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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Unearthly: Para Se Tornar Definitivamente Uma Referência Mundial

Novo trabalho dos brasileiros mantém a sapiência dos anteriores e segue como obra-prima do Metal extremo

Os nomes que ficarão para a história da música pesada mundial não são construídos da noite pro dia, tampouco contentam-se com lançamentos medianos. Um nome só é cravado na história quando, álbum após álbum, supera a si e coloca-se como um estandarte à frente de seu tempo.

Unearthly tem como um dos seus pontos fortes as ótimas apresentações ao vivo

Uma das bandas nacionais que tem caminhado para a trilha de marcar o mundo com sua música é a Unearthly, que usando da experiência de ótimos álbuns, inúmeras turnês nacionais e internacionais, segue surpreendendo até mesmo o mais otimista dos fãs.

Com o lançamento de seu 5º álbum “The Unearthly” (que sai via Shinigami Records), tenho a convicção de que se alguém ainda não conhece esse nome, passará a conhecer, afinal, estamos diante de um álbum para além do rótulo simplista de Black Metal, e sim uma real obra-prima do som extremo.

Com 11 faixas, o trabalho segue a proposta do grupo de trazer elementos que extrapolam o gênero a que pertencem, com passagens que vão do Thrash ao Death Metal, sempre carregado de ótimas e inteligentíssimas letras.

Eregion (vocal e guitarrista) tem se tornado uma referência nos vocais guturais, inteligíveis e sem soarem forçados. Nas guitarras, também mostra o poderio ao lado do companheiro Vinnie Tyr, montando uma dupla infalível e de causar inveja em qualquer banda extrema mundial. A insanidade dosada segue com o baixo de M. Mictian e a bateria de Braulio Drumond, que não toca meramente o mais rápido possível, como cria viradas inspiradas e de encher os ouvidos de quem ama o instrumento.

Músicas como “The Sin Offering” (absurda!), “The Confidence of Faith” (deve soar estupenda ao vivo), “Eshu” (com elementos ritualísticos e temática acerca do orixá Exu, além de ser a primeira música em português da banda e com participação do percussionista Edinho Souza), “Where the Sky Bleeds in Red” (com um clima mais arrastado e sombrio) e “The Fire of Creation” (começo acústico desembocando numa das faixas mais rápidas do álbum), são grandes destaques, isso só para citar algumas, pois o álbum, no geral, é coeso, orgânico e, acima de tudo, muito bem composto de modo que só a Unearthly sabe fazer no Brasil, quiçá no mundo.

Além das fortes composições, a produção de Fernando Campos, no Rio de Janeiro, aliada ao trabalho de ninguém menos que George Bokos (Rotting Christ) na Grécia, são dignas da história do quarteto brasileiro.

Com uma capa detalhada, a versão digipak conta com encarte de alto nível, trazendo fotos e imagens inspiradas na temática das letras, estas também presentes para que você possa acompanhar enquanto ouve o disco.

Não é de se admirar que com “The Unearthly” o quarteto não passe a ser, definitivamente, uma referência (assim como bandas como Sepultura e Krisiun o são) para o resto do mundo, algo que já conseguiu pelos países que passou, mas é sempre bom lançar um álbum superior e que esteja preocupado com a qualidade e não apenas com barulho. Certamente um dos melhores discos do Metal extremo de 2014 e um marco na história nacional.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação/Rapha Simons
Assessoria: Metal Media



Ficha Técnica
Banda: Unearthly
Álbum: The Unearthly
Ano: 2014
País: Brasil
Tipo: Black Metal/Death Metal
Gravadora: Shinigami Records

Formação
Eregion (Vocal e Guitarra)
Vinnie Tyr (Guitarra)
M. Mictian (Baixo)
B. Drummond (Bateria)


Tracklist
01. The Sin Offering
02. The Confidence of Faith
03. Eshu
04. The Unearthly
05. Agens Mortis
06. Chant from the Unearthly Rites
07. Where the Sky Bleeds in Red
08. The Dove and the Crow
09. From Womb to Reborn
10. The Fire of Creation
11. Aisle to Everything





Acesse e conheça mais sobre a banda

domingo, 1 de setembro de 2013

Unearthly: Ao Vivo Ainda Mais Massacrante

Passagem da banda brasileira pelo Leste europeu rendeu CD/DVD ao vivo

Sem sombra de dúvida o maior nome da atualidade do Black Metal brasileiro, a banda Unearthly começa a colher os frutos de mais de dez anos de trabalho dentre de um gênero muito complicado (em termos de apoio e público) no país.

Se o Brasil é referência histórica em nomes como Sepultura, Krisiun e Sarcófago, Unearthly tem tudo para se firmar como mais um pilar da música extrema mundial oriunda deste país tropical.

Tudo isso porque a banda simplesmente abalou as estruturas com “Flagellum Dei”, disco de 2011, que abriu inúmeros caminhos para a banda e trouxe um grupo muito maduro, apresentando uma evolução não apenas da banda, mas do Black Metal bem executado e inteligente.

Assim, o reconhecimento mundial veio com turnês fora do Brasil e, dentre elas, a que deu origem a este CD/DVD ao vivo, “Baptizing the East in Blood”, gravado na Rússia, em 2012, na cidade de Voronezh e que é o segundo trabalho nesse formato.

Vou falar do CD, pois é o material que recebemos e posso dizer sem risco de soar exagerado, que é um dos registros ao vivo de banda brasileira fora do Brasil de melhor qualidade. Tudo começa com uma capa e encarte trazendo bom gosto. A produção de alta qualidade e as 11 faixas, incluindo uma versão de “Orgy of Flies” (Sarcófago), de puro Black Metal.

O grupo deu grande ênfase ao seu último lançamento de 2011, deixando pouco espaço para faixas mais antigas. Porém, eu como um admirador mais recente da banda, preferi assim, pois é o melhor momento do grupo e a banda não pode se prender demais em canções desconhecidas e muito antigas (salvo exceções, claro).

Estão todas aqui, músicas como “Baptizing in Blood” (a melhor música da banda e, quiça, do som extremo contemporâneo nacional), “Flagellum”, “Insurgency” e “Black Sun” (esta trazendo elementos que lembram a cultura brasileira).


Unearthly impecável no palco, público acompanhando a banda, muito peso, som direto, sem enrolação, fazem deste registro ao vivo uma obra obrigatória, não apenas para quem acompanha a horda e gosta de Metal extremo, como para quem deseja conhecer o trabalho do quarteto, já que o álbum traz as principais composições, sempre com grande energia e agressividade.

Stay on the Road

Texto e edição: Eduardo Cadore
Revisão: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Unearthly
Álbum: Baptizing the East in Blood (Live)
Ano: 2013
País: Brasil
Tipo: Black Metal
Selo: Blizzard Records
Assessoria: Metal Media


Formação
Eregion (Vocal e Guitarra)
M. Mictian (Baixo)
Vinnie Tyr (Guitarra)
B. Drumond (Bateria)





Tracklist
01.  7.62   
02. Baptizing in Blood   
03. Murder the Messiah   
04. My Fault   
05. Flagellum Dei
06. Osmotic Haeresis   
07. Revelations of Holy Lies   
08. Orgy of Flies (Sarcófago cover)   
09. Insurgency   
10. Black Sun   
11. Age of Chaos

Acesse e conheça mais sobre a banda

Neste momento, a banda está em turnê internacional novamente

terça-feira, 15 de maio de 2012

Entrevista: Unearthly - Black Metal Não é Para os Fracos



Chegando perto de completar 15 anos de estrada e em plena divulgação de seu último e elogiado artefato, esta horda que sempre teve como prioridade o profissionalismo e a busca por crescimento, ultrapassando dificuldades e barreiras, vem colhendo os frutos dessa obstinada caminhada, sendo hoje, com certeza, um dos nomes mais respeitados do estilo, senão o mais, no continente. Tivemos o prazer de conversar com está grande banda, que nos conta desde seus primórdios aos seus planos futuros. Com vocês Unearthly!


RTM: Primeiramente gostaríamos de agradecer pela entrevista, todos nós estamos honrados por ter a chance de conversar com uma das maiores bandas do nosso país. Bom, vamos ao trabalho. Em 2012 vocês estão completando mais de 14 anos de carreira, podería nos dizer como foram os primórdios da horda e as primeiras barreiras vencidas por vocês ?

M.Mictian: A recíproca é verdadeira com certeza. Se você quiser ter uma banda realmente profissional fazendo um trabalho sério, então quando se monta uma banda, esse com certeza é o grande obstáculo aqui no Brasil, poucas pessoas levam o Metal a sério e de forma profissional quase tudo é feito “nas coxas” no amadorismo, mas quando montei o Unearthly priorizei o profissionalismo e sempre procuramos fazer um trabalho de nível, não queríamos uma banda de hobby e sim algo sério, desta forma tivemos que ultrapassar as barreiras do amadorismo de muita gente (apesar de que ainda existe muito amadorismo), mas as pessoas que nos olham e nos conhecem já percebem que este não é nosso caso.



RTM: Sem dúvida o Unearthly já tem seu nome marcado no Metal nacional, porém como vocês avaliam a repercussão da banda no mercado externo? E até que ponto gravar o mais recente álbum “Flagellun Dei” na Polônia foi significativo para o trabalho em si?

Eregion: O disco tem aberto muitas portas, a gravação lá, fez com que o público percebesse que temos sim a mesma qualidade que as bandas “gringas” e isso nos levou a outro nível de público e de cobrança também, pois nos shows todos querem ver se conseguimos executar tudo com a mesma qualidade do que está gravado, e acredito que todos tem saído bem satisfeitos.


RTM: Olhando um pouco a história da horda, até aqui vemos que são freqüentes a mudança de formação, até que ponto isso influenciou ou atrapalhou a história do grupo. E qual o perfil ideal  para ser músico do Unearthly?

M.Mictian: Qualquer banda que passa por muitas mudanças de formação sofre muito, porque atrapalha o andamento do trabalho e conosco não foi diferente, de 2004 até 2007 para gravar um novo trabalho, isso atrapalhou e muito nossos planos, mas infelizmente isso acontece aqui no Brasil é difícil se manter uma banda de Metal Extremo devido a não se ter apoio e os músicos acabam desistindo de se sacrificar por uma banda. O perfil do músico para fazer parte do Unearthly é se sacrificar sempre pela banda, acreditar que podemos estar sempre crescendo, ser profissional e dedicado, essas seriam as características básicas.



RTM: Algo que sempre me chamou a atenção no trabalho de vocês é a temática em si, afinal de contas são sem sombra de dúvidas Black Metal, porém fogem dos clichês do estilo apresentando um grande leque de metáforas, sempre surpreendendo o ouvinte. Como é esse processo da criação do tema de cada musica e quais são os músicos envolvidos nesse processo?

Eregion: Antes isso ficava mais por conta do Mictian, hoje fica mais a meu cargo, tentamos abordar sempre temas que estão ligados a nossa realidade e as nossas crenças, não falamos de nada no qual não seja realmente o nosso ideal. Os temas mais abordados são o anti-cristianismo, guerras e caos social.

RTM: Colocando agora o “Flagellum Dei” na conversa. Pois bem, existia alguma pressão acerca desse trabalho? Afinal de contas ele veio após um verdadeiro divisor de águas da banda, o trabalho anterior “Age of Chaos” (2009). E até agora como vocês tem encarado as resenhas extremamente positivas elevando esse trabalho a nível de clássico do Metal nacional?

M.Mictian: Existia sim essa pressão, mas a mesma era criada por nós mesmos porque acreditávamos que poderíamos fazer um disco melhor que o “Age of Chaos”, então nos pressionamos para podermos alcançar o melhor e foi muito válido porque o resultado final nos deixou satisfeitos. 


RTM: Seja pela musica em si ou até mesmo pela garra e concepções de suas composições o Unearthly é comparado muitas vezes ao Behemoth, como vocês avaliam esse comparativo e quais bandas  poderias  apontar como referência?

M.Mictian: Geralmente fazem essa comparação mais por causa do visual que usamos que se assemelha ao deles, mas nem sempre quem nos compara a eles ouviram nosso disco então muitas das vezes o comentário é infundado e eu poderia citar dezenas de bandas que usam o visual parecido, mas isso não nos incomoda, sempre estivemos focados em nossa carreira e em nossa música temos consciência da importância de nosso trabalho e seguimos em frente.



RTM: Gostaria que comentasse um pouco sobre a arte gráfica de “Flagellum Dei” que é belíssima. E a propósito, a banda está de parabéns por anexar pequenas explicações referente a letras no encarte, como surgiu essa ideia?

Eregion: Por diversas vezes abordamos os temas de maneira mais metafórica, mais poética e não tão explícita, isso dificulta o leitor a entender exatamente o nosso ponto de vista, essa foi a melhor maneira que encontrei para que o leitor se sentisse no nosso papel, sob o nosso ponto de vista da questão.

RTM: Como vocês chegaram a ter contato com Steven Tucker (ex-Morbid Angel) e como foi o clima da gravação com essa participação em especial?

M.Mictian: Conheci Steven pela internet a algum tempo atrás sempre tivemos boas conversas e ele sempre se mostrou um cara gente boa e sempre elogiava a nossa música então quando terminamos de compor o “Flagellum Dei” e o convidei e ele aceitou prontamente, foi bem fácil, e quando estávamos na Polônia gravando ele enviou as suas partes de vocal para a música “Osmotic Haeresis” que ficaram ótimas, daí pra frente foi inserir na canção.

RTM: O trabalho anterior apresentava em algumas faixas uma sonoridade voltada para música oriental, já o trabalho atual apresenta influências da música nordestina. Sendo uma banda tão militante da cena, qual a importância que vocês defenderiam para a inclusão de novos elementos na sonoridade do Black Metal em si?

Eregion: Evoluir é preciso, é natural do ser humano buscar por novas maneiras e novos conceitos de se praticar velhos hábitos, por isso acreditamos sempre em agregar mais valor e mais coisas diferentes ao nosso som, mas sem perder jamais a essência do Black Metal e do Heavy Metal em si, que é a contestação, a agressividade, queremos levar o Metal brasileiro a outros níveis.



RTM: Lendo uma revista digital me chamou a atenção uma citação onde M. Mictian foi questionado sobre um sonho que ele possuía, em especial ele respondeu o seguinte:

- “Andar pelas ruas sem encontrar nenhuma igreja.”

Gostaria de saber se vocês já sofreram algum contratempo devido a fanáticos religiosos ou coisas parecidas? E se vocês, ao exemplo de Dave Mustaine do Megadeth ( Mustaine declarou que se recusaria a tocar com bandas "satanistas"), se recusariam a tocar em algum festival com bandas de ideologia cristã?

M.Mictian: Eu nunca sofri nada porque eles olham pra mim e ficam com medo (risos), eu não dou atenção a esse tipo de pessoa eu simplesmente os ignoro pelas ruas ou em qualquer outro lugar que os encontre. Nunca fui fã do Megadeth e pra mim não faz diferença o que ele pensa ou não, não me lembro de ter tocado em algum evento com bandas cristãs, mas com certeza faço questão de não me envolver com essas bandas.



RTM: Falando um pouco mais desse assunto há alguns anos atrás a cena Black Metal do RJ virou um verdadeiro campo de guerra onde muitas bandas esqueceram de fazer música e se focaram em apenas ficar denegrindo a imagem das verdadeiras hordas,  lembro que o Unearthly foi alvo de muitas idiotices espalhadas pela mídia. Hoje em dia como está essa cena e o que vocês podem tirar de positivo desse momento na carreira de vocês?

M.Mictian: Lembro bem desses acontecimentos, mas confesso a você que nunca me envolvi nisso, inventaram um monte de babaquices e muitos idiotas acreditaram; Quando eu agredi o baixista de uma merda de uma banda aqui do RJ não foi pela música e nem fiz isso para promover minha banda mesmo porque não precisamos disso, apesar de que teve bandas que usou sim estes fatos para se promoverem, mas o Unearthly sempre estava focado na música por isso estamos “na ativa” hoje gravando e lançando discos, a grande maioria que falavam suas “merdas” sumiram ou pararam com suas bandas ou viraram crentes, nós sempre nos mantemos na ativa lutando independente de qualquer problemas ou obstáculos.




RTM: Falando em shows, quem nunca viu a banda ao vivo como que vocês descrevem uma apresentação do Unearthly?

Eregion: Um show enérgico eu acredito, pensamos sempre no melhor setlist pra aquela noite, para levantar o público, e deixar todos satisfeitos e com vontade de assistir a banda mais vezes. Ensaiamos bastante para que a performance seja a mais impecável, e para que possamos levar ao público que nos conhece apenas de ouvir nossos CDs a fidelidade do que está gravado.


RTM: Então é isso, obrigado pela entrevista, todos  os bangers do Brasil estão orgulhosos de ter uma horda tão poderosa representando o Metal nacional. Este espaço fica para as considerações finais para os leitores do Road To Metal.

Eregion: Nós que agradecemos o espaço, e acreditamos que se cada um fizer a sua parte em prol da cena brasileira o Metal só tem a crescer. Hails!

M.Mictian: Muito obrigado ao Road To Metal pela oportunidade e pelo espaço é com certeza uma honra para nós ter essa chance no seu meio de comunicação.




Entrevista por: Luiz Harley Caires
Revisão & Edição: Alexandre Ferreira / Renato Sanson
Fotos: Divulgação
Live Fotos: Juliana Santana


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Assessoria: Metal Media

quinta-feira, 1 de março de 2012

Unearthly: Muito Além de Um "Behemoth Brasileiro"!


No ano de 2009 quando estava ouvindo o CD  “Age of Chaos”, confesso que acabei duvidando do Unearthly, pois achava muito difícil que o nível que eles tinham atingido naquele trabalho fosse superado. Pois bem, no final de 2011 é lançado no mercado “Flagellum Dei”, e a partir daí não restava mais dúvidas a  respeito da horda carioca: não é mais uma revelação, e sim uma verdadeira força do Metal nacional.

Mas quais são os requisitos que fazem esse trabalho ser tão bem aceito pela critica e bangers em geral? Acredito que a palavra chave nesse trabalho foi dedicação, pois está visível que Felipe Eregion (vocal, guitarra), M Mictian (baixo), Vinnie Tyr (guitarra) e Rafael Lobato (bateria) deram o sangue para que esse trabalho ficasse realmente em alto nível, tanto é que eles foram gravar na Polônia no estúdio Hertz com a produção de Wotkej e Slaweck Wieslawcy (responsável pela produção dos últimos trabalhos do Vader, Behemoth e Hate), o que gerou até mesmo uma comparação equivocada, apresentada aí no titulo, pois acredito que o Unearthly tem características próprias, acrescentando elementos da cultura brasileira e sem abrir mão da agressividade, o que é muito importante no estilo que se propõe. 


Antes de citar as músicas em si, vale falar também sobre a arte gráfica, que é belíssima, e o encarte que apresenta um comentário da letra de cada música, algumas bandas vem fazendo isso, o que é uma atitude muito louvável, ainda mais quando trata de temas mais subjetivos.
Agora vamos a parte principal da obra, as músicas em si. São 12 faixas que transitam entre o Death e o Black Metal, com atmosferas sombrias mescladas a passagens mais cadenciadas, todas as faixas apresentam riffs poderosos e a bateria não fica no Blast Beats automático, sendo que Rafael consegue ser um músico preciso e técnico.
Poderia gastar parágrafos e parágrafos para falar de cada música desse CD, mas vamos nos limitar aquelas que para mim foram as mais marcantes, se bem que, a cada nova audição, elejo outras, o que comprova a qualidade do trabalho.


Baptized in Blood, que aborda o massacre do Realengo (e que deverá ser o novo clipe), é extrema e brutal, com certeza executada com muito ódio. Black Sun apresenta aqueles elementos regionais que tinha comentado anteriormente, no caso aqui a música nordestina, mas não soou em nenhum momento forçada. Ouça e tire as suas próprias conclusões.
Osmotic Haeresis é a faixa pra bangear o máximo possível!! A presença de Steven Tucker (ex - Morbid Angel) só comprova o que foi dito até agora, quem conhece o cara sabe que ele não toparia participar de algo que não fosse no mínimo destruidor. E ainda temos Flagellum Dei”,  Eye for an Eye" e a bela instrumental  Exterminatta”, que fecha o trabalho em alto nível.

Eregion
Pode procurar qualquer resenha sobre esse álbum que todas vão deixar bem claro: "Esse é um trabalho primoroso para o Metal nacional, e agora não restam mais dúvidas, não devemos nada para os gringos!" Agora é com a gente! Vamos Bangers! Vamos deixar cada vez mais forte a cena nacional.

Texto: Luiz Harley
Revisão/edição: Caco Garcia/Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Unearthly:
Álbum: Flagellum Dei
Ano: 2011
País: Brasil
Tipo: Black/Death Metal

Formação
Eregion (Vocal e Guitarra)
M. Micitian (Baixo)
Vinnie Tyr (Guitarra)
R. Lobato (Bateria)


Tracklist
01. Seven.Six. Two
02. Baptized in Blood
03. Flagellum
04. Black Sun (part 1)
05. Osmotic Haeresis
06. My Fault
07. Lord of All Batltles
08. Eye for an Eye
09. Limbus
10. Insurgency
11. Exterminata


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