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sábado, 29 de agosto de 2026

Aléxia: "Garra é a vontade de lutar pelos seus sonhos"

Rafael Karelisky

Por Michelle Santana - @mii.santanna e Paula Butter - @paulabutter.rocks

Alexia lançou "Garra", seu primeiro álbum autoral, depois de quatro anos de carreira solo e uma trajetória que começou em bandas de covers. Em papo por vídeo com as jornalistas Paula Butter e Michelle Santana, ela falou sobre o processo de composição, luto, presença de palco, o revival dos anos 2000 e as dificuldades de ser mulher no rock nacional. Abaixo, confira a entrevista na íntegra, sem frescuras e nem inibições.


A garra que fere e a garra que impulsiona

Paula Butter: Primeiramente, obrigada por conceder esta entrevista para a Road To Metal. Estamos aqui para conhecer um pouco de você e de como está sendo este momento da sua carreira, que está decolando, com o sucesso do álbum “Garra”. A respeito do nome do álbum, por ser muito impactante e ter muitas músicas com fortes significados, como foi a decisão da escolha deste título? Quando você teve a certeza da escolha? E também as escolhas artísticas da arte da capa e concepção do resultado final da obra, conta pra gente como foi todo esse processo?

Aléxia: Quando gravei o clipe da música "Monstro", tiramos algumas fotos. Isso foi bem antes de termos um álbum, antes de termos a ideia de lançar um álbum. Fiz aquelas fotos e, quando bati o olho na imagem que usamos para a capa, já imaginei que seria perfeita. Lembro que nem divulguei essa foto, deixei guardada.

Quando começamos a pensar em qual seria o nome, olhei aquela foto, visualizamos a garra e pensamos que esse nome seria muito bom por conta da dualidade da palavra. É a garra do monstro que te fere, mas também é a garra de lutar pelos seus sonhos, de ir atrás das coisas.

O álbum todo resume muito tudo que me trouxe até aqui e me fez ter garra. Acho que deu muito certo, tanto a capa quanto o nome e todas as músicas.

Foi um processo bem difícil também definir a ordem das músicas. Fiquei ouvindo várias vezes as músicas em ordens diferentes até definir uma que fizesse sentido.


Paula Butter: Eu e a Michele estávamos conversando. É muito bom esse álbum. Tem muito significado, tem que escutar várias vezes e você está de parabéns. Agora vou passar a palavra pra Michele.

Rafael Karelisky

Vulnerabilidade como coragem

Michelle Santana: Alexia, primeiramente, é uma honra falar com você. Eu ouvi o álbum e fiquei muito impactada. Eu, que sou da área da saúde mental, fiquei muito feliz de ouvir algo tão visceral, tão profundo. Puxando um gancho dessa última pergunta da Paula: "Garra" soa quase como um diário pessoal, cheio de momentos muito íntimos e viscerais. Como foi o processo de transformar experiências tão pessoais em música e em que momento isso foi difícil?

Aléxia: Primeiramente, para mim é uma honra estar com vocês e saber que vocês curtiram o álbum e se conectaram de alguma forma. Foi um processo difícil porque tive que revisitar muitos momentos da minha vida que eu não visitava. Acho que foi também um processo de amadurecimento e autoconhecimento.

Poder colocar no papel, falar sobre sentimentos e me expor completamente foi importante. Eu nunca gostei muito dessa sensação de me sentir vulnerável, mas percebi que a vulnerabilidade exige muita coragem. A conexão que eu vinha tendo com os meus fãs me deu essa coragem, porque vejo neles muitas coisas que vivi e passei.

Pensei que precisava mostrar para eles que também passei por isso, que entendo o que eles estão sentindo. A gente se conectou através dessas músicas de forma muito mais real. Eles me viram como uma pessoa real, que tem momentos de altos e baixos, porque a vida é assim.

Foi um processo difícil, mas acho que saí dele muito mais forte e com muito mais coragem para falar sobre tudo que sinto. Mais garra. Alexia mais garra.

Rafael Karelisky

Sobre a música "Fevereiro"

Michelle Santana: Falando um pouco desse lado emocional do disco, existe alguma música que mexe com você? Qual a sua música preferida do momento? E como ela mexe com você cada vez que sobe ao palco? O que ela desperta?

Aléxia: É tão difícil porque, para mim, todas mexem comigo de um jeito diferente. São músicas diferentes, mas a que mais me emociona todas as vezes e realmente me impacta é "Fevereiro", por ser uma música que fala sobre luto, sobre essa dor de perder alguém, algo que realmente fazia parte da minha vida.

Poder falar sobre isso todas as vezes que estou no palco é muito emocionante. Acho que toda a parte da produção musical dessa música também ficou incrível, com os instrumentos de orquestra. Essa é uma das que mais me emocionam e que considero mais impactantes.


Paula Butter: Essa música me pegou forte também.

Michelle Santana: Essa música foi bem emocionante. É uma das que mais me emocionou no álbum. Até quando você comentou agora, me deu uma coisa. Ela é forte, realmente vai fundo.

Presença de palco: entrega natural

Paula Butter: Desculpa interromper a Michele. Aproveitando esse gancho do palco, como você consegue, porque, independente do tamanho do palco, você preenche o espaço todo nas suas apresentações? É uma coisa surreal. Eu achei surreal, falei: "Meu Deus, quem é essa artista?" Você tem alguma técnica ou simplesmente chega lá e é você? Tem alguma técnica para não deixar nenhuma parte do palco vazia, para interagir com todo mundo, ou é algo natural?

Aléxia: Obrigada! Eu sinto que é muito natural. Não gosto muito de ficar pensando tanto no que fazer. Eu e os meninos da banda tentamos combinar: se estou em um canto do palco, alguém vem e preenche o outro lado para não ficar vazio. Se o Gustavo vai com a guitarra lá perto do Léo, eu vou para esse canto para nunca ficar um espaço vazio.

A parte de entrega e presença de palco acho que é muito natural. Quando a gente se diverte, tudo acontece muito melhor.


Paula Butter: Bom saber. Impacta mesmo. Eu que estava lá fiquei realmente impressionada, virei sua fã. Fico feliz. Agora vou passar pra Michele para a gente falar mais sobre o álbum, que ela tem algumas perguntas também. Depois a gente volta comigo, tá bom?

Rafael Karelisky

O revival dos anos 2000

Michelle Santana: Alexia, você faz parte de uma nova geração de artistas que resgata a sonoridade e a estética dos anos 2000, mas com uma identidade muito própria. Como você enxerga esse movimento e o que mais te inspira nessa época para além da música?

Aléxia: Eu fui aquela adolescente que viveu muito essa fase de ficar vidrada na MTV, assistindo a todos os clipes. Os artistas da época me influenciaram demais: Pitty, Paramore, Evanescence, além da Lady Gaga. Acho que, de alguma forma, todos esses artistas moldaram minha forma de escrever, de cantar e também minha personalidade.

Estamos vivendo esse momento de revival. Muitas bandas dessa fase voltaram, estão fazendo turnês, vindo para o Brasil e lotando estádios, como My Chemical Romance e System of a Down. Estamos vivendo um momento muito legal porque aqueles adolescentes agora têm mais dinheiro para assistir aos artistas que não conseguiam ver na época. Também podem curtir e passar isso para os filhos. Está passando de geração.

Acho que isso veio em uma hora muito boa para eu lançar esse álbum, porque ele traz muito da sonoridade e da identidade visual da época, só que de um jeito mais moderno e atual, colocando também um pouco mais da minha identidade e da identidade dos meninos.

Isso faz com que ele se conecte com essa galera e com outras idades também. É legal porque se conecta com quem sente nostalgia, mas também com os mais jovens que estão conhecendo esse tipo de som agora.

Rafael Karelisky

Michelle Santana: Eu também fui adolescente dos anos 2000 e me identifiquei muito. Para mim, teve essa coisa nostálgica. Foi bem especial, eu ouvi o álbum e gostei bastante.

Aléxia: Que bom, fico feliz. Ele traz essa sensação de estar ouvindo algo da época, mas, ao mesmo tempo, aquela sensação de estar descobrindo uma coisa nova. Essa mistura.


Michelle Santana: Até a música "Um por Um" eu achei que trouxe esse lado moderno também. Não só a estética dos anos 2000, mas muita coisa do metal moderno. Achei muito interessante. Acho que é uma música que ilustra muito bem o que você está falando.

Aléxia: Verdade.

Hoobastank, novos públicos e a explosão nas redes

Paula Butter: Aproveitando o que você estava falando sobre esse revival: você ganhou alguns festivais e, no ano passado, abriu para o The Calling. Foi bem legal, bem emocionante. A partir daí, vimos sua base de fãs aumentar nas mídias sociais, todo mundo torcendo por você. Recentemente, tivemos a notícia de que você vai abrir o show do Hoobastank. É isso?

Aléxia: É o Hoobastank.


Paula Butter: Desculpa. Eu adoro a música, mas é difícil a pronúncia da banda. É uma banda que marcou muito a minha juventude. Você vai estar com o Di Ferrero em alguns shows da turnê?

Aléxia: Sim.


Paula Butter: Como está sendo isso para você, essa explosão e essa atenção da mídia agora, apesar de você já estar há muito tempo na carreira? Você tem uma formação clássica, já está nisso há bastante tempo, mas o que está achando de ver tantos fãs na internet, tanta gente interagindo? Como está se sentindo?

Aléxia: Eu me sinto muito feliz, de verdade, porque é algo que sempre sonhei e pelo qual sempre corri muito atrás. Poder ver meu trabalho sendo reconhecido e chegando a mais pessoas é muito gratificante.

Tudo que puder contribuir para que meu som chegue a mais pessoas me deixa extremamente feliz e realizada. Também poder dividir o palco com artistas que foram influência para mim é muito especial. Vai ter o Di Ferrero, Dead Fish.

Estou muito feliz com essa oportunidade de mostrar meu som para quem não me conhece e também de dividir essa vitória com quem já me conhece há muito tempo e está torcendo por mim. Estou muito feliz.


Paula Butter: Ficamos felizes também. Você também está com esse álbum novo, solo. Atualmente, acho que é uma das vozes femininas mais expressivas, na minha opinião. Está vindo com muita força, o álbum é muito impactante. Vou deixar com a Michele, que também tem mais algumas perguntas sobre isso.

Vitor Duik

De banda cover a carreira autoral

Michelle Santana: Falando um pouco sobre toda essa questão da sua carreira e de onde você está chegando, queria que você falasse um pouco: nesses quatro anos de carreira, quais foram os maiores desafios que enfrentou como artista independente e o que aprendeu com esses desafios?

Aléxia: Cada fase traz desafios novos, então a gente vai aprendendo com isso. São, acho, 15 anos desde quando comecei de fato a querer ser artista e comecei gravando vídeos para a internet. Estudei canto, mas profissionalmente comecei há pouco tempo, e cada uma dessas fases trouxe dificuldades diferentes.

Comecei com uma banda de covers, cantava vários clássicos por várias cidades. Quando fizemos a transição para Alexia e comecei a lançar música autoral, vieram novas dificuldades. Muitas pessoas que gostavam da banda passaram a não gostar só pelo fato de eu ter adotado meu nome e assumido a carreira solo, colocando minha cara no projeto.

Foram muitas mudanças e foi difícil. A gente foi enfrentando e conquistando novos fãs e novos espaços. Para mim, a parte mais difícil foi essa transição de banda cover para uma carreira autoral.

Hoje consegui fazer shows 100% autorais. Foi uma caminhada bem complicada. Ainda existem alguns lugares que não abrem tanto espaço. Muitos festivais e lugares não querem abrir espaço para artistas novos. Infelizmente, existe isso, mas a gente vai entrando onde aparece um espacinho para poder também representar toda uma cena.

Ver meu nome ao lado de um monte de artistas já consagrados também é uma forma de abrir caminho para quem está na mesma cena que eu e fazendo isso também.

Vitor Duik

Sobre "Cereja"

Michelle Santana: Emendando um pouco nessa questão dos desafios, na música "Cereja", você traz uma mensagem forte de empoderamento feminino, e ainda existe resistência quando uma mulher lidera uma banda e ocupa espaço no rock e no metal. Você já sentiu que isso incomodou em algum momento? Pelo fato de ser mulher, isso trouxe alguma situação em que você se indispôs?

Aléxia: Muitas vezes. Infelizmente, como mulher, a gente já sabe que vai ser sempre um pouco mais difícil. Essa fase de transição que te falei, de banda cover para autoral, com certeza, se fosse um cara fazendo isso, não teria gerado tanto ódio e tantos comentários na época.

Um cara seria visto como um grande líder, um grande rockstar. Como é uma mulher, as pessoas tendem a diminuir. Cada coisa que conquisto é questionada. Sempre tem alguém achando que estou ali porque estou pagando aquele lugar. Nunca é valorizado da forma certa. A gente precisa ficar sempre se provando mais e mais vezes.

Diversos momentos também geraram muito hate por conta da roupa. Está cheio de homem fazendo show completamente sem roupa e está tudo bem. São comentários que infelizmente existem.

A gente vê muitas artistas da cena, bandas incríveis. Um exemplo é a banda Malvada, que são mulheres maravilhosas. Sempre que tem algum post delas em algum canal grande, aparece um monte de cara diminuindo o trabalho delas. Mas elas estão conquistando o espaço porque têm talento e merecem.

Acho que essa é a parte chata: ter que ficar se provando o tempo todo.


Michelle Santana: Com certeza.

Mensagem para as novas artistas

Paula Butter: Aproveitando, o que você falaria para essas mulheres que estão começando, que ainda estão galgando espaço com trabalhos autorais, nas casas de show menores, e que sofrem muito? Eu conheço muitas mulheres e cantoras autorais que acabam sofrendo muito esse preconceito que você acabou de falar. Muitas vezes elas tentam, querem desistir, mas não podem. Que recado você daria para elas? No seu caso, sobre perseverar, que mensagem deixaria para aquelas que estão começando e enfrentando todos esses percalços pelos quais você já passou?

Aléxia: É difícil, mas um dos conselhos é não desistir. Vão aparecer muitas barreiras, muitos empecilhos e muita gente tentando atrapalhar, mas é preciso persistir e seguir.

Uma das coisas importantes é estar perto de pessoas que realmente te querem bem e que vão te ajudar nesse processo. Não adianta querer se encaixar em grupos apenas para estar ali. É importante se apegar a pessoas que contribuem para outras mulheres, porque temos uma união muito incrível na cena feminina.

Apeguem-se a essas mulheres também. Vamos fazer diversos rolês, festivais e eventos juntas. Se não querem deixar a gente subir em determinado palco, vamos tentar criar o nosso e fazer a cena acontecer.

Apeguem-se às coisas boas e às pessoas que querem o seu bem. Não percam muito tempo com quem atrapalha, porque não vai adiantar.

Vitor Duik

Michelle Santana: Exatamente. Você tem alguma personalidade ou artista que atualmente diria: "Essa é a pessoa que eu acho que está representando as mulheres com relação à força, encarando o mundo"? Tem alguma pessoa que você admire?

Aléxia: Atualmente, são muitas mulheres em vertentes diferentes que eu admiro. No cenário nacional, temos a Pitty, que sempre foi uma dessas mulheres que abriu caminhos, mas hoje temos outras artistas e bandas incríveis na cena.

Temos Malvada, Eskröta, MC Taya. São muitas minas incríveis. Se todo mundo pudesse acompanhar o trabalho delas, seria incrível.

No âmbito internacional, também admiro a Hayley Williams. Admiro demais por ela ser essa mulher que abre caminhos, inspira e contribui para a cena.

A Lady Gaga é minha maior ídola também. Ela sempre foi uma figura de muita autenticidade. Temos que admirar essas mulheres e nos inspirar em mulheres como elas.


O momento do rock brasileiro

Michelle Santana: Alexia, falando um pouco sobre o cenário nacional, na sua opinião, o rock brasileiro vive um momento de renovação? O que ainda precisa acontecer para que as bandas autorais tenham mais espaço e consigam alcançar novos públicos?

Aléxia: Com certeza. O rock sempre se renovou e se renova todos os dias. Tem muita banda e muita gente fazendo som de qualidade, mas o que complica às vezes são os próprios roqueiros. Existem roqueiros que não querem ouvir coisa nova de jeito nenhum.

Tem esse preconceito gigante. Quando tem banda autoral no rolê, não querem ouvir, não vão atrás. Infelizmente, não temos o mesmo tamanho de investimento no cenário do rock que outros gêneros têm.

Não conseguimos tocar o tempo todo nas grandes rádios, não conseguimos estar no top 10 das plataformas digitais. Não existe esse tamanho de investimento. O som não chega a todas as pessoas. Quem não quer ouvir e não vai atrás dificilmente vai receber essas bandas novas.

Precisamos que a comunidade toda se una e comece a dar valor para esses artistas que estão fazendo música nova, porque em algum momento as bandas mais antigas vão parar de tocar, vão parar de fazer shows. E quem vai assumir esses lugares nos festivais?

Vitor Duik

Precisamos que o próprio público do rock abrace mais a nova geração.

Michelle Santana: Com certeza. Acho que é uma forma de continuar fortalecendo a cena e não deixar a música morrer. Também encontro essa dificuldade dos roqueiros em abrir espaço para o metal moderno ou para as novas bandas que estão trazendo músicas de tanta qualidade, como é o caso da sua música, Alexia.Espero que as pessoas possam abrir a mente para o novo. Acho que é isso que vai fazer o rock continuar mais vivo do que nunca.

Aléxia: Sim, torço muito para isso.

Vitor Duik

Agradecimentos

Paula Butter: Alexia, muito obrigada pelo teu tempo. Temos infinitas perguntas, mas você sabe como é, temos aquele tempinho definido. Esperamos, em breve, poder conversar novamente. Vamos marcar uma próxima entrevista e, se depender de nós, jornalistas, vamos continuar incentivando essas mulheres, as artistas autorais. No que você puder contar com a Road To Metal, conte com a gente. Estaremos sempre aqui, a favor e lutando por essa cena feminina, por essas mulheres maravilhosas que você é.

Aléxia: Obrigada, obrigada mesmo. Obrigada a vocês pelo espaço, que é extremamente importante. Espero encontrar vocês em algum desses shows que vão acontecer, e aí fazemos uma entrevista pessoalmente. Vai ser legal.


Michelle:  Se aparecer em São Paulo, vou ficar muito feliz em conversar com você pessoalmente.

Aléxia: Vamos, vamos. Vai ter show em São Paulo, então quero ver vocês.


Paula Butter: Com certeza. Obrigada, Alexia.

Aléxia: Obrigada. Obrigada pelo tempo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Entrevista - Apokalyptic Raids : Resistência e Foco no que Importa

 

Por: Fernanda Luísa e Renato Sanson
Fotos: Divulgação 
Edição/revisão: Caco Garcia 

Poucas bandas do underground brasileiro construíram uma trajetória tão consistente e fiel às próprias convicções quanto o Apokalyptic Raids. Formado em 1998 por Leon Manssur "Necromaniac", o trio transformou décadas de dedicação ao metal extremo em uma discografia cultuada mundialmente, inúmeras turnês pelo Brasil, América do Sul e Europa, além de uma sólida parceria com o selo Hell Music. 

Mantendo-se sempre distante de modismos e guiado por uma visão artística própria, o Apokalyptic Raids consolidou seu nome como uma das principais referências do metal underground nacional. 

Nesta entrevista, conversamos com Leon Manssur sobre a história da banda, sua filosofia, os desafios de permanecer independente, os rumos do metal extremo e muito mais. Confira.




RtM: O Apokalyptic Raids se tornou uma referência cult dentro do underground extremo brasileiro. Na sua visão, o que manteve a banda viva e relevante ao longo dos anos, mesmo distante dos grandes circuitos comerciais?
Leon Manssur: Já houve tempo em que eu achava importante ocupar mais esses espaços no “meio Metal”. Eu era mais inocente e achava que teríamos igualdade de condições com as “bandas-empresa”, com vantagem em autenticidade. 

Mostrar como se faz, sem ceder ao comercialismo, hoje representado pelas bandas cheias de mídia training e instagrams profissionais. 

Mas isso foi uma ilusão. Hoje em dia eu me importo cada vez menos com a opinião dos outros, seja do pseudo mainstream metálico, seja dos caciques dos pequenos poderes do underground. Quem gostar, gostou. Faço o que faço há bastante tempo pra já ter afastado os interesseiros, os deslumbrados, os falsos em geral.


RtM: Muito da identidade sonora do Apokalyptic Raids carrega a essência obscura e primitiva do Hellhammer. Como nasceu essa conexão com a banda e de que forma ela moldou tua visão artística e pessoal dentro do metal extremo?
LM: Há mais de 40 anos é minha banda favorita. O mix perfeito de peso, sujeira, pouca técnica, gravação suja mas cuidadosa, composições perturbadoras e perfeitas... Como se fosse o Black Sabbath de 1972 tocando o repertório do Mötorhead... É só isso e tudo isso. Portanto eu apenas tinha e tenho a intenção de recriar esse estilo. Nem mais, nem menos.


RtM: O underground brasileiro sempre sobreviveu mais pela paixão do que pela estrutura. Como você enxerga a cena atualmente em comparação aos anos 80 e 90, principalmente em relação à autenticidade e ao comprometimento das bandas?
LM:As qualidades e defeitos do ser humano são bem previsíveis. Da até sono. Se tirar a tecnologia, esta sim, que mudou muito, são os mesmos garotos iludidos, os mesmos pseudo-produtores malandros frustrados querendo faturar em cima, o mesmo amadorismo, e no meio disso um ou outro que se salvam. Todos os anos muitos entram no nosso meio, mas poucos irão aguentar permanecer com consistência após 10, 20 anos. Nem sempre é claro quem é quem.


RtM: Vivemos uma era dominada por streaming, redes sociais e consumo rápido de música. Em sua opinião, essas tendências digitais fortaleceram o underground ou acabaram tirando parte da essência e do culto que existia antigamente?
LM: Ganha-se algumas coisas, perde-se outras. Por um lado, qualquer desqualificado tem acesso material que não deveria, podendo usar algumas das melhores bandas do passado pra piadocas, memes, falas equivocadas. Por outro lado, tem material antigo bom online pra quem sabe o que procurar. 

O que faz a diferença é o conhecimento de cada um. Nem tudo é "internetável". Facilmente encontro nos meus arquivos material que não existe online. E aos poucos vai sendo disponibilizado em espaços virtuais marginais, fora do circuito das redes sociais da moda. 

Quem não viveu, quem não conhece, não saberá encontrar, nem saberá que precisa, até um dia aparecer em um selo de raridades. Há muito movimento no subterrâneo do subterrâneo. A maioria da geração atual viu tudo, tem toda a informação disponível, mas não sabe o que fazer com isso, não tem vivência.


RtM: O Apokalyptic Raids possui uma identidade muito fiel às raízes do metal extremo. Existe espaço para evolução sonora sem perder a essência, ou certas características devem permanecer intocáveis?
LM: Evolução pra trás! (Risos) A modernidade chegou ao Metal nos anos 90, já ficou velha e não importou em nada na minha opinião. Nos nossos álbuns mais recentes existem sim algumas composições “arriscadas”, apontando pros anos 70, outras pro Heavy tradicional... Que acaba estando no contexto do Black Death Speed Metal do Hellhammer. 

É bom não ter um estilo definido pelos padrões atuais. Por um lado, você é um “animal estranho”, que as gerações modernas não conseguem decodificar, e por outro lado você acaba ficando independente disso. Veja, Heavy tradicional e 70s está no contexto. Então tem espaço pra isso. Tudo depende de conseguirmos atingir esse tipo de som com classe e dentro do contexto. Ouçam e me digam se deu certo.


RtM: Olhando para tua trajetória dentro do metal underground nacional, qual legado o Apokalyptic Raids deixa para as novas gerações de músicos e fãs da música extrema?
LM: Não sei, é difícil julgar. Talvez eu seja só desimportante. Talvez alguém encontre algo relevante. Eu sou só um cara aí que curte uns sons aí. Igual à minha trajetória tem vários. A História que se encarregue dos julgamentos, eu estou ocupado tentando fazer algo que me satisfaça (risos)


RtM: Falando em turnês e lançamentos, o AR sempre se mantém ativo e representando o Brasil fora do país. Como é ser mais reconhecido mais lá fora do que no próprio país? Pergunto isso, pois é notável a devoção dos fãs gringos e que em minha opinião era para ser aqui também. Além, de a maioria dos lançamentos da banda saírem por gravadoras internacionais. Mostrando realmente que nossa cena é falha com quem trabalha de verdade. 
LM: Não sei se somos mais reconhecidos lá que aqui. Talvez sim. O Metal tem ciclos de público, idade, estilos. Uma década de vacas gordas, outra de vacas magras. Como já vi vários desses ciclos, me impressiono menos hoje. Mas sim, sou agradecido por algumas demonstrações de algumas pessoas que importam daqui e de fora. 

A distribuição no exterior é uma necessidade. Somos um país quebrado, um salário mínimo compra uns 7 LPs. Então é impossível contar apenas com público local pra esgotar um título. Mas foi pra conhecer o mundo que o Ozzy entrou no Sabbath, não é mesmo?

Não posso reclamar, não. Fizemos 20 shows na Europa em novembro de 2025 e deu mais gente que das vezes anteriores, show lotado em segunda feira, merchandise esgotado faltando 3 shows pro fim da tour. Então, apesar de tudo, me considero privilegiado por ainda ter um bando de doidos (no bom sentido) que comparece aos nossos shows. Talvez não sejamos animais tão estranhos assim.


RtM: Quais são suas as impressões sobre a questão da IA  na música?
LM: Acredita que eu mal uso AI pra p*** nenhuma? Tem gente que está viciado nisso, não pensam mais, nem nas coisas que precisam ser pensadas. Pra minha atividade, particularmente, não tem muita utilidade. Pra fazer um resumo ou elaborar algumas buscas, talvez. Mas a AI precisa ser alimentada, treinada. E eu gosto de trabalhar nas coisas que costumam alimentar e treinar a AI. 

Então pra mim é só mais uma ferramenta, para quem e quando for a ocasião de usar. Não é uma panaceia universal. Na música em particular, é claro que mal conseguimos distinguir algo criado por humanos de algo feito por máquinas. Exceto por aqueles fatores que eu citei que são não-internetáveis. Não dá pra enlatar um show ao vivo, por mais que se transmita um festival pro mundo todo hoje. Estar lá sempre será diferente. 


RtM: Leon, você foi de certa forma o incentivador e influência de muitas bandas e músicos não só do Rio de Janeiro assim como de todo o mundo. Isso te faz ter que ter um cuidado maior ao se expressar publicamente ou você se mantém liberto ao seu modo de pensar perante ao mundo em geral, e não somente ao nosso meio metal?
LM: Sobre ser influenciador, ocorre com o tempo. Você vai colando com quem tem idéias parecidas. O estilo é muito esparso, é um daqui, outro da Alemanha, outro do Japão... E esparso no tempo também. Então quem vem depois acaba se espelhando em quem veio antes, como eu mesmo já fiz. Com maior ou menor grau de atraso e ruído.

É claro que tenho senso de responsabilidade ao me expressar publicamente. Palavras tem consequências, e quando se é uma pessoa pública, essas consequências são amplificadas para o bem ou para o mal, sem que se planeje exatamente. Então já houve e há ocasiões em que precisamos modular o discurso, mesmo correndo riscos, pra não produzir efeitos contrários e indesejáveis.

A palavra “liberto” é um grande problema hoje. Eu sou um libertário, sempre fui desde que me entendo por gente. Mas aqui preciso parar e notar que não, eu não posso dizer tudo que eu penso hoje em dia, incluindo coisas que eu sempre disse antes. E isso é um enorme problema. Estamos na era do cancelamento, né. 

É muito autoritarismo, muitas vezes de quem menos se espera. A pergunta na minha cabeça nesses últimos 5 ou 6 anos é: “tocar com quem, tocar pra quem?” Uma pergunta para a qual eu ainda não tenho uma resposta não-trivial.

Então, sinto muito, mas minha melhor resposta à sua indagação sobre modo de pensar neste momento é a pior possível: um silêncio ensurdecedor.


RtM: Você tem como formação acadêmica em física e é Doutor nessa área porém hoje não está atuando no meio acadêmico. Qual foi o motivo pelo qual você decidiu que deveria seguir outro caminho? 
LM: Eu fui fazer física porque achava bonito, e ainda acho, e por ter gosto pela abstração. Isso no Brasil é um tipo de suicídio a prestação. No início dos anos 2000, nada de concurso, pagamento pingado, perspectiva de carreira nômade, então por motivos pessoais resolvi engavetar o diploma e cuidar mais da família. 

Me reorganizei, até vivi da música por alguns anos, o que coincidentemente estava pegando tração entre 2003 e 2008, com muitos lançamentos em LP. 

Eu fazia produções e masterizações para alguns selos. Depois a vida foi complicando mais, mas comecei com a Hell Music informalmente por volta de 2009 e acelerei lançamentos do selo a partir de 2015.


RtM: A educação no Brasil ainda tem uma saída ao seu ver? Se sim qual ou quais seriam?
Basicamente não (risos) Somos uma sociedade da desconfiança. Veja os países europeus ou os USA por exemplo. Eles foram fundados por uma determinada sociedade com determinados valores. Bem longe de serem perfeitos, mas tem uma estrutura que se formou e se depurou ao longo de centenas e centenas de anos. Visão de mundo, filosofia, instituições, formando pessoas que formam mais pessoas. Você pode criticar, querer reformar, mas você não pode ignorar. Outras culturas copiam. 

Compare com casos de sucesso na Ásia por exemplo, com bases em outros sistemas de valores. Você copia o que funciona, descarta o que não funciona. 

No Brasil, você desconfia do próximo, porque é provável que ele te ferre, e é assim aqui. E o próximo pode ser bem próximo, pode ser da família. Ou seja, é cada um por si. Em que século dessa evolução as pessoas irão parar de querer passar a perna umas nas outras e resolver cooperar, isso eu não sei. Mas eu sei que é só depois desse ponto que a educação tem qualquer chance. Mesmo não tendo p**** nenhuma, tem que querer primeiro. 

No momento, somos pouco mais que um bando de primatas se matando uns aos outros a socos. Como fazer pra se comunicar nesse cenário? Não tenho uma resposta. É nesse estágio que estamos. O mal e a ignorância são indistinguíveis, e tomaram proporções muito grandes, continentais.


RtM: Muitas bandas com o mesmo tempo de estrada que hoje vocês tem, ficaram pelo caminho. Que fatores você acredita que tenha tido para conseguir manter o Apokalyptic Raids vivo?
LM: Autismo, TOC, hiper foco em Hellhammer... (Risos) Sabe a parte da resistência à mudanças? É isso aí. Alguns amigos ao longo do caminho, e a ideia fixa. E um pouco de sorte.


RtM: Se tudo hoje continuar da mesma forma como se encontra no meio underground você acredita que a evolução em termos de estrutura e qualidade das casas de eventos e equipamentos melhorou ou melhorará?
LM: Sinceramente, depois de 3 turnês na Europa, 2 no Brasil, 2 América do Sul? Não.
Porque eu conto nos dedos os eventos que eu fiz aqui que foram no horário. E eu conto nos dedos os eventos que eu fiz na Europa que atrasaram. Só por aí você já vê. O cara lá não tem como se atrasar. Tudo funciona. Tem um letreiro no ponto do ônibus dizendo que o próximo chega em 4 minutos. Passa 4 minutos, o ônibus chega. Então você consegue fazer tudo que planeja, consegue planejar. 

Aqui não tem transporte, e a rua tem buraco, e o cara do som atrasou porque ontem teve evento, ele tem que dobrar pra poder sobreviver, o ampli tá ferrado e não tem outro, tudo custa mais caro, a remuneração é 10 vezes menor, empreender custa muito caro, contratar é impossível, produtividade estagnada há 50 anos por cultura arcaica, os estímulos tem o efeito contrário ao objetivo alegado... Passa por aquele assunto da educação. Pra acontecer minimamente, você teria que reformar o ser humano, e isso não está acontecendo. Espero não estar sendo excessivamente pessimista! 


RtM: Leon, obrigado por dedicar um tempo para nos responder e expor suas opiniões, fica o espaço para sua mensagem final.
LM: Obrigado pela entrevista! Estamos trabalhando em um álbum novo, fiquem ligados!

contact@apokalypticraids.com
https://www.apokalypticraids.com/
www.apokalypticraids.bandcamp.com
www.hellmusicrecords.bandcamp.com


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Entrevista - Vlad V: Quatro Décadas de Rock & Roll



 


O Vlad V é uma banda de hard rock progressivo fundada em Blumenau (SC) em 1986. Liderado pelo multi-instrumentista Jean Carlo, o grupo é considerado um dos pioneiros e a banda de rock autoral mais antiga em atividade no estado de Santa Catarina.

Com letras em português e uma fusão de Hard e Classic Rock/ Progressivo, Blues, Folk e MPB, o Vlav V apresenta uma personalidade musical marcante. 

Mesmo com diversas alterações na formação, a identidade musical e resiliência da banda se manteve através dos anos, sempre com a liderança e talento de Jean a frente.

Com uma formação consolidada como trio desde o início de 2024, quando Seco Mafra (baixo e backing vocals) e Clifton Macnamara (bateria) - músicos que cresceram acompanhando os passos do Vlad V - juntam-se a Jean Carlo para uma nova fase, e continuar a escrever capítulos importantes dessa história.

Completando 40 anos de história, o Vlad V prepara novidades, enquanto segue na estrada, seu habitat natural, e levará ainda muita música produzida com alma aos fãs!

Conversamos com a banda, para falar um pouquinho sobre essa história e os planos futuros.



RtM: A banda Vlad V já tem uma trajetória consolidada no cenário catarinense e no sul do país. Como vocês definem a identidade musical do grupo desde a formação até os dias atuais?
Jean Carlo: O Vlad carrega uma identidade forte ligada ao hard rock, ao rock clássico e ao progressivo, mas também dialoga com a MPB. Somos bem ecléticos. As letras fazem parte desse contexto, assim como a nossa sonoridade característica. Em mais de 30 anos de trajetória, construímos uma marca própria, que começa pelo próprio nome da banda.


RtM: O nome "Vlad V" carrega uma carga simbólica forte. Qual o significado por trás do nome da banda e como ele se conecta com a proposta artística da banda?
Jean Carlo: Na minha adolescência, encontrei uma revista com histórias do Drácula, e havia ali um príncipe da Valáquia chamado Vlad. Achei o nome muito legal para uma banda de heavy metal. 

Acabou que fomos tocar em um festival e ainda estávamos sem nome, então adotamos Vlad. No fim, viramos uma banda de hard progressivo com nome de banda de heavy metal.


RtM: O que representa para vocês o álbum de estreia da banda, “Vlad V” (1993)? Certamente sentimentos, muitos diferentes, mas para o Jean, que é o fundador e único remanescente, tem um significado mais profundo e pessoal. Inclusive há o detalhe no selo do LP, que está escrito “Jean Carlo”, e nunca tive oportunidade de perguntar antes: o Vlad nasceu como um projeto solo?
Jean Carlo: O álbum de 1993 é, na verdade, um disco solo, por isso aparece apenas o nome Jean Carlo nos créditos. Depois de uma breve estada em São Paulo, voltamos para Santa Catarina e a banda se desfez. 

Como as composições e o nome da banda eram meus, resolvi gravar um primeiro disco com músicos de estúdio, para deixar o caminho preparado para uma nova formação, que viria no trabalho seguinte.


RtM: E vamos falando um pouco mais sobre a história do Vlad V, como o também clássico segundo álbum, a “Espada e o Dragão” (1997), que tem essa aura mais épica, com temas medievais, mas claro, ainda sim com músicas poéticas e que falam de sentimentos humanos. Gostaria que vocês comentassem um pouco sobre ele.
Jean Carlo:  O “Espada e o Dragão” foi meticulosamente planejado antes da gravação com a nova formação da banda. Essa nova formação estava afiada e com muita vontade de registrar aquele trabalho naquele momento. 

É um álbum muito importante para a carreira do Vlad, com grandes composições que se tornaram clássicos na trajetória da banda.


RtM: Um álbum que adoro demais é o “Viagens Acústicas”, que deixa mais nítido esse lado folk, intimista e poético da banda. Gostaria que comentasse sobre esse trabalho, que também rendeu apresentações especiais.
Jean Carlo: “Viagens Acústicas” surgiu em uma fase em que eu estava me dedicando mais à flauta e aos violões. Naturalmente, o trabalho veio com uma pegada mais suave, voltada para o folk e a MPB.


RtM: Quebrando um hiato, pois desde 2017 o Vlad V não lançava uma música inédita, tivemos em 2025 a primeira amostra do que virá por aí com a atual formação, o single “O Tempo Cansou de Esperar”, que traz as características marcantes da banda, e soando revigoradas. Gostaria que vocês comentasse sobre essa canção.
Jean Carlo: “O Tempo Cansou de Esperar” é uma canção que resume bem as pretensões da banda. Ela começa com elementos de música clássica na introdução, com vocais melódicos, e vai evoluindo até se transformar em um hard rock poderoso. É, de certa forma, um retrato da característica do Vlad.


RtM: E para vocês, Clifton e Seco. Como foi o processo de integração à Vlad V? O que mais chamou a atenção de vocês na proposta da banda e como se deu essa conexão musical?
Clifton: Foi um processo bem natural na verdade. Nós já conhecíamos o Jean há muito tempo. Já éramos fãs e frequentávamos os shows do Vlad. 

Eu até já havia promovido um show deles em um dos festivais que organizo. Mais tarde nós passamos a tocar juntos no formato “Máquina Seca & Jean Carlo”.

A Máquina Seca é um projeto paralelo que eu tenho com o Seco há mais de dez anos. Então juntamos forças com o Jean e fizemos vários shows há alguns anos atrás. Tocamos alguns covers e também canções do Vlad. Foi meio que um pré Vlad com essa formação. 

O projeto deu uma esfriada e há cerca de dois anos acabamos entrando pro Vlad. E hoje aqui estamos! Muito felizes e honrados em fazer parte dessa lendária banda que sempre nos influenciou e nos marcou na nossa trajetória musical. 


RtM: Vocês chegaram trazendo novas influências para o som da Vlad V? Como têm contribuído criativamente nos novos projetos e o que o público pode esperar dessa nova fase?
Seco: Nossas influências são muito parecidas: todos gostamos do bom rock progressivo dos anos 70. Nas novas composições participamos ativamente em todas as partes do processo, afinal somos uma banda e é importante ter características individuais de cada integrante nas canções. O público pode esperar o Vlad V voltando às suas raízes nessa nova fase!


RtM: Como vocês avaliam o papel das plataformas digitais na difusão da música da Vlad V? O que mudou na relação com o público desde a ascensão dessas tecnologias?
Jean Carlo: O maior problema é a grande mídia, como rádio e TV, que muitas vezes ignora a boa música. Somando isso às dificuldades de um país subdesenvolvido, temos um pacote completo de desafios. Mas o rock alivia tudo isso, então nem pensamos em parar.


Entrevista: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 









sexta-feira, 17 de abril de 2026

Entrevista - Homeless: Ex- Ratos de Porão Desafia o Mercado Fonográfico com Novo Projeto

 


A banda Homeless foi formada no Brasil por Spaghetti, conhecido por sua passagem como baixista do Ratos de Porão nos anos 1980, período importante para a consolidação do punk/hardcore nacional.

Após sair do Ratos, Spaghetti buscou explorar sonoridades mais extremas e pesadas, o que levou à criação da Homeless em 2010, já com uma proposta voltada ao crossover, e evoluindo para um direcionamento mais Death Metal.

O grupo está em plena divulgação do seu mais recente trabalho, "Obscuro Lado da Alma", e conversou conosco sobre esse álbum e muito mais. 


- Olá Spaghetti. Obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo álbum “Obscuro Lado da Alma”.

Obrigado! 


- Como você pode descrever o trabalho na composição deste tipo de sonoridade?

Desde que voltamos a ativa com força total a ideia era fazer um disco mais sério, tanto em sonoridade quanto nas letras. E esse disco é só o começo dessa fase mais Metal, vem mais coisa logo mais.


- Vejo que vocês incorporaram novos elementos, como os fãs tem "digerido" essas mudanças?

Como a gente tenta sempre fugir do óbvio, as vezes demora um pouco pra ser digerido, e a ideia é essa mesmo, não vamos nunca entregar o famoso “mais do mesmo”.

- Existem planos para o lançamento de “Obscuro Lado da Alma” no Brasil, no formato físico? Tivemos contato até agora, apenas o formato digital.

O vinil já está na fábrica, deve sair no máximo até o meio do ano.É uma parceria de vários selos, estamos empolgados com isso. E estamos fazendo contatos fora do Brasil também, em breve deve ter novidades.


- Vocês compõem em português, mas isso não pode vir a atrapalhar vocês no mercado exterior?

Eu acho que quem ouve metal brasileiro fora do Brasil também quer nossa originalidade, e cantar em português faz parte disso. Mas no próximo trabalho temos vontade de fazer pelo menos um som em inglês, mas tem que ser natural pra gente.


- Como estão rolando os shows em suporte ao disco? A aceitação está sendo positiva?

A aceitação está sendo ótima, e estamos armando uma mini tour para o lançamento do disco em vinil.


- Quem assinou a capa do CD? Qual a intenção dela e como ela se conecta com o título?

Quem fez todas as artes foi o Vinícius Vai, que é vocal 3 guitarra também, então tá tudo em casa. O que ajuda também a transmitir as ideias também de forma visual, já que essa identidade visual atrelada ao som é uma coisa muito importante pra gente.

- “Obscuro Lado da Alma” foi todo produzido pela banda, confere? Foi satisfatório seguirem por este caminho?

Foi produzido pela banda e com uns toques super importantes do Niko Teixeira do Extreme Lab Estudios onde gravamos.


- Imagino que já estejam trabalhando em novas composições. Se sim, como está se dando o processo e como estão soando?

A gente nunca para, e já estamos compondo material pra um EP que queremos gravar e soltar ainda esse ano. Tá bem mais pesado, isso eu posso garantir.


- Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao HOMELESS!

Valeu! 

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Entrevista - Themalefik: A União do Brasil com o Japão em Prol do Black Metal

 


THEMALEFIK, da cidade de São Paulo, Brasil, se consolidou como uma das mais importantes bandas de Death/Black Metal do Brasil desde 1994. 

Após alguns lançamentos durante os anos, e já radicada no Japão, finalmente chegou, em 2024, ao tão aguardado momento de disponibilizar o seu segundo full-lenght,  “My Inner Demons”, que marca um novo capítulo em extensão artística.

Agora, a banda já segue os próximos passos, trabalha na divulgação do terceiro álbum, "Covenant of Chaos" e já tem mais um petardo engatilhado para 2026. 

Confira o que o fundador Cláudio Monteiro tem a dizer sobre esse novo trabalho e os planos futuros 


Olá Cláudio, obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo lançamento do CD “Covenant of Chaos”, pois o material está excelente.

Cláudio Monteiro: Nós é que agradecemos o espaço e a atenção da ROAD TO METAL. Muito obrigado pelas palavras. Covenant of Chaos é um trabalho construído com muito cuidado e convicção ao longo de anos de estrada. 

Ele não foi pensado para fórmulas ou concessões, mas como uma expressão honesta das reflexões que carregamos desde o início da banda, ainda em 1993. É resultado de uma longa observação das transformações — e dos colapsos — morais, sociais e espirituais que seguimos presenciando, e que continuam nos impulsionando criativamente.

Como você descreve o trabalho de composição dessa sonoridade? 

Cláudio Monteiro: A composição no ThemalefiK começa na ruptura. Trabalhamos com dissonância, repetição opressiva, variações rítmicas instáveis e camadas que criam tensão constante. Não há compromisso com gêneros ou fórmulas, apenas com intenção. A música precisa soar como falha estrutural, como algo prestes a ruir, porque é exatamente assim que o mundo se apresenta. Se o som incomoda, é porque reflete algo real.

O disco exige várias audições para ser compreendido. Isso tem sido percebido pelos fãs? 

Cláudio Monteiro: Sim, e isso é natural. Covenant of Chaos não se revela apenas pelo ouvido, mas pelo que cada um carrega por dentro. O disco não entrega respostas prontas — ele provoca dúvidas, silêncios e confrontos internos. 

A cada audição, o ouvinte encontra camadas que dialogam diretamente com suas próprias contradições, crenças e fragilidades. O caos ali não é apenas externo; ele reflete aquilo que cada um sabe que sente, mas muitas vezes evita encarar. Não acreditamos em música que passa sem deixar marcas.

Existem planos para o lançamento físico do álbum no Brasil? 

Cláudio Monteiro: Sim. O formato físico continua sendo essencial no underground. O digital espalha, mas o físico consolida. Quando Covenant of Chaos sair nesse formato, não será apenas um CD, mas um objeto conceitual, pensado como extensão do álbum. Nada será feito de forma vazia ou apressada.

O uso do inglês pode afastar o público brasileiro? 

Cláudio Monteiro: Não. O ThemalefiK nunca se limitou a idioma. Muito antes disso, já expúnhamos a realidade brasileira de forma direta em português. “Vergonha”, gravada em 1998, já escancarava uma nação construída sobre humilhação, miséria moral e silenciamento. A letra questiona diretamente do que deveríamos nos orgulhar — ou se o único sentimento honesto possível seria a vergonha. O mais perturbador é constatar que, décadas depois, essa pergunta continua válida porque nada mudou no Brasil. 

“Cadáveres nos Jornais” aprofunda essa denúncia ao mostrar a morte transformada em rotina e manchete descartável, enquanto a corrupção se esconde atrás do discurso da falta de recursos. A mídia não informa — anestesia. As pessoas veem, se calam e seguem vivendo uma vida anormal. Já “Vida”, gravada em 1998 e regravada no álbum Your Belief, vai além da crítica social e atinge o núcleo da crença humana. 

A música desmonta a ideia de transcendência, questiona a vida pós-vida e reduz a existência àquilo que ela realmente é: barro, carne, água e sangue. Não há promessa futura, apenas o instante. Essa música antecipa de forma clara a filosofia de Your Belief, que questiona a fé, a obediência e a necessidade humana de criar ilusões para suportar a finitude religiosa.

Como estão rolando os shows em suporte ao disco? 

Cláudio Monteiro: O palco não é entretenimento, é exposição. Ao vivo, o ThemalefiK funciona como um rito de confronto. Não suavizamos nada. Quem se conecta entende que não se trata de conforto, mas de presença e intensidade; quem já presenciou o ThemalefiK ao vivo sabe disso muito bem. Se alguém se sente desconfortável, talvez seja exatamente aí que deveria prestar mais atenção. Estamos preparando o terreno e fazendo o nosso papel na divulgação do álbum e, consequentemente, dos shows.

Quem assinou a capa do CD e qual a intenção dela? 

Cláudio Monteiro: A capa foi concebida junto à banda, a partir de um conceito muito claro: o pacto com o caos. Ela representa a ruptura definitiva com crenças impostas, a falência da ordem e a aceitação do colapso como força transformadora. Não explica — provoca, assim como a música. A arte nasceu de um esboço criado pelo baterista; a partir daí, buscamos a essência da banda de 1993, resgatamos isso e trouxemos o passado para o presente. Assim nasceu o disco.

“Covenant of Chaos” foi totalmente produzido pela banda? 

Cláudio Monteiro: Sim. Produzir o próprio material é uma escolha ideológica. Desde Your Belief, seguimos uma linha clara: controle total da mensagem. Questionamos a fé, a obediência e as estruturas que moldam o comportamento humano. Covenant of Chaos é a consequência direta disso — quando a crença cai, o caos assume.

Já existem novas composições em andamento? 

Cláudio Monteiro: Sim. O processo continua, mas não como ruptura, e sim como aprofundamento. Seguimos explorando crença, colapso, repetição histórica e decadência humana. O ThemalefiK não reage ao mundo — ele o reflete de forma crua. No fim, tudo isso é sobre lucidez, mesmo quando ela dói.

Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao THEMALEFIK… 

Cláudio Monteiro: Agradecemos o espaço e o respeito. O metal não sobrevive pela aceitação, mas pela resistência. Enquanto houver silêncio imposto, o ThemalefiK continuará fazendo barulho.


Site Oficial 




quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Entrevista - Grave Digger: O Ceifador Nunca Descansa

Jens Howorka

Por Amanda Misturini

O Grave Digger, neste ano de 2025, comemora 45 anos de carreira. Sob a liderança do vocalista Chris Boltendahl, a banda ajudou a moldar a cena do metal germânico ao lado de nomes como Running Wild, Accept e Helloween, com suas guitarras pesadas, vocais potentes e letras que abordam temas como mitologia, guerras, morte e diversos aspectos históricos. Entre os álbuns mais cultuados pelos fãs está o disco de estreia Heavy Metal Breakdown (1984), um marco do heavy metal alemão naquela época. 

Atualmente com uma nova formação, o grupo retorna ao Brasil no próximo mês de novembro para quatro apresentações em diferentes capitais. A poucas semanas de desembarcar no país, Chris Boltendahl conversou com a Road To Metal em um breve bate-papo que você confere a seguir:

A banda está em uma nova fase com mudanças na formação. Como essa renovação impactou o som e a energia do Grave Digger no palco e no estúdio?

Chris Boltendahl: Foi um impacto muito bom, porque o Tobias Kasten é o novo guitarrista e ele também é um grande fã de heavy metal e ama o Grave Digger. Ele consegue apresentar o som que nós amamos. Estamos, mais ou menos, de volta ao som característico da banda. Somos guitarra, baixo, bateria e vocal, não usamos mais teclados no palco. Então, sim, é heavy metal puro. E com o Tobias, estamos de volta a esse tipo de som. 

Nayara Sabino

Sobre o teclado, eu tenho uma pergunta a respeito disso. Por muitos anos, o Reaper - interpretado pelo ex-tecladista Katzenburg -, foi uma presença marcante nos shows ao vivo do Grave Digger, dando à banda uma identidade visual única e sombria. O que levou vocês a pararem de incluir esse personagem nas performances recentes? Vocês sentem falta desse elemento teatral no palco?

Chris Boltendahl: Há uma razão bem simples para isso. O Reaper não é o baterista (risos). O H.P. Katzenburg saiu da banda em 2014, porque passou a se dedicar bastante ao teatro e não queria mais fazer turnês. Por isso, o técnico de palco e o roadie de bateria, Marcus Kniep, entrou para a banda como tecladista e também interpretava o mascote Reaper. 

Quando o Stefan Arnold saiu da banda, lembramos que o Marcus também é um ótimo baterista. Então ele assumiu a bateria, e o Reaper desapareceu (risos). Agora usamos o Reaper apenas nas capas, mas ao vivo estamos sem teclados. Está sendo muito divertido tocar novamente como um quarteto.

Nayara Sabino

Como funciona o processo de composição com a sua esposa, e quanto essa parceria influencia o som atual do Grave Digger?

Chris Boltendahl: O Tobias tem, mais ou menos, a mesma visão que eu sobre como a banda deve soar. Quando começamos a criar uma música, eu passo algumas ideias para ele e ele volta com suas ideias de guitarra, então eu digo 'hey, a letra da música vai por este caminho, e este é o título'. Aí criamos tudo como se fosse um jogo de Tetris, vamos colocando peça por peça e no final, no topo, temos uma nova música do Grave Digger. 

Temos uma boa parceria na composição, é muito divertido. No momento, estamos criando algumas músicas novas para o próximo álbum e, até agora, está ficando um pouco diferente do último. Não será um álbum conceitual, mas, musicalmente, terá um som um pouco diferente, e não de um jeito ruim. 

Nayara Sabino

O Grave Digger tocou pela primeira vez no Brasil em 1997. Quais são as suas lembranças mais marcantes dessa experiência? E como você vê a evolução do público brasileiro desde então?

Chris Boltendahl: 1997 foi divertido, porque estávamos lá com o Rage. Tocamos dois shows em São Paulo e um em Buenos Aires. Lembro que o promotor organizou tudo muito bem para as bandas, mas esqueceu de fazer a divulgação (risos). Acho que, na primeira noite, havia cerca de 300 pessoas, e na segunda, por volta de 600. 

Ele acabou perdendo muito dinheiro, porque trazer duas bandas para o Brasil, com hotel, voos e tudo mais, custava bastante. Fico realmente sentido por ele, mas foi um erro dele não fazer nenhuma promoção. Mas, para as bandas, foi ótimo, porque era a primeira vez de ambas na América do Sul. Nos divertimos muito, e acho que os shows foram muito bons, sim.

Nayara Sabino

A capa do novo álbum, Bond Collector (2025) - assim como os singles lançados anteriormente -, chamou atenção por terem sido criadas com o uso de inteligência artificial, um contraste marcante em relação às capas anteriores feitas por ilustradores. O que motivou essa escolha? E qual você considera ser a principal diferença desse processo em comparação com as formas de arte tradicionais que acompanharam a trajetória do Grave Digger?

Chris Boltendahl: O engraçado é que a maioria dos artistas, hoje em dia, também usa inteligência artificial. Para mim, um cara das antigas, foi tipo 'ah, existe uma nova ferramenta, chama-se IA'. Então eu estava sentado no computador, abri um programa com IA e comecei a testar: 'ok, o Reaper está em um trono, há alguns pássaros, árvores, um castelo ao fundo...', e aí surgiu a primeira capa. Eu olhei e pensei 'uau, isso está ótimo! Vamos fazer a próxima.' E é como se você ficasse viciado nisso, criando capas e mais capas. Fiz isso por dois dias, oito horas por dia, e no final eu tinha umas 600 capas (risos). Mas a única que realmente se destacou foi a que acabamos usando. Eu pensei 'ah, essa combina perfeitamente com a música.' 

Nem parei pra pensar no que as pessoas iam achar sobre o uso de IA ou algo assim. Então entreguei o material para a gravadora, e aí veio uma tempestade de críticas (risos). Mas eu sou um cara honesto e disse: 'sim, usei IA.' Agora nós já terminamos o novo álbum, e ele foi, ou está sendo feito novamente por um ilustrador. 

Eu sei que as pessoas podem usar ferramentas de IA para analisar e descobrir se uma capa foi feita com inteligência artificial, mas, com a nova, isso não será possível. É 0% IA, é pintura mesmo. Ela também é bem diferente da última, mas ainda falta um ano para vocês poderem vê-la (risos).

Nayara Sabino

Nesta turnê especial de 45º aniversário, o que os fãs da América Latina podem esperar do setlist? Vocês vão focar mais nos lançamentos recentes, como Bond Collector, ou será uma jornada completa pela história do Grave Digger?

Chris Boltendahl: Não será uma jornada completa, vamos deixar de fora todos os álbuns que fizemos com o Axel Ritt. Tocaremos principalmente músicas dos anos 80 e 90, além de faixas do início, como do álbum "Heavy Metal Breakdown" (1984), "The Reaper" (1993), "Tunes of War" (1994) e assim por diante. Também incluiremos duas ou três músicas do álbum Bond Collector. Então, é um setlist muito bom! Já apresentamos esse repertório aqui na Alemanha e em outros países neste ano, e o público adorou!

Nayara Sabino

Ótimo! E a última pergunta de hoje: estou usando uma camiseta da banda Hellway Train, que é de Belo Horizonte e uma das maiores bandas de heavy metal do Brasil atualmente. Eles serão a banda de abertura para o Grave Digger em Curitiba. Qual é a sua opinião sobre o heavy metal brasileiro, ou sobre o heavy metal moderno em geral, e como você vê sua evolução nos dias de hoje?

Chris Boltendahl: Não estou tão familiarizado com o heavy metal moderno. Conheço várias bandas que tentam trazer de volta o espírito dos anos 80, bandas novas que não nasceram nos anos 80, mas que tentam tocar músicas daquele período. Isso é bem engraçado, porque eu penso que, para realmente transmitir o espírito dos anos 80, você precisa ter nascido naquela época (risos). 

De qualquer forma, existem muitas bandas divertidas, e também a Hellway Train. Vou ter que ouvi-los quando a entrevista acabar. Acho que será ótimo ter bandas brasileiras conosco na turnê. A maior que conheço do Brasil é o Sepultura, mas também conheço o Angra. Acho que essas são todas as bandas brasileiras que conheço. Então, farei algumas experiências durante a turnê para descobrir como soam as bandas.

SERVIÇO BRASÍLIA

Data: 11/11/2025 – terça-feira

Horário: 18h

Local: Toinha Brasil Show

Endereço: SOF Sul Quadra 9 SN, Conjunto A – Guará, Brasília – DF

Classificação etária: 18 anos

Venda: https://101tickets.com.br/events/details/Grave-Digger-e-Ambush-em-Brasilia


SERVIÇO CURITIBA

Data: 11/11/2025 – quarta-feira

Horário: 18h

Local: Tork n’ Roll

Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças, Curitiba – PR

Classificação etária: 18 anos

Venda: https://101tickets.com.br/events/details/Grave-Digger-e-Ambush-em-Curitiba


SERVIÇO SÃO PAULO

Data: 14/11/2025 – sexta-feira

Local: Carioca Club

Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros, São Paulo – SP

Venda: https://uhuu.com/


SERVIÇO LIMEIRA

Data: 15/11/2025 – sábado

Local: Mirage

Endereço: Av. Prof. Joaquim de Michieli, 755 – Jardim Esmeralda, Limeira – SP

Venda: https://www.circleofinfinityproducoes.com/gravedigger/