Mostrando postagens com marcador Behemoth. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Behemoth. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Behemoth: Uma Viagem Pelas Raízes da Besta (Also In English)

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Confesso que gosto quando uma banda consegue olhar para o próprio passado sem ficar presa a ele. Foi exatamente essa sensação que tive ouvindo I, Scvlptor, novo trabalho do Behemoth, lançado em 4 de setembro de 2026.

Com oito faixas e pouco menos de 38 minutos, o disco tem uma proposta diferente de um álbum tradicional. Ele mistura músicas novas, releituras de antigas composições e covers e, talvez por isso, tenha para mim um pouco de “cara de EP”. É um trabalho mais direto, sem aquela obrigação de ser “o próximo grande álbum” da banda.

Para quem ainda não conhece o Behemoth, a banda foi formada em Gdańsk, na Polônia, em 1991, por Nergal, começando sua trajetória dentro do Black Metal. Com o passar dos anos, incorporou cada vez mais elementos do Death Metal até chegar à sonoridade pesada e grandiosa que conhecemos hoje. Atualmente, Nergal assume os vocais e guitarras, ao lado de Seth nas guitarras, Orion no baixo e Inferno na bateria.

E talvez I, Scvlptor seja justamente uma oportunidade de olhar para toda essa história de uma vez.


Esculpindo o próprio caminho

O título já dá uma pista importante sobre o conceito do disco. Scvlptor é uma forma estilizada de escrever “Sculptor”, ou “escultor”. A troca do “U” pelo “V” remete visualmente às antigas inscrições em latim, criando aquele aspecto arcaico e sombrio tão ligado ao universo do Black Metal.

Segundo Nergal, o conceito gira em torno da autoescultura: moldar a si mesmo, enfrentar a morte, quebrar limites e continuar evoluindo. O martelo e a pedra aparecem como metáforas desse processo de transformação pessoal.

E foi aí que minha interpretação foi um pouco além.

Para mim, I, Scvlptor também funciona como uma espécie de auto-homenagem. Não apenas ao Behemoth, mas aos próprios “escultores” que ajudaram a construir o Black Metal e que, de alguma maneira, também ajudaram a moldar a banda.

É como se Nergal estivesse olhando para a pedra que vem esculpindo há mais de três décadas e reconhecendo quem começou a dar forma a ela muito antes.


A velha besta com novas ferramentas

Musicalmente, não espere uma grande reinvenção do Behemoth. E acho que nem era essa a proposta.

Nergal continua explorando diferentes formas de vocais extremos, alternando entre guturais profundos, vocais rasgados e ataques mais secos. O interessante é que essas técnicas acompanham a interpretação e ajudam a construir a atmosfera de cada música.

Nas guitarras, Nergal e Seth fazem uma ponte interessante entre o Black Metal dos primeiros anos e o som atual do Behemoth. Riffs mais crus e sombrios convivem com melodias épicas e uma produção muito mais pesada e definida.

Inferno continua sendo um monstro na bateria. Os blast beats estão lá, rápidos e precisos, mas ele também trabalha muito bem as mudanças de ritmo e dinâmica. Orion completa essa base com um baixo que dá bastante corpo ao som.

A produção segue moderna e pesada. Jens Bogren ficou responsável pela mixagem e masterização, enquanto Bartłomiej Rogalewicz cuidou da arte e do design. O resultado é interessante porque as músicas antigas ganham uma cara atual sem perder totalmente aquilo que fazia delas músicas de outra época.


I, Scvlptor*

A faixa-título é um ótimo começo. “I, Scvlptor” traz um Black Metal épico, sombrio e cheio de atmosfera. As guitarras criam uma sensação quase monumental, enquanto Inferno mantém tudo em movimento.

Mas o que mais me chamou atenção foi a interpretação de Nergal. Os vocais não estão ali apenas para deixar a música mais pesada; eles ajudam a contar a história e dão à faixa uma sensação quase ritualística.

O conceito do escultor aparece muito bem aqui. A música parece estar sendo construída aos poucos, como se cada riff fosse mais uma camada retirada ou acrescentada à pedra.

Rise of the Blackstorm of Evil

Aqui começa uma viagem ainda maior pelo passado.

“Rise of the Blackstorm of Evil” foi originalmente lançada em 1992, durante a fase mais clássica de Black Metal do Behemoth, na demo The Return of the Northern Moon. A versão de 2026 mantém a essência da composição, mas recebe nova produção, arranjos e a experiência de uma banda que percorreu um caminho enorme desde então.

A atmosfera continua sombria e agressiva, mas a interpretação de Nergal traz uma maturidade diferente. É quase como ouvir dois Behemoths conversando: o jovem, ainda descobrindo seu caminho, e o gigante que ele se tornou.

Begotten

“Begotten” foi uma surpresa muito boa para mim.

A música foi composta durante as sessões de The Shit Ov God, mas acabou ficando de fora daquele álbum. Agora ganha espaço em I, Scvlptor e, talvez, tenha encontrado seu lugar certo.

Ela tem uma atmosfera diferente, com alguns elementos que fogem do que esperamos do Behemoth, mas sem perder sua identidade. A produção está excelente e deixa esses detalhes muito mais claros.

É aquela música que poderia ter continuado esquecida em algum arquivo, mas ganhou uma segunda chance — e funcionou muito bem.

In Thy Pandemaeternum

Essa faixa tem um peso histórico enorme dentro da carreira do Behemoth.

“In Thy Pandemaeternum” apareceu originalmente em Pandemonic Incantations, de 1998, um álbum fundamental para entender a transformação da banda. Foi nesse período que o Behemoth começou a deixar para trás o Black Metal mais tradicional e caminhar cada vez mais para o Death Metal, chegando posteriormente ao Blackened Death Metal que se tornou sua marca.

Ouvir as versões de 1998 e 2026 é perceber claramente essa diferença. A composição continua reconhecível, mas agora temos uma produção muito mais limpa, pesada e moderna.

Colocar “In Thy Pandemaeternum” no mesmo disco de “Rise of the Blackstorm of Evil” foi uma escolha certeira. Juntas, elas praticamente contam uma parte da evolução do Behemoth.

In League With Satan

E chegamos a uma das homenagens mais claras às raízes do Black Metal.

“In League With Satan”, do Venom, lançada em 1981, está entre as gravações que ajudaram a estabelecer o som e a estética do que viria a ser chamado de Black Metal. O Venom é considerado uma das bandas fundamentais da primeira onda do gênero.

E aqui temos uma participação especial que deixa tudo ainda mais interessante: Shagrath, vocalista do Dimmu Borgir, divide os vocais com Nergal.

A presença de Shagrath cria uma ligação muito legal entre diferentes gerações e estilos do Black Metal. A versão do Behemoth também ganha mais peso que a original, inclusive com guitarras de sete cordas, mas sem perder sua essência simples, suja e provocadora.

É como pegar uma peça clássica e colocar uma armadura.

The Return of Darkness and Evil

Se Venom representa uma das grandes raízes do Black Metal, Bathory é outro nome impossível de ignorar.

“The Return of Darkness and Evil” aparece em uma versão ao vivo e conta com a participação de Sakis Tolis, vocalista e guitarrista do Rotting Christ.

Bathory foi uma das bandas pioneiras da primeira onda do Black Metal e teve enorme influência sobre tudo que veio depois. A música original tem aquela sonoridade crua e agressiva que marcou o início do gênero.

Na versão do Behemoth, ela ganha uma dimensão muito maior. As guitarras estão mais pesadas, a bateria de Inferno dá ainda mais velocidade e a presença de Sakis deixa tudo ainda mais especial.

Por ser uma gravação ao vivo, existe também uma energia diferente. Não é apenas uma homenagem: dá para imaginar essa música funcionando diante de uma plateia.

Um álbum com alma de EP

Se eu tivesse que comparar I, Scvlptor com The Shit Ov God, diria que o novo trabalho parece menos preocupado em fazer uma grande declaração e muito mais interessado em celebrar a própria trajetória.

The Shit Ov God tinha uma proposta mais fechada e uniforme. I, Scvlptor segue outro caminho, misturando músicas novas, material resgatado, releituras e covers. Mesmo assim, tudo parece fazer parte da mesma ideia: revisitar as raízes do Behemoth e do Black Metal sem simplesmente repetir o passado.

E talvez seja justamente isso que deixe a experiência mais leve.

É um álbum, mas tem aquela sensação boa de EP. Você dá o play e, quando percebe, acabou. Não existe excesso e nenhuma faixa parece estar ali apenas para completar o disco.

O Behemoth revisita o passado, mas não fica preso a ele. Venom, Bathory e as primeiras fases da própria banda aparecem como referências importantes, mas passam pelo olhar de uma banda que evoluiu muito desde aqueles primeiros anos. As músicas antigas ganham peso, definição e uma produção moderna, enquanto as novas conversam naturalmente com esse material.

É como voltar para um lugar conhecido depois de muitos anos e enxergá-lo de outra maneira.

No fim, I, Scvlptor não é apenas uma coleção de músicas antigas revisitadas ou uma homenagem aos nomes que vieram antes. Para mim, ele representa o próprio ato de esculpir: pegar aquilo que já existe, preservar algumas partes, quebrar outras e transformar tudo em algo novo.

O Behemoth olha para a pedra que ajudou a construir seu caminho, reconhece os escultores que vieram antes e, usando as ferramentas que possui hoje, dá uma nova forma a essa história.

E talvez seja essa a beleza do disco: olhar para trás sem voltar para o mesmo lugar.


***ENGLISH VERSION***

I have to admit, I like it when a band can look back at its own past without getting stuck there. That’s exactly how I felt listening to I, Scvlptor, Behemoth’s new release, out on September 4, 2026.

With eight tracks and just under 38 minutes, the album takes a slightly different approach from a traditional full-length. It mixes new songs, reworked older material, and covers, and maybe that’s why it feels a little like an EP to me. It’s a more direct record, without the pressure of having to be “the band’s next big album.”

And I think that works in its favor.

For anyone who still doesn’t know Behemoth, the band was formed in Gdańsk, Poland, in 1991 by Nergal, starting out firmly rooted in Black Metal. Over the years, they gradually brought in more and more Death Metal influences, eventually developing the heavy and massive sound they are known for today. The current lineup features Nergal on vocals and guitars, Seth on guitars, Orion on bass, and Inferno on drums.

And perhaps I, Scvlptor is exactly the kind of record that gives us a chance to look at that entire journey at once.


Sculpting Their Own Path

The title itself gives us an important clue about the album’s concept. Scvlptor is a stylized version of “Sculptor.” Replacing the “U” with a “V” visually recalls ancient Latin inscriptions, giving the title that archaic and dark look so closely associated with the Black Metal world.

According to Nergal, the concept revolves around self-sculpting: shaping yourself, facing death, breaking through limitations, and continuing to evolve. The hammer and the stone work as metaphors for this process of personal transformation.

And that’s where my own interpretation goes a little further.

To me, I, Scvlptor also works as a kind of self-tribute. Not only to Behemoth, but to the “sculptors” who helped shape Black Metal and, in their own way, helped shape the band itself.

It feels as if Nergal is looking at the stone he has been carving for more than three decades and acknowledging those who started giving it shape long before him.


The Old Beast With New Tools

Musically, don’t expect a major reinvention of Behemoth. And honestly, I don’t think that was the point.

Nergal continues to explore different extreme vocal styles, moving between deep growls, harsher screams, and sharper attacks. What I find interesting is that these techniques follow the mood of each song and help build its atmosphere.

On guitars, Nergal and Seth create an interesting bridge between the band’s early Black Metal years and Behemoth’s current sound. Rawer, darker riffs sit alongside epic melodies and a much heavier, more defined production.

Inferno remains a monster behind the drums. The blast beats are there, fast and precise, but he also makes great use of changes in rhythm and dynamics. Orion completes the foundation with a bass sound that gives the songs plenty of weight.

The production follows Behemoth’s modern approach, with plenty of clarity and heaviness. Jens Bogren handled the mixing and mastering, while Bartłomiej Rogalewicz took care of the artwork and design. The result is interesting because the older songs gain a modern edge without completely losing what made them sound like products of their own era.


I, Scvlptor

The title track is a great way to start.

“I, Scvlptor” delivers epic, dark, atmospheric Black Metal. The guitars create an almost monumental feeling, while Inferno keeps everything moving.

But what stood out most to me was Nergal’s performance. His vocals aren’t there simply to make the song heavier; they help tell the story and give the track an almost ritualistic feeling.

The sculptor concept also comes through very clearly. The song feels like it is being built piece by piece, as if every riff were another layer being removed from or added to the stone.

Rise of the Blackstorm of Evil

Here we take an even deeper trip into the past.

“Rise of the Blackstorm of Evil” was originally released in 1992, during Behemoth’s classic Black Metal era, on the The Return of the Northern Moon demo. The 2026 version keeps the essence of the original composition, but brings new production, arrangements, and the experience of a band that has traveled an enormous distance since then.

The atmosphere is still dark and aggressive, but Nergal’s performance carries a different kind of maturity. It’s almost like hearing two versions of Behemoth having a conversation: the young band still finding its way, and the giant it eventually became.

Begotten

“Begotten” was a very pleasant surprise for me.

The song was written during the sessions for The Shit Ov God, but ultimately didn’t make it onto that album. Now it finally finds a home on I, Scvlptor — and perhaps this is where it was always meant to be.

It has a different atmosphere, with some elements that step slightly outside what we normally expect from Behemoth, but without losing the band’s identity. The production is excellent and makes those details much easier to appreciate.

It’s the kind of song that could have remained forgotten somewhere in an archive, but instead got a second chance — and it works really well here.

In Thy Pandemaeternum

This track carries huge historical weight within Behemoth’s career.

“In Thy Pandemaeternum” originally appeared on Pandemonic Incantations in 1998, an essential album for understanding the band’s transformation. This was the period when Behemoth began moving away from more traditional Black Metal and increasingly toward Death Metal, eventually developing the Blackened Death Metal sound that became their trademark.

Listening to the 1998 and 2026 versions makes that difference very clear. The composition remains recognizable, but now it has a much cleaner, heavier, and more modern production.

Putting “In Thy Pandemaeternum” on the same record as “Rise of the Blackstorm of Evil” was a great choice. Together, they tell an important part of Behemoth’s evolution.

In League With Satan

And here we get one of the clearest tributes to the roots of Black Metal.

“In League With Satan” by Venom, released in 1981, is among the recordings that helped establish the sound and aesthetics that would become associated with Black Metal. Venom are considered one of the key bands of the genre’s first wave.

And there’s a special guest here who makes things even more interesting: Shagrath, vocalist of Dimmu Borgir, shares vocal duties with Nergal.

Shagrath’s presence creates a really cool connection between different generations and styles within Black Metal. Behemoth’s version is also heavier than the original, including the use of seven-string guitars, but without losing its essence.

It’s like taking a classic piece and putting it in armor.

The Return of Darkness and Evil

If Venom represents one of the great roots of Black Metal, Bathory is another name that simply cannot be ignored.

“The Return of Darkness and Evil” appears here as a live version featuring Sakis Tolis, vocalist and guitarist of Rotting Christ.

Bathory were one of the pioneers of the first wave of Black Metal and had an enormous influence on everything that came after. The original song has that raw and aggressive sound that defined the early days of the genre.

In Behemoth’s version, it takes on a much bigger dimension. The guitars are heavier, Inferno’s drumming adds even more speed, and Sakis’ presence makes the whole thing feel even more special.

And because it’s a live recording, there’s a different kind of energy here. It isn’t just a tribute — you can actually imagine the song hitting a crowd.

An Album With an EP Soul

If I had to compare I, Scvlptor with The Shit Ov God, I’d say the new record seems less interested in making a grand statement and much more interested in celebrating Behemoth’s own journey.

The Shit Ov God had a more focused and uniform approach. I, Scvlptor takes a different route, mixing new songs, recovered material, reworked tracks, and covers. Even so, everything seems connected by the same idea: revisiting Behemoth’s roots and the roots of Black Metal without simply repeating the past.

And maybe that’s exactly what makes the experience feel lighter.

It’s an album, but it has that good EP feeling. You press play and, before you know it, it’s over. There’s no sense of excess, and none of the tracks feel like they’re there just to fill out the record.

Behemoth revisits the past, but doesn’t get trapped in it. Venom, Bathory, and the band’s own early years are important references, but they are filtered through the perspective of a band that has evolved enormously since those days. The older songs gain weight, clarity, and modern production, while the newer material naturally fits alongside them.

It’s like returning to a familiar place after many years and seeing it differently.

In the end, I, Scvlptor isn’t simply a collection of old songs revisited or a tribute to the names that came before. To me, it represents the very act of sculpting: taking what already exists, preserving some parts, breaking others, and turning everything into something new.

Behemoth looks at the stone that helped build its path, acknowledges the sculptors who came before, and uses the tools it has today to give that history a new shape.

And maybe that’s the beauty of the record: looking back without ever returning to the same place.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Behemoth: Entre a Revolta e a Reinvenção

Por Pedro Delgado (Rato de Show)

O mês de maio deste ano foi marcado por diversos lançamentos aguardados no mundo do metal, entre Ghost Bath, Rivers of Nihil, …And Oceans, The Callous Daoboys, Bury Tomorrow, dentre outros. Mas talvez nenhum tenha sido tão aguardado dentro do veio do metal extremo quanto The Shit Ov God, simbólico 13º álbum de estúdio dos pecaminosos do Behemoth.

Mestres do blackened death metal, os poloneses vêm há mais de três décadas causando todo tipo de incômodo e polêmica, seja entre a comunidade cristã e as pessoas em geral, seja dentro da própria comunidade do metal, entre críticos, haters e uma legião de fãs que acompanha fielmente o incansável trabalho liderado por Adam “Nergal” Darski e sua trupe: Orion (baixo), Inferno (bateria) e Seth (guitarra) nas apresentações ao vivo.

Sobre “ao vivo”, vale lembrar que a banda chega a São Paulo neste próximo dia 28 de setembro trazendo a turnê The Unholy Trinity, junto aos mestres do death metal, o Deicide, e o projeto solo do polonês, Nidhogg. A passagem ocorre no Terra SP, e os ingressos podem ser adquiridos clicando aqui.

O sucessor de Opvs Cvntra Naturem (2022) veio com um desafio estético, uma vez que a banda é possivelmente a que mais consegue aplicar um senso comercial à sua identidade visual, tornando cada trabalho do Behemoth algo perturbadoramente belo e apelativo. No entanto, para muitos olhos (e ouvidos), havia uma expectativa sonora, vindo de um álbum que dividiu opiniões e que, para muitos, não trouxe nada de impactante em contrapartida a um acervo passado de renome.

Um mal que, invariavelmente, as grandes bandas acabam por sofrer ao longo de sua carreira, recorrentemente sendo aprisionadas em suas próprias obras de outrora, especialmente quando estas são consideradas o magnus opus, como é o caso, por exemplo, de The Satanist (2014). Neste ponto, The Shit Ov God já chegou enfrentando, num primeiro olhar, as críticas ao seu conceito, que, sendo o bom e velho antagonismo aos dogmas cristãos, parecia vir na forma de uma revolta juvenil pela maneira com que o título se encarrega.

Escolhas artísticas à parte, vale o destaque para a arte da capa que logo de cara surpreende (em não surpreender) pela mistura entre uma crueza e uma beleza que, até mesmo através de sua tipografia, consegue tornar harmônico um nome tão desarmônico. A segunda surpresa ao olhar para a obra se dá em sua duração: oito músicas que mal totalizam 40 minutos, algo que imediatamente faz pensar sobre os direcionamentos e sentidos sonoros que serão tocados a cada faixa.

Iniciando com The Shadow Elite, a primeira impressão é de algo afiado, agressivo e direto, quintessencialmente Behemoth, com aquele refrão chiclete que é praticamente possível visualizar um ensandecido público berrando a todo pulmão: “We are the shadow elite / Nós somos a elite das sombras”.

Aqui, vale o destaque para o trabalho de bateria de Inferno, trazendo todo o peso e ritmo com um toque etéreo e dissonante puxado pelas guitarras. Um começo forte, um começo marcante e um já conhecido, uma vez que a faixa representa um dos três singles lançados previamente. Na sequência, Sowing Salt é revelada, dando um leve gosto de que talvez a banda tenha algumas surpresas prontas: um som mais visceral, com guitarras rápidas dando agilidade e dinamismo, despontando ainda em gritos infernais de Nergal junto a um belo solo. Menos comercial, especialmente quando comparada à anterior e às duas seguintes: The Shit Ov God e Lvciferaeon.

Para quem dificilmente não teve um primeiro contato com The Shit Ov God antes do lançamento do álbum, seus primeiros segundos podem soar perturbadoramente hipnotizantes. Isso porque, diferentemente das duas primeiras músicas, os primeiros 8 segundos, contendo apenas a voz de Nergal em plena agoniante fúria, constroem perfeitamente toda a tensão do grande autointitulado que certamente é o hino do disco. Curiosamente, a música mais acessível, simplesmente tudo nela parece grudar: do refrão aos riffs e batidas, é aquela música feita para você se pegar cantarolando aleatoriamente, sendo também a soma do que os críticos mais ferrenhos da banda exatamente expressam seu incômodo sobre.

Neste mesmo eixo, Lvciferaeon, terceiro e último single lançado, acaba por desempenhar um papel levemente semelhante, talvez uma mescla entre os outros dois singles. Você tem novamente essa fórmula chiclete e da tensão, somadas a uma agressividade e melodia em um crescente solo. Com isso, tão rápido chegamos à metade do álbum e à sensação de um trabalho que parece repetir as fórmulas daquilo que dá certo e que vem dando destaque e alcance para o Behemoth a nível global, mas que justamente parece ser o que deixa um fã mais exigente insatisfeito. Mas é precisamente em seu lado B que o álbum realmente se revela e onde as coisas começam a ficar verdadeiramente interessantes.

Novamente deixando sua marca, as batidas frenéticas de Inferno, somadas à dissonância das guitarras de Seth e Nergal, trazem To Drown the Sun in Wine. A música é puramente uma pauleira do começo ao fim, com pouco espaço para respiro, e, nestes poucos momentos, ainda somos levados a toda uma tensão construída, que finaliza em um coro abafado pela voz agonizante de Androniki Skoula, mezzo-soprano no que parece ser o início de uma colaboração que não surpreenderia se ocorresse novamente.

Nomen Barbarvm, sexta faixa, chega então de forma rústica e cavernosa, com direito a coros em hebraico e uma música cheia de melodia, com um eu-lírico poético, contestador e dual. Destaque também para as linhas graves de baixo de Orion e talvez o solo mais marcante do álbum, refletindo o quanto neste segmento o Behemoth parece fazer um aceno ao passado, brincando e adicionando camadas e texturas para além daquilo que sabe dar certo.

Elementos estes que persistem em O Venvs, Come!, música que já inicia em uma doce e metalizada melodia, sendo também a maior do álbum. Mais contida, cadenciada, porém crescendo com o tempo, um som quase ritualístico que a cada estrofe ganha espaço, com elementos de corais que certamente fazem desta a música mais maquiavelicamente “tranquila”, porém longe de ser menos impactante.

E tão rapidamente chegamos a Avgvr (The Dread Vvltvre), faixa de encerramento, música mais recente até a data desta resenha a ganhar seu videoclipe e também a música com mais “v”’s em seu título. Fantasmagórica e atmosférica, parece trazer diferentes elementos de outras faixas, fazendo de si quase que uma ópera infernal. Destaque mais uma vez para a participação de Androniki, que, em sua sutileza, eleva a música, assim como as linhas de baixo. Temos várias camadas ao longo da faixa, que aos poucos se silenciam até restarem as vozes agonizantes junto a acordes limpos, quebrados pelo derradeiro momento da última crescente que finaliza o álbum ao som de um violão que, junto ao fade out e à chegada de seu silêncio, parece colocar a obra em perspectiva e convidar o ouvinte à reflexão.

Um álbum que certamente tem seu lado comercial, mas que ao mesmo tempo parece buscar fazer um aceno a uma era passada. O Behemoth mostra que ainda há algumas cartas em sua manga e que é possível, sim, explorar e revisitar elementos, deixando o indagamento sobre qual poderia ser o caminho a seguir. Sim, o álbum não é um The Satanist, mas certamente se mostra marcante, de uma banda que continua a pregar seu evangelho macabro e a tentar assumir a difícil missão de se reinventar e soar fresca dentro de uma temática explorada há mais de três décadas. Dificilmente a parte que mais salta aos olhos deverá ser vista em palco, mas com certeza será uma ótima adição aos próximos setlists.

E, aproveitando, é válida a lembrança novamente de que o Behemoth desembarca no Brasil ainda neste mês de setembro com sua turnê The Unholy Trinity, junto aos convidados Deicide (EUA) e Nidhogg (POL), preparando-se para trazer toda a fúria aos palcos brasileiros, que concentram uma grande legião de fãs por todo o país, em promoção ao seu novo álbum, The Shit Ov God.

Confira abaixo mais informações sobre as datas e locais.


SERVIÇO – BEHEMOTH

Behemoth/Deicide/Nidhogg em Curitiba/PR

Data: 19/09/2025 (sexta-feira)

Abertura da casa: 18h00

Local: Tork ‘n Roll – Av. Mal. Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças, Curitiba

Ingressos: https://fastix.com.br/events/behemoth-e-deicide-curitiba


Behemoth/Deicide/Nidhogg em Brasília/DF

Data: 21/09/2025 (domingo)

Abertura da casa: 18h

Local: Toinha Brasil Show – SOF Sul Q.09 Conj. A Lote 05/08, 71215-246 Guará, Brasília-DF

Ingressos: https://fastix.com.br/events/behemoth-e-deicide-brasilia


Behemoth/Deicide/Nidhogg em Belo Horizonte/MG

Data: 23/09/2025 (terça-feira)

Abertura da casa: 18h

Local: Mister Rock – Av. Tereza Cristina, 295 – Prado, Belo Horizonte – MG

Ingressos: https://fastix.com.br/events/behemoth-e-deicide-belo-horizonte


Behemoth/Deicide/Nidhogg no Rio de Janeiro/RJ

Data: 26/09/2025 (sexta-feira)

Abertura da casa: 18h

Local: Sacadura 154 – R. Sacadura Cabral, 154 – Rio de Janeiro – RJ

Ingressos: https://fastix.com.br/events/behemoth-e-deicide-rio-de-janeiro


Behemoth/Deicide/Nidhogg em São Paulo/SP

Data: 28/09/2025 (domingo)

Abertura da casa: 18h

Local: Terra SP – Av. Salim Antônio Curiati, 160 – São Paulo

Ingressos: https://fastix.com.br/events/behemoth-e-deicide-sao-paulo

domingo, 16 de novembro de 2014

Behemoth Em Novo Hamburgo - O Show do Ano no RS


No dia 06/11, o Teatro FEEVALE, em Novo Hamburgo, no Vale dos Sinos, foi palco do show do ano aqui no Rio Grande do Sul. Um dos maiores nomes do Metal Extremo atual, o BEHEMOTH, trouxe a turnê THE SATANIST ao Brasil e o pontapé inicial, se deu na capital nacional do calçado.


Mas uma dúvida ainda pairava no ar, afinal, o local escolhido para o evento é um dos melhores Teatros do país. E convenhamos, shows de Metal, ainda mais, de uma vertente mais brutal e extrema, são raros e, por aqui, ainda não havia acontecido. Como seria assistir a um show dessa vertente do Metal, em cadeiras confortáveis? A resposta viria logo em seguida.


Logo na chegada, a recepção, informações e acomodações se mostraram excelentes. Isso mostra que independente do público, o respeito e educação devem prevalecer. Ponto mais que positivo para a organização do evento.


Exatamente no horário marcado (mais um ponto positivo a se ressaltar), a DYING BREED sobe ao palco para executar aquele Death Metal old school, influenciado por nomes como Morbid Angel, Entombed, Cannibal Corpse, etc. Foramada por Leonardo Schneider (vocal), Ariel Boesing e Felipe Nienow (guitarras), Fabrício Bertolozi (baixo) e Diego Pereira (bateria), a banda trouxe toda garra e violência inerentes ao estilo, aliando o peso das guitarras ao vocal gutural e, mostrando que apesar de relativamente “nova”, a experiência dos músicos faz a diferença. Um set brutal, que foi bem mais do que um aquecimento para a atração principal. Prova que, em se tratando de Metal Extremo, estamos mais do que bem representados!


Setlist – DYING BREED:

SENTENCE TO DEATH;
KILL THE BETRAYER;
AN EYE FOR AN EYE;
PSYCHOTIC;
CORPORAL RITES;
CAST IN STONE;
BATALLION OF HELL


Após um pequeno intervalo, sobem ao palco Márcio Makbo (produtor) e Renato Gimli Sanson (Assessor de Imprensa) para agradecer a presença do público e chamar ao palco a grande atração da noite. Foi então que, os cerca de 800 headbangers presenciaram a volta, dez anos após a primeira passagem pelas terras gaúchas, de uma das maiores bandas da cena atual.


Cercado por polêmicas, o BEHEMOTH estava de volta! Enquanto Inferno se posicionava atrás de seu kit de bateria, Seth (guitarra) e Orion (baixo) ficaram um em cada lado, esperando pela entrada do líder e mentor do grupo. Nergal (vocal e guitarra) entra no palco empunhando duas tochas e de costas para o público.


Abrindo com Blow Your Trumpets Gabriel, o grupo levou o público ao delírio. Som, iluminação e clima perfeitos! Além de músicos de extrema qualidade, a banda conta com uma performance que tem muito traços teatrais, muito bem ensaiados e encaixados em cada faixa apresentada. Nergal, com toda a certeza, é um destaque a parte. Por mais que o restante do grupo seja acima da média e, que tenha uma movimentação de palco bastante dinâmica, o vocalista tem uma presença de palco fantástica, por vezes hipnótica.


 Abusando da brutalidade e também de uma técnica apurada, o grupo dá seqüência ao show com Ora Pro Nobis Lucifer, muito bem recebida pelo público, que, diga-se, de passagem, estava em total sintonia com a banda. Conquer All, Decade of Therion, As Above So Below e Slaves Shall Serve deram seqüência ao massacre sonoro e precederam um dos grandes clássicos do grupo: Christian To The Lions, um dos principais pontos do show, é a intensidade com que a banda executa suas músicas.


Um perfeito entrosamento, as variações de posicionamento dos músicos, a técnica estupenda do baterista Inferno, também devem ser ressaltados. Orion também merece destaque. Mas a presença de Seth se mostra fundamental ao grupo, pois além de excelente músico, a segunda guitarra deixa Nergal mais solto pelo palco para usar e abusar de sua teatralidade e criatividade. Nem parece que até pouco tempo atrás, o músico travou uma severa batalha contra a leucemia.


Ov Fire and the Void, Alas, Lord is Upon Me e a fantástica At the Left Hand ov God também se fizeram presentes num set que privilegiou obviamente o mais recente trabalho. O encerramento se deu com a execução de O Father, O Satan, O Sun! onde o grupo surgiu com as máscaras utilizadas na divulgação tanto do álbum como da turnê. Um encerramento pra ficar na memória de todos os presentes. Um show histórico.


Ficam aqui algumas considerações. O local escolhido para o show foi excelente. Tratamento dispensado ao público, acomodações, acústica, perfeitos. O único senão, talvez seja à distância da capital, mas que na realidade não serve como empecilho para quem realmente quisesse assistir ao show. Organização perfeita, principalmente no que se refere aos horários estabelecidos. Isso mostra um grande respeito pelo público. E também, os preços bastante acessíveis. Parabéns ao Márcio Makbo e ao Leonardo Schneider pela iniciativa e organização do evento! Afinal, o show do ano merecia uma estrutura como essa!


Setlist - BEHEMOTH:

BLOW YOUR TRUMPETS GABRIEL;
ORA PRO NOBIS LUCIFER;
CONQUER ALL,
DECADE OF THERION;
AS ABOVE SO BELOW;
SLAVES SHALL SERVE;
CHRISTIAN TO THE LIONS;
THE SATANIST;
OV FIRE AND THE VOID;
FUROR DIVINUS;
LUDZIE WSCHODU;
ALAS, LORD IS UPON ME;
AT THE LEFT HAND OV GOD;
CHANT FOR ESCHATON 2000;
O FATHER, O SATAN, O SUN!


Cobertura por: Sergiomar Menezes
Fotos: Felipe Pacheco
Edição/revisão: Renato Sanson




terça-feira, 4 de novembro de 2014

Behemoth em Novo Hamburgo/RS - Todas as Máscaras Cairão!


Dia 06/11 se aproxima e o Vale dos Sinos será palco de um show histórico.  Dez anos após pisar no palco do Bar Opinião, um dos grandes nomes da cena extrema atual, volta ao RS, desta vez no Teatro FEEVALE! Divulgando o sensacional álbum THE SATANIST lançado neste ano, os poloneses do BEHEMOTH desembarcam para mais uma turnê brasileira. E o pontapé inicial desta tour se dará em Novo Hamburgo.

Fundada em 1991 pelo seu líder e guitarrista NERGAL, e pelos ex- integrantes BAAL (bateria) e L. KAOS (guitarra) a banda já lançou 10 álbuns de estúdio, tendo maior destaque na década passada. No início, o grupo praticava um Black Metal bastante cru. Com o passar do tempo, o som foi se modificando até chegar ao Death Metal bastante técnico executado hoje em dia. Dono de uma sonoridade única, poucas bandas tem o prestígio alcançado pelo BEHEMOTH que agrada a todo fã de Heavy Metal.


Formada atualmente por Nergal (vocal e guitarra), Orion (baixo) e Inferno (bateria) (ao vivo, o guitarrista Seth completa a formação), a banda vem obtendo uma excelente repercussão com o mais recente álbum, THE SATANIST. Sempre envolto em polêmicas, não apenas em relação ao som, mas também pelo posicionamento sempre firme de Nergal no que tange as religiões, o excelente músico vive uma constante de situações adversas e superações. Em 2007, Nergal teve prisão decretada após rasgar uma bíblia em um show realizado na Polônia. Em 2010, o músico foi diagnosticado com leucemia, em um estágio bastante adiantado da doença, mas após um transplante de medula óssea, a recuperação se deu de forma bastante rápida. Por tudo que envolve a banda e pelos excelentes trabalhos lançados pelo grupo durante os últimos anos, o show, que vem cercado das melhores expectativas, tem tudo para ser um dos grandes eventos do ano no Rio Grande do Sul!

DyingBreed grande destaque na cena extrema gaúcha
A abertura do show ficará por conta da banda gaúcha de Death Metal, DYINGBREED. Oriunda de São Leopoldo, a banda conta com músicos experientes da cena gaúcha. Influenciada por nomes como Slayer, Morbid Angel, Napalm Death, Cannibal Corpse, Deicide, entre outros, o DYINGBREED pratica um som calcado nas raízes dos antigos Death e Thrash Metal. Composta por Leonardo Schneider (vocal), Felipe Nienow (guitarra), Ariel Boesing (guitarra), Fabrício Bertolozi (baixo) e Diego Pereira (bateria), a banda encontra-se no processo de gravação de seu primeiro full lenght, intitulado “Worship no One”. Mais uma grande banda extrema do nosso Hell Grande do Sul!



Serviço do show:

BEHEMOTH! "The Satanist Tour" em Novo Hamburgo!!

Abertura: DyingBreed - Death Metal

Confirme sua presença no evento: https://www.facebook.com/events/1495758817304712/?fref=ts

CRONOGRAMA:
20h - Abertura do Teatro Feevale
20:30h - DyingBreed
21:15h - BEHEMOTH
ATENÇÃO:
- Não será permitida a entrada após o início do show do Behemoth. Isso é norma do Teatro Feevale, então pedimos a todos para se organizarem e chegarem cedo.
- Não será permitido filmar ou fotografar o espetáculo.

 INGRESSOS - DISPONÍVEIS:
http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=36433

VALORES:
Plateia Baixa: R$ 80,00
Plateia Alta: R$ 70,00
Frisas: R$ 50,00
Balcão Nobre: R$ 40,00
Camarote: R$ 95,00

PONTOS DE VENDA (*sujeito a taxa de conveniência):

Web: http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=36433
Ingresso Rápido - Call Center - 4003-1212
De segunda a sábado, das 9h às 22h, e domingo, das 12h às 18h.
Telentrega Ingresso Show - (051) 8401-0555
De segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.
Bilheteria do Teatro do Bourbon Country
Av. Túlio de Rose, 80 / 301 - Porto Alegre, RS.
De segunda a sábado, das 14h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h.
Bilheteria do Teatro Feevale
ERS-239, 2755 - Novo Hamburgo, RS.
A Bilheteria abre somente em dias de eventos, com antecedência de 2h do início.
Bourbon Shopping NH - Quiosque Teatro Feevale /2º andar
Novo Hamburgo - Centro - Av. Nações Unidas, 2001.
De segunda a sábado, das 12h às 22h.
Universidade Feevale - Campus II - Rua Coberta
ERS-239, 2755- Novo Hamburgo, RS - (51) 3271 1208
De segunda a sexta-feira, das 13h às 21h e sábados das 9h às 14h.
Agência Brocker Turismo - Gramado
Av. das Hortênsias, 1845 - Gramado, RS. - (054) 3286-5405
De segunda a sábado, das 9h às 18h30, e feriados, das 10h às 15h.


Matéria por: Sergiomar Menezes
Edição/revisão: Renato Sanson
Imagens: Divulgação