quarta-feira, 24 de abril de 2019

Morthur: Honrando a Tradição do Metal Extremo Gaúcho



De Erechim, interior do Rio Grande do Sul, o trio Morthur é mais um nome que merece atenção, principalmente dos headbangers mais voltados ao lado mais extremo do Metal. 

"Between the Existence and the End" traz um Death Metal que mescla passagens cadenciadas e velozes, destacando o trabalho nos riffs, com o guitarrista e vocalista Jeferson usando de timbres limpos e próximos ao Metal tradicional. As mudanças de andamento e também surgem em boas doses, e esses ingredientes deixam a sonoridade sempre interessante, pois muitas bandas do estilo acabam incorrendo no lugar comum, com as músicas soando muito semelhantes, não encontrando soluções mais criativas.


A cozinha está bem trabalhada, com bastante peso e também velocidade quando necessário. Os vocais seguem a linha tradicional gutural. A boa produção do álbum também merece elogio, pois pode-se ouvir com clareza os instrumentos, além disso há interessantes efeitos e vinhetas entre as músicas, contribuindo num certo clima soturno e mórbido. 

Entre passagens mais velozes e extremas, o que realmente me prendeu a atenção são os trechos mais cadenciados, em que, junto aos elementos do Death Metal Old School, são mixadas linhas mais tradicionais do Metal, como por exemplo em "Extremely Against the World", que inicia bem brutal, variando com andamentos mais cadenciados, um refrão bem interessante e marcante e no minuto final entra em um solo com boas melodias. 

O baixão distorcido abre "Mortal Desire", e riffs marcantes e bem Old School se revezam com passagens mais velozes. As partes mais cadenciadas são um convite ao headbanging, e o bom solo de guitarra finaliza com louvor mais uma das faixas de destaque.


O andamento mórbido e arrastado de "Living Blasphemia" tem um algo de Doom e Black Metal, e também se destaca, juntamente com "Warlock of the Wonderworld", bem trabalhada e com boa variedade de riffs. "Alien Tomb", que aparece como bônus, e é a última faixa do full lenght, traz trechos mais experimentais ao final (talvez por isso apareça como faixa bônus, mas ficou bem legal, parabéns à banda, não tenham medo de arriscar e experimentar).

Um muito boa amostra do potencial do Morthur, que iniciou as atividades em 2013 e apresenta este debut competente e com boas composições, tendo já uma personalidade forte com seu Death Metal  de riffs marcantes e clima soturno. Há de se louvar também a boa produção sonora e gráfica, bem como os timbres de guitarra, pois ainda vejo muitos trabalhos com produção sonora tosca, encartes totalmente amadores e instrumentos mal timbrados (aquelas guitarras abelhinha hahaha), parece que muitos ainda acham, ou usam como desculpa, que ser Old School, "True" ou Underground tem que soar tosco! Parabéns ao Morthur pelo profissionalismo, pois sabemos das dificuldades econômico e financeiras aqui do Brasil, mas se a pessoa entrou nessa, precisa buscar apresentar um trabalho com um mínimo de qualidade.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Morthur
Álbum: "Between the Existence and the End" (2017)
Estilo: Death Metal
País: Brasil
Produção: Jeferson Casagrande
Selo: Phobos Dark Art e Sangue Frio Records
Assessoria: Sangue Frio


Line-Up:
Jeferson Casagrande: Guitarra e Vocal
André Cândido: Bateria
Marco Zanco: Baixo

Tracklist
01. Intro
02. Immortals
03. From Life To Death
04. Mortal Desire
05. Warlock of the Underworld
06. Demonized
07. Extremely Against the World
08. Living Blasphemia
09. Alien Tomb


       


       

domingo, 21 de abril de 2019

Cobertura de Show – Amorphis (13/04 – Porto Alegre/RS): finalmente em solo gaúcho


Cobertura: Renato Sanson
Fotos: Uillian Vargas


Da fria e bela Finlândia tivemos o prazer de presenciar a nova tour  - a “Queen of Time Tour”, que divulga seu 13° álbum de estúdio “Queen of Time” – do ícone Amorphis, que desta vez passou por Porto Alegre.

É interessante notar que mesmo com toda sua mudança musical o Amorphis mantém uma legião de fãs bastante solida, claro, alguns se dividem, até mesmo pela questão de preferirem a fase mais extrema e outros a fase mais experimental, mas o que fica é a qualidade e a evolução eminente em sua música.

O local escolhido para o show foi o Centro de Eventos da Fiergs, complexo este que também estava recebendo o maior evento de tatuagem do Brasil, o Inked Art Tattoo (realizado nos dias 11, 12 e 13 de abril) e nada melhor que na segunda noite do mesmo receber está grande atração do Metal mundial.


Em termos de estrutura só temos elogios, pois o local escolhido foi de um acerto absurdo tendo acessibilidade e bastante comodidade para os que ali estavam para assistir ao show, além da ótima sonorização apresentada, muito bem equalizada e soando sem falhas e sem contar o ótimo atendimento dos funcionários do local.

Após a montagem de palco finalizada – muito bela por sinal – não demora para a intro ecoar nos PA’s e os monstros mostrarem ao que vieram despejando logo de cara “The Bee” e “The Golden Elk” (ambas do álbum mais recente) que agitou os presentes, com uma banda extremamente entrosada e cheia de feeling.

O que me chamou a atenção do show em si, foi a predileção pela fase de Tomi Joutsen no grupo, respectivamente o vocalista que mais tempo ficou à frente do Amorphis e gravou mais discos, ao total de sete até o momento. Não que isso seja ruim, mas da fase inicial que muitos também gostam (me incluo nela) tivemos só a clássica “Black Winter Day”, as demais todas pertencentes aos álbuns com a voz de Tomi.


Mas claro que grandes clássicos surgiram desta “nova” - “velha” fase como: “Sky Is Mine” (emocionante no mínimo), “Silver Bride” e “House Of Sleep”.

Vale destacar a presença de palco da banda e todo seu comprometimento com o público, interagindo e sendo mais do que atenciosos, mostrando que não era apenas mais um show da turnê, mas que estavam felizes de estarem ali nos brindando com sua musicalidade única pela primeira vez.


Demorou, mas enfim Porto Alegre recebeu o Amorphis saciando a vontade dos fãs, tendo um ótimo público que se mostrou presente desde a primeira nota executada. Agora é torcer pela volta dos finlandeses o quanto antes!


Setlist:
01 – The Bee
02 – The Golden Elk
03 – Sky Is Mine
04 – Sacrifice
O5 – Against The Widows
06 – Silver Bride (intro)
07 – Bad Blood
08 – Wrong Direction
09 – Daughter Of Hate
10 – Heart Of The Giant
11 – Hopeless Days
12 – Black Winter Day
Bis
13 – Death Of a King
14 – House Of Sleep


O Amorphis atualmente é:
Tomi Joutsen (vocal – desde 2005)
Esa Holopainen (guitarra – desde 1990)
Tomi Koivusaari (guitarra – desde 1990)
Olli-Pekka Laine (baixo – 1990 – 2000 / 2017 – atual)
Santeri Kallio (teclado – desde 1998)
Jan Rachberger (bateria – 1990 – 1995 / 2002 – atual)

Marillion: Ícone do Rock Progressivo em Show Cinematográfico



Os ingleses do Marillion, provavelmente o maior expoente do chamado neo-progressivo, começaram suas atividades em 1979, tendo em sua discografia 18 álbuns de estúdio e algumas dezenas mais de títulos ao vivo. Sim, os caras produzem muito material da espécie, inclusive possuem um festival próprio, o Marillion Day, onde apresentam alguns espetáculos bem especiais, tocando álbuns na íntegra, e com a participação dos fãs, que votam no que gostariam de assistir.

O mais recente lançamento é “All One Tonight” (DVD/Blu-Ray e CD Duplo), gravado no grandioso teatro Royal Albert Hall, em Londres. Neste show o grupo apresentou na íntegra o seu último álbum de estúdio, “F.E.A.R” (2016), na primeira parte, e na segunda parte, clássicos de outros discos acompanhados do quarteto de cordas In Praise of Folly, além de alguns outros convidados especiais.


Referi-me a esta apresentação como “cinematográfica” porque a produção visual e sonora é realmente incrível, com uma qualidade estupenda. Os efeitos de luzes e som perfeitos e límpidos, e juntos a grandiosidade do teatro, fazem deste trabalho um registro obrigatório para os fãs do grupo e do estilo.

Músicas mais recentes, como “El Dorado” e “White Paper”, esta em uma especialmente emocionante execução por parte da banda (ambas do álbum “F.E.A.R”), envoltas nesta cuidadosa produção, soam ainda melhores do que a gravação em estúdio. Canções já consagradas como “Afraid of Sunlight”, "The Space" e “Easter”, onde a banda teve o acompanhamento do quarteto de cordas, tiveram seus arranjos originais abrilhantados.


É de emocionar a entrega que os músicos demonstram em sua performance, fazendo do trabalho uma experiência prazerosa. É, super-produção pode ser comprada, mas esse tal feeling não, e estes já veteranos pioneiros do Neo Progressive mostram que possuem de sobra, atravessando novamente um ótimo momento. A escolha do título foi perfeita, "All One Tonight", pois banda e plateia transformaram-se em uma unidade nesta apresentação carregada de emoção.


Entre arranjos complexos, passagens melodiosas e marcantes, trechos orquestrados e quase etéreos, temos uma excelente dimensão da qualidade da música produzida pelos ingleses durante essas 4 décadas de carreira, e “All One Tonight” é para ouvir, ver e sentir, sendo altamente recomendada a aquisição do pacote completo com o DVD e CD duplo. O disco está disponível no Brasil via Shinigami Records. 

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Marillion
Álbum: "All One Tonight"
Estilo: Rock Progressivo, Neo Progressivo
País: Inglaterra
Selo: earMusic/Shinigami Records

Line-up:
Steve Hogarth: Vocais
Steve Rothery: Guitarras
Pete Trewavas: Baixo
Mark Kelly: Teclados
Ian Mosley: Bateria


Tracklist:
= F.E.A.R" Live =
El Dorado
Living In F E A R
The Leavers
White Paper
The New Kings
Tomorrow‘s New Country
= All One Tonight – Featuring In Praise Of Folly & Special Guests =
The Space
Afraid Of Sunlight
The Great Escape
Easter
Go!
Man Of A Thousand Faces
Waiting To Happen
Neverland
The Leavers: V. One Tonight


       

       

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Tormenta: Freneticamente bem trabalhado


Resenha por: Renato Sanson


Demorou, mas finalmente os paulistas da Tormenta nos brindam com seu álbum de estreia, o poderoso “Batismo da Dor” (19), que vêm freneticamente pesado e bem trabalhado.

Como você pode notar as letras aqui são em língua pátria, e trazem aquele tom de rebeldia na medida certa abordando assuntos diversos, mas que se interligam em uma sociedade catastrófica e cada vez mais imunda.

Musicalmente temos aquele Thrash Metal visceral regado pelo Hardcore, onde a técnica é percebida, mas não sufoca o feeling e as nuances mais extremadas do estilo, trazendo riffs e andamentos mais que empolgantes com uma levada grooveada e agressiva da cozinha, se entrelaçando pelas ótimas linhas vocais que transbordam raiva.

A produção de “Batismo da Dor” ficou nas mãos do experiente Romulo Ramazini, que extraiu uma sonoridade limpa, mas sem tirar a essência do estilo em si, deixando as colunas no seu devido lugar. Em termos gráficos o Digipack luxuoso que embala a bolachinha é de encher os olhos, assim como a bela capa que foi baseada em uma fotografia do escultor italiano Enrico Ferrarini.

Em outras palavras o Debut da Tormenta vem para emplacar de vez no underground e fazer a alegria dos fãs do estilo. Não deixe de apreciar este grande material, pois a qualidade apresentada é latente!

Links:
E-mail: contato@tormentametal.com

Formação:
Rogener Pavinski - Vocal/Guitarra
Flávio Santana - Guitarra
Fernando "Muttley" - Baixo
Luis Fregonesi - Bateria

Tracklist:
1. Cumulusnimbus
2. Batismo da dor
3. Escravo da Ilusão
4. Reféns do Medo
5. Em Nome de Deus
6. Dono da Verdade
7. Antaŭŝtorm’
8. A Noite Espessa
9. Perseverança
10. Mal Necessário

terça-feira, 9 de abril de 2019

Cobertura de Show (30/03/19 - Porto Alegre/RS) - Black Label Society: São as águas de março fechando o verão”...



Pois mal o poeta sabia que, em 2019, quem fecharia o verão Porto Alegrense seria a horda fiel que segue o Lord Berzeker Zakk Wylde. Então eis que, no dia 30 de março de 2019, através das mãos da Liberation + Opinião Produtora, a Black Label Society desembarcou na capital do Rio Grande do Sul, para fazer o Bar Opinião ferver novamente.

A noite começou embalada pela gaúcha Rebel Machine. Nunca é uma tarefa fácil fazer o “Warm Up” para um colosso que está por vir. A conterrânea, composta por Marcelo Pereira (vocal), Murilo Bittencourt (guitarra), Marcel Bittencourt (baixo) e Chantós Mariani (bateria) pisou no palco exatamente às 19 horas e teve uma complicada missão para resolver, mas o cozimento de palco mostrou o real motivo da banda estar lá naquela noite. Na “Don't Tell me I'm Wrong”, a presença do baixo preencheu qualquer espaço vazio que houvesse no Opinião. “Down the Road” arrancou fists in the air da galera e trouxe à tona o espirito da banda: rebeldia sem conformismo.

Após Chantós disparar um coeso solo de bateria, rolaram os agradecimentos da noite (nós é que devemos agradecer, por vocês. Obrigado!). E com lenha máxima na fornalha a Rebel Machine, orgulhosamente, botou todo mundo pra banguear. Vocativos de indignação e protestos, além de uma porrada sonora no crânio, foram os ingredientes básicos que a banda utilizou para aquecer a noite. De alma lavada, a Rebel Machine batizou o palco e se retirou, humilde e cordialmente, ao som de palmas, para que os reis da noite pudessem assumir.

 “Square One” e a “Full Throttle” estarão no segundo álbum, que deve ganhar vida em maio de 2019.

Setlist:
-Don't Tell me I'm Wrong
-Down the Road
-Square One (novo single)
-Run Away
-Full Throttle
-Life is Fuckin'Good


Se a Black Label Society fosse um lutador de Boxe, eu arriscaria dizer que ela entrou no ringue (Bar Opinião) trocando rápido “jogo de pés” e desferiu um Jab de direita certeiro, que quase acertou a multidão em cheio. Digo “quase” pois, quando Zakk assume o vocal do primeiro som da noite, a “Genocide Junkies” já havia sido reconhecida pela galera, que acompanhou uníssona. “Foi por pouco!”.

O mais interessante é que antes da banda entrar no palco, a turba foi recepcionada por um “medley” (apelidado de Whole Lotta Sabbath) que se inteirou por fragmentos, sobrepostos dos hinos: Heaven and Hell + Wholla Lota Love + War Pigs. Conseguem imaginar? Pois é, deveriam estar lá para ver os arrepios que o medley arrancou da galera.

Desse ponto em diante foi uma sequência sonora que fez valer cada centavo do ingresso, desde “Funerall Bell” até “Suicide Messiah” (quando o roadie assume o megafone no refrão).


Um dos destaques da noite, que não pode deixar de ser notado é o agigantamento de Zakk Wylde. Primeiro como guitarrista, pois é sonoramente claro o quanto ele está melhor a cada performance. Segundo como Frontman. Apesar de poucas falas, apesar de poucos gestos, a cada interação com o público ele conseguia arrancar o máximo de expressão da galera. Frequentou a “velha escola” e sabe muito bem o que fazer quando o “PA” é acionado.

Entre trocas de guitarras, outro detalhe impressionante percebido foi a coesão da banda. A BLS atualmente se move e se comporta como um organismo complexo sonoro perfeito, sem margem para suspiros ou erros. Não é apenas mais um show, é um espetáculo de precisão cirúrgica.

Outro momento que merece atenção é a sequência de três sons do novo disco: “Trampled Down Below”, “All That Once Shined” e (prefaciada por um majestoso solo) “Room of nightmares”.

Uma noite marcada por detalhes importantes, como por exemplo a importância que Dario Lorina assumiu dentro do BLS. Além de excelente multi-instrumentista, Dario demonstra total sintonia com o espírito da banda. Acredito que a Black Label atingiu o ápice do entrosamento com a formação atual (e assumo responsabilidade da afirmação).


“Spoke in the wheel”, tradicional no setlist, ganha nova roupagem com Laila (Eric Clapton), no teclado, ao finalzinho (de arrepiar). Logo após, rolou o momento “alicate de pressão cardíaco”: “In This River”, momento sempre muito esperado da noite. É a hora em que Zakk declara seu amor ao velho amigo Dimebag († 2004).

O que poucos sabiam ou esperavam, é que aconteceria uma segunda homenagem naquele momento: surge a imagem do Vinnie Paul († 2018) estampada em uma segunda bandeira, na outra extremidade do palco. Haviam dois fortes abraços perdidos, soltos, pelo palco. Foi complicado segurar a emoção nesse instante.

Após muita euforia, muita energia, o hino final é anunciado e contextualizado pelo gelo seco subindo: “Stillborn”. E assim, Zakk Wylde, no comando da banda, vestindo seu charmoso tradicional Kilt Xadrez, se despede da capital Gaúcha ao majestoso som de “New York, New York”. A pergunta que ecoou no ar: Para que tanto Glamour? (risos).

Alguns sentimentos e percepções não estão descritas nessa resenha, mas aí já se tratam de particularidades dos que estiveram presente no show. Aqui, a intenção é ilustrar um pouco do que foi visto e ouvido. Quando a BLS vier novamente (e virão), não perca a chance de assistir na melhor casa de shows que Porto Alegre tem hoje – Bar Opinião.

Pois muito bem, Black Label Society deixou mais uma marca na alma dos que estiveram no Bar Opinião, na noite do dia 30 de março de 2019.

Cobertura por: Uillian Vargas
Fotos: Glauco Malta
Edição/revisão: Renato Sanson 

Black Label Society é:
Zakk Wylde – Vocal, guitarra e teclado
John DeServio – Baixo
Jeff Fabb – Bateria
Dario Lorina – Guitarra

Setlist:
*Whole Lotta Sabbath
Genocide Junkies
Funeral Bell
Suffering Overdue
Bleed for Me
Heart of Darkness
Suicide Messiah
Trampled Down Below
All That Once Shined
Room of Nightmares
Bridge to Cross
Spoke in the Wheel
(Zakk Wylde teclado)
In This River
(Zakk Wylde teclado)
The Blessed Hellride
A Love Unreal
Fire It Up
Concrete Jungle
(Zakk e Dario num duelo de Riffs)
Stillborn
New York, New York (Frank Sinatra)



Cellar Darling: Segundo Álbum para "Enfeitiçar" os Fãs



O trio folk rock/metal Cellar Darling está de volta! “The Spell” foi lançado no dia 22 de março via Nuclear Blast Records.

Em seu primeiro álbum, os suíços já haviam mostrado um trabalho diferente de suas raízes no Eluveitie e em “The Spell” aparentemente ainda estão explorando novos territórios, trazendo o conceito de um conto de fadas moderno.

A primeira faixa do álbum “Pain” já começa com o som encantador do hurdy-gurdy de Anna Murphy. Na canção seguinte “Death” mais uma vez há uma interpretação perfeita de Anna que nos guia pela narrativa, onde uma garota à procura do sentido da vida se apaixona pela morte. “Love” provavelmente é uma das minhas músicas favoritas do álbum, começa com alguns riffs mais pesados e evolui de forma cada vez mais melódica, com um piano contribuindo para um tom mais clássico. Na faixa título “The Spell”, a linda e doce voz de Murphy rouba os holofotes.


Para quem sentia falta, em “Burn” podemos ouvir uma mistura de guitarras pesadas, bateria, vocais suaves e rosnados. Nesse disco senti um capricho maior na instrumentação das músicas, trazendo mais sons de piano, que agregaram muito mais às melodias. Em “Hang” é inevitável se hipnotizar pelo som da flauta de Anny. 

Os vocais de “Sleep” trazem um clima melancólico, sombrio, enquanto o piano nos guia em uma jornada emocional. “Insomnia” é o ponto mais experimental do álbum, causando uma certa estranheza na primeira audição, mas já na segunda você é cativado pelo solo de hurdy gurdy e aí não tem mais volta, o belo refrão ficará em sua cabeça. Impossível não se apaixonar pelos acordes mais hard rock de “Freeze”. 

A curtinha “Fall” serve como uma introdução operística para “Drown”, uma música coesa e impressionante por seus vocais teatrais. Anna se destaca o tempo todo em ”Love Pt. 2” com vocais bem angelicais e ao mesmo tempo emotivos. “Death Pt. 2” flui como um encerramento perfeito para esta obra prima. 


Durante o álbum todo o Cellar Darling apresenta um som tão sincero e confiante que só nos deixa curiosos para saber o que o podemos esperar do próximo trabalho. A banda provou que tem um som original e inovador, mostrando que é possível agregar elementos folk à um som mais moderno. Ainda é cedo para dizer que é o melhor álbum do ano, mas com certeza ele estará entre meu TOP 10.


Texto: Raquel de Avelar
Fotos: Divulgação

Lançamento: Nuclear Blast Records
Site Oficial

Line-Up:
Anny Murphy: Vocais, hurdy-gurdy
Merlin Sutter: Bateria
Ivo Henzi: Guitarra e Baixo

Tracklist:
1. Pain
2. Death
3. Love
4. The Spell
5. Burn
6. Hang
7. Sleep
8. Insomnia
9. Freeze
10. Fall
11. Drown
12. Love Pt. II
13. Death Pt. II