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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Entrevista - Alexander Krull e Elina Siirala (Leaves' Eyes): Mitos, Mudanças e Novas Sonoridades

Divulgação

Por Fernando Queiroz

Quando a cantora norueguesa Liv Kristine deixou o Theatre of Tragedy, houve muita expectativa quanto ao que viria a seguir na carreira desta que, para muitos, é a “mãe” do estilo “beauty and beast”, onde mistura-se o agressivo gutural masculino aos doces e ao mesmo tempo sombrios vocais femininos. O que veio foi o Leaves’ Eyes, banda em conjunto com seu então marido, o alemão Alexander Krull, conhecido pelo seu trabalho com o Atrocity - tradicional banda de death metal. E não desapontou. No começo, seguiram a mesma linha sonora do “gothic metal” apresentado por seu conjunto anterior, mas com o tempo, se distanciaram, chegando ao metal sinfônico, e até ao viking metal.

Por anos, a banda continuou firme e forte, sempre evoluindo nesse gênero, mas em 2016, um choque: Liv deixou a banda. Quem entrou no lugar foi a finlandesa Elina Siirala, e em 2018, veio o primeiro disco com essa nova formação, Sign of the Dragonhead. Quase dez anos após o início dessa nova era da banda, eles seguem firmes! 

Na ocasião do primeiro show dessa encarnação da banda no Brasil, em novembro de 2025, o vocalista e fundador Alexander Krull, ao lado de Elina, falaram com exclusividade ao Road to Metal sobre o passado, o presente, seus temas, carreiras, e polêmicas da época da transição de vocalistas. Confira!

Edu Lawless - @edulawless

Como você acha que a forma e a abordagem de composição mudou de quando você compunha para a Liv para agora fazendo músicas para a voz de Elina?

Alexander Krull: Eu acho que o estilo, ou o estilo, a ideia de como o Leaves’ Eyes deve soar não é focado em uma pessoa, mas como um conjunto. Mas, claro, a voz da Elina é, vamos dizer, mais “carregada”, então temos que ter noção de como é isso, e fazer as nossas composições de uma forma que ela performe da melhor forma possível - por isso, muitas vezes quando fazemos uma música inicialmente, ela está em alguma outra escala, e acabamos ajustando isso quando realmente produzimos. Mas no geral, a música e o estilo são evoluções da banda por si. Claro, isso passa principalmente pela voz.

Pois a voz é única de cada um, afinal, não como um instrumento elétrico.

Alexander Krull: Precisamente! Por isso nas nossas sessões fazemos muitas coisas de tentativa e erro em cima disso. 

Elina Siirala: E para ser honesta, minha voz mudou muito de dez anos para cá, e isso nos deu mais possibilidades de como trabalhar em cada disco.

Edu Lawless - @edulawless

Elina, o que você acha que foi mais desafiador para você quando entrou na banda e teve que cantar as músicas antigas?

Elina Siirala: Bem, eu acho que quando o seu corpo é seu instrumento, não é como reproduzir simplesmente uma música. Minha voz é muito diferente da Liv, então nunca quis soar igual, não seria o ponto. O que eu quis foi tentar tirar o melhor de mim dentro daquele estilo e me sentir bem comigo mesma cantando as músicas.

Edu Lawless - @edulawless

Alex, quando você compõe para o Atrocity e para o Leaves’ Eyes, bandas tão semelhantes em integrantes (nota: a formação de ambas bandas é a mesma, com a exceção da presença de Elina), mas distintas em estilo, como é seu preparo para fazer cada música, para não ficar realmente uma soando parecida com a outra?

Alexander Krull: É verdade, algumas coisas podem acabar se misturando! Mas acho que você tem que separar, em primeiro lugar, o pensamento em cada estilo. É como dirigir filmagem. Eu também faço roteiros e dirijo vídeos musicais e coisas assim, e o que faço é analisar a proposta de gênero da produção - coloco minha mente em um lugar quando vou dirigir um vídeo de terror, e em outro quando faço, por exemplo, um épico medieval, ou um drama. Assim fica bem claro para mim onde quero chegar.

O Leaves’ Eyes aborda bastante a coisa da mitologia nórdica, as histórias e sagas do norte da Europa. Como é para vocês irem para lugares com culturas tão distantes, e com culturas tão diferentes - América Latina e Ásia, por exemplo - e atingirem o público? Há alguma diferença de como lidam com isso para shows na Europa e shows em outros lugares?

Alexander Krull: Pensando agora assim, é realmente complicado responder. Quero dizer, nós somos como embaixadores da cultura viking. Quando vamos ao Japão, por exemplo, temos pessoas em nossos shows que entendem disso, gostam disso, imergem nisso. No Chile também tem um grupo grande que está conosco, que até participam ativamente ali no show. Isso está por todo o mundo, da Europa à Austrália e Nova Zelândia, até à América do Sul! Mas o Leaves’ Eyes vai além disso. Temos muito foco em temas como natureza - o poder da natureza -, paisagens, coisas assim.

Mas a parte legal é que os próprios vikings, na antiguidade, foram a quase todo lugar eles mesmos! Você vai achar vestígios deles em quase todo canto, como pela América; no que hoje em dia é a Turquia; na Itália, etc.

De toda forma, hoje nos vejo como uma banda realmente internacional.

Você disse, Elina, que acha que sua voz mudou bastante nos últimos anos. Como você percebe o quanto ficou mais confortável para você cantar nesse tempo?

Elina Siirala: Eu acho que no começo eu me sentia muito confortável em uma outra forma de cantar, mas houve um período que minha voz parecia uma montanha russa de tanto que variava, então tive que entendê-la de novo, e desde então sinto que está muito, muito melhor. Sinto que estou no meu melhor momento, e que posso usar minha voz de formas muito diferentes, e isso me dá mais oportunidades de criar. Antes, eu queria fazer algo, mas sentia que não conseguia, e hoje tenho certeza que consigo de muitas formas. E a cada dia venho achando mais e mais possibilidades, e isso é ótimo! Não é como se eu fosse fazer guturais (risos), mas vejo mais possibilidades.

Alexader Krull: Deixe essa parte comigo (risos)! Mas é muito bom ver isso pessoalmente, em especial quando estamos em estúdio. É muito legal achar essas novas facetas em nossas vozes enquanto trabalhamos. Nos ajuda a criar.

Elina Siirala: Mas, claro, nossa voz é nossa voz, e ela nunca vai realmente ser muito distante daquilo.

Edu Lawless - @edulawless

Quando a nova formação foi anunciada, houve alguma desconfiança quanto à banda. Como vocês lidam com pessoas muitas vezes mal educadas, que por ventura falaram mal da Elina, ou da banda como um todo?

Alexander Krull: Essa eu sei responder bem facilmente, na verdade. Em especial, eu sei o quão acalorado isso foi no Brasil e na América Latina em geral. Haviam grupos aqui nos amando, nos odiando, e sei que é assim com outras bandas também. Bem, para mim, existe uma coisa muito importante, que é ‘família em primeiro lugar’, e o meu filho é minha prioridade número um. Bem, até um certo momento, estava tudo bem, nós só ficávamos falando “por favor, Elina, não leve isso que estão falando a sério”, pois é normal essa desconfiança. 

Enquanto houve respeito, estava tudo bem. A única coisa que realmente não gostei foi quando falaram sobre meu filho. Ele morava comigo, na verdade ainda mora. E eu não aceito que pessoa nenhuma, não importa de onde quer que ela seja, fale sobre meu filho. E foi isso que me chateou, quando pessoas entraram em contato com ele, e sem saber de nada, começaram a contar todo tipo de contos de fada para ele! Pois essas histórias que inventaram sobre (o divórcio com Liv e separação da banda) são completamente falsas. Eu entendo que algumas pessoas ficaram frustradas com a mudança, ou que simplesmente precisassem de algum tempo para se acostumar com outra pessoa cantando. Isso é bem justo, e eu concordo. Mas a causa da mudança foi completamente clara desde o começo, e nós somos muito gratos de ter encontrado a Elina para cantar conosco.

Elina Siirala: Para mim, igualmente, está tudo bem se alguém prefere uma ou outra vocalista. É perfeitamente normal! Criticar o como canto, nossa música, é perfeitamente justo. Mas há uma hora que as pessoas falam coisas que eu nem sequer consigo levar a sério, de tão ridículas que são. Mas sendo sincera, eu nunca senti tanto alguma negatividade - onde quer que eu vá, as pessoas são sempre muito legais comigo, me apóiam, me dão carinho. Quase ninguém me escreveu xingando ou algo assim. Não senti nada muito pesado.

Edu Lawless - @edulawless


Vocês ainda não têm uma gravação ao vivo oficial, um disco ao vivo, com a Elina. Isso está nos planos?

Alexander Krull: Bem, sabe que agora que você mencionou, eu acho que não tinha pensado nisso, e é verdade! Realmente, precisamos de um registro assim. Tem algumas questões contratuais com gravadoras em relação a alguns álbuns anteriores lançados por outro selo, e coisas assim. Isso é algo que precisamos resolver, mas é uma ótima ideia.

E já há alguma ideia de gravarem um novo álbum?

Alexander Krull: Sim! Na verdade, estamos trabalhando nisso agora mesmo. Saímos do estúdio direto para a América do Sul. Vamos lançar um EP novo, inclusive. Apresentaremos uma música inédita aqui, pela primeira vez! Antes mesmo de tocar na Europa, apresentaremos aqui! (nota: a música chama-se Song of Darkness, e foi apresentada pela primeira vez na Colômbia, e logo depois no Brasil).

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Odin’s Krieger Festival – 01/11/2025 – Carioca Club/SP

Odin’s Krieger Festival mistura humor com medieval em shows de Nanowar of Steel e Heidevolk

O humor italiano e o folk metal viking holandês combinam muito bem, e festival, que também contou com outras apresentações diversas nacionais, valeu a pena presenciar

O Odin’s Krieger Festival já é tradicional! Ano após ano, a festa atrai apreciadores de costumes e da cultura medieval fantástica, além de adeptos da história e mitologia nórdica, celta, e todo tipo de história e fé pagãs. Mesmo sem shows, só o encontro temático dessa ou dessas tribos já seria sensacional, mas com grandes apresentações, tudo fica melhor. Tivemos!

Embora, devo dizer, o público parecesse abaixo do que tivemos em 2024, ainda era respeitável, com mais da metade do Carioca Clube cheio. Bem, era de se esperar, já que as atrações do ano anterior eram mais populares, com Dogma e Wind Rose. Neste ano corrente, tivemos ainda um repeteco: O Heidevolk já havia estado no mesmo festival alguns anos antes.


OAKLORE FAZ TRIBUTO AO FOLK “GEEK”:

Uma aguardada atração nacional era o Oaklore, um grupo de música folclórica que já se tornou conhecido no circuito de eventos “folk”. Talvez uma das coisas mais legais deles, é que você vai se sentir “em casa” quando estiver em seus shows: grande parte de seu repertório é de temas musicais que somos acostumados a ouvir no nosso dia-a-dia (bem, ao menos quem é ligado em videogames, filmes e séries), com canções que vão de Senhor dos Anéis, uma das grandes inspirações da existência do grupo, segundo o que disseram no palco - bem, podemos compreender isso, já que o filme, do qual tocaram temas no show, é uma das maiores obras audiovisuais do gênero. Pessoalmente, fiquei extremamente emocionado ao tocarem um mix de temas de The Witcher 3, que é meu jogo preferido. Tão bem executado foi, que chegou a ser emocionante para fãs da franquia, do personagem Geralt of Rivia, e desse universo fantástico. Excelente apresentação, que serviu perfeitamente como “esquenta” para o que viria.

*Priscila Ramos - @agendametal

Vale frisar que, no meio tempo entre os shows, não há nenhum tipo de tédio! vários stands de lojas dos mais variados produtos, comuns, exóticos, artesanais, que iam de hidromel a velas aromáticas. Tem para todo tipo de público, e isso já vem de ano após ano - sempre ótimas opções, embora muitas vezes pagando um preço bem salgado.

*Priscila Ramos - @agendametal

NANOWAR OF STEEL TRAZ BOM HUMOR, HITS HILÁRIOS, E… VAMPETAÇO!:

Sejamos diretos: você nunca vai rir tanto em um show de rock quanto no do Nanowar of Steel! Conhecido recentemente pelo engraçadíssimo hit Norwegian Reggaeton, que parodia tanto o reggaeton latino, quanto o black metal norueguês, foi a primeira vez que a banda italiana esteve no Brasil, depois de muitos pedidos. Valeu a espera!

Sandra Rosato

A banda entrou com o visual mais bizarramente divertido possível: cada um dos integrantes com uma fantasia mais “zoeira” que a outra, sendo o vocalista Mr. Baffo o ápice, vestido com quase um cosplay de “loli” de animes - só imagine um sujeito barbado fazendo isso, é sensacional! Apesar da zoeira, todos tocam absurdamente bem, e as músicas são executadas exatamente como deveriam.

Sandra Rosato

Alguns momentos completamente absurdos fazem parte da festa. O outro vocalista, Potowotominimak colocou uma máscara do monstro Cthulhu, da obra de HP Lovecraft, durante a canção The Call of Cthulhu, com um telefone em mãos. Entenderam o trocadilho?! Ou o momento incrível quando um sujeito vestido do pássaro “malvado” Cacciatore entrou no palco, na canção Il Cacciatore della Notte. Também tivemos um “wall of love”, uma espécie de wall of death, mas onde todos se abraçam - ainda com Careless Whisper, de George Michael, de fundo, seguido pelo cover do cantor inglês da música de mesmo nome.

Sandra Rosato

Mas provavelmente o momento mais sensacional do magnífico show foi quando alguém atirou uma bandeira com a foto do ex-jogador Vampeta nu, apenas com a foto de Varg Vikernes, do Burzum, tampando suas genitais, em referência ao episódio quando o dito vocalista de black metal falou mal de brasileiros no twitter, e os usuários brasileiros começaram a lhe mandar fotos do ensaio do ex-atleta para a extinta revista G Magazine - ficou conhecido como “Vampetaço”. Eles realmente exibiram aquilo no palco!

Sandra Rosato

Seu grande hit, Norwegian Reggaeton, claro, foi um dos pontos mais altos. Todos sabiam cantar a música! Os sorrisos e risos eram nítidos por todos os cantos. Realmente, eles roubaram a cena, mesmo não sendo a atração principal da noite.

Sandra Rosato

Entre as apresentações, tivemos uma bela apresentação de dança, que serviu muito bem de aquecimento, além de uma batalha esportiva de espadas, o que fez com que não ficasse nada cansativa a espera para o próximo show.

Sandra Rosato

HEIDEVOLK FECHA A NOITE COM BOA APRESENTAÇÃO DE FOLK METAL, MAS OFUSCADA PELA ANTERIOR:

Trocamos o humor pelo verdadeiro folk metal. Diretamente da Holanda, um dos maiores celeiros de bandas bem sucedidas do mundo, o Heidevolk fazia sua segunda participação no Odin’s Krieger Festival. Claro que, pela proposta do evento, de celebrar a cultura medieval e nórdica, seriam a atração principal.

Sandra Rosato

Afiada, a banda veio ao país agora divulgando seu álbum Werderkeer, e não decepcionou. O som que apresentam faz todo o sentido para o evento, e logo de começo já era ovacionada pelo público. Uma coisa bem curiosa é que apesar de fazerem um som mais rápido, onde seria comum o uso de vocais agudos, os holandeses usam dois vocalistas com vozes extremamente parecidas e graves. Por um lado, isso dá um contraste, e deixa com uma certa cara “ritualística”, mas por outro, uma das vozes acaba ficando redundante, já que não há contraste entre ambas. No fim das contas, funciona. Outro ponto interessante é o idioma; não é comum ouvirmos músicas no idioma neerlandês, mas a banda prova que pode, sim, funcionar bem, a depender do estilo.

Sandra Rosato

O setlist foi conservador, mesmo longo. Tivemos, de começo, duas do último disco, como era de se esperar: Hagalaz e Klauwen Voorut. Não demorou para virem clássicos, com Winter Woede, Urth e A Wolf in my Heart. No geral, tudo muito completo, contemplando vários períodos de sua carreira.

Sandra Rosato

Terminamos o show com Vulgaris Magistralis, versão para a banda de rock holandesa Normaal, e a saideira com um grande clássico, Nehalennia, do já distante ano de 2010. 

Sandra Rosato

Ótimo show, com belo som, e um público muito animado, e diversos mosh pits ao longo do show. Apesar do brilho, o fato do Nanowar of Steel ter feito uma apresentação inédita e extremamente divertida, que roubou a cena, ficou parecendo que quem deveria ter sido a atração final eram eles. De toda forma, o conjunto de ambas foi muito bom, e tudo foi muito bem aproveitado. Ambas bandas já têm um lugar no coração dos brasileiros, e podem voltar a qualquer momento, que será uma boa pedida de show!

Sandra Rosato

Texto: Fernando Queiroz

Fotos: Sandra Rosato (*exceto onde indicado)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Okf Produções

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Nanowar of Steel – setlist: 

Sober

The Call of Cthulhu

Pasadena 1994

Wall of Love

Disco Metal

Uranus

HelloWorld.java

Il Cacciatore della Notte

Norwegian Reggaeton

Armpits of Immortals

La Polenta Taragnarok

Vahlallelujah


Heidevolk – setlist:

Hagalaz

Klauwen Vooruit

Winter woede

Urth

A Wolf in My Heart

Schildenmuur

De strijd duurt voort

Het Wilde Heer

Wederkeer

Het bier zal weer vloeien

Het Gelders volkslied

Hulde aan de kastelein

Ostara

Krijgsvolk

Tiwaz

Saksenland

Drink met de Goden (Walhalla)

Drankgelag

Vulgaris magistralis

Nehalennia

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Amon Amarth: Uma experiência única no Uruguai

Texto/Fotos: Renato Sanson

Vídeo: Cristiano Cruz

Deixando claro que isso não é uma cobertura oficial, mas apenas um relato de um fã de Heavy Metal que realizou um de seus sonhos: assistir um show junto ao público Sul-Americano, mas fora do Brasil.

Sempre foi e é muito comentado em nosso meio, que a energia dos fãs do eixo Argentina/Paraguai/Uruguai é surreal. Pois, são mais que devotos do som pesado e curtem cada milésimo de segundos de um show.

Então, tive a oportunidade através do meu amigo de infância Cristiano Cruz, de ir com o mesmo ao Uruguai para assistirmos o Amon Amarth. Já que, em suas ultimas passagens pelo Brasil (inclusive em nossa cidade – Porto Alegre) não conseguimos comparecer.

Nada melhor então, que, tirar uns dias de férias, conhecer um país novo e fechar a estádia com um show de Metal, ainda mais sabendo da insanidade dos Hermanos no quesito curtir um show!

De fato foi uma aventura, pois saímos do RS de carro no sábado (26/11) e o show era só no dia 28/11. Justamente para nos aclimatarmos e curtir o país e seus costumes. O que é sempre agregador.

Mas indo direto ao ponto, o dia 28 chegou e como bons brasileiros que somos, cedo da tarde já estávamos no Montevideo Music Box (sim fomos os primeiros da fila!). Um local pequeno, com uma capacidade total de 1000 pessoas. Sendo que o show do Amon vendeu 500 ingressos (ou “entradas” como dizem nossos Hermanos).

Eu como nunca tinha visto um show fora do país estranhei a falta da famosa fila brasileira, já que lá e em outros países como relatou o meu amigo que já viu outros shows fora, é normal o pessoal começar a chegar bem perto do horário de abertura dos portões.

Nesse meio tempo, foi possível conversar um pouco com as pessoas e entender como funciona o cenário uruguaio, que diferente do argentino (conhecido por sua força) o cenário do Heavy Metal no Uruguai é mais fraco. Menos bandas, menos fãs e muita falta de apoio. O que faz lembrar do nosso em certos Estados. Como o caso do RS que já foi forte e hoje infelizmente parece respirar por aparelhos.

Mas isso não tira a empolgação e vitalidade dos fãs ali presentes. As portas se abrem e já grudamos na grade como de costume (com aquele velho papo de: esse é o último show na grade).

Aqui é Brasil! Primeiros da fila!

Passado um pouco das 21h a estrutura de palco já estava montada e mostrava todo o profissionalismo do Amon Amarth. Que mesmo em um local pequeno, trouxe parte de sua grandiosa estrutura, deixando o palco muito bonito.

Os riffs de “Guardians of Asgaard” entram em cena e já podíamos sentir toda a energia e vibração do local. Eram apenas 500 pessoas, mas que se transformaram em 3000! Tamanho a agitação e euforia.

Olha, eu já fui a muitos shows na minha vida Brasil a fora, mas nunca vi e senti nada parecido com essa experiência de show no Uruguai. Foi realmente surreal o que presenciamos, já que a paixão pela musica era tão extrema que o próprio Amon Amarth ficava boquiaberto vendo os fãs empolgados, fazendo circle pit (brutais!), cantando juntos... Enfim, algo difícil de mensurar em palavras.

Até mesmo o “barquinho” em “Put Your Back Into the Oar” que eu tanto critico acabei me rendendo e me juntando a galera (risos). Não tive como me controlar...

O show em si teve uma qualidade de áudio absurda! Nítida e pesada. Os músicos são um show a parte, mas com destaque ao Viking Johan Egg. Um frontman visceral e carismático!

Poderia citar outros destaques como “The Pursuit of Vikings” com a galera cantando o riff junto com a guitarra (de arrepiar), mas o encerramento com “Twilight of the Thunder God” me fez pensar que aquilo poderia ser uma simulação de uma parede de escudos.

Uma verdadeira festa Viking!

Palheta do Olavi e munhequeira do Johan


Como eu disse anteriormente, não se trata de uma cobertura oficial, mas trazendo um pouco deste momento ímpar em qual vivi e que ficará eternizado em minha vida. Posso dizer sem medo de errar, que este show do Amon Amarth entrou para o meu top 5 de shows da vida!

Se um dia puderem assistir a algum show de alguma banda que gostem nesse eixo Sul-Americano (Argentina/Uruguai/Paraguai) não percam a oportunidade.

Gracias Hermanos \\m//



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Armored Dawn: Marchando Rumo ao Topo



Muitos acreditam que a chave do sucesso é confiar no seu potencial e, costumadamente, com um pouco de boa sorte. Mas é ai que eu pergunto: onde há sorte se não vamos atrás do que almejamos? E é nessa lição que ligamos o lema de buscar pelos nossos desejos. No caso dos paulistanos do Armored Dawn, o trabalho duro premiou-os com o reconhecimento relevante não só na cena Metal nacional, mas também fora do Brasil, e o tão esperado segundo álbum, “Barbarians In Black”, será lançado mundialmente via AFM Records.

Rotulado por muitos de Viking Metal, o sexteto congrega sua eufonia em carregadas consistências sem possuir amarras em único vinculo musical. Apesar de toda temática nórdica que dirige o conceito lírico, “Barbarians In Black” busca fugir dos estereótipos. E esquecem fábulas e fantasias, porque a musicalidade do álbum é associada às virtudes do Classic Heavy Metal e também do Thrash dentro de uma moção moderna, resultando em músicas exuberantes e pesadas do começo ao fim.   
  


Habituado a outros gêneros e sem experiências no Heavy Metal, Kato Khandwala (The Pretty Reckless, Papa Roach) conseguiu condensar a asserção do grupo através da sua experiência com auxílio do co-produtor Bruno Agra, mas todo impoluto está presente na mixagem e masterização de Sebastian “Seeb” Levermann, que acertou a mão numa sonoridade devastadora, garantindo energia e intensidade a cada signo.

A capa tem como figura estampada um soldado bárbaro perdido num campo obscuro e devastado, epilogando a história passada nas letras na visceral arte.
Talvez a espera por esse novo registro não cause tanta apreensão, pois quem compareceu nos últimos shows da banda pode conferir as faixas em primeira mão. E quem teve a chance de conferir às músicas (executadas ao vivo) em algumas dessas apresentações podem esperar coisa ainda melhor, pois “Barbarians In Black” está gananciado de bravura e sangue nos olhos, engajando peso e harmonia em aglomeradas adições.


Depois de uma introdução nobre e sublime, “Beware The Dragon” chega pra romper barreiras com riffs cobertos de peso; “Bloodstone” verte um Power Metal agressivo e esmurrado, mas sem deixar a melodia dos teclados de lado; “Men Of Odin” descende momentos épicos, apresentando meios climatizantes e mais cadenciados; “Change to Live” eleva o nível de intensidade, com riffs azedos e vocais ríspidos.

“Eyes Behind The Crow” surge com linhas profundas, e logo se desperta com guitarras cadenciadas; “Sail Way” – primeiro single do álbum – é uma balada de encher os olhos, recebendo 1 milhão de acessos no Youtube com o clip cinematográfico (a AFM postou o vídeo no seu canal do youtube); “Gods Of Metal” e “Survivor” imprimem características clássicas do Heavy Metal, dosando bastante groove e melodia nas proporções exatas.

O Armored Dawn  firma sua relevância no Metal nacional com um álbum viciante e bárbaro, e que continue correndo este caminho de evolução.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Armored Dawn
Álbum: Barbarians In Black
Ano: 2018
Estilo: Power Metal, Viking Metal
País: Brasil
Gravadora: AFM Records
Assessória de Imprensa: Metal Media

Formação
Eduardo Parras (Vocal)
Timo Kaarkoski (Guitarra)
Tiago de Moura (Guitarra)
Fernando Giovannetti (Baixo)
Rafael Agostino (Teclados)
Rodrigo Oliveira (Bateria)

Track-List
1.    Beware The Dragon
2.    Bloodstone
3.    Men Of Odin
4.    Chance To Live
5.    Unbreakable
6.    Eyes Behind The Crow
7.    Sail Way
8.    Gods Of Metal
9.    Survivor
10. Barbarians In Black
  
Contatos 
Site 

     


domingo, 22 de janeiro de 2017

Grand Magus: Heavy Metal Forjado em Fogo e Aço!

 

Muitos vão concordar que estarei sendo clichê em dizer que o GRAND MAGUS é para ouvir de espada em punho, com certeza também concordarão que a banda é uma das mais legais que surgiram nos últimos tempos, e que a Suécia é hoje um grande expoente do som pesado em geral, desde bandas com sonoridade mais setentista, passando pelo Heavy Tradicional e sonoridades mais originais e contemporâneas.

O grupo, que teve seu embrião em 1996 sob o nome "SMACK", a partir de 1999 o GRAND MAGUS caiu na estrada, e foi evoluindo álbum após álbum, correndo em suas veias as influências do Metal dos anos 70, e seu Heavy/Doom/Stoner foi chegando a uma sonoridade mais limpa, e calcada principalmente em riffs e refrãos marcantes, sem muitas complicações ou instrumental mirabolante, apenas a preocupação em fazer Heavy Metal. Na bio da página da banda você pode ler "O Heavy Metal Renasce", então é clara a proposta.


O Heavy Metal épico e com temática viking do trio é de uma fórmula cativante, em que é impossível não sair cantando ou assoviando as músicas. "Sword Songs" é o trabalho mais recente dos suécos, disponível em versão nacional pela Shinigami Records, e traz duas bônus tracks, sendo uma delas uma versão para "Stormbriger" do DEEP PURPLE, bem próxima da original, somente mais "direta" e em tons mais baixos e puxados para o Stoner/Doom. Qualquer fã de Heavy Metal tradicional vai adotar o grupo, que constrói uma sonoridade cativante, e ainda com esse lado mais épico e a temática nórdica, que despertou ainda mais o interesse do público pelo sucesso da série "Vikings", o lado visual com couro, cintos de bala e spikes, ou seja, elementos clássicos e típicos.

"Freya's Choice", que traz como tema uma das mais antigas deusas da mitologia germânica e nórdica, esta ode à deusa da sensualidade, do amor e da guerra,´traz riffs pesados e cativantes, com a cozinha pulsante e o refrão épico. O peso remete um pouco aos primeiros álbuns; "Varangian", que era como os gregos chamavam os Vikings, se destaca pelas melodias bem épicas na guitarra, além do refrão com jeitão de hino "We are warriors, defenders of steel", seguindo um andamento cadenciado.


Com passagens mais rápidas, "Forged in Iron - Crowned in Steel", remetem rapidamente aos símbolos do Heavy Metal, Priest e Sabbath, revestido pela couraça do épico Viking Metal. Grande refrão! "Last one to Fall" também é vibrante e enérgica, para exemplificar, é naquela linha a qual foi criada a alcunha True Metal, para nomear as bandas contemporâneas que comandaram esse retorno às raízes do Metal oitentista; e citando mais um destaque, "Every Day There's a Battle to Fight", com aquele andamento clássico a lá "Heaven and Hell", e um refrão épico e magnânimo! Viciante.

Pouco mais de meia hora de canções sobre deuses e batalhas, embebidas em Heavy Metal, e nuances de Stoner, onde os riffs cortam como lâminas afiadas, os refrãos são entoados como hinos de batalha, e não há canções ou momentos em que a empolgação caia, com o trio sendo brilhante na sua maneira simples e eficaz de forjar sua música, sem arranjos pomposos, mas com melodias suficientes para dar o ar épico. E resumindo o que afirmei antes, uma das bandas mais legais da atualidade.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Grand Magus
Álbum: "Sword Songs" 2016
País: Suécia
Estilo: Heavy Metal, Epic Metal, Stoner
Produção: Nico Elgstrand
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-Up
JB: Vocais e Guitarra
Fox: Baixo e Backing 
Ludwig: Bateria

Track List 
Freja's Choice
Varangian
Forged in Iron - Crowned in Steel
Born for Battle
Master of the Land
Last one to Fall
Frost and Fire
Hugr
Every Day There's a Battle to Fight
Bônus
In for the Kill
Stormbringer

Canais Oficiais:

      

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PaganThrone: Mantendo a Essência Viva



Quando escolhemos alguma coisa ou tomamos uma decisão em nossos caminhos, por vezes não sabemos se estamos fazendo a coisa certa, afinal, na vida sempre temos que arriscar a diversas coisas, independente do que pode acontecer e o que pode ficar pra trás, já que não há jeito de voltar atrás nas escolhas. Neste reduto, os cariocas do Pagan Throne soltam, após 5 anos de espera, “Swords Of Blood” (2015), sucessor do ‘debut’ álbum “The Way To The Northern Gates” (2010).

Apesar de um período longo de inatividade, o quinteto não perdeu a sua personalidade diante da fúria e da agressividade do Black Metal, não precisando necessariamente soar ríspido e sujo como a maioria das bandas do gênero efetua muitas vezes, pois o que os Pagans fazem é uma coisa totalmente dinâmica, colocando cadência e melodia (principalmente nos vocais) em vários momentos, maneira não se prender a tradicionais clichês. E uma das relevâncias do grupo é a estética Viking, que perdura desde o inicio da carreira.


A produção do álbum foi assumida pelo baixista Eddie Torres, que ficou primorosa e bastante vívida, onde o mesmo soube dividir os momentos mais agressivos e requintes em todas as canções. E o resultado que temos é de uma sonoridade limpa e coesa neste trabalho, tendo a sensação de que é uma banda gringa disponibilizando ótimas timbragens de guitarra e uma pegada animal de bateria. O layout foi explanado pelo artista Marcus Lorenzet, que fez toda a arte do disco seguindo a raízes do grupo.

Iniciando com ‘Invasion’, temática introdução guerrilha, o disco já começa de forma abrasiva com a faixa-título, ‘Swords Of Blood’, que enverga timbres agressivos e vocais ásperos, além de performances rítmicas precisas e rápidas; “Fallen Heroes” mostra uma energia poderosa nos primeiros momentos, mas que surpreende através de uma atmosfera bastante climatizada, que são dosadas pelas melodias de teclado e deleitosos solos de guitarra.


O grande destaque fica por conta de “Best Of The Sea”, que ostenta riffs marcantes e pesados, e gruda rapidamente na cabeça, e podemos perceber uma forte influência de Metal tradicional e até mesmo do Thrash Metal. “Kingdon Rises” patenteia o lado Viking da banda através do instrumental, havendo bastante teclado em boa parte da música, e ganhou um reforço extra com o belo vocal da Vivi Alves; “Dark Temples” é uma instrumental homogênea e agradável, elevada pelas melodias de guitarra e os ótimos acordes de baixo. E o disco encerra com a versão acústica da “Pagan Heart”, presente no EP de mesmo nome, juntando elementos nórdicos altamente postados, dando aquele ar cinematográfico.
Espero que não demorem tanto para lançar um novo disco como foi em “The Way To The Northern Gates”, pois “Swords Of Blood” mostra uma evolução significativa, que deve aumentar cada vez mais nos próximos trabalhos.

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Divulgação
Revisão/Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica
Banda: PaganThrone
Álbum: SwordsOfBlood
Ano: 2015
Estilo: Pagan Black Metal
Gravadora: Eternal Hatred Records

Formação
Rodrigo Garm (Vocais)
Raphael Casotto (Guitarras, violões)
Eddie Torres (Baixo, violões)
Hage (Teclados) 
Alexandre Daemortiis (Bateria) 

Track-List
1. Invasion 
2. SwordsofBlood
3. Ritesof War 
4. FallenHeroes 
5. NorthernForests 
6. BeastoftheSea 
7. KingdomRises 
8. DarkTemples 
9. Path ofShadows 
10. Pagan Heart

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Amon Amarth: Os Deuses do Viking Metal

Sucessor de "Surtur Rising" mantém ascensão do grupo sueco

Evolução e consistência são, sem dúvida, as palavras que podem marcar bem a carreira dos suecos do Amon Amarth, em cada álbum era notável ver como a banda marca suas características ao mesmo tempo se tornava mais técnica e precisa. Tudo isso aumentava em muito a expectativa para “Deceiver of the Gods” e depois de muitas audições é muito bom dizer que os adoradores de Odin podem entrar no Hall de bandas que nunca decepcionaram seus fãs.


Temática da banda voltada à cultura Viking é um de seus triunfos

É coerente chamar a banda de Viking Metal muito mais por sua ideologia (nesse álbum está em pauta a Ragnarok, guerra entre os deuses que levará ao fim do mundo ), do que o som ,já que esse se encaixariam no famigerado Death Metal melódico, mas ao contrário de muitos grupos por aí, o Amon nunca abre mão de sua agressividade, o que faz a alegria dos fãs mais extremos.

Hegg estreará até filme como viking
A faixa titulo já começa com violência, sendo na sequencia “As Loke Falls” mostrando elementos vindos de outros estilos como bases e andamentos que remetem ao Thrash. É claro que a banda demonstra que não se acomoda, então o álbum tem duas surpresas que são a cereja do bolo: primeiramente, “Under Siege” e “Warriors of the North”, faixas com mais de oito minutos que demonstram todas as características apresentadas nos últimos CDs. 

Já o outro destaque vem com uma participação especial de Messiah Marcolin (ex-Candlemass) na música “Hel”. Essa música é perfeita, ouça e veja como a mesma cria um clima soturno e muito pesado, sem dúvida um destaque.

Injusto ficar apontando esse o outro destaque, ouça o álbum e tire suas próprias conclusões sem antes de deixar de citar Andy Sneap é um gênio da produção. 

Para o esplendor dos guerreiros nórdicos mais um grande álbum. Hail Loki! Hail Odin!



Texto Luiz Harley
Revisão/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha técnica 
Banda: Amon Amarth
Álbum: Deceiver of the Gods
Ano: 2013
País: Suécia 
Tipo: Viking Metal 

Formação
Fredrik Andersson (Bateria)
Johan Hegg (Vocal)
Johan Söderberg (Guitarras)
Olavi Mikkonen (Guitarras)
Ted Lundström (Baixo)






Tracklist
1. Deceiver of the Gods
2. As Loke Falls
3. Father of the Wolf
4. Shape Shifter
5. Under Siege
6. Blood Eagle
7. We Shall Destroy
8. Hel
9. Coming of the Tide
10. Warriors of the North

Assista "Deceiver of the Gods"

Assista trailer do vindouro vídeo "Father of the Wolf"


Acesse e conheça mais sobre a banda