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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Cobertura de Show - Metal All Stars: São Paulo Diante das Estrelas


Onde cabem as Américas, cabe o mundo.

Uma casa que despeja esplendor, espaço e infraestrutura digna do nome que sustenta. Com capacidade para oito mil pessoas o Espaço das Américas (reinaugurado em 2012) contou com uma equipe numerosa de seguranças e muito bem treinada. Em outro momento, prestando todo suporte aos seguranças, uma equipe de bombeiros e socorristas que estiveram presentes durante o show.

Praticamente não precisaram entrar em ação, salvo algum fã que insistiu em fumar dentro do local. O evento estava bem sinalizado quanto às questões que dizem respeito a este assunto. Pois bem, foi um cigarro bem caro. A escolha da casa para realizar o Metal All Stars 2014, foi perfeita. Nas demais situações correu tudo de forma excelente: Credenciamento, recepção, condução até a área reservada à imprensa e no durante o show. Parabéns para toda equipe da casa, o Brasil precisa de mais casas de show com essa qualidade e respeito.


Hora de fritar borracha no asfalto.

A noite teve inicio com as bandas que foram responsáveis por incendiar o estopim. Primeiramente chega ao palco a brasileira Capadocia. Abriram com três de suas composições: “Survival Instinct”, “Everybody Hates Everybody” e “Lord of Chaos”. Na sequência emendaram o clássico do Metallica “Blackened”.

Deste ponto em diante já se pode sentir a temperatura se elevar no ambiente, agitaram pularam e mostraram o motivo de terem sidos colocados no palco das estrelas. Fizeram mais algumas músicas sempre com a energia atingindo níveis máximos, Gustavo Togneti (baixo) arriscou perder os dred’s da cabeça de tanto “bangear”. Já partindo para finalização da apresentação dispararam um medley do poderoso Slayer, “Spirits in Black” e “Ghost of War”.

Setlist Capadocia:

1 - Survival Instinct
2 - Everybody Hates Everybody
3 - Lord OF Chaos
4 - Blackened (Metallica)
5 - Stay Awake
6 - Leaders in the Fog
7 - Standing Still
8 - Spirit in Black - Ghost of War (Slayer)
9 - Snake Skin


Após a Capadocia sair do palco, era chegada a hora da Project 46 tomar a responsabilidade de seguir “amaciando” o público para o que estava por vir. Na ativa desde 2008, a jovem banda vem arrastando uma legião de fãs e isto se justifica pela qualidade sonora, postura de palco e as composições.

No próprio Facebook da banda, eles se autodescrevem como “Metal Soco na Cara”. Bom, quem viu a apresentação da banda no Metal Allstars 2014, entendeu perfeitamente a razão deste título. Caio MacBeserra (vocal) comandou a frente de guerra da Wall Of Death ao som de “Acorda Pra Vida”. Foi impressionante ver o Espaço das Américas dividido ao meio por alguns segundos. Um show no palco e fora dele, distribuindo simpatia e apertos de mãos antes do show para quem estivesse pela pista. Parabéns a Project 46, esperamos vê-los em breve novamente, pois são motivos de orgulho para o Metal nacional.

Setlist Project 46:

1 - Violência Gratuita
2 - Desordem E Progresso
3 - Vergonha Na Cara
4 - No Rastro Do Medo
5 - Na Vala
6 - Empedrado
7 - Impunidade
8 - Foda-se
9 - Acorda Pra Vida


Palco devidamente aquecido é chegada a hora de trazer a terceira banda de abertura. Com experiência de mais de 30 anos de palco e estrada, o Korzus inicia a apresentação com um único objetivo: Puxar o pino da granada e promover uma verdadeira sessão de “descarrego”, tamanha a sensação de alma lavada sentida após a apresentação da banda.

Os músicos tomam o palco sem muita explicação, mas logo nas primeiras pausas entre as músicas, Marcello Pompeu (Vocal) pergunta para o público se eles não estavam notando nada de estranho com a Korzus naquela noite. Dick Siebert não estava com o baixo nas mãos, alias as mesmas mãos impossibilitaram de trabalhar, por conta de um acidente envolvendo os tendões, mas isso não quer dizer que ele não deu as caras na noite.


No lugar do maior headbanger do Brasil (segundo Pompeu) entrou o Marcelo “Soldado” Nejem (que já esteve ao lado da Korzus na década de 90). Não ver o Dick no palco no início da noite, foi uma grande surpresa. Porém ouvir o Soldado no palco foi uma grande e agradável sensação. O Korzus “encerrou o começo” da noite em clima de alta octanagem e de muita elevação de adrenalina. Confesso que senti falta da “Vampiro”, música que compõe o trabalho mais recente “Legion”, mas definitivamente o Korzus fez o show da noite, patrolando os demais como se fosse um tanque de guerra russo T-90, disparando à queima-roupas.

Setlist Korzus:

1 - Lifeline
2 - Raise Your Soul
3 - What Are You Looking For
4 - Bleeding Pride
5 - Never Die
6 - Correria (com Bill Hudson)
7 - Intro / Agony
8 - Internally
9 - Guilty Silence
10 - Truth
11 – Legion


A constelação.

Pois bem, chegou o momento mais esperado da noite, hora de reposicionar os holofotes com potência máxima. O palco da casa manteve a tradição dos velhos teatros do passado, conservando a cortina que dá grandeza maior ao começo de cada show. Dessa vez a cortina se abre e quem está no palco é David Ellefson (Megadeth), Ross “The Boss” (ex-Manowar), Kobra Paige (Kobra and the Lotus) e na bateria Rodrigo Oliveira (Korzus). Ellefson e Ross fizeram a sonoridade brotar pelos poros e aparentemente sem precisar cometer nenhum esforço, simplesmente à música era parte dos deles, tal como fosse um olhar, um sorriso ou um suspiro.


Kobra sempre enérgica indo de um lado para o outro do palco e interagindo frequentemente com a multidão. Abriram a apresentação com um clássico do Manowar “Kings of Metal” (se bem que chamar uma ou outra música de “clássico” é até injustiça). Exalando sensualidade e beleza, Kobra ao mesmo tempo, frágil e imponente no palco, comandou a apresentação com maestria. Durante a execução da “Symphony of Destruction”, o público em coro realizou o tradicional chamado ao Megadeth, sonoramente entre um riff e outro.

Setlist Kobra Paige:

1 - Kings of Metal (Manowar)
2 - Fear of the Dark (Iron Maiden)
3 - Hail and Kill (Manowar)
4 - Symphony of Destruction (Megadeth)


Após finalizar esse bloco, Kobra chama novo vocalista ao palco, era a vez da lenda, Geoff Tate. Ele que esteve desde 1982 até 2012 como frontman do Queensrÿche, fez uma breve apresentação, porém não menos enérgica e apoteótica que a anterior. Neste caso, a experiência falou mais alto. Ainda acompanhado por Ross, Ellefson e Vinny Appice, Tate trouxe mais um convidado ao palco: Kiko Loureiro (Angra).


Setlist Geoff Tate:



Sai à lenda para dar lugar ao ícone do Metal progressivo. James Labrie assume para uma apresentação rápida também. Ainda assim, fez questão de reforçar o time e trouxe ao palco Bill Hudson e Felipe Andreoli, dois convidados de peso. Fez a galera bater cabeça com a “I Got You”, mas foi com “Pull me Under” que a turma, uníssona, fez com que o salão soubesse que, naquela noite, ninguém estava lá para brincadeiras. Talvez movido pela empolgação, Labrie em alguns momentos elevou tanto a voz que ela soou aguda em demasiado.

Setlist James Labrie:



Labrie encerra sua participação e se despede do palco, como se houvesse esquecido algo ele retorna apressado e anuncia Max Cavalera. Alias da mesma maneira que Labrie retornou ao palco para anunciá-lo, Max toma o mesmo (como se houvesse esquecido algo) não trazendo nada nas mãos, além dos dedos. Parecia como se estivesse faltando algo e até que então ele se pronuncia:

“- Desculpa ai galera, mas não sei onde está minha guitarra. Acho que ficou no hotel, hoje vai ser só voz, blz!” A guitarra ficaria à cargos do Ross.


Quando de repente entra um roadie correndo no palco e entrega a guitarra pro Max. Brincadeira ou não, foi muito engraçado e arrancou algumas risadas e bons momentos pra turma (a cara de alívio do Max ao ver a guitarra, me diz que não era brincadeira).

Bom, tudo onde deveria estar então hora de despejar a desgraceira, mas não antes de estender a bandeira do Brasil sobre o degrau ao fundo do palco, ao lado da bateria do Rodrigo Oliveira. Choque de gerações no palco proporcionou um momento único, Ross The Boss tentando achar a “Roots Bloody Roots” na guitarra para acompanhar Max.


Deve ter pensado: “Como ele compôs isso?”. E para finalizar o massacre, Max personifica uma locomotiva tocando “The Ace Of Spades”, suportado por Ross The Boss e David Ellefson (haja coração).

Setlist Max Cavalera:

1 - Roots Bloody Roots (Sepultura)
2 - Eye for an Eye (Soulfly)
3 - Ace of Spades (Motörhead)


Para encerrar a noite, assume o palco Zakk (Ogro da montanha) Wylde. O guitarrista não “entra” no palco, é como se o palco fosse possuído pela presença do artista. Nesta noite entendi um pouco do que os fãs do artista sentem quando o ouvem ou presenciam suas execuções.

Todos os shows anteriores foram de grandeza infinita, mas se o “durante a noite” foi dessa imensidão, o “encerramento” só poderia ser passível de um verdadeiro cataclisma de riffs magnéticos proferidos pelo Sr. Zakk (meus novos ouvidos “Zakkianos”, talvez me reclamassem um pouco da duração dos riffs. Mas Ok, estou no caminho).


Certamente foi o ponto alto da noite, já que o público respondeu a apresentação do guitarrista com muito mais energia. Isso é de fácil explicação, pois para cada quatro coletes da BLS, se via uma camiseta de outra banda. Wylde esteve no palco acompanhado de Rob "Blasko" Nicholson no baixo e Vinny Appice na batera.

Setlist Zakk Wylde:

1 - Into the Void (Black Sabbath)
2 - Fairies Wear Boots (Black Sabbath)
3 - N.I.B. (Black Sabbath)
4 - Snowblind (Black Sabbath)
5 - War Pigs (Black Sabbath)


O Metal All Stars 2014, encerrou a noite com satisfação. Não total por conta de alguns cancelamentos que ocorreram nas 48h que antecederam o espetáculo. Obvio que por conta dos cancelamentos o Meet and Greet foi prejudicado. Enquanto esperava a liberação para imprensa, cheguei a ouvir alguém uniformizado pelo Metal All Stars 2014 falando para um fã que havia adquirido o Meet:

 “- Se você perdeu o interesse no Meet porque seu artista não veio, tenta estorno na fatura do cartão. Os artistas estarão no palco essa noite, mas pra nós, vocês é que são as estrelas aqui e não podem ser lesados.”

Tão logo souberam dos cancelamentos, a produtora do Metal All Stars emitiu um comunicado dizendo que, para quem quisesse trocar o ingresso pelo dinheiro, era só se dirigir à bilheteria e realizar o procedimento. Enfim, existem vários canais exaurindo esse assunto, não há necessidade de retornar nesse ponto. O que presenciamos foi uma produtora que está disposta a negociar com os clientes que não ficaram satisfeitos.

O Maior número dos artistas esteve presente e o que vimos foram nossas bandas nacionais arrasando em uma noite que ficou entalhada nos pergaminhos do Metal.

Pois que venham muitos pela frente, só esperamos estar por lá novamente. Parabéns à Top Entretenimento, Espaço das Américas e todos os Metalheads que fizeram da noite do dia 22 de novembro de 2014, uma noite inesquecível.


Cobertura por: Uillian Vargas
Fotos: Uillian Vargas
Edição/revisão: Renato Sanson 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Enxurrada de Vídeo Clipes Movimenta o Metal Nacional



Nada do famoso clichê “o Metal brasileiro não deve nada aos gringos”, pois qualquer pessoa com o mínimo de senso musical sabe que o Brasil é, sim, uma das grandes potências do Metal mundial e não é de hoje.

Mas, com a evolução tecnológica, o maior poder aquisitivo no país e profissionalismo na área, temos visto uma enxurrada de vídeo clipes promocionais de bandas do nosso país que, de cara, já impressionam pela qualidade.

Eu já havia feito uma matéria sobre os melhores de 2011, mas, para não cair na repetição, pensei em oferecer ao leitor do Road to Metal um texto dando conta dos principais lançamentos em termos de vídeo clipes promocionais, que já aconteceram neste jovem ano de 2013. 

Será que houve tantos lançamentos assim apenas em um mês? Você vai se impressionar.

E a lista começa com a música “Justice Done By Betrayers”, da banda porto-alegrense Distraught, que traz nesse clipe um grito clamando pela justiça, sendo o primeiro clipe do aclamado “The Human Negligence is Repugnant”, lançado em 2012 e que, disparado, foi um dos melhores trabalhos da cena nacional do ano passado. O vídeo clipe foi gravado na capital gaúcha, num arranha-céus e traz a banda numa grande interpretação, desta, que tem tudo para se tornar mais um clássico do Thrash Metal. 


Mais recentemente, bandas como Panndora, Andragonia, Slasher, Project46, Brave, Hydria, Cursed Slaughter e, no último dia do mês, Almah, lançaram vídeo clipes e, sem exceção, o que temos é alta qualidade, à exemplo da já citada banda Distraught.

Nos últimos dias de janeiro, tivemos a oportunidade de conferir o vídeo clipe da banda Panndora, formada apenas por mulheres que, mostrando talento desde muito tempo, trazem a música “Cold Eyes” do seu mais recente EP "Behind the Crime”, cuja matéria específica você encontra aqui. De modo geral, a banda, que batalha no underground e que já passou por várias mudanças de formação, mostra uma qualidade acima da média, salvo as proporções, já que um grupo de Maringá/PR, ainda mais formado apenas por mulheres e com um som tradicional, sem apelos juvenis atuais, deve sofrer para manter-se, mas nos ofereceu um clipe de gente grande.


Pouco depois, as bandas Slasher, Project46 e Andragonia, todas do cast da Island Press Assessoria, lançaram seus novos vídeo clipes. Slahser trouxe à vida “Overcome”, seu mais novo single, faixa do vindouro álbum “Katharsis” e que traz como grande destaque a produção do dinamarquês de Tue Madsen. O vídeo, à exemplo dos anteriores dos paulistas, traz perfeitamente a sonoridade da banda em termos visuais, mostrando porque é um dos grandes nomes do Thrash Metal brasileiro.



Já a Project46 segue divulgando o disco “Doa a Quem Doer”, lançando o 4º vídeo clipe oficial do mesmo, desta feita destacando a faixa “Acorda para a Vida”, com cenas da passagem de grande sucesso da banda pelo Chile, no fim de 2012, onde arrebatou ainda mais fãs e mostra que, da nova geração do Metal nacional, é, provavelmente, um dos maiores nomes e um dos primeiros a estar obtendo reconhecimento internacional, sempre recebendo altos elogios por onde tocam. À exemplo da energia da banda, o vídeo clipe te coloca a bater cabeça diante da sonoridade forte do grupo, que não abre mão de cantar em português (mesmo com histórico anterior na língua da Rainha).


Na mesma data, os outros paulistanos do Andragonia lançam o vídeo clipe “Threshold”, faixa que compõe o recente “Memories” (2012), que há meses está disponível para download gratuito. Particularmente, vejo a música como uma escolha não das mais ideias, pois há algumas outras faixas no álbum que superam a citada, como “When Silence Meets the Sorrow” e “Betrayed By the Heart”, que merecem receber maior atenção. Este é o primeiro vídeo desde “At My Side”, a belíssima canção lançada antes do novo álbum.


A banda Cursed Slaughter, no meio de janeiro, liberou “Metal Moshing Thrash Machine”, clipe para faixa título de seu álbum mais recente, lançado em 2012. Os paulistas não apelaram para grande produção, usando cenas de palco mesmo, sem firulas, mas transbordando energia.


A jovem banda Hydria, que tem agradado fãs de bandas como Evanescence, Lacuna Coil, Within Temptation e afins, tem tudo para angariar muitos fãs, sobretudo jovens, com uma sonoridade moderna, com bastante talento, dosando a melodia com muita competência em “Monsters and Angels”, música que inclusive é trilha sonora do curta nacional "Percepção Além dos Sentidos" e deverá estar no álbum “Freakshow”, que será lançado em breve. Quem sabe, deste lançamento, nasça mais uma musa do Metal nacional, já que a vocalista Raquel Schüler. Aliás, a banda está a todo vapor, tendo já há tempos lançado várias ótimas versões cover, como uma sensacional para “Hey You” (Pink Floyd).


Do lado do chamado “True Metal”, a banda Brave lançou “The Last Battle”, faixa-título do seu primeiro full-lenght lançado fim do ano passado. Clipe perfeito para a proposta da banda que, se para uma parcela pode ser muito batido (alguém aí citou Manowar, Dio, Grave Digger, etc?), não desmerece a qualidade sonora e a produção do grupo, que não mediu esforços em recriar um ambiente medieval europeu em pleno Brasil, contando com o grupo teatral "Ordo Draconis Belli".


Por fim, no último dia do mês, o Almah, agora com dedicação total de Edu Falaschi que deixou o Angra ano passado, deu vida em vídeo à “Living and Drifting”, segunda faixa do disco “Motion” (2011) e o 4º vídeo promocional do álbum. Vale comentar que a letra foi composta por Felipe Andreoli (Angra), que já não faz mais parte da banda e, por isso, não participa do vídeo clipe que traz um aspecto muito contemporâneo: fãs ao redor do mundo curtindo a banda através da internet. Se não é o melhor dos vídeos do álbum, é sim, disparado, o de melhor produção.


Depois dessa enxurrada, ficamos cada vez mais exigentes por vídeo clipes de qualidade, pois, como bem podemos observar, a cena nacional tem se destacado também nas telinhas. Apoie o Metal nacional, divulgue e conheça novas bandas.

Stay on the Road

Obs: citamos apenas alguns. Caso deixamos algum fora da lista, comente abaixo e poste o link. Participe!


Texto e edição: Eduardo Cadore
Revisão: Renato Sanson
Fotos/vídeos: Divulgação (banner do projeto "Brasil Heavy Metal", que estamos ansiosos pelo lançamento)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Entrevista: Project46 – Agressividade Sonora a Serviço da União Underground




“Você só fala, incapaz de agir!”. É isso que diz uma das letras da banda paulista Project46, porém os guris da banda, na verdade, agem e muito, com letras ácidas e postura anti- comodismo. Podemos dizer que o Project46 é um grande destaque das bandas da nova geração.

Mas engana-se quem pensa que a estrada foi curta. Iniciando como um cover de Slipknot, o que serviu de base para uma sonoridade bem mais pesada e com muita raiva. Atualmente a banda é composta por Caio MacBeserra (vocal), Jean Patton e Vinicius Castelallari (guitarras), Rafael Yamada (baixo e vocal) e Henrique Pucci (bateria). Com um trabalho (“Doa a Quem Doer”) que arrancou elogios e uma turnê internacional marcada, o Road tem o prazer de trocar ideia com essa revelação, nas pessoas de Henrique e Rafael. Então, está pronto para acordar para vida?

Road to Metal: Hail Project46! Primeiramente, obrigado pelo tempo para responder nossa entrevista.  A primeira pergunta não poderia ser outra: como foi a transição de banda cover do Slipknot (muito boa por sinal, com direito a máscaras e tudo) para um trabalho autoral?

Rafael Yamada: Opa, eu que tenho que agradecer pelo interesse e pelo espaço. A transição não foi proposital e foi bem lenta, na verdade não sei se foi bem uma transição, pois nos juntamos pra compor algum tempo depois do termino do Kroach. Como somos todos amigos de infância, fora o Henrique, que entrou depois, foi bem natural essa aproximação.

"É isso que sabemos fazer, metal pesado soco na cara, dois pés no peito, curto e grosso, e em português"

RtM: Conheci a banda através do clipe no Youtube de “Tomorrow”  e ai veio “If You Want Your Survival Sign Wake Up Tomorrow”. Só que o trabalho posterior, “Doa A Quem Doer”, veio em Português. Essa mudança foi mais para a banda ser reconhecida no underground nacional? E existe chance de novas composições em inglês?

Rafael Yamada: Não, na verdade quando gravamos o nosso EP, ainda sonhávamos em ser “a banda”, viajar o mundo todo, ser “famoso” e achávamos que tinha que ser em inglês pra entrar no mercado. Mas depois de realmente tomar na cara, ouvir muitos conselhos de pessoas que realmente conheciam a cena e alguma estrada, percebemos que hoje em dia não é isso que queremos. O reconhecimento vem com o tempo e com merecimento, se não for assim, fazendo o que você realmente acredita e sabe fazer não vai valer a pena. É isso que sabemos fazer, metal pesado soco na cara, dois pés no peito, curto e grosso, e em português.

Álbum cantado em português colocou a banda em evidência nacional e internacionalmente
RtM: Uma composição em Português tem toda uma preocupação com a estética da música, do refrão, essa coisa toda. Como a banda divide as composições? Vocês buscaram inspiração nas bandas de Metal do Brasil no seu primórdio que cantavam em língua pátria?

Rafael Yamada: Respondendo a primeira pergunta, quando se canta na sua língua nativa, a letra se torna um novo instrumento para a banda. Em inglês cantamos “in the night I’m alrigth” e dependendo do instrumental isso soa pesado. Todos da banda tem liberdade de criar qualquer coisa, diversas vezes o Caio sugere uma levada pro Henrique, e por aí vai. Em relação às bandas, sempre levamos em consideração nossos “antepassados” e suas obras primas.



RtM: Focando um pouco “Doa A Quem Doer”, quanto por cento dele já estava pronto nos primórdios da banda? E qual música foi aquela que deu mais trabalho para ficar pronta?

Rafael Yamada: Quando a banda foi formada, fizemos quatro sons em quatro ensaios, e gravamos nosso EP, as outras foram saindo do forno aos poucos. A música que mais deu trabalho foi “Impunidade” [Nota do editor: confira a música ao vivo acima], pois ela tem muitas mudanças de andamento e uma palhetada bem treze.

RtM: Conte-nos qual o segredo da sonoridade do Project46? É difícil definir a sonoridade, pois tem Death, Metalcore, Thrash, Hardcore, Deathcore e muitos outros elementos. Como a produção do Adair Daufembach foi responsável por esse resultado?

Rafael Yamada: O Project46 é um metal/hardcore moderno, eu diria (risos). Hoje em dia é muito difícil definir um estilo ou outro, já que tem tantas ramificações e tanta mistura de metal com outros estilos. O segredo é não se prender, não tentar seguir tendências e simplesmente tocar o que você sente. O Adair é um gênio do metal, manja muito de música e sabe pegar a energia da banda e botar no disco.

RtM:  A parceria com o vocalista do Ponto Nulo no Céu ficou muito interessante. Conte-nos como rolou o convite e se vocês já reproduziram ao vivo, afinal de contas o PNNC tem um estilo diferente do Project46.

Rafael Yamada: Conhecemos o Adair por intermédio do PNNC, e foi uma das bandas que mais nos influenciaram a fazer o som em português. Tocamos junto com o PNNC no primeiro show deles aqui em sampa, e desde lá somos grandes amigos, passamos a virada de 2011 juntos e sempre que eles tão por perto nos trombamos. Já reproduzimos essa parceria ao vivo algumas vezes e sempre fica muito bom, e em relação aos estilos de som, hoje em dia não tem mais isso de separar os estilos, aqui é tudo #uniaounderground!

"O importante é que nós, como cidadãos, vimos na banda a oportunidade de gritar algo que a sociedade reclama ou sofre"

RtM: Lendo algumas resenhas do álbum, muitas vezes era citado o Project46 como uma banda de Metalcore, eu acho isso muito limitado para a sonoridade de vocês. Afinal de contas qual o estilo do Project46 e quais são as influencias da banda em si?

Rafael Yamada: Eu acho o Project46 um metal/hardcore moderno, mas não nos rotulamos de nenhum estilo simplesmente pra não limitar a banda. As nossas maiores influencias são: Sepultura, Lamb Of God, Slipknot, As I Lay Dying, Chimaira, Whitechapel, Pantera, Slayer, Despised Icon, entre outros... 

Henrique Pucci: Preferimos o termo metal/hardcore, incorporamos diversas influências, muitas delas estão a nossa volta, aqui no Brasil, como rap e ritmos brasileiros, e as bandas da cena brasileira.

RtM: Quem canta em português realmente tem que ter uma mensagem forte. De onde vem a inspiração para letras tão ácidas, como em “Impunidade” e “Acorda Pra Vida”?

Rafael Yamada: As letras são “vomitadas” pelos membros da banda, cada um indignado com algo, escreve uma letra: “Acorda Pra Vida” foi escrita pelo Vini Castellari e “Impunidade” pelo Caio MacBeserra. O importante é que nós, como cidadãos, vimos na banda a oportunidade de gritar algo que a sociedade reclama ou sofre, acho que vem mais dessa parte.

RtM: Agora comentando o momento atual, a banda se encontra trabalhando no sucessor de “Doa A Quem Doer”. Que detalhes já podem ser adiantados para o público? E existe alguma pressão entre vocês para que esse trabalho supere o antecessor?

Rafael Yamada: O que podemos adiantar para vocês é que esse disco vai ser mais extremo que o outro, muito mais violento e mais pesado. Vamos chutar boas bundas gordas com ele e “taca o foda-se nessa porra”.

Henrique Pucci: Estamos pensando em usar todo material de vídeo e áudio para um DVD para acompanhar a próxima prensagem de “Doa A Quem Doer”, que se esgotou, e compondo riffs e explorando ideias para o próximo CD, que com certeza acrescentará ao seu antecessor.

Banda foi recebida calorosamente pelo público Chileno. Foto no festival Maquinaria

RtM: Recentemente foi anunciada uma turnê no Chile. Gostaria que vocês comentassem um pouco como rolou esse convite, como foram os shows e quais são os próximos passos do Project46 relacionados a turnê e o sul está na rota?

Rafael Yamada: A tour no Chile foi sensacional, fizemos nossa primeira tour internacional e com certeza ela superou todas as nossas expectativas. O povo chileno é muito receptivo, nos trataram muito bem e nos sentimos em casa. O Maquinaria é um mega evento e tivemos o imenso prazer de tocar junto com os nossos maiores ídolos. Estamos agora trabalhando para uma possível tour no Equador em 2013 e Europa em 2014.

Henrique Pucci: Tivemos uma visita de nosso amigo do Chile, Francisco Reinoso, que trabalha na revista conceituada de rock no Chile, a Rockaxis e na Radio Sonar, que gostou muito do trabalho a ponto de falar com o produtor do Maquinaria, e fez questão de nos receber em seu programa Rockaxis TV, além de nos pôr em contato com a banda Sacramento, que marcou os outros três shows. A recepção dada a nós pelo público do Chile foi surreal, as pessoas não paravam de chegar para frente do palco no Maquinaria à medida que ouviam o metal comendo solto. O mais incrível e me fez sentir uma sensação de patriotismo, foi ouvir os chilenos cantando nossas letras em português, foi emocionante, do começo ao fim, e os outros shows, todos lotados, com bandas boas, em clubes muito bons. Esperamos voltar em breve ao Chile.

RtM: Obrigado Project46 pela entrevista. Deixamos aqui um espaço livre para mensagem para os leitores do Road to Metal e, caso queiram, para os chefões da rede globo, (risos) [Nota do editor: O Project46 teve uma música boicotada na emissora, coisas que só acontecem numa mídia como esta “Global”].

Rafael Yamada: Não adianta chorar o leite derramado, e mesmo porque ninguém derruba um pilar que é fruto de tanto trabalho pesado. Quem conhece a gente, sabe o quanto trabalhamos e investimos no nosso Project46, e o resultado desse trabalho que nos faz continuar acreditando no metal barsileiro. Não precisamos voltar muito no tempo pra ver que as coisas estão mudando, há dez anos atrás ninguém mais acreditava em uma banda brasileira desbancando as gringas, em picos lotados pra ver as novas bandas, não se via esse exército de gente com camiseta de banda nacional. E isso não é porque não tinha banda boa na cena, sempre tem banda boa, são as pessoas que estão mudando, e as pessoas que mudam a história. Não é o Project46, o Jonh Wayne, Ponto Nulo No Céu, A Última Theoria, Savant Inc e todas as outras bandas que vão mudar a história do metal brasileiro, são as pessoas que agora estão vendo que são elas que tem esse poder, e elas irão fazer muito barulho em 2013.




Henrique Pucci: Obrigado por ler nossa entrevista, a informação é uma arma, quando agregada a música mais forte ainda, precisamos de uma união de todos evolvidos com a música pesada, a concorrência não serve muito na música, junto somos fortes, unidos somos imbatíveis!!! Vamos mostrar ao mundo o que o Brasil tem a oferecer. Obrigado.

A HORA É AGORA, AS PESSOAS COMPRAM UM DISCO INDEPENDENTE, COMPRA A CAMISETA DA BANDA, VAI NOS SHOWS E CANTA TODAS AS MÚSICAS. TODOS NÓS JUNTOS, AS BANDAS E O PUBLICO, VAMOS MUDAR TUDO.  

Entrevista: Luiz Harley
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação/Island Press Assessoria/Igor Lavrador (ao vivo, durante o II Laguna Metal Fest, Santa Catarina)
Assessoria: Island Press

Acesse e conheça mais sobre a banda
Site Oficial (disponibiliza download gratuito do álbum supracitado)
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Made in Brazil: Project 46 Para Sangrar os Ouvidos


Algo que torna a cena brasileira tão especial é o fato de pegar os mais variados estilos do Metal e aplicar uma grande dose de personalidade, deixando o mesmo com elementos que podem ser caracterizados como únicos.

Agora imagine uma banda que consegue mesclar esse estilo com influências de Death Metal, Hardcore aliados a guitarras extremamente pesadas, uma cozinha precisa e vocais que conseguem transmitir uma agressividade única, tudo isso cantando em português: esta ai a fórmula para o massacre perpetuado pelo Project 46.

Vindos da extinta banda Kroach (Slipknot cover), Vinicius Castellari, Jean Patton, Guilherme Figueiredo, Rafael Yamada e Caio Marcellus decidiram se dedicar a uma banda com composições próprias, sendo que a estreia veio em 2009 um EP com 4 faixas todas em inglês, mostrando um caminho voltado para o Metalcore mas apontando para uma banda extremamente raivosa.

Mas foi com esse seu primeiro lançamento completo “Doa a quem Doer” (2011) que podemos dizer que o Project 64 atingiu sua maturidade, pois o som esta mais pesado, abrangendo va´rias influências do Metal pesado, lembrando nomes como Pantera, Lamb Of God, Hatebreed, e a banda brasileira Ponto Nulo no Céu (tanto que o vocalista Jilly faz uma participação na Faixa “Amanha Negro”).

Grupo paulista mostra como fazer Metalcore de qualidade e em lingua portuguesa

O fato de ser cantado em português deixa o som muito mais interessante, pois as letras exploram uma temática atual condizente com a realidade brasileira, vide “Impunidade” e “No Rastro do Medo”.

Impossível não apontar a malicia da dupla de guitarras de Vinicius e Jean que emendam riffs com grooves e muito bem executados como no web single e primeiro clipe “Capa de Jornal” e na interessante “Se Quiser”.


Shows da banda empolgante ao máximo

Resumindo, um lançamento matador, que cumpre a função de apresentar a banda e nos deixar com uma vontade tremenda de assistir esses caras ao vivo e se matar em todas as rodas possíveis.

Ah..... a banda liberou o cd para download então vai lá, ouve logo e quebre seu pescoço de tanto bangear.



Texto: Harley

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


Ficha Técnica

Banda: Project 46

Álbum: Doa a Quem Doer

Ano: 2011

País: Brasil

Tipo: Metalcore/Thrash

Selo: Independente



Formação

Caio MacBeserra (Vocal)

Vinícius Castellari (Guitarra)

Jean Patton (Guitarra)

Refael Yamada (Baixo e Vocal)

Guilherme Figueiredo (Bateria)


Tracklist

1 - 809072
2 - Atrás das Linhas inimigas
3 - Impunidade
4 - Capa de Jornal
5 - Se Quiser
6 - Violência Gratuita
7 - Amanhã Negro
8 - #46
9 - Dor
10 - No Rastro do Medo
11 - Acorda pra Vida


Assista "Violência Gratuíta"

Vídeo oficial "Capa de Jornal"


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