domingo, 14 de julho de 2024

Nightwolf: O Blackmore’s Night com distorção

Por: Renato Sanson

O Rio Grande do Sul sempre foi um celeiro de excelentes bandas de Rock e Metal. Sendo que por muito tempo, Porto Alegre era considerado a capital do Rock no Brasil. Bons tempos...

Muitas bandas aportaram com excelentes materiais, umas continuaram e outras infelizmente não resistiram. Mas hoje vamos falar de uma pérola do underground gaúcho que segue ativo e destilando o seu bom Heavy Metal.

Os porto-alegrenses do Nightwolf lançaram em 2018 o seu EP de estreia – “Insane Moonlight” – trazendo aquela veia mais setentista de Rainbow, Sabbath e Whitesnake. Com influências celtas, deixando sua musica mais peculiar. 

Podemos dizer que o Nightwolf é um Blackmore’s Night com distorção. Devido à sua paixão pelo Folk e trazendo elementos muito bem dosados em sua musicalidade. Tanto que, a banda é referencia em feiras medievais, sempre sendo convidada, pois, casam muito bem com essa tendência.

“Insane Moonlight” vem embalado em bonito digipack com uma ilustração bem em volta do nome do grupo. Com uma produção simples, mas satisfatória. Em termos de destaque posso mencionar a excelente “Live Rock” que poderia estar fácil no álbum “Rising” do Rainbow e a enigmática e instrumental “Jardins Suspensos da Babilônia”. Mostrando toda a técnica e influencia celta em suas lacunas.

O Nightwolf segue tocando e esperamos que em breve possamos ter um novo material desta banda, que, resistiu ao teste do tempo e que continua brindando o underground gaúcho com suas notas.  

 


terça-feira, 2 de julho de 2024

Cobertura de Show: Best of Blues and Rock – 22/06/2024 – Parque do Ibirapuera/SP

O verão fora de época levou o público paulistano para o anfiteatro (ao ar livre) do Ibirapuera, situado na zona sul de São Paulo, para mais uma edição do tradicional Best of Blues And Rock. O festival, que este ano voltou ao formato de um dia, tem como regra juntar os maiores nomes da guitarra elétrica e bandas de diferentes estilos dentro do cenário roqueiro. Outras capitais do Brasil, como Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, também tiveram a chance receber o evento, só que com o line-up distinto do de São Paulo.

Vale sempre ressaltar o cuidado no que tange a organização, respeitando o horário da abertura dos portões e do cronograma dos shows, que começaram pontualmente no horário. Aqueles que chegaram cedo aproveitaram o clima ensolarado para se bronzear, visitar os stands dos patrocinadores, tomar aquela gelada, rever os amigos e adquirir os produtos das atrações e do próprio festival, ou seja, um pacote completo para um dia incrível, e o Best Of Blues..., mais uma vez, superou as expectativas. 

A 11º edição teve as participações dos guitarristas Zakk Wylde, Joe Bonamassa e Eric Gales ao lado dos brasileiros Di Ferrero (vocalista do NX Zero) e CPM 22. As atrações nacionais renderam performances até que interessantes, que agradou principalmente os fãs mais jovens e o público da faixa dos 25 e 30 anos com hits que fizeram sucesso nos anos 2000 nas principais rádios. Os mais velhos relevaram ambos os shows, alguns deles aproveitaram para fazer as famigeradas piadas e gestos emotivos durante a primeira atração, mas de maneira descontraída e sem maldade.

Assim que encerrou sua participação na coletiva de imprensa, Eric Gales correu diretamente para o palco para mostrar as suas habilidades para o público, que já era grande nesse momento. Com uma carreira extensa e diversos álbuns lançados, o guitarrista – também conhecido como Raw Dawg – encantou os fãs de longa data quanto aqueles que nem se quer tinha ouvido falar, especialmente, com o seu energético Blues Rock.

Demonstrando grande alegria por estar mais uma vez no Brasil, Eric incentivava incessantemente o público para aproveitar cada momento do show, principalmente na hora que executou Put That Black, que foi precedida por uma empolgante jam com influências de capoeira e a galera balançando as mãos no estilo hip-hop. A música está presente no disco mais atual, “Crown”, que dominou boa parte do setlist; Steep Climb, famosa por ter a colaboração de Zakk Wylde, também foi um dos destaques. Porém, infelizmente, a esperada participação não aconteceu.

Além das composições autorais, teve também a presença das marcantes Voodoo Child (Jimi Hendrix) – seguida de uma emenda com Für Elise (Beethoven) –, Kashmir (Led Zeppelin) e Back in Black (AC/DC), que encerrou o show de forma arrebatadora. Após essa nova visita ao Brasil, Eric conquistou novos admiradores não apenas pelo seu invejável talento na guitarra, mas também por sua simpatia e humildade, vinda também dos músicos Nick Hayes (bateria) e LaDonna Gales (percussionista e esposa do Eric). Após o término do espetáculo, Eric fez questão de circular pelos arredores e posar para fotos com aqueles que o abordavam.

Em seguida, foi a vez de Joe Bonamassa embelezar o início da noite com toda a graciosidade de um verdadeiro Blues Man. O ilustre guitarrista, que também é famoso por fazer parte do Black Country Communion ao lado do Glenn Hughes, Derek Sherinian e Jason Boham, vem revolucionando o Blues contemporâneo. Da primeira a última música, o nova iorquino – que não vinha ao Brasil há onze anos – cativou todos com sua técnica impecável e estilo único de tocar, demonstrando ser o nome mais respeitado do gênero nos últimos tempos. Acompanhado por sua talentosa banda, Joe proporcionou um espetáculo e tanto.

O repertório foi focado nas músicas de seu mais recente trabalho, “Blues Deluxe Vol. 2” (2023), que conta com apenas duas composições próprias, uma delas é Hope You Realize It (Goodbye Again), que começou o show em grande estilo, destacando os excelentes vocais de apoio de Jade McCrae e Danielle De Andrea. Ainda deste álbum, também foram apresentadas Twenty Four Hour Blues e Well, I Done Got Over It, trazendo um mix perfeito de elegância e diversão à noite.

Self Inflicted Wounds e Double Trouble foram as mais aclamadas durante a metade do show. A primeira, retirada do excelente álbum “Redemption” (2018), destacou-se pela beleza em seus solos e vocais magníficos de Joe, sendo o ponto alto da noite para mim. Enquanto a segunda demonstrou todo o poder do tecladista Reese Wynans, famoso por ter trabalhado com Stevie Ray Vaughan, com um solo de arrepiar de teclado. Seu ritmo envolvente certamente fez com que a plateia masculina, acima dos 50 anos, relembrasse os tempos frequentados nos tradicionais inferninhos.

O show encerrou com Just Got Paid, do ZZ Top, onde Joe abusou de sua habilidade, que a cada ano se enriquece ainda mais. No meio da música, houve espaço para uma breve interpretação de Dazed and Confused, do Led Zeppelin, e um solo de bateria do Lemar Carter antes de todos deixarem o palco. Joe, claro, foi calorosamente aplaudido e ovacionado ao gritos de “Joe, Joe”.

Na última atração da noite, quem subiu ao palco foi ninguém menos que Zakk Wylde, que já havia se apresentado na nona edição do Best Of Blues..., em 2019, ao lado de Kenny Wayne Sheperd. Desta vez, Zakk veio com o projeto Zakk Sabbath, que homenageia a maior instituição da música pesada do mundo, o Black Sabbath.

A grande maioria, todos vestidos com camiseta do Black Label Society, Pantera e Black Sabbath, tomou conta do local para ver a incomparável performance do Zakk na guitarra desde cedo. Alguns não estavam muito convencidos sobre a proposta de um show tributo, muitos, assim como eu, preferiu um show com músicas originais que o Zakk compôs ao longo da sua carreira, e olha que reportório – incluindo a carreira solo e o pouco lembrado Pride & Glory – ele tem de sobra. Mas graças aos deuses (aludindo ao Viking do Zakk), acabaram se rendendo com a ideia logo nos primeiros minutos de “Supernaut”.

A seleção das músicas é um dos pontos a se evidenciar, que fugiu do tradicional Be a Ba. Poderia ter Iron Man, Paranoid, Sweet Leaf e Black Sabbath? Claro que sim! No entanto, Zakk optou por algo mais audacioso e percebeu que existem faixas tão excelentes quanto as citadas, e algumas delas conseguiram fazer o público aplaudir, se animar e vibrar, como foram os casos de Snowblind, Tomorrow’s Dream, Wicked Sword, Lord Of This World e Hand of Doom.

Outro ponto interessante a ser destacado é a forma como Zakk interpreta essas músicas guitarristicamente (sem tentar forjar uma imitação ao mestre dos riffs Tony Iommi) e vocalisticamente, apesar de haver uma pequena semelhança com a voz do seu antigo patrão. Zakk foi simplesmente Zakk, do início ao fim, trazendo uma nova perspectiva para a obra imortal do Black Sabbath com seu timbre e solos característicos.

E falando em solos, Zakk não poupou as suas energias quanto a isso, chegando a estender certas músicas com extremo malabarismo, deixando alguns irritados com tal façanha. Exemplos disso foi na hora de Under The Sun/ Every Day Comes and Goes e N.I.B. A cozinha, formada pelo baixista John DeServio (Black Label Society) e o baterista Joey Castillo (Queens of Stone Age, Danzig, Eagles of Death Metal, California Breed e etc.), também teve seus destaques. Os dois despojaram todas as suas forças para entregar um som pesado e potente.

O Best Of Blues and Rock desse ano foi um verdadeiro sucesso em todos os aspectos, oferecendo espaço excelente, organização impecável e, sobretudo, atrações musicais de alta qualidade de variados estilos, evidenciando que é possível unir pessoas de diferentes tribos e gostos incomum de forma harmoniosa.

 

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Roberto Sant’Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Dançar Marketing

Mídia Press: FleishmanHillard Brasil

 

Di Ferrero

Um Brinde

Além de Mim

Daqui pra Frente

Intensamente

Só Rezo

Aonde é o Céu

Cedo ou Tarde

Corpo Fechado

Ligação

Hoje o Céu Abriu

Californication (Red Hot Chili Peppers cover)

Polarizado

Outra dose

Pela Última Vez

Razões e Emoções

Sentença

 

Eric Gales

Smokestack Lightning (Howlin’ Wolf cover)

You Don't Know the Blues

Put That Back

Capoeira Jam (Berimbau)

Steep Climb

Too Close to the Fire

Voodoo Child (Slight Return) / Für Elise / Kashmir / Back in Black / Voodoo Child (Slight Return)

 

Joe Bonamassa

Hope You Realize It (Goodbye Again)

Twenty‐Four Hour Blues (Bobby “Blue” Bland cover)

Well, I Done Got Over It (Guitar Slim cover)

I Know Where I Belong

Self-Inflicted Wounds

I Want to Shout About It (Ronnie Earl and the Broadcasters cover)

Double Trouble (Big Bill Broonzy cover)

I Feel Like Breaking Up Somebody's Home Tonight (Ann Peebles cover)

The Heart That Never Waits

Just Got Paid (ZZ Top Cover) / Dazed and Confused (Led Zeppelin Cover) / Drum Solo

 

Zakk Sabbath

Supernaut

Snowblind

Under the Sun/Every Day Comes and Goes

Tomorrow's Dream

Wicked World

Fairies Wear Boots

Into the Void

Children of the Grave

Lord of This World

Hand of Doom

Behind the Wall of Sleep

N.I.B.

War Pigs

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Cobertura de Show: Conception - 09/06/2024 - Carioca Club/SP

Conception faz primeiro show no Brasil de forma alegre e encanta um Carioca Club não totalmente ocupado, mas animado

Evento definiu noite de Power Metal e Metal Progressivo com aberturas de Ego Absence, Armiferum e Maestrick; falhas técnicas são superadas por entrega dos músicos ao vivo

O debute da banda norueguesa Conception no Brasil transformou a noite do último domingo (09) numa miscelânea de momentos bonitos e marcantes para o grupo e para seus fãs no palco do Carioca Club, Zona Oeste de São Paulo, apesar de uma pista não totalmente ocupada e pontuais falhas no sistema de som. O evento, organizado pela Far Music Entertainment, contou com as aberturas das bandas Ego Absence, Armiferum e Maestrick.

Tal apresentação ocorreu após o adiamento feito pela banda nas datas da América Latina. Inicialmente, a data paulistana seria em 08 de março e haveria uma apresentação em Curitiba, no dia 10 do mesmo mês, além de apresentações em Santiago, no Chile, e na Cidade do México, capital mexicana. Com o remanejamento, somente a capital paranaense teve o evento cancelado.

No palco, todas as bandas de abertura deram o melhor de si dentro de suas características musicais que englobam principalmente o Power Metal e o Metal Progressivo. E foram essas diferenças entre cada grupo que tornaram a noite mais interessante e levaram a destaques musicais coletivo ou momentaneamente individuais. Além disso, a aposta em músicas inéditas, no caso do Maestrick, e as participações especiais nos shows do Ego Absence e Armiferum foram outros diferenciais de destaque da noite.

Já o Conception entregou um pacote completo para seus fãs, com musicalidade, carisma, bons diálogos e interações constantes com a plateia, principalmente de Roy Khan (ex-Kamelot) e Tore Østby (ex-Ark). O guitarrista, inclusive, realizou um momento icônico ao caminhar pelo mezanino e pela pista do Carioca Club, cumprimentando fãs e posando para fotos enquanto executava um solo na reta final do show. O setlist de 17 faixas (duas delas como bis) englobou sucessos dos lançamentos da banda nos anos 90 e do mais recente álbum de estúdio, “State of Deception” (2020).

 

Do início da noite às bandas de abertura

O início da noite daquele sábado, quente e sem nuvens, permitiu uma ida tranquila ao local. A pequena parcela de pessoas que esperavam na fila logo entrou e, minutos depois, todos os membros da Imprensa.

Apesar de menos de um terço da pista estar ocupada no início, não houve empecilhos para a primeira banda da noite se apresentar com tudo.

 

Ego Absence

O grupo de Power Metal, formado em 2014 e composto por Raphael Dantas (vocal), Vandre Nascimento (guitarra e substituindo Guto Gabrelon, que não pôde fazer o show), André Fernandes (baixo) e Augusto Bordini (bateria), abriu a noite no Carioca Club com um setlist de seis faixas, sendo quatro delas de seu primeiro álbum de estúdio, “Serpent’s Tongue” (2020), e dois outros lançamentos, sendo um deles o single “Colibri”, de 20 de fevereiro deste ano.

Logo de cara, os instrumentistas do Ego Absence estavam postos após o abrir as cortinas. Após o início da introdução de “The Fools Trap Symphony”, Raphael apareceu ao fundo do palco, saudando o público e executando a faixa “Serpent’s Tongue”. Sua voz só ficou evidente após a correção inicial do microfone, ao longo da música, que inibiu o volume temporariamente. Nesse meio tempo, o instrumental da banda foi o destaque, com as linhas de pedal duplo de Augusto e a condução das cordas de André e Guto.

Em “I am Free”, os gritos de “Hey” comandados por Raphael trouxeram mais ânimo ao show. O vocalista do Ego Absence passou grande tempo apoiado a um joelho no chão, o que provavelmente auxiliou na boa execução vocal ao longo da faixa. Da mesma forma, ele passou por todos os membros de banda para interagir de algum modo, inclusive no solo de Guto, muito bem executado. Um detalhe importante durante a faixa foi a forma como uma das barras de iluminação se postou: com luz branca direcionada para o palco e com parte na direção do público, como uma encenação espiritual.

Raphael também brincou ao final da música anterior, alegando que “a barra de power já estava na metade”. Apesar disso, de nada atrapalhou nas músicas seguintes, inclusive em “Wake Up to Life”. Nela, o destaque ficou para um trecho em que André, no baixo, e Augusto, na bateria, tocam como se fosse uma jam.

Outro grande momento de evidência da apresentação – e da noite – ocorreu no mais recente single da banda, “Colibri”. Çiça Moreira, que participa da faixa na versão de estúdio, não pôde comparecer e a banda trouxe a cantora Priscila Reimberg para participar da faixa. O público aplaudiu e muito durante a parte cantada por ela, assim como no final da faixa, após o dueto com Raphael e um ótimo instrumental – lento e que combinou com o potencial lírico das vozes no palco.

A última música do Ego Absence tocada na noite foi “G.O.D.”, que retomou o ritmo veloz da banda. O pedal duplo da bateria, somado às linhas de baixo e guitarra, deram um ótimo peso à faixa, assim como o grande solo de guitarra de Guto. Na finalização do show, Raphael ainda brincou com o público na hora da foto, pedindo para que não olhassem o seu “cofrinho”. Foi a brecha para que a galera rissem da pista gritasse “Aí, Dantas, bela bunda”, em tom de brincadeira. Uma finalização descontraída e que de nada atrapalhou o ótimo show do Ego Absence.

 

Armiferum

O sexteto de São Paulo, composto por Ian Gonçalves (vocal), Augusto Cardozo (guitarra), Fred Barros (guitarra), Vithor Moraes (teclado), Rafael Bochnia (baixo) e Ivan Macedo (bateria) iniciou a apresentação às 19h54, num repertório de cinco faixas que engloba o primeiro álbum da banda, “Reach for the Light” (2023).

O grupo, um pouco mais apertado pela quantidade de membros, conseguiu aproveitar os espaços durante a apresentação para os momentos de destaque ou condução da música.

A introdução “Ad Lucem”, assim como no primeiro álbum do Armiferum, emendou para “Climb The Mountain”, faixa que deu as primeiras boas impressões da voz de Ian Gonçalves.

Já “Hellfire” mostrou o melhor do poderio técnico dos instrumentistas. Fred Barros, por exemplo, solou com sua guitarra de oito cordas.

“Heavy Heart” foi anunciada por Ian Gonçalves como “a favorita de muitos”. A faixa foi recheada de solos dos guitarristas e do tecladista Vithor Moraes. Na sequência, “Bring The Light” contou com mais da técnica dos membros, incluindo um Vithor mais solto no palco, com um teclado móvel e a ótima condução de pedal duplo do baterista Ivan Macedo.

Por fim, sob agradecimentos às bandas e a organização, o Armiferum chamou Pedro Zupo, vocalista do Living Metal, para a música “Titans of Steel”. Zupo entrou com uma espada de metal temática, o que chamou a atenção dos presentes durante a faixa, principalmente quando Ian a pegou para imitar um solo de guitarra. Ótimo fechamento para o clima já animado da abertura.

 

Maestrick

Os paulistas de São José do Rio Perto optaram por um setlist diferenciado: foram cinco faixas do próximo álbum da banda, “Espresso Della Vita: Lunares”, previsto para o primeiro bimestre de 2025. No lineup estavam Fábio Caldeira (vocal e piano), Renato Somera (baixo), Heitor Matos (bateria), e Guilherme Henrique (guitarra).

O início, às 20h42, contou com um Carioca Club mais cheio que nas faixas anteriores. Na primeira faixa, “Upside Down”, a falha de som foi quase que generalizada, mas corrigida em questão de segundos. A capacidade vocal de Fábio e o potencial instrumental dos demais membros foi melhor percebida a partir da segunda faixa, “Boo!”..

A terceira, “Lunar Vortex”, foi anunciada com muitas palmas após Fábio afirmar que ela terá a participação de Roy Khan, vocalista do Conception, na versão de estúdio.

Em seguida, Fábio assumiu o piano e tocou “Dance of Hadassa”, uma faixa que, segundo eles contará com um coral de sobreviventes do Holocausto. O destaque ficou para o solo de guitarra de Guilherme, que combinou com o vocal de Fábio.

Por fim, o Maestrick tocou “Ethereal”, única faixa que foi lançada anteriormente, em fevereiro deste ano Ela também foi a única do setlist que não foi tocada pela primeira vez ao vivo. A energia positiva do público foi dividida com as falhas do microfone de Fábio que, no meio da apresentação, teve que trocar com um dos microfones de backing vocal. Ainda assim, foram ovacionados no final.

 

Momentos antes de Conception

A rápida desmontagem dos instrumentos usados na abertura logo deu um espaço maior para o palco e destacou ainda mais o kit da banda principal.

Com a pista metade cheia, metade vazia, às 21h27, as luzes se apagaram e as cortinas se abriram para o início do primeiro show do Conception no Brasil. Naquele momento, um fã referenciou Roy Khan com gritos de “O deus vai cantar!”, que logo pararam com a entrada dos integrantes do Conception.

 

Conception

A introdução “Re: Conception”, que também introduz o EP “My Dark Symphony” (2018), foi a trilha para a entrada dos membros. Primeiro vieram Arve Heimdal (bateria) e Lars Andre Kvistum (teclado), seguidos de Ingar Amlien (baixo) e Tore Østby (guitarra) e da tímida entrada de Aurora Amalie Heimdal (backing vocal) Roy Khan (vocal principal) entrou por último e concluiu a abertura, emendada na primeira faixa, “Grand Again”, do mesmo álbum da trilha anterior e que deu início ao setlist de 17 faixas deste show.

Na primeira faixa, Roy Khan deu as primeiras boas impressões de sua performance, com a voz impecável e uma postura corporal dançante, da mesma forma que demonstrou sua gratidão a quem compareceu - bateu palmas - quando finalizou a faixa batendo em seu peito. Já Tore Østby deu a letra do poderio de seus solos já nessa música.

Em “A Virtual Lovestory”, primeira música representante do álbum “Flow” (1997), os membros do Conception se mostraram mais soltos no palco. Roy Khan fez questão de realizar suas primeiras aproximações a quem estava na frente da pista, algo que o baixista Ingar Amlien também fez durante alguns momentos da faixa.

Roy, após a faixa anterior, fez sua saudação em discurso, afirmando que aquela noite seria de arrasar: “Tonight Is gonna F*cking rock!”, disse o frontman. Após isso, o grupo tocou “Waywardly Broken”, que compõe o álbum mais recente do Conception, intitulado “State of Deception” (2020). Nela, há um misto de linhas de guitarra mais calmas e de notas mais pesadas, além de mais um solo marcante por parte de Østby.

A situação fica mais animada com “No Rewind”. O riff estridente da guitarra se somou à performance de joelhos de Khan, que também voltou a interagir com o público ao se aproximar dos que estavam nas extremidades laterais. Apesar deste ânimo e de conseguir os primeiros saltos de grande parte de quem estava na pista, era possível ver o frontman do Conception pedir pela correção do retorno algumas vezes, em meio à performance.

Foi após a terceira música que Roy Khan se queixou do calor que fazia no local, fruto não somente de seu sobretudo e de sua performance, como também da noite quente que fez em São Paulo. Nada que o impedisse de seguir o show e, também, de elogiar a plateia: “You are Special” - “Vocês são especiais”, em tradução livre.

Com isso, Khan chamou o público para cantar alto a faixa seguinte, “The Mansion”, que fechou a sequência de três faixas do último álbum lançado pela banda. Ela, na versão de estúdio, tem a participação da cantora sueca Elize Ryd - vocalista da banda Amaranthe e que já fez backing vocals para o Kamelot durante diversos momentos da década de 2010. No entanto, quem fez sua voz durante a faixa e, consequentemente, teve um momento de grande destaque, foi a backing vocal Aurora Amalie Heimdal que, nas partes em que cantou e após isso, foi muito ovacionada pelos fãs presentes.

Roy Khan, mesmo que ainda no começo do show, fez questão de afirmar que o Conception voltará ao Brasil em breve. Estes e outros elogios foram seguidos de um pedido de barulho para a faixa seguinte.

“A Million Gods”, única faixa do álbum “In Your Multitude” (1995) que foi tocada na noite, veio carregada das poderosas linhas iniciais da guitarra de Tore Østby e do baixo de Ingar Amlien - este um pouco mais alto que nas faixas anteriores. Ambos ainda fizeram outros bons momentos individuais e em dupla na faixa, assim como Arve Heimdal trouxe boas viradas de bateria. Os fãs presentes fizeram um grande coro para o refrão e ainda se divertiram com o retorno ao palco de Roy após o solo de Tore, pois o vocalista trouxe uma câmera portátil para gravá-los. Ao fundo, Aurora também realizou gravações com o celular junto com um dos roadies da banda e atrás da bateria de Arve, focando nos integrantes da banda e na plateia. O resultado de tudo isso foi uma salva de palmas calorosa no final da música em questão.

A vibe alegre do público se manteve na faixa seguinte, “Quite Alright”, um retorno ao repertório do EP “My Dark Symphony”, por ter sido muito comemorada e cantada ao longo da execução da banda. Já para os membros do Conception, foi mais uma faixa para manter o elo com o público: Roy voltou a se aproximar da galera e chegou a pegar, pela primeira vez no show, um celular de um fã da grade, no qual gravou rapidamente o palco e os membros. Da mesma forma, o vocalista do Conception fechou os olhos durante o solo de guitarra de Tore Østby, numa demonstração de que estava “sentindo a energia” da faixa. No final da música, o vocalista “fincou” o tripé do microfone no chão, encerrando a música na melhor forma performática possível.

A apresentação do Conception chegou a um momento acústico quando Tore Østby pegou o violão e Arve Heimdal foi à frente com uma caixa e um chocalho. Dentro do discurso de Roy, mais uma menção à energia positiva do público e felicitações à promotora do show no Brasil, que estava na pista. E depois das menções, a banda veio a tocar a clássica “Silent Crying”, do segundo álbum de estúdio da banda, “Parallel Minds” (1993). O coro do público voltou às alturas, principalmente no refrão da faixa, incrementando o instrumental perfeito da banda e o lindo vocal de Roy Khan.

A situação acústica seguiu com a faixa “Sundance”, que compõe o disco “Flow” e que tem uma pegada latina dançante. Não somente o violão de Tore ditou o ritmo, como também as palmas dos presentes na casa de eventos em determinados momentos da faixa. Alguns até arriscaram algumas dancinhas, mesmo que timidamente e, claro, todos aplaudiram calorosamente no final.

O retorno dos membros do Conception aos seus postos veio em meio à iluminação vermelha no palco e uma longa introdução do teclado de Lars Andre Kvistum, de modo sintetizado. Logo, veio o reconhecimento da também clássica “Gethsemane” devido aos toques da bateria e do baixo. Durante o riff de Tore, Roy Khan novamente subiu à posição da backing vocal e admirou o guitarrista. Os fãs, claro, colaboraram com tudo ao pular e cantar junto com Khan durante a música e, além disso, receberam mais um ato de carinho do vocalista quando o mesmo apertou a mão de vários dos que estavam nas partes frontais da pista.

Na sequência, Roy não somente agradeceu o público novamente e os denominou como “os melhores”, como emendou para a música “Parallel Minds”, do álbum de mesmo nome. O frontman do Conception guiou o público a gritar “hey” no começo e, em outro momento da faixa, voltou a se aproximar de Aurora para cantar algumas partes e, ao final, ainda brincou afirmando que voltaria no sábado seguinte para mais um show, tamanha a energia do público presente. Tore, como se tornou costume no show, executou incrivelmente o solo de guitarra da faixa.

O show foi levado a um ritmo mais lento - apesar da forte iluminação no palco - com “Feather Moves”, mas foi justamente nessa faixa que o principal acontecimento de toda a noite de apresentações ocorreu: as idas de Tore Østby e Roy Khan para o público. E isso ocorreu depois de ótimas execuções instrumentais dos membros da banda e do vocal de Roy. Østby foi o primeiro e caminhou por meio do mezanino, cumprimentou os fãs de cada cabine e, depois, desceu para a pista, por onde caminhou enquanto era rodeado por grande parte dos fãs que, de alguma forma, tentavam um cumprimento, uma foto ou a captação de um vídeo com o membro do Conception. Tudo isso enquanto solava com a guitarra. Roy foi mais discreto e caminhou apenas pelo mezanino.

Na volta ao palco, Tore foi amplamente ovacionado pelo público, assim como Roy. Eles finalizaram a faixa e partiram para a dançante “By the Blues”, marcada pela guitarra contagiante e também pela falha do microfone de Roy, que causou um ruído mais agudo no final da faixa.

A reta final do show, anunciada pelo frontman do Conception, veio com as faixas “Reach Out” e “She Dragoon”. Na primeira, a introdução narrada numa ambientação de rádio, o instrumental mais “eletrônico” do início e o semblante animado de Ingar Amlien e Arve Heimdal deram o ar da música em questão. Já na segunda mencionada, o público voltou a um agito mais evidente por meio dos pulos que a faixa, ainda mais agitada, demandou. Aurora voltou a ter uma posição de destaque no show quando, na reta final, fez o dueto com Roy dessa que foi a décima quinta música tocada na noite.

Durante o encore, as palmas logo viraram ovações quando Aurora apareceu com seu celular para gravar o público. Em questão de segundos, Roy voltou com sua Câmera para mais gravações, junto aos outros membros da apresentação e banda.

Os agradecimentos do frontman do Conception antecederam a introdução da faixa “My Dark Symphony”, que encerra o EP de mesmo nome e que teve seu refrão como principal foco de canto dos presentes no Carioca Club.

A última música da noite foi “Roll the Fire”, que compõe o álbum “Parallel Minds”. Roy a apresentou como “a música que todos esperavam”, algo que ficou evidente com a comemoração ao riff de guitarra de Tore e aos pulos e cantos coletivos que a plateia deu em peso durante a faixa. Os membros da banda entregaram tudo o que podiam nessa faixa final, seja pelos solos de guitarra ou pela voz afiada de Roy no refrão, seja pelas interações entre o baixista e o guitarrista da banda.

O final do show seria perfeito, com Tore Østby apontando o braço de sua guitarra para que os fãs tocassem, com as fotos de fim de show e o jogar de palhetas e baquetas pelos membros da banda. Seria, não fosse o princípio de briga causado na disputa de alguns fãs pelo que parecia uma baqueta. Foram poucos, mas o suficiente para se questionar o porquê de ter uma briga em um show de Metal Progressivo. O bom foi que não passou de uma discussão e uma troca branda de empurrões e, principalmente, que ninguém da banda viu e que isso se tornou muito, mas muito pequeno comparado à entrega e a qualidade instrumental de todas as bandas naquela noite.

 

Texto: Tiago Pereira

Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Far Music Entertainment

Mídia Pres: Tedesco Comunicação & Mídia

 

Ego Absence

The Fools Trap Symphony

Serpent’s Tongue

I am Free

Wake Up to Life

Colibri (com participação de Priscila Reimgerg)

G.O.D.

 

Armiferum

Ad Lucem

Climb the Mountain

Hellfire

Heavy Heart

Bring the Light

Titans of Steel (participação de Pedro Zupo, vocalista do Living Metal)

 

Maestrick

Upside Down (estreia ao vivo)

Boo! (estreia ao vivo)

Lunar Vortex (estreia ao vivo)

Dance of Hadassa (estreia ao vivo)

Ethereal

 

Conception

Re:Conception / Grand Again

A Virtual Lovestory

Waywardly Broken

No Rewind

The Mansion (com Aurora Amalie)

A Million Gods

Quite Alright

Silent Crying (acústico)

Sundance

Gethsemane (com introdução estendida no teclado)

Parallel Minds

Feather Moves (versão estendida devido ao solo de Tore Østby enquanto caminhava pelo mezanino e pista do Carioca Club)

By the Blues

Reach Out

She Dragoon

***Encore***

My Dark Symphony

Roll the Fire