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domingo, 27 de setembro de 2026

Airbourne: Quando o Rock N' Roll Não Precisa Pedir Licença

Spinefarm Records (Imp.)

Por Stephanie Ferreira - @instephanie

Há bandas que usam um álbum homônimo para marcar um recomeço. O Airbourne faz algo um pouco diferente em seu sexto trabalho de estúdio: coloca o próprio nome na capa como se estivesse fincando uma bandeira. Airbourne, lançado em 4 de setembro de 2026 pela Spinefarm Records, chega sete anos depois de Boneshaker e funciona menos como uma reinvenção e mais como uma declaração de identidade. É o Airbourne em sua forma mais concentrada: guitarras altas, bateria seca e explosiva, refrões feitos para multidões, solos que não economizam atitude e uma relação quase religiosa com o rock de arena.

A produção ajuda bastante nessa proposta. Brian Howes, que já havia trabalhado com a banda em Black Dog Barking, retorna à produção, enquanto Mike Fraser assume novamente a engenharia de som e Zakk Cervini fica responsável pela mixagem. As gravações passaram pelo Music Farm, próximo a Byron Bay, utilizando equipamentos Neve historicamente ligados às gravações de AC/DC, Rose Tattoo e outros nomes fundamentais do rock australiano. Não é um detalhe meramente decorativo: o disco foi construído para soar grande, físico e, principalmente, como uma banda tocando rock’n’roll com o amplificador no limite.

E há uma questão inevitável antes mesmo de chegar à primeira faixa: AC/DC. O Airbourne nunca escondeu essa influência. Joel O’Keeffe já declarou que considera o AC/DC a maior banda de rock’n’roll de todos os tempos e, portanto, não vê a comparação como um problema. A diferença é que, neste álbum, o Airbourne parece menos interessado em provar que consegue escapar dessas referências e mais interessado em mostrar o que consegue fazer dentro delas.

Divulgação 

1. Gutsy

Começar um álbum homônimo com uma música chamada Gutsy é quase uma declaração de princípios. A faixa entra sem pedir licença, com aquele tipo de riff que imediatamente estabelece a identidade do disco. A guitarra de Joel O’Keeffe chega acompanhada por uma bateria que parece empurrar tudo para frente, enquanto o vocal rouco mantém aquela mistura de provocação e celebração que é praticamente uma assinatura do Airbourne.

O interessante é que Gutsy não tenta ser sofisticada. Ela trabalha justamente com a eficiência do hard rock clássico: riff forte, verso direto, refrão grande e espaço suficiente para que cada instrumento respire. E existe uma razão para ela funcionar tão bem como abertura. A música já vinha sendo apresentada ao vivo antes do lançamento do álbum e, segundo a própria banda, foi escolhida como a primeira amostra justamente por representar essa postura de enfrentamento.


2. Alive After Death (Last Plane Out)

Se Gutsy apresenta a identidade, Alive After Death mostra o quanto o Airbourne consegue transformar essa identidade em uma grande canção.

A música tem uma construção particularmente eficiente. A guitarra conduz tudo com uma sensação de urgência, enquanto Joel canta como se estivesse disputando espaço com os próprios amplificadores. O refrão é daqueles que parecem existir para serem devolvidos pelo público.

Mas existe algo mais interessante aqui. A letra transforma a própria experiência do rock em uma espécie de mecanismo de sobrevivência: enquanto houver música, palco e alguém disposto a tocar, a história continua. Essa ideia conversa diretamente com o tema de legado que reaparece no final do álbum.


3. Here She Comes

Aqui aparece uma das primeiras pequenas surpresas do disco. Here She Comes ainda tem guitarras enormes e o mesmo senso de espetáculo, mas sua construção é mais melódica. Existe uma atmosfera quase de power ballad, só que filtrada pelo vocabulário do Airbourne. O resultado não abandona o peso, apenas permite que a música respire um pouco mais.

E há uma história curiosa por trás dela. A faixa nasceu durante uma tempestade que atingiu o estúdio onde a banda gravava em Byron Bay. A situação foi tão intensa que uma árvore caiu perto do ônibus onde Justin Street estava dormindo. A experiência acabou inspirando a imagem de “Here she comes” associada ao furacão e, posteriormente, a letra ganhou o conhecido duplo sentido característico da banda.

A participação de Bryan Adams e Mutt Lange na composição também ajuda a explicar por que a faixa apresenta um acabamento um pouco diferente. Em vez de simplesmente acelerar, o Airbourne trabalha aqui com uma melodia mais aberta e um refrão feito para arenas.


4. Kid In A Candy Store

Se existe uma faixa que recupera imediatamente o Airbourne mais descarado, é Kid In A Candy Store. O riff tem aquela sujeira deliciosa do hard rock tradicional, enquanto Joel conduz a música com uma interpretação que parece sorrir enquanto canta. A estrutura é simples, mas o arranjo tem detalhes suficientes para evitar que ela seja apenas mais uma faixa rápida.

O breakdown no meio é especialmente interessante porque deixa a guitarra brincar com uma linguagem mais próxima do hard rock oitentista, antes de devolver a música para sua estrutura principal. É um daqueles momentos em que o Airbourne mostra que conhece muito bem o repertório que está revisitando.


5. Sky High

Depois de quatro músicas que praticamente atropelam o ouvinte, Sky High reduz um pouco a velocidade. A faixa tem um andamento mais controlado e um riff mais arrastado, permitindo que o peso apareça de maneira diferente. É um daqueles momentos em que o Airbourne prova que não precisa estar permanentemente acelerado para soar agressivo.


6. Who Put The Rhythm In You?

A segunda parceria com Bryan Adams e Mutt Lange é uma das composições mais interessantes do disco porque apresenta uma camada mais calculada de composição.
O riff continua sendo Airbourne, mas existe uma preocupação maior com a construção do refrão. A música tem aquele tipo de gancho que permanece na cabeça depois que a faixa termina.


7. Christmas Bonus

Agora chegamos ao momento mais controverso do disco. Christmas Bonus é uma faixa deliberadamente vulgar, sexual e caricata. Musicalmente, ela segue a cartilha do Airbourne com competência, mas sua letra trabalha com um humor que pode facilmente envelhecer pior do que os riffs.

A própria banda nunca pretendeu tratá-la como uma canção natalina convencional. Pelo contrário: a ideia nasceu justamente da vontade de fazer algo completamente distante dos tradicionais clichês natalinos. O solo de guitarra brinca com a linguagem natalina e transforma o clichê em parte do arranjo, o que dá à faixa uma camada musical mais interessante do que sua letra poderia sugerir.


8. Last Man Standing

E então o disco volta a ficar muito forte. Last Man Standing tem uma construção de hino clássico. O riff inicial já cria aquela sensação de “música de entrada”, enquanto o refrão parece pedir uma multidão inteira cantando junto.

É uma faixa menos acelerada, mas talvez mais pesada justamente por causa disso. As guitarras trabalham com acordes largos e bastante espaço entre as frases, e Joel utiliza a voz com uma agressividade controlada que combina muito bem com o andamento. É um dos momentos em que a banda consegue transformar simplicidade em impacto.


9. Rock 'N' Roll Ya

Se Last Man Standing é um hino, Rock 'N' Roll Ya é praticamente uma convocação. A música tem uma estrutura extremamente direta, com um refrão construído para interação com o público e uma guitarra que mantém o movimento constante.
É uma faixa que talvez não revele uma nova faceta da banda, mas também não precisa revelar. É exatamente o tipo de composição que ganha uma dimensão diferente quando imaginada ao vivo.


10. Bogotá

Aqui está uma das grandes joias do álbum. Bogotá começa com uma parede de feedback que imediatamente muda a textura da guitarra. A influência de Eddie Van Halen aparece de maneira muito mais explícita, especialmente na abordagem do instrumento e na maneira como o solo ocupa o espaço da música.

Mas o mais interessante é que Joel não tenta reproduzir Van Halen. Ele absorve aquela linguagem e a transforma em uma versão mais suja, pesada e direta do próprio Airbourne. A própria banda destaca que essa foi a primeira vez que Joel utilizou uma guitarra inspirada na famosa “Frankenstein” de Eddie Van Halen, o que explica a escolha estética da faixa.


11. Hells Got No Vacancy

Hells Got No Vacancy volta ao hard rock mais direto, com um riff pesado, vocal rasgado e uma estrutura feita para ser tocada em volume alto.
É também uma das músicas que mais evidencia o problema inevitável do álbum: depois de tantas faixas baseadas em princípios semelhantes, algumas começam a funcionar mais como variações de uma mesma ideia do que como identidades completamente separadas.


12. Send Me To Rock 'N' Roll Heaven

O encerramento muda completamente a perspectiva do álbum. Até aqui, Airbourne passou boa parte do tempo celebrando o presente: festas, sexo, estrada, amplificadores, liberdade e o prazer quase infantil de tocar rock.

Send Me To Rock 'N' Roll Heaven olha para trás. A música é uma homenagem aos artistas que ajudaram a construir o universo musical da banda e que já partiram. Lemmy, Bon Scott, Malcolm Young, John Bonham, Little Richard, Doc Neeson, Eddie Van Halen e Ozzy Osbourne aparecem nessa celebração da história do rock.

E isso dá outro significado ao álbum inteiro. De repente, o Airbourne deixa de parecer apenas uma banda reproduzindo uma fórmula clássica e passa a assumir o papel de uma banda que sabe que está carregando uma tradição.


Divulgação 

Confira a tracklist completa:

Gutsy 
Alive After Death (Last Plane Out) 
Here She Comes
Kid In A Candy Store 
Sky High 
Who Put The Rhythm In You? 
Christmas Bonus
Last Man Standing
Rock 'N' Roll Ya
Bogotá
Hells Got No Vacancy 
Send Me To Rock 'N' Roll Heaven

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Airbourne Mantendo Viva a Chama do Hard Rock



O Hard Rock é um gênero do Rock de grande importância para o desenvolvimento do Metal, tamanha a influência de grupos como Kiss, Scorpions e AC/DC para os músicos que montariam as maiores bandas do Metal alguns anos depois.

Porém, há aqueles que ainda procuram manter o Hard Rock como sempre fora tocado em plena segunda década deste novo século. E um dos principais grupos que está tendo sucesso nisso é o Airbourne.

O grupo surge na Austrália e antes que se faça uma associação direta ao AC/DC (maior grupo desse país em todos os tempos), a garotada (todos bastante novos) não esconde sua admiração e influência do lendário grupo dos irmãos Young.

Assim, com apenas dois álbuns lançados, os caras estão aos poucos tomando o mundo. A Europa e os EUA já conhecem o poder dos caras, inclusive já tendo músicas em trilhas sonoras de Hollywood, como no filme “Lost Boys”.

Este ano lançam seu segundo trabalho, “No Guts. No Glory.” (2010) que segue exatamente a mesma linha do anterior “Running Wild” (????). Aliás, arrisco dizer que estão mais “AC/DC” do que antes, basta escutar por exemplo “Blond, Bad and Beautiful”, parecida muito com “Anything Goes”, um dos hits do último trabalho dos mestres australianos.

Mas, se você não se incomoda com o fato de um jovem grupo utilizar a mesma “fórmula” para fazer Hard Rock, com certeza irá gostar de todas as faixas que, assim como AC/DC, não dá para dizer que há músicas ruins.

Destaques maiores para a já citada, “Raise The Flag”, “Steel Town”, “Chewin' The Fat” e “Armed and Dangerous”.

Segundo álbum, segunda afirmação de que eles não estão se importando das críticas negativas da falta de originalidade e das comparações com os veteranos. Mas, como Lemmy Kilmister (ele participou do vídeo clip para “Running Wild”)mesmo disse em entrevista para uma revista brasileira, o AC/DC demorou oito anos para lançar material inédito, então não podem reclamar.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Airbourne
Álbum: No Guts. No Glory.
Ano: 2010
Tipo: Hard Rock
País: Austrália



Formação

Joel O'Keeffe (Vocal e Guitarra Líder)
David Roads (Guitarra e Vocais)
Justin Street (Baixo e Vocais)
Ryan O'Keeffe (Bateria)


Tracklist


01 - Born To Kill
02 - No Way But The Hard Way
03 - Blonde, Bad And Beautiful
04 - Raise The Flag
05 - Bottom Of The Well
06 - White Line Fever
07 - It Ain'T Over Till It'S Over
08 - Steel Town
09 - Chewin' The Fat
10 - Get Busy Livin'
11 - Armed And Dangerous
12 – Overdrive
13 - Back On The Bottle
14 - Loaded Gun (Bonus Track)
15 - My Dynamite Will Blow You Sky High (And Get Ya Moanin' After Midnight) (Bonus Track)
16 - Rattle Your Bones (Bonus Track)
17 - Kickin' It Oid Skool (Bonus Track)
18 - Devil'S Child (Bonus Track)