segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Cobertura de Show – Marky Ramone’s Blitzkrieg – Carioca Club/SP – 15/10/2023


Uma noite cheia de emoções, Punk e atitude! Vem conferir um pouco do que foi o show do Marky Ramone’s Blitzkrieg.

A casa abriu, e com isso, a surpresa para quase todos os presentes: iriam ter bandas de abertura, não só uma, ou duas, mas quatro – fato que não agradou muita gente e foi motivo de grande parte das críticas.

Os alunos da SCHOOL OF ROCK subiram ao palco surpreendendo a todos. Clássicos do Deep Purple, Motorhead e Raimundos, entraram no set dessa molecada, que com certeza conseguiram aquecer o público que cantou junto os hinos que todos nós conhecemos.

Em seguida, a agressiva banda APNEA, com uma pegada anos 70 e 90, fazem a mistura perfeita de Rock, Metal, Stoner Rock e Indie Rock.


O grupo, que tem como fundador o baterista Boka (Ratos de Porão), Nando Zambelli (guitarra, ex-Garage Fuzz), Gabriel Imakawa (baixa, Jerseys) e Marcus Vinícius (vocal, ex-Safari Hamburguers, ex-Bayside Kings), fez, do início ao fim, uma ótima execução, o que foi motivo para muita gente pesquisar ali mesmo sobre eles.

Para os espectadores, a energia ali era de muita ansiedade, mas também de admiração. Muitos elogios e frases como “vou pesquisar mais sobre eles depois” eram facilmente ouvidas na pista.

Chegando perto do fim das bandas de abertura, o enérgico Electric Punk que tem como um dos integrantes Ronaldo Passos, um dos pioneiros do Punk Rock nacional e também guitarrista da banda Inocentes; William Vazquez, baixista e integrante de várias bandas covers; Edgar Avian, baterista e também integrante de bandas covers e o vocalista Johnny, que também faz parte de bandas covers variadas.

No palco, a banda trouxe clássicos do Punk em seu setlist. The Cramps, The Clash e Dead Kennedys alarmaram o público, que começou a chegar um pouco mais perto e até dançar as músicas executadas por eles, gerando também admiração ao tocarem uma música autoral no meio do show – que foi muito bem recebida – deixando todos ainda mais ansiosos para a atração final.

Como última banda, o icônico SUPLA e Os Punks de Boutique, que tem como integrantes Eduardo (baixo), Henrique (guitarra) e Alexandre (bateria).

Um dos nomes mais conhecidos do Punk nacional e referência musical para muitos artistas – dentro e fora do Brasil – o nosso “Charada Brasileiro” não deixou a desejar e também não conseguiu disfarçar a emoção de estar naquele palco com aqueles artistas. A banda tocou clássicos como “Garota de Berlim” e “Humanos” impressionando todos na plateia, fechando com chave de ouro as apresentações de abertura.





Hey ho, let's go Marky!



As cortinas se fecharam e se inicia aquele momento tão esperado em um show: o intervalo para a banda principal. Se você já foi a um evento desse tipo, sabe que a energia no ar é palpável, as expectativas estão lá no alto e todos estão ansiosos para ver a banda subir ao palco. E foi exatamente isso que aconteceu, após quatro bandas arrasarem no palco. 

Então, pegue sua jaqueta de couro, aumente o volume e venha conferir tudo o que rolou nesse show épico!

O lendário baterista da mais famosa banda de Punk Rock, os RAMONES, voltou ao Brasil em outubro após sete anos sem pisar em terras brasileiras, acompanhado de PELA (vocais), MARTIN, (baixo) e MARCELO (guitarra).


Os músicos demonstraram uma sintonia incrível durante todo o show. Cada nota era executada com precisão e paixão, mostrando o quanto eles dominavam seus instrumentos. A bateria de Marky Ramone é, claro, um espetáculo à parte. Com sua técnica impecável e velocidade impressionante, ele mostrou porque é considerado um dos melhores bateristas de Punk Rock.


SHOW CHEIO DE ENERGIA!

Quando dado o primeiro acorde, os fãs, que no início das apresentações pareciam tímidos, colocaram a pista do Carioca Club abaixo! Energia total, a felicidade estampada no rosto era facilmente perceptível.

O baterista não decepcionou os fãs que lotaram a casa de shows naquela noite. Com sua performance enérgica e cheia de vigor, Marky fez com que todos se entregassem à música e se deixassem levar pelo ritmo contagiante. Para os fãs mais antigos, era como voltar no tempo e reviver os momentos áureos do Punk Rock. 

Com uma participação inesperada, João Gordo (vocal, Ratos de porão), outro propulsor do Punk Rock nacional, subiu ao palco e se juntou à banda, impressionando cada um ali e visivelmente emocionado.

João agradece várias vezes a oportunidade de estar se apresentando, e foi impossível não notar a cara e o sorriso de satisfação de Marky ao ver o colega tão feliz. Com certeza um sentimento grande de realização, não só para o João, mas também para todas as bandas que passaram naquele palco no dia 15 de outubro de 2023. 


As músicas dos Ramones são verdadeiros hinos para muitos e a presença de Marky no palco trouxe uma nostalgia única. O público cantava em coro todas as letras, pulava e se entregava de corpo e alma àquela experiência única. 

O setlist escolhido por Marky Ramone foi simplesmente incrível. Ele não deixou de fora nenhum dos grandes sucessos dos Ramones como "Blitzkrieg Bop", “I Wanna Be Sedated" e "Rock 'n' Roll High School" – o baterista também não deixou de incluir o sucesso “What a Wonderful World”, de Joey Ramone, levando muitos dos presentes às lágrimas imediatamente. Foi uma verdadeira viagem musical, com músicas que marcaram gerações e que continuam sendo relevantes até hoje.

O Punk está mais vivo do que nunca, e a prova disso foi o show de Marky Ramone. Apesar de ter interagido pouco com o público, sua presença no palco foi suficiente para incendiar a plateia e reafirmar a força desse gênero musical, que cá entre nós, nunca sai de moda

Mesmo sem falar muito, Marky Ramone conseguiu transmitir toda a sua energia e paixão pelo Punk através de suas batidas frenéticas. Cada música tocada era como um grito de liberdade, uma forma de expressão que transcende as palavras.

E o público, que estava ali para vivenciar esse momento único, entendeu perfeitamente a mensagem transmitida deixando claro que, a chama do punk nunca se apaga.

Pessoas de todas as idades se divertiram, e o mais impressionante foi ver como as crianças foram respeitadas nos ‘mosh’, proporcionando um ambiente legal para quem queria “muvuca” e quem queria apenas assistir ao show. 

Apesar da falta de comunicação por não terem sido informados com antecedência sobre as quatros bandas de abertura, o público não poupou elogios ao show e até à organização do evento, que foi bem executado

Rumores circulam sobre o Marky estar encantado com o público brasileiro, e foi uma experiência única e inesquecível para todos que estavam presentes, inclusive os integrantes da banda.

Ao longo da noite ficou evidente que, apesar das diferenças e peculiaridades de cada um de nós, todos estávamos ali unidos pela música e a procura daquela famosa “vontade de estar com quem nos entende”. Como diria a famosa canção dos Ramones, "We're A Happy Family" – e essa noite foi a prova viva disso.

Então, vamos continuar curtindo os shows, dançando como loucos e lembrando que, no final das contas, continuemos a espalhar essa energia irreverente, questionadora e cheia de atitude por onde quer que a gente vá.

Vamos fazer do nosso dia a dia um verdadeiro show de Punk Rock, desafiando as convenções, quebrando as regras e nunca perdendo o bom humor. Afinal, se a vida é uma piada, vamos rir alto e fazer dessa conclusão um verdadeiro mosh pit de risadas

Keep punking, my friends!

GABBA GABBA HEY!


Texto: Mayara Dantas 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda / Carlos Garcia 

Fotos: Camila Cara


Realização: MP Tour Management / Zero Five BR

Mídia Press: Agencia TAGA

Marky Ramone’s Blitzkrieg

Rock ‘n’ Roll High School

Havana Affair

Commando

Teenage Lobotomy

Beat on the Brat

I Don’t Care

Sheena Is a Punk Rocker

Now I Wanna Sniff Some Clue

We’re a Happy Family

You Sound Like You’re Sick

Rockaway Beach

Gimme Gimme Schock Treatment

Let’s Dance (Chris Montez cover)

Surfin’ Bird (The Trashmen cover)

Judy Is a Punk

I Wanna Be Your Boyfriend

She’s a Sensation

The KK Took My Baby Away

Pet Sematary 

I Wanna Be Sedated

Oh Oh I Love Her So

California Sun (Joe Jones cover)

I Don’t Wanna Walk Around With You

Pinhead

Cretin Hop

Tomorrow She Goes Away

I Just Want to Have Something Do

Chain Saw

She’s the One

Listen to My Heart

Anxiety 

R.A.M.O.N.E.S. (Motörhead cover)

You’re Gonna Kill That Girl

What a Wonderful World (Louis Armstrong cover)

Blitzkrieg Bop


sábado, 7 de outubro de 2023

Cobertura de Show – Tarja – Tokio Marine Hall/SP – 23/09/2023

A renomada rainha Tarja Turunen retornou ao Brasil mais uma vez. Dessa vez, não fez seus fãs esperarem muito, com três shows programados em Porto Alegre, São Paulo e Limeira. 

Na noite de sábado, 23 de setembro, o palco do Tokio Marine Hall, em São Paulo, teve a honra de receber essa diva da música para encantar o público com seus sucessos de uma carreira solo consolidada.

O show em São Paulo contou com duas bandas de abertura, Lumnia (Modern Symphonic Metal) e Santo Graal (Symphonic Metal). Ambas deram início à noite com muita energia e não decepcionaram, recebendo uma calorosa recepção do público. 

O Brasil continua a revelar grandes talentos a cada ato de abertura, proporcionando aos fãs a oportunidade de conhecer novas bandas que merecem nossa atenção.

Após as performances de abertura e uma breve pausa para a troca de cenário, Tarja subiu ao palco por volta das 22:30. Ela foi ovacionada pelos fãs com aplausos e gritos, como uma verdadeira rainha merece.

Tarja encantou a todos começando com a música "Eye of the Storm", e o público prontamente atendeu aos seus pedidos de palmas, tornando a apresentação ainda mais emocionante.

Depois das primeiras cinco músicas, Tarja presenteou a plateia com um momento acústico, acompanhada apenas pelo piano, interpretando "Oasis" e "You and I". Ela aproveitou a oportunidade para expressar sua gratidão aos fãs que a acompanham desde sua primeira visita ao país.

Conforme anunciado, o show incluiu dois convidados especiais. O primeiro deles foi o cantor de ópera Thiago Arancam, conhecido por sua participação no musical "O Fantasma da Ópera" em 2018. Eles apresentaram a emocionante "The Phantom of the Opera", com Thiago caracterizado como o Fantasma. Tarja demonstrou mais uma vez por que é a melhor ao interpretar essa música.

Apesar de uma breve homenagem ao Nightwish com uma canção cover, Tarja brilhou especialmente com seu repertório solo, não deixando espaço para a sensação de que algo estava faltando no show. Por quase duas horas, o sucesso foi a palavra de ordem.

E para encerrar a noite com chave de ouro, o último convidado foi ninguém menos que o guitarrista e compositor do Angra, Rafael Bittencourt. Ele teve a honra de se juntar a Tarja mais uma vez para entoar o sucesso "Over the Hills and Far Away", do Gary Moore.

O show chegou ao fim pouco depois da meia-noite, em uma noite quente de sábado em São Paulo. Com carisma, receptividade calorosa do público e músicos extremamente entrosados no palco, Tarja entregou mais uma performance inesquecível em sua passagem pelo país.

 

Texto: Ingrid Evelin

Fotos: André Tedim

Edição / Revisão: Renato Sanson

 

Produção: Top Link Music

Mídia Press: Acesso Music (Clovis Roman) / Isabele Miranda

 

Tarja

Eye of the Storm

Demons in You

Falling Awake

Diva

Naiad

Oasis

You and I

Shadow Play

Enough

I Feel Immortal

The Phantom of the Opera (feat. Thiago Arancam)

I Walk Alone

Victim of Ritual

***Encore***

Innocence

Die Alive

Dead Promises

Until My Last Breath

Over the Hills and Far War (Gary More cover, feat. Rafael Bittencourt)

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Cobertura de Show – Manowar – Espaço Unimed/SP – 23/09/2023

Assisti a banda pela primeira vez com 16 anos no Philips Monsters de 1998, em São Paulo, e logo após esse período nunca mais consegui vê-los por questões financeiras. 

Na oportunidade de cobrir o show após 25 anos como imprensa, revisitei o antigo Espaço das Américas (hoje Espaço Unimed) totalmente reestruturado e preparado para receber somente a banda para um show único no Brasil, após a passagem por Bogotá na Colômbia.

Chegando ao show, uma fila a perder de vista já se formava com um público 90% com visual da banda, a postos, tomando cerveja num calor de 35 graus.

Lá dentro, já se percebia que o lugar iria encher, quando de repente aparece uma mensagem no telão dizendo que a banda não permitiu a transmissão do show nas partes laterais do palco. 

Para imprensa, filmagens e fotografias perto do palco estavam tudo proibido, logo, me dirigi diretamente para pista comum onde estava a maioria do público (e boa parte assistiu na ponta dos pés pois o lugar é plano e não tem desnível no chão para os presentes que ficam ao fundo). Isso já determinou o que a banda queria, no caso, ter uma atenção total ao show, só esqueceram de avisar que sabotaram quem pagou caro pelo ingresso para ter uma qualidade melhor para assisti-los (pois o telão faz parte do espetáculo).

O Manowar foi direto para o repertório sem ficar discursando muito entre as músicas, abriu com a intro “March of the Heroes Into Valhalla” e puxou uma sequência de sons começando pela clássica “Manowar”. Eric Adams, aos 71 anos, entregou um show de ponta a ponta com a voz bem cuidada pela caminhada de 40 anos à frente dos palcos. A banda com Joey DeMaio, ao lado do guitarrista Michael Angelo Batio e o baterista Dave Chedrick, fizeram o setlist com a maioria dos clássicos por quase 2 horas de show.

Palco, iluminação, som, tudo certo... até os problemas aparecerem. Joey DeMaio perdeu o som do baixo e saiu de cena para corrigir a falha do instrumento enquanto Eric Adams conversava com a plateia. 

Logo mais adiante, o guitarrista E.V. Martel e o baterista Marcus Castellani participaram do show, tocaram “Warriors of the World United”, e seguiu novamente até chegar o discurso de Joey DeMaio mandando todos que não gostam da banda se foder (tradicional dos caras) e então o telão – que a banda proibiu – foi ligado em alto e bom som e com imagem de cinema.

De imediato, o Manowar tomou uma invertida da galera com o controle da apresentação nas mãos por quase 1h30 minutos de show. Ninguém entendeu nada! Entrou no telão um culto evangélico com imagens religiosas que calou o público instantaneamente, não acabava mais aquilo; tirou a concentração do show faltando duas músicas para acabar (“Battle Hymn” e “Black Wind, Fire and Steel”) e a banda tomou uma vaia calorosa que foi abafada lá na frente. 

Foi um desastre sem explicação e a “Battle Hymn” foi empurrada pelo público da frente do palco que não deve ter entendido o que aconteceu ali. Mas a maioria na pista comum olhava em volta e o show tinha despencado. Depois do telão começaram a cantar parabéns para uma pessoa no palco que ninguém sabia quem era e o parabéns nem chegou até o final, porque já se ouvia uma galera xingando e vaiando geral.

Pesquisando no dia seguinte (pois não foi comunicado o que havia acontecido), soube-se que era uma homenagem ao roadie da banda que fazia aniversário, fizeram uma “zoeira” preparando um vídeo para o aniversariante e o tiro saiu pela culatra, porque quando caiu aquela zoação no telão (sem explicação nenhuma) acabou com o show que estava acima do esperado.

Ao meu ver, tem situações em que um espetáculo pode ser arruinado no final por uma decisão tomada antes do show, comprometendo tudo que tinha sido feito até aquele momento, e foi o que deu para sentir quando o público se retirou do lugar. 

O telão, que era para mostrar a banda (que eles mesmos mandaram retirar e fazia parte do espetáculo), foi usado para uma zoeira com um aniversariante, e virou contra os caras, prejudicando a imagem dos próprios e tudo foi por água abaixo.

No geral, o Manowar segue colecionando surpresas e no que deu para sentir, perdendo público no Brasil, que está sendo o termômetro das bandas que podem continuar nos próximos anos ou encerrarem de vez. 

Tem bandas que chutam celular de quem filma, bandas que empurram fãs do palco... e tem o Manowar, que inverteu o protagonismo do show e deu espaço para algo que no Brasil é totalmente execrável no Heavy Metal.

 

Texto: Roberto “Bertz”

Fotos: Kianny Fernandez (Mercury Brasil)

Edição / Revisão: Renato Sanson

 

Produção: Mercury Concerts

Mídia Press: Catto Comunicação

 

Setlist:

March of the Heroes Into Valhalla / Manowar

Kings of Metal

Fighting the World

Holy War

Immortal

Call to Arms

Heart of Steel

Warriors of the World United

Hail and Kill

The Dawn of Battle

King of Kings

The Power

Fight Until We Die

***bate papo de Joey com o público***

Battle Hymn

Black Wind, Fire and Steel

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Silent Empire: O Death Metal ainda pulsa!

Entrevista por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Ivan Fabio (guitarra/vocal)

Não são novidade as mudanças. A Silent Empire é prova disso. A formação atual já está estabilizada faz algum tempo. O que esperar do novo álbum?

Primeiramente agradeço pela oportunidade de estar respondendo essa entrevista ao Road to Metal. As mudanças sempre foram uma constante na formação da banda desde o início, tanto que teve um hiato de 2 anos. 

E voltamos ainda mais fortalecidos de todas as pausas e mudanças, já que mudar pra dar passos atrás, não está nos meus planos. E essa formação atual está focada, e as gravações do novo álbum estão na reta final. 

Pode esperar por um passo adiante do primeiro em termos de produção, composições, execução e elaboração das estruturas das músicas, mais intrincadas, técnicas. Para quem gosta de Death Metal, sem estar preso aos dogmas, terá um álbum pra absorver com muita satisfação.


“Dethronement of All Icons” colocou a banda na rota das boas oportunidades e chamou bastante a atenção dos fãs de Death Metal. Como foi esse processo?

O nosso EP “ Hail The Legions”, já havia pavimentado boa parte do caminho e conceito pro álbum “ Dethronement....”, então quando ele foi lançado, quem nos seguia já estava sabendo o que iria encontrar, sem no entanto, deixar de incluir todas as nossas influências, que vão do Heavy Metal ao Black Metal, tudo amarrado pelos meus vocais, que são bem característicos do Death Metal. 

O processo de composição segue quase sempre o mesmo processo, que é criado um esqueleto das músicas, onde cada um vai colocando suas partes, colocando suas influências, suas idéias, e se ficar bom, entra, se diferente, é deixada de lado ou rearranjada ou simplesmente deixada pra outra oportunidade, mas todos possuem voz ativa na banda.


Sabemos das dificuldades do cenário e também da polarização das mídias digitais. Que ajudam, mas também atrapalham. A ideia é lançar o próximo álbum e formato físico ou somente nos streamings?

Iremos lançar primeiramente em formato físico, e depois nas plataformas, que é algo inevitável nos dias atuais, claro, isso vai muito da visão de mercado e de mundo de cada banda, é uma escolha individual, com pontos positivos e negativos implícitos. 

Muitos não estão comprando material físico, e por inúmeras situações, seja de espaço, valores, ou mesmo por linha do tempo, visto que muitos já entraram no mundo da música através dos streaming ou arquivos, e não possuem a cultura do “comprar material”. Na realidade, muitos acima de 30 anos já não estão comprando Cds, Lps, está se tornando item de colecionador, embora camisas estão tendo saídas até que razoáveis, que é algo que existe uma explicação, mas não vou entrar nessa seara, que é uma armadilha de opinião. 

Então, imagine quem não teve essa cultura do material físico já de início? Eu ainda compro, sempre que posso e gosto óbvio, mas é preciso ter tempo pra ouvir, visto que devo ter dezenas ainda lacrados e mais camisas do que dias pra usa-las.

E aproveitando o gancho, qual a visão de vocês sobre toda essa digitalização que vem nos engolindo sem nos darmos conta?

Como disse acima, existe espaço pra ambos, pra todos, importante que estejam consumindo música, não seria justo minimizar ao meu ver, pois a forma de ouvir música mudou nestes anos todos, inclusive desde que tive meus primeiros contatos, ainda aos 9 anos (hj quase 47), e não vou romantizar em dizer que ouvir as fitinhas cassetes era melhor ou pior, era apenas o que tínhamos em mãos, e era diferente. 

E tínhamos tempo, o que a vida moderna ceifa sem a gente perceber, tornando quase impossível separar 30, 45, 60 minutos pra ouvir músicas sem ter nenhum estímulo externo, como os APPs, redes sociais pra tirar a concentração. Não é uma crítica, é um fato. 

O mesmo que ler um bom livro, ou mesmo se dedicar a qualquer atividade. Mas voltando ao assunto inicial, ouvir música mudou e vai mudar, e é preciso se adequar, ou então iremos pro limbo. E particularmente, não é esse o plano aqui.


A atual baterista Aline Iladi está na banda praticamente desde o início. Antes como guitarrista. Como se deu esse processo de mudança?

Aline entrou e rapidamente conquistou espaço na banda, chegou e ocupou e representa muito bem. Entrou na guitarra, dias antes de gravarmos o EP de estréia, e teve um papel fundamental na gravação. E em meio a pandemia, tivemos mudanças drásticas na formação, permanecendo apenas eu e ela, Israel e Rafaella, havia outras direções, perfeitamente aceitas, afinal, escolhas são respeitadas na banda. 

E ficamos com uma terrível decisão de encontrar um novo integrante, ou resolver entre nós? Escolhemos a segunda opção, com a Aline mudando de instrumento e tendo aulas, partindo do ponto zero, de adquirir uma bateria e fazer aulas. E isso nos possibilitou reescrever as músicas que tínhamos e criar outras do início, abrindo um leque de opções e dando margem pra serem feitas com metas e desafios em aprender e já compor as músicas num novo instrumento, no caso da Aline. 

Entrando então Guilherme na outra guitarra, trazendo novas possibilidades de solos e bases técnicas, e completando o time, a entrada no baixo do Harley, fechando o ciclo em quarteto novamente.


Também sabemos do Câncer que a mesma teve. Se recuperou e voltou aos palcos. Essa situação deve ter sido muito delicada para vocês, certo?

Aline é uma vencedora, sob todos os aspectos, pois quando entrou na banda, ainda estava sob cuidados médicos de observações e acompanhamentos e isso é uma constante, mas a gente sabe, respeita e se programa através da rotina. 

E digo, a garra que ela possui, poucas vezes vi em outros músicos com os quais já toquei nestes anos todos, então neste aspecto, a gente vence os desafios e a agenda da banda é sempre compartilhada entre todos, é preciso uma coesão para que a gente exista. 

Temos nossas prioridades, e a banda está entre elas, não sendo a principal, mas não estando na última, mesmo a gente se doando de forma visceral e passional. Os objetivos ainda estão longe de serem conseguidos, então muito caminho pela frente nestes próximos tempos, com o álbum novo saindo.  

Comente sobre a nova formação e suas características individuais na parte composicional.

A atual formação é a mais comprometida sob os aspectos de fazer a banda crescer, sob os aspectos técnicos e de galgar uma posição no cenário da música pesada como um todo, pois não basta estar numa banda, é preciso se dedicar, abrir mão de muitas outras facilidades e zonas de conforto e até muitas vezes, obrigações especificas de convívio social familiar, então é preciso conciliar tudo. 

O método de compor, apesar de extremamente democrático, tende a partir de alguma idéia inicial minha, o tal esqueleto, onde todos seguem colaborando e moldando até ficar a contento de todos ou funcionar ao vivo, que é onde temos o costume de medir a febre, e as vezes fazer pequenos ajustes, pra que fique dinâmica e boa, e principalmente agradar a nós, da banda. Se passar por todos estes critérios, fica.


Vocês tocaram recentemente em minha cidade – Canoas/RS – no Teatro do Sesc. Conte-nos sobre esta experiência. Pois sabemos o quanto é dificultoso sairmos de nossas cidades para tocar, devido a logística, valores e etc.  

Então, a proposta veio do Cassio Quines, da Balde de Sangue, que estava com a idéia de fazer algo inusitado, que era tocar num teatro. E pra gente, seria o retorno aos palcos, pós pandemia e com a formação totalmente reformulada, já com a Aline na bateria e a entrada do Guilherme (Guitarra) e Harley (baixo), estreando na banda. 

E foi um show muito bom, espaço nem precisa citar a qualidade, equipo e a produção estava excelente. Oque nos deixou mais ansiosos, foi a dinâmica do público, que na ocasião, iriam permanecer sentados, algo inusitado, ao menos pra nós enquanto banda. Mas valeu e muito a experiência.


Finalizando, gostaria que nos desse alguma pista dos planos futuros para 2023/2024 e deixo o espaço final para vocês.

Estamos finalizando as gravações do novo álbum, já intitulado “Silent...Means Death”, com previsão de lançamento pra fevereiro de 2024, e quando sair, os planos serão de iniciar shows por onde tiver demanda. 

Estamos com novas parcerias no agenciamento de shows, será a Necrovoid Productions, e teremos muitas novidades em termos de Set list, produção de palco e merchandising. 

E gostaria de agradecer imensamente pelo espaço no Road To Metal, que já tem muita cultura em apoiar a música pesada ao longo dos anos, pois é de extrema importância, que saibamos que nem só das bandas, vive a indústria da música, existe todo um suporte de mídias, fotógrafos, artistas, etc, ou seja, uma engrenagem absurda que movimenta toda a máquina, e pra isso, é necessário ter boas parcerias, boas ações em conjunto. Obrigado novamente.


Silent Empire Instagram


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Viper: Uma Matéria Especial Sobre "Timeless"

 


Após uma tour comemorativa que trouxe vários dos integrantes originais de volta, incluindo Andre Matos, o choque com a morte do grande vocalista, incertezas sobre a continuidade e então a reformulação e uma ótima notícia para os fãs, o aguardado novo álbum depois de 16 anos de hiato. Sim, um dos pioneiros do Metal nacional mostra que tem muito ainda a oferecer.

Passado algum tempo do lançamento de "Timeless", tecemos nossas impressões bem maturadas a respeito do álbum nesta matéria especial. Confira a seguir.


Viper "Timeless", por Renato Sanson


O que eu posso dizer sobre o Viper? É uma das bandas que mais gosto e ter a oportunidade de vê-los ao vivo com o Andre e depois nessa nova fase foi sensacional! Claro que “Timeless” era mais do que aguardado, até porque são 16 anos sem um disco inédito.

Mas com a formação atual (que conta com Caçoilo nos vocais e Kiko Shered na guitarra) sabíamos que teríamos um grande material em mãos e não foi diferente!


A vibe do passado se entrelaça muito bem com o Viper do presente. Temos uma ótima mescla dos dois primeiros discos com a segunda fase onde Pit assumiu os vocais e com a cara da atualidade.

A diversificação musical é um dos pontos a se destacar, pois o álbum em si vai muito além dos singles liberados. Feeling, técnica e muita consistência mostrando que o Viper tem muito a oferecer e claro, muitas surpresas ao decorrer da audição, como no caso da belíssima “Thais”. Ouça e surpreenda-se! 
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Viper "Timeless", por Caco Garcia


As sensações que tive ao ouvir "Timeless" foram diversas: satisfação e alegria, de ver a banda lançando material novo, um nome importante e histórico do Metal nacional mostrando que está bem vivo. A sensação de nostalgia também veio, com as lembranças de quando ouvi o LP "Soldiers of Sunrise", com aquela surpresa de que ali surgia uma banda diferente, de nível internacional.

Surpresa também com o disco seguinte, "Theatre of Fate", e suas incursões com a música clássica. Bom, o Viper nunca ficou estagnado em uma só fórmula, e podemos constatar isso revisitando a discografia da banda.


E eles me surpreenderam de novo, "Timeless" me trouxe sensação de nostalgia, mas não significa que é um álbum musicalmente datado. Ele traz sim elementos que lembram o Power Metal Melódico dos primeiros anos, mas com sonoridade atual.

Nele podemos encontrar várias ligações com todas as nuances musicais que o Viper explorou durante sua carreira, como o já citado Power Metal veloz, melódico e de vocais altos, os flertes com a música clássica, as músicas mais diretas e pesadas, e até o acento pop rock do "Tem pra Todo Mundo".

As referências a história da banda não estão só na sonoridade, mas também estão espalhadas pelas artes da capa do álbum e singles, e nas letras das músicas. Bem como as referências à passagem do tempo.


Um disco que cresce a cada audição, e traz uma diversidade saudável, coesa e agradável de ouvir. Do Power vigoroso, melódico e acelerado de "Under The Sun" e "Timeless", a porrada mais direta de "The Android", o Hard moderno de "Angel Heart", a pegada de "Vit Righta", que traz nuances com pé no punk, a balada pop rock "Thais" e as doses de Alternative Rock em "Echoes in The Mirror".

Seria redundante dizer que Viper é um nome eterno, já que o nome do disco é "Timeless"? Não importa, fato é que eles já estão eternizados no hall de honra do Metal nacional, mas é muito bom que seguiram a escrever essa história.
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Fechando esta matéria, trazemos para vocês os depoimentos de Leandro Caçoilo e Kiko Shred, que completaram maravilhosamente essa nova formação, e incorporaram a essência do Viper.


"Para mim é uma grande honra participar do 'Timeless' e ter um álbum na discografia do Viper, que é uma das mais importantes bandas do Metal nacional. Eu contribui com solos e alguns arranjos, e o disco ficou muito bom, com a excelente produção do Maurício Cersosimo. Agradeço a todos os fãs que estão curtindo, adquirindo o álbum e indo aos shows. Um grande abraço aos fãs e todos da família Viper."


"Acho que 'Timeless' conseguiu resumir bem todo o trabalho, todos os anos de espera, que consegue passar por todas as fases da banda, desde o "Soldiers..." até o "Coma Rage".

Um disco muito honesto de uma banda que está retomando seu posto de uma das principais do Metal do Brasil. Eu fiquei muito orgulhoso, e acho que o 'Timeless' ainda vai ter o seu lugar entre os grandes discos da banda." (Leandro Caçoilo)


Viper é:
Leandro Caçoilo: Vocais
Pit Passarel: Baixo e Vocais
Felipe Machado: Guitarras
Kiko Shred: Guitarras
Guilherme Martin: Bateria


Álbum: "Timeless" (2023)
Produção: Maurício Cersosimo

Track-list:
Under The Sun
Freedom of Speech
Timeless
The Android
The War
Angel Heart
Light in The Daria
Echoes in The Mirror
VIT Righta
Thais
Reality