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sábado, 8 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Masterplan – 31/10/2025 – Fabrique Club/SP

Noite de 31 de outubro, dia de Halloween, o Fabrique Club, em São Paulo, foi o palco perfeito para o retorno triunfal da banda alemã Masterplan ao Brasil, após uma ausência de exatos dez anos. Fundado em 2001 por músicos experientes do cenário do power metal, como o guitarrista Roland Grapow, que fez história no Helloween, o show do Masterplan misturou seus hits com clássicos da ex-banda do guitarrista. 

O público, embora não lotasse o local, foi surpreendentemente caloroso e receptivo, criando uma atmosfera de festa que se alinhava perfeitamente ao espírito do Halloween. O evento destacou o talento de Grapow e companhia, que não decepcionaram os fãs mais saudosistas, e ainda contou com a presença dos brasileiros do Seventh Seal e Trend Kill Ghosts, que abrilhantaram a noite.

A abertura da noite ficou por conta dos veteranos do Seventh Seal. Contando com Leandro Caçoilo, também vocalista do Viper, os caras entregaram uma apresentação potente, marcada pelos vocais poderosos e agudos do frontman, que dominaram o Fabrique Club com técnica e carisma.

O setlist começou com “Beyond the Sun” e “Mechanical Souls”, passando por “Back to the Game” e pela faixa homônima “Seventh Seal”, que mostrou toda a essência da banda. Destaque também para “Pleasures of Sin” e “Grace”, esta última originalmente gravada com a participação de Roland Grapow, mas que, infelizmente, foi executada sem ele ao vivo. 

O encerramento com “The Seed of Dissent” deixou o público pronta para o Masterplan, provando que o Seventh Seal está em plena forma e que o heavy metal brasileiro continua resistente.

Na sequência, quem subiu ao palco foi o Trend Kill Ghosts, banda paulista que trouxe uma pegada moderna de power metal com uma boa presença de palco. Apesar de enfrentar problemas técnicos, como a ausência de graves em “Like Animals” e guitarra baixa durante parte do set, a banda mostrou profissionalismo e não deixou a peteca cair. Com uma performance intensa, músicas como “Rebellion” e “Facing My Ghosts” conseguiram empolgar o público, que respondeu com aplausos. 

“Deceivers” e “Puppets of Faith” mantiveram o ritmo, mostrando uma banda segura de suas composições, enquanto “Poisoned Soul” fechou a apresentação em alto astral, deixando claro que, com o som devidamente ajustado, o Trend Kill Ghosts tem uma apresentação competente. Mesmo com os contratempos, o show foi uma boa amostra do potencial e da entrega da banda no palco.

Era hora dos anfitriões da noite, e o show começou com força total, abrindo com “Rise Again”, uma faixa que imediatamente aqueceu o ambiente e trouxe o power metal melódico que define o Masterplan. Seguiu-se “Enlighten Me”, com seus riffs pesados e refrãos cativantes, e “Spirit Never Die”, uma ode à resiliência que ecoou como um hino para a própria banda, retornando após uma década com força total. 

Grapow reforçou isso com o poderoso line-up atual, formado por Rick Altzi (vocal), Axel Mackenrott (teclados), Jari Kainulainen (baixo) e Marcos Dotta (bateria).

Durante a apresentação, canções como “Lost and Gone” e “Crimson Rider” trouxeram um equilíbrio perfeito entre peso e intensidade, com Grapow brilhando em seus solos precisos e cheios de emoção. “Back for My Life” chegou iluminada por um mar de celulares e emocionou com seu tom dramático. 

O público, caloroso, ovacionava a banda. Em um momento curioso, o vocalista Altzi chegou a dizer que, por ser noite de Halloween, tocariam algo do Helloween. No entanto, se confundiu, e tocaram “Kind Hearted Light”, uma faixa que até lembrava a ex-banda de Roland.

Então, era chegada a hora do primeiro som do Helloween da noite. E foi nada menos que a faixa-título “The Time of the Oath”. O público vibrou e participou desde o primeiro riff, gritando os famosos “hey, hey” e cantando o refrão. 

A escolha foi ótima, porque é uma música que o Helloween, infelizmente, não toca mais. Roland foi ao microfone para anunciar que, em 2026, o Masterplan irá lançar um disco novo e que a próxima música fala que manter os sonhos vivos é se manter vivo. Em seguida, executaram “Keep Your Dream Alive”, um hard rock inspirador que manteve a chama acesa.

E o que falar de “Heroes”? Muito comemorada pelos fãs, é mais um clássico dos alemães com pitadas de Helloween para ninguém colocar defeito. Sem deixar a energia cair, trouxeram outro momento nostálgico: “The Chance”, também do Helloween, com uma poderosa execução que fez o Fabrique tremer, coroando a comunhão entre o passado e o presente de Grapow.

Sem sair do palco, o encore manteve o nível altíssimo. A versão estendida de “Crawling From Hell” mostrou a força do repertório do Masterplan ao vivo, com riffs intensos e uma melodia contagiante que foi cantada exaustivamente durante a execução. Além disso, aproveitaram o momento para apresentar os integrantes, e rolou até um trecho de “Burn”, do Deep Purple, para o delírio dos presentes. 

Mas tudo que é bom tem um fim, e, para encerrar, “The Dark Ride”, mais um tributo à era Helloween de Grapow, foi simplesmente apoteótica — um final épico para um show que misturou peso, emoção e história.

O Masterplan entregou uma apresentação madura, energética e repleta de sentimento, mostrando por que ainda é um dos nomes mais respeitados do power metal europeu. Roland Grapow, carismático e afiado, provou que o tempo não diminuiu sua paixão pela música, e sua conexão com o público brasileiro permanece intacta.

Entre clássicos, vocais marcantes e um clima de celebração, a noite de Halloween no Fabrique Club foi um presente para os fãs de metal melódico — uma viagem por duas eras douradas do gênero, conduzida por quem ajudou a escrevê-las.


Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Leandro Almeida para o Onstage

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: LBN Agency / Vênus Concerts

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Seventh Seal – setlist:

Beyond the Sun 

Mechanical Souls 

Back to the Game 

Seventh Seal 

Pleasures of Sin 

Grace 

The Seed of Dissent


Trend Kill Ghosts – setlist:

Like Animals 

Rebellion 

Facing My Ghosts

Deceivers 

Puppets of Faith           

Poisoned Soul


Masterplan – setlist: 

Rise Again 

Enlighten Me 

Spirit Never Die 

Lost and Gone 

Crimson Rider 

Back for My Life 

Kind Hearted Light 

The Time of the Oath (Helloween cover) 

Keep Your Dream Alive 

Crystal Night 

Soulburn 

Heroes 

The Chance (Helloween cover) 

Crawling From Hell 

The Dark Ride (Helloween cover)

domingo, 9 de março de 2014

Entrevista: Ressurgindo Com Força Total


Trocas de formação, adversidades e o real problema da cena nacional: falta de apoio do nosso público.

Todas essas provações fizeram parte da carreira do Seventh Seal, porém com muito empenho e dedicação a banda retorna ao cenário com seu novo disco, "Mechanical Souls", que apresenta uma banda revigorada e pronta para ganhar seu devido espaço na cena metálica.

Batemos um papo com os guitarristas Tiago Claro e Thiago Oliveira, onde contam todas as dificuldades até o momento atual, e de toda reformulação que a banda passou, além é claro do novo trabalho e de sua repercussão.  

Confira agora mesmo:

Road to Metal: Vocês acabaram de lançar seu terceiro disco, sob o nome de "Mechanical Souls", que está sendo lançado pela gravadora Shinigami Records. Porém a banda sofreu uma grande mudança após o lançamento de "Days of Insanity" (2007), ficando apenas o guitarrista Tiago Claro. Como foi esse tempo conturbado para o grupo, e porque os demais integrantes deixaram a banda que vinha vivendo um bom momento na cena metálica?

Tiago Claro: Na verdade, após o álbum "Days of Insanity" os irmãos Ricardo e Guilherme Busato foram morar em Portugal e deixaram a banda, então ficou somente eu e o Ricardo Peres (vocalista), o Roberto saiu também porque estava com outros projetos. Em 2009 tive um convite para ir pra Europa com o Seventh Seal, naquela época estávamos sem guitarrista dai encontrei o Thiago Oliveira que se juntou a nós.

Após nós voltarmos da Europa nós decidimos compor um álbum para poder voltar ao velho continente um ano depois, só que compomos todas as músicas, gravamos uma pré produção e mandamos pro Ricardo Peres colocar as vozes e ele não estava conseguindo tempo para fazer, e também achou que a proposta era diferente do que ele queria fazer então ele acabou deixando a banda. Enfim encontramos o Leandro, o convidamos, e na sequencia o Roberto Morati foi ver um show nosso e também os convidamos para voltar a banda, o que acabou dando certo.  Foi uma bagunça generalizada, eu concordo (risos).

RtM: Com a banda reformulada, o Seventh Seal lança um grande disco, que não fica devendo em nada aos seus trabalhos anteriores. Como foi o processo de composição de "Mechanical Souls"?

TC: O Thiago Oliveira se juntou ao baixista que estava na época Darcio Beer e compuseram grande parte do disco, e iam gravando para ir arrumando as idéias. Nisso ouvíamos, conversávamos e dávamos algumas idéias. Eu compus algumas músicas sozinho e levei pro Thiago que completou com os arranjos.

TO: Na verdade eu não acho que não deve nada aos anteriores. Acho que ele supera os anteriores com folga. A evolução da banda tem sido o comentário geral de quem ouviu o CD além do que é a melhor produção e composições de toda a carreira. O processo de composição pra mim foi muito desgastante, demorou mais do que o previsto com as mudanças de formação, e como eu estava lá desde a concepção até a masterização foi um trabalho gigantesco, já que eu assumi a produção, letras, arranjos, samples, sintetizadores e todo o resto, mas foi a única maneira que eu tive de garantir a qualidade do trabalho.


RtM: E como foi reformular a banda novamente?
TC: Complicado porque pairava uma dúvida muito grande no ar. A maioria das pessoas achavam que a banda não seria mais a mesma, quer era melhor eu  parar. Mas nós tínhamos todas essas músicas prontas então eu sabia que tinha um grande material e não poderia jogar isso no lixo. Ainda bem que deu certo (risos), fora isso tinha muitos amigos que esperavam algo novo do Seventh Seal, então eu dedico esse álbum todos que nos apoiaram até hoje e os que estão nos apoiando agora com o novo trabalho.

TO: Em nenhum momento eu pensei em parar, se o vocalista desiste e você tem um material animal na mão, que se dane, o material é mais importante do que um ou outro membro em especial e a prova disso você tem ouvido no CD.

RtM: Certamente uma grata surpresa foi anunciar Leandro Caçoilo (Soulspell, ex-Eterna) como novo vocalista, pois é uma das grandes vozes do Metal nacional. Como vocês chegaram até Leandro, e em qual momento vocês viram que ele seria a pessoa certa para o posto?

TC: O Leandro eu já conhecia há muitos anos, dividimos o palco várias vezes, tanto com o Sacred Sinner tanto com o Eterna. Enfim, a namorada do Thiago Oliveira estava fazendo aula de canto com ele e o Thiago foi lá e mostrou o material pra ele que gostou bastante. Quando o Ricardo saiu, pintou um show pra fazermos e nós convidamos ele pra cantar que aceitou. Após o show já sabíamos que era o cara certo e já convidamos ele pra entrar em definitivo para a banda.

TO: Eu mostrei as prés pra eles e quando eu contei que o Ricardo tinha saído ele “ficou curioso demais da conta” (risos). E toda hora ele vinha perguntar se a gente tinha arrumado vocal, então havia interesse da parte dele. O interessante foi descobrir que várias bandas haviam feito o convite pra ele e ele recusou todos.

Alguns nomes eu nem acreditei que ele havia recusado, então foi super bacana saber que entre todos a qualidade do material acabou convencendo o Leandro. E o legal que várias pessoas que seguem ele tem um bom tempo falaram que foi a melhor performance dele até hoje e o melhor CD que ele lançou.


RtM: "Mechanical Souls" está sendo lançado pela gravadora Shinigami Records, como está sendo a parceria?

TC: Até agora estamos muito felizes com essa parceria, esperamos que continue assim e que possamos fazer outros trabalhos com eles.

RtM: Ainda falando do novo disco, qual o tema lirico por trás do mesmo?

TO: Bom, foi tudo baseado no filme “Blade Runner” e no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep” do Phillip K Dick, que deu origem ao filme. A primeira música que apareceu foi a “Mechanical Souls” que a gente tocou num show pela prefeitura de São Bernardo, e logo em seguida o Leandro sugeriu que o CD todo girasse em torno do filme.

No final das contas eu optei por não musicar a história, já que se eu fosse fazer isso eu teria que ter composto o CD com outra estrutura, mas eu peguei alguns temas e questionamentos que estão por toda a parte na obra e escrevi as letras em torno disso. Então você encontra temas sobre inteligência artificial, clonagem, realidades alternativas, superpopulação, realidade virtual, identidade entre outros mil questionamentos que tornam esse filme uma das grandes obras de ficção de todos os tempos. O mais incrível é que se você assistir a visão que os caras tiveram trinta anos atrás ela está cada vez mais próxima da nossa realidade.

  
RtM: Para finalizar, gostaria que vocês nos falassem de suas pretensões futuras e o que estão achando do cenário nacional atualmente.

TC: Queremos fazer shows para divulgar esse CD, então quem quiser levar o Seventh Seal para sua cidade só entrar em contato pelo nosso Facebook ou pelo email sevenstarsmanag@ig.com.br que estamos com muita vontade de tocar em outros lugares como fizemos anteriormente.

Sobre a cena é complicado, porque está tendo diversos shows internacionais e a maioria do público prefere ir a esses eventos do que ir ver bandas nacionais, uma pena porque tem várias bandas excelentes no Brasil, às vezes melhores que as gringas e não tem o devido espaço. Mas o mais legal é que quando abrimos os shows internacionais recentemente, quase todas as bandas principais vieram nos parabenizar pelo nosso show, mostrando o respeito por nós. Foi assim com o Orphaned Land, com o Anvil, com o Vision Divine, então fico muito feliz com isso e mais ainda quando temos pessoas que comparece em nossos shows frequentemente, as que nos apoia nas mídias sociais enfim, isso é o mais importante para nós e temos que dar um imenso valor a elas.

TO: O nosso cenário é igual o cenário de qualquer país do mundo, tem as bandas boas e as ruins. A diferença é que uma banda lá fora tem mais estrutura pra fazer bons shows e desenvolver. Aos poucos aqui está chegando perto. Em termos de produção de discos é pau a pau. Enfim, é uma questão complexa e com muitos pontos de vista no momento atual, acho que daria um bom assunto para uma mesa redonda (risos).

Entrevista/edição: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Confira nossa resenha de "Mechanical Souls" AQUI. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Seventh Seal: Máquina Heavy Metal


Na ativa desde 1995, o Seventh Seal vem mostrando sua força no cenário metálico, com seu Heavy Metal Tradicional crú e direto. Após uma pausa nas atividades, após o lançamento de "Days of Insanity" (07), o Seventh Seal retorna com força total, e nos presenteia com o ótimo "Mechanical Souls", que chegou ao mercado nacional via Shinigami Records.

Uma das gratas surpresas do álbum, é a adição do vocalista Leandro Caçoilo (Soulspell, ex-Eterna), que mostra que está em seu melhor momento, além de elevar ainda mais o som do grupo, pois sua versatilidade é latente, além do belo timbre melódico.

A produção do disco ficou a cargo do próprio guitarrista Thiago Oliveira, que contou com a mixagem e masterização de Brendan Duffay no Norcal Studio, que deixou a produção limpa, porém pesada, e atual, com todos instrumentos em sintonia, com belos timbres. A parte gráfica é baseada no filme "Blade Runner: O Caçador de Androides", e é muito bem feita, pois traz a tona o conceito lirico do disco, que apesar de não ser conceitual, trata do assunto homem x máquina. Um belo trabalho de Giovanny e Daniel Gava.


Musicalmente o Seventh Seal não decepciona, mostra um Heavy Metal Tradicional pesado, direto e porque não arrojado, com composições bem estruturadas e com boa técnica. A abertura com "Beyond The Sun" mostra todas essas qualidades, riffs poderosos, andamento rápido e com linhas vocais excepcionais, sem contar o refrão cativante e forte.

"Back to the Game" e "Souless Reality" mostram excelentes arranjos, além da levada alternada, com momentos rápidos e outros mais amenos, com solos de guitarras excelentes.


A belissima "Sleepless" apresenta ótimos vocais, e arranjos belíssimos, assim como a poderosa "Mechanical Souls", que apresenta um ótimo trabalho de baixo-bateria.

Uma volta mais do que acertada, certamente um dos grandes lançamentos de 2013. Se você gosta de Heavy Metal sem frescuras, conheça o Seventh Seal.


Texto/edição: Renato Sanson
Fotos: Divulgação


Ficha Técnica:
Banda: Seventh Seal
Álbum: Mechanical Souls
Ano: 2013
Estilo: Heavy Metal
País: Brasil
Gravadora: Shinigami Records 

Formação: 
Leandro Caçoilo (Vocal)
Thiago Oliveira (Guitarra)
Tiago Claro (Guitarra)
Victor Prospera (Baixo)
Roberto "Bob" Moratti (Bateria)


Tracklist:
01 Beyond the Sun
02 Back to the Game
03 Souless Reality
04 334
05 Sleepless
06 Imprint Memories
07 Mechanical Souls
08 Dreams of Green
09 Virtual Ego
10 Dark Chant


Acesse e conheça mais a banda: