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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ALKANZA – Mensagem pesada na cara


Proposta diferenciada do ALKANZA. Trata-se de um som bastante pesado, afinação baixa, vocais rasgados, riffs pegajosos, músicas cantadas em português. Tu ouves o que podemos chamar de um Thrash Metal com nuances de Hardcore nova-iorquino, com partes bastantes grooveadas. A banda tem qualidade e apresenta uma sonoridade consistente em que se sobressai o peso, inexistindo partes ‘melódicas’ e comerciais.


O trio oriundo de Laguna/SC formado por Thiago Bonazza (vocals/guitar/bass), André Guterro (guitar/backing vocal) e Fernando Garcia (drums) sabe o que faz nas 8 faixas de Colonizado Pelo Sistema (2015), impondo respeito e passando sua mensagem ácida contra tudo e contra todos aqueles que tentam de uma forma ou de outra manipular a vida humana, seja através da religião,  da política, das mídias, etc. É uma temática que nem sempre tem o devido valor e trato, mas que aqui foi tratada da devida forma e não é nada cansativo. Junte-se à massa sonora e temos um resultado contundente, em apenas 28 minutos de duração.


“Foda-se o Sistema” abre o disco fortemente; “Desordem” traz um refrão forte; “Brasil” os riffs palhetados ditam o andamento; segue-se com “Porrada” sendo a mais cadenciada; “Psico Terror” segue a linha; “Dominação” é uma clara crítica religiosa; “Isto é Violência” e “Residente no Caos” fecham o disco, sendo que esta última traz partes de blast-beats, sendo a faixa mais longa do play.


Colonizado Pelo Sistema foi gravado de forma independente e lançado de forma virtual somente (abaixo consta o link para download). A produção ficou a cargo do próprio Thiago Bonazza. A capa, a cargo de Getúlio Farias, traduz todo o conteúdo tratado nas letras, expondo as mazelas da sociedade atual.


Por todo o exposto, baixe o som dos caras, escute e forje suas próprias conclusões a respeito da banda, muito embora, penso, não fugirão destas aqui exemplificadas, principalmente no que se refere à qualidade da ALKANZA.

Texto: Marcello Camargo
Edição/revisão: Renato Sanson

 Lançamento: Independente

Line-Up:
Thiago Bonazza – vocals/guitar/bass
André Guterro – guitar/backing vocal
Fernando Garcia – drums

Tracklist:
“Foda-se O Sistema!”
“Desordem”
“Brasil”
“Porrada”
“Psico Terror”
“Dominação”
“Isso É Violência”
“Residente Do Caos”

Canal da banda no YouTube:

Link para o download:


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Entrevista - Alkanza: Destruindo o Sistema

Baixe agora mesmo o EP "Destroyed the System" AQUI
Destruindo o sistema em formato de música, é assim que os catarinenses do Alkanza caminham, moldando sua estrada e falando das realidades do nosso país, que vai de mal a pior a cada ano que passa.

Temas para falar do nosso querido Brasil não faltam e o Alkanza demonstra isso em seu primeiro lançamento o excelente EP “Destroyed the System”, com um singelo nome que brinda o que muitos gostariam de fazer e com letras retratando nossa verdadeira realidade.

Conversamos com o baixista/vocalista Thiago Bonazza que nos fala um pouco desse tema abordado, da certa polemica que entraram sobre o que pensam de bandas covers e muito mais, confira agora mesmo:

Road to Metal: “Destroyed the System” foi lançado este ano somente em formato digital, e apresenta composições fortes e poderosas. Com um Thrash Metal variado e intenso. Como foi o processo de composição do mesmo?

Thiago Bonazza: Foi tranquilo, venho compondo de forma natural, como tenho muitas influencias  acaba tendo varias ideias e isso é importante para não virar cópia de algumas bandas, e as letras surgem de forma natural vendo e muitas vezes sentido na pele os seus temas.

RtM: O Alkanza já está gravando seu primeiro disco, alguma música de “Destroyed...” contará no álbum? E existe a possibilidade do EP ser lançado em formato físico?

TB: Já adianto que todas as faixas do EP estarão no disco, mas com algumas pequenas modificações. Lançamos em formato digital para que nossa música fosse divulgada de forma rápida e sem custo para as pessoas conhecerem a banda, e dessa forma quando o disco sair saberem se querem compra-lo ou não, porque se você gostou do EP já é garantia que 50% de seu dinheiro foi bem gasto, e garanto que gostará de 100% dele após ouvi-lo. O EP não será lançado em formato físico e será retirado para download, então quem tem é um material único, e quem não têm baixe, pois é gratuito, mas por tempo limitado.

Leia nossa resenha AQUI
RtM: As letras desse primeiro trabalho são bem ácidas, como um tapa na cara da sociedade. Qual foi a inspiração para as mesmas?

TB: No cotidiano do brasileiro, das crueldades e desrespeito dos governantes e do próprio povo. Poderia falar de guerras e essas coisas que muitas falam, mas se não arrumamos nossa casa para que falar da casa dos outros? O mundo é um só, mas nosso povo brasileiro filhos de uma pátria rica e corrupta aonde você é o que você tem, onde nossos idosos morrem no lixo, nossas crianças nascem no piso, e a maioria do povo esta preocupado com o final da novela das oito que começa as nove (risos)... É foda, mas estamos ai na luta. Sou contra a violência, mas aqui pecamos por excesso de paciência.

RtM: A capa de “Destroyed the System” mostra um hospital em chamas, o que de fato retrata a realidade da saúde no Brasil, cada vez mais decadente. O que vocês pensam a respeito do futuro do nosso país?

TB: Cara tenho o infeliz parecer que se nada mudar radicalmente (o que acredito que não acontecerá tão cedo) continuará na mesma ou pior, enquanto não existir leis que façam os políticos terem que usar o serviço público, que façam os corruptos irem para a cadeia e perderem tudo, que tenhamos educação de qualidade e professores bem remunerados e motivados, que tenhamos policiais bem equipados, preparados  e instruídos na defesa da sociedade e não de quem tem grana, que façam o menor infrator pagar por seus crimes como maior (por que se sabe matar, tem que saber ir preso também), que tenha oportunidades para quem foi preso, mas quer uma nova vida, que a sociedade seja menos egoísta, preconceituosa, alienada no consumismo e que preste atenção nas pessoas. Essa porra vai continuar no mar de lama e merda que esta, pegue o álbum “Brasil” do R.D.P e me diga se de lá para cá muita coisa mudou? A quem diz que está tudo uma merda desde os anos 80. Lamentável.


RtM: Recentemente vi nas redes sociais o Alkanza em uma certa polemica, pela seguinte nota lançada: “Músico é quem faz a música, não quem reproduz algo já feito”. O que vocês teriam a acrescentar neste assunto?

TB: Foi MINHA OPINIÃO, e em nenhum momento falei que ela é certa ou errada ou que todos tem que pensar igual a mim, mesmo sabendo que existem muitos que pensam assim. Algumas pessoas que não respeitam opiniões adversas opinaram, e eu respeito, mas outras vieram de forma desrespeitosa com tentativas de colonizar o que eu penso, e falaram sobre humildade, só quero deixar claro que eu RESPEITO às opiniões adversas a minha, e isso é mostrar humildade, é saber que não somos donos da verdade e temos muito a aprender, mas que devemos sim manter nossos pensamentos com respeito, caráter e dignidade. Quem não respeita opiniões adversas e não aceitam esses sim não são humildes, pois pensam que são donos da verdade absoluta. Temos que manter nossos pensamentos, pensar por nos mesmos e não sermos colonizados de forma banal por pressão.

RtM: E sobre o disco de estreia, o que podemos esperar do Alkanza?

TB: Nosso melhor, creio que seja a palavra certa para definir oque estamos fazendo, e se você gostou do EP certamente vai querer o disco.


RtM: Para finalizar gostaria que nos falassem de suas influencias e de quais bandas estão ouvindo no momento.

TB: Minhas influencias são as mais variadas que você possa imaginar, vou do Black Sabbath até Slipknot.

No momento ouço muito Godsmack, S.O.A.D, Sepultura, Judas, Accept, Anthrax, Exodus, Testament., ZoidZ, Sized, e mais algumas do underground que não recordo os nomes por que são varias e de ótima qualidade, pena que muitos aqui no Brasil não dão o valor merecido porque são melhores que muitas bandas gringas que lotam casas aqui.


Não tenho preconceito com nenhum estilo, ouço primeiro, vejo se gosto, e isso tem me rendido grandes descobertas.


Entrevista/edição/revisão: Renato Sanson


Conheça mais a banda:

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Alkanza: Caos Em Formato Sonoro


Teorias que levam ao caos

Em 1948, Claude Elwood Shannon e Warren Weaver, matemáticos, norte americanos desenvolviam estudos científicos em torno das teorias comunicativas. Buscavam diminuir os ruídos entre comunicações, pois causavam entendimento dúbio (e por isso adotou-se o termo “ruído” para cada desinformação que cause falta de entendimento ou mau entendimento). Nesta busca, desenvolveram muitas teorias e baseados em cálculos matemáticos chegaram a (dentre muitas outras) uma conclusão: “Por mais que se evite todo sistema tende ao caos!”. Inclusive a máquina mais perfeita da natureza está, diariamente, exposta e sujeita ao caos.

E neste clima apocalíptico, a Alkanza chega com o “Destroyed The System”. Até o momento foi liberado apenas o EP (Faça o download aqui) com quatro músicas enquanto os trabalhos seguem. São praticamente quatro canhões conscientes apontados para a sociedade, quatro armas carregadas de pedido de socorro, indignação e alertas sociais anunciando o colapso para o qual estamos nos conduzindo. Na era da informação, onde tudo e todos estão, doentiamente, dependentes do sistema para tudo, não há prenuncio do caos maior do que a destruição do sistema. Talvez a chance para um novo começo, ou início do fim.


Violência limitada é grosseria!

A primeira música do EP começa verbalizando o descaso nacional: -

“Brasil, Pátria amada, de cabeças pouco pensantes, de bocas muito falantes, de grana lavada com sangue do povo...”. 

Explana sobre os direitos que os cidadãos (não) têm, um pequeno tapa na cara dos líderes políticos.

Musicalmente falando, as guitarras vêm rimando com riffs gordos e cadenciados ao melhor estilo “Old School”, uma pegada muito inspirada no bom e velho blues. Notadamente se percebem as influências de bandas que montaram os padrões no passado como ACCEPT, AC/DC, IRON MAIDEN, MOTÖRHEAD, etc.

Aos dois minutos e cinqüenta e sete segundos acontece à virada e o que era blues se transforma para mostrar a verdadeira cara da Alkanza. Com uma batida mais acelerada vem o vocativo “... Let’s start fighting before is too late...”. E nesse ritmo se encerra a apresentação do disco. Aqui nessa apresentação talvez o inglês com o sotaque ainda pesado, vá bater no ouvido antes de entrar, mas vá com calma, esse fator está longe de sobrepor à qualidade musical.


Muito destrói quem nada faz

A seqüência destrutiva segue cadenciada e dinâmica. Falando em dinamismo, esta é uma característica evidente em todas as músicas do trabalho, e nem tudo é o que parece. Mas o que parece ser agressividade, sim é agressivo mesmo. “Destroyer” vem agigantando a musicalidade, e aqui o inglês, já com bem menos sotaque, deixa mais macia à degustação musical. Em curto espaço fica evidente a evolução musical do grupo. Thiago abusa do vocal “rasgado” gutural, essa característica traz, ainda mais, a presença das trevas para as composições. Chamados de destruição, vocal rasgado e guitarras evaporando peso, tornam “Destroyed The System” sinistramente perfeito.

A música “Destroyed” me fez pensar que, só existe um ser mais mortal que um vírus contagiante: Os Políticos!


Ação e reação

Letras muito bem arquitetadas e composições ricas em revolta social. Revolta com quem está sangrando nosso mundo ao poucos. Lideres que tem o poder de mudar e não mudam, e o “gado no pasto” que está vendo tudo acontecer, mas enquanto o pasto estiver verde, vai aceitar a destruição de bom grado. A terceira música da compilação (Demolition) vem recheada de inspirações e se Alkanza é uma banda Thrash Metal (e isto é uma afirmação) vem mostrar o quanto o estilo é rico e permissivo às diversidades.  Renato quase faz o baixo ser enxergado, tamanha a presença e a boa sensação causada nessa música.

Em outras músicas a influência do blues já foi notada, aqui Renato fez presente à influência do velho Steve Harris e seu baixo “galopado”. Em 3min04seg a música vira novamente, e o que até aqui era um classic heavy se transmuta em um Crossover esmagador por 41 segundos. Quando chega o refrão: “DEMOLITION, this fixation, BORN TO KILL, every nation...” é, praticamente, impossível não lembrar a capa de “Full Metal Jack” com o capacete militar e suas inscrições. Alias, esse é um filme do Stanley Kubrick que trata de “desumanização”. Será que pode ser mais uma influência notada?
 

O quarto poder

Para introduzir a música que encerra o EP, cito Oscar Wilde: “viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. E se vivo fosse atualmente, concordaria com a Alkanza e completaria a segunda oração com: “... para assistir TV”. Como já havia comentado antes, mais uma vez a banda capricha na dinâmica da música brincando entre troca de ritmo, quebradas musicais e excelentes riffs.

De um modo geral as músicas ficaram muito bem equalizadas, em nenhum momento um instrumento ou voz se sobrepõe aos demais.

Mesmo antes de ouvir as músicas, ao olhar a capa do disco já se sabe o que está por vir. Uma espécie de corredor de hospital, duas enfermeiras (profissionais que deveriam cuidar de enfermos) com marcas de sangue nas roupas, uma delas traz a inscrição “SUS” no jaleco, berços incendiando com crianças dentro e ao fundo muitas pessoas enclausuradas pelo fogo.


A multidão ao fundo, tem o rosto deformado e isto deixa uma dúvida no ar: Seriam elas vítimas mesmo? Ou a complacência delas as torna tão nocivas quanto os criminosos? Alkanza nos deu uma ótima amostra de que, vem muita coisa boa pela frente.

Pois baixe, escute, abuse e “pense por você”.

Texto: Uillian Vargas
Edição/revisão: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Tracklist:
01 This is violence
02 Destroyer
03 Demolition
04 Psycho Terror


Banda: ALKANZA
País: Brasil
Estilo: Thrash Metal
Ano: 2014
Assessoria: Heavy And Hell Press

Formação:
Thiago (Vocal/Guitarra)
André (Guitarra/Backing Vocal)
Renato (Baixo)
Leonardo (Bateria)

Conheça mais a banda: