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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Animal House: "Limbo" - Sonoridade Moderna Sem Esquecer as Raízes

 
Após um período para "ajustes", devido a mudança de residência e outros problemas de cunho pessoal, o incansável Mutley (bateria e vocal), ao lado de Paulo On (guitarra e baixo, que já deixou a banda, tendo o retorno de Arion Renée), produziram o segundo registro da Animal House, "Limbo".

Sobre o título Mutley explica: "Fiquei um tempo determinando qual seria o nome do disco. Pensei primeiro em Phoenix, pela semiótica que a ave mitológica carrega, de renascer das cinzas. Pensei também em Alive Again ou Back from the Dead, mas aí entraria em um problema. As pessoas poderiam achar que se trata de um disco ao vivo, e principalmente, achar que a banda em algum momento tivesse morrido. E eu não quero isso. Seria admitir a derrota. Acabou ficando LIMBO. Que é um espaço onde não existe espaço, tempo, reflete bem os anos de turbulência da banda e de minha vida pessoal." (leia entrevista completa AQUI)

Se o antecessor de "Limbo", o álbum "First Blood", deixou a banda insatisfeita em termos de produção sonora, neste novo trabalho, apesar de ainda haver oscilações, essa parte melhorou bastante, inclusive com o trabalho soando mais pesado, com mais punch, ou seja, há uma evolução clara, o que é muito bom, pois, apesar de ainda carecer de ajustes, se não houvesse evolução aí sim seria preocupante.


A banda se auto-intitula como Modern Metal, apresentando groove e peso nos riffs e levadas de bateria, mas também não abre mão de toques de Hard e Metal mais tradicional (como na abertura com "Last Great Hero", que mescla bem esses elementos), assim como Blues, como na faixa bônus acústica e ao vivo "Middle Finger Blues".

As demais 3 faixas do EP são bem interessantes, com boas ideias e variações, e talvez a citada faixa de abertura e "Monochromatic" melhor representem o que a banda parece buscar, uma música com bastante peso e groove, com essa influências do Metal Moderno, e posso citar aí os influentes Pantera e Black Label Society, mas sem deixar de lado as raízes.

Mais um importante passo, como disse anteriormente, se viu uma evolução, tanto na parte de produção, como em composição e sonoridade. Que o Animal House siga evoluindo e esperamos para breve um full-lenght.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Animal House
Álbum: Limbo
País: Brasil
Estilo: Modern Metal/Heavy Metal
Assessoria: Heavy & Hell Press

Formação:
Mutley Animal: Vocal e Bateria
Arion Renée: Guitarra
(Paulo On: Baixo e Guitarra - Obs: Paulo saiu após o lançamento de "Limbo")

 
Track listing

1.  Last Great Hero
2.  Monochromatic
3.  New Age Messiah
4.  Middle Finger Blues (Live Unplugged)






domingo, 20 de setembro de 2015

Entrevista - Animal House: Limbo, um espaço onde não existe tempo

Dificuldades que permeiam o underground fazem muitas bandas de potencial desistirem de seu sonho ou simplesmente deixa-lo estagnado. Com o Animal House a coisa foi um pouco diferente, mesmo tendo todas as adversidades possíveis a banda persistiu, e não desistiu de seu sonho, seguindo em frente e mostrando sua música para quem quisesse ouvir.

“Limbo” seu mais recente lançamento marca todo esse esforço e dedicação, onde trazem composições fortes e marcantes, como uma forma de resposta a quem não acreditava em seu trabalho.

Conversamos com o vocalista Mutle¥, onde o mesmo nos conta um pouco desta trajetória, além de suas percepções sobre o novo lançamento e muito mais.

Confira:


Road to Metal: “Limbo” se mostrou um álbum com uma produção mais bem resolvida, com mais punch. O que vocês agregaram de experiências positivas e negativas do primeiro trabalho, “FirstBlood”, para este novo e o que vocês acreditam que poderão fazer de diferente para o próximo se sair ainda melhor?

Mutle¥: Durante o First Blood, eu estava envolvido com mudança para outro estado. Então não foi possível participar de maneira mais ativa da produção. Com o LIMBO foi diferente. Consegui me envolver diretamente com a produção e deixar o trabalho final mais próximo do que eu queria que o First tivesse ficado. Ainda não está 100%, mas isso se deve às limitações técnicas e financeiras da banda no momento. Como não temos nenhum tipo de patrocínio ou empresário, tudo sai direto do meu bolso. Quero muito conseguir melhorar o acabamento dos discos vindouros da banda, mas aí precisamos de uma ajuda externa.

RtM: E sobre o título, “Limbo”? Conte-nos o porquê dele e a relação com a arte da capa (que, sem fazer trocadilhos, está animal!)

Mutle¥: Fiquei um tempo determinando qual seria o nome do disco. Pensei primeiro em Phoenix, pela semiótica que a ave mitológica carrega, de renascer das cinzas. Pensei também em Alive Again ou Back from the Dead, mas aí entraria em um problema. As pessoas poderiam achar que se trata de um disco ao vivo, e principalmente, achar que a banda em algum momento tivesse morrido. E eu não quero isso. Seria admitir a derrota. Acabou ficando LIMBO. Que é um espaço onde não existe espaço, tempo, reflete bem os anos de turbulência da banda e de minha vida pessoal. De início pensei em Back From Limbo ou Escape from Limbo, mas preferi ficar somente com LIMBO, mais curto e direto. E a capa, reflete bastante esse conceito. É tão impactante quanto o nome que o disco carrega.


RtM: “Last Great Hero” tem influências do Metal mais tradicional flertando com sonoridades mais atuais, além da levada mais cadenciada, enquanto que “Monochromatic” aposta mais na velocidade e “porradaria”, mas mesmo assim flerta com trechos mais melodiosos, principalmente na guitarra. Essa diversidade e fusão desses elementos é o que veremos daqui pra frente no trabalho da banda? Gostaria que você comentasse mais sobre essas faixas.

Mutle¥: Começar com Monochromatic, por que essa música era para estar ainda no First Blood, mas por conta de tempo e dinheiro, acabou ficando de fora. O que a longo prazo foi bom, por que a música ganhou uma reformulada total e ficou muito melhor do que ela era antes. Last Great Hero foi uma música já pensada para se encaixar no que eu queria para o LIMBO. Quanto às referências músicas, a banda é um caldeirão de influências, e o norte sempre foi fazer um som que fosse 100% nosso, que nenhuma outra banda consiga reproduzir. O foco é manter a pegada agressiva, forte, mas aliar isso com uma técnica que seja bem trabalhada, mas que não soe maçante. Isso sempre vai ser o foco principal da banda. Músicas originais, inesperadas, flertando com estilos diversos e principalmente muito experimentalismo, mas fiquem tranqüilos. Nada demasiadamente exagerado, que fuja daquilo que a banda se propôs a fazer.

RtM: A última faixa é uma versão acústica da “Middle Finger Blues”, cujo nome já entrega com que estilo a banda flerta na faixa. Mas eu gostaria de saber para quem vocês dedicariam hoje essa faixa e seu singelo título! Hehehe

Mutle¥: Na verdade a música é uma ode à todas as pessoas que te tiram do sério, que fazem da sua vida uma confusão, seja trabalho, ambiente familiar, é um grande foda-se, uma maneira de extravasar sentimentos ruins de uma forma sadia. Ou seja, há quem eu dedico, dedico às mesmas pessoas que vocês, dedico a música há quem vocês acham que mereça.


RtM: E falando um pouco mais da sonoridade da banda, que prioriza o peso e nuances mais modernas, mas dando espaço para elementos de Blues, Hard e Thrash, que influências ou inspirações você citaria que foram importantes para moldar a música do Animal House?

Mutle¥: Cada pessoa na banda tem seu próprio conjunto de influências. Eu cresci numa cidade no interior do Paraná, onde era muito difícil conseguir qualquer tipo de material de Rock e Metal. Sempre havia aquele amigo que tinha um primo que tinha um outro amigo que veio (quase sempre) de Curitiba que tinha vários discos, fita k7 (naquele tempo nem existiam cd´s). Era quase como um mercado negro. Parece meio bobo falando agora, e realmente é um pouco, mas era divertido, era quase uma aventura conseguir algo pra ouvir. Então a gente vivia trocando fitas k7, com várias músicas, de várias bandas, de vários estilos, por que tudo era novidade, tudo era legal, tudo era novo. Numa fita k7 eu tinha gravado músicas do Ramones, Sepultura, Alice In Chains, Black Sabbath, Slayer, Agnostic Front, Offspring, Led Zeppelin... era uma verdadeira suruba, mas ao mesmo era muito bom, por que isso moldou meu gosto musical independente de estilos.  E é claro isso se reflete nas composições da banda. Eu acho que isso hoje infelizmente se perdeu. Com a facilidade de encontrar músicas e bandas proporcionada principalmente com o advento da internet, o público se focou muito em rótulos e nomes de banda. Gente que só ouve Black Metal, ou Thrash Metal, ou Hardcore, ou não ouve nada desse ou daquele estilo. E isso é ruim.


Agora falando diretamente da Animal House, apesar de Black Sabbath ser minha influência maior, ter sido a banda que realmente me fez entrar de cabeça no Rock e Metal, ela tem pouco peso na música da Animal, se formos analisar. Em matéria de Animal House, acho que as 3 bandas que mais influenciaram diretamente em nível musical foram Pantera, Black Label Society e Chrome Division, mas essa última somente os 2 primeiros discos, por que para mim a banda acabou quando o vocalista Eddie Gus saiu.

RtM: E quais as temáticas que vocês mais curtem abordar nas letras? Eu vejo que o Metal ainda é um estilo que procura, na grande maioria, ter um cuidado especial no conceito lírico, passar realmente uma mensagem e opinião relevante.

Mutle¥: Me sinto obrigado a discordar de você nesse ponto, e mais uma vez vou levantar uma polêmica aqui (não consigo dar uma entrevista sem fazer uma declaração que gere discussão, juro que não faço de propósito, mas acho que algumas coisas não podem passar batidas). Recentemente, li um texto do Regis Tadeu em seu blog no Yahoo (já deixando claro que não sou fã do cara, não admiro, mas ao mesmo tempo não odeio, acho que como todo mundo que se expõe demais, ele fala muito coisa que discordo, mas também acerta em cheio em algumas coisas), onde ele criticava a falta de cultura que se apoderou da música moderna brasileira. Letras vazias de qualquer tipo de conteúdo, de rima, de poesia. Em seu texto, ele enfatizou pagode, funk e sertanejo, mas sinto que ele fez o erro de deixar o Rock de lado. O Rock, de uma maneira geral, independente de Rock, Metal, Hard, ou Grunge, sempre esteve cercado de composições excelentes, várias músicas profundas que nos levam à momentos de introspecção. Fora as baseadas em obras literárias, lendas, ou mesmo histórias originais, que dariam verdadeiras epopéias cinematográficas (e algumas até renderam, como The Wall do Pink Floyd e Tommy do The Who). Eu sinto que hoje isso está se perdendo. E as letras do Rock e Metal, não somente à nível nacional como também internacional estão ficando cada vez mais vazias e repetitivas. Músicas que flertam com abuso de álcool, drogas, violência, depreciando opções religiosas, enaltecendo sentimentos negativos, falando de demônios e essas outras merdas, e as insinuações sexuais, que passaram de flertes um pouco mais picantes para putaria desmedida.

Eu acho que a letra na música tem um papel muito importante. É a letra que vai estabelecer o diálogo com o ouvinte. A melodia agrada aos ouvidos, mas é a letra que realmente toca a pessoa, que meche com o sentimento, que traz um momento marcante na vida da pessoa, um referencial. A música é uma das poucas coisas que tem o poder de impactar uma pessoa dessa maneira e é lamentável ver isso ser desperdiçado com letras tão intencionalmente mal escritas.

Eu sempre tento estabelecer esse diálogo nas músicas da Animal House, com exceção de Ironhead, que é a única música até agora que digamos, que a letra não fala nada com nada, além de velhos clichês de Rock n’ Roll como trovão, fim dos dias (que vamos ser francos, é legal de vez em quando, mas não o tempo todo). Eu sempre tento estabelecer esse diálogo com o ouvinte através das letras que eu componho. Posso parecer presunçoso, mas me acho um compositor muito bom nesse sentido. Se não fico 100% satisfeito com a letra, não produzo a música.

Quando Bob Dylan começou, ele possuía apenas sua voz desafinada, uma gaita e um violão. E mesmo assim, ele foi a voz de uma geração. Tudo graças às suas composições marcantes. Claro que não tenho essa pretensão toda, apenas citei ele como exemplo, pois além de fã do cara, ele é o melhor exemplo prático do poder de uma letra bem escrita.

RtM: E quanto a repercussão de “Limbo”, vocês estão satisfeitos com o retorno recebido? Está dentro das expectativas?

Mutle¥: Eu comentei isso em outras entrevistas, quanto à recepção, nada a reclamar. Tem sido excelente. O disco não recebeu uma única crítica negativa. Quanto às vendas, confesso que ficaram bem abaixo do que eu esperava. Mais aí novamente esbarramos na questão de sermos totalmente independentes. Não temos alguém que possa custear uma produção e distribuição maior. Cada disco é gravado e enviado individualmente para cada fã da banda.

RtM: A banda gravou o álbum como um duo, vocês pensam em estabilizar uma formação com mais membros? Inclusive pensando em entrosamento maior para shows. E não é uma coisa fácil muitas vezes estabilizar uma formação, face as dificuldades que todos sabemos que as bandas passam, como falta de espaço, tempo pra conciliar com trabalhos regulares, etc..., aliás, como você também vê essas questões?

Mutle¥: O mais difícil é mesmo o comprometimento que cada pessoa tem com a banda. Eu quero muito isso pra minha vida, mas uma banda não é somente uma pessoa, e por vezes eu esbarrei na falta de profissionalismo e comprometimento de outros músicos, que encaram música apenas como hobbie, ou como algo secundário. Poucos tem coragem de se agarrar a isso como eu faço. Quanto ao duo, a banda já está com formação completa, e estamos ensaiando músicas novas. E shows também.


RtM: Quais os próximos passos e planos para levar o nome da banda à um público maior?

Mutle¥: Eu acho que o próximo grande passo agora é algum produtor com bom senso cair na real que a Animal House é uma grande banda com ótimo potencial e alavancar com a gente. Rock In Rio ta começando agora e não estamos no cast. Uma pena... o festival não vai ser tão bom quanto poderia agora, mas fazer o que né hehehehe

RtM: Valeu pela atenção pessoal, fica o espaço para sua mensagem aos leitores do Road!

Mutle¥: Em nome de toda a banda, agradeço ao espaço cedido para a entrevista, agradeço a todos que tiveram saco de ler até o fim (sempre me alongo demasiadamente nas respostas) e agradeço ao apoio que todos dão à banda. Um grande salve.

Entrevista por: Carlos Garcia
Revisão/edição: Renato Sanson

Links de acesso:

Twitter: @animal_house1



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Entrevista - Animal House: Superando Dificuldades em Nome do Som Pesado

A banda paranaense ANIMAL HOUSE foi formada em 2010 pelo vocalista Mutley Animal. Com a proposta de fazer um som que fugisse da mesmice e com influências de nomes como Black Label Society, Chrome Division, Motorhead, Pantera, entre outros, o grupo lançou seu primeiro trabalho, FIRST BLOOD, em 2012. Prestes a lançar um novo trabalho (intitulado LIMBO), o Road to Metal bateu um papo com a banda. Boa leitura!


Road to Metal: De onde surgiu a idéia pra formar a banda e quais as principais influências do grupo no seu início?

Mutle¥: A ideia de montar uma banda surgiu quando eu ainda morava em Maringá/PR. Eu estava descontente com a cena local, achava as bandas que ali figuravam fracas e repetitivas, isso sem contar a avalanche de bandas cover que se apresentavam em eventos picaretas. Queria fazer algo diferente daquilo que estava sendo feito, algo único. Muitas pessoas compareciam aos eventos pra ver essa ou aquela banda para tocar essa ou aquela música de uma outra banda maior. Eu não queria isso, eu queria que as pessoas fossem ver ANIMAL HOUSE pra ver a ANIMAL HOUSE, pra ver as músicas da ANIMAL HOUSE, e não ouvir a música de alguma outra banda.

A banda tinha membros diferentes, cada um com suas influências, eu puxava algo mais na linha Hard N’ Heavy, era e ainda sou muito fã de bandas como Mötley Crüe, Thin Lizzy, ZZ Top... Conforme o tempo foi passando, a banda acabou desenvolvendo sua musicalidade própria, justamente o que eu queria. Se for parar pra analisar, as bandas que mais me espelhei na época da gênese da ANIMAL HOUSE foram Pantera, Chrome Division (os 2 discos iniciais na verdade), Motörhead e Black Label Society. Mesmo os nossos trabalhos hoje, que estão bem mais puxados para uma linha Heavy Stoner e Southern, ainda carregam muita influência dessas quatro bandas.

RtM: Uma banda nova, principalmente se executa um Rock mais pesado, passa sempre por dificuldades. Desinteresse do público, músicos por vezes sem o foco necessário, etc... O grupo passou por estes problemas? Como seguir em frente com um cenário até certo ponto, desfavorável?

Mutle¥: Sim, e como passou. Eu mencionei em entrevistas anteriores que chegou um momento onde a ANIMAL HOUSE foi completamente boicotada dos eventos locais. Chegou ao absurdo de na véspera de um evento, o produtor desse evento me falar que nós estávamos fora do cast, por que a banda principal (uma banda da cidade que tem até uma certa representação no cenário nacional) disse que não queria que tocássemos nesse evento.

Outra situação bastante humilhante foi quando a ANIMAL HOUSE foi convidada para fazer a abertura de um show de Ozzy Osbourne cover, e a produtora do evento disse que tocaríamos de graça. Eu recusei. Disse que não iria prostituir meu trabalho, e que como havia músicos dessa formação naquela época que não residiam na cidade, seria necessário ao menos uma ajuda de custo. Além de que estávamos começando os preparativos do FISRT BLOOD, e estúdio não é barato. Perguntei ainda se caso oferecessem para que a banda dela (outra banda que também vem ganhando bastante expressão nacionalmente) tocasse de graça se ela aceitaria. Depois disso também a ANIMAL HOUSE nunca mais foi convidada para eventos locais.

A verdade é que esse tipo de coisa acontece muito, em todos os lugares. Muita gente fala em união e amizade dentro do Metal, mas isso é mesmo da boca pra fora. Existe muita inveja e intriga dentro da cena. Ao invés de as bandas se unirem para construir algo sólido, é como se estivessem competindo por alimento em tempos de escassez. Um querendo puxar o tapete do outro, um querendo prejudicar o outro. Se não me engano, é nos extras do DVD Alive II do Anthrax, há uma entrevista com a banda. E em um determinado momento, um dos músicos comenta sobre aquilo que chamaram de Mercedes Tour. Onde o Anthrax e pelo menos mais umas três bandas, se juntaram em quatro ou cinco carros, e saíram viajando de cidade em cidade procurando lugar pra tocar. Ninguém pensou em lucro, queria apenas pessoas para dividir as despesas.

Acho que falta esse tipo de união na cena. Lá fora, todo mundo se uniu para construir algo sólido, por isso que a cena lá é forte e se reinventa, aqui como eu disse, cada um por si. È triste, mas temos que aceitar a realidade de que vivemos em um país onde você prejudicar o outro em prol de benefício próprio é cultural e socialmente aceito.

Sobre seguir em frente, quando fundei a ANIMAL HOUSE eu decidi que a banda sempre seria maior e mais forte do que qualquer obstáculo que encontrasse. E está sendo. As coisas podem até não caminhar da forma como planejei, mas estamos na ativa, trabalhando, compondo e mostrando nosso som. Motivos pra desistir foi o sem dúvida o que não me faltaram. Mas ainda tenho muitas músicas novas pra escrever com a banda.

Leia nossa resenha AQUI.

RtM: “First Blood” foi lançado em 2012, e foi o cartão de visitas da banda.  Como foram as sessões de gravação?

Mutle¥: Caseiras. Literalmente. A saída dos integrantes originais além de bastante desagradável me deixou com um pepino na mão, entre elas, dívidas de estúdio. Mas com eu disse na pergunta anterior, ANIMAL HOUSE é e sempre será maior que seus percalços.

Consegui renegociar e quitar as dívidas pendentes. Consegui um produtor e sempre que precisávamos gravar, todos levavam os equipamentos em casa, plugávamos no PC e passamos literalmente dias focados. Todo mundo se empenhou muito. O problema foi o timing, eu estava de mudança para Santa Catarina na época, além de cursar duas pós-graduações ao mesmo tempo.

Então entre mudança, estudos, banda e procurar trabalho em outro estado da pra imaginar que ficou bem corrido. O produtor que contratei estava fechando com um dessas duplinha nojentas de sertanejo universitário na época e estava levando os compromisso com o FIRST BLOOD empurrando com a barriga. Na verdade, eu exigi que ele remixasse o disco pelo menos umas três vezes antes da versão final. Eu já comentei também em entrevistas anteriores que não fiquei 100% satisfeito com a qualidade do produto final, mas para a época, visto tudo que eu tinha que fazer, precisei deixar passar algumas coisas.

Mas eu fiquei sim muito orgulhoso com o trabalho, e devo muito aos músicos que estavam comigo na época, Arion e José Augusto. Apesar das falhas técnicas e de produção, quem escuta o disco consegue ver além disso, e perceber que se trata de um trabalho sério, um trabalho literalmente feito por amor à música. O título do disco reflete essas provações que a banda teve que passar. Eu pretendo futuramente regravar e relançar o FIRST BLOOD, dessa vez com a qualidade que tanto disco quanto público merecem.

RtM: O álbum mostra uma gama de influências de nomes como Black Label Society e Chrome Division. O que soa bem diferente é o vocal, bem mais agressivo que a maioria das bandas do estilo. Esse seria um dos diferenciais do Animal House?

Mutle¥: Bom, primeiro eu gostaria de agradecer pela pergunta, por que o vocal é justamente a parte que me toca. Eu queria que a ANIMAL HOUSE fosse uma banda com uma sonoridade única, singular. E isso passa obrigatoriamente por um vocal diferente, sem querer puxar a sardinha para o meu lado, e sem querer desmerecer nem diminuir a importância de todo o conjunto, a voz tem um papel vital na banda.

Um vocal ruim pode arruinar uma melodia boa, dá mesma forma que um vocal bem posicionado salva uma melodia medíocre, além de ser uma das maiores identidades sonoras do grupo. Tentei vários estilos, um vocal mais limpo, mais agudo na linha Power Metal, até algo mais gutural na linha Death Metal, mas desisti.

Não sei dizer ao certo onde se encaixa minha técnica vocal, nunca gostei de rótulos, mas acabei desenvolvendo algo que ficasse confortável pra mim. Pode parecer estranho, mas eu fico muito confortável com o tipo de vocal que eu imprimo à frente da banda. Minha professora de canto da época quase caiu pra trás, e muitas pessoas não acreditam que sou eu cantando nas músicas da ANIMAL.

Na verdade eu não gosto muito da minha própria voz, por que diabos alguém que não gosta da própria voz iria ser vocalista eu não sei, mas me sinto bem assim, sinto que consigo me expressar artisticamente, e o público gosta. Então deixemos como está que está funcionando bem.


RtM: O cover de “Ghost Riders in the Sky” (Johnny Cash) é um dos destaques do trabalho. Como essa música veio a figurar no álbum?

Mutle¥: Eu sempre fui muito fã de Johnny Cash. Mesmo a música original não sendo dele, foi sem dúvida O Homem De Preto que imortalizou a canção. Eu sou um grande fã de Southern Rock, e também de Country/Blue Grass norte americano, e acho que isso é bem perceptível, tanto para pessoas próximas à mim quanto para pessoas que acompanham os trabalho da banda, e eu queria mostrar esse lado da ANIMAL, pegar uma música de um grande nome do gênero, e dar à ela a cara da ANIMAL HOUSE.

Eu até pensei em outra música que poderia utilizar, mas sempre acabava voltando nesta. E foi a que ficou. Eu trabalhei nela sempre pensando: gostaria muito que Johnny Cash estivesse vivo para ouvir e dar a opinião sobre esse novo arranjo. Infelizmente isso não é possível. Essa música foi uma das últimas a ficar pronta, e foi feita às pressas, finalizada em um dia e gravada no outro, e ainda sim é uma das minhas preferidas, fiquei muito feliz e orgulhoso com o resultado final.

RtM: O grupo já se encontra em estúdio gravando o próximo trabalho. O que podemos esperar?

Mutle¥: Podem esperar um disco mais curto, mas ainda mais técnico e agressivo que nosso debut. LIMBO possui apenas quatro músicas, mas são todas músicas muito bem trabalhadas tecnicamente, e com uma produção melhor. Eu consegui participar mais ativamente do processo dessa vez, e a diferença é enorme.

Eu pretendia lançar o disco na primeira metade desse ano, mas não foi possível, levei quase dois anos para fazer às pazes com minha conta bancária depois do FIRST BLOOD, e não queria passar por isso de novo. Por isso fui obrigado a suspender o projeto por um tempo, mas estava decidido à lançar esse ano.

E na verdade já estaria disponível se a gráfica não tivesse feito besteira na hora de prensar as capas. Mas eu garanto que vai valer a espera. Já lançamos uma música desse novo disco para audição gratuita em nossas páginas no soundcloud, reverbtnation e facebook. Como dessa vez o disco será lançado exclusivamente em mídia física, diferente do anterior, MONOCHROMATIC será a única faixa do disco disponível para audição.


RtM: Agradeço a disponibilidade e deixo aqui o espaço a sua disposição. Grande abraço!


Mutle¥: Gostaria de deixar um grande salve a todos que tiveram saco de ler até aqui, a todos os fãs da banda, que sempre me apoiaram e sempre me cobram material novo. Isso me estimula muito e mostra que estou no caminho certo. Gostaria de agradecer o espaço para essa entrevista, a galera do Road sempre esteve ao lado da ANIMAL HOUSE, desde o primeiro disco, e tem muita coisa boa ainda por vir. Forte abraço à todos.


Entrevista por: Sergiomar Menezes
Imagens: Divulgação
Edição/revisão: Renato Sanson


Conheça mais a banda:






Twitter - @animal_house1


Baixe o disco "First Blood": http://bit.ly/XNQ7sw


Assessoria de imprensa: www.heavyandhellpress.blogspot.com.br


sábado, 9 de março de 2013

Animal House: Não Se Prende a Rótulos



A banda paranaense Animal House lançou ano passado seu 1° álbum, o diversificado "First Blood". Não se prendendo a estilos, temos um bom álbum de Heavy/Rock, que passa pelo Hard, Prog, Shouthern Rock e por aí vai.

Riffs potentes, vocal marcante e cozinha pulsante, fazem de "First Blood" uma ótima pedida. Uma pena o álbum não ter tido uma melhor produção (infelizmente no Brasil é assim: valor alto = produtor profissional/valor alto = produtor pilantra), porém nada que comprometa o trabalho em si, pois as composições são muito boas e mesmo com alguns problemas técnicos consegue convencer e mostrar o quanto a banda tem qualidade.

Após a intro "Call of the Storm" temos a excelente "Burning" que tem um trabalho de bateria fantástico, sem contar os riffs pesados e certeiros. "Skull King" vem mais cadenciada, mas não menos agressiva, com uma boa variação rítmica.


"Devil Lady" com certeza é um dos destaques do álbum, com uma pegada mais Hard e melodiosa, com arranjos simples porem eficientes. Há tempo de mencionar a versão de "Ghost Riders (in the Sky)" de Johnny Cash, que ficou muito boa e que mesmo mantendo a originalidade da composição teve algumas mudanças que se encaixou mais na proposta da banda.

O Animal House lança um bom álbum, que só não pode ser considerado melhor devido a sua produção não ter ficado a altura de sua música. 

Para quem quiser conhecer o som do grupo a banda disponibilizou para download gratuito o trabalho, onde pode ser baixado aqui.


Texto e edição: Renato Sanson
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação 

Ficha Técnica
Banda: Animal House
Álbum: First Blood
Ano: 2012 
Pais: Brasil 
Tipo: Heavy/Rock/Shouthern Rock

Formação
Mutley Animal (Vocal) 
Arion Diniz (Guitarra)
Eric Noguchi (Baixo)
Nuno Martinez (Bateria)




Tracklist
01. Call of the Storm
02. Burning
03. Skull King
04. Booze, Broads and Brawl
05. Middle Fingers Blues
06. Devil Lady
07. God of War
08. Ironhead
09. Ghost Riders (in the Sky) (cover Johnny Cash)

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