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sábado, 28 de janeiro de 2017

My Dying Bride: A Beleza na Melancolia



O MY DYING BRIDE é uma daquelas bandas que possui uma forma bem própria de fazer música, sempre tendo como força motriz a mente criativa do seu mentor, Aaron Stainthorpe, convidando ao ouvinte a uma viagem, no mínimo interessante, com sua sonoridade densa, pesada, em sua maior parte lenta e "arrastada", de melodias melancólicas, belas, porém capazes de reações diversas, como angústia e introspecção.

De um passado onde a sua música era mais extrema, com maior predominância de vocais guturais, sendo um dos pioneiros do Death/Doom, passando por muitas trocas de formação, fases diferentes, inclusive se enveredando pela Electronic/Avantgarde music (quem lembra daquela álbum com título esquisito "1999's 34,788%"?), mas o peso e elementos do seu início, foram retornando, e as experiências mostraram que era uma banda ousada, foram ficando mais técnicos, lapidando essa identidade, mas mesmo com mais melodia e vocais mais limpos, o peso e densidade dos opus musicais melancólicos, por vezes longos, e complexos do My Dying Bride permanecem como características fortes.


Álbuns de bandas tão peculiares e complexas como o MY DYING BRIDE sempre são um exercício interessante, que requer audições cuidadosas, e que pode causar estranheza aos ouvidos que terão um primeiro contato com a música dos ingleses. Em "Feel the Mysery", que marca o retorno do guitarrista Calvin Robertshaw, a banda segue por um caminho que já vem sendo mais tradicional em seus últimos trabalhos, e é esta sonoridade que traduz melhor a identidade do grupo, talvez até mais direta com relação aos arranjos de teclados e violinos, o certo é que é um grande trabalho, um dos mais consistentes dos mais recentes.

Possui grandes momentos, como a abertura "And My Father Left Forever", bem dinâmica, em um andamento mais enérgico, riffs em palm-mute, peso descomunal, variações mais arrastadas, que ganham um toque mais melancólico com os violinos, destacando o trabalho muito bom nas guitarras. Grande abertura!
"To Shiver in Empty Halls" transborda peso, com os vocais mais urrados, e mantendo o magnífico trabalhos nas guitarras; "A Cold New Curse" as guitarras mais uma vez se destacam, apoiadas pelo muro sólido da cozinha. Uma faixa que alterna partes extremamente pesadas, com trechos quase etéreos e reflexivos.


"Feel the Misery", A faixa título chega grandiosa, estilo trilha sonora de um filme dramático, acho que é essa palavra que eu procurava: "dramaticidade". Algo explícito nesta faixa; "A Thorn of Wisdom" traz uma brisa de calmaria, onde linhas de teclado melancólicas e baixo e bateria fazem a cama para os vocais amargurados de Stainthorpe;

"I Celebrate Your Skin" tem um peso descomunal, andamento arrastado, que você se sente como se estivesse carregando uma pesada cruz; "I Almost Loved You" é um opus de belas e profundas melodias melancólicas, liderada pelos teclados; "Within a Sleeping Forest", fecha o álbum de forma grandiosa, sendo, ao lado da "And my Father...", as melhores do álbum. Belas melodias das guitarras e violinos, climática, grave e arrastada, com momentos de peso absurdo, destacando o trabalho da batera e baixo. Gloomy Doom de qualidade.


Cada  faixa tem suas peculiaridades e muitos detalhes, um álbum para ser apreciado com muita calma, a fim de degustar cada momento que a música bela, pesada, melancólica e por vezes complexa, que o My Dying Bride produz. Um grande álbum com certeza, os fãs da banda e do estilo nada terão a reclamar. 

Detalhe para os agradecimentos da banda no encarte, onde Aaron Stainthorpe escreve: "Gostaria de dizer olá e obrigado a ninguém." Aí até desconfio o porque da música melancólica e amargurada de sua banda soar tão verdadeira.

Texto/Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: My Dying Bride
Álbum: "Feel the Misery"
País: Inglaterra
Estilo: Doom Metal
Engenheiro de som: Dan Mullins (também gravou bateria e percussão)
Selo: Peaceville/Shinigami Records

Adquira o álbum na SHINIGAMI

Line-Up:
Aaron Stainthorpe: Vocais e Guitarra
Calvin Robertshaw: Guitarra
Lena Abe: Baixo
Shawn Macgowan: Violino e Teclados
Andrew Craighan: Guitarra

Track List:
And My Father Left Forever
To Shiver in Empty Halls
A Cold New Curse
Feel the Misery
A Thorn of Wisdom
I Celebrate Your Skin
I Almost Loved You
Within a Sleeping Forest

Canais Oficiais:
Site
Facebook
Youtube


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

My Dying Bride: Assombrosa Beleza

Um dos maiores expoentes da história do Doom Metal lança novo álbum 


No já distante ano de 1992, o mundo conheceu toda a beleza e crueldade do My Dying Bride que estreia com o enigmático e encantador “As The Flower Withers”. A partir dali, por mais que tenha sofrido pequenas derrapadas, o grupo sempre capitaneado por Aaron Stainthorpe manteve sua essência e fidelidade ao Doom Metal carregado de uma dose latente de romantismo e desespero, essas características o colocaram há anos luz de grupos como Anathema e Paradise Lost, por mais que esse último tenha recuperado o fôlego nos mais recentes lançamentos.

Grupo havia lançado EP que dava mostras do que poderia ser esperado do próximo álbum

E nesse 12º trabalho, a banda mostrou que caminha a passos largos para tomar de assalto o trono do Metal da escuridão. Sem exageros em dizer que “A Map of All Our Failures" (2012) é melancólico, erudito, agressivo e marcante: ouça e veja toda a alegria do ambiente sumir ou se gostas de um som mais “depressivo” poderá até esboçar um leve sorriso.

A sensação que dá é que toda a banda ouviu sua discografia e buscou os melhores elementos para colocar num único trabalho, fazendo, assim, um divisor de águas na sua carreira.

Ouça “A Tapestry Scorned", onde toda a veia gótica do MDB é exaltada. Repare que mesmo sendo uma faixa bem intimista, ela apresenta momentos de agressividade única; "Kneel Till Doomsday", abre o trabalho com aquela influência de Death Metal tão bem vinda da década de 90 e que infelizmente tinha sido esquecida pela banda.

Em “The Poorest Waltz”, Aaron rouba a cena com seus vocais diversificados, característica essa que permite dizer que ele é um dos maiores vocalistas da atualidade no gênero, performático e dramático. “Hail Odysseus” prova todos esses adjetivos. 

O EP lançado no ano passado “The Barghest O’ Whitby” dava uma pista do que esperar desse álbum, mas nada poderia ser mais gratificante do que ouvir obras como a faixa titulo e versos como “onde estava Deus quando eu mais precisava dele?", presente na última fixa, a caótica “Abandoned as Christ”.

Em uma tradução literal “Um mapa de todos os nossos fracassos” prova que MDB não é apenas uma das bandas mais fieis ao Doom, mas que eles continuam sendo um dos seus pilares e tem o poder de manter o estilo vivo. Recomendável para todos aqueles que já conhecem a banda e para os novos fãs que procuram conhecer o Metal na sua essência mais obscura.

Texto: Harley 
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: My Dying Bride
Álbum: A Map Of All Failures
Ano: 2012 
País: Inglaterra
Tipo: Doom Metal 

Formação
Aaron (Vocal)
Andrew (Guitarra)
Hamish (Guitarra)
Lena (Baixo)
Shaun (Teclados e Violinos)



Tracklist:
1. Kneel Till Doomsday
2. The Poorest Waltz
3. A Tapestry Scorned
4. Like a Perpetual Funeral
5. A Map of All Our Failures
6. Hail Odysseus
7. Within the Presence of Absence
8. Abandoned as Christ

Acesse e conheça mais a banda
Site Oficial
Facebook
 
Ouça "A Tapestry Scorned"

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

My Dying Bride Revisitando Toda Sua Obra em Apenas Uma Canção


Reencontrando-se com a sonoridade clássica


O ano de 2011 foi sem dúvida especial para o My Dying Bride, afinal de contas a banda estava marcando nada mais nada menos que 20 anos de carreira. 

Evidente que uma data tão emblemática não poderia passar em branco e primeiramente os fãs foram presenteados com o álbum duplo “Evinta” que trazia releituras de clássicos da banda em um formato ainda mais atmosférico e denso, uma proposta muito interessante, só que existia ai um porém, pois os fãs (assim como eu) que admiram os momentos mais pesados do grupo britânico ficaram meio ansiosos, mas ao ouvir esse novo lançamento posso dizer sem sombra de dúvida que todos os fãs do My Dying Bride terão motivos de sobra para comemorar.


My Dying Bride: 20 anos de história

O grupo atualmente formado por Aaron Stainthorpe (vocal), Andrew Graighan e Hamish Glencross  (guitarras), Lena Abe (baixo), Shaun Mac Gowan (violino) e Shaun Taylor Steels (bateria) vem com esse EP apresentando apenas uma música, “The Barghest O’ Whitby” que ao longo de seus 27 minutos consegue trazer elementos de todos seus trabalhos anteriores e ainda por cima mostrar que tem vitalidade para continuar firme na sua carreira.

Aaron Stainthorpe (Vocal)
Difícil transmitir todos as nuances que essa música apresenta, ao inicio tudo que você ouve é uma tempestade e o violino (que muitas vezes na carreira da banda soa como uma terceira guitarra) ao fundo, vindo logo depois guitarras esbanjando melancolia e a voz de Aaron gutural mais contida e declamada, lembrando aquele clima lúgubre de “The Angel and The Dark River” (1995) só que lá pelos 7 minutos a primeira mudança: Aaron vai variando os seus vocais, a bateria coloca um ritmo intenso e os tempos gloriosos de “Turn Loose The Swans” (1993) retornam surpreendente, para dizer o mínimo, acompanhando a letra você fica sabendo sobre uma lenda antiga de uma criatura (que aparece na capa) que rondava por Yorkshire, terra natal do grupo.

O ritmo vai diminuindo e uma sessão acústica vem prescindindo o retorno da tempestade em tons mais fantasmagóricos. A melodia dos movimentos iniciais da música vai retornando e quando você pensa que esta chegando o final da peça uma pequena pausa para o grand finale, uma poderosa seqüência do verdadeiro Doom/Death Metal que fez a fama do grupo na década de 90 e como é bom ver Aaron expulsando seus demônios com há tempo não fazia. Impossível não lembrar de trabalhos primordiais como o fantástico “As The Flowers Winthers” (1991) apoteótico, para dizer o mínimo.

Ao final de tudo fica mais do que evidenciado que por mais que tenha flertado com sonoridades mais distantes, o My Dying Bride sempre foi fiel ao seu estilo e ao lado do Paradise Lost mantém viva a chama do Doom Metal inglês (pena que o Anathema esqueceu como se faz).

Texto: Luiz Harley
Revisão/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação e http://www.listal.com/viewimage/2272799

Ficha Técnica
Banda: My Dying Bride
Álbum: The Barghest O’ Whitby
Ano: 2011
País: Reino Unido
Tipo: Doom Metal

Formação
Aaron Stainthorpe (vocal)
Andrew Graighan (guitarra)
Hamish Glencross (guitarras)
Lena Abe (baixo)
Shaun Mac Gowan (violino)
Shaun Taylor Steels (bateria)



Tracklist 
01. The Barghest O’ Whitby

Conheça mais sobre a banda

sábado, 12 de dezembro de 2009

My Dying Bride: Terceiro Pilar do Doom Metal



A Inglaterra não é uma nação tão famosa por bandas de doom Metal, mas é de lá que surge, em 1990, uma das grandes do gênero, My Dying Bride. A banda que iniciu mesclando Death com Doom Metal, passou por algumas alterações sonoras, nada muito significativo, mas que apresentava a banda de maneiras distintas, um reflexo também da passagem de várioss músicos pelo grupo.

Este ano o grupo lançou seu 10º disco nessas quase duas décadas de Doom Metal. “For Lies I Sire” (2009) surgiu em março deste ano e foi aclamado pela mídia (e, claro, pela própria banda) como o melhor trabalho até então, incusive com o retorno de violinos às músicas. Além desse álbum, a banda liberou o single “Bring Me Victory” (2009).

Esta é a terceira grande banda de Doom Metal que neste ano lançou material inédito em cd completo, depois de três anos desde o último lançamento. É o caso também de Candlemass e Katatonia (confira aqui no blog as resenhas de seus álbuns).

Porém, a banda traz um diferencial neste álbum em relação aos lançamentos das demais, que são os instrumentos como violinos, tocados magistralmente. Além disso, a banda neste álbum está mais direta, com músicas empolgantes, o que é dificil de crer quando falamos em Doom Metal.

Aos fãs que esperavam material inédito desde 2006, quando lançaram o também ótimo “A Line of Deathless Kings”, este novo álbum vai agradá-los, absolutamente. A banda está ai para bater de frente com as já citadas referências do gênero.

Eu não saberia dizer qual dos álbuns desse gênero lançados este ano é o melhor, tamanha a qualidade que as bandas estão empregando, ao mesmo tempo em que resgatam o verdadeiro Doom Metal.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica


Banda: My Dying Bride
Álbum: For Lies I Sire
Ano: 2009
Tipo: Doom Metal
País: Inglaterra

Formação

Aaron Stainthorpe – Vocal
Hamish Glencross - Guitarra
Andrew Craighan - Guitarra
Dan Mullins - Bateria
Lena Abé - Baixo



Tracklist

1.My Body, a Funeral
2.Fall with Me
3.The Lies I Sire
4.Bring Me Victory
5.Echoes from a Hollow Soul
6.ShadowHaunt
7.Santuario di Sangue
8.A Chapter in Loathing
9.Death Triumphant