quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Iron Maiden – 09/10/19 – Arena do Grêmio


Cobertura por: Renato Sanson


Onze anos desde sua última passagem pela capital gaúcha. A Donzela de Ferro retorna aos fãs gaúchos com a tour “The Legacy of the Beast” trazendo uma mescla de praticamente todas as suas fases com uma produção animalesca, onde o dia 09/10/19 na Arena do Grêmio entrou para história e seus mais de 40 mil presentes puderam presenciar o maior espetáculo da terra.

Mas antes de chegarmos lá, as bandas Rage In My Eyes e The Raven Age (banda do filho de Steve Harris, George – guitarrista), ficaram com a missão de pavimentar o caminho para a maior banda de Heavy Metal do mundo.

Por volta das 19h30min os gaúchos da Rage In My Eyes (antiga Scelerata) sobem ao palco para apresentar suas novas composições, já que o grupo lançou neste ano o Debut “Ice Cell”.


Mesmo com problemas técnicos no som (tendo como maior prejudicado o guitarrista Magnus) a banda mostrou o seu recado e o quanto este novo momento marca uma evolução musical e técnica considerável, seja pelas composições novas que soam mais maduras e diversificadas e pela inclusão da música regionalista tendo em palco a participação de um Gaiteiro estreitando este novo momento, onde o Heavy Metal moderno se entrelaça com a música gaúcha.

Formado por: Jonathas Pozo (vocal), Magnus Wichmann (guitarra), Leo Nunes (guitarra), Pedro Fauth (baixo) e Francis Cassol (bateria) a Rage In My Eyes soube lidar com as adversidades das falhas técnicas sonoras e apresentou um bom show onde mexeu bastante com o público, deixando uma ótima impressão musical aos presentes.

Setlist Rage In My Eyes:
Regret (Intro)
Forever & Ever + Hole in the Shell
Death Sleepers
Soul Gatherer
In My Blood
Enemy Within

Não demorou muito para o palco tomar forma e a The Raven Age entrar em cena. Tendo no Metalcore seu carro chefe e alguns flertes com o Metal Tradicional, se mostrando competente no que apresentaram, mesmo não sendo um grande fã do estilo me cativaram, principalmente pelas guitarras onde ambos apresentaram grande técnica e ótimas variações de riffs.


Boa presença de palco, mas que ainda necessita um maior “cozimento” ao vivo, as composições em si são mais melódicas que o normal para o estilo e isso se deve também as linhas vocais que fogem do tradicional, tendo poucas inserções agressivas que ficava a cargo do baixista. Porém não fizeram feio e conseguiram cativar boa parte do público com suas interações e sempre ressaltando que aquela noite era especial, pois em seguida teríamos o Iron Maiden.

Setlist The Raven Age:
Intro
Betrayal of the Mind
Promised Land
Surrogate
The Dy the World Stood Still
The Face That LAunched a Thousand Ships
Fleur de Lis
Grave of the Firelines
Seventh Heaven
Angel in Disgrace

Então era hora deles, dos mestres! Com os pequenos ajustes que os roads iam fazendo os presentes já se alvoroçavam. A produção de palco já mostrava o que teríamos, o que mostra uma banda e equipe mais que profissional, preocupada com cada detalhe do show, assim como podemos notar na hora em que os fotógrafos se posicionaram, pois, antes dos cliques mágicos a produção da banda se dirigiu aos mesmos para um briefing das posições dos músicos nas três músicas que iriam fotografar, para facilitar e auxiliar para que todos pegassem os melhores ângulos e momentos. Como relatado pelo fotografo Uillian Vargas: “Esta foi a primeira vez que alguém nos dá um briefing na hora de fotografar, o que foi demais, pois assim todos saem ganhando e desta forma conseguimos pegar os melhores ângulos. Não é à toa que o Iron Maiden chegou a esse status e seu profissionalismo não é só em cima do palco.


Quando ecoou nos PA’s “Doctor Doctor” do UFO todos sabiam que o espetáculo começaria, e quando surgiu nos telões o discurso de Winston Churchill as lagrimas vieram, pois não existe abertura de show mais impactante e memorável que com “Aces High” ainda mais quando uma réplica em tamanho real de um avião modelo Spitfire (aviões utilizados na segunda guerra mundial) surge junto com as melodias do trio Adrian Simith, Dave Murray e Janick Gers, com o baixo estalante de Harris, a bateria mais que precisa de Nicko e a garganta voraz de Bruce, deixando todos boquiabertos com o que estavam presenciando.

Um ar épico com uma produção cinematográfica, já que os telões ao fundo mudavam a cada música, assim como Bruce mudava seu figurino, se encaixando perfeitamente em cada momento do show, soando teatral e monstruoso. Com toda a sua bagagem e experiência, muito podemos notar alguns improvisos que o Iron Maiden se dá ao luxo de realizar em seus shows, como na grandiosa “Where Eagles Dare” (e que introdução de bateria sensacional!) onde Dave Murray esqueceu os protocolos e improvisou um solo ao meio da mesma, solando até chegar realmente em sua parte de solar, o que fez provar o quanto esse sexteto é entrosado, pois seguiram como se nada tivesse acontecido.


O ato I do show era dedicado as guerras, e nada melhor que embalar a noite com “2 Minutes do Midnight” e a épica “The Clansman” (fase Blaze Bayley) e está última merece uma menção especial, pois como soa bem na voz de Bruce, parecendo que a composição foi escrita para o mesmo. Aos gritos de “Freedom”, “Freedom” temos a primeira participação do Eddie no show, um monstrengo gigantesco com uma espada em mãos onde ora “atacava” os músicos e em outros momentos solava e instigava os presentes, com Dickinson brincando com Eddie a todo instante, onde ambos duelaram com espadas, com o vocalista pegando a bandeira brasileira e dando um tiro em Eddie para que saísse do palco, momento mais que marcante.

O próximo ato era dedicado as religiões, e “Revelations” chegava para deixar todos sem pulmões, que foi seguida da ótima “For The Greater Good Of God” que abriu caminho para aquele que seria o momento mais épico da noite e porque não belo e ao mesmo tempo assustador, a poderosa “The Sign Of The Cross” (outra da fase Bayley que parece que foi escrita especificamente para a voz de Bruce) chegava para deixar todos espantados, pois era impactante o que estávamos presenciando, onde o palco mudou de figura e se tornou sombrio e muito belo, com Bruce deslizando de um lado para o outro com uma gigantesca cruz em mãos que brilhava no escuro, mudando o clima diversas vezes e seguindo o temperamento da composição.


Flight of Icarus” também ressurgia em seu setlist, mas de forma visual imponente, com um grande anjo atrás do palco suspenso por cabos de aço e com Bruce com um lança chamas em mãos, que não parava de disparar até mesmo cantando. A já batida “Fear of the Dark” não poderia ficar de fora, deixando o público extasiado, mostrando o porquê de estar até hoje em seu set, pois a interação da plateia com está composição é mágica e funciona perfeitamente.

O final de se aproximava e o monstrengo Eddie retornaria em “Iron Maiden” e seus riffs hipnóticos, mas desta vez como uma cabeça grandiosa de demônio com olhos cintilantes que pareciam que te seguiam, um momento mágico e poderoso.


A trinca final do show era para nenhum fã colocar defeito, no meu caso eu só mudaria a ordem, pois para quem já viu o Maiden fechar o show com “Hallowed Be Thy Name” se sente um pouco “decepcionado” com eles fechando com “Run to the Hills” (risos). Brincadeiras a parte, o final foi emblemático com “The Evil That Men Do”, “Hallowed Be Thy Name” e “Run to the Hills”.

Sensacional, épico e inesquecível, pois tivemos mais uma vez (3° passagem da Donzela por terras gaúchas) a chance de presenciar a maior banda de Metal do planeta em nossa cidade.

Vale mencionar o quanto a banda está bem ao vivo e o quanto esse tal de Bruce Dickinson CANTA!

Setlist Iron Maiden:
Transylvania (Legacy of the Beast Promo)
Doctor Doctor (faixa do UFO nos PA’s)
Churchill’s Speech
Aces High
Where Eagles Dare
2 Minutes to Midnight
The Clansman
The Trooper
Revelations
For the Greater Good of God
The Wicker na
Sign of the Cross
Flight of Icarus
Fear of the Dark
The Number of the Beast
Iron Maiden
The Evil That Men Do
Hallowed Be Thy Name
Run to the Hills

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Hidden Lapse: Metal Progressivo e Anti-Heróis


A HIDDEN LAPSE lançou seu segundo álbum, “Butterflies”, em maio de 2019 via Rockshots Records. Em “Butterflies”, a banda apresenta um Metal Progressivo com uma temática voltada para “a história de oito anti-heróis e vítimas do nosso tempo”, segundo definição da própria banda.

Alessia Marchigiani não canta em um estilo operístico como Tarja Turunen ou Simone Simons, mas nem por isso deixa de apresentar um vocal fino e energético. "Dead Jester" com seus riffs melódicos foi uma boa escolha para abrir o disco. Um dos melhores momentos do álbum são ouvidos em “Third” muito bem equilibrada entre o suave e pesado.


A faixa seguinte é “The Letter 0” com sua melodia criativa e cativante, sem muitos exageros. “Stone Mask” começa com um elegante piano e em seguida é tomada por uma atmosfera enérgica enfatizada pelos vocais de Alessia. 

Os efeitos de teclado com sintetizadores harmonizam os demais instrumentos em “Glitchers”. O dueto entre Alessia Marchigiani e o guitarrista Marco Ricco funciona bem em “Grim Poet”. A faixa “Sleeping Beauty Syndrome” é bem legal, misturando muito bem a energia da bateria com a suavidade dos teclados. 

Eu realmente amei a introdução do piano para “Cruel Enigma”, já que ela cria uma sensação de expectativa do que está por vir na melodia. A banda claramente tem talento e soa muito apaixonada por sua música, vale a pena ouvir até o fim e conferir o ambiente melancólico de “Dust” apenas com um teclado, guitarra e algumas conversas. 


Comparado ao álbum de estréia “Redemption”, o quarteto italiano apresenta melhorias em sua sonoridade e principalmente na mixagem do disco. “Butterflies” e suas melodias equilibradas representa bem a identidade criativa da banda.

Texto: Raquel de Avelar
Ficha Técnica
Banda: Hidden Lapse
Álbum: "Butterflies" 2019
Estilo: Progressive Metal
País: Itália

Line-Up:
Alessia Marchigiani - Vocals
Marco Ricco - Guitars
Romina Pantanetti - Bass
Alessio Monacelli - Drums

Tracklist:
1. Dead Jester
2. Third
3. The Letter 0
4. Stone Mask
5. Glitchers
6. Grim Poet
7. Sleeping Beauty Syndrome
8. Cruel Enigma
9. Dust
+ Bonus Track “Silent Sacrifice (rearmed)”


         

         

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Rock Ao Vivo: edição porto-alegrense de alto nível com grandes nomes da música pesada mundial

Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Diogo Nunes



O Rio Grande do Sul continua sendo a rota dos grandes shows e também de grandes festivais. Como foi o caso do Festival Rock Ao Vivo que ocorreu no dia 01/10/19 no já conhecido Ginásio do Gigantinho (que já recebeu nomes do porte de: Iron Maiden, Ozzy, Kiss e etc...), em um super cast com Helloween, Whitesnake e Scorpions.

Vale ressaltar que inicialmente o evento contaria com Megadeth, mas devido a um problema de saúde do vocalista/guitarrista Dave Mustaine (câncer de garganta) os americanos foram substituídos pelos alemães do Helloween.

Mesmo sendo em uma terça-feira tivemos um ótimo público para o Festival (um pouco mais de 8 mil pessoas), mas também não era para menos, estaríamos diante de três lendas do Heavy Metal mundial em uma única noite, com toda a estrutura e aparato necessário para que o espetáculo fosse grandioso.

As 16h os portões começaram a abrir e a acomodação ao local foi tranquila, assim como o acesso da Imprensa que foi tratada com muita cordialidade pelos responsáveis. Ao adentrar ao local (que sim estava muito quente hehehe) já era possível ver o contraste entre os públicos, pois cada banda que estaria no palco está noite, são grandes em gerações diferentes, o que deixou o clima ainda mais festivo.

Perto das 17h30min era hora da a atração local abrir os trabalhos, e para esta tarefa foram recrutados os diabos porto-alegrenses do Cartel da Cevada, que mostram uma musicalidade consistente que transita entre o Heavy Metal tradicional mais old school com a pura malícia do Rock n’ Roll, com sua temática em volta do regionalismo rio-grandense e cantado em português. Onde a parte lírica é extremamente bem-humorada e acida.


Vale destacar a caracterização dos membros que estavam com coletes estilo dos generais da Guerra dos Farrapos e do mascote da banda, que é o próprio Diabo, que interage durante o show, fazendo declamações em algumas músicas. Deixando tudo muito divertido e original.


Após o bom show do Cartel da Cevada, era hora de um dos maiores nomes do Power Metal mundial, os alemães do Helloween que continuam a bem-sucedida tour “Pumpkins United”, que traz a adição dos lendários Michael Kiske (vocal) e Kai Hansen (guitarra/vocal). Em uma formação bem pouco convencional, já que a tour em questão mantém os membros anteriores, tendo em palco três vocalistas e três guitarristas!

Depois da bela montagem de palco com um kit de bateria monstruoso de Daniel Loeble, as luzes se apagam os telões tomam forma e o clássico “I'm Alive” chega para estontear os desavisados, com Kiske mostrando o porquê ser um dos vocalistas mais cultuados do mundo, além de manter um belo dueto com Andi Deris.


A chuva de clássicos não para e “Dr. Stein” abre caminho e mostra toda a interação da banda com seu público, onde Deris é o carro chefe das interações e Kai Hansen não economiza energia e transita por todo o palco, que diga-se de passagem era belíssimo, com uma base embaixo da bateria que permitia que os músicos subissem ao seu lado, onde Kai fez questão de subir várias vezes e pular de cima sem aviso prévio com sua Flying V em mãos.

“Eagle Fly Free” chega para deixar todos boquiabertos com o poder vocal de Kiske, já que essa o vocalista mandou sozinho e impressiona tanto pela técnica quanto pela potência de sua voz, onde você fechava os olhos e parecia que estava ouvindo o disco em casa. Seguimos com “Perfect Gentleman” com Deris cantando a mesma praticamente sozinha e Kai nas guitarras, tendo ao seu final a volta de Kiske ao palco. Era então a vez de Kai Hansen brindar a sua época como vocalista do Helloween e “Ride the Sky” chega para os fãs mais old school. Mas não teria como não mencionar os duetos de vozes entre Kiske e Deris, onde mostram que encontraram o equilíbrio perfeito para este novo momento, e ter Kai Hansen junto nestes duelos só engrandecem ainda mais a banda como um todo, como podemos perceber na antológica “How Many Tears” onde os três vocalistas se dividiam e mostravam grande interatividade.


O final com a mais que clássica “I Want Out” trouxe os balões gigantes preto e laranja que foram jogados ao público que se pareciam com aboboras, e deixaram o clima ainda mais descontraído e divertido em seu show.

Interação, presença de palco e um setlist na medida para a proposta do Festival, o Helloween encerra mais uma passagem pela capital gaúcha em grande estilo e nos brinda com toda a sua genialidade.

Setlist:
I'm Alive
Dr. Stein
Eagle Fly Free
Perfect Gentleman
Ride the Sky
A Tale That Wasn't Right
Power
How Many Tears
Future World
I Want Out


Em uma rápida troca de palco, já era possível ver a belíssima bateria do extraterrestre Tommy Aldridge e a bela produção que acompanharia os britânicos do Whitesnake em mais uma apresentação em solo gaúcho. Mas desta vez com a tour do mais recente lançamento, “Flesh and Blood” (19).

O Gigantinho já se encontrava praticamente lotado quando Coverdale e sua trupe entram em cena para o delírio do público, e “Bad Boys”, “Slide It In” e “Love Ain’t No Stranger” dão o cartão de visitas com os presentes cantando os clássicos a plenos pulmões.

Muitos reclamariam da voz de Coverdale, mas temos que levar em consideração a sua idade (68 anos), e mesmo assim, o coroa não “arrega” e mantém as notas lá em cima, ainda que conte com o suporte dos backing vocals (com destaque ao tecladista que é o grande vocalista Michele Luppi, mais conhecido pelos seus trabalhos com a banda Vision Divine) David mostra quem manda e sua voz rouca e aveludada encanta e embala grandes clássicos da história do Rock.


Houve espaço para o novo álbum, e “Hey You (You Make Me Rock)” e “Trouble Is Your Middle Name” fizeram bem o seu papel, já que dividiam o set com clássicos inquestionáveis. Antes do final da primeira parte do show tivemos o duelo de guitarras entre Reb Beach e Joel Hoekstra, que em minha opinião poderia ter sido substituído por uma ou duas músicas. Não me entendam mal, mas ambos solam na banda e temos que concordar que já são solos complexos, um duelo entre ambos ao meio do show ficou um pouco desconexo dando uma certa amornada no clima.


Mas que voltou a esquentar com “Shut Up & Kiss Me” e ferveu de vez com o  solo de bateria de Aldridge. Que tirou mais do que aplausos, a técnica e a desenvoltura deste senhor de 69 anos é invejável, e quando continuou seu solo sem baquetas (sim o mesmo seguiu esmurrando o kit com as mãos) o ginásio veio abaixo e muitos olhavam não acreditando no que estavam presenciando. “Is This Love” chegava para deixar todos sem folego e emocionados, com Coverdale dominando o palco e tendo o público ao seus pés.

A chuva de clássicos para a reta final do show foi de tirar lagrima de muitos marmanjos, pois a sequência: “Give Me All Your Love”, “Here I Go Again”, “Still of the Night” e “Burn” (referenciando a época de Coverdale no Deep Purple) encerram com chave de ouro!

O Whitesnake mostra que ainda tem muita lenha para queimar. Um show grandioso e repleto de clássicos históricos.

Setlist:
Bad Boys
Slide It In
Love Ain't No Stranger
Hey You (You Make Me Rock)
Slow an' Easy
Trouble Is Your Middle Name
*Duelo de guitarras
Shut Up & Kiss Me
*Solo de bateria
Is This Love
Give Me All Your Love
Here I Go Again
Still of the Night
Burn


Por volta das 22h era hora de um dos maiores nomes da história do Rock/Heavy Metal mundial entrar em cena, os dinossauros do Scorpions que vinha dando continuidade na Crazy World Tour. As expectativas dos fãs eram grandes, pois essa era a segunda vez que o Scorpions passava por Porto Alegre, já que a primeira vinda foi há 19 anos no Festival Live'n'Louder (também realizado no Gigantinho).

Com um belo pano da turnê que escondia o palco as luzes se apagam por completo, a intro ecoa nos PA’s e já podíamos ver a animação computadorizada nos belos telões onde Mikkey Dee subia em seu kit de bateria com a banda entrando em ação em “Going Out With a Bang” (do último lançamento “Return to Forever” – 15) que abriu espaço para os clássicos “Make It Real” e “The Zoo”, com todos os presentes cantando junto.


É inegável que Mathias Jabs é um guitarrista mais habilidoso e técnico que Rudolf, mas é na simplicidade que Rudolf se destaca e em “Coast to Coast” podemos perceber todo o seu brilhantismo. Com a entrada de Mikkey Dee na banda é notável que ao vivo ganharam mais força, ainda que a suavidade em suas composições sejam sua marca registrada. Em termos técnicos o Scorpions sempre manteve um ótimo nível ao vivo, mas é a precisão e o perfeccionismo que fizeram dos germânicos o que são hoje, pois o show em si é como se fosse um relógio suíço, sem falhas e preciso. Klaus Meine continua com sua voz cristalina e característica, não exagerando nos tons altos e tendo boa presença de palco.

O carisma de Mathias e Rudolf são o show à parte, pois ambos interagem o tempo todo com os fãs e não se poupam, além de usarem diversas guitarras diferenciadas durante a apresentação. “Send Me an Angel” ganhou uma bela versão acústica com o público cantando cada nota, onde Dee deixou o seu grande kit nas alturas e desceu para o palco para embalar o clássico em uma mini bateria acústica. Em seguida um dos maiores clássicos do Rock mundial: “Wind Of Change” com Meine reproduzindo ao vivo o belo assobio na introdução, mostrando que folego não é problema e que não precisam do samplers para reproduzir esta parte marcante e lindíssima da música.


Posterior ao solo de bateria de Dee o show se encaminhava para o final e os maiores clássicos do Scorpions chegam para encerrar a noite e deixar cada presente mais do que satisfeito, pois como não sair com um sorriso de ponta a ponta com “Blackout”, “Big City Nights”, “Still Loving You” e “Rock You Like a Hurricane”? Pois é, praticamente impossível!

Setlist:
Going Out With a Bang
Make It Real
The Zoo
Coast to Coast
Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy's Coming / Catch Your Train
We Built This House
Delicate Dance
Send Me an Angel (Acoustic)
Wind Of Change
Tease Me Please Me
*Solo de bateria
Blackout
Big City Nights
Still Loving You
Rock You Like a Hurricane

O Rock Ao Vivo mostra que esta modalidade de Festival funciona e pode sim ter diversas edições em nossa capital, já que o público comprou a ideia e o evento foi extremamente bem produzido e planejado. Seja no som, iluminação ou palco, pois era visível o profissionalismo das equipes e a preocupação em entregar o melhor aos presentes.

Algumas considerações finais são cabíveis, como o espaço destinado a pessoas com deficiência, que ficou extremamente bem centralizado, onde era possível assistir aos shows de qualquer lugar do espaço, tendo a altura certa para a visão do palco e sendo bem confortável. Nota dez para os responsáveis e por se preocuparem com está questão, já que em muitos shows essa acessibilidade (que é um direito, não um favor) passa batido.

Agradecemos também a dedicação e profissionalismo da Agência Cigana e toda a sua assistência para a Imprensa presente, dando todo o suporte necessário tanto para os fotógrafos como para os redatores.

Que mais eventos deste nível invada Porto Alegre!



segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Vakan: quando as águas ferventes do Heavy Metal cruzam com o rio límpido da música regional


Resenha por: Renato Sanson


Os gaúchos da Vakan enfim nos apresentam o seu Debut, sob a tutela de “Vagabond” (19) trazendo o peso do Heavy Metal aliado a passagens Folks e regionalistas da música gaúcha, o que de fato só engrandeceu a sua sonoridade.

Não é fácil inserir essas mesclas sonoras, mas o quarteto de Santa Maria conseguiu com maestria, onde dividiu o álbum em dois momentos. Já que na primeira metade temos o peso e melodias do Heavy Metal com ótimas estruturas e linhas vocais de encher os ouvidos. Para a segunda metade temos as inserções regionalistas que trazem um certo frescor ao estilo, deixando sua musicalidade marcante, onde as composições ganham ainda mais complexidade e diversificação.

A produção de “Vagabond” está na medida certa, com todos instrumentos bem dosados e sem perder o peso, onde soa cristalino, mas agressivo o suficiente para manter o equilíbrio de sua gama musical.

Uma estreia em alto nível mostrando todo o potencial desta promessa do Heavy Metal nacional. 

Guardem este nome, pois se continuarem nesta linha, você certamente terá em suas prateleiras os discos da Vakan.


Links:

Tracklist:
01 Orbis
02 Beyond Mankind
03 Russian Roulette
04 Moving On
05 Euphoria
06 Diary of P. Stuart
07 Interlude: Eremita
08 The Flow of Matter
09 Presumption of Guilt
10 Vagabond Pt. I – Princes and Principles
11 Vagabond Pt. II – Utopia
12 Vagabond Pt. III – 1st Law: Chaos
13 Vagabond Pt. IV – Epitome, Epitaph

Formação:
Matheus Oliveira (vocal)
Alexandre Marinho (guitarra)
Natanael Couto (baixo)
Lucas Oliveira (bateria)



segunda-feira, 23 de setembro de 2019

A Donzela desembarca pela 3° vez na capital gaúcha!


1992, 2008 e agora 2019! Sim, Porto Alegre receberá pela terceira vez a maior banda de Heavy Metal do planeta, os britânicos do IRON MAIDEN!

É verdade que o grande espaço entre os anos que vieram é extremamente grande, mas quem não se lembra dos shows memoráveis que presenciaram em 92 e 08 (ambos no Gigantinho)?

Sob a produção da Move Concerts a “Legacy Of The Beast Tour” chega a capital gaúcha no dia 09/10 (quarta-feira) na Arena do Grêmio, em mais um grande show recheado de clássicos memoráveis que moldaram o estilo que tanto amamos, como: “The Number of the Beast”, “2 Minutes to Midnight”, “Fear of the Dark” dentre outros.

Ainda é possível encontrar ingressos para este que será o maior espetáculo que POA receberá em anos!

Acesse e confira:


Aproveite e confirme sua presença no evento:

https://www.facebook.com/events/379429812662633/

domingo, 8 de setembro de 2019

Fifth Angel: Retorno Contundente de Veteranos do "US Metal"



O Fifht Angel, nobre representante do chamado "US Metal", surgiu em Seattle nos anos 80, ao lado de outros nomes de destaque no cenário Metal daquela região, como o Queensrÿche e o Metal Church, este último também representante do mesmo nicho, que como diferença do Metal europeu, trazia mais agressividade em seu som, apesar de também ter o cuidado com as melodias e riffs marcantes.

O Fifth Angel lançou dois álbuns nos anos 80, para depois encerrar precocemente suas atividades, retornando com membros originais para o tradicional festival Keep It True em 2010 e novamente em 2017 na Alemanha - o festival costuma trazer algumas bandas de volta a ativa, seja somente para o festival, ou até em definitivo - e após essa segunda aparição, ocorreu o convite da Nuclear Blast.

Então, sem poder contar com Ted Pilot e Ed Archer, uma reformulada banda com Ken Mary, Kendall Bechtel, assumindo também os vocais, e John Macko, partiram gravar um novo trabalho depois de longo hiato.


"The Third Secret" traz elementos tradicionais do US Metal, além do balanço muito bem executado entre o Heavy e o Hard, com algumas nuances mais atuais, mas prevalecendo a essência da banda. Com um trabalho destacado de guitarras e melodias certeiras, o álbum possui 10 faixas com um Metal impactante e poderoso, surpreendendo a quem poderia esperar algo um pouco datado.

Kendall tem atuação destacada, com uma voz de imposição forte e marcante, e o trabalho consistente da cozinha e as camadas de teclado, ajudam a preencher a sonoridade, que teve a produção assinada pelo membro fundador Ken K. Mary.

"Stars are Falling" abre o álbum mostrando que o Fifth Angel não retornou somente para tirar proveito de um certo saudosismo dos fãs, mas para recuperar o tempo perdido, com uma música com ótimo equilíbrio entre peso e melodia, destacando os vocais altos de Kendall. Faixa dinâmica, com nuances Hard Rock, refrão cativante, algo que a banda trabalha bem em suas músicas, e lembra algo de Dio, seja no estilo da música como nos vocais de Kendall.


"We Will Rise" mantém o pique no alto, com grande trabalho de guitarras e excelente refrão; as canções possuem um nível muito bom, e embora algumas tenham menos brilho, digamos assim, como "Queen of Thieves", que envereda por nuances mais modernas e do Melodic Power, temos outros grandes atos, como a pesadíssima "This is War" e a pegada 80's de "Hearts of Stone" e seus riffs galopantes.

Destaque também para a balada "Can you Hear Me" e a faixa título, "The Third Secret", com seu andamento cadenciado, baixo bem marcado, teclados dando um clima tenso. Lembrou-me algo do Sabbath era Tony Martin.

Fifth Angel: Line-up atual
O Fifth Angel a despeito de tudo que ocorreu durante esses longos anos, retorna com um álbum forte e atual, com ótimo trabalho de guitarras, tendo composições que se destacam, e embora seja uma pena a saída de Kendall Bechtel, sem dúvida um fator determinante no excelente resultado deste álbum, a banda está com a moral elevada e com um grande material em mãos, tendo ótimas possibilidades de, desta vez, ter uma continuidade e melhor sorte na sua caminhada. 

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Fifth Angel
Álbum: "The Third Secret" 2019
Estilo: Heavy Metal, Hard/Heavy, US Metal
País: USA
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-up (gravação do álbum)
Kendall Bechtel: Vocal, Guitarra e Teclados
John Macko: Baixo
Ken K. Mary: Bateria, Teclados

Line-Up Atual:
Ed Archer: Guitarra
John Macko: Baixo
Ken Mary: Bateria
Steve Carlson: Vocais
Ethan Brosh: Guitarra

Tracklist:

1. Stars are Falling
2. We Will Rise
3. Queen of Thieves
4. Dust to Dust
5. Can You Hear Me
6. This is War
7. Fatima
8. The Third Secret
9. Shame on You
10. Hearts of Stone