domingo, 10 de outubro de 2021

Malvada: Heavy Rock Explosivo


Criada em março de 2020, no início da pandemia no Brasil, a Malvada tem na sua formação integrantes com presença frequente nos palcos da noite paulistana, como a vocalista Angel Sberse - que ganhou notoriedade nacional quando participou da edição de 2020 do The Voice Brasil da Rede Globo -, a guitarrista Bruna Tsuruda, a baixista Ma Langer e a baterista Juliana Salgado.
 
A banda lançou primeiramente dois singles e vídeo nas plataformas digitais no primeiro semestre, os quais obtiveram excelente repercussão,  e foram chamando atenção do público, ganhando cada vez mais seguidores. O próximo passo foi o anúncio  do debut para o segundo semestre de 2021,  através do selo Shinigami Records.


Chegou a hora, e a MALVADA lançou dia 05 de agosto o seu álbum de estreia ,  "A Noite Vai Ferver" , com 9 faixas trazendo letras em português, falando sobre cotidiano e experiências pessoais.  

A sonoridade apresenta um Heavy Rock e Hard Rock, com pegadas de Blues e influências 70's, com muita atitude, com direito a baladas e muita malícia e "groove". 

Confira por exemplo  a balada pesada "Cada Escolha uma Renúncia", o Hard com toques de Blues e suingado da cheia de atitude e malícia "A Noite Vai Ferver", destacando os bem colocados wha-whas na guitarra; "Quem Vai Saber", mais uma balada Rock n' Roll muito legal.



Impossível também não querer dar repeat na forte "Pecado Capital", que manda um recado bem direto aos que ainda tem preconceito quanto ao empoderamento e igualdade de direitos da mulher, principalmente no cenário Rock/Heavy. Destaque também para Rockão "O Que te Faz Bem", com seu refrão poderoso.

O tempo do disco é relativamente curto, e as músicas muito legais e fáceis de assimilar, por isso parece que acaba ainda mais rápido, e logo dá vontade de ouvir de novo. Diria que acertaram na medida, deixando aquele gosto de "quero mais".

 
A arte de capa também é muito legal, e traz as meninas no habitat natural de uma banda,  foi feita pelo renomado João Duarte, que já trabalhou com grandes bandas como Angra, Hangar, Shaman, Circle II Circle e Golpe de Estado, entre outras.

Com uma sonoridade empolgante, bem produzida, instrumentistas competentes e a voz marcante de Angel e seus "drives" já característicos, a Malvada é uma das boas notícias surgidas durante a pandemia. Todo dia é dia de "Maldade", de Rock e de Malvada! Vai ser difícil segurar essas meninas! 

"A Noite vai Ferver" está disponível via selo Shinigami Records.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Malvada
Álbum: "A Noite Vai Ferver"
Estilo: Rock n' Roll, Hard Rock, Heavy Rock
País: Brasil
Selo: Shinigami Records

Adquira o álbum direto no site da Shinigami, ou nas principais lojas do ramo, sendo que o selo distribui nacionalmente.

Canais Oficiais da banda:


Tracklist:
1. A Noite Vai Ferver
2. Prioridades
3. Quem Vai Saber?
4. Pecado Capital
5. Ao Mesmo Tempo
6. O que te faz bem?
7. Disso que eu gosto
8. Mais um Gole
9. Cada Escolha Uma Renúncia





domingo, 3 de outubro de 2021

Suck This Punch: Evolução, Doses Extras de Peso e Groove em Segundo Full-Lenght

Formada em Limeira-SP no ano de 2015, o Suck This Punch no mesmo ano já lançou seu debut, indo logo ao ponto, e o álbum é bem interessante, com uma certa crueza, e trazendo um Hard Rock/Heavy com influências clássicas e nuances Rock n' Roll, riffs tradicionais e até guittaras dobradas, remetendo a bandas AC/DC, Motörhead, Thin Lizzy e etc, e buscando agregar a isso sonoridades mais contemporâneas.  A experiência dos músicos contribuiu para que não soasse algo precipitado essa debut.

Durante esses 7 anos que separam os álbuns, o grupo passou por mudanças na formação e uma evolução natural. Agora em 2021 o grupo lança seu segundo trabalho, "The Evil on All of Us", o qual já haviam antecipado algum material, mostrando a evolução sonora, trazendo principalmente mais peso e groove, timbres mais graves e wha-whas nas guitarras, uma maior diversidade, tanto instrumental como nos vocais de Tadeu Bon Scott (que além do inconfundível timbre, que é desnecessário dizer com quem se assemelha, explora outra nuances de sua voz). Resumindo, aquela proposta musical que a banda perseguia, está aqui realizada, madura e coesa.

Não é uma comparação, mas para ajudar a situar o leitor, a banda agregou ás inspirações tradicionais, sonoridades mais contemporâneas do Metal e Thrash, além de Southern, Stoner e  Groove Metal, e citaria como referência o Black Label Society, Kyuss, Pantera e Audioslave.

O que logo nota-se é qualidade da produção, bem superior ao debut, e em seguida a evolução na sonoridade, conforme já citei, trazendo maturidade e coesão na mistura que a banda pretendia, entre as influências tradicionais com as mais atuais do Heavy Rock e Metal.

Temos que elogiar também o trabalho gráfico, com o design da capa muito legal, e a parte lírica, tratando de temas psicológicos e comportamentais, e Tadeu explicou sobre o contexto: "Trata sobre o mal que está sob o homem e também sobre o mal que ele cria para si e para as outras pessoas. Toda a angústia, mágoa, depressão, raiva e temores que são guardados e enterrados do qual acaba criando monstros, pessoas perdidas que acabam se tornando alienadas, escravas de um sistema que suga seu tempo e suas mentes, e as tornam cegas, sem direitos à pensar ou ter uma opinião sobre algo."


São 9 faixas, iniciando com "Machines", onde já salta aos ouvidos a evolução em termos de produção e sonoridade, trazendo bastante peso e groove, timbres "gordos" e vocais mais diversificados, com Tadeu utilizando drives, soando com agressividade e indo a tons mais altos quando necessário; "You're the Best Gun" tem um riff arrastadão, andamento bem quebrado, vocais agressivos e um ótimo solo com utilização precisa do wha-wha;

"Alone" traz um andamento mais acelerado, timbres robustos na guitarra e baixo, batera quebradona, riff principal marcante e um refrão forte. Tadeu varia entre vocais graves e mais rasgados e agressivos; "Just Follows" tem nuances do Stoner, inicia com uma linha do baixo para em seguida a guitarra entrar com riffs graves e cheios de groove e harmônicos, assim como a seção rítmica quebrada. Um trecho de calmaria e com o baixo em destaque abre caminho para mais um solo com técnica e melodia;

"Shout it Out" traz também um andamento mais arrastado e riffs carregados de groove, uso sempre preciso dos harmônicos e wha-wha, seção ritmica sempre técnica e com "suingue", e Tadeu mais uma vez abusando de vocais agressivos e técnicos. "We All live in a Hole" inicia em um tom nostálgico, com o ruído de um vinil ao fundo, vocais a capella e acompanhamento de dedos estalando, mas logo após entra todo o peso e groove que permeia este trabalho de ótimo nível.

"Coward", é tipo uma balada pesada, começa com arranjos de viola, com uma levada meio Southern, meio country, e vocais sussurrados, e em seguida vai crescendo,  com o peso pouco a pouco entrando, alternando com trechos mais melodiosos;

"Blindman" entra com um peso caótico e guitarras numa levada do Thrash contemporâneo, destacando os riffs carregados de wha-wha; "Sons of War" inicia com percussões e berimbau, e uma narrativa falando sobre como a religião foi "empurrada" a alguns povos, que eram impedidos de praticar suas crenças. É uma faixa com muita percussão, groove e peso, inevitávelmente lembrando o que o Sepultura fez lá atrás em discos como "Roots". Um ótimo encerramento para um belo trabalho.

Um álbum com uma excelente produção, trazendo um Suck This Punch mostrando sua personalidade, em um álbum maduro, moderno, com groove e peso, mas acima de tudo, com músicas marcantes, bem construídas e diversificadas.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Suck this Punch
Álbum: "The Evil on All of Us" 2021
Estilo: Heavy/Thrash/Stoner/Groove Metal
País: Brasil
Selo: Voice Music
Assessoria: Som do Darma

Line-up:
Tadeu Bon Scott: Vocais
Phil Seven: Guitarras
Matheus Bonon: Baixo
Giacomo Bianchi: Bateria








domingo, 26 de setembro de 2021

Burning Witches: O Círculo Trabalhou Bem na Pandemia

 


A banda suíça Burning Witches,  não muito tempo depois desde o lançamento de “Dance with the Devil”, lançado em março de 2020, já apresenta seu novo álbum, “The Witch of the North”, somando quatro álbum no período de 5 anos. 

“Winter’s Wrath” é uma curta introdução com violão enquanto um coral canta, mas não se apegue à atmosfera tranquila, pois rapidamente você será martelado com a faixa título “The Witch of the North”. Os riffs das guitarras de Romana Kalkuhl e Larissa Ernst (que entrou na vaga  de Sonia Anubis) são como uma celebração aos heróis do heavy metal dos anos 80. 

Aumentando o ritmo e a fúria dos instrumentais seguimos com “Tainted Ritual”. “We Stand as One”, é um verdadeiro hino, pesado, animado e com Laura Guldemond mostrando todo seu poder vocal. 

A faixa seguinte, “Fight of the Walkyries”, tem um início mais tranquilo, mas mais uma vez não se iluda, você logo será contagiado pela fúria nos rosnados de Laura. 

A absurda “The Circle of the Five”, é uma das melhoras faixas do álbum. A balada “Lady of the Woods” irá te tirar do transe da música anterior. E em seguida prepara-se para a veloz e cativante “Thrall”, que claramente tem todos os elementos de metal clássico e combinados com mais vocais viscerais de Laura que roubam a cena nessa música.

“Omen” é um rápido intervalo, mas acho que não dá tempo nem do pescoço descansar, porque em seguida a poderosa “Nine Worlds” e seus riffs habilidosos e um refrão cativante farão você colocar o som no último volume. 

Em seguida, temos a impactante “For Eternity” que passa muito longe da monotonia. Faltando pouco para o álbum acabar, ainda dá tempo de se surpreender com o desempenho da banda em “Dragon’s Dream” e seu refrão divertido. Essa é uma das faixas que eu faixas que eu facilmente ouviria repetidas vezes. 

“Eternal Frost” é um breve intervalo instrumental que nos prepara para a já tradicional versão, desta vez a escolhida foi “Hall of the Mountain King”, do Savatage, que encerra o disco com chave de ouro.

Sinceramente eu não esperava que fosse gostar tanto desse álbum, mas foi difícil não me sentir contagiada com a energia da banda. Considerando que já estamos no meio do ano, me arrisco dizer que “The Witch of the North” estará no meu top 10 álbuns de 2021.

Texto: Raquel de Avelar Laureto
Edição: Carlos Garcia
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o Álbum na Shinigami

Tracklist:
1.Winter s Wrath
2. The Witch Of the North
3. Tainted Ritual
4. We Stand As One
5. Flight Of The Valkyries
6. The Circle Of Five
7. Lady Of The Woods
8. Thrall
9. Omen
10. Nine Worlds
11. For Eternity
12. Dragon s Dream
13. Eternal Frost
14. Hall Of The Mountain King




 
 

sábado, 11 de setembro de 2021

Entrevista - Saeko Kitamae: De Volta e Encarando o Futuro

 


Saeko Kitamae é uma daquelas artistas que podemos chamar de guerreira, e que faz música com o coração. Desde que iniciou a busca pelo seu sonho de ter uma banda de Metal, inicialmente com bandas e projetos na cena japonesa, e em seguida partiu para a Alemanha. (English Version)

 Em 2002, enquanto estava nas ruas de Hamburgo distribuindo flyers em busca de músicos para formar uma banda, chamou a atenção de Lars Ratz (Metalium), que ficou impressionado com a atitude daquela jovem. A partir daí surgiu um grande parceria, com Lars produzindo os primeiros álbuns.  O debut teve boa repercussão, inclusive com Saeko indo tocar no Wacken.

Mas devido a vários percalços, logo após o lançamento do segundo álbum, "Life" (2006), Saeko teve de retornar ao Japão e interromper as atividades.

Mas a guerreira não se deu por vencida, e em 2020 era hora de retornar, e com auxílio de uma campanha de crowdfunding, gravou um novo disco. Início de 2021 a cantora teve mais um baque, a morte do grande amigo Lars Ratz em um acidente.  Era hora de reunir ainda mais forças e focar no novo trabalho, "Holy Are We Alone", lançado mês passado pelo selo Pride & Joy.

Conversamos com Saeko, que de coração aberto nos contou sobre sua carreira, as vitórias, as decepções, e claro, sobre o novo álbum, que traz uma conexão com os anteriores, e tem um belo conceito. Confira!


RtM: Você está na cena Metal há muito tempo, enfrentando altos e baixos e até se afastando dos palcos e estúdios, mas sempre ganhando força e voltando. Conte-nos mais sobre esse retorno e sobre esse novo álbum, que também contou com uma campanha de crowdfunding.
Saeko: Em primeiro lugar, obrigada por ainda se lembrar de mim depois de tantos anos. Talvez eu possa explicar mais tarde como as respostas a outras perguntas sobre o que aconteceu e como foi o sofrimento daqueles anos para mim, mas por enquanto, estou muito feliz por ter voltado com um ótimo álbum. Esse retorno foi possível graças aos patrocinadores da campanha de crowdfunding e a jornalistas solidários como você. Além disso, os grandes músicos que confiaram em mim e me ajudaram sem garantia (Guido Benedetti, Michael Ehré, Alessandro Sala e V. Santura). Sou muito grata a todas essas pessoas.


RtM: E por que você ficou tanto tempo sem lançar nada novo? Depois de realizar sonhos de tocar em um festival como o Wacken, recebendo uma boa resposta da crítica e do público com seus álbuns anteriores, você acabou suspendendo as atividades.
Saeko: Para resumir, algumas coisas aconteceram nos negócios na Alemanha e eu não consegui descobrir sozinho naquela época (2006), então não havia outra maneira a não ser interromper minha atividade musical. Quando parei minha atividade musical, minha autorização de residência expirou (eu só podia ficar na Alemanha com a condição de trabalhar para uma produtora / gravadora alemã). Então eu tive que voar de volta para o Japão. Mas no Japão, nenhum advogado japonês sabia como me resgatar do que aconteceu fora do Japão. Então, além da música, questões burocráticas e jurídicas ... Muitos obstáculos estavam por vir.



RtM: Puxa vida, tantas coisas burocráticas. E então?
Saeko: Já que todos os advogados japoneses jogaram fora meus assuntos, eu estudei e analisei por mim mesmo. Levei mais de 10 anos para descobrir os motivos e resolver os problemas. De qualquer forma, estou feliz por finalmente ter voltado, pelo menos. Aliás, a batalha mais difícil que tive dessa vez (2019) também foi com o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.
Tive de entregar muitas cartas, certificados e um grande plano de negócios para convencê-los a obter uma autorização de residência. É compreensível, no entanto. Se um estrangeiro visitar a imigração e disser: "Eu quero ficar na Alemanha para fazer heavy metal" ... presumo que a maioria dos funcionários diria "wtf", hahaha. De qualquer forma, estou na linha de partida agora e vamos ver como as coisas vão evoluir. A vida me ensinou uma lição. Agora vou enfrentar o futuro.



RtM: Quais são suas expectativas para essa nova fase com a banda?
Saeko: Antes do COVID, meus planos eram: 1. fazer o álbum, 2. encontrar uma agência de booking e 3. sair em turnê. Mesmo assim, o COVID mudou meu plano ... está normalizando aos poucos, mas ainda não encontrei uma agência de booking. No momento, estamos planejando fazer mais alguns vídeos com letras, enquanto procuramos uma agência. É uma época estranha, mas adoro fazer shows ao vivo. 

Na verdade, quero tocar no Brasil um dia, pois recebo muitas mensagens de fãs do Brasil. Enfim, nada é possível sozinho, mas muitas coisas se tornaram possíveis junto com pessoas que apoiam a mim e ao meu sonho. Então, espero que isso se torne realidade novamente. De qualquer forma, se houver alguma boa agência de shows lendo esta entrevista, entre em contato comigo.



RtM: Conte-nos sobre o conceito desse novo álbum, o lançamento diz que também teria uma conexão com os dois primeiros álbuns.
Saeko: Sim. Claro, o conceito tem conexões com esses dois álbuns, já que estou sempre escrevendo sobre o mesmo tema, a verdade eterna de nossos espíritos. Na verdade, liricamente, há várias histórias profundas acontecendo simultaneamente, mas esta entrevista é muito curta para explicar tudo.
Ainda assim, posso apontar algumas dicas interessantes aqui. Por exemplo, meu primeiro álbum (2004) foi intitulado "Above Heaven Below Heaven". Combinado com o título do próximo álbum, torna-se "Acima do céu, abaixo do céu, Holy Are We Alone".

Pessoas não asiáticas podem não reconhecer, mas alguém da Ásia certamente notará que esta é uma alteração da famosa frase de Bhudda: "Acima do Céu Abaixo do Céu, Santo Sou Eu Só". Além disso, os ouvintes que ouviram meu segundo álbum "Life" perceberão que a abertura do próximo álbum é uma alteração do final do segundo álbum, que acabou prevendo minha morte e renascimento:
"Não chore, logo te encontrarei de novo, lembre-se de mim ...". E o próximo álbum começa: "Chegou a hora, eu voltarei, Para te encontrar de novo"


RtM: Muito bom! Eu percebi a conexão na introdução do novo álbum. E muito bom que você está de volta.
SaekoEssa abertura sugere que a história continua. Mas também é a voz do SAEKO para os fãs de longa data, você sabe, para dizer que o SAEKO está finalmente de volta para você. 
De qualquer forma, o primeiro, segundo e o próximo, este terceiro, são feitos inspirados no mesmo tema.
O 1º álbum foi METAPHYSICAL, que descreveu a verdade eterna no OUTRO MUNDO. O segundo álbum foi PHYSICAL, que descreveu a verdade pessoal NESTE MUNDO, com base na minha vida real. E o novo álbum revela como esses dois mundos diferentes formam o universo juntos.



RtM: "Holy Are We Alone" traz letras em sete línguas, e também elementos da cultura japonesa, uma peculiaridade na sonoridade da banda, que até recebeu elogios em álbuns anteriores por apresentar uma identidade muito própria. Conte-nos mais sobre essas particularidades.
Saeko: Eu tenho minha filosofia: quando eu crio qualquer coisa - seja escrevendo letras ou compondo -, eu o faço com a mente vazia. Pode parecer muito oriental, mas é como uma meditação zen. Então, se há algo que você sentiu diferente do som anterior, é o resultado da minha criação e não o que eu fiz intencionalmente. Também contei essa minha filosofia para o Guido Benedetti (g), que me ajudou a compor, antes de trabalhar com ele. Então, ele disse que também é sua filosofia. Então, eu acho que nós dois tivemos sucesso em criar música, vindo do fundo de nossos corações. E acredito que tal atitude é exatamente o que dá uma identidade especial à música.



RtM: E que "surpresas" o público deve encontrar neste novo álbum?
Saeko: Que "surpresas" o público deve esperar? Hmmm, pergunta difícil, pois não pretendia surpreender ninguém, como disse acima. Mas eu mesmo me surpreendi com canções como "Índia: Farewell To You I", em que você ouve os cantos do Bhuddihism em sânscrito, e "Germany: Rebellion Mission", em que você me ouve cantando Mozart "Queen Of The Night Aria".



RtM: O primeiro single, "Russia: Heroes", foi lançado como primeiro single, gostaria que você nos contasse um pouco mais sobre essa música e sua bela letra.
Saeko: Como eu disse antes, várias histórias acontecem simultaneamente no álbum.
O conceito é que o personagem principal reencarna nos corpos de muitas pessoas ao redor do mundo, Japão, Rússia, Brasil, Índia, Alemanha ...

Mas eu queria tornar a letra o mais real possível. Então entrevistei uma pessoa desses países sobre sua vida. Com base em suas histórias de vida, escrevi as letras. Aliás, os olhos dos entrevistados também estão no encarte.

Para "Russia: Heroes", entrevistei um russo, que teve que faltar ao jardim de infância e aos primeiros anos do ensino fundamental devido a sua saúde debilitada.
Na entrevista, perguntei a ele quem era seu herói. Então, ele respondeu: "Eu considero quase qualquer pessoa que realmente realizou algo importante para si, mesmo que seja uma coisa muito pequena, um herói. Este mundo é complexo, a vida é difícil, mas eles conseguiram! Tenho orgulho deles." Essa resposta comoveu meu coração e tornou-se o refrão.


RtM: Eu sei que é difícil escolher, mas quais novas músicas você acredita que irão agradar mais aos ouvintes e por quê?
Saeko: Sim, isso é sempre difícil. Amo todas as músicas, é claro, e não consigo escolher nenhuma. No entanto, dependendo do seu gosto musical, certas canções podem agradar mais do que outras. Se você ama o power metal em geral, provavelmente vai adorar o primeiro single "Russia: Heroes". Se você ama algo mais progressivo, provavelmente vai adorar "India: Farewell To You I". Se você adora sentimentos de rock, provavelmente vai adorar "UK: Never Say Never". O ponto forte do álbum é que todas as músicas soam muito diferentes. É cheio de variedade, mas há uma sensação consistente de SAEKO ao mesmo tempo. Então, creio que você vai gostar de todos elas, afinal.



RtM: Conte-nos um pouco sobre o período com o Fairy Mirror, uma época em que você conseguiu ter uma visibilidade no cenário do Metal Japonês, mas acabou tendo que interromper as atividades.
Saeko: Oh, você quer dizer antes de 2001? Formei uma banda chamada Insania em 1997, que mudou seu nome para Fairy Mirror em 1999. Naquela época, quase nenhum selo japonês se interessava por bandas de metal japonesas, então toda a cena doméstica era chamada de 'underground', mas havia muitas boas bandas, e essas boas bandas estavam trabalhando juntas para dar suporte a toda a cena. Então, muitos músicos de metal japoneses se conheciam bem. Por exemplo, o primeiro baterista do Galneryus, Toshihiro "Tossan" Yui, estava tocando no Fairy Mirror em algum momento.
Eu também fui uma vocalista convidada no Manipulated Slaves, com quem cantei quando abriram a primeira turnê japonesa do Arch Enemy. Houve também uma compilação com Fairy Mirror, Onmyo-za (antes de ficarem grandes) e algumas outras bandas também.



RtM: E você teve bons resultados ou boas ofertas?
Saeko: Recebi ofertas de gravadoras, mas as me pediram para cantar e tocar de forma diferente para vender: Por exemplo, "por favor, cante como Tarja (Nightwish)" etc. Quase todo mundo me pressionou a fazer isso para ter sucesso, mas eu disse NÃO, o que foi o fim do meu tempo de Fairy Mirror em suma.

Enfim, fui para a Alemanha e voltei em 2006. Depois que voltei para o Japão, esses amigos músicos de metal de longa data me disseram para cantar novamente. Mesmo assim, por mais ou menos 4 anos, continuei rejeitando, pois meus problemas jurídicos não foram resolvidos e eu estava sem esperança de retomar a música na mesma escala. Lembro que na verdade não conseguia cantar, quando tentava as lágrimas rolavam.

Fairy Mirror, no Japão


RtM: E então?
Saeko: Ainda assim, em 2013, o Manipulated Slaves quase me forçou a sair em turnê como convidada com eles, colocando o anúncio em revistas japonesas. Depois disso, um projeto beneficente de heavy metal totalmente japonês, Metal Bless Japan, bem como bandas como Seventh Son e Rachel Mother Goose me convidou para participar de seus álbuns e shows.
Além disso, o cantor do Head Phones President me disse para não desistir tantas vezes. Sem eles, eu não estaria aqui agora. Não vou esquecer sua bondade.


RtM: E a opção por vir para a Alemanha? É mais difícil para um músico de metal no Japão alcançar seus objetivos? Conte-nos sobre a diferença de ter uma banda no Japão e na Europa.
Saeko: Não posso explicar todas as coisas complicadas nesta entrevista, mas publiquei um ensaio em japonês aqui, por exemplo:
https://note.com/saeko_metal/n/nc20e394c160d
Eu sei que você não sabe ler japonês, mas você pode imaginar que há uma razão muito profunda por trás disso. De qualquer forma, a indústria musical japonesa funciona de maneira completamente diferente dos países europeus. Não digo o que é melhor ou pior. Alguns músicos podem trabalhar melhor na indústria japonesa e outros na indústria não japonesa.

De qualquer forma, uma musicista como eu nunca pode trabalhar bem na estrutura da indústria musical japonesa. A mesma coisa vale para o mundo acadêmico. O tipo de pesquisador que será altamente avaliado na Europa geralmente não tem chance no Japão. O que a sociedade japonesa espera é quase o oposto do europeu. Não posso explicar mais do que isso nesta curta entrevista.

Flyer que Saeko saiu distribuindo nas ruas em Hamburgo, 2002, procurando companheiros para formar uma banda


RtM: As coisas começaram a acontecer quando você conseguiu o contato do Lars Ratz (Metalium), que acabou produzindo e, eu acho, tocando também no seu primeiro álbum com a banda Saeko, "Above Heaven - Below Heaven". Conte-nos um pouco sobre esse período, que acho que foi muito bom para vocês e apontava para um futuro promissor.
Saeko: Ele significou muito para mim, mas ele não tocou no meu álbum (o baixista do Fairy Mirror tocou o baixo no primeiro e no segundo álbum). Mas gostei de seus coros masculinos, gravados nos dois álbuns.

Você sabe como as coisas começaram com ele em 2003? Eu estava distribuindo panfletos, "Vocalista Buscando Juntar-se a Banda de Heavy Metal", sozinha na rua de Hamburgo. A maioria das pessoas talvez tenha considerado apenas uma piada, mas Lars levou a sério, e ele entendeu o quanto a música heavy metal significava para mim.
E ele me apresentou a Michael Ehre, V. Santura e tantas pessoas incríveis. Sem ele, esses 2 álbuns simplesmente não existiriam. Realmente, ele significava muito para mim.

Saeko e Lars Ratz

RtM: Um ótimo músico, tão triste que faleceu.
Saeko: Ele faleceu por acidente em abril deste ano. Quase um mês antes de sua morte, ele, eu e V. Santura conversamos novamente, para tê-lo como convidado em meu próximo álbum, para cantar alguns corais masculinos novamente. Ele ficou feliz em ouvir minha volta e gravou os backings. Foi muito divertido que eu estivesse pensando em pedir a ele para gravar meus vocais novamente no futuro. Porque ele era o melhor para mim como produtor vocal. 

Então, logo depois disso, ele partiu deste mundo. Fiquei chocada, pois provavelmente fui eu quem gravou sua última apresentação. Você entende o que isso significa? Eu senti que era o destino.
De qualquer forma, ele e eu fizemos ótimas músicas juntos. Lars e eu éramos idealistas livres, apaixonados e ousados. Tenho certeza que o encontrarei novamente na minha próxima vida. É estranho que eu tenha tanta certeza.



RtM: E o álbum "Life"? Algumas coisas não estavam indo como você esperava? Fale um pouco sobre esse álbum também.
Saeko: Não foram bem, e eu tive que voar de volta para o Japão, como expliquei acima. Além disso, usei todo o meu dinheiro e foi muito difícil para mim sobreviver no dia seguinte. Se bem me lembro, comecei a dar entrevistas de emprego um mês depois do lançamento, pois realmente tinha que sobreviver de qualquer maneira. Sem dinheiro para amanhã em mãos, eu estava muito deprimida, então recebi mensagens de fãs da América do Sul, dizendo "Por favor, venha tocar no meu país". Eu estava tipo, "Sim, eu gostaria! Mas não tenho dinheiro para isso!"


RtM: E sobre os planos após o lançamento de "Holy Are We Alone"? Assim que possível, já existem contatos para shows?
Saeko: Espero montar alguns shows, então preciso encontrar uma boa agência de booking para me ajudar. Infelizmente, não posso configurar todas essas coisas sozinha. Mas, claro, não quero terminar só lançando um álbum, como da última vez. Então, por favor, me deseje sorte em encontrar uma boa agência desta vez e fazer isso.



RtM: Obrigado pela entrevista, esperamos que o novo álbum tenha uma ótima recepção, qualidade sabemos que tem!
Saeko: Muito obrigada de minha parte também. Pessoas como você apoiando minha música. Realmente, eu agradeço.

Interview - Saeko Kitamae : Facing the Future

Saeko Kitamae is one of those artists we can call a warrior who makes music with her heart. Since starting the search for her dream of having a metal band, initially with bands and projects in the Japanese scene, and then left for Germany. (versão em português)

In 2002, while she was on the streets of Hamburg distributing flyers looking for musicians to form a band, caught the attention of Lars Ratz (Metalium), who was impressed by the attitude of that young woman. From there, a great partnership emerged, with Lars producing the first albums. The debut had good repercussion, including with Saeko going to play at Wacken.

But due to several setbacks, shortly after the release of the second album, "Life" (2006), Saeko had to return to Japan and discontinue activities.

But the warrior did not give up, and in 2020 it was time to return, and with the help of a crowdfunding campaign, she recorded a new album. Early 2021 the singer had another hit, the death of great friend Lars Ratz in an accident. It was time to gather even more strength and focus on the new work, "Holy Are We Alone", released last month on the Pride & Joy label.

We have talked to Saeko, who open-heartedly told us about his career, the victories, the disappointments, and of course the new album, which brings a connection with the previous ones, and has a beautiful concept. Check out!


RtM: You've been in the Metal scene for a long time, facing ups and downs and even moving away from the stages and studios, but always gathering strength and coming back. Tell us more about this comeback and about this new album, which also featured a crowdfunding campaign.
Saeko: First of all, thank you for still remembering me after so many years. Maybe I can later explain as the answers to other questions about what happened and how suffering those years were for me, but for now, I'm very happy that I was able to come back with a great album. This comeback was possible thanks to backers of the crowdfunding campaign and to supportive journalists like you.

Also, the great musicians who trusted me and helped me with no guarantee (Guido Benedetti, Michael Ehré, Alessandro Sala and V. Santura). I'm very thankful to all of these people.


RtM: And why did you go so long without releasing anything new? After realizing dreams like playing at a festival like Wacken, receiving a good response from critics and audiences with your previous albums, you ended up suspending activities.
Saeko: To make it short, a few things happened businesswise in Germany and I couldn't figure it out myself in those days (2006), so there was no way but to stop my music activity. When I stopped my music activity, my residence permit expired (I was allowed to stay in Germany only on the condition that I work for a German production/label). So I had to fly back to Japan. But in Japan, no Japanese lawyer knew how to rescue me from what happened outside of Japan. So, besides music, bureaucratic and legal matters ... Many hurdles were there to get over. 


RtM: Oh, So many bureaucratic things. And then?
Saeko: Since all Japanese lawyers threw away my matters, I studied and analysed by myself. It took me more than 10 years to figure out the reasons and to solve the matters. Anyway, I'm happy that I finally made a comeback at least. By the way, the hardest battle I had this time (2019) was also with the German Foreign Department. 

I had to turn in so many letters, certificates, and a thick business plan to convince them to get a residence permit. It's understandable, though. If a foreigner visits the immigration and says, "I wanna stay in Germany to make heavy metal" ... I assume most officials would be like "wtf", haha. Anyway, I'm at the starting line now, and let's see how things will develop. Life taught me a lesson. Now I´m gonna face the future.



RtM: What are your expectations for this new phase with the band?
Saeko: Before COVID, my plan was 1. make the album, 2. find a booking agency and 3. go on tour. Yet, COVID changed my plan ... it's opening up again, but I haven't found a booking agency yet. For the moment, we're planning to make some more lyric videos, while looking for a booking agency. It's a strange time, but I love playing live shows. I actually wanna play in Brazil one day, as I get lots of fan messages from Brazil.

Anyway, nothing is possible by myself, but many things became possible together with people who support me and my dream. So, I hope to make it come true again. Anyway, if there's any good booking agency reading this interview, please contact me.


RtM: Tell us about the concept of this new album, the release says it would also have a connection with the first two albums.
Saeko: Yes. Of course, the concept has connections with these two albums as I'm always writing about the same theme, the eternal truth of our spirits. In fact, lyrically, there are several deep stories going on simultaneously, but this interview is too short to explain everything.
Still, I can point out a few interesting hints here. For example, my 1st album (2004) was titled "Above Heaven Below Heaven". Combined with the title of the coming album, it becomes "Above Heaven Below Heaven, Holy Are We Alone". 

Non-Asian people may not recognise, but someone from Asia will surely notice that this is an alteration of the famous phrase by Bhudda: "Above Heaven Below Heaven, Holy Am I Alone". Also, listeners who heard my 2nd album "Life" will notice that the opening of the coming album is an alteration of the ending of the 2nd album, which finished predicting my death and rebirth:
"Don't cry, soon I will meet you again, please remember me ...". And the coming album starts: "Now the time has come, I'll be back, To meet you again"
This opening suggests the story is continuing. But it's also the voice of SAEKO to long-time fans, you know, to say SAEKO is finally back to you.



RtM: Very nice! I have noticed the connection on the intro of the new album
Saeko: Anyway, 1st, 2nd, and the coming 3rd albums are made on the same theme.
The 1st album was METAPHYSICAL, which described the eternal truth in the OTHER WORLD. The 2nd album was PHYSICAL, which described the
personal truth in THIS WORLD, based on my real life. ... and the new album reveals how these two different worlds make the universe together.



RtM: "Holy Are We Alone" brings lyrics in several languages, and also elements of Japanese culture, some differences in the sound of the band, which even received praise on previous albums for presenting a very own identity. Tell us more about these differences.
Saeko: I have my philosophy: When I create anything--either writing lyrics or composing--, I do so from the empty mind. It may sound very Eastern, but it's like a Zen meditation. So, if there is anything you felt different from the earlier sound, it is the result of my creation and not what I did intentionally.

I also told this philosophy of mine to Guido Benedetti (g), who helped me compose, before working with him. Then, he said it's also his philosophy. So, I think we both succeeded in creating music, coming from the deepest of our hearts. And I believe such an attitude is exactly what gives a special identity to music.



RtM: And what "surprises" the public should find in this new album?
Saeko: What "surprises" should the public expect? Hmmm, a difficult question, for I didn't intend to surprise anyone, as I said above. But I myself got surprised by songs like "India: Farewell To You I", in which you hear the Bhuddihism chants in Sanskrit, and "Germany: Rebellion Mission", in which you hear me singing Mozart "Queen Of The Night Aria".


RtM: The first single, "Russia: Heroes", was released few days ago, I would like you to tell us a little more about this song and its beautiful lyrics.
Saeko: As I said earlier, several stories go on simultaneously in the coming album.
The album concept is that the main character reincarnates in the bodies of many people around the world, Japan, Russia, Brazil, India, Germany ...
But I wanted to make the lyrics as real as possible. So I interviewed one person from these countries about his/her life. Based on their life stories, I wrote the lyrics. By the way, the interviewees' eyes are also in the booklet.

For "Russia: Heroes", I interviewed a Russian guy, who had to skip his kindergarten and first few years of elementary school due to his weak health.
In the interview, I asked him who his hero was. Then, he answered, "I consider almost anyone who really accomplished something important for themselves, even if it’s a really tiny thing, a hero. This world is complex, life is hard, yet they did it! I’m proud of them." This answer moved my heart, and it became the choir.



RtM: I know it's hard to choose, but which new songs do you believe will appeal the most to listeners and why?
Saeko: Yeah, this is always difficult. I love all the songs, of course, and I can't choose one.
However, depending on your taste of music, certain songs might appeal more than the others. If you love powermetal in general, you'll probably love the first single "Russia: Heroes". If you love something more progressive, you'll probably love "India: Farewell To You I". If you love more rockin' feelings, you'll probably love "UK: Never Say Never". The strong point of the album is that all songs sound very different. It's full of variety, but there's a consistent SAEKO feeling at the same time. So, you'll enjoy them all, after all.



RtM: Tell us a little about the period with Fairy Mirror, a time when you got to have a visibility in the Japanese Metal scene, but ended up having to stop activities.
Saeko: Oh, you mean before 2001? I formed a band called Insania in 1997, which changed its name to Fairy Mirror in 1999. Back then, almost no Japanese labels got interested in Japanese metal bands, so the whole domestic scene was so-called 'underground', but there were many good bands, and those good bands were working together to support the whole scene. So, many Japanese metal musicians knew each other well. For example, the very first drummer of Galneryus, Toshihiro "Tossan" Yui, was playing in Fairy Mirror at some point. 

I was also a guest singer of Manipulated Slaves, with whom I sang as an opening act of Arch Enemy's first Japanese tour. There was also a compilation album with Fairy Mirror, Onmyo-za (before they got big) and a few other bands as well.


RtM: And had you some good results or good offers?
Saeko: Anyway, then I got record deal offers, but the labels asked me to play differently to sell: For example, "please sing like Tarja (Nightwish)" etc. Almost everyone pushed me to do so to be successful, but I said NO, which was the end of my Fairy Mirror time in short.
Anyway, then I went to Germany and came back in 2006. After I came back to Japan, these longtime metal musician-friends told me to sing again. Yet, for 4 years or so, I kept on rejecting, as my legal problems were not solved, and I was feeling hopeless about resuming music at the same scale. I remember I actually couldn't sing as tears came down when I tried to sing.

Fairy Mirror


RtM: And Then?
Saeko: Yet, in 2013, Manipulated Slaves almost forced me to go on tour as a guest with them, putting the notice on Japanese magazines. After that, an all-Japan heavy metal benefit project, Metal Bless Japan, as well as bands like Seventh Son and Rachel Mother Goose invited me to guest in their albums and gigs.
Also, the singer of Head Phones President told me not to give up so many times. Without them, I wouldn't be here now. I won't forget their kindness.



RtM: What about choosing to come to Germany? Is it harder for a metal musician in Japan to reach their goals? Tell us about the difference of having a band in Japan and Europe.
Saeko: I can't explain all complicated things in this interview, but I published an essay in Japanese here, for example:
https://note.com/saeko_metal/n/nc20e394c160d
I know you can't read Japanese, but you may be able to imagine there's some very deep reason behind it.
Anyway, the Japanese music industry functions completely differently from the European countries. I don't say which is better or worse. Some musicians can work better in the Japanese industry and some in the non-Japanese industry.

Anyway, a musician like me can never work well in the Japanese music industry structure. The same thing is true for the academic world. The kind of researchers who will get highly evaluated in Europe can usually have no chance in Japan. What the Japanese society expects is almost the opposite to that of Europe. I can't explain more than that in this short interview.



RtM: Things started to happen when you got the contact from Lars Ratz (Metalium), who ended up producing and, i think, also playing on your first album with the band Saeko, " Above Heaven - Below Heaven". Tell us a little about this period, which I think was a very good time for you and pointed to a promising future.
Saeko: He meant a lot to me, but he didn't play in my album (the bassist of Fairy Mirror played the bass for the 1st and 2nd albums). But I liked his male choirs, recorded in both albums.
Do you know how things started with him back in 2003? I was handing out flyers, "Vocalist Seeking to Join Heavy Metal Band", alone on the street in Hamburg. Most people perhaps took it just a joke, but Lars took it seriously, and he understood how much heavy metal music meant to me. 
And he introduced me to Michael Ehre, V. Santura and so many great people. Without him, those 2 albums didn't simply exist. Really, he meant a lot to me.


RtM: A great musician, so sad he passed away.
Saeko: He passed away by accident in April this year. Just about a month before his death, he, I and V.Santura talked again, to have him as a guest in my coming album, to sing some male choirs again. He was happy to hear my coming back and recorded his choirs. 

It was quite fun that I was even thinking of asking him to record my vocals in the future again. Coz he's the best for me as a vocal producer. Then, just after that, he departed this world. I felt shocked, for I'm probably the one who recorded his last performance. Do you understand what it means? I felt a kind of destiny.
Anyway, he and I made great music together. We were free, passionate and bold idealists. I'm sure I'll meet him again in my next life. It's strange that I feel so sure.



RtM: What about the "Life" album? Some things again weren't going as you expected? Tell us a little about this album too.
Saeko: No, it's just because I had to fly back to Japan as I explained above. Also, I used up all my money, and it was really hard for me to survive the next day. If I remember correctly, I started to have job interviews one month after the release, for I really had to survive anyhow. With no money for tomorrow at hand, I was very depressed, then I got fan messages from South America, saying "Please come to play in my country". I was like, "Yes, I would like to! But I have no money for that!"



RtM: What about plans after the release of "Holy Are We Alone"? As soon as possible, are there already contacts for concerts?
Saeko: I hope to set up some shows, so I need to find a good booking agency to help me. Unfortunately, I cannot set up all these things by myself. But, of course, I don't wanna finish just releasing an album, like the last time. So, please wish me luck to find a good agency this time and make it.


RtM: Thanks for the interview, we hope the new album has a great reception, quality for what we know it has!
Saeko: Thank you very much from me, too. People like you are supporting my music. Really, I appreciate it.


Interview by Carlos Garcia






quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Iron Maiden: Estratégia Certeira




Os ingleses do Iron Maiden são uma das poucas bandas que restam capazes de encher um estádio, e que o lançamento de um álbum novo é um verdadeiro evento, para alegria dos fãs e claro, dos lojistas, pois é sucesso de venda garantida.

Com "Senjutsu", 17° álbum da banda, não foi diferente. Gravado em 2019, durante uma pausa da turnê "Legacy of the Beast" e mantido em segredo, causou uma grande surpresa aos fãs quando dia 19 de julho houve o anúncio do lançamento, precedido dias antes pelo lançamento do single e vídeo "The Writen on the Wall", o que já causou alvoroço.

Bom, praticamente ninguém fica indiferente quando uma banda desse porte lança trabalho novo, e nós não tinhamos como não tecer nossos comentários e impressões. Confira a seguir.


"Tornar-se a maior banda de Heavy Metal do mundo, passar mais de 40 anos e ainda ser motivo para discussões só mostra a grandiosidade destas lendas."


"Senjutsu" por Renato Sanson

O 17° álbum de estúdio da Donzela de Ferro nos pegou de certo modo de surpresa, mas também sabíamos que em algum momento de 2021 ou 2022 um novo material estaria disponível. Eis que chega ao mundo “Senjutsu” carregado de expectativas e dúvidas do que poderíamos esperar. Teríamos o “novo” Iron Maiden dos últimos anos progressivo e complexo ou quem sabe alguma volta as origens e algo mais dinâmico e melodioso de outrora?

Pois bem, ao liberar o Tracklist e o primeiro Single – “The Writing On The Wall” – as dúvidas (ou nem tanto hehehe) foram sanadas e tínhamos em mãos a vertente mais progressiva possível, mas com melodias instigantes que até mesmo os que torcem o nariz para este direcionamento ficaram curiosos em ouvir o trabalho completo. O plano de Marketing deste álbum foi incrível, pois conseguiram deixar a comunidade Headbanger comentando a todo o instante sobre “Senjutsu”.

Claro, temos que ser realistas, pois este pode ser o último trabalho dos ingleses então gerou bastante comoção e até para quem não acompanha a banda de “Brave New World” (00) para cá, queria ter o disco em sua prateleira.

Não estou aqui para falar minha opinião musical sobre o álbum, até porque seria injusto comigo mesmo já que o Iron Maiden é a banda da minha vida, a trilha sonora de todos os momentos, mas sim expressar o quanto “Senjutsu” mexeu comigo emocionalmente. A temática milenar também me chamou muito a atenção e as letras com certo tom de despedida que se entrelaçam ao instrumental característico, mas obscuro e denso como não ouvíamos desde “The X Factor” (95).

É complicado pensar em um mundo sem Iron Maiden, onde os gigantes estão tombando e poucas reformulações estamos tendo. Mesmo que gere o ame ou odeie (e nos últimos anos o Maiden tem passado por esses sentimentos a cada novo álbum) a instituição do Heavy Metal mundial mexe como você, mexe com seus brios nem que seja para criticar, mas lá está você esbravejando ou elogiando os caras!

Missão cumprida! Tornar-se a maior banda de Heavy Metal do mundo e se passar mais de 40 anos e ainda ser motivo para discussões só mostra a grandiosidade e comprometimento com o estilo dessas lendas. “Senjutsu” pode encerrar uma história grandiosa e o que nos resta é aproveitar cada segundo desta obra e das demais lançadas pela Donzela.

🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘

"Daqueles discos que crescem a cada audição e mostra que de decadência o Maiden provavelmente jamais sofrerá."


"Senjutsu" por Carlos Garcia

"Senjutsu" é o 17° álbum  e o segundo duplo de estúdio dos ingleses, e seu esperado anúncio foi cercado de uma excelente estratégia de marketing. Em 15 de julho foi liberado um single e vídeo de animação para a faixa "The Writing on the Wall", onde várias referências da carreira do Maiden aparecem. Logo após, no dia 19 do mesmo mês, anunciaram o novo álbum,  e desde então iniciaram os debates e expectativas do que esperar.

Chegou a hora e praticamente ninguém no meio Heavy Metal conseguiu ficar indiferente a   "Senjutsu" (que traduzindo seria Estratégia ou Táticas). A capa, depois de muito tempo (se a memória não me trai), novamente traz o Eddie em um tema oriental, vestido de samurai, pois a última vez que o mascote empunhou uma katana foi no "Maiden Japan"(1981). 

"Senjutsu" recebeu reações diversas, na maioria positivas, notas altas da imprensa especializada, alguns apontando já como um novo clássico, outros classificando como um bom trabalho, e em menor escala aqueles que acharam um  álbum "mais do mesmo" e até longo de mais e repetitivo em algumas músicas.

Claro, quem espera ainda um disco na linha de um "The Number of the Beast", " Powerslave" ou "Seventh Son...", não vai nunca ficar satisfeito, e isso não vai acontecer. A banda sempre foi fazendo álbuns diferentes, experimentando.



Discos como "Somewhere in Time" e "Seventh Son of a Seventh Son" receberam críticas desfavoráveis, devido as mudanças na sonoridade e uso de teclados e sintetizadores, mas com o passar do tempo foram melhor compreendidos. 

O Maiden atual, trilha por caminhos às vezes mais progressivos, com faixas mais lentas, mais reflexivas e mais longas. Isso vem desde o retorno de Adrian Smith e Bruce Dickinson no "Brave New World". Assim como seu antecessor, "Book of Souls" (2015), "Senjutsu" traz faixas com mais minutos de duração, mais climáticas e até sombrias. 

Muitas marcas registradas da banda estarão sempte ali, como as tradicionais linhas vocais de Dickinson, os andamentos cavalgados, o baixo sempre destacado de Steve Harris, a alternância de riffs, solos e melodias do trio de guitarras, e vale destaque extra para a pegada e excelente gravação da bateria de Nicko Mcbrain, com seu kit soando pesado e orgânico, uma lição de como se deve tocar e soar uma bateria "real". 

Falando um pouco das faixas, destaco a pesada e densa faixa título, e que abre o disco; "Stratego", que vem numa linha mais acelerada e com as tradicionais bases cavalgadas; "The Writing on the Wall", mais climática, com introdução acústica e nuances do Southern Rock; "Days of Future Past", tem uma veia mais Hard pesadão e riff marcante, sendo uma das mais curtas.


"Lost in a Lost World", flerta com o progressivo 70's (Jethro Tull, Wishbone Ash), com seu início acústico, teclado de fundo e efeitos na voz de Bruce, para depois mudar de pegada, transitando por andamentos bem típicos do Maiden. A parte final, do disco 2, é a parte com músicas mais longas, onde destaco a épica e sombria "Darkest Hour", com seu tema sobre a segunda guerra, destacando os solos melodiosos e melancólicos.

Enfim, é um bom álbum, com seus bons momentos, pode até pecar em alguns trechos que soam repetitivos, há músicas longas, portanto recomenda-se ser digerido com calma, ouvido várias vezes. Daqueles discos que crescem a cada audição e mostra que de decadência o Maiden provavelmente jamais sofrerá. 


www.ironmaiden.com