Para além dos gostos pessoais por
podreiras (eu me incluo), seria clichê afirmar que a brutalidade é primal ao analisar
o Brutal Death Metal qualitativamente. Justamente estou aqui tentando mostrar
algum critério e penso que os clichês trabalham em extremos, aprimorando ou
execrando o objeto. No caso de Barbarity temos o primeiro caso, de longe a
banda se eleva dentro do estilo, é abissal a sua habilidade com a
agressividade.
Os blast beats são
muito bem colocados, os riffs são
assassinos e o vocal é enfurecedor. No Brutal Death Metal é muito fina a
variação do repertório sonoro nas músicas, é fácil uma banda soar mais do mesmo
ou fazer com que você não lembre nenhuma música deles mesmo após ouvir várias
vezes seu CD, isso não é demérito ao meu ver, – inclusive gosto, me sinto num
loop eterno de destruição sem fim – mas não teria como não ser um mérito o som
se sobressair e te marcar.
Barbarity não se esqueceu da variação necessária
para uma referência ao peso extremo do som, há paradas e reduções dos
andamentos, sem perder a brutalidade. Aí está a finesse dos Russos. Não estou
falando que Brutal Death tem que ter progressividade, ao contrário, me parece
que a banda tem mérito justamente porque percebeu que “menos é mais”, sem
queimar riffs os caras te deram um
prato cheio de barbaridade em Debut “Keeper of Oblivion” (2018).
Destaque para a faixa “Desfigured
and Burnt”. É difícil encontrar uma banda com linhas de baixo tão enraizadas e
guitarras tão ferozes em forma crua e integrada. Você sente que a música foi
construída pelo baixo e que tudo parte deste peso inicial, ao ouvir você sabe
que a banda funciona como um coletivo, o som é justamente o oposto daqueles
sons super performáticos onde parece que cada instrumento foi para um lado e a
música foi para a casa do baralho.
Outro som incrível é “When Heaven
Turns Into Hell”, aqui você toma um coice de mula na fonte! A música é uma
pedrada do começo ao fim, o espírito eslavo se deflagra aqui de forma
devastadora nesse som, as dinâmicas lembram os momentos mais Death Metal do
Sepultura com uma pitada BRUTAL. Os caras não pouparam nada.
Evolução é o que se espera de uma banda, e o Concordea, que foi fundada na grande Ekaterinburg (região Ural da Rússia), partindo da busca da guitarrista e compositora Daria Piankova por companheiros para formar uma banda, isso em 2011, e somente em 2012 a banda, já com Aleksei Turetckov (Teclados), completou a primeira formação. Em 2014 lança seu EP de estreia, e mostrava já a busca por uma identidade e novos caminhos dentro do Power Metal, procurando apresentar contrastes interessantes e criativos, mesclando peso, belas melodias, certas doses de dramaticidade e melancolia. (English Version)
Passaram-se 3 anos do EP "Before the Sunrise" (que teve o vocalista italiano Andrea Bicego, do 4th Dimension, nos vocais), e muita coisa mudou na banda, restando apenas o núcleo criativo Daria Domovik (guitarras) e Aleksei Turetckov (teclados), e a dupla foi buscar a ajuda do baixista Ilya Reyngard (Incarnator), que trouxe peso e técnica com suas linhas, e mais uma vez tem um cantor italiano, Felippo Tezza (Chronosfear, Tezza F.), uma boa promessa vinda da bota, e ambos prestaram um serviço muito bom, entendendo muito bem a proposta da banda (a bateria foi gravada por músicos contratados, não creditados).
O Progressive Melodic Power Metal temperado por esses contrastes (lembram aquele estilo finlandês, dos bons anos de Stratovarius, Sonata Arctica e até algo do Nightwish, que trazem também esse lado mais dark e melancólico), ganhou em qualidade e maturidade, envolto por uma produção superior a do EP, e com composições também melhor lapidadas, apresenta uma sonoridade que tem peso e melodia, tem velocidade mas também momentos de calmaria, e nada daquele Power Metal com "melodias felizes" e somente bateria e riffs a velocidade da luz, o que temos são arranjos que trazem momentos doses de melancolia, alternando passagens progressivas, atmosféricas, nuances sinfônicas e pitadas de peso e agressividade, e excelentes melodias.
Mas o trunfo mesmo são as melodias criativas, na maioria comandadas pelos arranjos de teclados de Aleksei, que são os que mais contribuem para dar esses contrastes e climas, que encaixam perfeitos nas bem escritas letras de Daria, a qual também faz um bom trabalho nos seus riffs, bases pesadas e solos melodiosos. Uma dupla afinada.
Complementando sobre as letras, que também no EP de estreia já era demonstrada uma qualidade alta, e acabo sempre lembrando da parceria do Aria (tradicional banda de Heavy Metal Russa) com os poetas Margarita Pushkina e Alexander Yelin, e o Concordea tem esse ar poético, por vezes sonhador, um pouco dark, e até romântico, mesmo quando são abordados assuntos bem atuais, como as vidas mergulhadas nas redes sociais e até as próprias experiências pessoas enfrentadas pela banda. Méritos a Daria Piankova pelo belo trabalho lírico.
Aleksei Turetckov
O álbum, como seria de esperar, pela proposta em ter esses contrastes, traz uma boa variedade nas músicas, abrindo com a intro atmosférica "Breathe New Life", e logo em seguida temos um "Speed" Power Metal "tradicional" de riffs e cozinha vibrantes, com "Wing's Motion", onde podemos perceber já as atmosferas melancólicas nos belos arranjos de teclado; "Confession of my Pride", inspirada na lenda Russa "Tsarevna Lyagushka" (A Princesa Sapo), tem pegada nos riffs, baixo pulsante e bateria agressiva, contrastando com os teclados que tem um algo de Gothic Metal; "When they Want you to Die" tem pegada e uma certa "raiva", em momentos bem agressivos e sinfônicos, alternando trechos climáticos e de "quebradeira".
"Between Two Worlds", que fala de um tema bem atual, sobre de como as vidas estão mergulhadas nas redes sociais, nos traz uma faixa com mais nuances progressivas, várias trocas de andamentos e breaks, e gostei bastante dos arranjos vocais; "Mermaid's Song" alterna peso e melodia, com boas variações rítmicas, e o peso e nuances progressivas estão presentes, destacando sempre a atmosfera dos teclados.
"Portrait" é uma peça acústica, com flautas, violinos e violoncelos, um clima de calmaria, meio folk, que faz o ouvinte flutuar; em seguida, "Listen to the Snow", é um Melodic Power Metal com bastante carga emocional e doses de poesia na letra (gostei novamente dos vocais, que souberam colocar emoção na dose certa), seguindo por andamentos e arranjos de teclados tocantes, melodiosos e cativantes; depois dessa peça melódica, prepare-se para "Rejected and Awoed", queé bem agressiva, bateria veloz, e com elementos sinfônicos e progressivos, mas o destaque mesmo é agressividade e peso, inclusive nos vocais, mostrando mais uma vez essa diversidade e criatividade da banda.
Daria Piankova
O álbum termina com muita emoção, através da "balada" "The Unknown", que traz uma bela e marcante melodia de piano no início, melodia essa que se torna principal da canção, que traz essas doses dark, um ar melancólico, começa mais melodiosa e vai ganhando mais peso. Felippo coloca bastante emoção nos vocais, e destaco ainda o solo de guitarra melodioso e cheio de feeling de Daria ao final. e claro, mais uma bela letra, segundo Daria comentou, inspirada em Alexander Pushkin, o grande poeta Russo da era Romântica.
O ouvinte vai perceber a criatividade da banda e uma qualidade louvável nas composições, e é ótimo ouvir algo nesse estilo que traz novos ares e desperta interesse, ou seja, não é preciso ter muito dinheiro e uma superprodução, o que esperamos é ouvir música bem feita, com feeling, criativa e que se percebe que é verdadeira, nesses quesitos o Concordea está de parabéns, e com "Over Wide Spaces", onde puderam dispor de melhores condições em termos de produção, confirmaram as qualidades percebidas no EP de estreia. Tem tudo para ser melhor notada e angariar admiradores. Recomendado!
Texto: Carlos Garcia
Banda: Concordea
Álbum: "Over Wide Spaces" (2017)
País: Rússia
Estilo: Progressive Melodic Power Metal
Produção: Daria Piankova e Aleksei Turetckov
Mixagem e Masterização: T A Production
Independente
Arte da capa: Gaspare Frazzitta
Line-Up:
Daria Domovik Piankova: Guitarras
Aleksei Turetckov: Teclados
Felippo Tezza: Vocais (músico convidado)
Ilya Reyngard: Baixo
(Bateria foi gravada por músicos contratados, não creditados)
Tracklist:
1. Breathe New Life
2. Wings’ Motion
3. Confessions of my Pride
4. When They Want You…To Die
5. Between Two Worlds
6. Mermaid’s Song
7. Portrait
8. Listen to the Snow
9. Rejected and Avowed
10. The Unknown
Os russos do Arkona são classificados como Pagan/Folk Metal, e hoje são, sem dúvidas, umas das grandes referências do estilo, e podemos dizer também, o grande nome do Metal russo, e apesar de se expressar em sua língua natal, não lhe impediu de alcançar outros mercados, inclusive o brasileiro, por onde a banda se apresentará em outubro (assista AQUI recado da vocalista Masha aos fãs brasileiros), e a versão nacional de seu mais recente trabalho ("Yav" - Napalm Records) chega na hora, via Shinigami records.
Liderada pela carismática vocalista Masha, diferente de muitas bandas do estilo (Pagan/Folk), que possuem aquela sonoridade que remete a climas "festivos", bebedeira, histórias de batalhas e danças em volta da fogueira, o Arkona vai por um caminho mais "sóbrio", encarando com muita seriedade suas raízes e crenças pagãs e cultura eslava.
Em uma sonoridade e temáticas, densas e belas, mas também pesadas, agressivas e atmosféricas, os russos cativam o ouvinte, inclusive pela atmosfera que passam os instrumentos étnicos utilizados nas músicas e a sonoridade peculiar da sua língua pátria. Destaque também para a belíssima capa, onde, uma princesa pagã, eu diria, ajoelhada em frente a um lago tem sua imagem refletida, mas de forma diferente, provavelmente significando Yav (que na mitologia eslava significa o mundo material, onde estão as criaturas vivas) e Nav (o mundo imaterial).
"Zarozhdenie", com seus mais de 9 minutos abre o álbum, apresentando a belíssima e pesada música do grupo, arranjos de teclados e instrumentos tradicionais dão os tons e climas, envolvendo o ouvinte em sua atmosfera, enquanto que Masha alterna vocais limpos e "screams" com maestria e feeling, em interpretações envolventes e sendo agressiva quando necessário. Uma daquelas bandas que você sente que acreditam no que fazem, tocam com paixão e fazem com que você sinta a música, apesar das diferenças ou estranheza que a língua possa causar para alguns, mas acredite, é um dos elementos que deixam a atmosfera mais bela, e o encarte ajuda, pois traz as versões em inglês.
A criativa "tempestade" sonora pode ser sentida em "Na Strazhe Novikh", que passa por caminhos mais extremos, ritmos típicos como a balalaika e experimentações mais modernas; "Ved'ma" traz trechos da dança típica horovod e "Chado Indigo" belo arranjo de piano, grandes riffs, e também um coro de crianças, tudo regado a mais sons típicos, mas nada se compara a épica faixa título, "Yav", com cerca de treze minutos de duração, uma jornada musical que leva o ouvinte a uma viagem por entre climas sombrios, folk, com peso e melodia.
Um álbum perfeito, uma verdadeira celebração, indicado não só a fãs de Folk/Pagan ou Metal Extremo em geral, mas para ouvintes exigentes, sendo um trabalho para ser degustado em várias audições para uma compreensão e proveito mais completo.
Rate: 9,5/10
(CLICK HERE TO READ THE ENGLISH VERSION)Quando se
pensa em Heavy Metal na Rússia, o primeiro nome que vem e mente é “Aria”, banda
fundada em 1985 (ainda na antiga URSS), o “Iron Maiden Russo”, com suas belas
letras, muitas escritas pelos poetas Alexander Yelin e Margarita Pushkina, provavelmente é a maior referência do Metal daquele
país, uma das primeiras a romper barreiras.
Muitas novas
bandas tem surgido na Rússia, e o Concordea, vem buscando seu espaço, trabalhando
duro, tendo uma sonoridade muito criativa, com composições bem trabalhadas, a exemplo
do clássico “Aria”, também com letras belas e poéticas (porém, com a diferença
que são escritas pelos compositores da própria banda), mostrando que, quem sabe possam ser em breve,
uma nova referência do Heavy Metal russo. Talento eles mostraram possuir, e deixam a certeza que e um próximo álbum, talvez com um produtor experiente e um melhor estúdio, alçarão vôos mais altos.
Para levar aos
leitores, como sempre buscamos fazer, um pouco mais sobre as novas promessas
que surgem pelo mundo metálico, conversamos com a bela e talentosa guitarrista
e fundadora Daria Piankova, que nos conta sobre a cena russa (onde podemos perceber que não é só no Brasil as dificuldades de manter uma banda de Metal), as gravações do
recém lançado primeiro trabalho, a participação do vocalista italiano Andrea
Bicego (4th Dimension), e até sobre a copa do mundo de 2018, e muito mais, confira a seguir !
Daria Piankova
Road to Metal:
A banda foi fundada por você e Alexey, em 2011, certo? Conte-nos um pouco da
história da banda.
Daria
Piankova: Na verdade o primeiro membro da banda que conheci foi Nikolay
Konstantinov, nosso baixista e compositor. Isto foi em 2009, quando eu estava
começando a minha busca pelos companheiros para tocar. Mas nossos caminhos seguiram
em separado. Nós nos encontramos novamente no verão de 2011. Eu já havia
encontrado Alexey antes, no inverno. A procura foi longa ...
O line up só
foi concluído em 2012. No início de 2013 o vocalista Dmitri nos contou sobre
sua decisão de partir de Ekaterinburg e seguir
carreira de cantor de ópera. Além disso, devo contar-lhe sobre algumas mudanças
que aconteceram recentemente: o segundo
guitarrista Alexey deixou a banda, agora vamos contar com Konstantin Kirillov,
e Denis Baranov está nos vocais. Essa é
a nossa curta crônica.
RtM: E para os
leitores que estão conhecendo a banda, como você descreveria o som do
Concordea?
DP: Temos um poderoso
som de guitarra, bateria Thrash, teclados "atmosféricos". E toda essa
massa sonora é liderado por vocais altos ... isso é o que você pode ouvir no
nosso EP. Apesar do fato de que somos de uma banda, todos nós temos diferentes gostos musicais (felizmente ou
infelizmente, depende do ponto de vista ha ha ha) e você pode sentir isso ao
ouvir nossas músicas.
Line up atual, com Alexey, Denis, Daria, Konstantin, Nikolay e, ao fundo, na bateria, Roman
RtM: Quais são
as influências musicais que você pode nomear e de que forma você acredita que a
banda vai ter um diferencial no cenário?
DP: Como as
músicas estão sendo escritas por Nikolay e eu, há muitas influências. Até onde eu
sei, Nikolay foi influenciado por diversas bandas de vários estilos, em diferentes
períodos da vida: Aria ( banda de heavy metal muito famosa aqui na Rússia,
Rammstein, King & Jester (Korol’ i Shut in Russian, uma banda Russa de Punk
Rock) , Nightwish, Sonic Syndicate.
Quanto a mim,
eu gosto de um monte de música diferente também, desde a música barroca e música
clássica em geral, ao rock clássico, de symphonic black metal/death a New Age.
Também tive forte influência, obviamente, pelo Power Metal italiano e finlandês, da cena dos anos 90 e
2000 (Rhapsody, Vision Divine, labirinth, Highlord, Nightwish, Sonata Arctica,
etc) Portanto, esta variedade será certamente impressa em nossas músicas também
no futuro.
RtM: Com
relação ao que eu perguntei antes, eu vou dar a minha opinião sobre o que eu
aponto como um diferencial, que são as letras, e as variações no som,
transmitindo várias emoções e sentimentos. Comente um pouco sobre o que te
inspira a escrever as canções.
DP: Toda a
beleza que me faz experimentar sentimentos. As emoções fortes movem-me para o
trabalho criativo. Uma grande canção, um concerto inspirador, uma pessoa
original, um texto profundo, uma vista inesquecível ... às vezes é o suficiente
ver as nuvens mudando no céu ou o modo como o sol brilha e você já quer
escrever sobre isso.
RtM: Para
gravações dos vocais em "Before the Sunrise" vocês contaram com
Andrea Bicego, da banda italiana "4th Dimension". Como surgiu a
oportunidade? Existe possibilidade dele contribuir novamente com banda?
DP: Quando
Dmitri decidiu deixar a banda, nós já vínhamos conversando com Andrea por
vários meses, discutindo vários assuntos musicais. Se uma banda não tem um
cantor, significa que não há concertos, não há gravações. Ensaios infinitos,
sem qualquer chance de ser ouvido. Durante muito tempo, não conseguimos encontrar
alguém que pudesse se encaixar pelo menos um pouco da nossa música. E eu tive a
ideia de convidar Andrea (Bicego,vocalista do 4th Dimension), embora isso envolvesse riscos. Eu ouvi o seu trabalho
ao vivo e também em CD, achei que sua voz poderia perfeitamente combinar com a
música do Concordea.
Ele
imediatamente aceitou a minha oferta para cantar nossas músicas, ele gostou do
material. Então ele gravou algumas versões demo, primeiro foi "Behind the wind", e
ele saiu-se de forma fantástica ... Nós TODOS gostamos de seu desempenho e Andrea
se tornou nosso cantor oficial para as gravações. Mas, como você pode imaginar,
para uma banda como a nossa, é um enorme desafio viver e tocar em um país e ter um vocalista em outro ... Embora tivéssemos
algumas conversas a respeito de concertos comuns com Andrea, há muitas dúvidas
sobre a possibilidade de realização. No entanto, eu acredito que tudo muda e
tudo é possível se ambas as partes têm vontade recíproca e um propósito ... Por
falar nisso, como eu já disse, no momento estamos realizando concertos com um
cantor local, e suas habilidades vocais são muito diferentes das de Andrea.
Andrea Bicego e Daria durante as gravações
RtM: Daria, eu
sei que você escreve boa parte das letras e músicas, e muitas das linhas vocais
também. Como foi trabalhar as linhas
vocais com Andrea? Ele também ajudou com as composições?
DP: Bem, a
autoria musical é de cerca de meio a meio, metade escrito por Nikolay, metade por mim. Devo dizer que Nikolay é ótimo
com os arranjos, especialmente arranjos de teclado. A maior parte das linhas
vocais são minhas, você tem razão. É por isso que eu confiei na capacidade de
Andrea: ele é muito preciso e atencioso com as letras e melodias.
Ele sabia que
eu tive de traduzir meus textos originalmente em Russo para Inglês, e ele era
muito cuidadoso com o seu sentido e forma, quando ele ia mudar alguma coisa
para torná-lo mais pronunciável. Eu acho que nós estávamos na mesma sintonia;
ele pegava imediatamente a entonação certa e ataque que eu pedia. Eu gostei de
quase todas as soluções criativas que ele ofereceu, e certamente ele parecia
ser bastante profissional para uma pessoa tão leiga como eu. Eu sou muito grata
a ele. Foi uma grande experiência ... e, por vezes, muito difícil também,
ahahah.
RtM: Bem,
sobre seu debut, o EP "Before the Sunrise", conte-nos um pouco mais
sobre a gravação e produção. E como vocês chegara até o selo DeFox/Heart of
Steel?
DP: A parte
instrumental foi gravada aqui em Ekaterinburg, no estúdio "Rukami".
Foi a primeira experiência para muitos de nós, e que não foi tão fácil para
mim, hehehe. Oorreu que eu gravei quase todas as partes de guitarra, com
exceção de alguns solos. Os vocais foram gravados no "Greenriver
Studio" em Varese, Itália.
Eu acompanhei
todas as sessões lá. O "Greenriver Studio" foi o mesmo onde toda a
mixagem e masterização foram feitas. O estúdio pertence a Tancredi Barbuscia.
Ele fez um ótimo trabalho! Foi Andrea que o recomendou. O segundo álbum do 4th Dimension
foi completamente gravado e mixado lá, afinal de contas. Quanto ao selo
"Heart Of Steel" , a mesma situação: Andrea ofereceu nossos materiais
para eles, e depois isso eles estavam prontos para lançá-lo.
RtM: Como eu
disse, as letras são um diferencial nas canções do Concordea, e a faixa-título
tem uma letra bem poéticas (Como sabemos, a Rússia tem uma grande tradição
nessa área, de pensadores e poetas), e é minha faixa favorita até agora! Eu
gostaria que você comentasse um pouco mais sobre esta canção.
DP: Esta
canção foi escrita por Nikolay, e posso dizer que é um “hit”. Originalmente ela
levava o título de "In the Shadow", e eu comecei à partir deste
ponto. A faixa é muito poderosa, bateria grandiosa, guitarras potentes e teclados
principais muito bonitos, que tornam o seu espírito muito místico, agressivo e
sombrio. Eu imaginei uma floresta sombria: quando último raio de sol se perde,
parece que quando você perde a última esperança ... na verdade, você vai
encontrar a descrição de uma noite mística nas letras. Mas anseio por luz e
calor, sensação de desespero, muitas vezes, tende a esquecer que "a noite
é mais escura antes do amanhecer". Aliás, entre os 4 textos, este é o que
Andrea trabalhou mais.
RtM: E sobre
"Behind the Wind", soa mais melódica e Prog, mas com a parte final quase
Thrash! Eu acho que também traz a tradução da essência da banda como um grupo
com suas diversas influências, e como todos esses fatores funcionam juntos.
Você concorda? Você pode comentar sobre isso?
DP: Ao meu
ver, "Behind the wind" é a mais complicado entre as quatro músicas do
EP. Cada instrumento interpreta esta composição da melhor maneira possível. A
ideia original foi minha, Nikolay acrescentou o belo refrão, e eu compus a
linha vocal. Roman trabalhou duro no arranjo para a bateria, que acabou por ser
muito complicado. Alexey (guitarrista) decidiu compor um solo, Andrea mudou um
pouco a estrutura, ele deixou o espaço para solo de teclado e Alexey (teclados)
inventou uma bela variação de sintetizador sobre o tema principal.
É uma canção
muito “Concordea”, é épica, romântica e agressiva; melancólica e um pouco
desesperada. A parte final é muito próxima ao thrash, você notou certo! A
bateria intensifica o efeito dramático.
Além disso,
você vai encontrar lá as variações do riff de guitarra, que são muito intensivos,
também... E parece que os acordes dramáticos finais querem fazer você desistir
de qualquer esperança, as letras ajudam muito bem: "Vossa Alteza é pego
pelo vento e levado ". Eu gosto muito do desempenho de Andrea aqui. Seu
ataque e estilo de expressão são apenas uma excelente. Ele pegou bem as entonações
que eram quase inatingíveis para os cantores que tínhamos antes.
RtM:
Continuando, fale mais sobre a bela letra desta música. "Saciar a minha
sede, saciar meu fogo, aliviar-me de pensamentos dolorosos!" E então...
não vai haver nenhuma resposta! (não haverá resposta...) "
DP: Quanto as letras... Eu gosto de que os ouvintes façam as suas próprias associações.
Andrea disse uma vez que ele tinha lembrado da “Tempestade”, de Shakespeare,
ahahah. Bem, as letras têm fundo muito pessoal. Por uma questão de fato, é uma
canção sobre o meu amor não correspondido, sobre a minha paixão.
As letras poéticas e dramáticas de Daria são parte importante da identidade do Concordea
RtM: Como
dissemos antes, as canções do Concordea têm várias nuances, contrastes e
sentimentos, e complementando, vamos falar sobre as duas últimas faixas,
gostaria que você comentasse " Delusive Shades", que soa mais
"dark" e tem uma linha vocal interessante , onde Andrea praticamente
interpreta a canção!
DP: Eu
concordo totalmente com você! Eu considero " Delusive Shades", a
canção mais "mística" do EP do ponto de vista tanto da parte
instrumental, como da parte vocal e textual... As letras que eu escrevi para
ela são minhas favoritas. A mesma pessoa que me inspirou a escrever
"Behind the Wind", foi a minha inspiração para "Delusive Shades”
também. Na verdade, as letras sobre "dança em círculo de tons" e
"transformando-se em uma sombra" são a interpretação de uma fantasia
ou, melhor dizendo, um vestido alegórico para algumas camadas muito pessoais da
minha vida, a vida dessa pessoa e os meus fortes sentimentos em relação a ele...
Mas, na verdade, toda mundo poderá interpretar o texto a sua maneira, eheheh.
A música soa
muito gótica, e cada parte de guitarra, cada parte do teclado, a cada mudança
de ritmos criam uma atmosfera especial. Desculpem-me (não é legal elogiar as próprias
composições, heheeh), mas a parte final desta canção ainda me dá arrepios! Esta
palavra “wistfully” (N. do R.: Daria cita aqui o refrão, e realmente, essa
parte tem um clima bem místico e tenso) soa perfeita em Inglês e soa como um
feitiço para o final... E o rangido duradouro da guitarra faz você se sentir
profundamente na atmosfera mística da música, e faz você se encantar... bom, Isso
é o que acontece comigo ouvindo a música, eu não sei o que os ouvintes dirão,
ahahah.
Andrea Bicego: Prestem atenção nesse cara! Grande revelação italiana.
RtM: ...
quanto a "Message", poderíamos
dizer que soa mais "brilhante" e mais "up".
DP: Quanto à
"Message", é uma alegre e
pacífica canção, se trata de coisas esotéricas: cada música que escrevemos é um
dom das "forças supremas" que se traduzem em músicas e letras. E toda
essa canção é uma espécie de "mensagem" que enviamos aos nossos
ouvintes ... E essas "mensagens" precisam ser sinceras e amáveis em essência,
porque temos de concentrar a nossa consciência sobre a beleza, harmonia e paz
para criar uma realidade pacífica e bela em torno de nós. É simples e é
difícil. A variedade musical de "Message" é exatamente sobre isso: há
muitas passagens de guitarra, existem vários ritmos, baterias incomuns e solos
rápidos. E a voz de Andrea se adapta a música muito bem, poderia dizer que seu
vocal aqui soa “leve”.
Nikolay on stage!
RtM: Bem, vamos
saber um pouco mais sobre você. Quando você começou a tocar guitarra, e como
nasceu a paixão por este estilo musical?
DP: Eu comecei
a tocar violão um pouco tarde, quando eu tinha 19 anos, eu peguei algumas aulas
particulares.. De um modo geral, o meu primeiro instrumento já era a flauta
quando eu tinha 7 ou 8, e com a idade de 10 eu comecei a tocar piano. A paixão
por este estilo musical nasceu em 1999, quando eu ouvi pela primeira vez para o
álbum "Symphony of Enchanted Lands". Eu tinha 12 anos, eu estava
completamente encantada por Rhapsody (of Fire) e minha vida mudou totalmente a
partir daquele momento.
RtM: Falando
sobre o cenário russo, conte-nos como é o apoio para as bandas, o espaço para
shows e condições (incluindo econômicas) para manter uma banda de Metal? Algum
tempo atrás, a Rússia era fechada para muitas coisas.
DP: Bem, um
dos chamados "apoios" é quando você pode alugar algum espaço totalmente equipado, para
pagar 1-2-3-4 ou muitas horas e tocar lá
com os seus companheiros de banda. Há uma grande quantidade de pequenos eventos
realizados em pequenos pubs ou bares, onde várias bandas podem tocar em uma
noite. Se você tem dinheiro e capacidade suficiente, você sempre pode pagar, e aí
tocar uma vez como banda de apoio em alguma turnê de alguma estrela. Muitas
vezes, o mesmo acontece com os festivais. Como você pode ver, a única e mais
confiável forma de apoio, é o nosso entusiasmo e nosso amor para com o que
tocamos e o que fazemos.
RtM: Bem, você
é um dos fundadores da banda, compositora, e tem outras responsabilidades,
praticamente tendo de assumir uma liderança natural. Em sua opinião, quais
habilidades e características que um líder moderno de uma banda precisa possuir?
DP: Além das
habilidades musicais, deve ser bastante
flexível, forte o suficiente ... cheio de várias ideias e deve traduzi-las em
realidade. Deve ser interessante,
amigável e talvez um pouco excêntrico a fim de fazer os outros segui-lo.... É
assim que eu vejo isso no momento.
RtM: Eu
percebo agora que aqui no Brasil estamos tendo a Copa do Mundo de Futebol, e a
próxima Copa será na Rússia. Aqui houveram muitas críticas por causa de gastos
do governo, e algumas manifestações populares e protestos, mas quanto os
eventos e recepção aos turistas, tudo correu relativamente bem, porque o povo
brasileiro é muito hospitaleiro. E aí no seu país, como vocês estão vendo o
fato de que a Rússia será o próximo país a receber a Copa do Mundo?
DP: Você sabe
que está prevista a realização também em
Ekaterinburg? Eles querem construir e reconstruir estádios e prédios, mudando
algumas construções dentro da cidade. Vai afetar fortemente a vida das pessoas.
Muitos cidadãos de Ekaterinburg e de outras cidades também disputam esses
programas. É óbvio, eles não têm sentido, tal volume de investimentos poderiam
ter aplicação muito mais útil!
Denis Baranov é o atual vocalista nas apresentações ao vivo
RtM: Bem,
Daria, obrigado pelo seu tempo, a banda tem um grande potencial e talento,
desejamos muito sucesso para vocês, e espero que um dia vê-los ao vivo em seu
belo país, e talvez em um grande festival como Hellfest, Wacken ou sweden Rock
... e, porque não, aqui no Brasil! Deixo o espaço para sua mensagem final aos
leitores!
DP: Uau, Carlos,
muito obrigado por nos desejar tudo isso, e
por esta incrível oportunidade de dar a entrevista para o seu grande
webzine! Vamos fazer o nosso melhor. Aos leitores do "ROAD TO METAL",
continuem a ouvir boa música, acompanhem-nos, continuem a seguir o "Road
to Metal!", sejam positivos e sorriam mais! Entrevista: Carlos Garcia Tradução/Edição: Carlos Garcia Fotos: Arquivo da banda