sábado, 18 de novembro de 2017

Prong: Thrash, Groove e Caminhos Mais Acessíveis



Na estrada com o seu Prong desde 1986, salvo o hiato entre 1997 e 2002, Tommy Victor tem produzido muito, pois além de quatro álbuns de estúdio e um ao vivo nos últimos 5 anos, ainda gravou dois discos com Glenn Danzig. Quantidade não é sinônimo de qualidade, mas Tommy tem apresentado um material interessante, principalmente em "Carved into Stone" (2012). Neste "Zero Days", temos novamente um bom trabalho, onde o guitarrista e vocalista experimenta algumas novidades.

O Prong teve ótima repercussão com seus álbuns nos anos 90, onde faziam parte já de uma nova geração do Thrash, com novos ingredientes, mais moderno, utilizando-se de muito groove e elementos industriais. O grupo ainda mantém muitas das características principais, e em "Zero Days" temos elementos do Thrash Old School, o groove, e claro, os vocais e rifferama características de Tommy, com os elementos industriais aparecendo muito pouco, e o que está mais evidente em termos de novidade, é o direcionamento mais melodioso e pop de algumas faixas, por vezes lembrando grupos como Linkin Park e Slipknot.

Temos então a abertura "However it May End", uma peça com andamento meio tempo, bateria compassada e bastante groove; "Zero Days", a faixa título, além dos vocais característicos da banda, tem nuances do Thrash old school e andamento mais veloz, muito boas faixas, já prendendo o interesse.


O lado mais "pop" e "comercial" podemos ouvir em faixas como "Divide and Conquer", com melodias de fácil assimilação na guitarra e vocais, principalmente no refrão, e em "The Whispers", que também possui aquele tipo de melodia que gruda na mente e são "assoviáveis". O groove da cozinha e os riff são muito cativantes. Sempre interessante tentar coisas novas, apesar de algumas vezes soar bem diferente do som mais característico da banda.

O lado mais Thrash e pesado aparece a contento, como na veloz e agressiva "Operation of the Moral Law", com seus riffs e "paradinhas" tradicionais do estilo, e em "Forced Into Tolerance", mais direta e vibrante. As nuances industriais e efeitos aparecem em "Waisting of the Dawn" (os elementos industriais bem mais nesta) e "Rullers of the Collective", que é uma das que trazem essa roupagem na linha das citadas Linkin Park e Slipknot, ou seja, tem um certo peso, mas mescla linhas melodiosas, quase pop e efeitos eletrônicos, além de refrão buscando esse lado mais comercial e "catchy".

Tommy Victor: Camiseta de bom gosto!
 "Zero Days" é um mix de peso, groove e nuances mais comerciais e cativantes, trazendo faixas bem características do Prong, vários bons riffs, como é de praxe de Tommy Victor, e se você não curtir as faixas com esse lado mais pop e "comercial", pelo menos deve dar crédito à tentativa da banda de buscar não trazer somente mais do mesmo, e dar atenção às faixas mais "tradicionais", que estão bem interessantes. Possivelmente vai chamar atenção de novos seguidores, que acompanham grupos desse lado mais moderno e "pop".

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica
Banda: Prong
Álbum: "Zero Days" 2017
Estilo: Groove Metal, Thrash Metal
País: EUA
Produção: Tommy Victor e Chris Collier
Selo: SPV/Shinigami Records


Line-Up
Tommy Victor: Guistarras e vocais
Art Cruz: Bateria
Mike Longworth: Baixo

Tracklist:
01. However It May End

02. Zero Days

03. Off the Grid

04. Divide and Conquer

05. Forced Into Tolerance

06. Interbeing

07. Blood Out of Stone

08. Operation of the Moral Law

09. The Whispers

10. Self Righteous Indignation

11. Rulers of the Collective

12. Compulsive Future Projection

13. Wasting of the Dawn

14. Reasons to Be Fearful (faixa bônus)

Site Oficial

     

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Quintessente: uma estreia trabalhada e consistente

Resenha por: Renato Sanson



As variações de estilos muitas vezes não casam com a ideia que muitos grupos querem apresentar, ou seja, nem todos sabem usar esses artifícios que em muitos casos se tornam armadilhas, onde você pode ficar preso sem se dar conta.

Felizmente os cariocas do Quintessente conseguiram um bom diferencial em seu Debut, “Songs From Celestial Spheres” (17), onde apresentam grandes variações de estilos, mas dosando-os e colocando sua personalidade em cada faixa.

A mescla sonora que vai do Prog ao Doom Metal não soa indigesta ou de difícil assimilação, muito pelo contrário, mesmo não sendo uma sonoridade vamos dizer “acessível” o Quintessente traz ótimas estruturas e variações, mas com belas melodias e climas belíssimos com teclados extremamente bem encaixados, dando um ar mais pomposo a sua música, mas não esquecendo do peso e agressividade.

As variações vocais também soam interessantes, mesmo não sendo novidade as interações entre vocais masculinos e femininos, mas que aparecem de forma bem homogenia.

A produção também brilha e soa bem orgânica e viva, o que fez a sonoridade dar um passo além e não caindo nos timbres quadrados e artificiais que permeiam muitas bandas por aí. Em termos gráficos o Digipack que embala o álbum é belíssimo assim como sua capa enigmática.

Apesar de só agora lançarem seu primeiro álbum completo, os cariocas já estão na luta a mais de vinte anos, e toda essa experiência trouxe um disco trabalhado e consistente. Que daqui para frente sigam este caminho e continuem a nos brindar com lançamentos deste mesmo nível.


Links:

Formação:
André Carvalho - Vocais
Cristiano Dias - Guitarras
Cristina Müller - Vocais, teclados
Luiz Fernando de Paula - Baixo
Leo Birigui - Bateria

Tracklist:
1. The Belief of the Mind Slaves
2. Delirium
3. A Sort of Reverie
4. My Last Oath
5. Essente
6. Eyes of Forgiveness
7. L'Eternità Offerto
8. Unleash Them
9. Reflections of Reason
10. Matronæ Gaia (Chapter II)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nervochaos: seu trabalho mais intenso e variado

Resenha por: Renato Sanson


Se existe um nome no underground nacional que pode-se dizer que não desiste nunca é o Nervochaos, pois algo que sempre os assombrou foi a instabilidade em sua formação, tendo Edu Lane (baterista e único membro da formação original) como seu pilar de sustentabilidade.

Pois bem, ao meio de mais uma mudança de formação temos o 7° disco de estúdio da banda, “Nyctophilia” (17), onde apresentam os novos: Lauro Nightrealm (vocal/guitarra - Incinerad, ex-Queiron) e Cherry (guitarra - Hellsakura) e a volta do velho conhecido Thiago Anduscias para o baixo.

A qualidade que o Nervochaos apresenta não é novidade para ninguém, já que seu Death Metal flui organicamente sempre com bons flertes entre o Black Metal, e neste novo trabalho a formula não seria diferente, porém a veia mais obscura do Heavy Metal está mais latente e com aquele ar soturno e apocalíptico.

Temos maiores variações e riffs mais trabalhados e melancólicos, a brutalidade continua assim como suas peculiaridades, mas é notável o grande salto de qualidade que deram, podendo se dizer que saíram de sua zona de conforto e deram um passo adiante em sua musicalidade, expressando todo esse temporal que a banda vive nesses mais de vinte anos, sempre indo na contramão do mainstream e mantendo suas raízes.

Tanto a produção sonora como a arte trazem a sensação caótica e demoníaca que querem transmitir, onde ambas casam perfeitamente com esse novo momento da banda.

Em uma discografia solida é difícil dizer que “Nyctophilia” é o seu melhor trabalho, mas o mais variado e intenso com certeza.

Links:

Formação:
Lauro Nightrealm - Vocais, guitarras
Cherry - Guitarras
Thiago Anduscias - Baixo
Eduardo Lane – Bateria

Tracklist:
1. Moloch Rise
2. Ritualistic
3. Ad Majorem Satanae Gloriam
4. Season of the Witch
5. Waters of Chaos
6. The Midnight Hunter
7. Rites of 13 Cemeteries
8. Vampiric Cannibal Goddess
9. Stained With Blood
10. Lord Death
11. Dead End
12. World Aborted
13. Live Like Suicide

domingo, 12 de novembro de 2017

Cobertura de Show – Rock Na Praça 5: (08/10/2017 – Vale do Anhangabaú – SP)



Andre Matos, Supla, Krisiun, Malta, Claustrofobia, Kiara Rocks, Oitão, Sioux 66, Pomparça, Trayce e Screams Of Fate

O mês de setembro foi movimentando de grandes shows pelo Rock In Rio e na São Paulo Trip, realizado no Alianz Parque. Sem perder o ritmo da coisa, só que mais diferente, o mês de outubro iniciou pesado com mais uma edição do Rock Na Praça, mantendo a tradição, desde 2015, de promover shows de grandes nomes do Rock/Heavy Metal nacional em caráter gratuito e ao ar livre, marcando a sua 5º edição de grandes renovações perceptíveis e elevadas.

Pra edição desse ano, o idealizador Fabricio Ravelli e o vocalista Marcello Pompeu (Korzus) resolveram ampliar o conceito do evento tanto na parte de produção e do casting de bandas participantes, que nas edições anteriores, eram concentradas apenas 4 bandas num só palco. Mas esse número cresceu, trazendo 11 bandas reunidas em 2 palcos, novamente realizado no Vale do Anhangabaú e apontando um feito inédito ali pelas redondezas, já que nem a Fifa Fan Fest, na Copa Mundo de 2014, conseguiu impor tal logística.

O mais interessante nessa tentativa é a união de grupos de diferentes estilos, o que nos leva a ter respeito com os diversos gostos musicais. E a seleção de bandas partia de nomes do underground até o mais ‘main-stream’, podendo conferir de tudo e pouco em apresentações que duravam em torno de 1h30. E pra quem esteve presente, não teve do que reclamar, sabendo lidar com as diferenças de um e de outro numa civilidade orgânica, fator que sempre chama atenção em se tratando de Rock Na Praça.

Screams of Fate
Agraciados por um favorável e sem qualquer ameaça de chuva, Fabricio deu a largada na festa às 13h55, chamando ao palco os caras do Screams Of Fate, sendo a surpresa do dia. Formado por Clayton Bartalo (vocal), Alexandre Bovo (guitarra), Vicente Moreno (baixo e vocal) e Marcelo Toselli (bateria), o quarteto, de Guarulhos, agradou o publico (que já era grande) através de groove e peso, onde o repertório foi baseado no mais recente trabalho, “Neorganic” (2016), com as faixas “Evil” e “Spilling Hate”. “Depression”, do EP “Corrupted”, animou todos, contando com a participação do vocalista Marcelo Carvalho (ex-Trayce).

Pulando rapidamente para o palco Anhangabaú, Glauber Barreto, vocalista e guitarrista do Válvera, anunciou a próxima atração do dia: o Trayce, vencedora da seletiva que o evento organizou para as bandas terem oportunidade de tocar no dia, subindo ao palco às 14h25. A apresentação pecou um pouco pela baixa qualidade de som, mas que não comprometeu no aspecto intenso e vigoroso, destacando as faixas “Réus”, “Corpo Fechado” e “Domadores”. O mais legal foi ver o quarteto vestido com as camisetas das bandas que participaram da seletiva, atitude bastante respeitosa por parte da banda.

Trayce
Novamente ao palco Rocks, chegou à vez da exclusividade do festival entrar em cena, às 14h50. O Pomparças, formado por conhecidos nomes da cena, entre eles Marcello Pompeu (vocal, Korzus), Heros Trench (guitarra, Korzus), Marcelo Soldado (guitarra, Coração de Heroi, ex-Korzus), Fabio Romero (baixo, Threat) e Henrique Pucci (bateria, ex-Project46), desfilaram clássicos do Rock e Heavy Metal que balançaram todo o Vale do Anhangabaú, indo de “HighwayToHell” (AC/DC), “War Machine” (Kiss), “Orgasmatron” (Motörhead, participação de Milena Monaco, Sinaya) e de hits do Slayer, como “South Of Heaven” e “Raining Blood”.

Pomparças
O Thrash Metal deu lugar para o Hard Rock, e quem teve a missão de cumprir esse dever foi do Sioux 66, às 15h20, no palco Anhangabaú. Recebendo a benção de Victor Guilherme (Mattilha), o quinteto, montado por Igor Godoi (vocal), Mika Jaxx e Bento Mello (guitarras), Fabio Bonnies (baixo) e Gabriel Haddad (bateria) se mostraram estáveis e convictos, cativando quaisquer tipos de fãs de Hard Rock ali presentes, evidenciando às memoráveis “Porcos”, “O Calibre” (releitura do Os Paralamas do Sucesso) e “Outro Lado”.

Sioux 66
Chegando à metade do casting, às 15h55, Vini Castellari (Project46) convocou o pessoal do Oitão, sucedido por uma das apresentações mais quentes da tarde, lançando o foda-se em tudo com músicas de puro protesto e revolta contra o governo. E Henrique Fogaça (vocal, conhecido também por ser "chef" e da comissão de jurados do programa MasterChef Brasil), Ciero (guitarra), Ed Chavez (baixo) e Marcelo BA (bateria) não deixou fúria e raiva em falta com os resquícios de Thrash Metal, Crossover e Hardcore, salientando a paulada “Tiro na Rótula”, a violenta “Trevas” e a frenética “Chacina”, tendo a participação de Marcão (ex-Lobotomia), ultimando dignamente com “Imagem da Besta” e “Podridão Engravatada”.

Oitão
Às 16h30, o Kiara Rocks reativou os falantes do palco Anhangabaú, que ainda apresentava um som bem abaixo do esperado. Voltando de um hiato que quase resultou no fim da banda, Cadu Pelegrini (vocal/guitarra), Bruno Carmo (guitarra), Raul Barroso (baixo) e Junior Van Loon, demonstraram uma aparição meio morna, mas sólida, demostrando uma volumosa carga em músicas como “Marcas e Cicatrizes”, “Sinais Vitais” e “Não Vai Adiantar”, com Marcelo de Carvalho roubando mais uma vez a cena, além do cover de “Ace Of Spaces” (Motörhead).

Kiara Rocks
Quase impossível de se locomover e mudar de lugar, o Claustrofobia implantou uma peleja que arruinou as extremidades do palco Rocks, colidindo todos os que estavam perto do outro palco para formar fustigas rodas. E o trio, formado por Marcus D’Angelo (guitarra e vocal), Daniel Bonfogo (baixo) e Caio D’Angelo (bateria) correspondeu com o calor do publico por intermédio do ‘Metal Maloka’, jargão inventado pela banda, executando momentos mais recentes da carreira como “Generalized Word Infection”, “Paulada” e “Pino da Granada”, e ainda uma versão mais pesada de “Rapante”, dos Raimundos.

Claustrofobia
Encarando qualquer tipo de ironia e superando os obstáculos, o Malta entrou no palco no fim da tarde com um set de poucas músicas próprias, apostando num repertório praticamente montado de covers do Rock mundial e nacional, passando por “Highway To Hell” (AC/DC), “Killing In The Name” (Rage Against The Machine), “In The End” (Linkin Park), “Até Quando Esperar” (Plebe Rude) e “Que País é Esse?” (Legião Urbana), realçado das exclusivas “Igual a Ninguém” e “Indestrutível”. Vencedora do reality show global “Superstar”, o quarteto, que da formação original estão presentes Thor Moraes (guitarra), Diego Lopes (baixo) e Adriano Daga (bateria), vem atravessando uma nova fase, com Luana Camarah assumindo o posto de ‘front-woman’ da banda.

Malta
Enquanto o Malta tocava no palco Anhangabaú, o Krisiun dava os últimos ajustes pra, logo em seguida, infernizar o palco Rocks. O clamor do público era forte, vindo de ovações e delírio. E o trio, composto por Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne, inaugurou a noite atirando brutalidade e energia, mostrando que hoje é o nome mais pertinente do Death Metal, abrangendo toda intensidade para as clássicas “Combustion Inferno”, “ViciousWrath”, “Blood Of Lions”, “Killing of Killing” e “Ace Of Spades” (Motörhead).


Krisiun
O Punk Rock fechou as atividades do palco Anhangabaú com uma apresentação pra lá de festiva e animada, surpreendendo com a produção de palco e do time coeso que vem acompanhando o Supla, que tem nomes conhecidos como Bruno Luiz (guitarra, Command6, Storm Sons), Henrique Baboom (baixo, Storm Sons) e Ed Avian (bateria, Tales From The Porn). O set foi recheado de clássicos, tendo no repertório “Garota de Berlin”, “Green Hair (Japa Girl)” e “O Charada Brasileiro”, além de releituras de “Imagine” (John Lennon) e “Pet Sematary” (Ramones), destacando também a irrelevante “TripScene”, que fez parte do projeto Psycho 69.


Tristemente, o fechamento do festival causou certa decepção e deslizes, e Andre Matos, ao lado de Hugo Mariutti (guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e Rodrigo Silveira (bateria), encerrou a 5º edição do Rock Na Praça com um show muito abaixo do esperado, vendo o vocalista não tão disposto e fora da sua forma ideal de voz, além do som ruim, culminando com uma falha geral durante uma das músicas. Já que a parte técnica transgrediu de maneira esdruxula, o set pelo menos era interessante, com clássicos do Angra, como “Nothing To Say” e “Lisbon”. “Fairy Tale” e “Time Will Come”, relembrando a fase áurea do Shaman; “I Will Return” e “Liberty”, salientando a fase solo do Andre, e “Inside” e “Sign Of The Cross”, presentes na Opera Metal Avantasia, encerrando com a magistral “Carry On”.


O Rock Na Praça vem se tornando obrigatoriedade no calendário cultural e Rock In Roll de São Paulo, garantindo, pelo Fabricio Ravelli, a 6º edição para o ano que vem. E em conversa com este redator, o próprio revelou que o evento pode se espalhar em mais cidades paulistanas. Aguardemos as surpresas para 2018...

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless / Dener Ariani

Edição Revisão: Carlos Garcia 

Hatefulmurder: maior personalidade e liberdade musical

Resenha por: Renato Sanson


Se em 2014 o Hatefulmurder já impressionava com o Debut “No Peace”, o que viria pela frente depois de uma troca de vocalista? Já que Felipe Lameira deu lugar a Angélica Burns.

Pois bem, os cariocas estão mais fortes do que nunca e provam isso em seu novo álbum “Red Eyes” (2017), que traz uma sonoridade mais moderna, porém extremamente agressiva, onde os rótulos do passado (já que em “No Peace” a banda transitava entre o Thrash e o Death Metal) ficam de lado e mostram maior personalidade em uma sonoridade revigorante.

Angélica se sai muito bem em sua estreia mostrando linhas vocais bem agressivas no melhor estilo “scream” com muita potência e desenvoltura, dando maior dinamismo as composições que também contam com os vocais de apoio do guitarrista Renan e do baixista Felipe, que fazem partes limpas onde se entrelaçam perfeitamente com o lado violento de Burns.

As melodias são mais latentes neste novo trabalho, assim como as estruturas das faixas que são mais variadas e intensas, pois os riffs se alternam e trazem ótima variação graças a uma cozinha solida e intrincada, formando um verdadeiro tanque de guerra sonoro.

A faixa título é um dos grandes destaques, sendo grudenta e agressiva com os vocais limpos e gritados transbordando variação; assim como “Tear Down” que traz o lado mais moderno à tona lembrando em alguns momentos os americanos do Mastodon; e não teria como não citar “Time Enough At Last” que conta com a participação de Mayara Puertas do Torture Squad, uma avalanche sonora extrema do mais alto calibre.

Com uma produção seca e na cara o Hatefulmurder dita o seu novo momento e mostra que a troca de vocalista não só trouxe novos ares como maior personalidade e liberdade musical.

Ouça sem medo, pois desde a arte gráfica até o último segundo do disco “Red Eyes” impressiona.


Links:

Formação:
Angelica Bastos - Vocais
Renan Ribeiro - Guitarras, backing vocals
Felipe Modesto - Baixo
Thomás Martin – Bateria

Tracklist:
1. Silence Will Fall                           
2. Red Eyes                       
3. Tear Down                   
4. Riot                  
5. The Meaning of Evil                 
6. Time (Enough) at Last                             
7. My Battle                      
8. You’re Being Watched                            
9. Creature of Sorrow



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Iced Earth: Elevando o Gás e Despejando Poder


Enquanto surgem novos nomes no rol da música pesada, os medalhões continuam imputando o desejo em querer permanecer irrequietos, para elevar e manter seu grau de relevância. É claro que fazer mais do mesmo não é atitude corriqueira por parte dessa trupe, evidenciando que criatividade ainda continua sendo um fator determinante no coração dos grupos. Permanecendo intactos em sua proposta, os americanos do Iced Earth, do mastermind Jon Schaffer, vindo de Tampa, na Florida, não abaixam a cabeça em “Incorruptible”, lançado aqui pela Hellion Records. 

Abordar o Iced Earth implica em lembrar as fases anteriores do grupo liderado pelo guitarrista Jon Schaffer, marcada pelas brilhantes passagens dos vocalistas Matt Barlow e de Tim Owens, comprovado nos álbuns “The Dark Saga”, “Something Wicked This Way Comes” (fase Barlow), “The Glorius Burden” e “Framing Armageddon” (fase Tim Owen). Mas o atual quinteto continua se superando, sem alterar radicalmente a sua armação sonora e sem sentir a sombra dos antigos membros, trazendo como de praxe  os riffs marcantes, base rítmica coesa e os refrãos épicos para este 12º  lançamento da carreira.


No que diz respeito a sonoridade, a todo o momento sentimos a combinação perfeita do Power Metal e Metal tradicional ( e aquele pé no Thrash), dimensionando graus mais modernos e clareza nos pontos mais melodiosos, com a mixagem e masterização vinda mais uma vez nas mãos de Zeuss, onde Jon cuidou de todas as partes de engenharia sonora do disco; a capa é designada pela dupla David Newman-Stump e Roy Young, baseado em tons de fogo e referenciando o contexto por de trás do título. 

Prender-se a determinada fase não quer dizer que a atual deixa a desejar, pela simples razão de certos integrantes não fazerem mais parte dela, é preciso saber apreciar o momento atual pra tirar as próprias conclusões. E o Iced Earth ainda empolga através da sua feição tradicional dentro do Heavy Metal em “Incorruptible”, calcando nuances que lembram aos anos 80, e é nítido o quanto o vocalista Stu Block amadureceu dentro da banda, ganhando os fãs com sua performance vocal dinâmica e versátil. 

Tarefa para escolher os destaques do álbum não é simples, mas vale frisar de começo a “Great Heathen Army”, inaugurada por sinais medievais, trazendo riffs velozes (bem complexos) e vocais impactantes, carregados de melodia no saliente refrão; “Black Flag” reproduz ares não tão árduos, possuindo lindas melodias logo de início, mas que se amplia com riffs cadenciados e da pujança que vem das partes rítmicas; “Raven Wing” é baseada por modulações meditativas, surpreendo pelo peso vindo das guitarras, alternando em doses mais limpas (explícitos nos solos) e distorcidas. 


“The Veil” é aquela faixa que mostra linhas mais penetrantes, altamente trabalhada em melodias limpas e riffs cortantes, tornando-se numa envolvente ‘power ballad’;  “Seven Headed Whore” opõem andamento frenético e hostil, com riffs que remente uma pegada mais Thrash Metal, além de haver versatilidade nas linhas vocais, retido entre o mais agressivo e agudo; “Ghost Dance (Awaken The Ancestors)” é um instrumental requintado e atribulado, sortido de lindas melodias com rastros do Metal tradicional dos anos 80; a longa “Clear The Way” (December 13th, 1862) prega um fato histórico, retratando a Batalha de Fredericksburg. E para este tema a banda enfoca traços épicos, portada de riffs poderosos, melodias cativantes e mutações rítmicas, completada por um trabalho vocal equilibrado. 

Independente de quem esteja cantando, o Iced Earth ainda tem muito gás pela frente, e com certeza o “Incorruptible” estará no seleto grupo de melhores discos de 2017.  

Texto: Gabriel Arruda 
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Iced Earth
Álbum: Incorruptible
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Gravadora: Hellion Records (Nac.)
Assessoria de Imprensa: TRM Press

Formação
StuBlock (Vocal)
Jon Schaffer (Guitarra / Teclado / Vocal)
JakeDreyer (Guitarra)
Luke Appleton (Baixo)
Brent Smedley (Bateria)

Track-List
1. Great Heathen Army
2. Black Flag
3. Raven Wing
4. The Veil
5. Seven Headed Whore
6. The Relic (Part 1)
7. Ghost Dance (Awaken the Ancestors)
8. Brothers
9. Defiance
10. Clear the Way (December 13th, 1862)