quarta-feira, 17 de abril de 2024

Cobertura de Show: Angra & Jeff Scott Soto - 12/04/24 - Bar Opinião/RS

Por: Renato Sanson

Poucos meses depois de sua última passagem pela capital gaúcha, o Angra retornava mais uma vez e dando continuidade à turnê do seu aclamado novo álbum: “Cycles of Pain” lançado no ano passado.

O local escolhido, mais uma vez o Bar Opinião, mas desta vez o Angra trazia uma participação especial, a do icônico vocalista Jeff Scott Soto para um show acústico.

A abertura (assim como no ano passado) ficou a cargo do excelente guitarrista Luiz Toffoli. Uma grata surpresa, pois, apresenta um Prog Metal de alto nível tendo como base os americanos do Dream Theater. Mas nada que tirasse o brilho de suas composições.

Com um som nítido e cristalino, a banda de Luiz desfilou técnica e requinte com sua musicalidade. Sendo o guitarrista um show a parte. Vale ainda destacar a presença do baterista Pedro Tinello que dispensa apresentações e do excelente vocalista maranhense Cassio, da banda Alchimist. Mandando muito bem em sua performance e tendo aquela influencia melódica de Halford com a vitalidade de Tim Owens.


Uma excelente abertura de uma banda muito profissional e promissora.

Eis que as 22h Jeff Scott Soto entra em cena acompanhado do fiel escudeiro Leo Mancini. O palco já montado para o acústico e ambos com seus violões em mãos. Começando a noite com “Livin the Life” (criada para a trilha sonora do filme Steel Dragon) levantando o público, seguida do clássico “Mysterious” do Talisman, que abriu caminho para “Alive” do Sons of Apollo.

É impressionante como canta Scott Soto. De forma natural e encantadora. Com muita simplicidade e simpatia ganhando os presentes. Sendo um caso raro de talento e humildade.

As composições ficaram muito bem nesse formato acústico, a exemplo de “Comes Down Like Rain” do W.E.T. e “Carry On Wayward Son” do Kansas que fez a galera cantar junto do começo ao fim.

Um show curto, mas muito bem executado com Soto bem à vontade e um som muito bom ecoando dos PA’s, o que deixou a apresentação ainda mais incrível.

Passado das 23h era hora da atração principal e a intro “Crossing” ecoa nos alto falantes, com Bruno Valverde fazendo a frente para o delírio dos fãs e aos poucos a banda vai adentrando e “Nothing to Say” inicia o caldeirão para o mago Fabio Lione dar o seu show. Mais um clássico chega com tudo e “Angels Cry” adentra para a felicidade dos presentes. Dispensando comentários.

O Angra atualmente consolidou o seu novo momento com Lione, Bruno e Barbosa. Mostrando muita personalidade até aqui, mas solidificando essa formação com “Cycles of Pain”. Não que os dois álbuns anteriores fossem ruins (longe disso), porém “Cycles...” traz uma formação mais amadurecida e com a “cara” do Angra. Com Lione muito mais encaixado a sonoridade.

E sim, os grandes destaques deste show ficaram por conta das composições novas, que embalam essa fase atual como: “Vida Seca” (um show de interpretação de Lione), “Dead Man on Display” (com Barbosa e Bruno soberbos), a faixa titulo que é um show de técnica e variações.

Tendo ainda a rápida e agressiva “Ride Into the Storm” e a moderna e bela “Tide of Chances Pt. 01 e Pt. 02” que contou com a participação de Jeff Scott Soto em um dueto magnifico com Fabio Lione. Que de quebra, ainda tocaram “The Show Must Go On” do Queen.

Claro que outros momentos do show também foram marcantes, como o set acústico que o Angra adotou já há alguns anos, Rafael sempre a frente, informou que desta vez tinha esquecido seu violão em casa e pegou emprestado o do amigo Leo Mancini, e brincou que teria que improvisar. Destaque deste pequeno set fica para a belíssima “Gentle Chance”. “Make Believe” também apareceu, mas no formato acústico a mesma perde força, pois é extremamente emocional e seria incrível se o Angra voltasse a tocar a mesma em seu formato original.

Outra grata surpresa foi “Time” tendo uma interpretação de tirar o folego de Fabio. Assim como "Morning Star” e “Beeding Heart”.

Mas, “Silence and Distance” foi em minha opinião o ponto alto do show em uma performance que honrou essa época dourada da banda.

O encerramento vocês já sabem:  as mais que clássicas “Carry On” e “Nova Era”. Matando a saudade dos fãs gaúchos que não lotaram a casa, mas estavam em peso em mais uma sexta-feira chuvosa em Porto Alegre.

Alguns pontos a se considerar:

Fazia muito tempo em que não via um som tão cristalino e redondo no Bar Opinião. Todas as bandas que tocaram estavam com uma qualidade acima da média. O que é ótimo para os fãs e imprensa.

Referente a polêmica pista vip. Penso que, em um local como o Opinião que abrange de 1500 à 1900 pessoas, se torna desnecessário a pista vip. Pois, o local já é pequeno e você limitando os presentes que não pagam barato para estar ali, fica insustentável. Já que era visível o desconforto dos fãs na pista vip que ficou extremamente pequena e apertada.

Finalizando, o local destinado às pessoas com deficiência deveria ser revisto, pois, é um local baixo demais e para as pessoas que utilizam cadeira de rodas é um desafio ver os shows daquela posição. Um pequeno elevador até o mezanino resolveria esse impasse e daria mais qualidade às pessoas com deficiência que pagam tanto quanto os outros para estarem prestigiando seus artistas favoritos.

 

P/S: infelizmente nossos fotógrafos não estavam disponíveis nesta data. Por isso, a cobertura consta sem fotos. Pedimos desculpas e contamos com a compreensão de todos.

terça-feira, 16 de abril de 2024

Entrevista - Marcelo Vasco: "Ter trabalhado pro Slayer é um sonho que se realizou e as vezes até hoje eu acho que a ficha não caiu"

Por: Renato Sanson

Músico/artista entrevistado: Marcelo Vasco


Inúmero aos seus projetos e bandas, atualmente você também faz parte da The Troops Of Doom. Sendo atualmente um dos maiores nomes do Thrash nacional. Como está sendo este momento?

Muito legal! O The Troops Of Doom está no seu melhor momento, estamos prestes a lançar o disco novo no final de Maio e temos muitas coisas positivas pela frente, como o show no Summer Breeze e a Tour Europeia em Agosto.

Referente ao convite do lendário Jairo. Acredito que deve ter sido inimaginável, pois, a criação da banda para os fãs foi algo que nos pegou de surpresa.

Sou fã do Jairo e do trabalho dele a vida toda praticamente (risos). Tinha poster do Sepultura da época do Bestial no meu quarto quando eu era molecão e estava começando no Metal, então fazer parte disso é do caralho. Sem contar o trabalho dele com o The Mist, que eu também adoro. Enfim, somos amigos há muitos anos e estávamos planejando fazer um projeto juntos em 2015, eu, ele e o Alex, mas como estávamos todos muitos ocupados acabou ficando na gaveta. Então veio a pandemia, todos ficamos um pouco mais sossegados e foi quando ele e o Alex tiveram a ideia de montar o The Troops Of Doom. Então visto que estávamos já planejando algo juntos, foi quase que instintivo terem me convidado. Foi algo que também me pegou de surpresa, mas fiquei bastante empolgado, claro.

A recepção com o Debut “Antichrist Reborn” foi um presente aos fãs. A velha escola está ali e resgatando aquela alma do Thrash/Death Metal oitentista. Como é o processo de composição da banda?

Animal! Que bom que o povo está curtindo o nosso trabalho. A gente fica feliz das pessoas captarem bem essa nossa ideia desse resgate a um passado glorioso que infelizmente hoje em dia já não existe mais e está ficando cada vez mais raro. Somos meio órfãos desse tipo de Metal.

Eu acho que o ser humano de uma maneira geral é um bicho nostálgico (risos). Hoje as bandas estão em sua maioria muito “boazinhas” e o Metal muito plastificado, seguindo fórmulas, cada vez mais monótono, sem alma, especialmente as bandas que estão ou querem estar mais no mainstream. O foco é puramente comercial e com isso elas se moldam de acordo com a demanda. É triste!

Mas voltando a sua pergunta, o processo de composição do The Troops acontece praticamente de maneira remota, via WhatsApp, já que eu estou aqui na Serra Gaúcha, o Alex no Rio e o Jairo e o Alexandre em BH. Mas tem funcionado super bem. Nessas horas a tecnologia fica muito a nosso favor, pois se fosse anos atrás, algo desse tipo seria inviável. De qualquer forma o início das composições acontecem assim, mas quando temos pronto o esqueleto das músicas, o Jairo normalmente vem aqui pro Sul, passa um tempo na minha casa e a gente finaliza tudo juntos, antes de entrar em estúdio de fato. 

A gente sempre grava antes uma espécie de Demo, que funciona como uma pré-produção, então o Alex pode encaixar os vocais e o Alexandre trabalhar nas baterias, até que chegue o momento de gravar o material oficialmente.

Não poderia conversar contigo sem perguntar sobre seu foco principal, suas artes! Além de ter realizado todas as artes da reta final do Slayer você também está agora trabalhando com Kerry King para o álbum solo do mesmo. Conte-nos para nós está ocasião.

Ter trabalhado pro Slayer é um sonho que se realizou e as vezes até hoje eu acho que a ficha não caiu pra mim. Eu sou fã demais deles, é minha banda favorita desde que eu era moleque, então essa conquista é algo surreal demais. E recentemente, quando o Kerry King me convidou para ser o artista da banda solo dele, eu fiquei maluco também. 

Feliz demais de poder fazer parte dessa história do Metal de alguma forma. É algo muito importante, especialmente pros fãs de Slayer, que ficaram órfãos, e posso afirmar que o disco está fantástico e já está no meu Top 5 de 2024. Pra mim soa como uma espécie de continuação do Slayer, tem a essência da coisa. Fiquei muito surpreso com o vocal do Mark inclusive. Muito foda!

Sobre o Slayer. Referente a esta volta repentina, qual a sua opinião?

Eu não sabia de nada e tomei um baita susto. De cara achei que fosse alguma brincadeira ou fake news, mas quando soube que era oficial mesmo, fiquei muito feliz. Acho que o balanço do universo foi restaurado. 

A vida sem o Slayer é muito chata (risos). Teve muita gente que não entendeu nada, principalmente porque a notícia chegou no mesmo momento em que o Kerry King estava anunciando seu disco solo e tudo mais, mas na realidade eu creio que essa volta foi apenas uma volta “parcial”, eles não vão voltar a fazer Tour mundial e acho que nem gravar novos discos. 

São shows esporádicos aqui e ali, mas pra mim já é super válido. Fiquei muito triste quando eles anunciaram aquela “aposentadoria”. Recentemente eles me pediram umas artes novas pra Merchandise inclusive. Quase nem fiquei feliz (risos).

Como é processo criativo e de influencias para desenvolver um trabalho gráfico para um artista? Tem muita interferência dos músicos?

Eu costumo trabalhar em cima do título do álbum, conceito ou até letras, e claro, sempre procuro captar um “norte” do que a banda está buscando em termos estéticos através de algumas conversas inicias. 

Mas gosto de estar completamente livre pra criar, sem muros e sem muitos dedos, até porque é dessa forma que eu consigo me expressar melhor, sem ser usado somente como uma ferramenta, mas como um artista de verdade, de poder interpretar visualmente aquilo através da música e conceito criado pela banda. Normalmente não, a maioria das bandas me deixa muito livre pra criar através da minha própria perspectiva, o que é muito legal, quase sempre eles confiam no meu trabalho e na minha visão. 

Quando eu sinto que a banda está interferindo muito, é sinal de que talvez eu não seja o artista certo pro trabalho e até prefiro não fazer parte do projeto.

Como anda a situação da banda Patria? O disco mais recente (“Hexerei”) já faz dois anos. Tem previsão de algum lançamento futuro?

Caramba, 2 anos já do Hexerei? O tempo passa rápido demais! O Patria é uma banda que nunca foi muito ativa e compromissada, no bom sentido, especialmente no âmbito dos shows. Tocamos muito pouco ao vivo e desde o lançamento do “Hexerei” só fizemos um show, com o Watain, em Porto Alegre. 

Depois disso paramos de tocar e nem temos muito interesse, pra ser honesto. Estamos aqui na Serra Gaúcha e o custo para shows é muito alto, simplesmente não fecha a conta e torna tudo praticamente impossível, comercialmente falando. Então a ideia é realmente não tocar mais, a não ser que algo decente e digno apareça, que é extremamente raro. 

Atualmente a banda continua, mas está mais para um projeto de estúdio. Não temos nenhum plano a curto prazo, mas sem dúvidas no futuro haverão mais discos.

 

Voltando ao The Troops of Doom, vocês estarão no Summer Breeze Brasil em breve. Qual a expectativa? Teremos surpresas no setlist? Alguma coisa do vindouro “A Mass to the Grotesque” aparecerá?

Sim, curtimos demais o convite pra tocar no Summer Breeze Brasil e estamos animados pro show. Acho que vai ser muito foda! Somos headliner do palco Waves, o que deixou a gente muito honrado. Estaremos tocando também ao lado de bandas que eu adoro, como o Mercyful Fate, Amorphis, Carcass, Ratos de Porão e várias outras. 

Vai ser uma experiência muito legal! Claro, teremos músicas de praticamente toda nossa discografia, dos primeiros EPs, do primeiro disco “Antichrist” e uma estreia ao vivo do novo “A Mass To The Grotesque”, além de algumas músicas clássicas do Sepultura, da época do Jairo na banda.

Sou muito fã do projeto Hellscourge que no qual você também faz parte. Lançando dois discos icônicos para o Metal extremo old school. Existe a possibilidade de um novo material? (Desculpa, mas o lado fã falou mais alto agora hahaha).

Haha Legal demais! Obrigado! O Hellscourge é um projeto super podreira, toscão e totalmente sem compromisso, fazemos mais pela diversão mesmo. Mas a gente fica feliz da galera ter curtido e entendido a proposta. 

Já faz um tempo que não planejamos nada. A gente até tinha um terceiro disco em mente muitos anos atrás, mas acabou ficando parado, mas claro, ainda há planos de reviver essa ideia ai. Não sei exatamente quando, mas acredito que não vá demorar muito não! Vamos ver!

Marcelo, muito obrigado pela disponibilidade e parceria. Antes de encerrar, quais álbuns e artes da sua extensa discografia e catalogo você indicaria para alguém que não conhece o artista Marcelo Vasco?

Eu que agradeço o interesse pelos meus trabalhos! Muito obrigado! De álbuns meus mais desconhecidos eu indicaria o último do Le Chant Noir “La Société Satanique des Poètes Morts”, que eu adoro, que é um projeto meu com o vocalista Lord Kaiaphas, que foi vocalista do Ancient (Noruega) e com o batera Malphas, da formação original do Mysteriis. 

Também posso indicar o Demoniac Harvest “The Midnight Obsessor”, que não tem nas plataformas digitais, mas é possível encontrar no Youtube. O “Hexerei” do Patria e o “About The Christian Despair” do Mysteriis. E é claro, fiquem ligados no novo disco do The Troops Of Doom “A Mass To The Grotesque”, que está muito do caralho. 

A mixagem e masterização foi feita pelo Jim Morris, no lendário estúdio Morrisound Recording, na Flórida, que foi o estúdio responsável pelos maiores clássicos do Death Metal dos anos 80/90, então a sonoridade do álbum está fora da curva e mega especial.

Em relação as artes, eu acho que a trinca Slayer “Repentless”, Borknagar “Winter Thrice” e Soulfly “Enslaved” representa muito bem o meu estilo artístico e serve como uma boa introdução ao meu trabalho :) Espero que todos gostem! Valeu! Muito obrigado e grande abraço!

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Cobertura de Show: Orphaned Land – 07/04/2024 – Carioca Club/SP

A banda israelita de Heavy Metal Orphaned Land, com forte influência da música oriental, voltou ao país para uma apresentação única, em São Paulo, no último dia 07/04 em um domingo ameno na cidade e a Sociedade Esportiva Palmeiras conquistando mais um título paulista – o terceiro consecutivo – em cima do Santos Futebol Clube. 

Com a abertura da casa às 17hrs, a apresentação teve início por volta das 18h30 quando o vocalista Kobi Farhi saudou o público com um Salaam Aleikum. A performance contou com apenas quatro membros – Chen Balbus e Idan Amsalem (guitarras) e Matan Shmuely (bateria). O baixista Uri Zelcha, um dos integrantes originais, estava ausente devido a problemas na coluna, o que afetou a qualidade sonora.

O show teve alguns problemas técnicos, com uma das guitarras apresentando volume mais baixo que a outra na primeira música. O técnico de som demorou um pouco, mas ajustou o volume e tudo fluiu bem. 

Na falta de alguns instrumentos característicos, como violão ou cítara, a substituição foi feita por playback, assim como as partes dos coros e vocais femininos na primeira música, "The Cave"

Kobi não deixou a desejar em termos de presença de palco, técnica e voz, mesmo sendo o membro que está a mais tempo na banda. Os guitarristas, Chen e Idan, se saíram bem, enquanto o destaque foi o baterista Matan, que tocou com muita energia e cantava as músicas, assumindo também às funções de roadie ao ajustar os seus microfones em alguns momentos.

O repertório foi diversificado, com o uso de telão para exibir clipes das músicas durante suas performances. As luzes estavam perfeitas, os fotógrafos tiveram uma sorte grande para esses registros. Kobi, mais uma vez, interagiu bastante com a plateia, ensinando ritmos e trechos de músicas em hebraico para o público fazer o coro. 

Não houve discursos políticos durante o show, enfatizando que a apresentação é uma celebração de amor e paz. Essa união, carregada tanto no conceito lírico e na vida pessoal de cada um dos músicos, pode ser notada numa família que estava presente no show: uma mãe, com o braço em uma tipoia; um pai, com uma mochila de porquinho cor de rosa; e uma criança, que corria para lá e para cá, chamaram a atenção de algumas pessoas.

Antes de começar a música "All Is One", Kobi destacou a importância de comunicar essa mensagem ao mundo, independentemente da situação difícil em Israel. O tal pai com a criança, mencionado a pouco, agitou em “Sapari” com ela nos seus ombros. A última música, “Norra el Norra (Entering the Ark)”, emendada com “Ornaments of Gold”, foi cantada em hebraico.

Ao em vez de se juntarem para agradecer, os membros da banda fizeram gestos de oração e saíram do palco após o encerramento. Eles também atenderam os fãs que permaneceram até o final do show.


Texto: Ingrid Evelin

Fotos: Paula Cavalcante

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta

Mídia Press: Lex Metalis Assessoria e Agenciamento


Orphaned Land

The Cave

The Simple Man

All Is One

The Kiss Babylon (The Sins)

Ocean Land (The Revelation)

Brother

Like Orpheus

Let the Truce Be Know

Birth of the Three (The Unification)

In Propaganda

All Knowing Eye

Sapari

In Thy Never Ending Way (Epilogue)

***Encore***

The Beloved’s Cry

Norra el Norra (Entering the Ark) / Ornaments of Gold


terça-feira, 9 de abril de 2024

Cobertura de Show: Exciter & BAT – 06/04/2024 – Jai Club/SP

A banda canadense Exciter voltou ao Brasil, dessa vez para celebrar os 40 anos do lançamento do seu álbum de estreia “Heavy Metal Maniac”. O evento, que ocorreu no dia 6 de abril na Jai Club, em São Paulo, contou também com as bandas Inferno Nuclear, Hellway Train e BAT. Anteriormente, o Exciter também passou por Belo Horizonte e Brasília, nos dias 4 e 5 de abril, respectivamente.

A banda paraense de Thrash Metal Inferno Nuclear subiu ao palco às 17:30 e apresentou um set curto e coeso. Sua sonoridade remete aos monstros do Thrash oitentista como Exodus, Testament, Sodom e Destruction. O diferencial da banda é que tem toda essência do Thrash, mas com letras em português. Embora o público ainda estivesse chegando, quem conferiu o show da Inferno Nuclear certamente não se arrependeu de ter chegado mais cedo.

Às 18:30, era a vez do Hellway Train. A banda mineira de Heavy Metal tradicional estava celebrando o lançamento do seu primeiro álbum, “Borderline”, que saiu no dia anterior. Aqui já havia metade da ocupação da casa, muitos já conheciam a banda e cantavam as letras fervorosamente. Tanto a sonoridade quanto o visual remetem bastante as bandas de metal dos anos 80, como Judas Priest e Accept. O set mesclou músicas do novo trabalho e dos EPs anteriores, que cativou o público e apresentou ótima recepção.

Pontualmente às 19:30, os norte-americanos do BAT assumem o palco. O trio formado por Ryan Waste (baixo/vocal), Nick Poulos (Guitarra) e Chris Marshall (Bateria), apresenta um som “heavy primitivo veloz”, como o seu vocalista define. O set começou com “Ritual Fool”, “Master of the Skies” e “Code Rude”. Apesar da casa não ser muito grande, foi na apresentação do BAT que começaram os primeiros ‘moshes’ da noite.

As músicas, que são rápidas e curtas, levantaram o público e Ryan, que interagiu o tempo todo, fazendo com que o público respondesse à altura. Em “Wild Fever”, Ryan disse: 'está ficando quente aqui e nós vamos tornar um pouco mais quente', levando a um mosh e ao público cantar com os braços erguidos. Na metade da apresentação, a casa já estava lotando. “Wings of Chains” e “Streetbanger” tiveram uma excelente recepção.

O BAT tem dois trabalhos lançados, sendo um álbum e um EP. Seu próximo trabalho será lançado no próximo dia 17 de maio via Nuclear Blast. O show acabou às 20:14, e algo muito bacana foi que, imediatamente após o término, dezenas de pessoas seguiram à mesa de merch para garantir sua camiseta da banda. Uma excelente surpresa.

Com apresentação do Exciter marcada para às 21 horas, por volta de 20:30 uma breve aparição do vocalista/baterista Dan Beehler foi suficiente para deixar o público enlouquecido. A casa estava em lotação máxima quando as luzes baixaram, somente o backdrop do Exciter permaneceu iluminado. Nesse momento, vários celulares já se preparavam para gravar a entrada da banda, mas ainda não era a hora. Enquanto isso, era possível ver muitos fãs usando coletes com patches, camisetas e jaquetas com o logo do Exciter.

Às 20:52, Dan, Allan Johnson (Baixo) e Daniel Dekay (Guitarra), tomam seus lugares no palco e o Exciter finalmente começa sua apresentação. “Stand Up and Fight” abriu o show, com alguns corajosos stage diving e crowd surfing – embora o segurança da banda estivesse de prontidão para tirar qualquer um que pisasse no palco. Em seguida, “Heavy Metal Maniac” e mesmo com pouco espaço, formou-se um mosh tímido à beira do palco.

Nesse momento, Dan Beehler saúda o público, lembrando que o Exciter e São Paulo têm uma longa história juntos. “Break Down the Walls”, do álbum “Unveiling the Wicked”, fez o público cantar em uníssono. “Iron Dogs”“Evil Sinner”, do álbum aniversariante, também tiveram excelente recepção. O set passou principalmente pelos álbuns dos anos 80, agradando os presentes, principalmente músicas como “Die In the Night”, “Pounding Metal” e “Violence & Force”.

Fechando com “Iron Fist” do Motörhead, o Exciter fez com que essa noite com certeza fique gravada nas memórias dos fãs de metal para sempre. Com muita interação com o público, excelente presença de palco e hinos atemporais, só se espera que num próximo show a banda possa se apresentar em um local um pouco maior para que mais fãs possam apreciar uma das lendas do Speed/Thrash metal.


Texto: Jessica Tahnee Valentim

Fotos: Pri Secco


Produção: Xaninho Produções / Caveira Velha Produções

Mídia Press: LP Metal Press

 

BAT

Ritual Fool

Master of the Skies

Code Rude

Wild Fever

You Die/ LEWD

Rite for Exorcism

Bloodhounds

Wings of Chains / Rule

Ice

Streetbanger

Cruel Discipline

Total Wreckage/BAT

 

Exciter

Stand Up and Fight

Heavy Metal Maniac

Breakdown the Walls

Iron Dogs

Evil Sinner

Feel the Knife

Die In the Night

Living Evil

Pounding Metal

Beyond the Gates of Doom

Violence & Force

Long Live the Loud

Iron Fist (Motörhead cover)

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Resenha: Dry Aged – Dry Aged (2024)

Por Gabriel Arruda

Nota: 09/10

O estigma do primeiro trabalho sempre traz uma certa pressão, sendo ele bom ou ruim. No caso do Dry Aged, esses obstáculos não causaram nenhum tipo de medo diante da experiência do trio – formado por Nando Vieira (baixo e vocal), Fulvio Oliveira (guitarra) e o premiado Ivan Busic (bateria, Platina, Taffo, Dr. Sin e Nite Stinger) – neste primeiro trabalho, que além do cuidado na parte musical, traz um excelente material físico em slipcase e uma arte gráfica perfeita que alude, se eu não estiver enganado, o conceito de tempo.

O ‘debut’, homônimo, traz uma experiência musical fabulosa, magnífica e pasmosa. O Hard Rock tradicional estabelece as ordens nas dez faixas do álbum, que até quem não é muito chegado ao estilo, vai se surpreender com a qualidade das composições. Tal pressentimento é notado logo no começo com as excelentes “Not to Blame” e “Sinkin Down”: a primeira temos um belo contratempo de guitarra e baixo, enquanto o ritmo e o swing dita as regras na segunda, trazendo bem as referências de Talisman e Extreme.

A audição evolui sem repetir formula, o que faz o álbum ser versátil em vários momentos, é o caso da melódica “Hide” (que também tem uma versão acústica), a moderna “The City is a Lie”, a balada “That Same Old Song” e a instrumental “Fulvio’s Nightmare” (com elementos de música pop). Destaque também para a pesada “Dopamine” e as excelentes linhas de guitarra que deixaria o eterno (e mestre) Eddie Van Halen com orgulho.

Para quem gosta de uma pegada mais clássica, “Way Out” vai de encontro às influências do Deep Purple graças às linhas de teclado, além de te convidar a cantar o refrão junto com a banda (BREAKDOWN!); “Let it Go Away” também vem da mesma escola com traços mais calmos, principalmente na voz do Nando – também responsável pela produção, mixagem e masterização –, que abusou do driver neste trabalho, lembrando o saudoso Steve Lee, do Gotthard.

De bônus, um cover excelente de "Gimme Shelter", dos Rolling Stones, que está disponível no canal do Youtube. Vale a pena conferir e ouvir! 

Siga a Dry Aged no Instagram: @dryagedband



domingo, 7 de abril de 2024

Entrevista - Alchemia: Despontando para o cenário mundial

 Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Victor Piiroja (vocal)

Em 2021 chegava ao mercado nacional “Inception”. Com um som bem peculiar e recheado de influencias de horror. Musicalmente teatral. Como foi construir esta ideia?

O desenvolvimento do “ Ïnception” foi um processo meticuloso. Eu sempre fui fascinado por filmes de horror, as trilhas sonoras com atmosferas sombrias e orquestrações grandiosas, isto me inspira como compositor, o impacto sonoro com o impacto visual. o Alchemia é uma mistura de muitas influências dentro do heavy metal com a dramaticidade da música clássica. Essa busca por um som único nos levou ao conceito de Horror Metal.

Teatral não só musicalmente, mas ao vivo também. Soando bem impactante visualmente. O que engrandece a apresentação. Mostrando que o Alchemia é uma banda de palco, certo?

Sim, somos uma banda de palco, acreditamos que um show deve ser uma experiência completa, envolvendo os sentidos do público. Por isso trabalhamos com elementos cênicos, figurinos e efeitos visuais que complementam a música e criam uma atmosfera.

Vocês foram anunciados para a segunda edição do Summer Breeze Brasil. Qual a expectativa para este grande evento?

Estamos extremamente entusiasmados, tocaremos no maior festival de heavy metal do Brasil, mostrando nossa música para milhares de pessoas, este é um ano muito especial para o Alchemia!

Seguindo o ótimo momento, vocês também estarão no Summer Breeze alemão. Como foram as negociações para o mesmo?

Recebemos um convite para tocarmos na edição de 25 anos do Summer Breeze Germany, o que nos deixa extremamente honrados, ambos festivais são referências no mundo do heavy metal e esses shows são marcos importantes na trajetória do Alchemia. 

Após o anúncio do show no Summer Breeze Brasil começamos a receber mais atenção por parte da imprensa local e internacional e dos promotores de eventos. Eu moro atualmente na Alemanha e estamos desenvolvendo a banda na Europa, participando mais ativamente da cena musical local.

Já existe a ideia de um sucessor para “Inception”?

Já estamos na fase final da pré-produção do sucessor que se chamará “Become Human”, escrevi mais de 70 músicas novas para escolhermos as 10 melhores que estarão no álbum, posso adiantar que este álbum será mais pesado, mais orquestral e mais rápido do que o nosso primeiro.

Ainda sobre as participações em ambas as edições do Summer Breeze, teremos alguma surpresa ao vivo ou o set vai ser totalmente baseado no debut?

Vamos tocar o debut e o show de São Paulo será gravado em vídeo na íntegra, estamos preparando apresentações especiais para ambas às edições do Summer Breeze.

Seria exagero dizer que algumas influências da banda seria King Diamond, Rob Zombie e Judas Priest?

São grandes influências, King Diamond teve um grande impacto na minha vida, quando eu era adolescente fui ao Monsters of Rock e ali descobri que ele sozinho cantava as linhas agudas e os vocais graves em drive, antes eu achava que eram duas pessoas cantando e que aquilo não era possível, eu tinha feito aulas de canto com professores eruditos que me falavam que eu deveria escolher entre cantar limpo ou cantar rasgado, a partir deste show decidi que queria fazer aquilo também e passei a estudar formas de desenvolver minha voz, hoje eu misturo muitos timbres e formas distintas de cantar.

Judas Priest pra mim é uma grande referência, considero “Painkiller” a música que define a essência do Heavy Metal, Rob Zombie tem um peso sonoro e visual que influencia nossa música, além de Dimmu Borgir com suas orquestrações, Cradle of Filth, entre muitos outros.

Quais os planos do Alchemia pós Summer Breeze Alemanha? 2024 já está planejado?

No segundo semestre estamos com uma agenda pesada, teremos tour na Europa e na sequência tocaremos na China e na América Latina. Estamos em negociação com vários festivais para a temporada 2024/2025 e em paralelo vamos gravar o novo álbum, muita estrada pela frente, Road to Horror Metal pelo mundo!