quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

De Volta a Hollywood: Graham Bonnet Reescreve Sua História ao Vivo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

O novo álbum ao vivo “Lost In Hollywood Again”, registrado no lendário Whisky a Go Go, apresenta Graham Bonnet em plena forma. A obra não só resgata momentos essenciais de uma carreira que atravessa décadas, como também reafirma o vigor musical de uma banda entrosada e segura de seu propósito. Faixa a faixa, o disco revela um percurso emocional, técnico e histórico que faz justiça ao legado de Bonnet e suas passagens por grupos icônicos como Rainbow, Alcatrazz e Michael Schenker Group.

A abertura com “Eyes Of The World”, clássico do Rainbow, é grandiosa e irresistível. A gravação capta a atmosfera imponente da versão original, preparando o ouvinte para um espetáculo que honra a história da banda sem soar datado. É um início que cria expectativa e, de maneira justa, anuncia algo maior.

Na sequência, “All Night Long” explode em energia. As guitarras permanecem inconfundíveis e o vocal de Bonnet encontra seu auge ao vivo, entregando uma performance que pode fazer qualquer um levantar do sofá. É um clássico absoluto que reafirma a força dessa fase da carreira do vocalista.

Ainda na fase Rainbow, temos “Love 's No Friend” que mantém a linha pesada, com riffs firmes e um refrão reforçado por backing vocals sólidos. A cozinha funciona de maneira coesa e entrega uma terceira faixa lapidada, reforçando que o repertório deles continua sendo uma jóia quando interpretado por quem lhe deu vida originalmente.

Seguimos para a quarta faixa, “Making Love”, que surge como um momento mais melódico. A composição transita entre o Hard Rock e nuances de Groove, intercalando vocais e ótimos solos de guitarra. Ao vivo, a música ganha ainda mais corpo, revelando-se um acerto na construção dinâmica do espetáculo.

E então vem ela: “Since You’ve Been Gone”, a queridinha do público. A música carrega memórias e nostálgias que atravessam gerações, e a banda entrega tudo com precisão. É impossível não ser transportado para outro tempo e deixar as preocupações em pausa por alguns minutos.

O interlúdio “Keys Solo” é uma das surpresas mais agradáveis do álbum. Entre guitarras pesadas e conversas com o público, os sintetizadores criam uma viagem instrumental que merece ser ouvida com atenção. Inclusive, pular essa faixa seria um pecado. É técnica, atmosfera e brilhantismo puro.

Entretanto, chegam os respiros, com “Lazy” traz um Rock N’ Blues despretensioso, perfeito para o clima ao vivo, enquanto “Imposter” muda o ritmo e injeta uma estética oitentista, pesada, com Bonnet demonstrando vocais ainda muito potentes. Já “S.O.S.” aposta em pianos e elementos de rock clássico, sem revelar grandes surpresas, mas cumprindo bem seu papel no fluxo do show.

Convém falar em “Desert Song”, onde o álbum segue sua linha estética, mantendo coerência sem se desviar do tom Hard Rock que domina o repertório. Na sequência, o tradicional “Drums Solo”, que prepara terreno para o retorno explosivo com “Night Games”, grande sucesso da carreira solo de Bonnet nos anos 1980. É outro ponto de destaque, merecendo figurar mais uma vez no hall dos clássicos do vocalista.

Na reta final, “Into the Night” e “Assault Attack” reforçam a proposta da performance ao vivo com faixas menos conhecidas do grande público, mas que agregam peso e constância ao repertório. 

O penúltimo grande momento chega com “Too Young To Die, Too Drunk To Live”, clássico da era Alcatrazz. É, sem dúvida, um dos ápices do show — já anunciado pelo próprio Bonnet — e conduz o público a uma celebração da fase oitenta do artista.

Por fim, a obra se encerra com “Lost In Hollywood”, mais um marco do Down to Earth. Aqui, Bonnet revisita seu próprio passado com honra e perfeição. A execução ao vivo preserva o espírito original criado por Ritchie Blackmore, Roger Glover e Cozy Powell, encerrando o álbum com a dignidade que os clássicos merecem.

“Lost In Hollywood Again” é mais que um álbum ao vivo, pode ser considerado um documento histórico. Graham Bonnet revisita seus sucessos com autoridade, acompanhado por uma banda afiada e um público entusiasmado. O disco celebra a trajetória de um dos vocalistas mais singulares do Hard Rock, mantendo viva não apenas a memória de seus clássicos, mas também sua relevância contemporânea. 

Mais um presente de Natal, daqueles que não tem erro, com lançamento para o dia 12 de dezembro de 2025.

“Lost In Hollywood Again” Tracklist:

1.    Eyes Of The World    

2.    All Night Long    

3.    Love's No Friend    

4.    Making Love    

5.    Since You'Ve Been Gone    

6.    Keys solo    

7.    Lazy    

8.    Imposter    

9.    S.O.S.    

10.    Desert Song    

11.    Drums solo    

12.    Night Games    

13.    Into The Night    

14.    Assault Attack    

15.    Too Young To Die, Too Drunk To Live    

16.    Lost In Hollywood


Line Up:

Graham Bonnet – Vocals

Conrado Pesinato – Guitars

Beth-Ami Heavenstone – Bass

Alessandro Bertoni – Keyboards

Francis Cassol – Drums


Rob Moratti: “Sovereign” Eleva a Fase Madura de Rob Moratti no AOR Contemporâneo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

Com longa trajetória no Hard Rock Melódico e com uma pitada de Progressivo, Rob Moratti retorna em 2025 com “Sovereign”, um álbum que consolida sua maturidade artística e reafirma aquilo que sempre o destacou: a capacidade de unir técnica, emoção e melodias cuidadosamente construídas. O disco apresenta produção impecavelmente limpa, instrumentação precisa e um cuidado evidente com as atmosferas que guiam o ouvinte do início ao fim.

Começamos a audição na ordem das faixas, com “Don’t Give Up On Love” que estabelece de imediato o tom do álbum. É uma canção forte, de riffs marcantes, melodia ascendente e senso de energia muito bem conduzido, sendo uma das mais eficazes portas de entrada para o universo de Sovereign.

Na sequência, “Can’t Let You Go” que puxa a sonoridade para um território mais leve, com claras referências oitentistas e uma estética pop rock que suaviza o impacto inicial, garantindo contraste sem quebrar a fluidez do disco.

Agora, uma pausa para falar de “Every Word” que surge como uma das primeiras grandes demonstrações de profundidade. Inicia tranquila, quase insinuante, e evolui organicamente até ganhar força com a entrada das guitarras. É um dos momentos em que Moratti melhor equilibra emoção e técnica, criando uma faixa memorável. Considero meu destaque do álbum.

Por outro lado, “Waiting”, assume abertamente uma vibe mais pop, apostando na leveza e na acessibilidade. A construção é bem resolvida e agradável, mesmo que mais suave do que o núcleo da obra.

Somente então, quando Sovereign parece se estabilizar em uma zona melódica mais delicada, “Locked Down” devolve o peso à obra. Com solos marcantes, riffs encorpados e vocais em excelente forma, é a faixa mais vigorosa do disco e também um dos seus pontos altos.

A seguir, “Two Hearts” entra com uma dinâmica equilibrada, mantendo a coesão do álbum e oferecendo um meio-termo interessante entre melodia e movimento. É uma faixa sólida, sem excessos, que sustenta a estrutura do conjunto. Também torna-se impossível não perceber na introdução desta música um lembrete ao filme “The Breakfast Club” (Clube dos Cinco) produção estadunidense do gênero dramédia lançado em 1985. 

A releitura de “In The Air Tonight” é uma das surpresas positivas do álbum. Inclusive, tive que ouvir algumas vezes, para ter certeza das minhas opiniões, Moratti respeita a atmosfera crescente da obra original de Phil Collins, permitindo que teclados e baixo conduzam a tensão até que os momentos finais explodam em intensidade. É uma interpretação competente, que se destaca pela sensibilidade na construção.

“I’ll Never Break Your Heart” adiciona o trecho mais emotivo da parte final, simples, direta, honesta e centrada na entrega vocal.

Por fim, “The Calling” e “Angel” reforçam o caráter melódico tradicional que permeia a obra. São faixas consistentes, com execução impecável, ainda que menos ousadas. “Angel”, especialmente, cumpre bem o papel de balada emocional, com delicadeza e clareza interpretativa.

O álbum encerra com “This Is Forever”, que aposta na grandiosidade e funciona como síntese da proposta de Sovereign: melodia, sensibilidade e produção refinada.

No conjunto, “Sovereign” é um álbum tecnicamente seguro e emocionalmente comprometido com a estética que define Rob Moratti. Não é um trabalho que busca reinventar o estilo, e tampouco acredito que pretenda ser. Inclusive, sua força reside na precisão, na elegância e na coesão, sem motivos para “reinventar a roda”.

Em conclusão, para fãs do Rock progressivo, nostálgico e cheio de melodia, é um lançamento consistente, bem produzido e capaz de entregar momentos verdadeiramente marcantes. Entretanto, para quem procura ruptura, talvez esteja mais para uma obra conservadora. Ainda assim, dentro de sua proposta, Moratti reafirma porque segue sendo um nome respeitado no cenário mundial do gênero.

“Sovereign” Tracklist:

1.    Don't Give Up On Love    

2.    Can't Let You Go    

3.    Every Word    

4.    Waiting    

5.    Locked Down    

6.    Two Hearts    

7.    In The Air Tonight    

8.    I'll Never Break Your Heart    

9.    The Calling    

10.    Angel    

11.    This Is Forever


Line Up:

Rob Moratti - vocals

Joel Hoekstra - lead guitar

Tony Franklin - bass

Felix Borg - drums 

Fredrik Bergh - keyboards

Pete Alpenborg - rhythm guitar and keyboards




Brazen Abbot: A Obra Mais Imponente e Madura do Brazen Abbot

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

“Guilty As Sin”, lançado originalmente em 2003 e com data de relançamento para 12 de dezembro de 2025, representa a fase mais madura e segura do Brazen Abbot, projeto idealizado por Nikolo Kotzev. Depois de estabelecer as bases do projeto nos anos 90, o músico chega a este álbum com total domínio de sua proposta musical. Relembrando que o Hard Rock melódico vivia um novo momento na Europa e o disco aproveitou essa fase de renovação, entregando uma obra ambiciosa, bem produzida e extremamente detalhada.

Este álbum é composto pelo poderoso e atemporal trio de vocalistas, nada mais, nada menos do que, pasmem, Joe Lynn Turner, Jørn Lande e Göran Edman. Os estrelados músicos dividem o repertório, cada um trazendo sua identidade para faixas específicas sem comprometer a unidade do trabalho. A direção de Kotzev na composição da obra, garante que todas essas vozes diferentes convivam de forma natural, fazendo com que o álbum soe como uma narrativa contínua e coesa.

Destaque para Turner, que brilha com seu vocal firme e expressivo, especialmente em “One Life to Live”, onde já fica claro o tom grandioso do disco. Ele também se destaca em “Slip Away” e na faixa-título, mostrando porque é considerado uma das vozes mais marcantes do Rock pesado, inclusive tendo passado por bandas icônicas ao decorrer das décadas. Já o furacão norueguês Jørn Lande adiciona peso e dramaticidade, contribuindo com interpretações intensas em músicas como “Eyes on the Horizon”, “Mr. Earthman” e “A Whole Lotta Woman”. Seu estilo mais forte e teatral amplia a dimensão emocional do álbum. Inclusive, o currículo do vocalista impõe respeito, ele fez parte de alguns álbuns marcantes do projeto de Tobias Sammet, o Avantasia, além de ter integrado os primeiros anos do Masterplan. Por fim, o grande Edman surge como o ponto de equilíbrio, oferecendo suavidade e melodia em faixas como “I’ll Be Free”, “Like Jonah” e especialmente em “Eve”. Sua precisão técnica ajuda a criar momentos de respiro em meio às composições mais densas.

Torna-se importante ressaltar, que a base instrumental chega para integrar a qualidade do projeto. John Levén, Ian Haugland e Mic Michaeli, conhecidos pelo trabalho no Europe, banda esta que dispensa comentários, criaram uma fundação sólida para as ideias de Kotzev. O baixo firme, a bateria enérgica e os teclados bem colocados sustentam as melodias e intensificam o impacto das canções. A produção é limpa, clara e cheia de camadas, mostrando uma preocupação cuidadosa com cada detalhe, coisa de gigantes do gênero.

Vale a pena lembrar, que o relançamento de 2025, destaca ainda mais a importância de “Guilty As Sin” na cena do início dos anos 2000. O disco surge em um momento em que o Rock Melódico e o Hard Rock voltavam a ganhar força, acompanhados pelo crescimento do Metal melódico e pelo retorno do interesse em grandes vocalistas. Inclusive, o fundador do Brazen Abbot aproveita esse cenário não apenas seguindo tendências, mas mostrando como o gênero podia soar moderno e grandioso sem perder suas raízes.

Finalmente, o excelente “Guilty As Sin” permanece como um dos pontos altos da história do Brazen Abbot e um dos trabalhos mais fortes do Hard Rock melódico de sua década. Mesmo sem material bônus no relançamento, o álbum se mantém relevante e imponente, é um disco que continua atual e essencial para quem acompanha o gênero, e também para aqueles que estão começando sua jornada no vasto mundo do Hard Rock.

Tracklist:

1.    One Life To Live (Joe Lynn Turner) 

2.    Eyes On The Horizon (Jørn Lande) 

3.    I’ll Be Free (Göran Edman) 

4.    Slip Away (Joe Lynn Turner) 

5.    Mr. Earthman (Jørn Lande) 

6.    Like Jonah (Göran Edman) 

7.    Bring The Colors Home (Jørn Lande) 

8.    Fool’s Confession (Göran Edman) 

9.    Supernatural (Joe Lynn Turner) 

10.    Eve (Göran Edman) 

11.    A Whole Lotta Woman (Jørn Lande) 

12.    Guilty As Sin (Joe Lynn Turner)


Line Up:

Nikolo Kotzev - guitars, keyboards

Ian Haugland - drums

Mic Michaeli - Hammond

John Leven - bass

Joe Lynn Turner - singer

Göran Edman - singer

Jörn Lande - singer

Matéria Especial: Passado e Futuro se Colidem nos 15 anos da NERVOSA Em Uma Coletiva de Imprensa na Galeria do Rock

Selma Alves

Por Bruno França 

Prestes a concluir uma turnê de sucesso que comemora os primeiros quinze anos de existência da banda, a NERVOSA retorna ao seu país de origem - o Brasil - para o fechamento de um ciclo, ao mesmo tempo que inicia um novo.

A Galeria do Rock, um dos maiores templos do Rock e do Metal não só do Brasil, mas da América Latina, hospedou uma coletiva de imprensa na noite que antecedeu o último show do ano da banda (marcado para o dia 5), no teatro do Sesc Bom Retiro.

A coletiva aconteceu no espaço recém-aberto da Arena Galeria, localizada no 5º andar, ao passo em que as integrantes estavam visivelmente governadas por uma animação com o evento.

Tendo iniciada precisamente às 19:27, Prika Amaral (guitarra e voz; líder), Helena Kotina (guitarra), Emmelie Herwegh (baixo) e Gabriela Abud (bateria) cumprimentaram todos os presentes e responderam várias perguntas dos jornalistas dos mais variados veículos, abordando sobre temas como a diversidade cultural ao redor do mundo, o poder da cena brasileira, o consumo da música nos dias atuais, as influências ao redor das composições dos álbuns, entre outros tópicos.

Abaixo, estão alguns dos temas abordados.


JANEIRO MARCA O ALVO: UM NOVO ÁLBUM

Passadas as devidas formalidades, a coletiva se iniciou não com um sussurro, mas sim com um estrondo: o anúncio oficial de que o próximo álbum está a caminho. A composição do sucessor de "Jailbreak" (lançado em 2023) está em níveis avançados, e é garantido que tenhamos novidades sobre ele já em janeiro do ano seguinte, na forma do primeiro single.

A canção mais recente, "Smashing Heads", foi feita como comemoração neste momento tão especial que o quinteto multinacional passa atualmente, sendo a primeira participação oficial da holandesa Emmelie Herwegh como integrante nas atividades do baixo e da brasileira Gabriela Abud assumindo a bateria, após a partida da búlgara Michaela Naydenova no começo do ano passado.

Carregando a característica de um zeitgeist, a faixa não estará presente no novo álbum, conforme confirmado pela fundadora e líder Prika Amaral.

Uma segunda bomba foi lançada em sequência: não haverá nenhuma participação especial.

Traçando um paralelo com as suas origens, o primeiro álbum da sua discografia, "Victim of Yourself", é o único que não possui participação especial de nenhum(a) outro(a) musicista. E tal característica será repetida no próximo lançamento.

Uma vez mais, a produção conta com o argentino Martin Furia, peça importante no patamar que a NERVOSA se encontra atualmente, seja pelos seus conhecimentos como guitarrista do DESTRUCTION, seja pela sua experiência como produtor que guia as integrantes enquanto mantém uma qualidade sonora mais polida do que a anterior.

Bruno França

DUAS CABEÇAS PENSAM MELHOR DO QUE UMA

Uma característica um tanto incomum que envolve a NERVOSA é o fato dela possuir duas baixistas. A grega Hel Pyre nem sempre pode estar participando dos shows por duas razões centrais: a mesma virou mãe recentemente, e as suas responsabilidades familiares entram em rota de colisão com as performances e as atividades da banda. 

Não obstante o fato dela ocasionalmente ser convidada para participar dos shows da lenda viva KING DIAMOND, como aconteceu numa turnê europeia recente, onde ela assume as tarefas de backing vocals e do teclado. Adicionalmente, a grega ainda realiza shows com a sua banda de Black Metal W.E.B., cantando enquanto também toca baixo.

A fundadora Prika se pronunciou ao se certificar de que, apesar das imagens promocionais recentes mostrarem tanto ela quanto Emmelie juntas, não é a intenção ter ambas simultaneamente no palco. Há um pouco mais de dois anos, Emmelie esteve disponível para preencher essa lacuna diante da indisponibilidade de Hel Pyre.

Considerando que não é desejo da mesma sair, e respeitando esta decisão, Prika então decidiu que ambas fazem parte da família NERVOSA, tornando Emmelie Herwegh como também uma integrante efetiva.

Selma Alves

GOSTOS PLURAIS TORNAM A VIDA MAIS PRAZEROSA

Prevendo que a Prika seria bombardeada com a maioria (quase unânime) das questões, este repórter se prontificou em providenciar uma variada para que as outras membras também pudessem se expressar. Sendo assim, a primeira das duas perguntas realizadas foi direcionada à Emmelie (a primeira pergunta realizada em Inglês na conferência). Ao ser questionada sobre a visão estreitista a qual muitos possuem de que quem gosta de Metal "só pode gostar disso", a holandesa se pronunciou (em verbatim):

"Na minha opinião, as pessoas podem gostar daquilo que preferem. Então se é apenas Metal, tudo bem. Só que para mim, a música é mais do que isso. O Metal é o meu gênero preferido, é o que mais gosto de tocar, amo a comunidade como um todo e tudo a respeito.

Mas eu também recebo inspirações de muita música Pop, especialmente de artistas femininas. Para mim, elas são muito empoderadoras. Há também mulheres no Metal, mas tenho também ídolas na música Pop, as quais eu adoro e tenho como referência.

Por mim, cada um escolhe o que preferir. Não importa em abstrato o que cada um gosta, todos são livres para apreciarem aquilo que os agradam.

Não é uma luta ou uma competição, música se trata de ouvir tudo o que existe nela".

Bruno França

AS FERRAMENTAS DO TRABALHO: UM RESUMO SOBRE COMO OCORREM AS COMPOSIÇÕES

Durante o momento para a composição de material novo, Prika deixou claro que não é interessante ficar numa visão linear de apenas um "Thrash Metal cru".

Adicionalmente, acrescentou que todas as integrantes são muito bem-vindas para darem os seus pontos de vista e que possuem boa liberdade no ato da composição em si.

"Então a gente trás outros elementos, outras ideias, outras coisas. E não se fechar, não direcionar a sua inspiração, sabe?

Fazer a arte é você liberar ali a sua expressão, a sua... é não ter medo! Se eu quero cantar limpo, eu vou cantar limpo. Se eu quero soltar uma gutural, eu vou cantar gutural", explicou a líder.

Elaborando sobre a sua parte do processo, Gabriela se manifestou (em verbatim): "Eu espero que as pessoas realmente se conectem do jeito delas - não do jeito que a gente quer -, mas que chegue nelas. A letra. Tipo... a música tá foda, mas a letra... eu acho que ela tá mais foda".

Ou seja, a própria também está fazendo parte da escrita das letras do próximo álbum.

Ato contínuo, a baterista revelou que, por vir de uma escola mais moderna, traz algumas das suas influências vindas de GOJIRA e de LAMB OF GOD, por exemplo.

Selma Alves

UMA DÉCADA E MEIA EM RETROSPECTIVA

Quando Prika Amaral foi questionada sobre o show final que fecha a atual turnê, se teremos alguma participação especial, talvez a aparição de alguma integrante antiga, a membra fundadora revela que só percebeu a chegada dos quinze anos no final de 2024.

"Fiquei muito feliz que a gente conseguiu fazer o primeiro show de comemoração de quinze anos em São Paulo" (N. da R. = na primeira edição do DARK DIMENSIONS FEST, coincidentemente no aniversário da cidade, cuja cobertura foi feita por este repórter, disponível aqui na ROAD TO METAL).

Após contar que cinco shows foram realizados no Japão com setlists diferentes e que rolou a ideia de fazer shows em ordem cronológica, ela continua, (em verbatim):

"E aí casou de a gente fazer o último show deste ano (e último show da turnê) em São Paulo. Eu falei: 'vamos fazer esse show, só que bem elaborado e tal'. A gente vai estudar melhor como que a gente vai fazer, o que vai falar e tal. A gente construiu isso... e a gente vai tocar em um teatro, né? E lá no Sesc Bom Retiro é todo mundo sentado. 

Então fez muito sentido a gente fazer esse tipo de formato. A galera não vai poder ficar agitando muito (o que é uma pena), mas eu vou estar ali para a gente tocar as músicas, fazer um 'revival' da NERVOSA e contar a história também".

Finalizando a pergunta, a natural de Bragança Paulista revela que teve um disco gravado nos Estados Unidos, além de outros pedaços de informações que o público talvez nem saiba: “vai ser meio que isso: um stand up, mas não 'comedy' [risos de todos].”

Selma Alves

A POTÊNCIA DO BRASIL DIANTE DA COMUNIDADE INTERNACIONAL

Ao ser questionada sobre a cena nacional e a importância do nosso país ao redor do globo, a resposta de Prika foi (em verbatim):

"A gente sabe que aqui tem lugares para tocar. É possível viver de música no Brasil, sim. É difícil - pra caralho - sim. Mas é possível. Porque a gente tem exemplo disso, né? Agora a gente tem festivais aqui. O BANGERS tem uma representatividade e uma importância enorme para a nossa cena. O que eles estão fazendo não é fácil, entendeu?

Eu sei que tem muitas coisas a melhorar e tal, tudo mais. Mas eu admiro todo mundo envolvido que fez isso acontecer, os que estão ali tentando segurar... Isso tem uma importância enorme, eu bato palmas e sou agradecida eternamente a eles, porque é uma coisa muito importante. É o maior festival de Metal que a gente tem atualmente no Brasil. Na América Latina, eu te digo, porque tem muitos festivais que a gente já tocou que não existem mais, sabe?

Então, assim... é muito importante isso. O Brasil tem uma importância na cena Metal enorme. Não só pelas bandas, sabe? Mas porque é referência.

Gente, o maior público do IRON MAIDEN é aonde?

[Todos]: 'No Brasil'.

Então. A gente tem um poder absurdo e a gente é admirado pelo mundo inteiro".

Selma Alves

O CONSUMO DA MÚSICA NO PASSAR DAS GERAÇÕES

Mantendo a mentalidade de fazer com que as outras integrantes possam compartilhar melhor os seus pensamentos, este repórter fez a sua segunda e última pergunta à grega Helena.

Considerando que a forma como consumimos música mudou drasticamente desde o período da adolescência (N. da R. = devido ao fato deste repórter e da guitarrista serem basicamente da mesma geração) até os dias de hoje, a grega foi questionada sobre o que ela acha deste "rito de passagem".

Helena então elaborou que existem aspectos positivos e negativos da época de outrora, assim como dos dias atuais. Poder pegar no celular e ter acesso a uma biblioteca quase interminável de discografias possui o fator "conveniente" ao entrar em determinados aplicativos para este fim, e é ótimo para poder expandir a sua biblioteca particular.

No entanto, ela admite possuir uma nostalgia de quando ia para as lojas de discos para poder interagir com outras pessoas de gostos similares, porque além de sair conhecendo uma banda nova, ela também voltava para casa com um amigo em potencial, então ela lamenta que o aspecto da socialização entre as pessoas teve uma grande queda atualmente.

Similarmente, ela confessa adorar os discos físicos. Ao estar com ele nas suas mãos, poder pegar nele, ver o encarte e a materialização do trabalho dá uma alegria diferenciada do que apenas escutar o som no seu aplicativo preferido, o que está gradualmente se tornando uma arte perdida, mas que ainda assim consegue viver na era moderna.

Bruno França 

TODAS AS COISAS BOAS NÃO PRECISAM CHEGAR AO FIM

Com a coletiva chegando ao seu fim, junto com o agradecimento vindo da Arena Galeria, pudemos perceber que a NERVOSA respeita o seu passado, seus antecessores e um amadurecimento profissional visível.

A noite estelar deixou uma leve chuva para acompanhar o terraço da Galeria do Rock, e a longa sombra do palco reflete a longa estrada a ser percorrida, ficando o desejo de que mais quinze anos sejam comemorados no futuro previsível.

Viver de banda autoral numa indústria que requer mudanças imediatas introduz o conceito do desafio constante, mas pela vivência na prática, as integrantes exalam confiança e segurança em suas falas e através da linguagem corporal, honrando o gênero que fazem parte e garantindo não só agradar quem já as acompanha, mas também fazendo com que os ouvintes novos se sintam confortáveis em casa.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Christopher Cross – 06/12/2025 – Vibra/SP

Christopher Cross emociona público no Vibra São Paulo com clássicos, precisão musical e clima de nostalgia

No sábado, 6 de dezembro de 2025, o Vibra São Paulo recebeu o retorno de Christopher Cross após nove anos longe dos palcos brasileiros. Em turnê comemorativa pelos 40 anos de carreira, o cantor e guitarrista norte-americano entregou um espetáculo pautado pela elegância, pelo repertório conciso e por arranjos impecáveis — ingredientes que tornaram a noite memorável para o público majoritariamente nostálgico.

Com mais de 10 milhões de discos vendidos e dono de prêmios como cinco Grammys, um Oscar e um Globo de Ouro, Cross consolidou-se como uma das vozes mais influentes da música romântica internacional. No Vibra, reforçou esse legado com uma apresentação que privilegiou a qualidade musical acima de grandes efeitos de produção.

O artista subiu ao palco acompanhado de uma banda afiada, composta por músicos de altíssimo nível: Kevin Reveyrand (baixo), Francis Arnaud (bateria), Jerry Leonide (pianos) e David Mann (sax), além do trio de backing vocals Julie Peters, Lisbet Guldbeck e Jess Opong. O grupo não apenas sustentou o repertório com segurança, como brilhou em momentos solo, sempre com equilíbrio e sem exageros instrumentais.

Um dos destaques da noite foi a performance de “I Know You Well”, apresentada por Cross em dueto com a vocalista Jess Opong, que surpreendeu o público com sua presença vocal marcante — um momento de rara delicadeza e sintonia no palco.

A voz suave e inconfundível de Christopher Cross manteve-se firme ao longo do show, preservando a assinatura que marcou gerações nos anos 1980. Clássicos como “Sailing”, “Ride Like the Wind” e “Arthur’s Theme (Best That You Can Do)” foram recebidos com entusiasmo e cantados em coro pela plateia, relembrando a trilha sonora de uma era. “Arthur’s Theme”, inclusive, reacendeu memórias do famoso filme Arthur, o Milionário Sedutor, protagonizado por Dudley Moore e Liza Minnelli.

O setlist também trouxe composições mais recentes, mostrando que o artista segue ativo e criativo, sem ficar preso apenas aos sucessos do passado. O público, formado por fãs que viveram o auge da carreira de Cross e por jovens que descobriram suas canções por meio de pais, filmes ou playlists, celebrou a música em sua forma mais pura.

A passagem de Christopher Cross pelo Brasil, quase uma década após sua última apresentação, ressaltou a importância de artistas que ajudaram a moldar a sonoridade de uma época e que permanecem relevantes. Para muitos presentes, o show representou a chance de revisitar capítulos importantes de suas histórias pessoais.

Ao final, a noite no Vibra São Paulo transcendeu a nostalgia e se transformou em uma celebração sincera da arte de compor, interpretar e emocionar. Christopher Cross mostrou que, quatro décadas depois de seu auge comercial, sua música continua a unir gerações e reafirmar o poder duradouro de canções bem construídas e eternas.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Opus Entretenimento 


Christopher Cross – setlist:

All Right

Never Be the Same

I Really Don't Know Anymore

Alibi

Sailing

Walking in Avalon

You

Arthur's Theme (Best That You Can Do)

Talking in My Sleep

I Know You Well

Simple

The Light Is On

No Time for Talk

Ride Like the Wind

Think of Laura

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Brazen Abbot: O Hard Rock Melódico atemporal de “Live And Learn” (2025)

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

Este relançamento do Brazen Abbot, o precursor “Live And Learn”, agora em 2025, devolve aos holofotes um álbum que marcou uma fase importante do Hard Rock Melódico Europeu. Ainda que muitos apreciadores do gênero tenham esquecido disso ao longo dos anos. Relembrando, que quando saiu em 1995, o disco competia com um cenário musical dominado pelo Grunge e por uma indústria que já não dava tanto espaço ao Rock tradicional. 

Mesmo assim, Nikolo Kotzev decidiu apostar em uma ideia ousada para a época, a de reunir músicos experientes, criar arranjos grandiosos e dividir os vocais entre Glenn Hughes, Göran Edman e Thomas Vikström.

Essa proposta, que poderia ter sido apenas uma curiosidade dos anos 90, acabou envelhecendo muito bem. Assim que damos o “play”, surge “Extraordinary Child”, que deixa claro o estilo que Kotzev queria alcançar. A música é guiada por guitarras fortes, melodias marcantes e um clima quase teatral, como uma história tomando forma, o que define a personalidade do álbum desde os primeiros segundos.

O disco combina Hard Rock clássico, AOR (termo utilizado aqui para definir o gênero melódico sofisticado que faziam nos anos 80), além de elementos sinfônicos, resultando em uma sonoridade que ainda hoje parece moderna e bem construída. 

O grande Glenn Hughes entrega tudo, interpretações intensas e carregadas de emoção, como em “Live And Learn”, “Miracle” e “Clean Up Man”, mostrando por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do Rock. Göran Edman, com seu timbre limpo e melódico, adiciona elegância e equilíbrio em músicas como “Extraordinary Child” e “Feeling Like a Rolling Stone”. Thomas Vikström completa o trio com uma pegada mais dramática, especialmente evidente em “Russian Roulette” e “Children of Today”.

Convém ressaltar que a força instrumental do álbum também merece destaque. Mic Michaeli, John Levén e Ian Haugland, vindos do Europe, trazem um nível técnico que ajuda a transformar o disco em algo maior do que um simples projeto de estúdio. As guitarras precisas de Kotzev, somadas à produção detalhada e aos arranjos orquestrados, dão ao álbum uma identidade sólida e coesa.

Inclusive, “Live And Learn” é importante não apenas pela qualidade das músicas, mas pelo momento em que surgiu. Em 1995, ele provou que a música pesada com melodia ainda tinha espaço, criatividade e força emocional. Mostrou também que diferentes estilos vocais podiam conviver no mesmo álbum sem perder unidade. Hoje, ele continua sendo uma referência para quem gosta do gênero.

Por fim, apesar de tratar-se de um relançamento, o disco se sustenta por si só. É um trabalho completo, bem executado e cheio de personalidade. Revisitar “Live And Learn” é lembrar que o Rock pesado europeu dos anos 90 teve momentos brilhantes e que Nikolo Kotzev foi um dos responsáveis por mantê-lo vivo. É um álbum que merece ser ouvido novamente, desta vez com o reconhecimento que talvez não tenha recebido quando foi lançado. Agradecimentos à Frontiers por este presentão de fim de ano.


Tracklist:

1.    Extraordinary Child (Göran Edman) 

2.    No Way Out of Nowhere (Thomas Vikström) 

3.    Live And Learn (Glenn Hughes) 

4.    Russian Roulette (Thomas Vikström) 

5.    Clean Up Man (Glenn Hughes) 

6.    When November Reigns (Thomas Vikström) 

7.    Miracle (Glenn Hughes) 

8.    Big Time Blues (Thomas Vikström) 

9.    Feeling Like A Rolling Stone (Göran Edman) 

10.    Children Of Today (Thomas Vikström) 

11.    Shadows Of The Moon (Thomas Vikström)


Line Up:

Nikolo Kotzev – guitars and keyboards

Svante Henryson – bass

Ian Haugland – drums

Mic Michaeli – Hammond

Glenn Hughes – singer

Göran Edman – singer

Thomas Vikström - singer