domingo, 9 de dezembro de 2018

Soulfly: Fôlego Novo e de Volta ao Jogo!



Há pouco tempo atrás, Max Cavalera e o produtor Josh Wilbur anunciavam um álbum nos moldes do Tribal Thrash do primeiro  trabalho do Soulfly, lançado em 1998. A belíssima gravura da capa (novamente a cargo de Eliran Kantor, que fez a capa do "Archangel") e o título, "Ritual", sugerem os predicados anunciados, abrindo a expectativa pelo que Max mostrou de melhor aos ouvidos dos fãs.

Se no trabalho anterior, "Archangel" (2015), o Soulfly voltava a mostrar um trabalho consistente e que chamou novamente a atenção de muitos, me incluo aí, que haviam perdido um pouco de interesse no trabalho de Max e seu Soulfly, "Ritual" consolida esse "renascimento", salvando a banda de se tornar apenas um trabalho paralelo, com aquela sonoridade "genérica" comum, dentre tantas outras bandas desse Thrash mais atual.


Os elementos prometidos dão as caras na abertura, com "Ritual", Thrash carregado de groove e com cânticos tribais, remetendo aos tempos de Max no Sepultura fase "Roots" e aos primórdios do Soulfly. Riffs e refrão marcantes, solos furiosos de Rizzo, mais a pegada da cozinha formada por Zyon Cavalera e Mike Leon fazem com que a abertura seja um ótimo prenúncio do que vem pela frente.

Felizmente, o álbum não fica só na primeira impressão, e mesmo que os prometidos elementos tribais não estejam tão presentes no restante do álbum, temos um ótimo apanhado de Thrash/Death que alterna doses de groove, peso, fúria e técnica, aliados a grandes refrãos. Peso e técnica que encontramos em "Dead Behind the Eyes", destacando a destreza e doses de melodia na guitarra de Marc Rizzo, além de alguns elementos tribais mais tímidos.

O álbum empolga, e arrisco dizer que é o melhor da banda em muito tempo. Para o fã do trabalho de Max Cavalera, realmente é um álbum para comemorar, acredito que um dos principais ícones do Metal brasileiro novamente se mostra focado e criativo. 

Dentre o nível elevado das faixas, cito também como destaques a excelente "Demonized", que inicia com guitarras acústicas, para em seguida se transformar em um turbilhão de peso, agressividade e técnica, destacando novamente o trabalho de Zyon na bateria; "Blood on the Streets", onde alguns elementos diferentes surgem, trazendo um pouco mais das nuances tribais na percussão, além de flautas na intro.


Destaque ainda para "Bite the Bulett", ao lado da faixa título dividindo o título de melhor momento do álbum. Groove, peso e doses de criatividade em uma faixa empolgante. E fechando o disco, a instrumental "Soulfly XI", bem surpreendente, com elementos acústicos e saxofone. Calmaria após a tempestade. 

"Ritual" representa o retorno definitivo de Max e do Soulfly ao jogo, remetendo novamente àquela sonoridade característica, continuidade do que Max tinha em mente desde "Roots" (com o Sepultura) e com seu álbum de estreia do Soulfly. Sendo direto, um grande álbum de Thrash/Groove Metal contemporâneo. Max rules again!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Soulfly
Álbum: "Ritual" 2018
Estilo: Thrash/Death/Groove Metal
Produção: Josh Wilbur
Arte de Capa: Eliran Kantor
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-Up:
Max Cavalera: Guitarra e Vocais
Zyon Cavalera: Bateria
Marc Rizzo: Guitarras
Mike Leon: Baixo

Tracklist:
1. Ritual
2. Dead Behind The Eyes
3. The Summoning
4. Evil Empowered
5. Under Rapture
6. Demonized
7. Blood On The Street
8. Bite The Bullet
9. Feedback!
10. Soulfly XI


           

           

sábado, 1 de dezembro de 2018

Entrevista: Luís Mariutti - A Reunião do Shaman, Um Pouco de História e Planos Futuros



Luís Mariutti é uma das figuras mais queridas e expressivas do Metal brasileiro, reconhecido mundialmente pelo seu trabalho principalmente como o Angra e depois Shaman, André Matos Band, e claro,  outras bandas relevantes como Henceforth, About 2 Crash e Motorguts. A nova empreitada, o Sinistra, e também a mais festejada novidade, a reunião do SHAMAN, são os principais acontecimentos da carreira do baixista neste 2018. (English Version)

São mais de 3 décadas de carreira, onde além dos grupos citados acima, Mariutti gravou com alguns dos principais nomes em termos de produção no cenário Metal, como Chris Tsangarides, Roy Z, Charlie Bauerfiend e Sascha Paeth. Reconhecidos por diversas publicações como um dos melhores baixistas do Heavy Metal mundial, como na japonesa Burrn, e no Brasil chegou a ser escolhido o melhor baixista por 12 anos consecutivos. Além do Metal, Luís também é um aficcionado por esportes, como futebol e artes marciais. Falando em futebol, quem não lembra do apelido "jesus", que recebeu no saudoso programa MTV Rock e Gol, onde Mariutti mostrava seus dotes como zagueirão!

Agora em 2018 os fãs receberam uma notícia esperada há tempos, o retorno do Shaman. E o que seria apenas um concerts, foi ganhando proporções maiores, com a reunião transformando-se praticamente numa tour e abrindo a possibilidade de um retorno definitivo, com álbum novo e tudo! Conversamos com Mariutti para falar sobre essa reunião, o futuro do Shaman, um pouco de história e outras novidades! Confira:              


"Os shows estão sendo incríveis, o que torna a convivência cada vez melhor, e é daí que saem as decisões futuras."
RtM: Olá Luís, obrigado por arrumar um tempinho pra nos responder! Sobre esse retorno com a formação original do Shaman, algo que muitos fãs esperavam e pediam. Conte um pouco para nós como foi surgindo e amadurecendo essa ideia?
Luís Mariutti: Eu já tinha conversado separadamente com todos os outros integrantes, sobre essa possibilidade, mas só com a ajuda dos fãs as coisas se desenrolaram. Acho que isso fez com que tivéssemos a dimensão do quanto eles queriam essa reunião, dando um sentido pra tudo isso.

RtM: E como vocês estão se sentindo atualmente? Para muitos, o rompimento da banda deixou um vazio, uma obra inacabada, pois se esperava uma longevidade do grupo. Você sente que é possível vocês voltarem a fazer músicas novas juntos, e quem sabe seguir de onde pararam e lançar um trabalho novo com essa formação?
LM: As coisas estão acontecendo naturalmente. A primeira ideia era um show, que viraram oito e, na minha cabeça eu gostaria de fazer bem mais. Se esses outros shows se concretizarem, teremos muito tempo juntos para pensar em um futuro para a banda.

"A ajuda dos fãs fez sentirmos a dimensão, dando um sentido para tudo isso"
RtM: Quando uma banda como o Shaman anuncia um retorno, criam-se muitas expectativas. Como tem sido o feedback dos fãs? E a demanda por shows? O que era para ser um show, se transformou numa tour praticamente. Isto pode se tornar algo maior? Acredito, inclusive, que tenha chamado a atenção de selos e gravadoras.
LM: Como disse anteriormente as coisas estão acontecendo naturalmente e de uma forma muito positiva. Temos a FreePass trabalhando conosco, e tenho a total confiança que tudo está sendo planejado da melhor maneira para todos.  Os shows estão sendo incríveis, o que torna a convivência cada vez melhor, e é daí que saem as decisões futuras.

RtM: “Ritual” foi lançado pela Universal, e inclusive emplacou um sucesso comercial que atingiu um público fora do Metal, com a balada “Fairy Tale”, que virou até tema de novela. A banda lançou um DVD e também teve uma extensa tour.  Mas apesar desses resultados houve rompimento com a Universal, e também era sinalizada uma mudança de direcionamento na sonoridade. Conte pra gente o porquê dessas mudanças e a troca de gravadora?
LM: O direcionamento musical foi uma mudança natural, foi o que saiu da banda naquele momento, não teve nada a ver com troca de gravadora. Que por sua vez foi feita, pensando em ter uma gravadora que estivesse mais próxima do Rock.

RtM: Gostaria que você comentasse um pouco sobre o “Ritual”, que foi a estreia de vocês. Luís, Ricardo e André, após a saída do Angra, e contrariando algumas expectativas, pois para muitos seria até mais confortável seguir por um caminho parecido ao da sua banda anterior, mas vocês buscaram uma sonoridade e uma cara bem própria.
LM: É um disco que me orgulha muito. Penso sempre nos discos que gravei como uma continuidade natural da minha música. Naquela época apostamos nos climas, no peso, sem esquecer das características que nos levaram ao sucesso com o Angra, inovamos. O Shaman tem muito disso, sempre buscamos dar o melhor de nós, sem fórmulas, apenas permitindo as ideias fluírem.


RtM: O “Reason” foi um disco que dividiu, e ainda divide, muitas opiniões (eu achei e acho uma baita disco! Soa mais pesado e mais “dark”, trazendo novos elementos ao som da banda). Como você avalia e vê esse trabalho agora, 13 anos depois do seu lançamento? Provavelmente muitas pessoas demoraram um pouco a entender esse disco, e mudaram de opinião.
LM: O "Reason" é um disco muito bom de tocar, eu particularmente gosto muito e, acho que as execuções nos shows tem sido surpreendentes, acho também, que isso ajuda a quem tem uma certa dificuldade em compreende-lo.

RtM: Lembro de um músico, inclusive de uma banda bem conhecida de vocês, que em uma entrevista criticou o “Reason”, dizendo que era um álbum aquém do que vocês poderiam ter feito, e que o fato de declararem ter partido para um direcionamento mais direto e pesado, era uma desculpa porque vocês haviam se transformado em músicos desleixados. Na época me pareceu também haver sido criada, por parte de imprensa e até fãs, uma certa “disputa” entre Angra e Shaman.
LM: Acho que ele deve ter ficado com inveja de termos gravando um ótimo disco com poucas notas! (risos)

RtM: De “Reason”, quais as suas faixas preferidas e as que você acha mais fortes?
LM: A "Reason" é a minha preferida, apesar de gostar de todas as composições desse disco.

RtM: Lembro que antes da separação, a banda chegou a anunciar que estaria preparando um EP com músicas novas. Existem composições que ficaram prontas? Vocês chegaram a definir o direcionamento do que seria o trabalho seguinte?
LM: As músicas que ficaram prontas saíram no disco do Andre Matos "Time to Be Free" (2007), uma delas é a "RIO".

"No Shaman sempre buscamos dar o melhor de nós, sem fórmulas, apenas permitindo as ideias fluírem."

RtM: Do alto de sua experiência, como músico, se pudesse voltar no tempo, que conselhos você daria ao jovem e iniciante Luís?
LM: Nenhum. As coisas aconteceram naturalmente na minha carreira e, tive grandes pessoas que me deram conselhos que me fizeram chegar até aqui. Consegui tudo na minha carreira através de muito esforço pessoal, me orgulho disso e não mudaria nada.

RtM: Além desses shows com o Shaman, sobre seus projetos pessoais em bandas, o que você tem de novidades para adiantar aos fãs?
LM: Estou gravando para a banda Sinistra (foto abaixo) que conta com Edu Ardanuy (guitarra), Nando Fernandes (vocal), Rafael Rosa (bateria), e é uma banda com uma pegada Sabbath, cantado em português. Está ficando muito bom e, será lançado ano que vem, fiquem ligados! Mantenho também a banda Dirty Dogz com o atual vocalista do Viper, o Leandro caçoilo, onde fazemos clássicos do Metal e hard rock. Fora o meu canal no youtube que tem quase 20000 inscritos e tenho me dedicado semanalmente a ele.


Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

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Interview: Shaman - Luís Mariutti talks about the group's reunion and future plans.



Luís Mariutti is one of the most beloved and expressive figures of Brazilian Metal, recognized worldwide for his work mainly as Angra and later Shaman, André Matos Band, and of course, other relevant bands like Henceforth, About 2 Crash and Motorguts. The new venture, the  brazilian supergroup Sinistra, and also the most celebrated novelty, the return of the band SHAMAN, are the main events of the bassist's career in this 2018.  (Versão em Português)

Mariutti has recorded with some of the top names in terms of production in the Metal scene, such as Chris Tsangarides, Roy Z, Charlie Bauerfiend and Sascha Paeth. Recognized by several publications as one of the best bassists of the world Heavy Metal, as in the Japanese Burrn, and in Brazil was named the best bass player for 12 consecutive years. In addition to Metal, Luís is also a sports fan, such as football and martial arts. Speaking of football, who does not remember the nickname "jesus", who received in the late program on MTV Brazil, the "MTV Rock and Gol" (a football tournament with musicians), where Mariutti showed his skills as a defender!

Now in 2018 fans finally had their prayers answered with the Shaman's reunion. And what would only be one concert, was gaining greater proportions, with the reunion turning almost into a tour and opening the possibility of a definitive return, with new album and everything! We talked to Mariutti to talk about this return, the future of the Shaman, a bit of history and other news! Check out:

"The shows are being incredible, which makes coexistence better and that's where future decisions come from."
RtM: Hello Luís, to start the interview, let's talk about this return of the Shaman's original lineup, something that many fans expected and asked for. Tell us a little bit about how this idea came out and maturing?
Luís Mariutti: I had talked separately with all the other members, about this possibility, but only with the help of the fans things unfolded. I think that made us measure the size of how much they wanted this return, giving a sense to all of this.

RtM: Great! And how are you feeling right now? For many, the breakup of the band left a void, an unfinished work, because they expected a longevity of the group. Do you feel that it is possible for you to start making new songs together, and maybe a new album?
LM: Things are happening naturally. The first idea was a show, which turned eight, and in my head I would like to do much more. If these other shows come to fruition, we'll have plenty of time together to think of a future for the band.

RtM; When a band like the Shaman announces a return, there are many expectations. How has feedback from fans been? And the demand for shows? What was meant to be one show, had turned in more dates. Can this become something bigger? I even believe he has caught the attention of labels and labels.
LM: As I said earlier things are happening naturally and in a very positive way. We have FreePass management working with us, and I have the complete confidence that everything is being planned in the best way for everyone. The shows are being incredible, which makes coexistence better and that's where future decisions come from.

"...The help of the fans made us measure the size of how much they wanted this reunion"
RtM: "Ritual" (2002), the first album, was released by Universal Music, and even had a commercial success that reached an audience outside of Metal, with the ballad "Fairy Tale", which turned to the theme of the novel. The band released a DVD and also had an extensive tour. But despite these results, there was a break with Universal, and a change of direction in sound was also signaled. Tell us why these changes and the change of record company?
LM: The musical direction was a natural change, it was what left the band at that time, had nothing to do with change of record. Which in turn was made, thinking of having a label that was closer to Rock.

RtM: I would like you to comment a little more about the album "Ritual", which was your debut. Luís, Ricardo and André, after the departure of the Angra, and contrary to some expectations, for many it would be even more comfortable to follow a path similar to that of his previous band, but you looked for a sound and a face of your own.
LM: It's a record that I'm very proud of. I always think that all the albums I recorded are a natural continuity of my music. At that time we bet on climates, weight, not forgetting the characteristics that led us to success with Angra, we innovate. The Shaman has a lot of it, we always try to give the best of ourselves, without formulas, just allowing ideas to flow.

RtM: The  album "Reason" (2005) was an album that divided, and still divides, many opinions (for mi it's a great album! It sounds heavier and more "dark", bringing new elements to the sound of the band). How do you rate and see this work now, 13 years after its release? Probably many people took a while to understand this album, and they changed their minds.
LM: "Reason" is a very good album to play, I particularly like it a lot and I think the performances at the shows have been surprising, I think, too, that this helps those who have a hard time understanding it.


RtM: I remember a musician, including a well-known band of yours, who in an interview criticized "Reason", saying that it was an album short of what you could have done, and that declaring that the reason you had departed for a more straight and heavy sound, it was an excuse because you had turned into sloppy musicians. At the time it seemed to me that a certain "dispute" between Angra and Shaman had also been created by the press and even some fans.
LM: I think he must have been envious of having recorded a great record with few notes! ha ha ha

RtM: From "Reason", which are your favorite tracks and which do you think are the strongest?
LM: The title-track "Reason" is my favorite, although I like all the compositions of this album.

"Shaman always try to give the best of , without formulas...
                        just allowing ideas to flow."
RtM: I remember that before the split, the band even announced that it would be preparing an EP with new songs. Are there compositions that are ready? Have you ever defined the direction of what would be the next album?
LM: The songs that were ready came out on the album of Andre Matos "Time to Be Free" (2007), one of them is the song "RIO".

RtM: From the height of your experience, as a musician, if you could go back in time, what advice would you give to young and novice musician Luis Mariutti?
LM: None. Things happened naturally in my career and I had great people who gave me advice that made me come here. I have achieved everything in my career through a lot of personal effort, I am proud of it and would not change anything.

Mariutti's new project in a Black Sabbath vein: with Rafael Rosa, Fernando Fernandes, Edu Ardanuy and, of course, Luís.
RtM: In addition to these shows with the Shaman, about their personal projects in bands, what you have of news to postpone
LM: I'm recording for the Sinistra band that counts with Edu Ardanuy (guitar), Nando Fernandes (vocal), Rafael Rosa (drums), and is a band with a Sabbath footprint, sung in Portuguese. It's getting really good and it will be released next year, stay tuned! I also keep the band Dirty Dogz with the current Viper vocalist, Leandro Caçoilo, where we do Metal Classics and Hard Rock. Out my channel on youtube that has almost 20,000 subscribers and I have devoted myself weekly to it.

Interview by: Carlos Garcia




Shaman are:
Andre Matos: Vocals
Luís Mariutti: Bass
Hugo Mariutti: Guitars
Ricardo Confessori: Drums
Fábio Ribeiro: Keyboards (guest musician)

       

       

       

 

domingo, 25 de novembro de 2018

Christian Vidal (Therion): Ecletismo e Feeling em Segundo Álbum Solo


O argentino Christian Vidal, nascido em 1972, em Zárate (província de Buenos Aires), começou muito cedo na música, e é o típico músico que no Rock e Heavy Metal tem todas as características do que podemos chamar de “guitar hero”, pela sua técnica diferenciada, feeling e carisma.

Além de ser guitarrista do Therion desde 2010, do trabalho solo e atuar como professor de música, já excursionou e participou de shows ao lado de músicos como Eric Martin e Paul Gilbert (Mr. Big), Russel Allen (Symphony X e Adrenaline MOb), além de projetos tributo a clássicos do Rock com diversos músicos acompanhados por orquestra, como Symphonic Rhapsody of Queen e Pink Floyd Symphonic Rhapsody entre outros.

Com a oportunidade de viver por um período na Suécia, além de tocar e excursionar com diversos músicos, o que lhe trouxe ainda mais bagagem musical, tem levado sua técnica e talento a muito mais países e pessoas. É um músico que merece alcançar um reconhecimento cada vez maior. Inclusive agora em novembro, dia 29, receberá do governo argentino o diploma Governador Enrique Tomás Cresto, importante título conferido a profissionais de trajetória destacada, e que elevam o nome e cultura do país.


Vidal lançou no final do ano passado seu segundo solo, "Home" (o primeiro, "El Viaje", é de 2005)disponível nas plataformas digitais primeiramente, e agora em 2018 também em formato físico. Neste segundo álbum, como esperado, demonstra toda sua técnica e personalidade, mesclando diversos ritmos nativos argentinos e música folclórica, ao Rock e Heavy Metal, mas desta vez contando com mais tempo para a produção, além de mais recursos, além de toda a experiência que agregou nestes anos que viveu na Suécia, viajou pelo mundo com o Therion e outros projetos, convivendo com muitos artistas.

Contou também com vários colaboradores e convidados de peso, como Thomas Vikström e Nalle (Therion), George Egg (Dynazty), Pontus Egberg (King Diamond), além da produção de Waldemar Sorychta.

Em um álbum de Christian Vidal, você poderá encontrar músicas com bases pesadas, solos intrincados e melodiosos, típicos do Metal e Rock pesado, mas também vai se deparar com surpresas, como passagens de tango e outros ritmos e melodias folclóricas, por exemplo, como em “Vals Rengo” e  “Enredadera”, onde entrelaça belas melodias na guitarra, solos de pura técnica, piano, bases mais pesadas e ritmos nativos. 


É um disco mais elétrico e voltado a guitarra, porém com muitos climas e variações, e, ao contrário de alguns álbuns predominantemente instrumentais, não é daquele tipo que agradará somente a outros músicos ou ao público aficcionado à álbuns de guitarristas. Vidal valoriza a composição acima da técnica, não temos um show de exibicionismo, e sim belas melodias, criatividade e música que agrada facilmente aos ouvidos.

Não há como se cansar ouvindo o álbum, devido a esse bom gosto, variedade e melodias marcantes. Temos faixas onde os ritmos regionais surgem naturalmente, como em "Enredadera", que citei anteriormente, faixas mais Metal e com mais peso, onde Vidal mostra também sua perícia em solos carregados de técnica, como em "Campanas de Gares", e momentos de pura emoção, como as baladas "Encuentros" e "Holy Smoking Kiss", sendo que nesta Vidal mostra sua evolução como vocalista, recebendo a ajuda de Linnéa Vikström (ex-Therion) como vocal-coach.

As melodias marcantes e técnica apurada da intrincada "Libertad de un Corazón Solitario" e os ritmos quebrados de "Hormigas", fazem o ouvinte viajar envoltos pelas notas da guitarra deste grande músico, assim como a variedade de "Ahi vá la Hostía" e a suavidade e bom gosto em "Manãnas de Ivan".


Realmente, um belíssimo álbum solo. Detalhe que os títulos são em espanhol e inglês, pois Vidal quis manter os nomes originais, como as músicas nasceram, mantendo a essência e ideia original. A "From the Woods", por exemplo, é referência ao local onde ensaiam com o Therion, na propriedade de Christofer Johnsson, que fica fora da zona urbana de Estocolmo e onde há um bosque.

Nos trabalhos com a mão de Vidal, o ouvinte terá sempre a certeza que encontrará técnica apurada, mas acima de tudo, de bom gosto e criatividade, com composições e melodias que facilmente cairão no gosto de qualquer apreciador da boa música.

Texto: Carlos Garcia

Tracklist:
Hormigas
From the Woods3
Encuentros
Campanas De Gares
Holy Smoking Kiss
La Vida Continúa
Enredadera
Aroma
Ahí Va La Ostia
Mañanas De Iván
Vals Rengo
The Elevator
Libertad De Un Corazón Solitario
El Sueño De Santi

Confira "Home" nas plataformas digitais:
Spotify 
Vídeos
Youtube

            

           

           

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Alice Cooper: Uma Noite Paranormal com Titia Alice!

É sempre uma experiência incrível ver ao vivo, ouvir ou mesmo ver por algum canal a cabo, plataforma digital ou DVD/Blu-Ray uma lenda do Rock como Alice Cooper, o homem é mesmo um show-man fora do normal! Ainda em grande forma, e com uma banda excelente, contando com três guitarristas, Alice tem feito apresentações memoráveis no alto de seus 70 anos.

Alice é sempre garantia de entretenimento além da música, com sua presença de palco, carisma e teatralidade de seu show. "A Paranormal Evening", este novo duplo ao vivo, gravado em 7 de dezembro de 2017 no Olympia em Paris, durante a tour do seu mais recente álbum, "Paranormal". Um lugar icônico, com mais de 100 anos dedicados a receber estrelas no palco, perfeito para um show de um ícone!


Muitas das canções do set-list, assim como algumas performances, já são esperadas, pois mesmo por mais óbvias, não dá para esperar um show de Alice sem "Schools Out" ou sem a sua decapitação na guilhotina durante "I Love it to Death".

O set inicia com a pesada e moderna "Brutal Planet", do álbum homônimo de 2.000, que já vem sendo há tempos usada regularmente como abertura. Além dos hits obrigatórios, como as citadas anteriormente, Alice trata de tentar balancear o set-list com clássicos de diversas fases, mas principalmente a época de ouro nos anos 70. Temos "No More Mr. Nice Guy" e "Under My Wheels", por exemplo, também obrigatórias, assim como "Billion Dollar Babies", e claro "I'm Eighteen", o hit que alavancou a carreira da Alice Cooper Band nos anos 70.


É claro que com tantos hits e álbuns, alguma coisa sempre vai faltar, principalmente as músicas mais recentes, e neste álbum senti falta de mais algumas canções do álbum "Paranormal", como a faixa título, por exemplo. E neste ao vivo temos somente a ótima "Paranoiac Personality". Em contra partida, temos algumas boas surpresas, como "Pain", do "Flush the Fashion" (1980), que é uma excelente música de um álbum bem diferente e contestado. Nesta versão ao vivo ganhou mais punch. 

Temos também a pegada Hard pesada de "The World Needs Guts", do "Constrictor" (1986), álbum que significou o retorno de Alice Cooper de pois de um hiato, e novamente o levou à grandes vendagens de álbuns e grandes arenas.

Falando no "Constrictor" e a excelente fase que ele iniciou, temos o mega-hit "Poison", do álbum "Trash" (1989), fechando um quarteto de sucesso desse final dos anos 80 e início dos 90, com os outros 2, "Raise Your Fist & Yell" (1987) e "Hey Stoopid" (1991). Vale citar que "Poison", sempre um ponto alto dos show, e provavelmente a faixa pós-70's mais festejada da carreira de Alice, é antecedida pelo solo da guitarrista Nita Strauss (na faixa com o apropriado nome "Woman of Mass Distraction"), dona de talento e carisma exuberantes, uma bela adição ao line-up da Tia Alice!


Ótimo registro de mais uma grande fase deste ícone, que esbanja energia e tem consigo um line-up à sua altura. E o set-list? Não poderia ser diferente, repleto de clássicos e ótimas surpresas. Um material para ser adquirido e apreciado por completo (tomara que seja lançado também em DVD/Blu-Ray), investimento mais do que excelente!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Alice Cooper
Álbum: "A Paranormal Evening With Alice Cooper At the Olympia Paris" (2018)
Estilo: Classic Rock, Hard Rock, Shock Rock
País: EUA
Selo: earMusic/Shinigami Records


Line-Up:
Alice Cooper: Vocais
Chuck Garric: Baixo
Glen Sobel: Bateria
Ryan Roxie: Guitarra
Tommy Henriksen: Guitarra
Nita Strauss: Guitarra


Tracklist:

CD1

1. Brutal Planet
2. No More Mr. Nice Guy
3. Under My Wheels
4. Department Of Youth
5. Pain
6. Billion Dollar Babies
7. The World Needs Guts
8. Woman Of Mass Distraction
9. Poison
10. Halo Of Flies

CD2

1. Feed My Frankenstein
2. Cold Ethyl
3. Only Women Bleed
4. Paranoiac Personality
5. Ballad Of Dwight Fry
6. Killer / I Love The Dead themes
7. I’m Eighteen
8. School’s Out


       


       

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Hate Embrace: Fatos Históricos Nordestinos com Trilha Death Metal


Lembrar-se do nordeste do Brasil é reconhecer o poder cultural que nunca se extinguiu na região. Fora os problemas sociais e contrastes que intercorrem por essa região, o nordestino espanta os diversos problemas por deleite da civilização, dando diversas alternativas de literatura, música, artesanato, culinária e festividade. A cena Heavy Metal continua numerosa, atulhada de bandas de grande nível. Dentre tantos bons nomes, temos o Hate Embrace, de Recife (PE), que neste 2018 apresentou o novo trabalho, o EP “Revoluções"

Contornados pela brutalidade do Death Metal, o quinteto  tem ao seu favor o poder técnico, onde tudo provém de maneira orgânica e pura, não deixando de lado a intensidade fascinante que o grupo conduz. E a musicalidade pode ser diferida por grandes nomes do gênero, porém com diferenciais do que ouvimos por ai em questão de Metal extremo, o que torna “Revoluções” um trabalho singular.  

A produção é razoável, não deixa a desejar, colocando timbres agressivos e secos em ótimo nível, compatibilizando facilmente os momentos de pura agressividade. E a capa espelha o contexto que é abordado nas letras, mostrando quatros guerreiros após a batalha em tons pretos e vermelhos.


Vale frisar que “Revoluções” é totalmente cantado em português, simbolizando o acontecimento sobre A Batalha dos Guararapes, A Revolução de 1817 e a Setembrizada de 1831, ou seja, toda rusticidade é girado em torno desse pensamento histórico, fazendo nos recordar de fatos importantes e  interessantes por meio das crônicas, o que acaba se tornando um verdadeiro aprendizado para o ouvinte.

O EP possui somente 3 faixas de total experimentalismo extremo, começando pela frenética “Guerra no Nordeste do Brasil” (excelente trabalho rítmico e opressivas linhas de teclado), onde tratam sobre A Batalha dos Guararapes na cidade de Recife; na sequencia temos a  Thrash “À Coroa Tudo, Ao Povo Nada”, contando sobre o descontentamento pernambucano de ter que pagar altos impostos para a Coroa Portuguesa. Terminando, “Setembrizada” mostra excelentes vocais guturais, guitarras surpreendentes e celestiais melodias de teclado. E a letra aborda sobre a Setembrizada após a renúncia de Dom Pedro I, o que acabou gerando conturbações pra capital pernambucana.

Trabalho valioso de uma carreira que já perdura 10 anos. E “Revoluções” é um verdadeiro ensinamento de música e história que requer muita atenção, e ouvi-lo trará ao ouvinte o interesse em aprofundar-se neste envolvente assunto.

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Divulgação
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Ficha Técnica
Banda: Hate Embrace
EP: Revoluções
Ano: 2018
Estilo: Death Metal
País: Brasil
Gravadora: Independente

Formação
George Queiroz (Vocal)
João Paulo Araújo (Guitarra)
Junior Vilar (Baixo)
Vinicius Campos (Teclado)
Ricardo Necrogod (Bateria, Vocal)

Track-List
1.    Guerra no Nordeste do Brasil
2.    À Coroa Tudo, Ao Povo Nada
3.    Setembrizada

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