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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Seven Spires: Uma Obra Ainda Maior (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

A celebração definitiva de um dos grandes álbuns do metal moderno

Por Michelle F. Santana 

Desde sua formação em 2013, em Boston, Massachusetts (EUA), o Seven Spires consolidou uma identidade singular dentro do metal contemporâneo. Sem se prender às convenções de um único estilo, o quarteto construiu uma sonoridade que transita naturalmente entre o metal sinfônico, power metal, metal progressivo e metal extremo. Essa identidade musical é conduzida por composições grandiosas, mudanças dinâmicas constantes e uma escrita extremamente rica, capaz de equilibrar técnica, intensidade e emoção. Em A Fortress Called Home (Master Key Edition), a banda não apenas revisita um de seus trabalhos mais importantes, como oferece a forma mais completa de apreciá-lo.

Originalmente lançado em 2024, A Fortress Called Home já demonstrava uma banda em plena maturidade artística. O álbum aborda temas como pertencimento, identidade, perda, esperança e reconstrução, transformando a ideia de uma "fortaleza" em um refúgio emocional diante das adversidades. A Master Key Edition amplia essa experiência ao reunir três discos: o álbum original, incluindo a versão acústica de "House of Lies", lançada anteriormente na edição deluxe; um segundo disco inteiramente instrumental; e um terceiro dedicado a versões orquestradas e registros ao vivo gravados durante turnês recentes, incluindo apresentações em Tilburg e Montréal. Mais do que um relançamento, esta edição funciona como uma celebração do encerramento do ciclo de A Fortress Called Home e da evolução artística do Seven Spires.

Grande parte da força da banda está na impressionante performance de Adrienne Cowan. Poucas vocalistas transitam com tanta naturalidade entre vocais limpos, guturais extremos e técnicas oriundas do teatro musical. Sua impressionante extensão vocal e o controle absoluto da dinâmica permitem que percorra diferentes registros com absoluta fluidez, passando da delicadeza quase etérea à agressividade mais extrema sem perder precisão ou expressividade. Sua versatilidade impressiona, mas jamais soa como uma demonstração gratuita de virtuosismo. Cada escolha interpretativa serve à narrativa das músicas, carregando diferentes nuances emocionais conforme os arranjos evoluem. Adrienne entrega uma performance impecável, alternando delicadeza, dramaticidade e agressividade com naturalidade, consolidando-se como uma das vocalistas mais completas da atualidade.

Nas guitarras, Jack Kosto entrega riffs inspirados, harmonizações sofisticadas e solos tecnicamente brilhantes, sempre a serviço das composições. Sua execução amplia o caráter épico das músicas sem jamais soar excessiva. O baixo de Peter de Reyna acrescenta profundidade às harmonias e fortalece a base melódica do álbum, enquanto Chris Dovas demonstra enorme versatilidade na bateria, conduzindo com precisão as constantes mudanças de andamento e dinâmica que caracterizam o repertório.

Entre os destaques, "Songs Upon Wine-Stained Tongues" permanece como uma das faixas mais enérgicas do álbum. A intensidade dos riffs, a bateria pulsante e a constante sensação de movimento fazem dela um dos momentos mais explosivos do disco, equilibrando agressividade e melodias marcantes com impressionante naturalidade.

"Almosttown" evidencia uma das grandes virtudes composicionais do Seven Spires: a capacidade de construir melodias memoráveis sem abrir mão da complexidade dos arranjos. A faixa alterna momentos de introspecção e explosão de maneira orgânica, criando uma narrativa dinâmica que mantém o ouvinte completamente envolvido do início ao fim. É uma composição que sintetiza com precisão o equilíbrio entre peso, emoção e refinamento característico da banda.

"Love's Souvenir" apresenta uma das experimentações mais interessantes do álbum ao incorporar elementos de jazz à identidade musical do Seven Spires. A fusão entre harmonias sofisticadas e a intensidade do metal acontece de forma extremamente natural, conferindo personalidade única à faixa. O resultado é uma composição elegante, imprevisível e rica em nuances, reforçando a disposição da banda em expandir seus horizontes sem perder sua essência.

"Architect of Creation" representa um dos momentos mais pesados e grandiosos de A Fortress Called Home. Os riffs agressivos, a bateria intensa e a alternância entre vocais limpos e guturais transformam a faixa em uma demonstração da capacidade do Seven Spires de unir brutalidade e sofisticação em uma mesma composição.

Por sua vez, "Emerald Necklace" revela um lado mais contemplativo do álbum. Adrienne conduz a música com vocais limpos, emocionais e extremamente equilibrados, enquanto os arranjos crescem gradualmente até culminar em um solo de guitarra inspirado e emocionante. Trata-se de uma balada grandiosa, sensível e cuidadosamente construída, capaz de emocionar sem recorrer a excessos.

"Where Sorrows Bear My Name" inicia de forma atmosférica, envolta por elementos característicos do metal sinfônico. A interpretação de Adrienne começa delicada e melódica, mas evolui progressivamente para seus guturais característicos, intensificando a dramaticidade da composição e reforçando o contraste entre beleza e brutalidade que permeia toda a obra.

Entre todas as composições, "House of Lies" talvez seja a que melhor sintetize a essência emocional de A Fortress Called Home. Sua versão original já impressiona pela interpretação intensa e pela profundidade de sua construção melódica. Já a versão acústica, lançada anteriormente na edição deluxe e incorporada a esta edição, reduz os arranjos ao essencial e evidencia ainda mais a sensibilidade da composição e da interpretação de Adrienne, tornando sua carga emocional ainda mais impactante.

Um dos maiores méritos da Master Key Edition está justamente na maneira como ela convida o ouvinte a redescobrir A Fortress Called Home sob diferentes perspectivas. O segundo disco, composto integralmente por versões instrumentais, vai muito além de um material complementar. Ao retirar os vocais do centro da experiência, o Seven Spires permite que toda a arquitetura de suas composições seja apreciada em primeiro plano. Guitarras, baixo, bateria e teclados revelam camadas que muitas vezes passam despercebidas na audição tradicional, evidenciando não apenas o virtuosismo técnico do quarteto, mas também o cuidado na construção dos arranjos, na produção e na riqueza de detalhes que sustentam cada música.

É justamente nesse contexto que o trabalho de Jack Kosto, Peter de Reyna e Chris Dovas ganha ainda mais destaque. As harmonizações de guitarra, as linhas de baixo cuidadosamente elaboradas e a precisão da bateria demonstram que a força do Seven Spires não depende exclusivamente da impressionante performance vocal de Adrienne Cowan. Pelo contrário: cada integrante desempenha um papel fundamental na construção dessa identidade sonora sofisticada, em que cada elemento ocupa seu espaço sem comprometer a coesão do conjunto.

O terceiro disco amplia ainda mais essa experiência ao apresentar versões orquestradas e registros ao vivo. As releituras sinfônicas de "A Fortress Called Home", "Songs Upon Wine-Stained Tongues" e "Architect of Creation" reforçam a grandiosidade das composições, destacando melodias, contrapontos e texturas que dialogam naturalmente com a linguagem da música orquestral. Longe de parecerem meros exercícios de rearranjo, essas versões evidenciam o quanto as composições do Seven Spires já nasceram com uma estrutura profundamente cinematográfica e narrativa.

Os registros ao vivo funcionam como a celebração perfeita para o encerramento desse ciclo. As performances de "Succumb", clássico de Emerald Seas (2020), além de "Love's Souvenir", "Wanderer's Prayer" e "Gods of Debauchery", originalmente presentes em Gods of Debauchery (2021), capturam toda a intensidade que o grupo desenvolveu nos palcos durante as últimas turnês. Gravadas em apresentações realizadas em Tilburg e Montréal, essas versões acrescentam espontaneidade, energia e emoção, demonstrando como o repertório evoluiu naturalmente diante do público.

Mesmo dois anos após seu lançamento original, A Fortress Called Home permanece surpreendente. Poucos álbuns recentes conseguem oferecer uma experiência tão recompensadora a cada nova audição. Suas composições continuam revelando detalhes antes despercebidos, os arranjos apresentam uma riqueza impressionante de informações e a fusão entre metal sinfônico, power metal, metal progressivo e metal extremo permanece orgânica, equilibrada e extremamente sofisticada. O Seven Spires evita soluções fáceis, refrões excessivamente previsíveis e estruturas convencionais, preferindo investir em narrativas musicais densas, atmosferas cuidadosamente construídas e ganchos melódicos inteligentes que recompensam o ouvinte mais atento.

A Fortress Called Home já nasceu grandioso. A Master Key Edition busca reafirmar a força de uma obra que continua surpreendente a cada audição. Ao reunir o álbum original, versões instrumentais, releituras orquestrais e registros ao vivo, o Seven Spires demonstra que suas composições mantêm a mesma intensidade independentemente da roupagem que recebem. Mais do que uma edição expandida, este lançamento celebra o encerramento de um ciclo criativo brilhante e reafirma o quarteto como um dos nomes mais inventivos, ambiciosos e tecnicamente refinados do metal contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

The Definitive Celebration of One of Modern Metal's Finest Albums

Since their formation in 2013 in Boston, Massachusetts, Seven Spires have established a singular identity within contemporary metal. Refusing to be confined by the conventions of any single subgenre, the quartet has crafted a sound that seamlessly blends symphonic metal, power metal, progressive metal, and extreme metal. Their musical identity is driven by grandiose songwriting, constant dynamic shifts, and remarkably intricate compositions that balance technical prowess, intensity, and emotional depth. With A Fortress Called Home (Master Key Edition), the band not only revisits one of its most significant works but also offers the most comprehensive way to experience it.

Originally released in 2024, A Fortress Called Home already showcased a band operating at the height of its creative maturity. The album explores themes of belonging, identity, loss, hope, and renewal, transforming the concept of a "fortress" into an emotional sanctuary amid life's adversities. The Master Key Edition expands this experience by bringing together three discs: the original album, including the acoustic version of "House of Lies," previously available only on the deluxe edition; a second disc featuring entirely instrumental versions; and a third dedicated to orchestral arrangements and live recordings captured during recent tours, including performances in Tilburg and Montréal. Rather than a simple reissue, this edition serves as a celebration of the closing chapter of A Fortress Called Home and Seven Spires' remarkable artistic evolution.

Much of the band's strength lies in Adrienne Cowan's extraordinary performance. Few vocalists transition so effortlessly between pristine clean vocals, ferocious harsh vocals, and techniques drawn from musical theater. Her remarkable vocal range and exceptional dynamic control allow her to move seamlessly across vastly different registers, shifting from ethereal delicacy to uncompromising aggression without ever sacrificing precision or expressiveness. Her versatility is astonishing, yet it never feels like an exercise in virtuosity for its own sake. Every interpretative choice serves the songs' narrative, conveying a wide range of emotional nuances as the arrangements unfold. Adrienne delivers a flawless performance, effortlessly balancing tenderness, drama, and aggression while firmly establishing herself as one of the most complete vocalists in modern metal.

On guitar, Jack Kosto delivers inspired riffs, sophisticated harmonies, and technically dazzling solos, always in service of the compositions themselves. His playing enhances the music's epic character without ever becoming excessive. Peter de Reyna's bass adds depth to the harmonic foundation while reinforcing the album's melodic core, and Chris Dovas demonstrates remarkable versatility behind the drum kit, navigating the constant tempo changes and dynamic shifts that define the band's songwriting with absolute precision.

Among the album's highlights, "Songs Upon Wine-Stained Tongues" remains one of its most energetic moments. Driven by crushing riffs, relentless drumming, and an ever-present sense of momentum, the track stands as one of the record's most explosive offerings, balancing aggression and memorable melodies with impressive ease.

"Almosttown" showcases one of Seven Spires' greatest compositional strengths: the ability to craft unforgettable melodies without sacrificing the complexity of their arrangements. The song moves organically between introspective passages and explosive climaxes, creating a dynamic narrative that keeps the listener fully engaged from beginning to end. It perfectly encapsulates the band's signature balance between heaviness, emotion, and musical sophistication.

Meanwhile, "Love's Souvenir" presents one of the album's most intriguing experiments by incorporating elements of jazz into Seven Spires' musical identity. The fusion of sophisticated harmonies and metallic intensity feels entirely natural, giving the track a distinctive personality. The result is an elegant, unpredictable composition filled with subtle nuances, further demonstrating the band's willingness to expand its musical horizons without compromising its core identity.

"Architect of Creation" represents one of the heaviest and most monumental moments on A Fortress Called Home. Crushing riffs, relentless drumming, and the interplay between clean and harsh vocals turn the song into a powerful demonstration of Seven Spires' ability to merge brutality and sophistication within a single composition.

By contrast, "Emerald Necklace" reveals the album's more contemplative side. Adrienne guides the song with emotionally rich, impeccably controlled clean vocals, while the arrangements gradually build toward an inspired and deeply moving guitar solo. It is a majestic, heartfelt ballad, carefully constructed to evoke emotion without relying on excess.

"Where Sorrows Bear My Name" begins with an atmospheric introduction steeped in symphonic metal textures. Adrienne's performance initially unfolds with delicate, melodic vocals before gradually evolving into her signature harsh delivery, heightening the song's dramatic impact and reinforcing the constant interplay between beauty and brutality that permeates the album.

Among all the compositions, "House of Lies" perhaps best encapsulates the emotional essence of A Fortress Called Home. The original version already stands out through its powerful vocal performance and profound melodic development. The acoustic version, previously exclusive to the deluxe edition and now included here, strips the arrangement down to its essentials, further highlighting both the song's emotional depth and Adrienne's deeply affecting interpretation.

One of the greatest strengths of the Master Key Edition lies precisely in the way it invites listeners to rediscover A Fortress Called Home from entirely new perspectives. The second disc, consisting exclusively of instrumental versions, goes far beyond serving as bonus material. By removing the vocals from the forefront, Seven Spires allows the full architectural complexity of its compositions to shine. Guitars, bass, drums, and keyboards reveal countless layers that often remain hidden during a traditional listening experience, highlighting not only the quartet's remarkable musicianship but also the meticulous craftsmanship behind every arrangement, production choice, and musical detail.

Within this context, the contributions of Jack Kosto, Peter de Reyna, and Chris Dovas become even more evident. The intricate guitar harmonies, carefully constructed bass lines, and exceptionally precise drumming demonstrate that Seven Spires' strength extends well beyond Adrienne Cowan's astonishing vocal abilities. On the contrary, every member plays an indispensable role in shaping the band's sophisticated sonic identity, where each musical element occupies its own space while contributing to the cohesion of the whole.

The third disc further expands the experience by presenting orchestral reinterpretations alongside live recordings. The symphonic versions of "A Fortress Called Home", "Songs Upon Wine-Stained Tongues" and "Architect of Creation" reinforce the grandeur of the original compositions, emphasizing melodies, counterpoints, and textures that naturally lend themselves to orchestral language. Far from feeling like simple rearrangements, these versions reveal just how inherently cinematic and narrative-driven Seven Spires' songwriting has always been.

The live recordings provide the perfect conclusion to this celebration. Performances of "Succumb" the standout track from Emerald Seas (2020), alongside "Love's Souvenir" "Wanderer's Prayer" and "Gods of Debauchery" originally featured on Gods of Debauchery (2021), capture the intensity and confidence the band has developed on stage throughout its recent tours. Recorded during performances in Tilburg and Montréal, these versions bring an added sense of spontaneity, energy, and emotion while demonstrating how naturally the material has evolved in front of live audiences.

Even two years after its original release, A Fortress Called Home remains a remarkable achievement. Few recent albums offer such a consistently rewarding experience with every revisit. Each listen reveals previously unnoticed details, the arrangements continue to impress with their extraordinary depth, and the fusion of symphonic metal, power metal, progressive metal, and extreme metal remains organic, balanced, and exceptionally refined. Seven Spires avoids easy solutions, predictable choruses, and conventional song structures, instead embracing dense musical narratives, meticulously crafted atmospheres, and intelligent melodic hooks that richly reward attentive listeners.

A Fortress Called Home was already a monumental achievement upon its original release. The Master Key Edition reinforces the enduring strength of an album that continues to surprise with every listen. By bringing together the original record, instrumental versions, orchestral reinterpretations, and live performances, Seven Spires demonstrates that its compositions retain their emotional and artistic power regardless of the form they take. More than simply an expanded edition, this release celebrates the conclusion of a brilliant creative chapter while reaffirming the quartet as one of the most inventive, ambitious, and technically accomplished bands in contemporary metal.

Jeremy Saffer

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 25/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

[ATUALIZADO]

O Brasil sempre teve uma forte tradição em grandes festivais de rock. Desde 1985, o Rock in Rio –ainda ativo – ajudou a impulsionar eventos como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Esses festivais abriram caminho para outros, como Lollapalooza Brasil e Best of Blues and Rock, consolidando o país como um dos principais polos de eventos musicais da América Latina.

Apesar da relevância desses festivais e da presença constante de grandes atrações (ainda que nem todas agradem a todos os públicos), existia uma lacuna quanto a um festival totalmente dedicado ao heavy metal. Em sua quarta edição, o Bangers Open Air destacou-se novamente nos dias 25 e 26 de abril, oferecendo mais de 12 horas de música pesada, com bandas nacionais e internacionais distribuídas em quatro palcos bem estruturados, com excelente qualidade de som.

Novamente realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o festival, como nas três edições anteriores, proporcionou não só espetáculos memoráveis, mas também o reencontro de amigos, a formação de novas amizades e a realização de negócios que fortalecem cada vez mais a cena e abrem novos capítulos para o futuro que nos aguarda. Um exemplo disso foi a presença de Thomas Jensen, criador do Wacken Open Air, maior festival de metal do planeta, e que esteve presente nos dois dias circulando a todo momento pelo recinto.

A estrutura e o aspecto visual foram mantidos, com leves ajustes que aprimoraram o que já era bom, além da presença do forte calor, que já se tornou garantida em todas as edições. 


ENTRE FILAS QUILOMÉTRICAS E SOMBRAS SETENTISTAS, LUCIFER HIPNOTIZA NO SUN STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O primeiro dia, 25, apresentou variações entre os subgêneros. Diferente das outras vezes, em que eu sempre me dirigia aos palcos Hot ou Ice, desta vez a minha primeira parada foi o Sun Stage, que nesta edição inaugurou uma área VIP, onde o lado oculto da Alemanha me chamava. Só por essas palavras, já dá para saber que estamos falando do Lucifer, banda que vem obtendo uma ascensão muito forte nos últimos anos.

Nesta terceira passagem pelo país, a banda, que agora conta com nova formação, conseguiu dar uma leve esfriada no calor com seu som amedrontador, mas que também tem um lado mais intenso graças à influência do hard rock setentista. Johanna Sadonis, vocalista e líder da banda, mostrou-se mais comunicativa e empática do que na última vez – e, ao que parece, o divórcio com Nick Anderson, ex-baterista da banda, fez bem a ela.

Infelizmente, muitos não não conseguiram entrar no Memorial para vê-los, pois a fila para entrar era quilométrica, ocasionando atraso e diversas reclamações. Quem entrou, teve a sorte de curtir " Riding Reaper", " At The Mortuary " e " California Son", além de um cover de "Goin’ Blind", do Kiss, e da já clássica " Fallen Angel", do último álbum, que encerrou a apresentação, sem exageros, magistral.


EVERGREY LEVA RIFFS MATADORES E EMOÇÃO AO HOT STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Rumo aos palcos principais, ainda deu tempo de pegar um pouco dos momentos finais do Korzus, que vive uma nova fase com a entrada dos guitarristas Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Di Falchi (ex-Crypta) – esta última, inclusive, nem era nascida quando a banda foi fundada, em 1983. Vale também um parabéns à organização: pela primeira vez, uma banda brasileira abriu um dos palcos principais, e não poderia ser outra senão uma tão importante quanto o Korzus, que em breve lançará novo álbum, depois de doze anos.

Sem muita demora, foi a vez de conferir, no Hot, os suecos do Evergrey. A expectativa era grande para vê-los, já que, na primeira edição – ainda sob o nome de Summer Breeze Brasil –, a banda havia tocado apenas para o público que comprou o ingresso com acesso à área VIP, onde atualmente fica o palco Waves Stage. Dessa vez, o grupo pôde mostrar um pouco de suas ótimas composições para um público mais amplo.

Apesar de serem rotulados como prog metal, vejo que o quinteto fura a bolha e quebra protocolos do estilo, geralmente marcado pela alta complexidade. Não que o grupo de Gotemburgo não seja, pois quem é fã sabe bem que a banda experimenta de tudo um pouco, indo do death metal ao hard rock e até mesmo flertando um pouco com o pop.

A princípio, achei que o público não daria muita atenção, mas logo na abertura com Falling From the Sun – uma escolha perfeita para iniciar o show – essa impressão caiu por terra. O set ainda contou com as clássicas Call Out the Dark e King of Errors, que agradaram aos presentes e fizeram a felicidade dos fãs, já que ambas são consideradas verdadeiros hinos. O que se viu foi um grupo com sangue nos olhos, despejando riffs matadores e linhas vocais melódicas conduzidas pelo competente Tom S. Englund.


A ESTREIA TRIUNFAL DO FEUERSCHWANZ NO BRASIL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Ainda à tarde, o Ice trouxe uma estreia em terras brasileiras e uma grata surpresa, algo que já é de praxe em todas as edições do festival. Escalado inicialmente para tocar no Sun Stage, mas, devido ao cancelamento do Fear Factory às vésperas do evento, o Feuerschwanz – sim, é meio difícil de pronunciar o nome – mostrou, sem desmerecer as outras bandas, que realmente não era uma banda para o palco Sun.

Com visual viking e um som que mistura folk com power metal, os alemães não demoraram a conquistar o público, que se divertiu durante as doze músicas apresentadas. A maior parte do repertório veio dos trabalhos mais recentes, Knightclub e Fegefeuer, mas ainda houve espaço para um inusitado cover de Dragostea Din Tei, que aqui no Brasil ficou famosa na versão do Latino, e que ajudou a tornar o show ainda mais divertido.

Merecem destaque também os músicos, especialmente a violista Johanna von der Vögelweide, que não parava um segundo no palco; os vocalistas Hauptmann Feuerschwanz e Prinz R. Hodenherz, que demonstraram excelente entrosamento vocal; e as simpáticas Mieze Myu e Mieze Musch-Musch, que realizaram um ótimo trabalho de performance.

Fica a torcida para que eles voltem o mais breve possível, pois, pelo tempo em que estão na ativa – desde 2004 –, já mereciam uma vinda ao Brasil. A despedida foi ao som de “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY, encerrando o show com uma dose de humor. 


ENTRE O PESO E A PRECISÃO, JINJER TRANSFORMA O CALOR DO BANGERS OPEN AIR 2026 EM INTENSIDADE PURA!

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

O show do Jinjer carregava um peso especial e a banda fez jus à expectativa. Às 15h20 em ponto, em plena tarde, sob um sol de quase 30 °C incidindo diretamente sobre o palco, o grupo subiu a um dos palcos principais, Hot Stage do Bangers Open Air e entregou uma performance tão técnica quanto visceral. Formada em 2009, na Ucrânia, a banda se consolidou no metal moderno com uma sonoridade que mescla metalcore, groove e elementos progressivos. Parte da turnê do álbum “Duél” (2025), o setlist foi majoritariamente focado nas faixas mais recentes, mas soube equilibrar bem com clássicos que funcionam ao vivo como poucos: “Vortex”, “Disclosure”, “Teacher, Teacher!” e “I Speak Astronomy”.

A sintonia entre os integrantes é evidente, mas a presença de palco fica a cargo de Tatiana Shmayluk, que sustenta esse protagonismo com naturalidade. Vestida com um vestido rosa e corset vermelho, sua estética delicada e romântica,  contrasta diretamente com o peso do som e talvez seja justamente aí que mora parte do impacto. Alternando vocais limpos e guturais com impressionante controle, ela mantém interação constante com o público: dança, manda corações e conduz a plateia com segurança. Em um momento leve, brinca antes de “Pieces” ao dizer que se tratava de uma música inédita, arrancando risos e preparando o terreno para um coro potente de um público já completamente envolvido.

Enquanto isso, os demais integrantes seguem mais contidos, com visual simples, mas longe de passarem despercebidos, especialmente o baixista Eugene Kostyuk, que sustenta presença firme em cada linha. Ao final, ainda há espaço para um gesto direto e humano de Tatiana: “thank you for being so strong in the sun” (“obrigada por serem fortes sob o sol”). E foi exatamente isso que o show exigiu: resistência em meio ao calor intenso, entrega e conexão.

Em cerca de uma hora, a apresentação passou rápido e deixou um gostinho claro de quero mais. Mais do que técnica, o Jinjer entregou uma experiência que permanece daquelas que ficam no corpo e na memória.


KILLSWITCH ENGAGE TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR EM CAMPO DE GUERRA!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Assim como o Jinjer, que não poupou brutalidade no palco Ice, o Killswitch Engage seguiu na mesma linha e, mais uma vez, não decepcionou, entregando um show ainda melhor do que o da segunda edição de 2024. Um grande número de fãs prestigiou um repertório matador, que incluiu pedradas como Fixation on the Darkness, In Due Time, The End of Heartache e My Curse – esta última, o maior hit da banda e um dos hinos do metalcore.

Também impressiona a adrenalina dos músicos. O guitarrista Adam Dutkiewicz surgiu como se estivesse pronto para uma maratona: o visual – camiseta regata, bermuda dry-fit, faixa rosa na cabeça e a bandeira do Brasil como capa –  explicava bem isso. Já Jesse Leach é aquele vocalista com “sangue nos olhos”, que canta como se estivesse encarando cada pessoa da plateia. Essa atitude, que também demonstra carinho, ficou evidente em My Last Serenade, quando ele desceu do palco para sentir de perto a vibração de quem estava na grade do lounge, antes de encerrar com o cover de Holy Diver, do Dio.

PESO, REPRESENTATIVIDADE E CONEXÃO: CRYPTA REAFIRMA SUA FORÇA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Marcos Hermes

No Sun Stage do Bangers Open Air, às 17h20 em ponto, a Crypta entregou um show que reforça porque é uma das bandas mais respeitadas do death metal nacional e cada vez mais reconhecida fora do Brasil. Com uma atmosfera densa, mas ao mesmo tempo acolhedora, o público chamou atenção pela diversidade: crianças, idosos, mulheres e homens dividindo espaço em um ambiente de respeito e troca genuína. Mesmo com bandas maiores tocando simultaneamente, como Black Label Society no palco principal, a Crypta reuniu uma audiência expressiva e engajada. O setlist focou no álbum Shades of Sorrow (2023), mas também abriu espaço para momentos marcantes com faixas como “Death Arcana” e “Under the Black Wings”, do Echoes of the SouL (2021), garantindo conexão imediata com os fãs.

No palco, Fernanda Lira conduz tudo com segurança e presença. Seu vocal se mantém impecável ao vivo, enquanto o baixo é executado com naturalidade e peso, acompanhado de expressões faciais performática, as famosas caretas que já se tornaram sua marca registrada. A banda, agora com a guitarrista solo Victoria Villareal, mostra coesão e entrega. 

O mosh refletia exatamente o espírito da plateia: intenso, mas respeitoso, com pessoas se ajudando e participando juntas, independentemente de idade ou gênero. Caminhando para o final da apresentação, Fernanda perguntou ao público se ainda dava tempo para uma “mais uma rápida”. A resposta veio imediata, em coro, e assim a banda iniciou um de seus grandes sucessos, “Starvation”, do álbum Echoes of the Soul (2021), levando a plateia a um dos momentos mais intensos do show. Ao final, Fernanda agradeceu diversas vezes ao público, destacando a importância de fortalecer o metal nacional e reconhecendo quem escolheu estar ali. Mais do que um bom show, a Crypta reafirma seu papel em uma cena ainda marcada por barreiras  e preconceitos, provando, na prática, que qualidade e representatividade feminina caminham lado a lado.


ZAKK WYLDE TRANSFORMA O FESTIVAL EM TERRITÓRIO DO BLACK LABEL SOCIETY

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Quem ficou entre os palcos Hot e Ice presenciou shows de tirar o fôlego – era preciso preparo físico para aguentar as pauladas que vieram pela frente. Encerrando a dobradinha americana iniciada pelo Killswitch Engage, o Black Label Society reuniu não só fãs de Zakk Wylde, líder da banda, mas também artistas que tocaram naquele dia e no seguinte, como integrantes do Lucifer, Rafael Bittencourt (Angra), Jimmy London (Matanza Ritual) e Paulo Xisto Jr. (Sepultura), em uma das apresentações mais aguardadas do dia. Já era hora de a banda tocar para um público mais amplo no Brasil, já que a única vez que isso aconteceu foi em sua primeira visita ao país, em 2008, ao lado de Korn e do saudoso Ozzy Osbourne, no então Palestra Itália (hoje Allianz Parque).

Quando se fala em Black Label Society, é inevitável pensar em Zakk Wylde. Sua presença, como esperado, foi reverenciada – assim como cada riff e solo que saía de sua guitarra estilizada, para o delírio de muitos que estavam vestidos coletes com o tradicional crânio do logo da banda.

Infelizmente, não foi possível contemplar grandes momentos de todos os álbuns da discografia. Ficou a expectativa – minha e dos fãs – de que a abertura fosse com New Religion, do ótimo Shot to Hell (2006). Ainda assim, Funeral Bell, do The Blessed Hellride (2003), abriu os trabalhos. Name in Blood, Destroy & Conquer, A Love Unreal e Heart of Darkness destacaram os lançamentos mais recentes da banda – bons trabalhos, embora muitos sentissem falta de algo do 1919 Eternal (2002), considerado um de seus melhores disco.

Por ter sido guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk prestou sua primeira homenagem ao Madman com uma versão mais estendida e repleta de fritação de No More Tears. O clima seguiu emocionante com a clássica In This River, executada ao piano – uma declaração de amor ao seu melhor amigo, Dimebag Darrell (ex-Pantera), que também passou a homenagear seu irmão, Vinnie Paul, após sua morte em 2018. Nada mais justo do que exibir a imagem dos dois no telão durante a música.

The Blessed Hellride apareceu em uma versão mais pesada do que a de estúdio, que tem uma pegada mais limpa. Set You Free, do ótimo Doom Crew Inc. (2021), levantou o público e preparou o terreno para a dobradinha do álbum Mafia (2004), favorito dos fãs, com Fire It Up e Suicide Messiah.

Já na reta final, o telão exibiu a imagem do eterno Ozzy Osbourne, falecido em julho do ano passado. Só isso já indicava que a próxima seria “Ozzy’s Song”, presente no recém-lançado Engines of Demolition (2026). Muitos ainda não a conheciam, o que resultou em reações emocionadas. O encerramento veio com a clássica Stillborn, consolidando o Black Label Society como um dos grandes destaques do dia.


ENTRE MARES, MITOS E EMOÇÃO: SEVEN SPIRES CRIA UM REFÚGIO INTIMISTA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Às 18h40 do primeiro dia de Bangers Open Air, o Seven Spires subiu ao palco Waves e transformou o espaço em algo raro dentro de um festival: um ambiente íntimo, quase teatral, onde cada nota parecia contar uma história. Formada em 2013, em Boston, a banda construiu sua identidade misturando metal sinfônico, power metal e elementos do metal extremo, criando narrativas densas e cinematográficas . A abertura com “Songs Upon Wine-Stained Tongues” já mergulhou o público nesse universo, evocando paisagens que lembram aventuras marítimas e fantasias épicas,  uma trilha sonora que facilmente dialoga com o imaginário de quem cresceu assistindo histórias como Piratas do Caribe. Desde os primeiros minutos, os fãs estavam completamente imersos, acompanhando cada passagem com entusiasmo e emoção visível.

No centro de tudo, Adrienne Cowan se impôs como uma força magnética, dona de uma versatilidade impressionante, ela transitou entre voz limpa, lírico e gutural com precisão e sentimento, reforçando porque é considerada uma das vozes mais promissoras do metal atual. Atualmente, Adrienne também realiza um trabalho elogiado ao lado de Tobias Sammet no Avantasia e de Roy Khan, ex-Kamelot, algo que reforça ainda mais a dimensão do seu talento e presença dentro do metal atual. Já o guitarrista Jack Kosto surge como um verdadeiro espetáculo à parte, entregando solos marcantes e técnica impressionante, elevando ainda mais a intensidade da apresentação.


Adrienne tem uma performance que carrega elementos do teatro musical, criando a sensação de uma personagem mítica, quase uma "sereia", conduzindo o público por essa jornada. A conexão era imediata: entre interações carinhosas e constantes elogios à plateia (“You’re amazing!”), Adrienne demonstrava uma entrega genuína que se refletia no público, visivelmente emocionado. O baixista Peter de Reyna também reforçou essa proximidade, lembrando que a presença da banda ali era resultado direto do apoio dos fãs brasileiros.

Com um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, incluindo faixas de Solveig (2017), Emerald Seas (2020), Gods of Debauchery (2021) e A Fortress Called Home (2024). O show equilibrou técnica, narrativa e emoção. Músicas como “Almosttown”, “Every Crest”, “Succumb” e “Love’s Souvenir”. Antes de cantar “Architect of Creation” Adrienne diz que a próxima canção seria aquela do clipe em que ela é crucificada em meio a uma nevasca, uma das músicas mais pesadas do último álbum, deixando o público ainda mais entusiasmado.

A banda reforça a sua força criativa, marcada por composições longas, ricas e carregadas de significado. Mais do que uma apresentação, o Seven Spires entregou uma experiência sensorial e emocional, daquelas que não dependem do tamanho do palco para serem grandiosas. Ao final, ficou a sensação de ter testemunhado algo especial: um show encantador, intenso e profundamente envolvente, que conquistou até quem ainda não conhecia a banda. Pelo que apresentaram no palco e pela resposta do público, o Seven Spires aponta para um futuro extremamente promissor, daqueles que inevitavelmente levam a banda a ocupar palcos maiores e posições de destaque em grandes festivais, porque potencial, definitivamente, não falta. Como bons contadores de histórias ou "piratas", eles não apenas passaram pelo festival: roubaram corações e deixaram um inevitável gosto de quero mais.


O ICE EM "IN FLAMES"

Texto: Erick Azevedo 

Fotos: Edu Lawless 

No último sábado, 25/04, São Paulo viveu uma noite de pura intensidade com o show do In Flames. Vindos diretamente da Suécia, os pioneiros do melodic death metal, seguem como um dos nomes mais respeitados do gênero e deixaram claro que sua conexão com o público brasileiro continua mais forte do que nunca.


Com pontualidade, a apresentação começou às 19:15 com “Pinball Map”, abrindo o show de forma intensa e imediatamente levando o público ao delírio. A partir daí, o Ice Stage do Bangers Open Air 2026, colocando o festival literalmente "In Flames": moshs intensos tomaram conta da pista, sinalizadores acesos coloriram o ambiente e milhares de vozes em coro criaram uma atmosfera envolvente do início ao fim.


A presença de palco de Anders Fridén foi incrível, carismático e totalmente conectado com o público, o vocalista conduziu o show com maestria, alternando momentos de intensidade com interações cheias de energia. A qualidade do som e o peso das músicas contribuíram para uma experiência incrível, que conquistam até quem ainda não é fã.


O momento mais triste foi o anúncio do fim, mas valeu a pena cada minuto. Em uma hora de show, a banda sueca trouxe nostalgia e atualidade, com um setlist mesclando sucessos arrepiantes. (Menção honrosa para "Only For The Weak", "Cloud Connected", "Deliver Us", "I Am Above", "In The Dark" e "Take This Life"). Nessas, o público representou muito com um coro impressionante. 


A entrega superou todas as expectativas: muita energia, qualidade audiovisual impecável e um final triunfal. Deixaram aquele "gostinho de quero mais". Foi um show simplesmente incrível, mas não poderíamos esperar menos vindo do In Flames.

A VOZ DO POVO CONSAGRA O ARCH ENEMY COMO HEADLINER PERFEITO!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Sabe aquele clichê “a voz do povo é a voz de Deus” Isso cai perfeitamente para o headliner de sábado.

Quando foi anunciada a quarta edição do festival, no final do ano passado, o nome confirmado era o Twisted Sister, que retornaria aos palcos após nove anos. Muita gente – inclusive este que vos escreve – comprou ingresso só para ver Dee Snider, Jay Jay French e Eddie Ojeda. Porém, devido a problemas de saúde de Dee, esse sonho foi por água abaixo.

A solução? Apostar na banda mais pedida pelo público: Arch Enemy. E a escolha não poderia ter sido melhor.

Uma das maiores bandas de melodic death metal entregou um show devastador no fim do dia, com excelente produção de palco, pirotecnia e uma performance extremamente afiada – uma verdadeira locomotiva. Michael Amott e Joey Concepcion dispararam riffs e solos matadores, enquanto Sharlee D'Angelo e Daniel Erlandsson seguraram uma base pesada e precisa.

Mas o centro das atenções foi mesmo Lauren Hart, que em poucos meses já mostra ser uma escolha certeira para dar continuidade ao legado da banda. Isso ficou evidente em músicas como “Yesterday Is Dead and Gone”, “The World Is Yours” e “Ravenous”, que já incendiaram o público com rodas e sinalizadores – algo que não se via desde o show do Anthrax na segunda edição.

O repertório foi um verdadeiro passeio pela carreira dos suecos, com destaque para a fase de Alissa White-Gluz em faixas como “War Eternal”, “Dream Stealer”, “Blood Dynasty” e “The Eagle Flies Alone”, sem deixar de olhar para o presente e o futuro com “To the Last Breath”, música que recentemente gerou polêmica por suposta semelhança com “Falling Dreams”, de Kiko Loureiro.

Uma surpresa foi a inclusão de “No Gods, No Masters”, do álbum Khaos Legions (2011), último com Angela Gossow nos vocais. Clássicos como “I Am Legend/Out for Blood”, “Dead Bury Their Dead” e “Nemesis” reforçaram a força dessa fase, mostrando como essas músicas também funcionam muito bem com a voz de Lauren. O encerramento com “Fields of Desolation” foi uma escolha certeira, resgatando os primórdios da banda na era de Johan Liiva.

O carinho do público brasileiro foi algo fora do normal, e a banda retribuiu com a mensagem “tamo junto, Brasil” no telão, em verde e amarelo. Um show para ficar na história e fazer valer todo o esforço.

O primeiro dia terminou exatamente como eu imaginava: grande presença de público, ingressos praticamente esgotados e atrações dos mais variados estilos dentro da música pesada, contemplando fãs de thrash, prog e sonoridades mais modernas. Infelizmente, não foi possível assistir a tudo ,algo praticamente impossível diante da magnitude do festival, mas essa diversidade é extremamente válida, pois mostra que o evento consegue atender aos mais diferentes gostos sem qualquer tipo de desrespeito entre públicos e estilos. No geral, todos saíram satisfeitos com esse início e com energia de sobra para o dia seguinte, que prometia ainda mais emoção.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Lucifer – setlist:

Anubis

Crucifix (I Burn for You)

Riding Reaper

Lucifer

Wild Hearses

At the Mortuary

Slow Dance in a Crypt

The Dead Don't Speak

California Son

Bring Me His Head

Goin' Blind (KISS cover)

Fallen Angel


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

Architects of the New Weave

Leaving the Emptiness

OXYGEN!


Feuerschwanz – setlist:

Drunken Dragon

Memento Mori

Untot im Drachenboot

Knightclub

Bastard von Asgard

Name der Rose

Ultima Nocte

Testament

Berzerkermode

Dragostea din tei (O‐Zone cover) 

Valhalla

Das Elfte Gebot


Killswitch Engage – setlist:

Fixation on the Darkness

In Due Time

The End of Heartache

Aftermath

Rose of Sharyn

This Is Absolution

Broken Glass

Hate by Design

Forever Aligned

The Signal Fire

I Believe

The Arms of Sorrow

Strength of the Mind

This Fire

My Curse

My Last Serenade

Holy Diver (Dio Cover)


Crÿpta – setlist:

Death Arcana

Lullaby for the Forsaken

Poisonous Apathy

The Outsider

I Resign

Stronghold

Under the Black Wings

Dark Clouds

The Other Side of Anger

Trial of Traitors

Dark Night of the Soul

Starvation

Lord of Ruins

From the Ashes


Black Label Society – setlist:

Funeral Bell

Name in Blood

Destroy & Conquer

A Love Unreal

Heart of Darkness

No More Tears (Ozzy Osbourne cover)

In This River

The Blessed Hellride

Set You Free

Fire It Up

Suicide Messiah

Ozzy’s Song

Stillborn


Seven Spires – setlist:

Songs Upon Wine-Stained Tongues

Almosttown

No Words Exchanged

Oceans of Time

Unmapped Darkness

Succumb

Shadow on an Endless Sea

Portrait of Us

Architect of Creation

Love's Souvenir


Arch Enemy– setlist:

Yesterday Is Dead and Gone

The World Is Yours

Ravenous

War Eternal

Dream Stealer

To the Last Breath

Blood Dynasty

My Apocalypse

Bury Me an Angel

The Eagle Flies Alone

No Gods, No Masters

I Am Legend/Out for Blood

Dead Bury Their Dead

Snow Bound

Nemesis

Fields of Desolation

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Seven Spires: Aprimoramento e Surpresas no Metal Sinfônico



A banda Seven Spires é uma das bandas mais promissoras do Symphonic Metal atual. Fiquei muito animada desde que eles anunciaram seu novo álbum intitulado “Gods of Debauchery”. Lançado no dia 10 de setembro via Frontiers Records, para mim este é um dos melhores álbuns de 2021.

Em “Gods of Debauchery” é como se a banda misturasse os melhores elementos experimentados em seus dois álbuns anteriores e os transformassem em algo muito bem aprimorado. 


A introdução do álbum já impressiona com apenas 1 minuto e 42 segundos de duração. Adrienne cantando em um tom suave com um belo arranjo sinfônico nos prepara para a faixa título, “Gods of Debauchery”, apesar da introdução super sinfônica, minha expectativa foi completamente quebrada pelos vocais guturais de Adrienne e isso foi incrível!!! 

Em “The Cursed Muse” é comprovado que não é porque uma música tem um arranjo sinfônico que ela será algo suave. Em seguida temos a faixa “Ghost of Yesterday”, e é impossível não admirar a versatilidade de Adrienne, inclusive quando ela arrisca algo super pop como “Lightbringer”. 

Os conservadores irão odiar, mas eu me diverti muito com a ousadia de Adrienne ao ponto de fazer uma coreografia durante o clipe da música. 


Fiquei fascinada com “Echoes of Eternity” e recomendo fortemente para que todos ouçam!! Para mim, “Shadow on an Endless Sea” é arrepiante, principalmente no refrão quando Adrienne traz à tona toda a dramaticidade da música com seus vocais limpos. Em “Dare to Live” os arranjos orquestrais deram um toque mais requintado à música. 

Como é bom sentir que o metal sinfônico está em uma boa safra novamente!! Toda vez que eu ouço “In Sickness, In Health”, eu sinto um clima mais cinematográfico, diria até que essa música é a mais fácil de se ouvir, caso você não esteja habituado ao som da banda.

E agora nem sei o que falar sobre “This God is Dead”, pois trata-se de um dueto com um dos meus vocalistas masculinos favoritos, Roy Khan (Conception), então qualquer elogio que eu fizer será totalmente suspeito. 


Dez minutos é  pouco para eu poder apreciar essa obra prima!! Para mim a faixa “Oceans of Time” tem uma introdução tão épica e refrão tão cativante que não perde nada para bandas mais experientes como Rhapsody, Nightwish e Epica. 

Em seguida, a absurda “The Unforgotten Name”, um belo dueto entre Adrienne e Jon Pyres (Threads of Fate). Essa poderia ser só mais uma balada de metal, mas eles entregaram uma verdadeira obra dramática cheia de melancolia. 

Em seguida “Gods Amongst Men” tem um bombardeio com guturais de Adrienne e mais uma vez a quebra de expectativas, dessa vez com um coro cantando um refrão memorável. 

Os instrumentais de “Dreamchaser” por um momento me fizeram perguntar se eu ainda estava ouvindo Seven Spires ou se o Spotify havia inciado uma playlist aleatória de Black Metal. Chris Dovas espanca a bateria sem dó, enquanto os teclados me lembram um pouco o Cradle of Filth.

Ainda assim, está longe de ser uma cópia. Cada vez que ouço essa música eu percebo algo a mais e me apaixono ainda mais. 

Through Lifetimes” é a penúltima faixa do álbum e sua sinfonia dá uma sensação de encerramento, como se todos os eventos estivessem sendo concluídos e te preparando para o fim de uma incrível peça que você vai lamentar ter acabado.


Se “Gods of Debauchery” fosse um filme, provavelmente “Fall With Me” seria o momento em que subiriam os créditos e como nos filmes da Marvel você ficaria aguardando para ver se não haveria nenhuma cena após. Infelizmente não, só resta começar novamente. 

Esse álbum é tão bom, que eu realmente não consigo pular nenhuma faixa. Apesar de ambicioso, o Seven Spires chegou sem prometer a obra mais épica de todos os tempos, quebrou todas as expectativas e entregou um dos melhores álbuns do ano. 

Só não direi o melhor porque o ano ainda não acabou e ainda dá tempo para mais alguma surpresa, mas no fundo eu dúvido que haverá mais algum álbum que irá me causar o mesmo impacto.

Texto: Raquel de Avelar 
Edição: Carlos Garcia

Banda: Seven Spires
Álbum: "Gods of Debauchery" 2021
País: USA
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Frontiers


Tracklist: 

1. Wanderer’s Prayer 
2. Gods Of Debauchery 
3. The Cursed Muse 
4. Ghost Of Yesterday 
5. Lightbringer 
6. Echoes Of Eternity 
7. Shadow On An Endless Sea 
8. Dare To Live 
9. In Sickness, In Health 
10. This God Is Dead 
11. Oceans Of Time 
12. The Unforgotten Name 
13. Gods Amongst Men 
14. Dreamchaser 
15. Through Lifetimes 
16. Fall With Me