Mostrando postagens com marcador Melodic Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Melodic Rock. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Entrevista – Degreed: Entre a Tradição e o Futuro do Rock Melódico

Divulgação

Por Flavio Borges

Há algo particularmente interessante no modo como o Degreed construiu sua identidade ao longo dos anos. Vindos da Suécia — um dos grandes celeiros mundiais de melodias, do hard rock e do pop de alcance global —, os músicos nunca se limitaram a reproduzir a fórmula clássica do rock melódico. Ao contrário, desde os primeiros trabalhos, a banda vem combinando guitarras pesadas, vocais agressivos, elementos modernos e uma forte preocupação com melodias, criando uma sonoridade que transita com naturalidade entre o hard rock tradicional e uma abordagem mais contemporânea.

Em conversa com Road To Metal, o vocalista Robin Eriksson falou sobre o processo de criação de Curtain Calls, a liberdade de trabalhar separadamente dos demais integrantes e a busca constante por novas possibilidades dentro do universo do rock melódico. 

Entre planos para novos shows, material inédito e até uma nova versão cover que Robin preferiu manter em segredo durante a entrevista, o futuro do Degreed parece apontar para a mesma direção de sua música: preservar aquilo que funciona, mas nunca ficar parado. Pesado e intenso, mas também suave, bonito e melódico — como o próprio Robin define —, o Degreed continua buscando seu espaço entre a tradição do hard rock e o futuro do rock melódico.


Acredito que podemos começar falando sobre o álbum mais recente, Curtain Calls. É o trabalho mais recente de vocês e, não apenas para mim, mas para a maioria das pessoas, ele representa exatamente a proposta que a banda nos apresenta: uma mistura entre o hard rock tradicional e o moderno, ou o melodic rock, como você preferir chamar. O que você pode nos contar sobre isso? Sobre o processo? Como começou a composição desse álbum? Houve alguma coisa diferente em relação aos outros?

Robin: Hoje em dia, nós dois moramos em uma cidade pequena, ou melhor, em uma vila chamada Koppa Bay. Foi onde eu cresci, então fica mais ou menos no centro da Suécia. Eu e meu irmão, o baterista Mats, moramos em Copperberg. Já o Mike, tecladista, e o Daniel, guitarrista, moram em Estocolmo.

Nós quatro costumávamos morar em Estocolmo, mas agora estamos separados, e com trabalho, filhos e tudo mais, acabamos fazendo a maior parte das composições, das gravações e de todo o resto separadamente. É assim que tem sido nos últimos cinco, seis, sete anos.

Mas tudo bem. Na verdade, eu gosto de gravar sozinho, sem ninguém apontando o dedo e dizendo o que fazer.

Frontiers Records (Imp.)

Eu entendo (risos).

Robin: É, e acho que os outros também gostam disso. Você sabe, existem aspectos positivos e também negativos, é claro. Às vezes é bom ter alguém dizendo: “Você pode fazer isso melhor”. Mas, de qualquer forma, esse foi mais ou menos o processo.

E nós tentamos manter os elementos que já são característicos da banda, como você mencionou. O que normalmente temos com o Degreed: um som um pouco pesado, mas também muito melódico, e isso é importante para nós. Tudo isso continua presente, mas, ao mesmo tempo, tentamos sempre seguir em frente.

Sempre. E ter uma versão atualizada, algo assim...

Robin: E isso pode acontecer em pequenas coisas. Por exemplo, eu não estou mixando o álbum, mas falei para o Mats, que está mixando, que queria que a bateria tivesse um som um pouco mais sujo. E acho que conseguimos isso. Fiquei feliz com o resultado.

Então, podem ser pequenas coisas que acabam mostrando: “Ah, esse é o som desse álbum em particular”. Nesse caso, de Curtain Calls.


E você acredita que esse tipo de coisa é o que faz o Degreed ser diferente das outras bandas do mesmo gênero? Vocês têm um som um pouco mais pesado, um pouco mais sujo, mas, como você disse, sempre mantendo a melodia, certo?

Robin: Sim, eu acho que sim. E acho que somos um pouco diferentes porque temos um som bem variado. Não sei se essa é a palavra certa, “variado”, mas, temos um pouco disso, um pouco daquilo. Às vezes, o som é um pouco sinfônico, podemos ter uma balada de piano e também podemos ter coisas realmente pesadas. Às vezes eu grito, e em outras canto de forma bem suave.

Em relação à sua voz, como você comentou, você usa vários tipos diferentes de vocais no álbum. É você quem escolhe os efeitos, ou deixa isso por conta do produtor?

Robin: Eu diria que, na maioria das vezes, sou eu. Acho que tenho uma ideia de como quero que soe, mas não sei exatamente como fazer isso acontecer. Seja qual for o programa que você usa, como o Pro Tools ou o Logic. Não sei se você conhece esses diferentes programas.

Apenas decisões técnicas.

Robin: No meu caso, eu só consigo dizer como quero que soe, tipo: 'ok, você pode colocar um pouco daquele som? Quero que minha voz soe como a do Ozzy Osbourne. Faça acontecer, por favor.' Mas eu não sei como fazer isso (risos). 

E, como você estava falando sobre todos esses tipos diferentes de vocais e todos esses tipos diferentes de sonoridades — um som mais pesado, um som mais sujo —, eu tinha uma pergunta para fazer mais tarde, mas vou fazê-la agora, porque também sou um grande fã do Children of Bodom. E, para mim, foi uma grande surpresa ver uma banda de hard rock, de metal rock, fazendo um tributo ao Alexi. Foi muito legal, cara. Eu gostaria que você falasse um pouco sobre isso, porque foi realmente uma surpresa ver vocês fazendo um tributo a uma banda completamente diferente da de vocês.

Robin: Na verdade, o nosso tecladista, o Mike, é muito, muito influenciado pelo Children of Bodom e pelo tecladista Janne Wirman, se você o conhece. Então, ele sempre foi um grande fã da banda. O Mike é meu primo, na verdade, então nos conhecemos a vida inteira.

Basicamente é uma banda de família: seu irmão, seu primo...

Robin: Sim, exatamente. Enfim, nós também temos a mesma idade. Então, ele escuta essa banda desde que nós éramos adolescentes, basicamente. E ele foi vê-los várias vezes em Estocolmo. Eu sei que existe um show ao vivo gravado em Estocolmo, de 2003 ou algo assim, não é?

Algo desse tipo.

Robin: Sim, você já ouviu falar sobre isso, e ele estava lá. Então, ele vem acompanhando a banda há bastante tempo. A inspiração vem dele, ou melhor, ele é como uma ponte entre nós e a banda. Então, eu também comecei a ouvir Children of Bodom, e o Alexi era uma verdadeira estrela do rock. Ele realmente era.

Sim, só para você saber, eu trabalhei com eles aqui na América Latina.

Robin: Você trabalhou com eles?

Sim. Eu trabalhei com eles quando estavam em turnê com o Amorphis, em 2009, se não estou enganado.

Robin: Ah, então você conheceu eles, passou um tempo com a banda e tudo mais?

Sim, por alguns dias no Brasil, na Argentina e no Chile.

Robin: Uau, que legal!

Eles eram realmente estrelas do rock (risos).

Robin: Sim, esse é o tipo de cara que você admira, por assim dizer. Ele era como alguém intocável para algumas pessoas, se é que você me entende. Provavelmente, ele era a pessoa mais gente boa do mundo e um cara supernormal, apesar de provavelmente conseguir beber mais do que todo mundo na mesa.

Exatamente. Ele era esse tipo de cara.

Robin: É, basicamente todos os caras daquela banda naquela época, porque alguns deles eram finlandeses.

Sim. Posso imaginar (risos).

Robin: É, mas enfim... Nós, na verdade, temos alguns elementos nos nossos álbuns que, se você prestar mais atenção, mostram bastante essa influência do Children of Bodom, mesmo antes daquela música em tributo. Posso citar uma música chamada “War”, do nosso álbum autointitulado. Escute essa. Basicamente, é uma música do Children of Bodom.

Eu sei, eu tenho todos os álbuns de você (risos).

Robin: Fico feliz em ouvir isso. Então, principalmente as partes de teclado, são muito inspiradas no Children of Bodom. É algo bem legal que provavelmente muitas pessoas não tinham percebido antes (risos).

Divulgação

Outra pergunta que eu tenho, e que realmente me interessa, é sobre você. Você vem de um país, a Suécia, que tem uma enorme tradição no rock melódico e, especialmente, em bandas de pop rock, com produções gigantescas. Isso inclui, por exemplo, uma série de...

Robin: Max Martin?

Sim, tem uma série na internet, na Netflix, sobre isso. Como isso influenciou você e os outros integrantes da banda? Vocês também foram muito influenciados por esse cenário musical que existe no próprio país de vocês?

Robin: Nós somos realmente muito inspirados quando o assunto são melodias, pela música pop. Tenho que admitir isso. Talvez venha da tradição que temos, talvez seja algo natural, por assim dizer. Não sei. Mas temos todas essas bandas e artistas gigantes da Suécia quando se trata de melodias. Temos o Europe, por exemplo, e o Max Martin, que hoje é o maior compositor de todos os tempos.

Sim, com certeza.

Robin: E temos o Roxette, além de muitos outros artistas e bandas gigantes. Também temos todas essas bandas de rock melódico, maiores e menores, como H.E.A.T, Eclipse e todas essas outras. Não sei o que é. Não sei se é o ar fresco do norte ou...

Sim. Aqui no Brasil, costumamos dizer que é a água.

Robin: Sim, exatamente. É a água. Deve ser alguma coisa.

Sim. E durante toda essa trajetória que vocês já construíram, qual foi o maior desafio que vocês enfrentaram no dia a dia? Foi a divulgação, os shows, as turnês? O que é mais difícil? Qual é o desafio para vocês?

Robin: Acho que foi quando a Covid chegou. Tenho que dizer que esse foi o maior desafio. E todas aquelas festas acabaram cobrando seu preço de mim (risos).

Durante aquele período, foi realmente muito difícil voltar. Na verdade, foi muito difícil retomar depois da pandemia. Antes disso, estávamos prestes a fazer nossa primeira turnê como atração principal e tudo estava acontecendo. Então, com a pandemia e tudo o que veio junto com ela, meio que desacelerou tudo, e tivemos que começar do zero. Essa foi a parte mais difícil. E, além disso, queremos sair mais em turnê. E é realmente difícil fazer isso acontecer. É muito caro e tem toda essa questão de custos e coisas do tipo. Então, eu diria que esse é o maior desafio.

Você tem alguma ideia sobre os fãs da América Latina?

Robin: Um pouco, mas eu adoraria conhecer mais e ver isso de perto. Espero que tenhamos a oportunidade de ir para aí algum dia e que possamos conhecer vocês.

No Spotify, existe uma ferramenta chamada Spotify for Artists, não sei se você já ouviu falar, e conseguimos acompanhar estatísticas e coisas do tipo. E podemos ver que o Brasil está sempre entre os países com mais ouvintes, na verdade.

Sim, nós também temos uma tradição de estar entre os cinco primeiros quando se trata de bandas de hard rock e rock melódico no mundo todo. 

Robin: Seria muito legal descer do avião no Brasil.

Sim, esperamos que isso aconteça (risos).

Robin: E os fãs estão esperando por nós.

Sim. E, como você já comentou que vocês têm a intenção de vir para cá, existe alguma música em especial que vocês gostariam muito de tocar na América Latina?

Robin: Sim, estou pensando no cover de “Spending My Time”, do Roxette.

Ah, isso vai ser muito legal (risos).

Robin: Porque percebemos que o maior número de ouvintes dessa música vem justamente do Brasil. Não sei por quê.

Bom, o Roxette é realmente muito grande aqui. Eu fiz uma turnê com eles por aqui em 2011.

Robin: Ah, que legal!

Ela ainda estava viva. Foi a última turnê deles. E eles acabaram de tocar aqui, fizeram uns cinco ou seis shows com ingressos esgotados em alguns lugares.

Robin: Só no Brasil?

Sim. Não sei se eles foram para outros países da América Latina, mas sei que vieram para o Brasil e fizeram alguns shows aqui, para cinco ou seis mil pessoas. Eles eram realmente muito grandes no Brasil, assim como outras bandas suecas, como o Europe. Eu já fiz turnês com eles por aqui. E até com o Yngwie Malmsteen, fizemos um show com ele há alguns meses. Todas essas pessoas fazem parte da sua vida desde que você é fã de rock, certo?

Robin: Sim, fazem.

Divulgação

Então, também gostaria de saber: você acredita que o próprio rock melódico vai evoluir ainda mais do que já está evoluindo atualmente? Não sei se você concorda comigo, mas há muitas bandas novas surgindo com novas propostas, e acredito que vocês estejam um passo à frente. Acho que o Degreed é a banda que lidera essa nova abordagem, misturando elementos da música moderna com o hard rock tradicional. Você acredita que esse é o caminho pelo qual o rock melódico vai evoluir?

Robin: Espero que sim (risos). Acho que fomos uma das primeiras bandas a misturar um pouco de batidas e coisas do tipo na nossa música. E depois começamos a ouvir outras bandas surgindo com essa proposta alguns anos mais tarde. Eu espero que sim. E gosto que você diga que somos os líderes desse tipo de abordagem (risos).

Sim, porque posso estar errado, mas acredito que, quando ouvimos até mesmo os seus discos mais antigos, percebemos que existe uma abordagem moderna, mas sem nunca deixar de lado o tradicional, certo?

Robin: Exatamente.

Sabe, é uma mistura perfeita. E é por isso que estou perguntando: você acredita que vocês já estejam influenciando outras bandas, de uma forma que você nunca sente?

Robin: Não, nunca pensei dessa forma, na verdade. Mas talvez esteja acontecendo, e isso seria muito legal. Quer dizer...

Porque, para mim, acredito que seja muito mais fácil perceber isso de fora.

Robin: Sim, acho que sim.

Eu teria que ouvir muitas bandas para perceber isso, mas é algo que tenho em mente há algum tempo, porque, para ser sincero, vocês foram uma das primeiras bandas que ouvi usando guitarras com vocais agressivos. Isso não era tão comum no rock melódico.

Robin: Não, não, não. É verdade. Nós ousamos misturar um pouco as coisas (risos). Mas talvez, um dia a gente se torne algum tipo de lenda (risos).

Por que não? Nunca se sabe.

Robin: Agora, com o Rush fazendo uma nova turnê, eles são a banda mais legal do mundo.

Você acha?

Robin:  Sim, no momento eu acho que eles são muito legais. Quinze anos atrás eu não pensava assim. E aposto que as pessoas também não pensavam assim quando eles surgiram. Eles estavam um pouco à frente do seu tempo. Você entende o que quero dizer?

Sim, eu sei do que você está falando. E, falando nisso, quais são os planos para o futuro?

Robin: Temos três shows em agosto, então essa é a primeira coisa que vamos fazer. E acho que estamos prestes a lançar um novo single, na verdade, uma nova música cover (N.T.: Robin se refere ao cover de "Still In Love with You", do Thin Lizzy. A entrevista foi realizada em junho). Eu nunca contei isso para ninguém, mas vai acontecer muito em breve (risos). Depois disso, é continuar trabalhando e fazendo mais shows. Acho que essa é a coisa mais importante agora. E, quando se trata de lançar músicas novas, nós sempre temos novas canções e material novo, então provavelmente teremos novidades mais cedo ou mais tarde, como sempre.

Então vocês já estão trabalhando em material novo?

Robin: Um pouco. E também temos algumas coisas guardadas. Então, vamos ver. Nós lançamos The Leftovers, e existe uma razão para termos chamado de Vol. I.

Imagino (risos).

Robin: É, então vamos ver.

Eu sei que todos esses shows são na Suécia. 

Robin:Não. Um deles é na Espanha, na verdade.

Ah, legal!

Robin: Acho que é um lugar nos arredores de Madri. Ou era Barcelona? Na verdade, não consigo lembrar. É sempre assim: se não é uma cidade grande, eu simplesmente vou e penso: 'ok.'

Prepare-se, porque vai estar quente lá.

Robin: Eu sei, já ouvi falar.

É igual aqui.

Robin: É mesmo? Quanto está fazendo de temperatura aí agora?

Não, não, estou perguntando porque, no Brasil, normalmente faz calor, mas hoje, para os padrões brasileiros, está muito frio. Está fazendo 13 graus. Está muito frio.

Robin: 13? 

Sim. No Brasil, 13 graus é muito frio. Se você for para a Suécia, eu sei que é pleno verão (risos).

Robin:Sim, exatamente. Isso é algo normal por aqui.

Mas, para os brasileiros, 13 graus é meio estranho. Eu só tenho uma última pergunta para você. Se você tivesse que descrever o Degreed para os fãs brasileiros que ainda não conhecem vocês, que frase usaria para descrevê-los?

Robin: É pesado e intenso, mas também suave, bonito e melódico. Você pode bater cabeça, pode relaxar, pode fazer de tudo com a nossa música.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Neon Rider: A Chama do AOR (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Formado em Buenos Aires em 2020, o Neon Rider surgiu como um projeto dedicado ao AOR e ao hard rock melódico dos anos 1980. Depois de Destination Unknown (2024), a banda retorna em 2026 com uma nova configuração: Marcos Nieva Green assume os vocais, enquanto Hernan Cattaneo permanece como único guitarrista. O resultado é um trabalho que aposta sem reservas na tradição do gênero, combinando riffs vigorosos, melodias grandiosas e refrãos épicos com uma produção contemporânea.

Drowning In Shallow abre o álbum sem rodeios, com a guitarra estabelecendo a base para baixo e bateria, enquanto os teclados acrescentam a camada melódica característica do AOR. O refrão, reforçado por vocais dobrados, amplia a dimensão melódica da faixa e deixa evidente, desde os primeiros minutos, a devoção do Neon Rider aos grandes nomes do gênero.

O primeiro single do álbum segue exatamente essa cartilha. A faixa combina uma cozinha rítmica sólida com guitarras e teclados que se alternam na construção das melodias, enquanto os vocais limpos ganham força com backing vocals especialmente eficazes no refrão. É AOR clássico em sua essência, mas executado com segurança e uma produção que procura atualizar a fórmula. Curiosamente, a ficha técnica fornecida pela gravadora não identifica o responsável pelos teclados.

Helluva Ride começa com uma breve introdução de teclados antes de desembocar em uma condução cadenciada, mais próxima do hard rock. Os backing vocals novamente desempenham papel importante, sobretudo no refrão, construído para ser imediatamente assimilado. Após três faixas, a identidade do Neon Rider já está completamente estabelecida: não há dúvidas sobre o território musical que a banda pretende explorar.

Em Drifting, a viagem aos anos 1980 se torna ainda mais evidente. A sonoridade é imediatamente reconhecível e, dentro da proposta do grupo, isso está longe de ser um problema. A faixa é direta, sem excessos, com a guitarra sustentando a base e deixando espaço para um refrão marcado pelas belas dobras vocais. As linhas melódicas de Marcos Nieva Green são um dos pontos altos, especialmente quando sua voz ligeiramente rouca acrescenta personalidade à interpretação.

Para quem não viveu a época em que o rádio era um dos principais veículos de divulgação da música, uma canção sobre o próprio rádio pode parecer um conceito distante. Pump Up The Radio, porém, abraça justamente essa nostalgia. A faixa funciona como um pequeno tributo à cultura radiofônica dos anos 1980, utilizando uma estrutura AOR tradicional, backing vocals bem encaixados e um refrão de fácil assimilação.

Waiting For My Call mantém a veia melódica e confirma a consistência da proposta. Cadenciada e com cada instrumento claramente definido na mixagem, a faixa chama atenção pela variedade dos backing vocals, que introduzem novas texturas sem romper a unidade sonora do álbum. Guitarras e teclados são utilizados de maneira particularmente eficiente, complementando-se em vez de disputar espaço.

A faixa-título, Keepers Of The Flame, chega introduzida por guitarra e voz, enquanto um timbre ligeiramente mais sujo cria uma atmosfera quase misteriosa. O contraste desemboca em um refrão no qual a melodia vocal assume o protagonismo, novamente reforçada por backing vocals bem posicionados. A cadência típica do gênero permanece intacta, com cada instrumento cumprindo uma função precisa. Hernan Cattaneo entrega um solo essencialmente melódico, mas acrescenta uma breve passagem shred que amplia sua intensidade sem comprometer a característica acessível da composição.

Heading To The Line apresenta uma abertura particularmente interessante, com a bateria ganhando destaque inclusive na mixagem. Guitarra e baixo entram posteriormente para completar os versos e conduzir a música ao refrão, desta vez com backing vocals que se diferenciam do restante do álbum. Os momentos em que voz e bateria assumem o primeiro plano acrescentam uma camada adicional de dinâmica e complexidade à faixa.

Uma bela passagem de guitarra introduz Those Times Are Now Over, que começa de maneira quase épica, apoiada por teclados e percussão. A faixa se encaixa naturalmente no universo AOR, mas sua construção consegue acrescentar uma nova dimensão ao álbum. O teclado ganha protagonismo na transição para o refrão e, em determinados momentos, chega a dominar completamente o arranjo. O refrão é direto, sem excesso de ornamentação vocal, enquanto uma bela virada de bateria ajuda a conduzir a música.

Dominoes coloca guitarra e teclados lado a lado, tanto na base quanto nas linhas melódicas. Não há propriamente uma disputa pelo protagonismo, mas um diálogo eficiente entre os dois instrumentos. O refrão é novamente bastante melódico e, embora utilize poucos backing vocals, possui uma melodia suficientemente forte para permanecer na cabeça do ouvinte. As mudanças de andamento também ajudam a manter o interesse, enquanto guitarra e teclado continuam dialogando durante o solo, com o segundo reforçando e dobrando algumas das linhas de Cattaneo.

Jukebox Anthem é, como o próprio título sugere, um verdadeiro hino hard rock/AOR. A introdução evoca diferentes referências do gênero, mas o Neon Rider consegue imprimir sua própria dinâmica através do uso de efeitos na guitarra e nos vocais. A faixa cresce naturalmente até o refrão, sustentado por uma base de guitarra pontuada pelos teclados nos momentos certos. Os vocais dobrados reforçam a característica radiofônica da composição e conduzem a um solo bem construído sobre uma sólida cama de teclados. É uma das faixas mais completas do álbum.

Another Love Story encerra o disco sem grandes surpresas — e isso, neste caso, é coerente com a proposta. Em vez de buscar uma guinada de última hora, o Neon Rider prefere terminar reafirmando sua identidade, mergulhada na sonoridade clássica do AOR e em referências claras à década de ouro do gênero. O refrão assume contornos quase épicos, com um belo coro e outro bom trabalho de guitarra.

Keepers Of The Flame cumpre seu objetivo é mais direto: preservar a essência de uma sonoridade que teve seu auge nos anos 1980 e apresentá-la com energia, boas melodias e uma produção atual. Em alguns momentos, a produção poderia ser mais equilibrada, escondendo brevemente determinados instrumentos ou fazendo escolhas de destaque que certamente não serão consensuais. No conjunto, porém, o Neon Rider entrega um álbum sólido, coeso e, acima de tudo, honesto em sua proposta. Para quem ainda mantém acesa a chama do AOR clássico, Keepers Of The Flame tem combustível de sobra.


***ENGLISH VERSION***

Formed in Buenos Aires in 2020, Neon Rider began as a project dedicated to the AOR and melodic hard rock of the 1980s. Following Destination Unknown (2024), the band returns in 2026 with a new configuration: Marcos Nieva Green takes over on vocals, while Hernan Cattaneo remains the sole guitarist. The result is an album that wholeheartedly embraces the genre’s traditions, combining powerful riffs, soaring melodies and epic choruses with contemporary production.

Drowning In Shallow opens the album without hesitation, with guitar laying down the foundation for bass and drums, while keyboards provide the melodic layer so characteristic of AOR. Reinforced by doubled vocals, the chorus expands the song’s melodic dimension and makes Neon Rider’s devotion to the genre’s greats clear from the very first minutes.

The album’s first single follows the same blueprint. The track combines a solid rhythm section with guitars and keyboards alternating in the construction of its melodies, while the clean vocals gain strength from particularly effective backing vocals in the chorus. This is classic AOR at its core, performed with confidence and given a production that seeks to bring the formula into the present. Interestingly, the credits supplied by the record label do not identify the keyboard player.

Helluva Ride begins with a brief keyboard introduction before settling into a measured groove that leans more toward hard rock. Once again, the backing vocals play an important role, particularly in a chorus designed for immediate impact. After three tracks, Neon Rider’s identity is already fully established: there is no doubt about the musical territory the band intends to explore.

On Drifting, the journey back to the 1980s becomes even more apparent. Its sound is instantly recognizable and, within the band’s approach, that is by no means a problem. The track is direct and free of unnecessary embellishment, with the guitar maintaining the foundation while leaving room for a chorus marked by beautiful vocal harmonies. Marcos Nieva Green’s melodic lines are one of the highlights, particularly when his slightly raspy voice adds character to the performance.

For those who did not experience an era when radio was one of the main vehicles for music promotion, a song about radio itself might seem like a distant concept. Pump Up The Radio, however, fully embraces that nostalgia. The track works as a small tribute to 1980s radio culture, employing a traditional AOR structure, well-integrated backing vocals and an instantly accessible chorus.

Waiting For My Call maintains the melodic vein and further confirms the consistency of the band’s approach. Measured in pace, with every instrument clearly defined in the mix, the track stands out for the variety of its backing vocals, which introduce new textures without disrupting the album’s sonic unity. Guitars and keyboards are used particularly effectively, complementing rather than competing with each other.

The title track, Keepers Of The Flame, opens with guitar and vocals, while a slightly dirtier tone creates an almost mysterious atmosphere. The contrast gives way to a chorus in which the vocal melody takes center stage, once again reinforced by well-placed backing vocals. The genre’s characteristic groove remains intact, with each instrument serving a clearly defined purpose. Hernan Cattaneo delivers an essentially melodic solo, adding a brief shred passage that increases its intensity without compromising the song’s accessible character.

Heading To The Line features a particularly interesting opening, with the drums receiving prominent treatment, even in the mix. Guitar and bass enter later to complete the verses and drive the song toward the chorus, this time with backing vocals that differ from those used elsewhere on the album. The sections in which vocals and drums take center stage add another layer of dynamics and complexity to the track.

A beautiful guitar passage introduces Those Times Are Now Over, which begins on an almost epic note, supported by keyboards and percussion. The track fits naturally into the AOR universe, yet its construction manages to add another dimension to the album. Keyboards take center stage during the transition into the chorus and, at certain moments, virtually dominate the arrangement. The chorus is direct, without excessive vocal ornamentation, while a fine drum fill helps drive the song forward.

Dominoes places guitars and keyboards side by side, both in the rhythm section and in the melodic lines. There is no real battle for dominance here, but rather an effective dialogue between the two instruments. The chorus is once again highly melodic and, despite using relatively few backing vocals, has a melody strong enough to stay in the listener’s head. The changes in pace also help maintain interest, while guitar and keyboard continue their dialogue during the solo, with the latter reinforcing and doubling some of Cattaneo’s lines.

Jukebox Anthem is, as its title suggests, a genuine hard rock/AOR anthem. The introduction evokes several of the genre’s major influences, but Neon Rider establishes its own dynamic through the use of effects on both guitar and vocals. The track naturally builds toward the chorus, supported by a guitar foundation punctuated by keyboards at precisely the right moments. The doubled vocals reinforce the song’s radio-friendly character and lead into a well-constructed solo built over a solid bed of keyboards. It is one of the album’s most complete tracks.

Another Love Story closes the album without any major surprises — and in this case, that is entirely consistent with the band’s approach. Rather than attempting a last-minute change of direction, Neon Rider chooses to end by reaffirming its identity, immersed in the classic AOR sound and clear references to the genre’s golden era. The chorus takes on almost epic proportions, with a beautiful choir and another strong guitar performance.

Keepers Of The Flame fulfills its most direct objective: preserving the essence of a sound that reached its peak in the 1980s while presenting it with energy, strong melodies and contemporary production. At times, the production could be more balanced, briefly burying certain instruments or making choices about what to emphasize that will certainly not appeal to everyone. Overall, however, Neon Rider delivers a solid, cohesive album that is, above all, honest about its intentions. For those who still keep the flame of classic AOR burning, Keepers Of The Flame has plenty of fuel to spare.

Divulgação 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Nestor: Feitos Para o Palco (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Formado originalmente em 1989, o NESTOR ressurgiu em 2021 com Kids in a Ghost Town, recuperando para o cenário internacional uma sonoridade que muitos julgavam pertencer definitivamente ao passado: o hard rock melódico sueco moldado pelo AOR e pelo rock de arena dos anos 1980. Teenage Rebel (2024) consolidou essa identidade, transformando a nostalgia em algo mais do que um exercício de arqueologia musical. Com Live at Gothenburg Film Studios, a banda finalmente registra em formato oficial aquilo que seus shows já vinham demonstrando: por trás da estética retrô existe uma formação extraordinariamente segura de sua própria identidade.

Musicalmente, o álbum acerta praticamente em cheio. O set list de 16 faixas percorre os dois discos de estúdio com inteligência, alternando hinos de arena, momentos mais pesados, baladas e faixas de forte apelo AOR sem comprometer o ritmo do espetáculo. “We Come Alive”, “Kids in a Ghost Town” e “Stone Cold Eyes” estabelecem imediatamente a identidade da banda, enquanto “Perfect 10”, “Unchain My Heart” e “Signed in Blood” ampliam a paleta. Na reta final, “Victorious”, “Firesign”, “On The Run”, “Teenage Rebel” e “1989” formam uma sequência particularmente forte, antes de “It Ain’t Me” encerrar o percurso. É um repertório cuidadosamente construído para o palco, onde melodias instantâneas e refrãos monumentais assumem uma dimensão naturalmente maior.

E a banda corresponde à altura. Tobias Gustavsson confirma ser uma das grandes armas do NESTOR ao vivo, preservando a potência e a precisão das gravações sem transformar as canções em reproduções mecânicas. Sua voz continua sendo o centro melódico da banda, mas é a interação entre os músicos que dá peso ao conjunto. Jonny Wemmenstedt equilibra riffs musculosos e guitarras melódicas, enquanto os teclados de Martin Frejinger fornecem aquela camada AOR indispensável à identidade do grupo. Baixo e bateria mantêm tudo ancorado com precisão, permitindo que as músicas cresçam sem perder definição.

Entre os destaques, “On The Run” talvez seja a melhor demonstração de como uma composição já eficiente pode ganhar outra dimensão no palco. Os teclados e guitarras assumem um caráter mais épico, enquanto o refrão confirma sua vocação para arenas. “Victorious” segue a mesma lógica, com sua arquitetura de hino cuidadosamente construída, e “Teenage Rebel” representa talvez o ponto em que passado e presente do NESTOR melhor se encontram. “Firesign”, por sua vez, reforça o lado mais direto e hard rock da banda, enquanto “1989” funciona quase como uma declaração de princípios: o NESTOR não está simplesmente revisitando os anos 1980 — está tentando recuperar a linguagem daquela época e fazê-la funcionar no presente.

É justamente aí que surge a única grande ressalva de Live at Gothenburg Film Studios. A produção é limpa, poderosa e detalhada, e cada instrumento encontra seu espaço na mixagem. Porém, um álbum ao vivo precisa transmitir algo que vai além da execução perfeita: precisa criar a ilusão de presença. E é nesse aspecto que o registro fica aquém do potencial da banda. A plateia aparece de maneira excessivamente discreta e algumas decisões de edição tornam a experiência menos espontânea do que seria desejável. O resultado é tecnicamente impecável, mas nem sempre suficientemente visceral.

A ironia é que essa limitação acaba ressaltando justamente a qualidade do NESTOR. Quanto melhor a banda toca, mais evidente se torna aquilo que o registro não consegue reproduzir completamente. Live at Gothenburg Film Studios confirma que Tobias Gustavsson e seus companheiros possuem repertório, músicos e personalidade suficientes para dominar um grande palco. O que falta não é energia, competência ou grandes canções — é aquela dose de caos, interação e atmosfera que transforma uma excelente performance em uma experiência inesquecível.

No fim, Live at Gothenburg Film Studios é um registro musicalmente excelente de uma banda que parece feita para tocar diante de milhares de pessoas. Talvez seu maior paradoxo seja justamente esse: o álbum prova o quanto o NESTOR é extraordinário ao vivo sem conseguir capturar completamente o que torna um show do NESTOR tão especial.


***ENGLISH VERSION***

Originally formed in 1989, NESTOR returned in 2021 with Kids in a Ghost Town, bringing back to the international scene a sound many had assumed belonged firmly to the past: Swedish melodic hard rock shaped by AOR and the arena rock of the 1980s. Teenage Rebel (2024) consolidated that identity, turning nostalgia into something more substantial than a simple exercise in musical archaeology. With Live at Gothenburg Film Studios, the band finally documents officially what their live shows had already been proving: behind the retro aesthetic lies a remarkably assured band with a firm grasp of its own identity.

Musically, the album gets almost everything right. Its 16-track setlist moves intelligently across both studio albums, alternating arena anthems, heavier moments, ballads and strong AOR-driven material without compromising the pace of the performance. “We Come Alive”, “Kids in a Ghost Town” and “Stone Cold Eyes” immediately establish the band’s identity, while “Perfect 10”, “Unchain My Heart” and “Signed in Blood” broaden the palette. Towards the closing stretch, “Victorious”, “Firesign”, “On The Run”, “Teenage Rebel” and “1989” form a particularly strong sequence before “It Ain’t Me” brings the journey to a close. This is a setlist clearly designed for the stage, where instant melodies and monumental choruses naturally assume a larger dimension.

And the band rises to the occasion. Tobias Gustavsson confirms himself as one of NESTOR greatest live assets, retaining the power and precision of the studio recordings without turning the songs into mechanical reproductions. His voice remains the band’s melodic focal point, but it is the interaction between the musicians that gives the performance its weight. Jonny Wemmenstedt balances muscular riffs with melodic guitar work, while Martin Frejinger’s keyboards provide the essential AOR layer that defines the band’s identity. Bass and drums keep everything firmly grounded, allowing the songs to expand without ever losing clarity.

Among the highlights, “On The Run” may be the clearest example of how an already effective composition can take on another dimension on stage. The keyboards and guitars acquire a more epic character, while the chorus confirms its natural arena potential. “Victorious” follows much the same path, with its carefully constructed anthem-like architecture, while “Teenage Rebel” perhaps represents the point where NESTOR past and present intersect most successfully. “Firesign”, meanwhile, reinforces the band’s more direct hard rock side, while “1989” almost feels like a statement of intent: NESTOR isn’t simply revisiting the 1980s — they are reclaiming the language of that era and making it work in the present.

It is precisely here that the one major reservation about Live at Gothenburg Film Studios emerges. The production is clean, powerful and detailed, with every instrument given its own space in the mix. Yet a live album needs to convey something beyond flawless execution: it needs to create the illusion of presence. And this is where the recording falls short of the band’s potential. The audience is captured too discreetly, while certain editing choices make the experience feel less spontaneous than it should. The result is technically immaculate, but not always visceral enough.

The irony is that this limitation ultimately highlights just how good NESTOR are. The better the band plays, the more apparent it becomes what the recording fails to fully reproduce. Live at Gothenburg Film Studios confirms that Tobias Gustavsson and his bandmates have the songs, musicianship and personality required to command a major stage. What is missing is not energy, competence or great material, but that touch of chaos, interaction and atmosphere that turns an excellent performance into an unforgettable experience.

Ultimately, Live at Gothenburg Film Studios is a musically outstanding document of a band that seems tailor-made for the biggest stages. Perhaps its greatest paradox is precisely this: the album proves just how extraordinary NESTOR are live without fully capturing what makes a NESTOR show so special.

Andreas Diaz Pettersson


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Kindred North: Hard Rock Melódico em Alta (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Formado pelo vocalista e guitarrista sueco Andi Kravljaca (Seventh Wonder, Hydra, Find Me) e pelo multi-instrumentista norueguês Andreas Nergård (Nergard), o Kindred North nasce da união de dois músicos experientes que compartilham uma paixão declarada pelo hard rock melódico. Inspirado pelo refinamento sonoro do final dos anos 1980, o duo evita a simples nostalgia e opta por reinterpretar aquela estética com produção contemporânea, excelente acabamento técnico e composições que equilibram tradição e modernidade. O resultado é um álbum de estreia que demonstra personalidade suficiente para dialogar com os clássicos do gênero sem soar preso ao passado.

A abertura, "A Guiding Heart", sintetiza perfeitamente essa proposta. Entre o AOR e o hard rock melódico, a faixa combina refrão memorável, arranjos refinados e uma produção cristalina. A interpretação segura de Andi Kravljaca conduz a música com naturalidade, enquanto guitarras, teclados e baixo trabalham de forma equilibrada, estabelecendo um padrão de qualidade que o restante do disco faz questão de manter.

Primeiro single, "Natural High" mergulha de cabeça no AOR clássico. Sintetizadores elegantes, guitarras limpas e uma seção rítmica precisa sustentam uma construção que cresce gradativamente até explodir em um refrão contagiante. O solo merece destaque especial pela musicalidade e pelo bom gosto, reforçando o alto nível técnico da dupla.

Apesar do título sugerir uma balada, "If This Is Love" segue direção oposta. Guitarras pesadas e um andamento mais vigoroso aproximam a faixa do hard rock tradicional, enquanto os vocais exploram diferentes nuances de Kravljaca, incluindo registros mais agressivos e harmonizações muito bem trabalhadas. É um dos momentos mais intensos do álbum.

A primeira pausa emocional chega com "Learn To Love Again", uma power ballad construída de forma gradual. Piano, sintetizadores e guitarras limpas criam uma atmosfera intimista antes da entrada da banda completa transformar a música em um refrão grandioso, daqueles que remetem diretamente à fase áurea do gênero sem perder o acabamento moderno.

O clima mais energético retorna em "A Billion Miles Away", que aposta na clássica combinação entre guitarras e teclados, reforçada por linhas vocais que exploram registros mais altos. O refrão mantém o elevado padrão melódico do disco, enquanto a base pesada aproxima a composição do hard rock mais tradicional.

"Walk Through The Fire" figura entre os grandes destaques do trabalho. Os teclados aparecem sempre na medida certa, mas são as harmonias vocais e o excelente trabalho de guitarras que conduzem a faixa. Tudo parece cuidadosamente calculado para servir à música, sem excessos ou demonstrações gratuitas de virtuosismo.

Introduzida por piano e vozes em camadas, "Dance The Night Away" surpreende ao incorporar elementos eletrônicos e novas texturas sem abandonar sua essência. A fusão entre sintetizadores oitentistas, guitarras marcantes e harmonizações vocais cria uma das composições mais sofisticadas do álbum.

Outra balada, "Runaway", começa de maneira contida, sustentada por programação eletrônica, guitarras limpas e belos arranjos de teclado. Aos poucos, cresce até transformar-se em uma faixa épica, impulsionada por um refrão extremamente acessível e uma interessante combinação entre elementos pop dos anos 1980 e o hard rock melódico contemporâneo.

Em "Divine", piano e voz conduzem uma introdução elegante antes que a música ganhe força com guitarras encorpadas e um refrão de forte apelo melódico. As harmonizações vocais e o diálogo constante entre guitarras e teclados remetem a nomes como Europe, Winger e Dokken sem cair na simples imitação.

"Lose Control" adiciona mais peso e groove ao repertório. Kravljaca entrega uma interpretação mais agressiva, enquanto as guitarras assumem protagonismo absoluto. Ainda assim, a identidade melódica permanece intacta, demonstrando a capacidade da dupla em variar a dinâmica do álbum sem comprometer sua coesão.

O encerramento fica por conta de "It's Hard To Say Goodbye", que reúne praticamente todas as virtudes apresentadas ao longo do disco. A base sólida de hard rock, os teclados discretos, as harmonizações vocais e um refrão imediatamente memorável oferecem um desfecho à altura da qualidade apresentada desde a primeira faixa.

Mais do que uma homenagem ao hard rock melódico dos anos 1980, Kindred North mostra como esse estilo ainda pode soar atual quando colocado nas mãos de músicos talentosos e compositores inspirados. Andi Kravljaca e Andreas Nergård evitam a armadilha do saudosismo fácil e entregam um álbum consistente, tecnicamente impecável e repleto de grandes melodias. Talvez falte um momento verdadeiramente surpreendente que o eleve ao patamar dos clássicos absolutos do gênero, mas isso não impede que este seja um dos lançamentos mais sólidos do hard rock melódico em 2026 e um forte candidato a figurar entre os melhores discos do ano.


***ENGLISH VERSION***

Formed by Swedish vocalist and guitarist Andi Kravljaca (Seventh Wonder, Hydra, Find Me) and Norwegian multi-instrumentalist Andreas Nergård (Nergard), Kindred North brings together two seasoned musicians united by a shared passion for melodic hard rock. Rather than simply paying tribute to the golden era of the late '80s, the duo revitalizes its timeless sound with modern production, refined musicianship, and memorable songwriting. The result is a debut album that honors its influences while confidently establishing its own identity.

Opening track "A Guiding Heart" immediately defines the album's direction. Blending AOR with melodic hard rock, it delivers soaring hooks, polished arrangements, and crystal-clear production. Kravljaca's expressive vocal performance leads the way, while guitars, keyboards, and rhythm section interact seamlessly to create an energetic and highly melodic introduction.

The album's first single, "Natural High" embraces classic AOR from the very first notes. Warm synthesizers, clean guitars, and a tight rhythm section gradually build toward an irresistibly catchy chorus. The guitar solo deserves special mention, combining technical precision with genuine melodic flair, further highlighting the duo's exceptional musicianship.

Despite its title, "If This Is Love" is anything but a ballad. Driven by muscular guitar riffs and an energetic pace, the song leans further into hard rock territory while allowing Kravljaca to explore a more aggressive vocal approach. Rich harmonies and layered backing vocals add depth, making it one of the album's most powerful moments.

The emotional pace slows with "Learn To Love Again" a beautifully crafted power ballad that unfolds with patience. Piano, keyboards, and clean guitars establish an intimate atmosphere before the full band gradually transforms the song into a soaring, arena-ready anthem. It captures everything fans expect from a classic melodic rock ballad without sounding dated.

Energy quickly returns with "A Billion Miles Away" built around the timeless partnership of guitars and keyboards. Higher vocal melodies inject additional intensity, while the heavier guitar work reinforces the album's hard rock credentials. Once again, Kindred North demonstrates an impressive ability to balance melody and power.

One of the record's undeniable highlights, "Walk Through The Fire" showcases the band's songwriting at its strongest. Tastefully layered keyboards support beautifully arranged vocal harmonies, while the guitar work remains consistently inspired throughout. Every musical element feels purposeful, creating one of the album's most complete and satisfying compositions.

Introduced by piano and layered vocals, "Dance The Night Away" takes an unexpected turn by incorporating electronic textures and contemporary production elements. Rather than feeling out of place, these additions enrich the arrangement, resulting in one of the album's most sophisticated and dynamic tracks while maintaining its unmistakable melodic rock identity.

Another ballad, "Runaway" begins with electronic percussion, shimmering keyboards, and delicate clean guitars before steadily evolving into an epic melodic anthem. The combination of '80s-inspired pop sensibilities and modern hard rock production creates one of the album's most immediately memorable choruses.

Opening with elegant piano and vocals, "Divine" gradually develops into a rich melodic hard rock number built around an anthemic chorus and beautifully layered harmonies. The interplay between guitars and keyboards recalls classic acts such as Europe, Winger, and Dokken, although Kindred North never feels like a mere imitation of its influences.

"Lose Control" injects additional groove and intensity into the album without sacrificing its melodic foundation. Kravljaca delivers one of his most forceful vocal performances, while the guitars take center stage with muscular riffs and another well-crafted solo. Even at its heaviest, the band's commitment to strong melodies remains intact.

Closing track "It's Hard To Say Goodbye" serves as the perfect finale, bringing together everything that makes this debut so enjoyable. Strong hard rock foundations, tasteful keyboard arrangements, layered vocals, and a chorus that demands repeat listens provide a thoroughly satisfying conclusion to the record.

More than a nostalgic celebration of melodic hard rock, Kindred North proves that the genre can still sound vibrant and relevant when handled by musicians of this caliber. Andi Kravljaca and Andreas Nergård avoid the common trap of simply recreating the past, instead delivering an album that combines outstanding musicianship, polished production, and consistently strong songwriting. While it may lack that one truly groundbreaking moment capable of elevating it into the ranks of the genre's all-time classics, it stands comfortably among the strongest melodic hard rock releases of 2026 and deserves serious consideration for many year-end best-of lists.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Hydra: AOR Moderno em Alto Nível (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Depois de apresentar um excelente cartão de visitas com ReHydration (2024), o HYDRA retorna com DeHydration, terceiro trabalho de estúdio e mais uma prova da sólida parceria entre o compositor Henrik Hedström e o produtor/baterista Daniel Flores. Com Andi Kravljaca assumindo vocais e guitarras e Jonny Trobro no baixo, o grupo mantém sua proposta de unir o AOR clássico à produção contemporânea, resultando em um álbum sofisticado, tecnicamente impecável e extremamente acessível.

Desde os primeiros acordes de "This Time", fica evidente que a banda encontrou sua identidade. A produção cristalina permite que cada instrumento tenha espaço próprio, enquanto teclados elegantes, guitarras modernas e harmonias vocais cuidadosamente construídas estabelecem o alto padrão que será mantido ao longo de todo o disco. Na sequência, "Fooled By Love Again" reforça esse direcionamento com uma abordagem um pouco mais pesada, impulsionada pelo uso dos bumbos duplos e por um refrão direto, sem abrir mão da forte identidade melódica.

As baladas continuam sendo um dos grandes trunfos do HYDRA. "Labyrinth Of Love" destaca a interpretação segura de Andi Kravljaca, apoiada por um belo trabalho de piano, arranjos vocais refinados e um solo de guitarra carregado de emoção. Já "Halfway To Nowhere" e "Don't Tell Me It's Too Late" exploram a faceta mais sentimental da banda sem cair na previsibilidade, equilibrando delicadeza e peso com naturalidade.

Entre os momentos mais inspirados do álbum está "Hiding In Plain Sight", talvez a composição mais criativa do trabalho. A alternância entre guitarras limpas e distorcidas, as discretas influências progressivas — perceptíveis principalmente nas harmonias vocais — e a construção dinâmica da música demonstram que o HYDRA procura expandir sua linguagem além das convenções do AOR tradicional.

Outro ponto alto é "A Million Miles", composição que os fãs provavelmente reconhecerão por sua gravação anterior pelo First Signal no álbum Line Of Fire. Aqui, entretanto, a música ganha personalidade própria graças ao equilíbrio entre piano, baixo, bateria e guitarras, além da interpretação mais emotiva de Kravljaca, tornando esta uma das versões mais consistentes da composição.

Na reta final, "Bringing On The Thunder", "Somebody To Love", "Depending On A Miracle" e "The Winner" mantêm o nível elevado sem grandes oscilações. Mesmo quando a banda opta por estruturas mais tradicionais, a qualidade dos arranjos, o cuidado na distribuição dos teclados, os solos sempre melódicos e a excelência da produção impedem qualquer sensação de repetição excessiva.

Se existe uma crítica ao álbum, ela está justamente na segurança de sua fórmula. Em alguns momentos, as composições seguem padrões bastante familiares aos fãs do gênero e evitam assumir riscos maiores. Ainda assim, essa escolha dificilmente compromete o resultado, já que a execução é praticamente irretocável e a consistência do repertório compensa a ausência de momentos realmente surpreendentes.

DeHydration confirma que o HYDRA já ultrapassou a condição de projeto paralelo para se consolidar como um dos nomes mais confiáveis do melodic rock europeu atual. Com produção impecável, interpretações inspiradas e um repertório homogêneo, o álbum entrega exatamente aquilo que promete: AOR moderno, elegante e extremamente bem executado, capaz de agradar tanto aos admiradores da escola clássica quanto aos ouvintes que buscam uma abordagem mais contemporânea do gênero.

***ENGLISH VERSION***

Following the impressive ReHydration (2024), Swedish melodic rock outfit HYDRA returns with DeHydration, a confident third studio effort that further cements the creative partnership between songwriter Henrik Hedström and producer/drummer Daniel Flores. Joined once again by the exceptional Andi Kravljaca on vocals and guitars and Jonny Trobro on bass, the band delivers an album that successfully bridges classic AOR traditions with contemporary production values, resulting in a polished, melodic and remarkably cohesive listening experience.

From the opening notes of "This Time", HYDRA establishes the album's identity with soaring vocal melodies, tasteful keyboard arrangements and impeccably balanced guitar work. The pristine production immediately stands out, allowing every instrument to breathe while reinforcing the band's trademark blend of elegance and power. "Fooled By Love Again" follows with a slightly heavier approach, driven by double-kick drums and a more direct chorus without sacrificing the melodic sensibility that defines the band's sound.

Ballads remain one of HYDRA greatest strengths. "Labyrinth Of Love" showcases Andi Kravljaca's expressive vocal performance, enriched by delicate piano passages, lush vocal harmonies and an emotionally charged guitar solo. Meanwhile, "Halfway To Nowhere" and "Don't Tell Me It's Too Late" embrace the genre's classic power ballad formula while avoiding excessive sentimentality, striking an effective balance between intimacy and arena-sized grandeur.

Among the album's standout moments, "Hiding In Plain Sight" arguably offers the most adventurous songwriting. The interplay between clean and distorted guitars, subtle progressive overtones—particularly within the layered vocal arrangements—and its dynamic structure demonstrate that HYDRA is willing to stretch beyond the traditional boundaries of melodic rock without losing its accessibility.

Another highlight is "A Million Miles", a song previously recorded by First Signal on Line Of Fire. Rather than simply revisiting familiar material, HYDRA gives the composition new life through a more organic performance and a richer instrumental interplay. Kravljaca's heartfelt delivery adds emotional depth, making this interpretation feel entirely its own.

The album's closing stretch— "Bringing On The Thunder", "Somebody To Love", "Depending On A Miracle", and "The Winner"—maintains the remarkably high standard established from the outset. Even when the songwriting follows familiar AOR conventions, the refined arrangements, memorable choruses, tasteful keyboard textures and consistently melodic guitar solos prevent the material from becoming formulaic.

If there's one minor criticism to be made, it's that DeHydration rarely ventures outside its comfort zone. The band clearly prioritises consistency over experimentation, and while a few unexpected twists might have elevated the record even further, the quality of the songwriting and musicianship more than compensates for its conservative approach.

Ultimately, DeHydration confirms that HYDRA has evolved far beyond being a studio project. The band has established itself as one of the most reliable names in today's European melodic rock scene, delivering an album that is expertly produced, consistently engaging and filled with memorable performances. Fans of classic AOR, melodic hard rock and polished Scandinavian songwriting will find plenty to admire here.

Divulgação 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Domino Drive: Além das Estrelas (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após um promissor álbum de estreia com Smoke and Mirrors (2023), o Domino Drive retorna com Cosmic Theater, um trabalho que demonstra uma evolução evidente tanto na composição quanto na identidade sonora da banda sueca. Sem abandonar suas raízes no hard rock melódico, o quinteto amplia significativamente seu horizonte musical ao incorporar uma produção mais moderna, texturas atmosféricas e uma abordagem quase cinematográfica, resultando em um álbum sólido, ambicioso e surpreendentemente coeso.

A chegada do guitarrista Jonatan Berg (Lipz) acrescenta ainda mais consistência ao conjunto, cuja proposta gira em torno de uma viagem entre diferentes dimensões emocionais e temporais. O conceito jamais se sobrepõe às canções; pelo contrário, serve como fio condutor para um repertório que alterna peso, melodias marcantes e refinamento instrumental com naturalidade.

A abertura, "Time for Change", estabelece imediatamente o nível da produção. A base permanece relativamente linear, mas os detalhes fazem toda a diferença: guitarras, teclados e backing vocals são distribuídos com inteligência, criando uma faixa envolvente e bastante eficaz. Em seguida, "Dancing on Water" assume uma postura mais pesada e moderna, sustentada por riffs inspirados e um excelente diálogo entre guitarras e teclados, culminando em um dos refrães mais fortes do disco.

Um dos momentos mais criativos surge em "Dandy Cool", que combina elementos barrocos — incluindo cravo e violão clássico — com uma estrutura contemporânea de hard rock. O contraste funciona perfeitamente e evidencia a disposição da banda em explorar novas possibilidades sem comprometer sua identidade.

Na sequência, "Together Apart" e "Terra Utopia" reforçam o equilíbrio entre tradição e modernidade. As influências de Van Halen aparecem principalmente nos teclados, enquanto o trabalho das guitarras ganha ainda mais protagonismo. Já "Terra Utopia" adiciona referências ao heavy metal clássico dos anos 1980, mostrando um Domino Drive confortável em transitar entre diferentes vertentes do rock melódico.

"Femme Fatale" mantém o alto nível ao unir peso, velocidade e melodias acessíveis, enriquecidas por discretos vocais femininos e arranjos que ampliam a riqueza sonora da composição. Em contraste, "Heart to Heart" entrega a indispensável power ballad do álbum. Longe de soar previsível, a faixa impressiona pela qualidade dos arranjos, pela interpretação vocal de Jonas Tyskhagen e pelo excelente equilíbrio entre emoção e sofisticação musical.

A reta final mantém a consistência. "The Ocean at the End of Time" evidencia influências que remetem tanto ao Van Halen quanto ao Europe, enquanto "Universal Genesis Metamorphoses (Chapter 1)" representa o ponto mais ousado do trabalho. Com elementos progressivos, referências ao hard rock setentista e uma construção musical mais elaborada, a composição demonstra a maturidade alcançada pela banda sem sacrificar a acessibilidade.

Encerrando o álbum, "Wondermaker" opta por uma abordagem mais direta e descontraída. Após toda a complexidade apresentada anteriormente, a simplicidade da faixa funciona como um fechamento eficiente e deixa uma última impressão positiva.

Embora algumas músicas sigam estruturas relativamente convencionais do hard rock melódico, a riqueza dos arranjos, a excelente produção e o cuidado na construção das melodias impedem qualquer sensação de repetição. O Domino Drive demonstra personalidade suficiente para dialogar com suas influências sem soar derivativo, encontrando um equilíbrio raro entre técnica, peso e apelo melódico.

Cosmic Theater representa um salto artístico significativo em relação ao álbum de estreia e confirma que o Domino Drive é um dos nomes mais promissores da nova geração do hard rock escandinavo. Um disco consistente do início ao fim, capaz de agradar tanto aos fãs mais tradicionais do gênero quanto aos ouvintes que procuram uma abordagem contemporânea do hard rock melódico. Tem todos os ingredientes para figurar entre os lançamentos de maior destaque de 2026.

***ENGLISH VERSION***

Following the promising debut of Smoke and Mirrors (2023), Domino Drive return with Cosmic Theater, an album that clearly showcases the Swedish band's artistic growth. While remaining firmly rooted in melodic hard rock, the quintet broadens its musical horizons by embracing a more modern production, atmospheric textures, and a cinematic sense of scope, resulting in a record that is both ambitious and remarkably cohesive.

The addition of guitarist Jonatan Berg (Lipz) further strengthens the band's chemistry, while the album's concept—an emotional and temporal journey through different dimensions—serves as an effective narrative thread rather than overshadowing the music itself. Instead, it enhances a collection of songs that effortlessly balances heaviness, memorable melodies, and refined musicianship.

Opening track "Time for Change" immediately establishes the album's high production standards. Although its structure remains relatively straightforward, carefully layered guitars, keyboards, and rich backing vocals add depth and sophistication. It is followed by "Dancing on Water", which adopts a heavier, more contemporary approach, driven by infectious riffs and an excellent interplay between guitars and keyboards, leading to one of the album's strongest choruses.

One of the record's most creative moments arrives with "Dandy Cool", where baroque influences—including harpsichord and classical guitar—are seamlessly woven into a modern hard rock framework. The contrast feels natural and highlights the band's willingness to experiment without losing sight of its melodic identity.

"Together Apart" and "Terra Utopia" continue this balance between classic and contemporary influences. The former evokes echoes of Van Halen through its keyboard work and dynamic twin-guitar interplay, while the latter introduces touches of traditional '80s heavy metal, proving that Domino Drive is equally comfortable exploring the heavier side of melodic rock.

"Femme Fatale" keeps the momentum alive by combining speed, weight, and infectious melodies, enhanced by subtle female vocal harmonies and elegant arrangements that add further depth to the composition. In contrast, "Heart to Heart" delivers the album's obligatory power ballad, but avoids cliché thanks to its tasteful arrangements, emotional vocal performance from Jonas Tyskhagen, and a carefully crafted balance between power and sensitivity.

The final stretch remains equally compelling. "The Ocean at the End of Time" blends subtle hints of Van Halen and Europe into another memorable melodic rocker, while "Universal Genesis Metamorphoses (Chapter 1)" stands as the album's most adventurous composition. Progressive flourishes, classic '70s hard rock influences, and a more elaborate musical structure reveal a band confidently expanding its creative boundaries without sacrificing accessibility.

Closing track "Wondermaker" opts for a more direct and uplifting approach. After the complexity of the preceding material, its straightforward nature provides an effective conclusion, leaving the listener with a lasting positive impression.

Although several songs follow familiar melodic hard rock structures, the richness of the arrangements, the pristine production, and the band's melodic craftsmanship prevent the album from ever feeling formulaic. Domino Drive successfully embraces its influences while establishing a distinctive personality of its own, striking an impressive balance between technical proficiency, musical weight, and commercial appeal.

Cosmic Theater represents a significant artistic leap from the band's debut and firmly establishes Domino Drive as one of the most exciting emerging names in the current Scandinavian melodic hard rock scene. Consistently engaging from beginning to end, it is an album that should satisfy longtime fans of the genre while also appealing to listeners seeking a fresh, contemporary take on melodic hard rock. It has every ingredient needed to secure a place among the standout rock releases of 2026.

Divulgação 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Paul Laine: Talento Acima da Nostalgia (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Poucos vocalistas conseguiram atravessar as diferentes fases do hard rock melódico mantendo a credibilidade artística de Paul Laine. Conhecido tanto por sua passagem pelo Danger Danger quanto pelo trabalho desenvolvido nas últimas décadas como compositor, produtor e integrante do The Defiants, o canadense retorna à carreira solo com The Long Road Back, um álbum que reafirma sua identidade sem recorrer ao artifício mais comum entre artistas veteranos: viver exclusivamente da nostalgia.

O título do disco é apropriado. Trata-se de um retorno às origens, mas não de um retrocesso. Paul Laine revisita a linguagem que ajudou a definir sua carreira, incorporando a experiência acumulada ao longo dos anos para entregar um trabalho que soa familiar sem parecer ultrapassado. O resultado é um álbum que respeita as convenções do melodic rock, mas encontra espaço para dialogar com uma produção contemporânea, equilibrando guitarras encorpadas, teclados discretos e uma sonoridade limpa que privilegia as canções.

Desde a abertura com "Love Me Or Leave Me", fica evidente que a prioridade nunca é o virtuosismo gratuito. Os riffs são diretos, os refrãos surgem com naturalidade e cada arranjo existe para fortalecer a composição. Ao longo do repertório, músicas como "Come Back To Me", "Save Me Saturday Night" e "The Ones That Got Away" reafirmam a habilidade de Laine para construir melodias que permanecem na memória muito depois do término da audição, característica cada vez mais rara em um gênero que, muitas vezes, privilegia a técnica em detrimento da composição.

O álbum também demonstra inteligência ao variar sua dinâmica. As baladas "Someday", composta em parceria com Andrew Oye, "Heaven And Earth Collide" e a emocionante "Now That You Don't Love Me Anymore" evitam o sentimentalismo excessivo e funcionam como momentos de respiro dentro de um repertório predominantemente energético. São interpretações sustentadas menos pelo impacto instrumental e mais pela capacidade de Paul Laine de transmitir emoção com naturalidade, qualidade que continua sendo seu maior diferencial.

Entre os momentos mais interessantes está "Her Name Is Trouble", talvez a faixa que melhor sintetize a proposta do disco. A música introduz elementos modernos na produção, explora texturas diferentes nas guitarras e nos vocais e adiciona uma dose de groove pouco comum ao restante do repertório. Ainda assim, jamais rompe com a identidade do álbum, demonstrando que é possível atualizar a linguagem do hard rock sem descaracterizá-la.

Outro aspecto digno de destaque é a qualidade da banda de apoio. Andrew Oye mostra maturidade ao evitar protagonismo desnecessário, entregando solos elegantes e riffs sempre a serviço das músicas. Bruno Ravel e Scotty "Hooch" Taylor formam uma base sólida, precisa e discreta, sustentando as composições sem competir pelo centro das atenções. Essa abordagem coletiva faz com que o álbum soe coeso do início ao fim, característica que nem sempre está presente em lançamentos contemporâneos do gênero.

Se há um ponto passível de discussão, é justamente a ausência de maiores riscos criativos. The Long Road Back raramente se afasta da zona de conforto do melodic rock tradicional. Quem espera mudanças radicais ou experimentações provavelmente encontrará um álbum excessivamente seguro. Entretanto, essa aparente limitação transforma-se, em grande medida, em uma virtude. Em vez de tentar reinventar um estilo cuja essência reside justamente na força das melodias, Paul Laine aposta na excelência da composição, na elegância dos arranjos e na consistência da execução.

Mais do que buscar inovação a qualquer custo, The Long Road Back demonstra que o melodic rock continua relevante quando interpretado por artistas que compreendem profundamente sua linguagem. Paul Laine não tenta competir com tendências passageiras nem revisitar o passado de forma oportunista. Ele simplesmente entrega um conjunto de canções extremamente bem escritas, interpretadas com personalidade e produzidas com refinamento.

Em um mercado cada vez mais dominado por lançamentos descartáveis, The Long Road Back destaca-se justamente por sua capacidade de resistir ao tempo. É um disco que cresce a cada audição, revelando detalhes nos arranjos, nas harmonias vocais e na construção melódica. Sem alarde, Paul Laine reafirma por que continua sendo uma das vozes mais elegantes e confiáveis do hard rock melódico contemporâneo, entregando um dos trabalhos mais sólidos de sua carreira solo e um forte candidato a figurar entre os melhores lançamentos do gênero em 2026.


***ENLGISH VERSION***

Few vocalists have navigated the ever-changing landscape of melodic hard rock with the artistic credibility and consistency of Paul Laine. Best known for his tenure with Danger Danger, as well as his acclaimed work as a songwriter, producer, and frontman of The Defiants, the Canadian singer returns to his solo career with The Long Road Back—an album that reaffirms his musical identity without relying on the easy comfort of nostalgia.

The title couldn't be more fitting. Rather than looking backward, Laine revisits the foundations of his career through the lens of experience, delivering a record that feels unmistakably classic while remaining refreshingly relevant. Rooted in the golden era of melodic rock, The Long Road Back successfully blends timeless songwriting with modern production values, striking an elegant balance between soaring melodies, muscular guitar work, tasteful keyboards, and immaculate studio craftsmanship.

From the opening moments of "Love Me Or Leave Me", it becomes clear that this is an album driven by songs rather than technical exhibitionism. The riffs are immediate, the hooks arrive effortlessly, and every arrangement serves the composition rather than competing for attention. Tracks such as "Come Back To Me", "Save Me Saturday Night", and "The Ones That Got Away" showcase Laine's enduring gift for writing memorable choruses—an increasingly rare quality in a genre where technical proficiency too often overshadows genuine songwriting.

One of the album's greatest strengths lies in its pacing. Ballads such as "Someday", co-written with Andrew Oye, alongside "Heaven And Earth Collide" and the emotionally charged closing track "Now That You Don't Love Me Anymore", provide welcome breathing space without ever disrupting the record's momentum. Rather than descending into predictable power-ballad clichés, these songs succeed through restraint, allowing Laine's expressive vocal performance to take centre stage. Decades into his career, his voice retains not only remarkable power but also a warmth and emotional nuance that few of his contemporaries can still command.

Among the album's most compelling moments is "Her Name Is Trouble", arguably the record's boldest statement. Modern production textures, heavier guitar tones and subtle electronic flourishes inject fresh energy into the album while never compromising its melodic DNA. It stands as proof that contemporary influences can enhance classic hard rock rather than dilute it when handled with this level of confidence and taste.

The supporting musicians deserve equal recognition. Guitarist Andrew Oye delivers tasteful solos and muscular riffs without ever slipping into unnecessary excess, while bassist Bruno Ravel and drummer Scotty "Hooch" Taylor provide an exceptionally tight rhythmic foundation that anchors every song. Their collective approach reinforces one of the album's defining qualities: cohesion. Nothing feels forced, overproduced or self-indulgent; every musical decision serves the songs.

If The Long Road Back has one arguable weakness, it is its reluctance to push beyond the established boundaries of melodic rock. Listeners expecting radical experimentation or stylistic reinvention may find the album deliberately conservative. Yet that apparent limitation ultimately becomes one of its greatest virtues. Rather than chasing contemporary trends or attempting to reinvent a genre that has always thrived on exceptional songwriting, Paul Laine focuses on perfecting the elements that made melodic rock so enduring in the first place.

In an era increasingly dominated by disposable releases and short-lived musical trends, The Long Road Back distinguishes itself through craftsmanship, authenticity and remarkable consistency. It is an album that reveals new details with every listen, rewarding careful attention through layered vocal harmonies, refined arrangements and effortlessly memorable melodies.

More than simply marking a return to his solo career, The Long Road Back reaffirms Paul Laine's standing as one of melodic hard rock's most dependable and accomplished voices. Without chasing nostalgia or modern trends, he delivers a collection of songs that feels both timeless and vital—arguably one of the strongest melodic rock releases of 2026 and a compelling reminder that great songwriting will always outlast fashion.

Dee Oliver