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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Cobertura de Show: Metallica – 05/05/22 – FIERGS – POA/RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Ze Carlos de Andrade

Doze anos se passaram desde a última vinda do Metallica a Porto Alegre. Falar dos americanos e de toda sua importância para a música em si, já é manjado e cansativo. São 40 anos de estrada e uma história de altos e baixos, mas sempre regada de muito sucesso e exposição.

Pois bem, no dia 05/05/22 tivemos a terceira passagem do quarteto do apocalipse pela capital gaúcha (a primeira foi em 1999 no Jóquei Clube). Inicialmente marcado para o show acontecer na Arena do Grêmio, mas logo em seguida alterado para o Estacionamento da Fiergs. O que gerou um grande descontentamento entre os fãs, já que o local em si já é famoso por sua estrutura duvidosa e localidade de difícil acesso.

Em termos de estrutura fica aqui meus questionamentos a produtora, que mesmo sabendo que receberia um público em torno de 40 mil pessoas se demonstrou despreparada mais uma vez. Já que, as filas para banheiro e alimentação eram quilométricas sem contar o espaço destinado as pessoas com deficiência (PCD), que de fato não suportava a quantidade de pessoas no local. Muitos acabaram ficando fora, pois não tinha mais espaço em uma estrutura falha e precária, e claro, em uma posição no mínimo horrível para se poder assistir ao show adequadamente. Lembrando, que tirando eu naquele espaço que sou Imprensa, os demais eram pagantes, e muitos ali pagaram a “bagatela” de muito e muitos reais. Para um local sem o mínimo de suporte.

Indo para o show em si, passado um pouco das 21h começa nos PA’s a clássica “It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)” do AC/DC abrindo portas para uma das introduções mais incríveis do Heavy Metal, “The Ecstasy of Gold” do gênio Ennio Morricone com os telões apresentando o clima ideal e nostálgico para a abertura com a poderosa “Whiplash” do Debut “Kill ‘Em All” (83). Levando o público sedento por shows a loucura e fazendo a alegria dos bangers da velha guarda. Que ainda foram brindados com “Ride the Lightining” do clássico homônimo de 84 (que em minha opinião poderia ser trocada por qualquer outra do mesmo disco, pois ao vivo não funciona), abrindo alas para a pesada e indigesta “Harvester of Sorrow”.

Pode-se dizer que a banda não se encontra em sua melhor forma e entrosamento, pois ficou nítido que só “engrenaram” a partir de “Seek & Destroy” e com aquele “q” de estranheza, pois quem é fã de Metallica principalmente os fãs mais antigos, devem ter estranhado o modo como um de seus maiores clássicos foi apresentado ao público, com uma interação tímida de James como se fosse só mais um som e um show protocolar de sua extensa turnê.

Poderia ficar horas discorrendo a minha tristeza em ver o Lars em tão baixa performance (há anos é fato) e também nenhum pouco preocupado se estava errando ou no tempo, ficando claro em “No Remorse” e “One” o tamanho do seu desleixo como baterista.

A falta de potência no som também é um dos pontos a se ressaltar, pois pelo menos de onde eu estava não ouvi em nada o baixo de Trujillo, a não ser em “For Whom the Bell Tolls”, mas por que será?

A pirotecnia, show de luzes e lasers estavam realmente incríveis, deixando tudo mais teatral e grandioso, assim como a estrutura de palco e seus telões intercalando diversas imagens conforme as músicas apresentadas. O show de fogos em “One” e as labaredas de fogo espalhadas pela Fiergs em “Fuel” foram de cair o queixo.

Mas o que não foi de cair o queixo foi a apresentação do quarteto. Que soou protocolar. Assim como o próprio carisma de Kirk Hammett, que apenas solava sem muita expressão.

Mas tivemos duas gratas surpresas nesta noite: “Welcome Home (Sanitarium)” (Master of Puppets” 86) e “Blackened (“..And Justice for All” 88).

Para o bis as já manjadas “Nothing Else Matters” (que acabou ganhando um sentido muito especial para a minha pessoa depois desta noite) e “Enter Sandman” levando o público a êxtase total com sua chuva de fogos de artifício.

 

BANDAS DE ABERTURA:

 

Para aquecer o público tivemos a banda nacional Ego Kill Talent e a americana Greta Van Fleet. Que fizeram bons shows em suas propostas, mas que não chegaram a tirar grandes energias dos presentes, mas mostraram vontade e empolgação de estarem diante de uma plateia gigantesca. O que certamente ajudará ainda mais em seus trabalhos e divulgações.

 

Ainda que protocolar e com certa falta de energia em palco, o Metallica entregou o que poderiam, mas é aquela história: temos que saber a hora de parar. E penso que o Metallica já deveria ter dado um “tempo” dos shows.

Saber a hora de parar é essencial e indo nessa leva, pode ser que esse seja a última cobertura desse que vós escreveis.





Setlist:

 

It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll) (AC/DC song)

The Ecstasy of Gold (Ennio Morricone song)

 

Whiplash

Ride the Lightning

Harvester of Sorrow

Seek & Destroy

No Remorse

One

Sad but True

Moth Into Flame

The Unforgiven

For Whom the Bell Tolls

Fuel

Welcome Home (Sanitarium)

Master of Puppets

 

Encore:

Blackened

Nothing Else Matters

Enter Sandman

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Dust Commando: “A banda está mais pesada do que jamais esteve, disto eu tenho certeza”


Entrevista por: Renato Sanson


Músico entrevistado: Thiago Rabuske (vocalista/guitarrista) – Banda: Dust Commando de Taquari/RS.

Em 2015 a Dust Commando lançou o seu Debut – “Chaos Lives In Fur” – onde colocaram a banda em ótima relevância no cenário underground. Três anos depois tivemos o tão aguardado EP “Between Chaos And Grace”, que musicalmente era mais que um passo além, mas a consolidação de sua musicalidade e qualidade. Porém, as coisas não andaram tão bem assim, poderia nos falar a respeito desta pausa onde a DC estava em crescimento constante?

Bom, a Dust Commando teve diferentes problemas com a formação, basicamente. Diferenças entre estilos, objetivos, projetos, tudo pesou para pausa que fizemos acontecesse. Além disto, um forte desânimo com produtores que nem os custos de viagem da banda queriam pagar, muitos parceiros que muitas vezes não retribuíram o que fizemos por eles, acabaram por desgastar nossa capacidade de permanecer na luta. Apesar disto, lançamos em 2017/18 um álbum demo, chamado "Grace through disrupt", que está anos-luz à frente dos dois primeiros trabalhos em matéria de composição, e que também teve lançado junto um minidocumentário sobre o processo de composição do mesmo. Mas o maior fator para a pausa foi o financeiro: após eu me tornar pai, já não podia mais arcar com os enormes prejuízos que de regra tínhamos.

As mudanças de formação também afetaram o grupo neste meio tempo. Como foi lidar com essas inconstâncias?

Foi uma M*** (risos). Mas a formação atual eu acredito ser muito consistente, coesa, o que me faz feliz por não depender de integrantes que não têm o mesmo tesão pela música que nós temos.


Um novo material está para chegar. O que podemos esperar?

Peso como nunca fizemos, mais melodia do que já fizemos, letras cada vez mais críticas e posicionadas, camadas e camadas de riffs, vocais mais agressivos e por vezes mais melódicos do que antes, além de um aprofundamento no que diz respeito a temas escolhidos.

Uma nova formação chega, e seria impossível não mencionar a saída de Felipe da bateria (considerado por muitos um dos melhores bateristas do RS) que agora é guitarrista, e a entrada do experiente e não menos talentoso Fabio Longaray  – ex - Balde de Sangue – nas baquetas. Como está sendo este novo momento?

A banda está mais pesada do que jamais esteve, disto eu tenho certeza. O Felipe é também um exímio guitarrista, tendo acrescentado uma complexidade nas composições e na execução que ajudou a elevar nossa música a outro patamar.


A Dust Commando vinha em uma crescente e tanto, ganhando seu espaço dentro e fora do Rio Grande do Sul. Como foi parar as atividades em um momento tão especial para a banda em si?

Muito difícil, muito pesado. É o sonho da minha vida, esta banda. Mas chegou um momento em que precisávamos parar - e foi algo positivo, pois estamos voltando muito mais fortes em todos os sentidos.

Musicalmente falando, o que teremos daqui para frente?

Mais abertura a estilos diferentes, mas também mais foco no peso. Além disso, como falei antes, mais posicionamento, ou seja, letras com teor crítico mais aguçado e sem medo de tocar o dedo na ferida.


Ter um estilo definido nunca foi a praia de vocês, sempre em busca de uma sonoridade própria e livre de rótulos. As novas composições caminham em qual direção?

Estamos cada vez mais pesados, em direção ao que o metal mais atual anda nos trazendo. Posso dizer que, além das influências de sempre (Sepultura, Pantera, Black Sabbath), agora pode-se ouvir coisas diferentes nas referências, como Gojira, Jinjer, Meshuggah, mas com uma pegada diferente em cada composição, como gostamos de fazer.

OUÇA O DEBUT CLICANDO AQUI
OUÇA AQUI

Links:
https://www.youtube.com/channel/UCZgqs_oIWdHRJvJFvaeg-0A/videos


Formação:
Thiago (vocal/guitarra)
Felipe (guitarra)
Gabriel (baixo)
Fábio (bateria) 

domingo, 19 de novembro de 2017

Venom Inc: Honrando o Passado, mas Olhando para o Futuro


Voltando um pouco na história e também recapitulando brevemente como se deu a origem do Venom Inc., que é a reunião de dois dos fundadores do Venom, Jeff "Mantas" Dunn (guitarras) e Anthony "Abaddon" Bray (bateria), com o vocalista e baixista Tony "Demoliton Man" Dolan, o qual fez parte do grupo nos anos 90, substituindo Cronos. Após um período de hiato e retorno da banda em 1995, trazendo a formação clássica, Abaddon e Mantas acabaram deixando o Venom novamente, permanecendo apenas Cronos, que acabou prosseguindo com o nome, após consentimento verbal de Mantas, segundo o guitarrista revelou.

Cronos meio que se apoderou da marca, e deu declarações de que ele era o fundador, desmerecendo os demais membros, e gerando desde lá várias "tretas" com os ex-companheiros, como impedir Mantas e Tony de usarem o nome "Venom" na divulgação de seus shows com o M:Pire of Evil. Inclusive o grupo usa o nome Venom Inc com o logo tradicional unicamente porque foi criado por Abaddon.

Todo mundo sabe, e os ex-companheiros não cansam de dizer, que Conrad "Cronos" é um "asshole", que só pensa mesmo na grana e sobrevive as custas da marca "Venom", pois mesmo com álbuns pouco criativos ou interessantes, sempre lhe garante bons contratos e vendas. Bom, falamos no M:Pire of Evil, e foi através da banda de Mantas e Dolan que surgiu o estopim para o Venom Inc, quando Dolan convidou Abaddon para uma participação no festival Keep it True, a partir daí, arestas foram aparadas entre Mantas e Abaddon, e o line-up partiu para novos shows (os músicos não escondem que o nome "Venom inc" trouxe muito mais atenção do que o M:Pire of Evil), e solidifica essa reunião com "Avé", álbum lançado pela Nuclear Blast (e em edição nacional via Shinigami Records).


Em "Avé" podemos encontrar conexões aos elementos dos primeiros álbuns do Venom, como aquele Thrash e Speed Metal ríspido e meio "sujo", mas o trio, adicionou novas nuances, principalmente do Metal tradicional. A maturidade e experiência adquirida foram bem usadas, com o trio entregando um material de qualidade, bem acabado, onde o que mais se sobressai é o trabalho de guitarras de Mantas, com muitos bons riffs e bases e também boa performance nos solos. O trabalho destacado da guitarra tem o suporte da voz rasgada e anasalada de Tony e o peso do seu baixo, e claro, a pegada firme de Abaddon, evidenciando outro aspecto diferente dos primórdios, de que atualmente são melhores músicos. 

Aquela aura "maligna" está mantida também, no trabalho de arte da capa e em elementos sonoros e líricos que aparecem em vários momentos. A tétrica abertura de "Ave Satanas" com a canção clássica "Ave Maria" no comecinho faz essa conexão direta com a essência do clássico Venom, em uma faixa de andamento mais cadenciado, com muito peso e atmosfera dark, permeada por muitos bons riffs; "Dein Fleisch", também tem uma "aura pesada", inicia com o baixo de Tony se destacando, trazendo ao fundo vozes lamuriantes, que junto ao vocal forçando um sotaque germânico, traz um clima meio...acho que "paranoico" seria a palavra, destaque também para os solos.


O Thrash, o Speed Metal e nuances meio Mötorhead estão presentes em "Forged in Hell", destacando novamente os riffs e a bateria frenética e com uso de alguns pedais duplos, sendo que mais faixas enérgicas e velozes estão no tracklist, como "Black n' Roll", esta sim, remete muito a Mötorhead,  e ainda "Metal We Bleed" e a frenética "The Evil Dead", mostrando que, apesar de mais experientes, ainda são capazes de mostrar aquela energia que antes era o maior atrativo do grupo, só que agora com mais apuro técnico.

É muito bom sentir a energia dessas faixas mais Speed Metal, mas o Venom Inc, além da faixa de abertura, traz faixas mais cadenciadas, carregadas de peso e agregando novos elementos, como na ótima "Preacher Man", que traz elementos do Metal tradicional mesclados a timbres mais atuais. Tony entrega uma performance furiosa nos vocais, enquanto seu baixo explode em graves pesadíssimos, e Abaddon também não economiza no peso, apresentando boas variações e viradas. Mas o destaque maior é por conta novamente dos riffs secos e pesados de Mantas. E ainda "I Kneel to God", iniciando com pedais duplos, baixo trovejante e riffs cavalares, numa simbiose que confere um peso absurdo! Elementos mais tradicionais se fundem a timbres mais modernos e tonalidades mais baixas.


O Venom Inc mostra um trabalho superior ao que Cronos vem apresentando com o Venom, com um material mais interessante, trazendo uma ligação às características dos primeiros álbuns do grupo inglês, um dos precursores do Black Metal (não tanto em questões sonoras, como em atitude e temática), com melhor qualidade instrumental e em termos de criatividade, energia e produção. Mas acima de tudo, soando bem mais honesto, demonstrando que Mantas, Abaddon e Dolan estão com gana de mostrar um trabalho consistente, e não somente viver às custas de uma marca e glórias do passado. Estou do lado daqueles que proclamam este o "verdadeiro Venom"!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Venom Inc
Álbum: "Avé" 2017
Estilo: Thrash/Speed Metal, Heavy Metal
País: Inglaterra
Produção: Jeff Dunn
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Line-Up:
Tony "Demolition Man" Dolan: Baixo e Vocais
Jeff "Mantas": Guitarras
Anthony "Abaddon": Bateria


Tracklist:

1. Ave Satanas
2. Forged in Hell
3. Metal We Bleed
4. Dein Fleisch
5. Blood Stained
6. Time to Die
7. The Evil Dead
8. Preacher Man
9. War
10. I Kneel to No God
11. Black N' Roll

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terça-feira, 19 de julho de 2016

Datavenia: Estreia Madura e de Peso!



Formada em 2007 na cidade de Frederico Westphalen, interior do RS, o Datavenia chega ao seu primeiro full lenght, já com uma maturidade lapidada por quase uma década de estrada, experiência essa refletida nas dez faixas de "Welcome to the Underground", transpirando personalidade, peso, melodia e muitos riffs.

A primeira coisa que chamou a atenção, foi a produção excelente (o álbum foi produzido pela banda e por Moris Drumm, no estúdio Drumm), mostrando essa maturidade que comentei no início, ou seja, a banda buscou registrar seu debut, um passo importantíssimo, de maneira profissional e de qualidade. Ressalto isso porque em mais de 30 anos mergulhado neste cenário, ainda vejo muitos trabalhos com uma qualidade sofrível, o que é algo imperdoável, o álbum é o cartão de visitas, então, ótima primeira impressão do Datavenia.

Segundo, as composições são bem acabadas, maduras e o álbum é muito bem balanceado, com peso, melodia e boas variações nas 10 faixas, e as músicas tem o principal, elas te prendem, e dá vontade de você ouvir de novo. Fazer boa música parece ser algo simples para alguns e tão complicado para outros, não é mesmo?


Partindo para as músicas que compõem "Welcome to the Underground", posso citar como referências o Metallica, principalmente ali entre o "And Justice.." e o "Black Album", e também Pantera, Black Label Society e Iced Earth, resumindo, aquele Metal pesado, beirando o Thrash às vezes, mas sempre com melodia, com a cozinha pesadona e segura, muitos riffs, refrãos marcantes e os vocais rasgados de Guilherme Busatto, que lembram algo entre James Hetfield e John Bush, casando muito bem com a sonoridade da banda.

Na abertura, com a  faixa título, vocês de cara poderão perceber esses pontos que toquei acima, e o Heavy Metal pesado, com um pezinho no Thrash, riffs marcante e boas melodias, inclusive algumas intervenções discreta de teclado, mas somando-se muito bem a massa sonora do Datavenia. As referências à Metallica me parecem bem evidentes, destacando o grande refrão e os solos com o uso certeiro do wha-wha; "Hate to the Bones" é outra paulada, mais cadenciada, e novamente ressalte-se os riffs e refrão marcantes, além do peso da cozinha; "Metal God" tem aqueles riffs arrastados e abafados, tipo a "Walk" do Pantera, só pra citar uma referência. Abro parênteses para a letra, que, pelo que percebi, critica a atitude de alguns nessas questões de "o que é 'true' ou o que não é".


"Even if Dies" começa com ótimos riffs, em um andamento mais acelerado e porrada, alternando com trechos mais cadenciados e melódicos; "The Last Chance" traz um pouquinho de calmaria, sendo aquela típica balada Metal, destacando os violões e solos bem melodiosos, com os teclados contribuindo de forma mais marcante. Como referência, citaria o Black Label Society, Zakk Wylde é um expert em baladas pesadas.

"Hot Ginger Woman" segue carimbando a qualidade e o equilíbrio do álbum, que volto a ressaltar, é bem balanceado, mas sem perder a personalidade, como acontece às vezes de algumas bandas atirarem em várias direções, mas sem uma coesão. Voltando à música, ela tem um andamento estilo Blues, um Heavy Blues, destacando os Hammonds, que sempre são perfeitos para que uma canção soe ou traga traços "setentistas"; "Bang your Head" é outra com andamento mais acelerado, não economiza peso, principalmente na cozinha, e com Busatto até beirando o gutural, num Heavy/Thrash que me lembrou o Anthrax.

Seguindo essa boa dinâmica do álbum, "Bad Days" é um dos destaques, soando meio melancólica, com bases pesadas, cadenciadas, densas e melódicas, inclusive com os teclados novamente sendo bem colocados, deixando a canção com um ar épico; "Rescue Me" e sua base arrastada e compassada mantém a qualidade, com muito peso e melodia, e parece inesgotável a fonte de bons riffs e refrãos da banda; "Unprotected" Thrash moderno, pesado e com aquele andamento meio tempo, invoca mais uma vez o grande Pantera, fechando o álbum da maneira que abriu, com peso, melodia e personalidade.


"Welcome to the Underground" deixa as melhores impressões, mostrando uma banda madura, produção profissional, trazendo 10 composições muito boas, com peso, melodia e boa diversidade. Traz o que se espera de um álbum bom de Metal, ou seja, riffs e refrãos marcantes, cozinha pesada e bons solos, e o mais importante, aquilo que ressaltei no início, músicas que são marcantes, que dão vontade de ouvir de novo, que a melodia e o refrão grudam na mente.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Datavenia
Álbum: "Welcome to the Underground" (2016)
Estilo: Heavy/Thrash
País: Brasil
Produção: Datavenia e Moris Drumm
Design Gráfico: Carlos Trelles
Selo: Independente

Contatos: 
bandadatavenia@gmail.com

Line-Up:
Guilherme Busatto: Vocals & Guitars
Guilherme Argenta: Bass & Backing Vocals
Eduardo Pegoraro: Drums
Gabriel Quatrin: Guitars

Track List:
Welcome to the Underground (clique no link e assista ao clipe)
Hate to the Bones
Metal God
Even if it Dies
The Last Chance
Hot Ginger Woman
Bang Your Head
Bad Days
Rescue Me
Unprotected


segunda-feira, 9 de maio de 2016

M PIRE OF EVIL – Revisitando o passado com classe




Este disco é uma compilação de músicas do VENOM, aqui regravadas com uma produção atualizada, mas mantendo a potência, crueza e peso característicos da banda. Foram revisitados sons dos discos "Temples Of Ice", "Prime Evil" e "The Waste Lands", todos do início dos anos 90.

Como mencionado no início "Crucified" traz uma produção ‘crua’ mas com uma perfeita audição de todos os instrumentos (esta versão foi remasterizada especialmente para este lançamento na América do Sul), denotando às músicas uma impressão ‘na cara’, potencializando sobremaneira seus efeitos.

A trinca que abre o álbum é de alto calibre: “Temples Of Ice”, “Parasite” e “Kissing The Beast”. Já numa linha um pouco diferente vem “Blackened Are The Priests”, um som mais trampadão; “Carnivorous” vem com riffs nervosos e vocais doentios; “Black Legions” e “Need To Kill” são puro Speed, com destaque pro batera Marc que mostra boa desenvoltura.





“Wolverine” traz bons solos; “Crucified” dá uma amenizada na velocidade e cadencia o álbum, antes de terminar com dois sons inéditos: “Demone” e “Taking It All”. A primeira é um soco na cara, pedrada quase Death Metal. A segunda também apresenta rifferama e vocais ensandecidos característicos de Tony “Demolition Man” Dolan.Mesmo se tratando de uma Compilação, o álbum é uma boa pedida para os fãs ou para aqueles que não conhecem muito da fase com Tony. 

O batera Marc “JXN” Jackson faz um trampo estupendo, tocando com técnica e pegada firmes. Mantas faz o que sempre fez, despeja riffs e toca com afinco, é impressionante a capacidade de extrair um peso avassalador de suas seis cordas.

Enfim, Crucified é um baita disco de Metal, independente da subdivisão que aprecias.


Texto: Marcello Camargo
Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Banda: M Pire Of Evil
Álbum: “Crucified”
Estilo: Death/Thrash Metal
País: Inglaterra
Selo: Shinigami Records



Line-up:
Tony “Demolition Man” Dolan – Vocals/Bass
Mantas – Guitars
Marc “JXN” Jackson – Drums


Track List
Temples of Ice
Parasite
Kissing the Beast
Blackened are the Priests
Carnivorous
Black Legions
Need to Kill
Wolverine
Cucified
Demone
Taking All