdade é uma princesa bonita, inteligente, amigável e habilidosa que foi forçada a passar muito tempo na pele de um sapo. 
Aleksei: Eu gostaria de acrescentar que o uso da harpa, que se assemelha ao instrumento folclórico russo "gusli", também nos remete ao folk nessa música.


Aleksei, o "mago" das teclas do Concordea
RtM: Muito bom saber um pouco mais sobre o seu trabalho, os conceitos e as influências de elementos de sua cultura na sua música. Finalizando, e a Copa do Mundo? A Rússia fez um papel bonito. E vocês, o que acharam do evento? viram como algo positivo para as pessoas e para o País?
Aleksei: Bem, nos sentimos vivendo em um canteiro de obras, houve muito trabalho de construção em nossa cidade, como um novo estádio, estradas, etc. É ótimo por um lado, mas grandes mudanças não acontecem por elas mesmas, sempre precisa algo grande acontecer, como uma Copa do Mundo, então você terá novas estradas, estádios e tudo mais. Para a nossa banda, espero que tenha sido uma oportunidade para tornar a nossa música mais popular.

RtM: E o que vocês esperam do futuro da banda?
Daria (cantando): “Eternal glory, ride fast to me!” Ha ha ha. Champanhe e flores claro! Bem, esperamos fazer shows, é claro. Queremos conhecer nossos ouvintes pessoalmente!
Aleksei: Esperamos espalhar mais nossa música entre as pessoas. Esperamos  marcar mais shows ao vivo, talvez um tour internacional, e talvez no futuro possamos ir para o Brasil.

Entrevista: Carlos Garcia

Facebook Oficial da banda
Ouça Concordea no Spotify


       



       


       

domingo, 4 de junho de 2017

Concordea: Metal Russo de Criatividade e Emoções Diversas



Evolução é o que se espera de uma banda, e o Concordea, que foi fundada na grande Ekaterinburg (região Ural da Rússia), partindo da busca da guitarrista e compositora Daria Piankova por companheiros para formar uma banda, isso em 2011, e somente em 2012 a banda, já com Aleksei Turetckov (Teclados), completou a primeira formação.  Em 2014 lança seu EP de estreia, e mostrava já a busca por uma identidade e novos caminhos dentro do Power Metal, procurando apresentar contrastes interessantes e criativos, mesclando peso, belas melodias, certas doses de dramaticidade e melancolia. (English Version)

Passaram-se 3 anos do EP "Before the Sunrise" (que teve o vocalista italiano Andrea Bicego, do 4th Dimension, nos vocais), e muita coisa mudou na banda, restando apenas o núcleo criativo Daria Domovik (guitarras) e Aleksei Turetckov (teclados), e a dupla foi buscar a ajuda do baixista Ilya Reyngard (Incarnator), que trouxe peso e técnica com suas linhas, e mais uma vez tem um cantor italiano, Felippo Tezza (Chronosfear, Tezza F.), uma boa promessa vinda da bota, e ambos prestaram um serviço muito bom, entendendo muito bem a proposta da banda (a bateria foi gravada por músicos contratados, não creditados).


O Progressive Melodic Power Metal temperado por esses contrastes (lembram aquele estilo finlandês, dos bons anos de Stratovarius, Sonata Arctica e até algo do Nightwish, que trazem também esse lado mais dark e melancólico), ganhou em qualidade e maturidade, envolto por uma produção superior a do EP, e com composições também melhor lapidadas, apresenta uma sonoridade que tem peso e melodia, tem velocidade mas também momentos de calmaria, e nada daquele Power Metal com "melodias felizes" e somente bateria e riffs a velocidade da luz, o que temos são arranjos que trazem momentos doses de melancolia, alternando passagens progressivas, atmosféricas, nuances sinfônicas e pitadas de peso e agressividade, e excelentes melodias.

Mas o trunfo mesmo são as melodias criativas, na maioria comandadas pelos arranjos de teclados de Aleksei, que são os que mais contribuem para dar esses contrastes e climas, que encaixam perfeitos nas bem escritas letras de Daria, a qual também faz um bom trabalho nos seus riffs, bases pesadas e solos melodiosos. Uma dupla afinada.

Complementando sobre as letras, que também no EP de estreia já era demonstrada uma qualidade alta, e acabo sempre lembrando da parceria do Aria (tradicional banda de Heavy Metal Russa) com os poetas Margarita Pushkina e Alexander Yelin, e o Concordea tem esse ar poético, por vezes sonhador, um pouco dark, e até romântico, mesmo quando são abordados assuntos bem atuais, como as vidas mergulhadas nas redes sociais e até as próprias experiências pessoas enfrentadas pela banda. Méritos a Daria Piankova pelo belo trabalho lírico.

Aleksei Turetckov
O álbum, como seria de esperar, pela proposta em ter esses contrastes,  traz uma boa variedade nas músicas, abrindo com a intro atmosférica "Breathe New Life", e logo em seguida temos um "Speed" Power Metal "tradicional" de riffs e cozinha vibrantes, com "Wing's Motion", onde podemos perceber já as atmosferas melancólicas nos belos arranjos de teclado; "Confession of my Pride", inspirada na lenda Russa  "Tsarevna Lyagushka" (A Princesa Sapo), tem pegada nos riffs, baixo pulsante e bateria agressiva, contrastando com os teclados que tem um algo de Gothic Metal; "When they Want you to Die" tem pegada e uma certa "raiva", em momentos bem agressivos e sinfônicos, alternando trechos climáticos e de "quebradeira".

"Between Two Worlds", que fala de um tema bem atual, sobre de como as vidas estão mergulhadas nas redes sociais, nos traz uma faixa com mais nuances progressivas, várias trocas de andamentos e breaks, e gostei bastante dos arranjos vocais; "Mermaid's Song" alterna peso e melodia, com boas variações rítmicas, e o peso e nuances progressivas estão presentes, destacando sempre a atmosfera dos teclados.

"Portrait" é uma peça acústica, com flautas, violinos e violoncelos, um clima de calmaria, meio folk, que faz o ouvinte flutuar; em seguida, "Listen to the Snow", é um Melodic Power Metal com bastante carga emocional e doses de poesia na letra (gostei novamente dos vocais, que souberam colocar emoção na dose certa), seguindo por andamentos e arranjos de teclados tocantes, melodiosos e cativantes; depois dessa peça melódica, prepare-se para  "Rejected and Awoed", que é bem agressiva, bateria veloz, e com elementos sinfônicos e progressivos, mas o destaque mesmo é agressividade e peso, inclusive nos vocais, mostrando mais uma vez essa diversidade e criatividade da banda.

Daria Piankova
O álbum termina com muita emoção, através da "balada" "The Unknown", que traz uma bela e marcante melodia de piano no início, melodia essa que se torna principal da canção, que traz essas doses dark, um ar melancólico, começa mais melodiosa e vai ganhando mais peso. Felippo coloca bastante emoção nos vocais, e destaco ainda o solo de guitarra melodioso e cheio de feeling de Daria ao final. e claro, mais uma bela letra, segundo Daria comentou, inspirada em Alexander Pushkin, o grande poeta Russo da era Romântica.

O ouvinte vai perceber a criatividade da banda e uma qualidade louvável nas composições, e é ótimo ouvir algo nesse estilo que traz novos ares e desperta interesse, ou seja, não é preciso ter muito dinheiro e uma superprodução, o que esperamos é ouvir música bem feita, com feeling, criativa e que se percebe que é verdadeira, nesses quesitos o Concordea está de parabéns, e com "Over Wide Spaces", onde puderam dispor de melhores condições em termos de produção, confirmaram as qualidades percebidas no EP de estreia. Tem tudo para ser melhor notada e angariar admiradores. Recomendado!

Texto: Carlos Garcia

Banda: Concordea
Álbum: "Over Wide Spaces" (2017)
País: Rússia
Estilo: Progressive Melodic Power Metal
Produção: Daria Piankova e Aleksei Turetckov
Mixagem e Masterização: T A Production
Independente
Arte da capa: Gaspare Frazzitta

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Canais Oficiais:
Facebook
Spotify

Line-Up:
Daria Domovik Piankova: Guitarras
Aleksei Turetckov: Teclados
Felippo Tezza: Vocais (músico convidado)
Ilya Reyngard: Baixo
(Bateria foi gravada por músicos contratados, não creditados)

Tracklist:
1. Breathe New Life
2. Wings’ Motion
3. Confessions of my Pride
4. When They Want You…To Die
5. Between Two Worlds
6. Mermaid’s Song
7. Portrait
8. Listen to the Snow
9. Rejected and Avowed
10. The Unknown

   

   

Concordea: Melodic Power Metal With Fresh Ideas and Strong Emotions



Evolution is what is expected of a band, and the Concordea, it was founded in Ekaterinburg (Ural region of Russia), starting from the search of guitarist and composer Daria Piankova for companions to form a band, this in 2011, and only in 2012 the band, already with Aleksei Turetckov (Keyboards), completed the first formation. In 2014 they released their debut EP, already showing the search for an identity and new paths in Melodic Power Metal, trying to present interesting and creative contrasts, mixing weight, beautiful melodies, certain doses of drama and melancholy.   (versão em português)

It was 3 years after the EP "Before the Sunrise" (which had the Italian singer Andrea Bicego, 4th Dimension, on vocals), and much has changed in the band, and only remaining the creative nucleus Daria Domovik (guitars) and Aleksei Turetckov ( Keyboards), and the duo got the help of bassist Ilya Reyngard (Incarnator), who brought weight and technique with his bass lines, and once again they have an Italian singer, Filippo Tezza (Chronosfear, Tezza F.), a good promise coming from the boot, and both gave a very good service, understanding very well the proposal of the band. (P.S: the drums was recorded by musicians contracted, not credited).


The Progressive Melodic Power Metal tempered by these contrasts (reminiscent of that Finnish style, the good years of Stratovarius, Sonata Arctica and even something of Nightwish, which also bring that dark and melancholic side), won in quality and maturity, wrapped by a production superior of the debut EP, and with compositions also better polished, presents a sound that has weight and melody, has speed but also moments of calm, and nothing of that Power Metal with "happy melodies" and only drums and riffs the speed of light, what we have are arrangements that bring moments of melancholy, alternating progressive passages, atmospheric, symphonic nuances and pangs of weight and aggressiveness, and excellent melodies.

But the real trump card is the creative melodies, mostly driven by Aleksei's keyboard arrangements, which contribute the most to these contrasts and climates, which fit perfectly into Daria's well-written lyrics, which also do a good job in her riffs, heavy bases and melodious solos. A great duo!

Complementing on the lyrics, also in the debut EP was already demonstrated a great quality, and I always end up remembering the partnership of Aria (traditional Russian Heavy Metal band) with the poets Margarita Pushkina and Alexander Yelin, and Concordea has that poetic air, Sometimes dreamy, a little dark, and even romantic, even when very current issues are addressed, such as lives immersed in social networks and even the personal experiences. Merits to Daria Piankova for the beautiful lyric work.

Aleksei
The album, as expected, by the proposal to have these contrasts, brings a good variety in the songs, opening with the atmospheric intro "Breathe New Life"(yes, the album is new life for the band), and soon afterwards we have a "traditional" Power Metal, with memorable riffs e hard and speedy drums, with "Wing's Motion", where we can already perceive the melancholic atmospheres in the beautiful arrangements of keyboard; "Confession of my Pride", inspired by the Russian legend "Tsarevna Lyagushka" (The Frog Princess), has riffs with weight, pulsating bass and aggressive drums, contrasting with keyboards that have something of Gothic Metal; "When they want you to Die" has a certain "anger", in very aggressive and symphonic moments, alternating climates and great breaks.

"Between Two Worlds", which talks about a very current theme, about how lives are immersed in social networks, brings us a track with more progressive nuances, several changes of tempo and breaks, and I really enjoyed the vocal arrangements; "Mermaid's Song" alternates weight and melody, with good rhythmic variations, and the weight and progressive nuances are present, always highlighting the atmosphere of the keyboards.

"Portrait" is an acoustic piece, with flutes, violins and cellos, a calm atmosphere, half folk, that makes the listener float; Then "Listen to the Snow", is a pleasant Melodic Power Metal with a lot of emotional load and doses of poetry in the lyrics (I liked the vocals again, who knew how to put emotion in the right dose), followed by the touching and catchy melodies; after this melodic piece, prepare yourself for "Rejected and Awoed", it is very aggressive, fast drums, and with progressive and symphonic elements, but the highlight is aggressiveness and weight, including vocals, showing once again this diversity and creativity of the band.

Daria
The album ends with a lot of emotion, through the "ballad" "The Unknown", which brings a beautiful and striking piano melody at the beginning, a melody that becomes the main song, which brings these dark doses, a melancholic air, begins more melodious and gaining more weight. Filippo puts a lot of emotion in the vocals, and I also highlight the melodious guitar solo, where Daria puts feeling and good taste. And of course, another beautiful lyric, according to Daria commented, inspired by Alexander Pushkin, the great russian poet of the romantic era.

The listener will notice the creativity of the band and a praiseworthy quality in the compositions, and it is great to hear something in this style that brings new airs and arouses interest, that is, it does not need to have much money and and a super production, what we hope is to listen to music of good taste, with feeling, creative and true. Concordea is congratulated on these issues, and with "Over Wide Spaces", where they could have better conditions in terms of production, confirming the qualities perceived in the debut EP. They everything to be better noticed and to attract admirers. Recommended!

Text: Carlos Garcia

Band: Concordea
Album: "Over Wide Spaces" (2017)
Country: Russia
Style: Progressive Melodic Power Metal
Production: Daria Piankova e Aleksei Turetckov
Mix e Masterization: T A Production
Label: Independent
Cover Art: Gaspare Frazzitta

Order the CD on Bandcamp
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Line-Up:
Daria Domovik Piankova: Guitar
Aleksei Turetckov: Keyboards
Filippo Tezza: Vocals (guest musician)
Ilya Reyngard: Bass (guest musician)

Tracklist:
1. Breathe New Life
2. Wings’ Motion
3. Confessions of my Pride
4. When They Want You…To Die
5. Between Two Worlds
6. Mermaid’s Song
7. Portrait
8. Listen to the Snow
9. Rejected and Avowed
10. The Unknown

   

   

sábado, 25 de julho de 2015

Maidens of Metal - O que Elas Pensam a Respeito do Papel da Mulher na Cena Rock/Metal nos Dias de Hoje?


A ideia desta matéria (devidamente batizada "Maidens of Metal", também aproveitando o trocadilho com "Made of Metal)  surgiu em março, no clima do mês da Mulher e do Dia Internacional das Mulheres, pensamos em realizar um artigo especial, então nossa equipe colheu depoimentos de algumas mulheres atuantes na cena Metal e Rock Pesado, para saber a opinião delas quanto ao papel hoje da mulher nessa cena, antes dominada pelo sexo masculino.

Antes, as raras pioneiras penavam com a discriminação e falta de apoio, mas buscaram seu lugar e conquistaram respeito, mesmo que seguindo mais a linha do que era feito pelos representantes masculinos, como as Runaways, Girlschool, Wendy O. Williams, Doro Pesch, Jo Bench, London Wilde e Leather Leone, e aqui no Brasil Volkana, Flammea, Valhalla e Placenta, para citar algumas. 

Mais tarde, uma outra geração mostrou que as mulheres não precisavam deixar a serem femininas e até delicadas, ou usarem um figurino mais estilizado, e citamos aí Liv Kristine, Anneke, Kari e logo em seguida Tarja, Cristina Scabbia, Vibeke Stene... e partir daí, bandas com integrantes femininas, não só nos vocais, e até formadas somente por mulheres só cresceu, tendo até alguns rótulos específicos, e inclusive festivais exclusivos, surgindo novos ano a ano, como Metal Female Voices, que acontece desde 2003 na Bélgica, e o She Shakes the Earth, aqui no Brasil, em Brasília.


Charge de Márcio Baraldi, ilustrando isso, de que elas são capazes de tudo

Mas, e afinal? Ainda há muita dificuldade, discriminação? É justo explorar a imagem das musicistas femininas, utilizando rótulos como "Female Fronted Metal" ou "Female Fronted Band"? 

E usar esse rótulo é justo ou é tirar proveito, às vezes até para suprir uma possível falta de outras qualidades? Vencer num território predominantemente masculino sem perder a feminilidade também é um desafio. O que elas pensam sobre isso tudo? E também perguntamos a opinião dos "caras".


Sabemos que são poucos depoimentos face a quantidade de bandas, a diversidade dentro dessa cena, além da individualidade de pensamento de cada pessoa, mas acompanhe conosco, porque com certeza, muita coisa conseguimos abranger, conversando com pessoas de diversos países e de diversos sub-estilos dentro do Metal,  e, claro, também dê a sua opinião. Vamos lá conferir o que elas têm a dizer?


A experiente London Wilde, que vem de uma época que era bem mais complicada a cena, principalmente para as mulheres, tem restrições quanto à rótulos como "Female Fronted Metal" e também expressa sua opinião às mais jovens:

A experiente London Wilde, que iniciou a carreira em uma época que ainda eram raras as mulheres no Metal


"Eu acho que o termo "Female Fronted "pode ​​ser negativo se evoca noções preconcebidas sobre como a música vai soar. Eu acho que é importante para as mulheres no Metal não se preocuparem com os estereótipos, ou em encaixar em determinado papel ou movimento, e se concentrar apenas em realizar sua visão pessoal como artista. "
 London Wilde (Vocalista/Produtora - WildeStarr - EUA)




A mexicana Marcela Bovio optou por mudar-se para a Holanda, em busca de mais oportunidades

"Acho que as mulheres são muito mais aceitas no mundo do Metal hoje em dia. Você vê um monte de mulheres que fazem música pesada, e já não é mais uma surpresa, e isto é ótimo! Mas uma coisa que eu acho que realmente é preciso,  é se livrar do rótulo de "Female Fronted Metal", ele não diz nada sobre a música que uma banda realiza!"

 Sobre a questão de mudar-se para a Holanda, em busca de melhores oportunidades, Marcela explica:
"Há uma série de fatores que mostram que manter uma banda na Europa é mais fácil do que no México, mas um dos principais é que há , pelo menos na Holanda, muito mais apoio do governo para as artes do que no México, por exemplo."
Marcela Bovio (Natural do México, Marcela é Vocalista/Violinista e compositora do Stream Of Passion - Holanda)



Marcela mudou-se do México para a Holanda, mas no outro lado do Oceano também há países em que o apoio é precário, tanto para homens como para mulheres. Veja o que Daria Piankova (Concordea-Rússia) e Nelly Hanael (Majesty of Revival - Ucrânia) têm a dizer. Daria vê como uma questão ainda difícil de opinar quanto a participação feminina, e a busca de manter o equilíbrio entre mostrar força sem perder feminilidade, enquanto Nelly tem uma visão mais "poética".


Daria Piankova, do Concordea, oriunda da região Ural na Rússia

"É uma pergunta difícil, principalmente porque essa música era originalmente desempenhada por homens e não por mulheres. Comumente este tipo de música está associada com o protesto, revolta, agressividade, poder, o que é - eu digo outra vez esta palavra - principalmente prerrogativa dos homens, mesmo dentro de nossa cultura moderna ... Então, quando você fala sobre o papel das mulheres nesta música, você tem que enfrentar muitos estereótipos no ar, na mente dos homens e das mulheres. Hoje as mulheres tentam contribuir com sua parcela a sério neste negócio ... e seu objetivo é combinar sua ternura natural e o poder que eu mencionei acima. Criar beleza e ser firme. E continuar sendo mulheres apesar de tudo. Não é uma tarefa das mais simples, acredite em mim!"
(Daria "Domovik" Piankova, Guitarra - banda Concordea - Rússia).



"Para mim, uma combinação da suavidade feminina e o poder da música Heavy Metal sempre foi (e ainda é) a coisa mais maravilhosa e mágica no estranho mundo de vários instrumentos musicais e vozes. Quando uma mulher começa a cantar em uma música poderosa, e ela traz uma pequena (ou nem tanto) linha melódica você precisa seguir e apreciar de qualquer jeito, principalmente quando a cantora é uma profissional!
Todas essas mulheres me lembram uma donzela guerreira - uma combinação de força, beleza e profunda ternura em suas raízes. É uma espécie de conto de fadas da cena Rock/Metal, que deve existir e continuar a progredir!...

Nelly Hanael (Ucrânia)
...E sobre o rótulo de "Female Fronted Band”, acho ótimo esse rótulo existir porque essas pessoas, que gostam de ouvir vozes femininas no Metal e no Rock facilmente podem encontrar muitas boas bandas. E também mais fácil para as bandas encontrarem a gravadora certa, as quais conhecerão o seu trabalho dessa forma! He he he.”
(Nelly Hanael - Vocalista - Majesty of Revival - Ucrânia)




E aqui no Brasil? Um pouco do que nossas "Mulheres de Metal" aqui pensam:


"Cada vez maior e em ascensão. As coisas mudaram bastante numa média de 10 anos pra cá, hoje em dia, as mulheres estão cada vez mais presentes na cena rock/metal, tanto comparecendo aos shows e comprando material quanto como integrantes das bandas e produtoras e organizadoras dos eventos! Autênticas, vestindo , ouvindo e agindo da forma que lhes agrada sem ter que provar nada a ninguém pra fazer parte de um grupo.

Vejo muitas meninas mais jovens querendo ter uma banda, por exemplo,  não são apenas os garotos, eu fico muito feliz por isso e me sinto muito realizada em ver que isso é reflexo dessa mudança de comportamento, hoje mulheres e homens são tratados da mesma forma e recebem o mesmo respeito, pelo menos da maioria, o que demonstra como conseguimos efetivamente conquistar nosso espaço dentro dessa coletividade."


Jana lembra também que, se algumas seguiram firmes, outras foram desencorajadas pelo machismo de outrora e preconceitos:

"É claro que sempre estivemos por ai, desde o inicio,  mas as cobranças e o clima machista de outrora desencorajou muita gente . Mulheres não curtem som, mulheres só curtem caras, mulheres só causam discórdia entre os caras das bandas, mulher no role tá caçando um cabeludo, mulher é poser  (pelo simples fato de ser mulher), mulher no Metal que não pega os caras é “machinho”, mulher que pega os caras é vagabunda...  pois bem, o que posso dizer é que se esse pensamento ainda existe, ele agora tem que ficar bem guardadinho pois não será tolerado! O Metal e o Rock são movimentos de transgressão. 

Não existe espaço pro machismo, o indivíduo que pensa assim, definitivamente não vive o Metal, é só um curtidor, não entendeu nada! Participamos da cena como headbangers que somos,  estamos de olho e unidas para proteger e impedir qualquer tipo de preconceito e injustiça. A mulher da cena hoje é consciente do seu direito e seu espaço, sente-se a vontade para falar, tocar, curtir, ir onde ela quiser, dizer suas opiniões , encarar quem quer que a afronte, de igual pra igual. E o cenário só tem a ganhar com isso!"
Jana Lemos (Sakhet - Brasil)



"Mulheres são atuantes em todas as vertentes do rock-metal, temos ótimas representantes em todos os gêneros e desempenham seus papéis admiravelmente, sem deixar a desejar em nada ao sexo masculino.. como sou mais do extremo Death e  Grind vou citar alguns nomes de respeito e atitude: Marly (No Sense), Ana (Haemorrhage), Gabi (Nuclear Frost), Larissa (High School Massacre e Retaliaçao Infernal), Fernando (Obitto), as gurias do Valhalla de Brasília e muitas outras que não lembro agora.. Mas todas dignas de respeito e admiração!!!!"
Angela Crotch ( Crotchrot e Necrose)

"As mulheres sempre representaram o rock, desde o seu início, mas tendo destaque apenas como meras fãs. Depois de um tempo as mulheres ganharam mais espaço para serem as protagonistas do rock, vindo atualmente ocuparem papel de grande destaque junto aos homens."
          "No palco não há distinção de sexo e sim a música."
      (Adriane) Adrismith Panndora, baterista da banda Panndora



O Metal é um só, e somos todos iguais, então, seguimos nossa viagem, com opiniões que vêm da Itália, Holanda, e mais Brasil!

Duas emergentes e talentosas cantoras da sempre prolífica cena Italiana, Nicoleta Rosellini (Kalidia) e Chiara Tricarico (Temperance) também nos concederam sua opinião sobre a questão da mulher no meio Metal e os rótulos:

Nicoleta Rosellini
"Quando comecei a cantar em bandas (em torno de 2008), as mulheres ainda eram raras na cena underground do Rock e Metal,  e as poucas bandas lideradas por mulheres eram ainda algo estranho! Hoje em dia, o movimento “Female Fronted” cresceu muito e parece que cada banda precisa ter uma “frontwoman”!

Ser parte do movimento permite que você use alguns recursos exclusivos, como fanpages ou zines dedicadas a ele.

Mas eu ainda prefiro a descrever a minha banda como “Melodic Power Metal” em vez de “Female-Fronted Band”, porque há muitos ouvintes que realmente não estão interessadas no “movimento”.

Eu acho que todas essas bandas tem que dar um passo atrás e parar de descrever a si mesmos apenas como "Female-Fronted band"; na verdade, eu prefiro ler seu gênero musical, em vez dessa marca."

(Nicoletta Rosellini – Vocalista do Kalídia – Itália)



Chiara Tricarico


"Estou feliz que as meninas tomaram o seu lugar na cena do Metal nos últimos anos. Eu acho que é um fato muito positivo que o público finalmente abriu sua mente para os inúmeros bons músicos femininos da cena."

E independente de estilos, elas estão prontas para quaisquer desafios:

"Eu gosto de me expressar de muitas maneiras diferentes, e é por isso que eu não me limito em apenas um estilo vocal. Eu gosto tanto de ópera, Rock, pop e os estilos mais agressivos, e, geralmente, eu também faço os “growls”  e “screams”  no palco ahaha."


(Chiara Tricarico, vocalista - Temperance - Itália)





Aline Happ (Rio de Janeiro-Brasil) e Deisi Wolff (Viamão-RS), jovens ainda, mas já com experiência na difícil tarefa de fazer Metal no Brasil, mostram opiniões firmes:






"Vejo as mulheres com o mesmo papel que o homem. Várias bandas com mulheres têm aparecido e tido destaque, principalmente os grupos com vocalistas femininos. "

(Aline Happ, Vocal e teclados – Lyria- Rio de Janeiro)



"Vejo o papel das mulheres no Rock/Metal de extrema importância, ano após ano estamos conquistando espaço em meio a essa “cena” onde a maioria dos músicos e público ainda é masculina. O importante é que não estejamos nos destacando apenas por ser mulher, mas sim por ter capacidade e atitude tanto quanto os homens. Hoje em dia ainda representamos uma minoria, mas esse número vem crescendo a cada dia e deve ser apoiado, pois se há uma coisa que falta entre a galera Rock/Metal, independente do sexo, é união. E quando a mulherada que faz um som, ou simplesmente apoia as bandas da forma que consegue, ao invés de ir a shows pra fazer intrigas e desfilar roupas, é de mulheres assim que o Metal precisa!”
(Deisi Wolff, vocalista da Soul Torment/ Correspondente/redatora site Road to Metal.)





Carla Van Huizen, da emergente banda Holandesa La-Ventura, vê as mulheres cada vez mais tomando a frente, e entende como positivo o rótulo "Female Fronted Metal", mas também entende que não importa o sexo do artista, e sim a qualidade:



"Eu, pessoalmente, levo a sério o meu papel como “frontlady” de uma banda de Rock/Metal. Para mim, é um gênero perfeito para expressar minhas emoções. É poderoso, melódico, pesado e groovy, ao mesmo tempo. Talvez a cena Metal e Rock foi originalmente dominada por homens, mas hoje em dia as mulheres têm provado ser capazes de ser líder da matilha. Uma voz feminina pode facilmente equilibrar e complementar o peso da música neste gênero. Para mim, essa cena é toda sobre as mulheres no seu melhor: mostrando beleza e poder, ao mesmo tempo. Eu acho que nós vamos sobreviver neste mundo "masculino".


E a tag "Female Fronted Band" Eu acredito que é uma coisa boa, porque hoje em dia é popular e está em evidência em muitas partes do mundo. Embora eu acredite que devemos ser abertos para toda a boa música, não importando o sexo de quem está à frente de uma banda. Você não concorda?"

Carla Van Huizen (Vocal - La-Ventura - Holanda)

Carla Van Huizen

Évora Morgana, experiente musicista da cena Underground do Rio Grande do Sul, viu as mulheres ocuparem cada vez mais espaço em todas as áreas dentro do Rock e Metal:




"Bem, este é um espaço que foi conquistado com muita dificuldade visto que tanto o Rock como o Metal em geral é um reduto bem machista. Se no exterior foi um espaço conquistado com dificuldade, imagina no Brasil, onde infelizmente temos essa cultura de futebol e carnaval....
Quando comecei eram muito poucas mulheres na cena ,tinha que ser firme e muito determinada, sem se expor muito!  o respeito é o essencial!!
Atualmente vejo cada vez mais mulheres guerreiras na cena, desde o Rock até o Metal extremo e bandas só de integrantes femininas também, e não se restringe ao som, temos mulheres empresárias , que fazem camisetas pintadas a mão ou serigrafia, zines e muito mais!!"
Évora Morgana (Guitarrista,  Imortal Perséfone e Psycophobia)




E a Rainha Doro Pesch, uma das pioneiras, começando muito jovem em uma cena quase que totalmente dominada pelos homens, o que ela tem a dizer?


"A participação feminina hoje é fantástica, e há uma série de grandes músicos do sexo feminino na cena. Em nenhum momento eu cheguei a sofrer discriminação. Todo mundo sempre foi muito bom para mim e me tratou com respeito e me senti muito apoiada por todas as outras bandas e músicos, e eu sempre, sempre senti uma conexão profunda e sólida com os fãs. Acho que sempre senti que eu amava os fãs e a música, mais que qualquer outra coisa neste mundo."

A jovem Doro, beleza, força e pioneirismo




Mas e os "caras", o que eles pensam a respeito da mulherada cada vez mais tomando frente? Confira a opinião de alguns representantes do sexo masculino:


"As mulheres tiveram representatividade no rock/metal desde sempre, e, apesar de a maioria das meninas preferirem seguir outros caminhos, as que partiram para esse deixaram a sua marca...não vejo distinção entre as pessoas, o que acontece é que muitos não levam a sério e não fazem acontecer...mas isso faz parte da humanidade a milênios, e as que conseguem superar isso estão por aí destilando o sangue rock/metal por suas veias.....é isso."
 (Adriano Ribeiro Khrophus, guitarrista da banda Khrophus - SC)
  
Adriano Krophus

"Vejo que hoje a mulher está ganhando mais espaço tanto no Rock como no Metal, um meio praticamente dominado por homens, e isso é extremamente benéfico e importante. Ainda há muito a ser conquistado, mas com tantos talentos surgindo, não duvido que alcancem esse objetivo."
(Vitor Rodrigues, vocalista - VOODOOPRIEST, ex-Torture Squad - SP)

Vitor Rodrigues


Dave Starr, uma lenda do Metal, acompanhou a evolução da participação feminina, juntamente com sua esposa London Wilde, mas também não concorda com rótulos que separam gênero, assim, como são da mesma opinião Baronvon Causatan, editor da Satanic Militia, e o redator e coordenador do Road, Carlos Garcia, os quais também enfatizam as pioneiras:

"Eu acho ótimo que há mais mulheres no Rock/Metal nos dias de hoje. As coisas são muito diferentes hoje do que eram 20 ou 30 anos atrás, e isso é uma coisa boa. Naquela época, haviam realmente apenas algumas poucas bandas com mulheres, agora há um número maior. Pode não ajudar, mas capacita as mulheres a verem quantas chegaram lá nos dias de hoje. Dito isto, acho que a classificação "Female Fronted Band" está desgastada e ultrapassada.

Nós mesmos (WildeStarr) usamos em nosso site, mas a removemos há alguns anos. O rótulo apenas parece datado e chato para mim. Acho que todo músico ... e cada banda deve ser julgada pelos seus méritos, e não pelo seu gênero. Se realmente queremos viver em uma sociedade sem discriminação, não importando a cor da pele , também devemos viver em uma sociedade que não se importa com o gênero. A boa música é boa música, não deve realmente importar quem a faz. "
(Dave Starr - Guitarrista - WildeStarr, e ex-baixista e membro fundador do Vicious Rumors)

Dave Starr

"Uma pena que as mulheres demoraram para tomar o seu lugar entre as bandas, deixando de lado apenas aquela babação de ovo com os músicos, o que ao meu ver estragou e atrasou demais a conquista de espaços nos palcos. Claro que ainda temos as mulheres que infelizmente agem assim, mas pelo menos temos agora exemplos que valem muito mais a pena em cima do palco (não atrás em algum sofá). Poucas bandas tinham uma mulher a frente, talvez uma ou outra tocando algum instrumento, mas tomando a frente foram poucas. Exemplos como Jynx Dawnson da Coven, Wendy Williams da Plasmatics, passando por Doro Pesch na Warlock e não podemos deixar de lembrar de Runaways, Suzy Quatro, mesmo não gostando do trabalho vale destacar Janis Joplin também.

Atualmente vemos em todos os estilos, bandas com algum membro feminino na formação ou mesmo bandas completas de mulheres, e quando digo em todos os estilos, são todos mesmos. Desde tradicional Heavy Metal chegando até as podreiras Splatter/Gore.
Eu até acho que chegamos ao exagero de ficar separando por gênero algo que não precisa, mas seja por questões sociais ou por cabeças pequenas dos dois lados (homem/mulher) essa competição e diferenciação surge.

Baronvon Causatan
Eu sempre disse que tem mulher fazendo som melhor que muita gente por aí, tem vocalista aí que tá dando pau em muito barbado quando abre a boca para fazer um gutural.
Acho que o lado feminino não tem mais que lutar por um espaço e sim fazer o mesmo por manter, dar continuidade e sair da posição de simplesmente refletir aquela coisa de ficar correndo atrás de cabeludo porque toca em banda ou porque tem um cabelo grande, porque são essas que estragam a imagem da mulher dentro do Metal, felizmente é um pequeno grupo (ou groupies kkk) que só perdem espaço ao meu ver. Enquanto tivermos bandas e mulheres representando o seu espaço, podem estar certos de que as mulheres estão indo muito bem no cenário!!!!"
(Baronvon Causatan, webmaster da Satanic Militia Magazine)


Carlos Garcia (Road to Metal)
 "O que importa mesmo é a música, não o sexo, cor, credo....o que for. A qualidade do artista é que vai conquistar o reconhecimento e o respeito. Hoje as mulheres conquistaram seu espaço numa cena antes dominada pelos homens, mostrando isso, que é estupidez achar que algum indivíduo não possa realizar essa ou aquela tarefa porque é homem ou mulher. O papel delas na Cena Metal e Rock é fantástico, temos vocalistas, tecladistas, guitarristas, bateristas, produtoras...elas estão em toda parte, mostrando força, mas sem perder a graça, e é perfeitamente normal hoje, e, embora algumas bandas ainda se utilizam do fato para tentar chamar atenção, na grande maioria vejo que não se importam, como falei antes, o que importa é a qualidade do artista."
(Carlos Garcia, Editor e Coordenador Site Road to Metal)




A matéria é relativamente pequena para o tamanho do assunto e a proporção que hoje as mulheres ocupam na cena Rock e Metal, mas esperamos com este artigo, além de uma homenagem, também mostrar que as opiniões, dificuldades e conquistas possuem pontos muito parecidos, não importando a idade, país ou continente, e esperamos retomar ainda o tema em mais algumas matérias especiais em breve.

A colaboradora do Road to Metal Fernanda Vidotto, ficou com a tarefa de ajudar a concluir a matéria, e também enfatiza as dificuldades que as mulheres encontravam, e ainda encontram certo preconceito, principalmente no interior e lugares mais conservadores, parecendo precisar sempre ter algo a provar, mas que a mulher conquistou muito e ainda busca mais:



As mulheres estão muito presentes em um espaço musical, que não tão antigamente era associado à masculinidade e ao coletivo masculino.
E através de suor, sangue e lágrimas a mulher vai à luta e quer rock. E quer pogar, moshar e mostrar que também pode e deve ser vista como um ser humano normal e não como um cristal que se quebra. SOMOS FORTES. SOMOS de METAL, me ouso à dizer.
A representatividade é visivelmente maior que a de antigamente, porém ainda nos deparamos com muitos casos de preconceito; violência e toda forma de abusos contra as mulheres dentro do “cenário underground”. Como se isso fosse uma falácia, um absurdo para alguns conservadores rudimentares aceitarem.


Se você toca, ou trabalha, ou mesmo prestigia apenas como uma fã, existe SIM uma cobrança, como se fosse necessário mostrar ao mundo três vezes mais o motivo do porquê se está no meio.
Assim como vejo encarcerado na comunidade banger feminina um teor de competição nada saudável. As mulheres são encaradas com um ar de afronta por outras, e isso, não adiciona em nada na vida de ninguém.
Creio que em aspectos gerais sim, conquistamos muito espaço mas em aspectos interpessoais ainda temos que nos “organizar” de forma mais coesa visto que a música é uma excelente forma (assim como demais formas de expressão artística) de se passar ideias e ideologias e criar vínculos, fomentar opiniões e etc. "
(Fernanda Vidotto – Amazon Press e Colaboradora site Road to Metal)




CONCLUSÃO FINAL

Pudemos observar que todos os entrevistados concordam que hoje a mulher ocupou naturalmente seu espaço na cena, estando presente em vários setores da "indústria musical", mesmo que ainda possa ser encontrado algum preconceito e resistências mais conservadoras (sabemos que existem preconceitos contra religiões, preferências sexuais, e até absurdos como discriminar por diferenças da cor da pele, e ainda, mesmo sendo difícil conceber, lugares do mundo a mulher é tratada como ser inferior), mas em um mundo civilizado e globalizado, não se pode admitir certos absurdos, seja o ambiente que for, então, muito menos na música e menos ainda no Rock e Metal, onde sempre pregou-se a liberdade em todas as formas.

Especificamente sobre o assunto aqui tratado, a mulher tomou seu espaço, está ativa, presente, criativa, bela e independente de tudo, outro aspecto em que a maioria concorda, mesmo que alguns são da opinião que tags como "Female Fronted Band" também tenham papel positivo, o que importa é a qualidade da música, não os rótulos, gênero, credos ou o que for.



Matéria: Carlos GarciaFernanda Vidotto e Deisi Wolff
Edição, textos adicionais e Revisão: Carlos Garcia
Charge: Márcio Baraldi
Agradecimentos: Agradecemos à todos que colaboraram respondendo à esta matéria, ao Márcio Baraldi e à todas a mulheres no Rock e Metal.