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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Stryper: Mais Um Capítulo Consistente (Also In English)

Shinigami Records (Nac.) / Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Poucas bandas conseguem atravessar mais de quatro décadas preservando uma identidade tão reconhecível quanto o Stryper. Mais impressionante ainda é manter essa identidade artisticamente relevante em um cenário onde a nostalgia costuma falar mais alto que a criatividade. Longe de depender exclusivamente do legado construído nos anos 1980, o quarteto norte-americano chega ao seu 18º álbum de estúdio, Throne Of Thorns, reafirmando uma das características mais marcantes de sua fase recente: a capacidade de evoluir sem romper com as próprias raízes.

Ao longo dos últimos lançamentos, Michael Sweet, Oz Fox, Perry Richardson e Robert Sweet encontraram um equilíbrio invejável entre o heavy metal tradicional, o hard rock melódico e uma produção moderna, limpa e poderosa. Em Throne Of Thorns, esse equilíbrio atinge um de seus pontos mais consistentes. O álbum preserva os riffs cortantes, os refrães grandiosos, os característicos backing vocals e as mensagens de fé que sempre definiram a personalidade do grupo, mas tudo é apresentado com uma sonoridade atual, robusta e extremamente refinada.

A faixa-título, escolhida como primeiro single, abre o disco exatamente como se espera de um grande álbum do Stryper. Riffs pesados, groove preciso e um refrão monumental sustentado por harmonias vocais impecáveis estabelecem imediatamente o alto nível da obra. A guitarra de Oz Fox exibe o timbre clássico que acompanha a banda há décadas, enquanto Michael Sweet demonstra, mais uma vez, que sua voz continua impressionantemente preservada. O solo surge naturalmente dentro da composição, valorizando a música sem soar meramente técnico.

Na sequência, Here In Your Heart mantém o nível elevado ao apostar em um heavy metal tradicional de condução firme. As guitarras ganham protagonismo sobre uma base rítmica sólida, enquanto o baixo de Perry Richardson aparece com excelente definição na mixagem. Pequenos detalhes de teclado enriquecem o refrão sem descaracterizar o peso da composição, e os vocais de apoio ampliam ainda mais o impacto melódico da faixa.

Falling introduz nuances diferentes logo na abertura, com um interessante trabalho de percussão que antecede a entrada triunfal dos vocais. Embora permaneça fiel à proposta clássica do álbum, apresenta mudanças de andamento e arranjos vocais mais elaborados, oferecendo variedade sem comprometer a coesão. O solo, novamente, revela extremo bom gosto tanto na construção melódica quanto no timbre cuidadosamente lapidado.

A energia aumenta em I'm Alright (I'm Okay), provavelmente uma das faixas que melhor sintetizam a essência do Stryper contemporâneo. A influência do metal dos anos 1980 permanece evidente, mas a produção moderna impede qualquer sensação de saudosismo excessivo. Michael Sweet entrega uma interpretação segura e poderosa, enquanto os tradicionais coros reforçam um refrão que certamente encontrará espaço nas futuras apresentações ao vivo.

A primeira balada do álbum, Waiting For You, demonstra que peso e sensibilidade podem coexistir com absoluta naturalidade. Mesmo em andamento mais cadenciado, a música preserva densidade sonora graças ao excelente trabalho das guitarras e à cozinha formada por Perry Richardson e Robert Sweet. O refrão cresce organicamente até desembocar em um solo inspirado de Oz Fox, transformando a faixa em um dos momentos mais emocionantes do disco. A produção contemporânea confere ainda mais profundidade à composição sem comprometer sua atmosfera clássica.

O peso retorna com Carry The Flame, conduzida por vocais agressivos de Michael Sweet e uma base instrumental extremamente sólida. Os backing vocals, elemento praticamente onipresente no álbum, continuam sendo utilizados com inteligência, funcionando como complemento à voz principal em vez de competir com ela. O resultado é um equilíbrio vocal que amplia ainda mais a força do refrão.

Com discretas influências de Black Sabbath, Hollywood apresenta uma abordagem ligeiramente mais sombria, embora permaneça plenamente inserida na identidade do álbum. Robert Sweet merece destaque especial pela condução da bateria, alternando viradas criativas e mudanças de dinâmica que acrescentam personalidade à composição. É justamente essa combinação entre tradição e pequenos elementos contemporâneos que impede o disco de soar previsível.

Beautifully Broken talvez seja a música que melhor representa a assinatura sonora do Stryper. Bastam poucos acordes para reconhecer imediatamente a banda. Os arranjos vocais são sofisticados, o refrão possui enorme força melódica e Michael Sweet alcança notas impressionantes sem demonstrar qualquer desgaste. A construção do solo é elegante e reforça o excelente momento vivido pela dupla de guitarristas.

Ashes To Roses inicia de maneira intimista, sugerindo uma balada convencional, mas rapidamente evolui para uma típica power ballad construída sobre guitarras acústicas e elétricas perfeitamente integradas. A interpretação emocional de Michael Sweet, aliada às harmonias vocais com forte influência gospel, produz um dos momentos mais inspirados do álbum, equilibrando emoção e peso de maneira extremamente eficiente.

Entre as faixas mais modernas do disco, Alone Again merece destaque especial. O riff principal possui uma pegada mais contemporânea, enquanto bateria e baixo constroem uma base pulsante que contrasta de forma interessante com um refrão essencialmente clássico. Esse diálogo entre o antigo e o novo sintetiza perfeitamente a proposta artística de Throne Of Thorns. O solo mantém o elevado padrão técnico do álbum, mas é o refrão, provavelmente o mais forte de toda a obra, que permanece na memória após o término da audição.

Encerrando o álbum, Shadowbreaker chega acelerando o ritmo e entregando uma das performances mais intensas do disco. A composição remete imediatamente à energia dos primeiros trabalhos da banda, especialmente da fase de The Yellow and Black Attack, sem parecer uma simples releitura do passado. A velocidade, os riffs cortantes e a interpretação vibrante de Michael Sweet encerram o álbum em alta, oferecendo um desfecho digno da qualidade apresentada ao longo de toda a execução.

Embora dificilmente redefina os rumos da carreira do Stryper, Throne Of Thorns reafirma a impressionante consistência criativa da banda em sua fase mais madura. O grupo demonstra compreender perfeitamente sua identidade, evitando mudanças artificiais ao mesmo tempo em que incorpora elementos contemporâneos capazes de renovar sua sonoridade. A produção cristalina evidencia cada detalhe dos arranjos sem sacrificar o peso das guitarras, enquanto a performance de todos os músicos confirma que o quarteto continua atuando em altíssimo nível.

Mais do que um exercício de nostalgia, Throne Of Thorns comprova que o Stryper permanece artisticamente relevante. É um álbum que honra o legado construído ao longo de mais de quarenta anos, mas que também olha para frente com confiança, oferecendo canções fortes, performances inspiradas e uma produção impecável. Para os fãs da banda, trata-se de mais um lançamento indispensável. Para os apreciadores do heavy metal tradicional, é uma demonstração convincente de que experiência e criatividade ainda podem caminhar lado a lado.


***ENGLISH VERSION***

Few bands have managed to remain as instantly recognizable after more than four decades as Stryper. Even more remarkable is their ability to preserve that identity while continuing to evolve artistically in an era where nostalgia often outweighs creativity. Far from relying solely on the legacy they built during the 1980s, the American quartet returns with its eighteenth studio album, Throne Of Thorns, reaffirming one of the defining traits of its modern era: the ability to evolve without abandoning its roots.

Across their most recent releases, Michael Sweet, Oz Fox, Perry Richardson and Robert Sweet have found an enviable balance between traditional heavy metal, melodic hard rock and a modern, powerful production style. Throne Of Thorns represents one of the strongest examples of that formula to date. The album retains the crushing riffs, anthemic choruses, trademark vocal harmonies and faith-driven lyrical themes that have always defined the band's identity, while presenting them through a polished, contemporary sonic approach.

The title track, released as the album's lead single, opens the record exactly as longtime fans would hope. Crushing riffs, a tight groove and a massive chorus supported by impeccable vocal harmonies immediately establish the album's high standard. Oz Fox delivers the classic guitar tone that has become synonymous with Stryper sound, while Michael Sweet once again proves that his voice remains in extraordinary shape. The guitar solo flows naturally within the composition, enhancing the song instead of serving as a mere technical showcase.

Here In Your Heart keeps the momentum going with a straightforward traditional heavy metal approach. The guitars dominate over a rock-solid rhythm section, while Perry Richardson's bass enjoys exceptional clarity in the mix. Subtle keyboard textures enrich the chorus without diluting the song's heaviness, and the layered backing vocals further amplify its melodic impact.

Falling introduces a different atmosphere from the very beginning, opening with tasteful percussion before giving way to a triumphant vocal entrance. While remaining faithful to the album's classic metal foundation, the track incorporates dynamic tempo shifts and more elaborate vocal arrangements, adding variety without disrupting the record's cohesion. Once again, the guitar solo impresses through both its melodic construction and beautifully crafted tone.

The energy level rises with I'm Alright (I'm Okay), arguably one of the songs that best encapsulates modern-day Stryper. The unmistakable influence of 1980s heavy metal remains evident, yet the pristine production prevents the track from sounding nostalgic or dated. Michael Sweet delivers a commanding vocal performance, while the signature gang vocals reinforce a chorus destined to become a live favorite.

The album's first ballad, Waiting For You, proves that heaviness and emotion can coexist effortlessly. Despite its slower pace, the song maintains considerable weight thanks to Oz Fox's expressive guitar work and the solid foundation provided by Perry Richardson and Robert Sweet. The chorus develops naturally before leading into one of Fox's most inspired solos, making this one of the album's emotional highlights. The contemporary production adds depth and warmth without sacrificing the band's classic identity.

The heavier side of the record returns with Carry The Flame, driven by Michael Sweet more aggressive vocal delivery and a remarkably powerful instrumental foundation. As throughout the album, the backing vocals are used intelligently, complementing rather than overshadowing the lead performance. The result is a chorus that feels both massive and perfectly balanced.

Featuring subtle hints of Black Sabbath, Hollywood adopts a darker musical direction while remaining firmly rooted in the album's overall identity. Robert Sweet deserves particular recognition here, delivering inventive drum fills and dynamic rhythmic changes that add personality and movement to the composition. It is precisely this combination of classic songwriting and contemporary refinement that keeps the album from becoming predictable.

Beautifully Broken may well be the song that most perfectly captures Stryper's unmistakable musical signature. It takes only a few seconds to recognize the band. Sophisticated vocal arrangements, a soaring chorus and another remarkable vocal performance from Michael Sweet—who effortlessly reaches impressive high notes—make this one of the album's standout moments. The elegantly constructed guitar solo further highlights the outstanding chemistry between the band's guitarists.

Ashes To Roses initially suggests a traditional ballad before gradually evolving into a classic power ballad built around the seamless interplay between acoustic and electric guitars. Michael Sweet's heartfelt vocal performance, combined with gospel-influenced harmonies, creates one of the album's most emotionally engaging moments, balancing melody, atmosphere and power with remarkable effectiveness.

Among the album's more contemporary moments, Alone Again deserves special recognition. Its main riff carries a distinctly modern edge, while the rhythm section builds an energetic foundation that contrasts beautifully with an unmistakably classic chorus. This dialogue between old and new perfectly summarizes the artistic vision behind Throne Of Thorns. The guitar solo maintains the album's consistently high technical standard, but it is the chorus—arguably the strongest on the entire record—that lingers long after the song ends.

Closing the album, Shadowbreaker raises the intensity one final time. One of the fastest tracks on the record, it immediately recalls the energy of Stryper's early years, particularly the The Yellow and Black Attack era, without ever feeling like a nostalgic retread. The relentless pace, razor-sharp riffs and Michael Sweet's inspired performance provide a fitting conclusion to an album that rarely loses momentum.

While Throne Of Thorns may not redefine Stryper's career, it powerfully reinforces the remarkable consistency the band has demonstrated throughout its modern era. Rather than chasing trends or relying exclusively on nostalgia, the quartet continues to refine its signature sound while embracing contemporary production techniques that enhance—rather than replace—its musical identity. Every musician delivers at an exceptionally high level, and the crystal-clear production allows every arrangement to breathe without sacrificing the album's heaviness.

More than a celebration of past achievements, Throne Of Thorns confirms that Stryper remains a creatively relevant force in today's heavy metal landscape. It is an album that honors the band's legacy while confidently looking toward the future, offering memorable songwriting, inspired performances and first-class production. For longtime fans, it is another essential chapter in the band's enduring career. For anyone who appreciates traditional heavy metal performed with passion, precision and authenticity, Throne Of Thorns stands as one of Stryper's strongest modern releases.

Manuel Moggio

terça-feira, 21 de abril de 2026

Iconic: Profissionalismo e Consistência em Alto Volume (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Supergrupos costumam carregar uma expectativa inerente: transformar pedigree em relevância artística concreta. Em “II”, seu segundo álbum, o Iconic consegue dar um passo além nesse sentido. Mais do que uma vitrine de nomes consagrados, o disco evidencia uma evolução clara em relação ao debut, sobretudo na coesão sonora e na definição de identidade.

Formado por Nathan James (vocais- Inglorious), Michael Sweet (Stryper/Boston) e Joel Hoekstra (Whitesnake, TSO, Night Ranger) (guitarras), Marco Mendoza (baixo - Whitesnake, Thin Lizzy) e Tommy Aldridge (bateria - Whitesnake, Ozzy Osbourne), o grupo opera dentro dos códigos tradicionais do hard rock, mas busca atualizá-los com uma produção moderna e arranjos mais densos. O resultado é um trabalho sólido, que privilegia consistência e execução refinada, ainda que raramente se aventure fora de sua zona de conforto estética.

A abertura com “Cry No More” estabelece imediatamente o direcionamento do álbum: riffs diretos, condução firme e uma performance vocal dominante. Nathan James assume protagonismo com segurança, explorando amplitude e intensidade sem comprometer o controle — um padrão que se repete ao longo do disco.

“All I Want” amplia levemente a paleta sonora ao incorporar nuances rítmicas mais elaboradas, mas mantém o foco na acessibilidade. Já “Open My Eyes” surge como um dos momentos mais trabalhados do repertório, com uso de teclados em camadas, harmonizações vocais mais sofisticadas e uma produção que valoriza a profundidade dos arranjos, especialmente nas linhas de baixo.

“Tears Keep On Falling” introduz variação dinâmica ao flertar com estruturas mais progressivas em sua primeira metade, antes de desembocar em um refrão melódico. É também uma das faixas que melhor evidencia o entrosamento entre seção rítmica e construção musical.

Na sequência, “Take Me To The Place” retoma a energia com uma abordagem mais contemporânea nos timbres e na condução, enquanto “S.O.S.” aposta em uma estética mais clássica, remetendo ao hard rock norte-americano. Nesta última, a contenção funciona como diferencial: a execução precisa abre espaço para que a linha vocal se destaque com mais clareza.

“Nothing Left For Me” equilibra referências ao virtuosismo oitentista com uma estrutura mais controlada, resultando em um dos refrões mais eficazes do álbum. Em contraste, “Far Away” abraça abertamente a tradição, sustentada por uma produção que evita que o resultado soe datado.

“Valley Of Lost Souls” se destaca como um dos pontos altos do disco ao explorar mudanças de andamento e maior liberdade instrumental, revelando o potencial técnico do grupo em um contexto menos previsível. Já “Written In The Stars” reforça a ligação com a herança setentista do gênero, equilibrando referências clássicas com um acabamento contemporâneo.

O encerramento com “Heart Of Stone” segue a cartilha das power ballads, com progressão gradual e clímax bem construído. As influências do hard rock britânico são evidentes, funcionando como uma conclusão eficaz para o álbum.

Sem buscar reinvenção, “II” aposta na solidez — e acerta ao fazê-lo. O Iconic demonstra aqui um nível de maturidade superior ao de sua estreia, entregando um trabalho coeso, bem executado e alinhado às expectativas do público do gênero. Ainda que permaneça fortemente ancorado em convenções, o álbum se sustenta por sua consistência e pelo profissionalismo de seus envolvidos, consolidando o projeto como algo além de um encontro pontual de estrelas. Mandatório, vai aparecer na lista de melhores do ano de muita gente!

***ENGLISH VERSION***

Supergroups tend to carry an inherent expectation: to turn pedigree into tangible artistic relevance. On “II,” their second album, Iconic takes a clear step forward in that regard. More than just a showcase of established names, the record reveals a noticeable evolution from the debut, particularly in terms of sonic cohesion and a more defined identity.

Featuring Nathan James (vocals- Inglorious), Michael Sweet (Stryper/Boston) e Joel Hoekstra (Whitesnake, TSO, Night Ranger) (guitars), Marco Mendoza (bass - Whitesnake, Thin Lizzy) e Tommy Aldridge (drums - Whitesnake, Ozzy Osbourne), the band operates within the traditional framework of hard rock while aiming to modernize it through polished production and denser arrangements. The result is a solid effort that prioritizes consistency and refined execution, even if it rarely ventures beyond its aesthetic comfort zone.

The opener “Cry No More” immediately establishes the album’s direction: straightforward riffs, tight momentum, and a commanding vocal performance. Nathan James takes center stage with confidence, showcasing both range and intensity without sacrificing control—a pattern that carries throughout the record.

“All I Want” slightly broadens the sonic palette by incorporating more intricate rhythmic nuances, while maintaining a strong sense of accessibility. Meanwhile, “Open My Eyes” stands out as one of the most developed tracks, featuring layered keyboards, more sophisticated vocal harmonies, and a production that highlights the depth of the arrangements—particularly in the bass work.

“Tears Keep On Falling” introduces dynamic variation, flirting with more progressive structures in its first half before resolving into a melodic chorus. It also serves as one of the clearest examples of the band’s tight interplay between rhythm section and overall composition.

“Take Me To The Place” restores the album’s energy with a more contemporary approach in both tone and execution, while “S.O.S.” leans into a more classic aesthetic, drawing from American hard rock traditions. In the latter, restraint becomes a strength: the precise execution allows the vocal line to stand out more prominently.

“Nothing Left For Me” balances nods to ’80s guitar virtuosity with a more controlled structure, resulting in one of the album’s most effective choruses. In contrast, “Far Away” fully embraces tradition, supported by a production that keeps it from sounding dated.

“Valley Of Lost Souls” emerges as one of the album’s highlights, exploring tempo shifts and greater instrumental freedom, ultimately showcasing the group’s technical capabilities in a less predictable setting. “Written In The Stars,” on the other hand, reinforces the genre’s ’70s heritage, blending classic influences with a contemporary finish.

The closing track, “Heart Of Stone,” follows the power ballad blueprint with a gradual build and a well-executed climax. The influence of classic British hard rock is evident, making for an effective conclusion to the album.

Without aiming for reinvention, “II” succeeds by doubling down on solidity. Iconic demonstrates a clear step up in maturity compared to its debut, delivering a cohesive, well-executed record that aligns with the expectations of the genre’s audience. While it remains firmly rooted in established conventions, the album stands on its own merits, supported by consistency and the professionalism of its players—ultimately proving that this is more than just a one-off gathering of stars. A must-listen, and likely to appear on many best of the year lists.

Justin Roszkowski

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Cobertura de Show: Stryper – 27/07/2025 – Vip Station/SP

No último dia 27 de julho, a casa de shows Vip Station, em São Paulo, foi palco de um evento marcante para os fãs de metal cristão. As bandas Bride, Narnia e Stryper se apresentaram em uma noite repleta de energia, mensagens inspiradoras e clássicos do gênero. O evento, que atraiu um público fiel e entusiasmado, destacou a força do rock pesado com temáticas de fé e superação. Cada banda apresentou seu estilo próprio, iniciando com o peso cru do Bride, passando pela melodia épica do Narnia, e culminando com a performance dos veteranos do Stryper. Apesar de um pequeno atraso na abertura da casa, o evento ocorreu conforme o cronograma e proporcionou momentos memoráveis que reforçaram o legado dessas bandas no cenário musical.

O Bride abriu a noite com uma performance intensa e nostálgica, reafirmando seu status como ícone do metal cristão. O setlist incluiu faixas poderosas como “Rattlesnake”, que estabeleceu o tom energético da apresentação, e “Would You Die for Me”, cuja letra provocativa e riffs pesados incendiaram o público. Dale Thompson manteve os vocais rasgados e viscerais que marcaram a identidade da banda nas décadas de 1980 e 1990. Seu irmão, Troy Thompson, despejou riffs eletrizantes e empatia com o público ao vestir uma camisa da seleção brasileira, além disso, na bateria tivemos o Alexandre Aposan, que já integrou a banda Oficina G3. Outros destaques incluíram “Beast” e “Million Miles”, que mantiveram o ritmo intenso, além de “Everybody Knows My Name” e “Scarecrow”, que adicionaram familiaridade e carisma ao repertório. O ápice da apresentação foi a execução de “Heroes”, tocada ao vivo pela primeira vez desde 1989, criando um momento emocional com forte conexão com os fãs. Com cerca de 40 minutos de duração, o show do Bride levantou o público e demonstrou que a banda ainda é tão querida quanto os headliners da noite.




O Narnia apresentou uma proposta mais épica e melódica, com um setlist que combinou sucessos consagrados e novidades. A banda sueca subiu ao palco exibindo uma bandeira do Brasil, enquanto o vocalista Christian Liljegren vestia uma camiseta da seleção brasileira, gesto que foi bem recebido pelo público. A apresentação começou com “Rebel”, faixa enérgica que animou a plateia desde os primeiros acordes, seguida de “No More Shadows From the Past”, com riffs pesados e mensagens de superação. “You Are the Air That I Breathe” trouxe um momento mais introspectivo, com vocais suaves e uma melodia cativante que contrastou com o peso das músicas anteriores. As faixas “MNFST” e “Ocean Wide” — esta última uma estreia ao vivo — mostraram que a banda continua fiel à sua essência, mesclando elementos modernos ao clássico power metal.

Dentre os momentos mais marcantes do show, destaca-se a execução de “Long Live the King”, que teve o último coro cantado em português, gerando uma conexão imediata com o público brasileiro. A apresentação foi encerrada com “I Still Believe” e “Living Water”, deixando uma sensação de unidade e inspiração. As mensagens de fé e perseverança ressoaram fortemente com os presentes, e a combinação entre o novo e o familiar fez do Narnia a ponte perfeita entre o peso inicial e o clímax da noite.





Por fim, o Stryper encerrou o evento com uma performance magistral, reafirmando seu status como lenda do metal cristão. A formação atual da banda conta com Michael Sweet (vocal e guitarra), Robert Sweet (bateria), Perry Richardson (baixo) e Howie Simon (guitarra), substituindo Oz Fox, que enfrenta problemas de saúde. O show teve início com “In God We Trust” e “Revelation”, dois hinos que fizeram o público cantar em uníssono e erguer os punhos. Em seguida, “Calling on You” e “Free” mantiveram o entusiasmo da plateia, com riffs cativantes e mensagens edificantes. As faixas “Sorry” e “All for One” trouxeram momentos de emoção, com a banda interagindo diretamente com os fãs e criando um ambiente de comunhão e nostalgia.

Apesar da energia dominante, o Stryper enfrentou um contratempo técnico durante a execução de “No More Hell to Pay”, que precisou ser interrompida devido a problemas de som. A banda lidou com a situação com profissionalismo, reiniciando a música poucos minutos depois. A sequência com “More Than a Man” e “The Valley” recuperou rapidamente a vibração positiva. “Yahweh” e “Surrender” deram continuidade ao clima espiritual do show, com solos de guitarra precisos e vocais potentes, reforçando o bom momento vivido pela banda.

O encerramento foi triunfal. “Soldiers Under Command” eletrizou o público, preparando o terreno para o bis, que contou com “Sing-Along Song” e “To Hell With the Devil”. Os clássicos encerraram a noite com força, conduzindo a plateia a cantar em coro, criando uma atmosfera de comunhão que ecoou por toda a casa. O show do Stryper não apenas celebrou seu extenso repertório, mas também reafirmou sua mensagem de fé e união. De forma geral, o evento foi um sucesso, comprovando que o metal cristão continua vivo, relevante e em sintonia com seu público. 

"Dedico esta resenha a Frederico Batalha, jornalista e assessor esportivo, falecido em 16 de julho, e grande admirador da banda Stryper."


Texto: Marcelo Gomes 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Venus Concerts



Bride – setlist:

Rattlesnake

Would You Die for Me

Beast

Million Miles

Everybody Knows My Name

Scarecrow

Psychedelic Super Jesus

Heroes


Narnia – setlist:

Rebel

No More Shadows From the Past

You Are the Air That I Breathe

MNFST

Ocean Wide 

Long Live the King 

I Still Believe

Living Water


Stryper – setlist:

In God We Trust

Revelation

Calling on You

Free

Sorry

All for One

Always There for You

Divider

No Rest for the Wicked

No More Hell to Pay 

More Than a Man

The Valley

Yahweh

Surrender

Soldiers Under Command

Sing-Along Song

To Hell With the Devil

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Stryper: Divina Inspiração



Muitas bandas acabam sendo apenas sombra do que foram no passado, e apenas vivem desses anos gloriosos, vez por outra aparecendo com um novo trabalho, que acaba parecendo cópia de si mesmo.

O Stryper, a exemplo do Europe, depois de um tempo fora de cena, retornou revigorado, e sem viver apenas da própria sombra, vem produzindo um trabalho moderno e forte, e a banda parece cada vez melhor.

"No More Hell To Pay", lançado em 2013, vem com as características que marcavam a banda, como os vocais inconfundíveis de Michael Sweet, e aquele Hard/Heavy, cheio de riffs e refrãos marcantes, melodias memoráveis e baladas suaves e comerciais (ok, fizeram também algumas baladas bem melosas nessa carreira, como a "Honestly"), ainda presentes, porém, soando mais moderno e pesado, uma banda madura e que mostra que acomodação não é com eles, um exemplo para muitos que, ou só vivem dos dias passados, ou lançam trabalhos para "cumprir tabela".


Os fãs e admiradores do Stryper devem estar muito satisfeitos, e, não obstante a temática adotada pela banda, qualquer fã de Heavy ou Hard deve conferir o álbum. Eu gosto e tenho alguns álbuns, não posso dizer que gosto de tudo o que a banda já fez, mas este novo álbum está excelente, com mais peso e pegada que álbuns anteriores, além de estar digno de figurar ao lado de grandes momentos da banda, como "To Hell With the Devil".

"Revelation" abre o álbum com peso e melodia, já mostrando o que destaquei antes: a qualidade da banda em criar melodias e refrãos cativantes, o timbre marcante de Michael Sweet (que está cantando muito), numa pegada mais moderna e pesada, mas sem perder a personalidade; "No More Hell to Pay", que também teve vídeo de divulgação, segue o alto nível do álbum, que, tirando uma ou outra "pregação" mais explícita, mas nada exagerado, ou que indique o trabalho somente para aficcionados ao White Metal ou o Rock Cristão e geral, que é bem uniforme, sem canções fracas, mas, claro, algumas, a exemplo da dobradinha inicial, se destacam, como a balada "The One", cujo refrão e os backing vocals de fundo pegam de imediato!


Em matéria de peso, dá pra destacar o Heavy Metal Tradicional moderno e pesado de "Marching Into Battle"; temos ainda a rápida e melodiosa "Te Amo", e a Hard/Heavy "Renewed", que fecha o play, também se destacam, num álbum forte, mostrando que o Stryper tem ainda muitos anos de vida pela frente, e tem a capacidade de agradar os fãs dos mais diversos segmentos metálicos, sem distinção de credos ou religiões, afinal, o que importa é a música, a boa música é a maior das mensagens, e uma grande agregadora.

Texto/Edição: Carlos Caco Garcia
Revisão: Sr. Wilson

Ficha Técnica
Banda: Stryper
Álbum: No More Hell to Pay
Ano: 2013
País: EUA
Tipo: Heavy/Hard
Selo: Frontiers


Formação
Michael Sweet (Guitarra e Vocal)
Robert Sweet (Bateria)
Oz Fox (Guitarra)
Tim Gaines (Baixo)

Track-list
01. Revelation
02. No More Hell To Pay
03. Saved By Love
04. Jesus Is Just Alright
05. The One
06. Legacy
07. Marching Into Battle
08. Te Amo
09. Sticks & Stones
10. Water into Wine
11. Sympathy
12. Rnewed






quinta-feira, 10 de março de 2011

Tributos: Stryper e as Influências Pouco Cristãs

Maior nome de todos os tempos do Metal Cristão, a banda Stryper (EUA) fez seu nome ao longo de suas mais de duas décadas em que, através de um Heavy Metal altamente influenciado pelo Hard Rock, teve como temática a ideologia Cristã, focando suas letras em louvores a esse deus e, ao mesmo tempo, sendo um dos grupos mais odiados pelos headbangers mais radicais.

A banda, que hoje é a principal influência de grupos como o brasileiro Eterna (recentemente coverizaram uma música dos canadenses), resolveu que o ano de 2011 mereceria um tributo a suas maiores influências.

Banda é o maior nome do Metal Cristão

Mas que influências teriam uma banda de Heavy/Hard que foi a pioneira na temática cristã? Exatamente as mesmas que toda e qualquer banda que surgiu nos anos 80/90: Iron Maiden, Black Sabbath, Judas Priest, Kiss, Deep Purple, etc.

Diga-se de passagem que grupos esses considerados nada cristãos pela sociedade religiosa, sendo que algumas dessas bandas já foram até mesmo excomungadas e proibidas de tocar em certos países (por exemplo, o Iron Maiden que não podia se apresentar no Chile, e o Judas Priest que fora acusado de incitar suicídio em suas músicas “satânicas”).

A verdade é que o Heavy Metal, o Hard Rock e afins transcendem ideologias, pois quando o assunto é som que vem da alma, pouco importa qual a posição política/religiosa que as letras defendem (muitas vezes apenas jogada de marketing).

Assim, o Stryper lança o álbum “The Covering” (2011), executando versões bastante fiéis de clássicos como “Heaven and Hell” (Black Sabbath), “Breaking the Law” (Judas Priest) e “The Trooper” (Iron Maiden).

A atual formação nos idos de 1986

Outras bandas que são lembradas pelo grupo são Ozzy Osbourne (com “Over the Mountain”), Led Zeppelin (“Immigrant Song”), Kiss (“Shout It Out Loud”), Deep Purple (“Highway Star”), entre outras da cena Hard Rock mundial, como Scorpions e Kansas.

Sabemos que álbuns tributos em que uma única banda executa várias canções clássicas (muitas vezes clichês) tem se tornado “moda” nos últimos anos e uma forma de caça-níquel, afinal, teoricamente, tanto os fãs da banda em questão quanto das homenageadas poderão curtir.

Sendo uma jogada financeira apenas ou falta de criatividade para um novo disco de inéditas (Stryper já foi uma “marca” muito maior do que é hoje), a verdade é que “The Covering” não acrescenta muita coisa à banda ou às versões regravadas. É um disco legal, indicado apenas aos fãs do grupo que gostarão de ouvir “clássicos pagãos” na voz de Michael Sweet. Aliás, uma novidade é a volta da formação clássica que, além de Sweet, conta com Robert Sweet na bateria, Oz Fox na guitarra e Timothy Gaines no baixo, este voltando à banda após saída de Tracy Ferrie.

Para dar um viés de novidade, a música inédita “God” fecha o álbum de 13 faixas. Ainda fico com a banda nas suas músicas próprias, especialmente de seu último trabalho “Murder By Pride” (2009), que é um álbum viciante, além, claro, dos clássicos dos anos 80.

Agora é esperar que a banda volte ainda este ano com material inédito e com a formação original em alto nível.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Fotos: Divulgação


Ficha Técnica

Banda: Stryper

Álbum: The Covering

Ano: 2011

País: EUA

Tipo: Hard Rock/Heavy Metal Cristão


Formação

Michael Sweet (Vocal)

Robert Sweet (Bateria)

Oz Fox (Guitarra)

Timothy Gaines (Baixo)


Tracklist

1. Set Me Free (Sweet)

2. Blackout (Scorpions)

3. Heaven and Hell (Black Sabbath)

4. Lights Out (UFO)

5. Carry On My Wayward Son (Kansas)

6. Highway Star (Deep Purple)

7. Shout It Out Loud (Kiss)

8. Over The Mountain (Ozzy Osbourne)

9. The Trooper (Iron Maiden)

10. Breaking The Law (Judas Priest)

11. On Fire (Van Halen)

12. Immigrant Song (Led Zeppelin)

13. God (Stryper)