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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Entrevista - Jack Grisham (T.S.O.L): Entre Horror, Humor e Humanidade

Kitten Robot

Por Paula Butter

A Road To Metal bateu um papo descontraído com Jack Grisham, grande personalidade do punk rock horror e vocalista do T.S.O.L, e ficamos sabendo um pouco mais deste carismático californiano que inspirou várias bandas da atualidade

A entrevista aconteceu às vésperas do show da banda em São Paulo, no dia 29 de novembro de 2025, juntamente com outra banda épica, o Adolescents. 

Jack Grisham é um músico daqueles do qual você nunca esquece, carismático, sincero e disposto a responder às mais difíceis perguntas, sem perder o bom humor. Começamos com o básico, sobre seu entusiasmo ao voltar para o Brasil e qual sua relação com o público brazuca, e a resposta veio com um sorriso sincero e muitos elogios ao país e especialmente às pessoas. Ele disse que conhece muitos brasileiros que surfam com ele, e são muito bons no esporte e nas conversas, e em suas palavras atrapalhadas “muito intensas” no melhor sentido. Relatou também algumas vindas ao Brasil em grandes eventos e que sempre gostou muito da experiência. 

Com relação aos shows do T.S.O.L. e das outras bandas das quais fez parte, ele disse que as horas mais cansativas são as longas viagens que uma turnê demanda, ainda mais nesta fase da vida, mas que ainda se sente feliz e enérgico em cima do palco. Relatou ainda (com muitas risadas), que recentemente excursionou com alguns músicos alemães e fizeram juntos alguns shows em Berlim, que fica bem longe da Califórnia, e apesar da diferença cultural e linguística, foi muito divertido. 

Figura centrada nas questões sociais e políticas da atualidade, deixou claro que a fase atual do True Sounds Of Liberty está mais madura e focada em agradar aos fãs. Ao falar sobre o novo álbum da banda A-Side Graffiti, ele relata que trata-se de um apanhado de inspirações, como em uma arte feita em grafite, dele e dos integrantes da banda, em suas palavras “Fizemos canções que remetem ao que gostamos, como filmes de horror, histórias engraçadas, homenagens, inclusive tem uma dedicada ao grande Bowie, clássicos de horror, reinvenção de antigos hits, vamos fazer o que temos vontade e é isto, com certeza resultou em um ótimo álbum”. 

Jack também contou um pouco sobre a versão de “Sweet Transvestite”, que gravou com Keith Morris do Circle Jerks. Além disso, também foi produzido um videoclipe com animações para lá de irreverente e um certo humor negro.  A música original fez parte do clássico “The Horror Picture Show” de 1974, e rendeu boas risadas durante sua explicação sobre refazer este clássico, juntamente com o amigo Keith. E pode-se perceber que ele realmente colocou sangue e suor nesta faixa, tanto que a pergunta sobre a releitura de “What a wonderful World” ficou só na pauta. 

Inclusive, a banda pretende executar algumas das novas canções no show de São Paulo, juntamente com os clássicos, é claro. Aproveitando a descontração, arrisquei a pergunta sobre o set list no Brasil e se teríamos a chance de ouvir alguma canção do quarto álbum da banda “Revenge”, que ficou famoso em 1986. Porém, Grisham mostrou-se sincero em dizer que esta época não se encaixa mais na dinâmica atual da banda, falou que não se sentiria confortável em executar as canções deste álbum, mesmo porque na época, a formação da banda era outra, e não tem motivos para reviver este momento passado, e ainda afirmou que o pensamento engloba todos os músicos da banda. Atualmente, a cortesia chama atenção nas pessoas, é muito gratificante entrevistar alguém que consegue falar sobre uma fase pessoal ruim com elegância, este é Jack Grisham. 

A fim de mudar os ares da questão anterior, o assunto foi a cena do punk na Califórnia, tanto décadas atrás, quanto em 2025. Segundo o vocalista, a troca de integrantes entre as bandas é constante, e no final todos acabam se encontrando e sem mágoas, tudo muito natural, surgem projetos aqui e ali, participações em shows e tudo certo, como se fosse uma grande família. Nesta parte da entrevista, surgem nomes como Bad Religion, dentre outros gigantes do punk californiano. 

Enfim, a grande pergunta: “O Punk ainda tem alguma relevância social atualmente? Para você, o que é ser Punk em 2025?”. A questão o pegou em cheio, mas após uma pequena pausa, Grisham começou a falar no sentido mais humano da palavra. Ele disse que apesar de estarmos em uma época “politicamente correta”, o preconceito ainda existe, algumas vertentes do punk não aceitam mudanças de estilos, roupas ou modo de vida, são muito radicais, enquanto que a maioria continua achando que o punk é somente contracultura, e não se encaixa nas lutas sociais da atualidade, outros pensam ser somente uma “modinha” que insiste em continuar entre nós. Em vez de preconizar a união, o movimento acaba incentivando a desunião entre os fãs do estilo. E segundo, Jack, isto não pode acontecer, os fãs de punk precisam se unir, e também aprender gentilezas, dizer “Bom Dia” ou “Olá” para o vizinho, o colega ao lado no show de sua banda favorita, enfim, não julgar, mas sim acolher. E independente do estilo de música, a união contra as desigualdades é mais importante do que a roupa ou o som que o outro ouve. Então, para resumir, o punk atual precisa de gentileza, de informação, de acolhimento e principalmente de união.

Bom, recado dado, vamos para o final, carreira e planos futuros. Jack falou com orgulho que não possui redes sociais em seu nome pessoal, pois acredita que as pessoas conseguem fazer amizades pessoalmente e não só através das telas. Contou o dia em que conheceu um “cara que usava sapatos sem meias” e disse: “No começo achei estranho, mas no final das contas, acabamos nos encontrando eventualmente e viramos colegas. E sabe de uma coisa? Eu também passei a não usar meias (risadas) e me sinto ótimo com isto”. 

Grisham, que também é escritor e já concorreu ao cargo de governador da Califórnia, falou que no momento está escrevendo outro livro. Segundo ele, estar sempre trabalhando em algo é muito importante para se manter ativo, independente do que for, mas no momento seu foco são os shows deste ano e seu futuro livro.

E o mais importante, o recado final do músico foi: “Continuar fazendo o que gosta, independente do que seja e sempre tentar ser uma pessoa melhor e mais gentil, sem comprometer sua identidade, isto é ser punk”.

A banda T.S.O.L. vai se apresentar em São Paulo, juntamente com o Adolescents, no dia 29 de novembro, no Cine Joia. 

Os ingressos estão disponíveis através do site da Fastix: https://fastix.com.br/events/adolescents-eua-t-s-o-l-eua-em-sao-paulo

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Cobertura de Show: The Mission – 13/10/2024 – Carioca Club/SP

Na noite do dia 13 de outubro de 2024, o Carioca Club foi mais uma vez palco de um espetáculo memorável para os fãs da banda britânica The Mission, acompanhados pela autêntica banda norte-americana Christian Death.

O show do Christian Death foi, do início ao fim, uma explosão de energia, entrega e intensidade, proporcionando uma experiência única para os fãs da banda de Death Rock. As faixas clássicas da banda, combinadas com a teatralidade e de suas presenças no palco, transportaram os fãs do grupo para um universo sombrio e provocativo característico de seus espetáculos.

Trouxeram um setlist que mesclava clássicos de sua discografia com algumas faixas mais recentes; Maitri, a baixista e parceira de palco de longa data de Valor (vocalista), hipnotizou o público com sua performance intensa, visual impactante e vocais deslumbrantes, que muitas vezes deixou o público em algum tipo de 'transe' quase hipnotizados por ela e seu parceiro Valor.

A banda provou durante todo o show que continua sendo uma força viva no cenário do Death Rock e que mantém sua relevância no underground, acompanhada também por seus fãs calorosos que cantavam todas as músicas hiper emocionados.

Os músicos desde o começo se mostravam muito felizes e emocionados por estarem ali. Uma performance intensa e repleta de emoção, a banda encerrou a noite com um sorriso no rosto e um agradecimento sincero ao público, marcando o coração de todos os fãs presentes.

Após um bom aquecimento 'pré The Mission', a banda britânica invade o palco com uma energia contagiante, desde o primeiro acorde era palpável a conexão entre os integrantes e o público. Wayne Hussey (vocalista), visivelmente feliz e animado por estar ali aquela noite, agradecia e esbanjava sorrisos aos fãs, que retribuíram com gritos entusiasmados e elogios.

O setlist incluiu sucessos como "Wasteland" e "Butterfly on a Wheel", que provocaram reações entusiasmadas da plateia. A sensação de nostalgia e emoção estava no ar, e todos pareciam estar revivendo memórias marcantes enquanto se entregavam à música, muitos com lágrimas nos olhos.

Em uma visão pessoal, estive outra vez em um concerto do The Mission, e a apresentação do dia 13/10 foi incomparável, muito envolvente e emocionante. Os músicos pareciam mais 'habituados' com o local e o público, foi como se estivéssemos vendo um show na casa deles, muito à vontade e leves.

É muito particular quando vemos uma banda que existe há um tempo. A sensação de ver essas bandas é totalmente diferente de ver uma banda que existe há pouco. É como se a música fizesse parte de cada um ali, como se fosse um pedaço de cada músico, que flui de uma maneira natural sem precisar de muitos rodeios. Talvez seja por isso que se torna tão especial quando essa galera vem para cá e podemos presenciar isso. De fato, não é para qualquer um fazer o que fazem.

O fim do show do The Mission em São Paulo foi um momento de pura euforia, como sempre, deixando a sensação de que a noite poderia continuar para sempre e estaríamos todos ali, incansáveis.


Chegando ao encerramento do show, Wayne Hussey (vocalista) deu um 'até logo' em uma despedida rápida, mas calorosa, deixando todos os presentes com uma sensação de 'realizados'; não podendo ausentar também, os milhares de elogios que a banda sempre recebe ao fim de seus espetáculos vindos da plateia.

Esperamos que a próxima visita não demore, como essa não demorou!


Texto: Mayara Dantas

Fotos: Anderson Hildebrando (Metal no Papel/Heavy Metal Online)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Dark Dimensions 

Mídia Press: JZ Press


Christian Death – setlist:

Elegant Sleeping

New Messiah

We Have Become

Forgiven

The Warning

Rise and Shine

Abraxas We Are

Beautiful

Blood Moon

Romeo's Distress

Face

As Evening Falls

Cavity - First Communion

Church of No Return

This Is Heresy


The Mission – setlist: 

Wasteland

Beyond the Pale

Serpent's Kiss

Swoon

Garden of Delight

Kindness is a Weapon

Can't See the Ocean for the Rain

Like a Child Again

Afterglow

Kingdom Come

Stay With Me

Deliverance

Bis

Butterfly on a Wheel

Severina

Swan Song

Bis 2

Wake (RSV)

The Crystal Ocean

Tower of Strength