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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Cobertura de Show: Therion – 11/09/2024 – Carioca Club/SP

A banda sueca de metal sinfônico Therion retornou ao Brasil no dia 11 de setembro para apresentação única. O show em São Paulo marcou o início da turnê latino-americana, que inclui outros sete países além do Brasil.

Conhecidos por mudar de estilo musical ao longo de sua carreira e agregar ao seu som letras que abordam de mitologia e ocultismo à magia e antigas tradições, os suecos chegaram para promover o lançamento do seu 19º álbum de estúdio, “Leviathan III”, lançado em dezembro de 2023 e que fechou a trilogia de álbuns Leviathan.

Sem show de abertura, a banda subiu ao palco do Carioca Club pontualmente às 20:30, conforme previsto pela produção. Liderados pelo guitarrista Christofer Johnsson, o line-up contou com Thomas Vikströn (vocal), Chris David (baixo e que também toca nas bandas Majestica e Wizdoom), Lori Lewis (vocal, que retornou para essa tour, devido aos problemas de saúde de Chiara Malvestiti, que também se tornou mãe recentemente), Rosalia Sairem (vocal), Christian Vidal (guitarra, também membro das bandas Full Nothing, Soul Kick e Patricia Sosa) e Sammi Karppinen (bateria). 

É importante dizer que o line-up da banda tem alterações constantes e que nem sempre os músicos responsáveis pela gravação dos álbuns são os mesmos que participam das apresentações ao vivo, algo comum em bandas da magnitude do Therion.

O set foi aberto por “Seven Secrets of the Sphynx”, do álbum Deggial. Seguido por “The Crowning of Atlantis”, a dobradinha foi suficiente para levar o público presente ao êxtase. “Ruler of Tamag” foi a primeira música do álbum da tour em questão a ser executada. Apesar de ser relativamente “novo”, os presentes pareciam estar familiarizados e receberam bem as músicas mais novas.

“Ginnungagap” do álbum Secret of the Runes manteve a empolgação do público. O set deu sequência passando por várias fases da banda, com destaque para “Nigikal” e “Typhon” que contam com vocais guturais e refrões marcante e, “Clavicula Nox” e “Black Sun” do magnifíco álbum Vovin.

Com aproximadamente uma hora de show, “El Primer Sol” deu uma esfriada na audiência, mas isso não durou muito, pois a belíssima “Litany of the Fallen” energizou novamente o Carioca Club.

As vocalistas Rosalia e Lori são um destaque à parte. Extremamente talentosas e afinadas, ambas apresentaram performance impecável. Isso foi notado principalmente em “Eye of Algol”, onde Rosalia impressionou com sua interpretação e potência vocal.

“Mark of Cain” foi anunciada por Lori, que mencionou que a canção poderia ter entrado no álbum "Vovin", mas segundo Christofer Johnsson, sua sonoridade talvez não se encaixaria naquele álbum, então acabou entrando para o Crowning of Atlantis. Com riffs que beiram o hard rock, foi uma das músicas em que o público mais agitou.

Seguindo com “Tuonela”, “Ayahuasca”, “Wine of Aluqah”, “Nightside of Eden” (ovacionada pelo público e introduzida com um mini solo de bateria) o show ia se encaminhando ao fim, mas não sem antes a banda apresentar a música obrigatória em suas tours na América Latina desde 2005, “Quetzalcoatl” do álbum Lemuria.

“Lemuria”, “Sitra Ahra” e o super hit “To Mega Therion”, que foi cantado em uníssono pelos fãs, encerraram o show. Ou ao menos era isso que a banda queria que os fãs pensassem… Voltando para o encore, com direito a coro do público, “The Rise of Sodom and Gomorrah” e “Son of the Staves of Time” finalizaram a apresentação, que durou mais de duas horas.

Assim foi o show do Therion, em sua décima passagem pelo Brasil. Essa foi uma oportunidade ainda mais especial, pois no mesmo dia em que o show ocorreu, Christofer Johnsson anunciou na página oficial do Therion no Instagram, que a banda não voltará a fazer tours até 2029, visto exceções com uma apresentação ou outra em festivais.

Sem dúvidas, foi uma noite muito especial e que não sairá da memória e do coração dos fãs presentes tão cedo.



Fotos: Belmilson Santos (Roadie Crew)


Realização: Overload 


Therion

Seven Secrets of the Sphinx

The Crowning of Atlantis

Ruler of Tamag

Ginnungagap

Ninkigal

Uthark Runa

Clavicula Nox

Typhon

Black Sun

El primer sol

Litany of the Fallen

Eye of Algol

Mark of Cain

Tuonela

Ayahuasca

Wine of Aluqah

Nightside of Eden

Quetzalcoatl

Lemuria

Sitra Ahra

To Mega Therion

***Encore***

The Rise of Sodom and Gomorrah

Son of the Staves of Time

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Therion: Yes, "Leviathan" is the Promised Album Packed With Therion's Hit Songs


 
Yes, they promised and delivered. Therion's mentor Christofer Johnsson announced that after the last two albums, what remained to be done was a hit album by the band, something requested and expected by fans. In other words, after experiences like “Les Fleurs du Mal” and the triple album with the opera “Beloved Antichrist”, a project that Christofer had been working on for years and that he wanted to carry out, “Leviathan” brings the “traditional” sound of Therion, from albums like “Vovin”, “Secret of the Runes” and “Sirius B”, for example. (Versão em Português)

Then we have Symphonic Metal with striking riffs, great orchestral arrangements and fantastic choirs and vocals, with pieces where the symphonic parts stand out, and others where the Heavy Metal side commands.

In the first auditions, our ears already identify the characteristics that enshrined this icon of symphonic metal, and soon you are fully familiar with the album, with many of the melodies and choruses already fixed in mind.

There are no discussions about the production and quality of the musicians, everything excellent, Christofer and the virtuoso Christian Vidal present an impeccable work on the guitars, Nalle Pahlsson with his technique and grip on the bass. The vocals, in charge of the versatile and experienced Thomas Vikström, who ventures, brings one of his best performances, and Chiara Malvestiti and debutant Rosalía Sairem, who are excellent. Some special guests also feature prominently, such as Johan Koleberg (drums), Marco Hietala and Snowy Shaw.


And it is not only in the sound that the album will sound familiar to the ears, the themes covered in the lyrics as well, dealing with mythology of different cultures, such as Persian, Chinese and Finnish.

Maybe some boring reviews, usually done by those who don't have much affinity with the style or the band, or even those pseudo-intellectuals, where they will say that the work doesn't bring anything new, stayed in a comfort zone or something. 

But I'm sure the band's fans will approve of the album, and after all, Therion created his own style, it's one of the most original bands on the planet, made the albums they wanted to do, and there's nothing wrong with formulating songs with the characteristics that enshrined them and still fulfill the fans' desire.

The album is very easy to hear and digest by the band's fan, with songs that do not have a long duration (the album has just over 45 minutes), and alternate more vibrant moments and Metal, with other more dense, epic and where the side symphonic stands out, and also with that balance between the two worlds, something that they have always done very well.

In this line where the Metal side stands out, we have a very well chosen track as the opening, “The Leaf on the Oak of Far”, which brings some new elements, such as the initial vocal lines and that voice effect in the megaphone. It has great riffs, with a Hard \ Heavy mood. It will certainly be one that will work very well live.


The short and angry “Great Marquis of Hell” also follows a vibrant line, with that mix of striking Heavy Metal riffs ahead and the symphonic arrangements in the background, highlighting the vocals of Thomas Vikström, who, by the way, is singing a lot! No wonder it became a very important piece in the band and it was also Christofer's great partnership in the compositions. Thomas is a multi-faceted vocalist, making vocals ranging from Hard to Metal, from smooth to aggressive, in addition to operatic ones.

“Eye of Algol”, brings that perfect balance between classic and Metal side, with Rosalía's loud vocals, showing her versatility, and even “El Primer Sol”, with Thomas balancing operatic vocals with more Metal lines, also having the company of excellent Chiara Malvestiti, and “Tuonela”, and their captivating melodies and chorus, bringing as a guest Marco Hietala. Good idea, on a song with lyrics talking about the realm of the dead in Finnish mythology, one of the metal icons of that country on guest vocals.

I would say that those mentioned above follow that line of classics like “The Blood of Kingu” and “The Rise of Sodom and Gomorra”, just to situate the reader that this is an album with which you will feel familiar.

To name a few of the most dense, dramatic, epic moments with orchestral and choral performances, we have the title track, “Leviathan”, with its weight, grand choral and fantastic vocals by soprano Chiara Malvestiti; “Nocturnal Light”, epic and loaded with great choirs, and also “Ten Courts of Diyu”, which starts with oriental melodies (Diyu is the realm of the dead or hell in Chinese mythology), and brings drama and beautiful female vocals, culminating in in a soft chorus.

In short, a dynamic album, easy to hear and that has all the characteristics that enshrined the band, and that are loved by fans, who will surely be satisfied with what they will find in "Leviathan".

Text by: Carlos Garcia

Band: Therion
Album: Leviathan (2021)
Style: Symphonic Metal
Label: Nuclear Blast

Tracklist
1. The Leaf on the Oak of Far 3:38
2. Tuonela 4:37
3. Leviathan 4:01
4. Die Welle
5. Azi Dahaka 3:06
6. Eye of Algol 4:03
7. Nocturnal Light 5:37
8. Great Marquis of Hell 2:36
9. Psalm of Retribution 5:03
10. El Primer Sol 3:37
11. Ten Courts of Diyu 5:29



 

Therion: Sim, "Leviathan" é o Prometido "Álbum de Hits"

Sim, eles prometeram e cumpriram. O mentor do Therion, Christofer Johnsson anunciou que depois dos dois últimos trabalhos, o que restava fazer era um álbum de “hits” da banda, algo pedido e esperado pelos fãs. Ou seja, depois de experiências como “Les Fleurs du Mal” e o disco triplo com a ópera “Beloved Antichrist”, projeto o qual Christofer vinha trabalhando há anos e que desejava realizar, “Leviathan” traz a sonoridade “tradicional” do Therion, de álbuns como “Vovin”, “Secret of the Runes” e “Sirius B”, por exemplo.  (English Version)

Temos então o Symphonic Metal de riffs marcantes, grandes arranjos orquestrais e fantásticos corais e vocais, com peças onde as partes sinfônicas se sobressaem, e outras onde o lado Heavy Metal comanda.

Logo nas primeiras audições nossos ouvidos já identificam as características que consagraram este ícone do Metal Sinfônico, e logo você está plenamente familiarizado com o álbum, com muitas das melodias e refrãos já fixados na mente.

Sobre a produção e qualidade dos músicos, não há discussões, tudo excelente, Christofer e o virtuoso Christian Vidal apresentam um trabalho irrepreensível nas guitarras, Nalle Pahlsson com sua técnica e pegada no baixo. Os vocais, a cargo do versátil e experiente Thomas Vikström, que arrisco, traz uma de suas melhores performances, e de Chiara Malvestiti e da estreante Rosalía Sairem, que são excelentes. 

Alguns convidados especiais também aparecem com destaque, como Johan Koleberg (bateria), Marco Hietala e Snowy Shaw. A produção também teve sua peculiaridades, devido a pandemia, com gravações sendo feitas em vários estúdios e em países diferentes.

E não é só na sonoridade que o álbum vai soar familiar aos ouvidos, os temas abordados nas letras também, versando sobre mitologia de diversas culturas, como a persa, chinesa e finlandesa.

Talvez algumas resenhas chatas, normalmente feitas por quem não tenha muita afinidade com o estilo ou a banda, ou até aqueles pseudo-intelectuais, onde dirão que o trabalho não traz nada de novo, ficou em uma zona de conforto ou algo do tipo. Mas tenho certeza que os fãs da banda aprovarão o disco, e afinal, o Therion criou um estilo próprio, é uma das bandas mais originais do planeta, fez os álbuns que queria fazer, e não há nada de errado em formular músicas com as características que os consagraram e ainda atender o desejo dos fãs.

O álbum é muito fácil de ouvir e digerir pelo fã da banda, com canções que não possuem longa duração (o álbum tem pouco mais de 45 minutos), e alternam momentos mais vibrantes e Metal, com outros mais densos, épicos e onde o lado sinfônico se sobressai, e também com aquele equilíbrio entre os dois mundos, coisa que sempre fizeram muito bem.

 Nessa linha onde o lado Metal se sobressai, temos logo uma faixa muito bem escolhida como abertura, “The Leaf on the Oak of Far”, que traz algumas novidades, como a linha inicial dos vocais e aquele efeito de voz no megafone. Possui ótimos riffs, com uma levada Hard\Heavy. Certamente será uma que funcionará muito bem ao vivo.

“Great Marquis of Hell”, curta e vibrante, com aquela mistura de riffs Heavy Metal marcantes mais a frente e os arranjos sinfônicos em segundo plano, destaque para os vocais de Thomas Vikström, que, aliás, está cantando muito! Não a toa se tornou peça importantíssima na banda e inclusive foi a grande parceria de Christofer nas composições. Thomas é um vocalista multi-facetado, fazendo vocais que vão do Hard ao Metal, do suave ao agressivo, além dos operísticos;

“Eye of Algol”, traz aquele balanço perfeito entre o clássico e o Metal, com vocais altos de Rosalia, mostrando sua versatilidade, e ainda “El Primer Sol”, com Thomas balanceando vocais operísticos com linhas mais Metal, tendo também a companhia da excelente Chiara Malvestiti, e “Tuonela”, e suas melodias e refrão cativantes, trazendo como convidado Marco Hietala. Boa sacada, em uma faixa falando sobre o reino dos mortos na mitologia finlandesa, um dos ícones do Metal daquele país.

Diria que essas citadas seguem aquela linha de clássicos como “The Blood of Kingu” e “The Rise of Sodom and Gomorra”, só para situar o leitor de que realmente, este é um álbum com o qual você se sentirá familiarizado.

Para citar alguns dos momentos mais densos, dramáticos, épicos e com as orquestrações e corais se sobressaindo, temos a faixa título, “Leviathan”, com seu peso, corais grandiosos e fantásticos vocais da soprano Chiara Malvestiti; “Nocturnal Light”, épica e também carregada de corais grandiosos, e ainda “Ten Courts of Diyu”, que inicia com melodias orientais (Diyu é o reino dos mortos ou inferno na mitologia chinesa), e traz dramaticidade e belos vocais femininos, culminando em um suave refrão.

Resumindo, um álbum dinâmico, fácil de ouvir e que possui todas as características que consagraram a banda, e que são adoradas pelos fãs, os quais com certeza ficarão satisfeitos com o que encontrarão em “Leviathan”.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Therion
Álbum: Leviathan (2021)
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

 Tracklist

1. The Leaf on the Oak of Far 3:38
2. Tuonela 4:37
3. Leviathan 4:01
4. Die Wellen der Zeit 3:46
5. Azi Dahaka 3:06
6. Eye of Algol 4:03
7. Nocturnal Light 5:37
8. Great Marquis of Hell 2:36
9. Psalm of Retribution 5:03
10. El Primer Sol 3:37
11. Ten Courts of Diyu 5:29

 



domingo, 25 de novembro de 2018

Christian Vidal (Therion): Ecletismo e Feeling em Segundo Álbum Solo


O argentino Christian Vidal, nascido em 1972, em Zárate (província de Buenos Aires), começou muito cedo na música, e é o típico músico que no Rock e Heavy Metal tem todas as características do que podemos chamar de “guitar hero”, pela sua técnica diferenciada, feeling e carisma.

Além de ser guitarrista do Therion desde 2010, do trabalho solo e atuar como professor de música, já excursionou e participou de shows ao lado de músicos como Eric Martin e Paul Gilbert (Mr. Big), Russel Allen (Symphony X e Adrenaline MOb), além de projetos tributo a clássicos do Rock com diversos músicos acompanhados por orquestra, como Symphonic Rhapsody of Queen e Pink Floyd Symphonic Rhapsody entre outros.

Com a oportunidade de viver por um período na Suécia, além de tocar e excursionar com diversos músicos, o que lhe trouxe ainda mais bagagem musical, tem levado sua técnica e talento a muito mais países e pessoas. É um músico que merece alcançar um reconhecimento cada vez maior. Inclusive agora em novembro, dia 29, receberá do governo argentino o diploma Governador Enrique Tomás Cresto, importante título conferido a profissionais de trajetória destacada, e que elevam o nome e cultura do país.


Vidal lançou no final do ano passado seu segundo solo, "Home" (o primeiro, "El Viaje", é de 2005)disponível nas plataformas digitais primeiramente, e agora em 2018 também em formato físico. Neste segundo álbum, como esperado, demonstra toda sua técnica e personalidade, mesclando diversos ritmos nativos argentinos e música folclórica, ao Rock e Heavy Metal, mas desta vez contando com mais tempo para a produção, além de mais recursos, além de toda a experiência que agregou nestes anos que viveu na Suécia, viajou pelo mundo com o Therion e outros projetos, convivendo com muitos artistas.

Contou também com vários colaboradores e convidados de peso, como Thomas Vikström e Nalle (Therion), George Egg (Dynazty), Pontus Egberg (King Diamond), além da produção de Waldemar Sorychta.

Em um álbum de Christian Vidal, você poderá encontrar músicas com bases pesadas, solos intrincados e melodiosos, típicos do Metal e Rock pesado, mas também vai se deparar com surpresas, como passagens de tango e outros ritmos e melodias folclóricas, por exemplo, como em “Vals Rengo” e  “Enredadera”, onde entrelaça belas melodias na guitarra, solos de pura técnica, piano, bases mais pesadas e ritmos nativos. 


É um disco mais elétrico e voltado a guitarra, porém com muitos climas e variações, e, ao contrário de alguns álbuns predominantemente instrumentais, não é daquele tipo que agradará somente a outros músicos ou ao público aficcionado à álbuns de guitarristas. Vidal valoriza a composição acima da técnica, não temos um show de exibicionismo, e sim belas melodias, criatividade e música que agrada facilmente aos ouvidos.

Não há como se cansar ouvindo o álbum, devido a esse bom gosto, variedade e melodias marcantes. Temos faixas onde os ritmos regionais surgem naturalmente, como em "Enredadera", que citei anteriormente, faixas mais Metal e com mais peso, onde Vidal mostra também sua perícia em solos carregados de técnica, como em "Campanas de Gares", e momentos de pura emoção, como as baladas "Encuentros" e "Holy Smoking Kiss", sendo que nesta Vidal mostra sua evolução como vocalista, recebendo a ajuda de Linnéa Vikström (ex-Therion) como vocal-coach.

As melodias marcantes e técnica apurada da intrincada "Libertad de un Corazón Solitario" e os ritmos quebrados de "Hormigas", fazem o ouvinte viajar envoltos pelas notas da guitarra deste grande músico, assim como a variedade de "Ahi vá la Hostía" e a suavidade e bom gosto em "Manãnas de Ivan".


Realmente, um belíssimo álbum solo. Detalhe que os títulos são em espanhol e inglês, pois Vidal quis manter os nomes originais, como as músicas nasceram, mantendo a essência e ideia original. A "From the Woods", por exemplo, é referência ao local onde ensaiam com o Therion, na propriedade de Christofer Johnsson, que fica fora da zona urbana de Estocolmo e onde há um bosque.

Nos trabalhos com a mão de Vidal, o ouvinte terá sempre a certeza que encontrará técnica apurada, mas acima de tudo, de bom gosto e criatividade, com composições e melodias que facilmente cairão no gosto de qualquer apreciador da boa música.

Texto: Carlos Garcia

Tracklist:
Hormigas
From the Woods3
Encuentros
Campanas De Gares
Holy Smoking Kiss
La Vida Continúa
Enredadera
Aroma
Ahí Va La Ostia
Mañanas De Iván
Vals Rengo
The Elevator
Libertad De Un Corazón Solitario
El Sueño De Santi




Confira "Home" nas plataformas digitais:
Spotify 
Vídeos
Youtube

            

           

           

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Entrevista - Chiara Malvestiti : Sob as Bençãos da Deusa e da Música



Chiara Malvestiti iniciou na música na adolescência, fazendo aulas de canto pop moderno, para em seguida descobrir o Metal Sinfônico e Nightwish, e como já demonstrava uma voz diferenciada e muito natural para o canto operístico, Chiara foi buscar melhorar suas habilidades. A experiência no Metal teve um capítulo importante com o debut do Crysalys, com o álbum "The Awakening of Gaya".    (English Version)

Devido a dedicação ao canto operístico, carreira a qual exigia sua atenção em tempo integral, afastou-se da carreira no Metal, mas em 2015, recebeu o convite de Christofer Johnsson para integrar o Therion. Apesar de não ter sido uma decisão fácil, devido aos seus compromissos com a música clássica, Chiara aceitou o convite, e já está há três anos na banda, encaixando-se perfeitamente e participando de momentos importantes do grupo, como o lançamento da ópera "Beloved Antichrist" e uma das maiores tours da história do Therion. 

Em sua passagem pela América do Sul, na "Beloved Antichrist Tour", fizemos esta entrevista com a encantadora e talentosa Chiara, que nos contou um pouco mais sobre sua carreira, estes 3 anos no Therion, suas inspirações, a ligação com a natureza e também algumas novidades em primeira mão! Confira a seguir:

Honestamente, eu nunca fui uma cantora de ópera "normal", mas uma não convencional.
RtM: Oi Chiara, foi um prazer conhecê-la pessoalmente, e obrigado por tirar um tempinho para nos conceder esta entrevista. Bom, para começar, vamos voltar no tempo. Gostaria de saber como seu trabalho foi parar nas mãos de Christofer Johnsson, como foram os primeiros contatos? Como você se sentiu quando recebeu o convite para se juntar à banda?
Chiara: Há 3 anos atrás eu recebi um e-mail dele, onde ele me perguntou se eu estava disponível para a banda. Naquela época eu estava focada apenas na ópera e estava fazendo ensaios no teatro para uma estreia na Ópera de Mascagni. Melissa Feerlak mencionou meu nome quando Christofer explicou-lhe que tipo de soprano específico ele procurava. Eu me senti confusa no início, depois de 3 anos ou mais longe do Metal, parecia uma volta para casa!

RtM: Você foi convidada para audições e ensaios com a banda, certo? Conte-nos como foram essas audições, você se sentiu confiante de que seria a nova Soprano do Therion? Quais músicas você cantou com a banda nas audições?
Chiara: A audição foi via vídeo, eu cantei "Ginnungagap" e "The Rise of Sodom and Gomorrah" em um vídeo sem qualquer interrupção, Christofer precisava de uma soprano com um alto registro que pudesse cantar notas altas com facilidade. Então eu fui à Suécia para os ensaios com a banda.


RtM: Christofer disse que muitas vezes que encontrou a garota certa, se encaixando muito bem na "família Therion". Certamente você deve ter se sentido lisonjeada com as palavras dele. E claro, você também conquistou o coração dos fãs. Eu gostaria que você falasse sobre isso, o calor recebido, já que Lori era uma parte muito importante da banda. Você chegou a se sentir de alguma forma apreensiva com relação a recepção dos fãs?
Chiara: Sim, claro que fiquei contente com as palavras de Christofer. Lori foi muito importante para a história do Therion e ela fez um ótimo trabalho. Nós somos diferentes tipos de soprano e cantora, mas eu acho que nós duas nos encaixamos muito bem na sonoridade do Therion de maneiras diferentes, cada uma com suas características e assinaturas. Não me senti apreensiva, fui apenas eu mesma e dei tempo aos fãs do Therion para conhecer melhor a mim e a minha voz!

RtM: E sobre a estréia no palco com a banda, em Istambul? Conte-nos um pouco como foi a expectativa. Os dias e as horas que antecederam a estréia deixaram você ansiosa ou nervosa? E como você se sentiu no final do show?
Chiara: Sim, eu me senti muito nervosa naquele dia! Tudo era novo para mim, mas depois do show todo mundo (inclusive eu) ficou muito feliz com a minha estréia no palco!

RtM: Falando em presença de palco, o Therion adotou algumas mudanças e mais cuidado com o visual de palco, lembrando que o Snowy Shaw foi um dos responsáveis ​​por essa mudança. E você, que também acompanhou a banda, o que você acha das mudanças? E seu visual de palco no Therion? Você pensou em algo específico, teve alguma sugestão da banda ou simplesmente seguiu seu próprio estilo?
Chiara: O Therion é uma banda excêntrica, você sabe disso, com muitas influências.
Honestamente, nós nunca falamos muito sobre isso, tudo foi muito natural, cada um tem seu próprio papel no palco, a única palavra que vincula todo mundo é um conceito "Steampunk", mas sim eu mantenho meu próprio estilo que cresce comigo em cada turnê:

"Depois de 3 anos ou mais longe do Metal, parecia uma volta para casa!" (sobre a entrada no Therion)
RtM: Agora, você poderia nos contar um pouco mais sobre como começou na música, com que idade você começou a praticar canto e quais foram seus principais apoiadores e suas inspirações (cantores, músicos) no Metal e no canto operístico? Eu me lembro do que você disse em uma entrevista, que começou no canto clássico por causa do Symphonic Metal.
Chiara: Sim! Você está certo. Comecei com aulas de canto quando era adolescente, estudando canto pop moderno. Depois de 2 anos eu descobri o Nightwish com Tarja Turunen e meu treinador vocal disse que minha voz de ópera era muito fácil e natural, e eu comecei a melhorar minhas habilidades estudando ópera, cantando em Florença, a capital do Melodramma e no Conservatório de Música. Tive muitas experiências em Óperas, Recitais etc. Minha primeira inspiração foi Tarja, mas minhas musas foram e são: Maria Callas, Renata Tebaldi, Loreena Mc Kennitt e Tori Amos.

RtM: Falando agora sobre a ópera “Beloved Antichrist”, conte-nos um pouco sobre o seu papel no álbum, e o que você pode nos dizer sobre essa oportunidade, estar na banda em um momento memorável, porque é um projeto que Christofer vem desenvolvendo há anos !
Chiara: Quando eu fui à Suécia para os primeiros ensaios, há dois anos, eles também me pediram uma audição para o principal papel feminino da Rock Opera, Johanna. Eu não fazia ideia de nada, do personagem, da música, nada. Eu apenas cantei algumas partituras primavistas e eles imediatamente disseram que eu era perfeita para cantar essas partes.
Johanna é uma espécie de sacerdotisa religiosa e fanática contra o Anticristo, uma espécie de Joana D'Arch, irmã mais velha de Helena (esposa do Anticristo). Seu temperamento é sagrado, luminoso e combativo ao mesmo tempo.

RtM: Quais suas músicas favoritas deste novo álbum?
Chiara: Eu amo "Seeds of time", mesmo que seja muito curta para se apresentar no palco em um show normal do Therion, mas também "The Palace Ball" e "Resurrection".

"Johanna é uma espécie de sacerdotisa religiosa e fanática contra o Anticristo." (Sobre sua personagem na ópera "Beloved Antichrist"
RtM: E quanto ao seu trabalho como cantora clássica? Conte-nos um pouco também de como é se dividir entre esses dois mundos, o clássico e o metal?
Chiara: No momento não é nada fácil. Ser uma cantora de ópera significa viver apenas para ela em um aspecto da sua vida, em tempo integral. Muitas vezes aconteceu de me pedirem para me apresentar em concertos clássicos, mas nos mesmos períodos eu estava em turnê com o Therion. Honestamente, eu nunca fui uma cantora de ópera "normal", mas uma não convencional. Em minha mente, nunca dividi minha essência e acho que é um dos meus pontos de força ou fraqueza, depende do ponto de vista.

RtM: E sobre o Crysalys? 
Chiara: O Crysalys está indo muito devagar por muitas razões. Inicialmente,  por 3 anos minha energia e principalmente o tempo estão focados no Therion e meu trabalho como vocal coach, e Fabio (meu namorado e compositor-tecladista da banda) também está muito ocupado com o seu trabalho como compositor para a mídia.

RtM: Conte-nos mais sobre o novo álbum. Vocês estão organizando um crowdfunding, como está indo esse projeto?
Chiara: O álbum está quase pronto, mas como você sabe, é preciso muito tempo para gravar, mixar, promover e apoiar com a imagem certa, shows, etc. As composições também são muito precisas e merecem muito cuidado e atenção, mas é hora de completá-lo e compartilhá-lo com o mundo. Sim, nós gostaríamos de crowdfunding, vamos ver onde o futuro nos levará.


RtM: Ainda sobre o Crysalys, gostaria que você falasse um pouco sobre o primeiro álbum, “The Awakening of Gaya” e a auto-avaliação de sua performance nele. A propósito, eu adoro o álbum, e "Angelica" e "... Let the Innocence Dream", são minhas músicas favoritas.
Chiara: Obrigada! O Despertar de Gaia (The Awakening of Gaya) marcou um ponto muito importante na minha carreira no metal. Foi um álbum de estreia genuíno e enérgico, e ainda me sinto muito orgulhosa e grata a ele e ao que ele representou, não apenas para nós, mas para muitas bandas do gênero eu diria. É claro que agora, depois de 7 anos, minha ideia de cantar é muito diferente e refinada, mas para esse álbum está certo como foi, a raiva da Mãe Terra e seus elementos, um vulcão de energia. Foi definitivamente uma parte de mim, que eu realmente respeito e me trouxe até onde estou agora.

RtM: Uma curiosidade ... sobre o projeto Eve's Apple, por que não foi em frente? 
Chiara: Eu não sei as verdadeiras razões pelas quais o Eve's Apple parou anos atrás, mas eu senti muito por isso, eu amei aquele período em que muitas de nós, cantoras de metal de diferentes origens musicais e nações, uniram experiências para construir algo diferente no metal. 

RtM: Você me falou algo sobre um projeto solo! Agora, conte-nos um pouco mais sobre isso!
Chiara: Sim, você foi o primeiro que eu contei sobre isso! Eu tive uma espécie de iluminação para o nome quando estava viajando pelo Brasil, sua antiga Deusa do Sol sussurrou algo sobre isso para mim.

RtM: Em que estilo as músicas serão? Quem está com você no projeto? E sobre os temas das letras?
Chiara: Este projeto nasceu há muitos anos em minha mente, mas agora está tomando forma. Não será metal sinfônico. Só posso revelar-lhe que será dedicado à Deusa e à minha espiritualidade das Antigas Formas, os Cultos da Grande Mãe ao redor do mundo em minhas viagens astrais e reais. Não vai ser uma banda, acho que será um projeto em dupla com alguns convidados especiais como compositores, músicos e cantores. Eu mal posso esperar para começar!

"Este projeto nasceu há muitos anos em minha mente, mas agora está tomando forma." (A respeito de seu novo projeto)
RtM: Sobre escrever músicas, o que te inspira?
Chiara: A Deusa. Minha luz e chama interior.

RtM: Agora falando sobre as tours, lembro que na sua primeira vez na América você teve muitos shows em poucos dias, e a banda fez uma piada com isso, chamando “No Sleep Tour”! hahaha! Desta vez, há novamente muitos shows em poucos dias. 
Chiara: Sim, foi minha primeira turnê com o Therion e todos me disseram que foi a turnê mais difícil que eles já fizeram! Desta vez é o mais longo da América Latina (35 dias, 24 shows e 11 shows apenas no México) apenas 3 semanas depois de 60 shows pela Europa (a turnê mais longa da banda em 31 anos! Parece que eles estavam me esperando para buscar essas novas metas!  hahaha! 

RtM: Diga-nos, que cuidados você toma para enfrentar essas maratonas todas?
Chiara: Eu tenho que agradecer meus antecedentes clássicos, a técnica vocal forte que eu aprendi com grandes cantores de ópera e também a minha autodisciplina. Eu tenho que dizer que não é tão óbvio que uma cantora de ópera possa resistir a tão longo prazo performando quase duas horas todos os dias, com poucas horas (ou nada) de sono e viagens longas. O trabalho vocal de um cantor clássico leva muita energia e precisa de algumas regras específicas.
Isto é o que eu quero ensinar aos meus alunos de canto, se eles querem se tornar cantores profissionais.


RtM: No México o Therion tem uma grande base de fãs! E aqui na América do Sul também é muito expressiva, acredito que você tenha sentido o quanto Therion é amado pelos fãs daqui, e gostaria de saber as coisas que mais chamaram sua atenção nessa passagem pela América Latina, agora, sua segunda vez aqui?
Chiara: Estou no México agora, hoje é o primeiro dia de folga que temos depois que eu recebi sua entrevista. Aqui e na América Latina os fãs e público em geral são ótimos! Tão calorosos e apaixonados, é um presente para nós recebermos sua energia durante o show, em geral suas raízes estão conectadas ao Sol e tenho certeza que vocês são calorosos em tudo que fazem em sua vida. Eu também recebi muitos presentes e palavras preciosas e um apoio adorável quando da perda do meu avô, que morreu 5 dias atrás(23 de maio).


RtM: E quanto a passagem em Porto Alegre? Sua primeira vez aqui, e a segunda da banda, apenas Christofer e Sami estiveram aqui em 2001. Você gostou da recepção? É uma pena que não tenhamos tido tempo para mostrar mais da cidade e do Rio Grande do Sul.
Chiara: Eu sei! é a pior parte do trabalho, o fato de não podermos visitar nada. É muito raro termos tempo ou um dia de folga perto de algo interessante. Porto Alegre foi ótima e você foi muito gentil conosco, quero agradecer novamente pelo seu presente, eu adorei!


RtM: Talvez seja uma pergunta difícil, mas você poderia apontar seus três álbuns favoritos do Therion e fazer um breve comentário sobre eles?
Chiara: Meus álbuns favoritos são "Secret of The Runes", "Lemuria" e "Gothic Kabbalah".
"Secret of the Runes" é o mais próximo de mim, o mais pagão e o que eu adoraria gravar, "Lemuria" é mais mágica, eu amo a essência de Atlantis dentro dele, "Gothic Kabbalah" é o primeiro que eu escutei muitos anos atrás, quando eu comecei no metal, eu ainda me lembro quando vi o vídeo "Son of the Staves of Time" pela primeira vez, eu era tão jovem!


RtM: E no seu tempo livre, quando você não está envolvida com música, que coisas você gosta de fazer? Eu sei que você gosta de séries, e, bem, teremos que esperar até 2019 para a temporada final de Game of Thrones! Se você pudesse escolher uma final para a história, como seria? Há há! 
Chiara: Ahahah! Sim GOT é um dos meus favoritos, eu não li os livros e não tenho nenhuma ideia sobre como a temporada final vai acabar, mas eu adoraria ver Daenerys e Jon Snow juntos com todos os dragões e lobos!

RtM: E você está tendo tempo para acompanhar algumas de suas séries favoritas?
Chiara: Não, eu não tenho tempo suficiente para assisti-las todas
Eu tive de parar de assistir muitas delas, elas estão em modo de espera, então novas séries estão de fora, e eu começo a assisti-las nos poucos momentos livres que eu tenho antes de dormir!


RtM: Bom, sabemos que você também está muito ligada à natureza, a Deusa, aos animais. Eu gostaria que você nos contasse um pouco sobre esse seu lado, e também sobre como você vê o mundo hoje, onde parece que precisamos urgentemente de mais amor e mais respeito com os outros e com a natureza.
Chiara: Esta é a parte mais importante de mim. Eu gostaria de dedicar minha vida inteira a isso. Estou seguindo meu caminho como filha da Deusa para me tornar uma sacerdotisa Dela e aprender todas as suas artes antigas e trazê-la ao mundo com minha voz e espírito. Neste mundo onde o Patriarcado destruiu seus cultos Ela ainda está viva e é grata a ambos os princípios (masculino e feminino), se conseguirmos encontrar o equilíbrio, o respeito e os papéis corretos em nosso lindo planeta.

"Estou seguindo meu caminho como filha da Deusa para me tornar uma sacerdotisa Dela"
RtM: E como você vê a cena musical na Itália, especialmente no Metal? Seu país sempre mostrou bons nomes. Existem muitas dificuldades para uma banda permanecer no cenário?
Chiara: Hoje em dia a cena na Itália é terrível. Sim, há muitas bandas e músicos bons, mas a situação é muito negativa em muitos aspectos. Se você quer sair e tocar, você tem que pagar muito, e o Metal especialmente, e eu acho que posso dizer que depois de 12 anos que estou neste cenário, é o  gênero mais difícil de se tocar na Itália. Isso é muito triste. Estou muito desapontada com muitas agências e promotores aqui.


RtM: Chiara, obrigado pela sua gentileza e atenção, desejamos muito sucesso a você, pessoa talentosa e adorável, e com certeza estas duas coisas ajudaram você a capturar nossos corações! O espaço final é para você enviar sua mensagem para os fãs, aqui na América!
Chiara: Olá amigos! Eu amo vocês "FILHOS DO SOL" Vocês estão no meu coração e eu me sinto tão sortuda por ter a chance de me apresentar em seus lindos países!


Entrevista: Carlos Garcia e Raquel de Avelar
Fotos: Arquivo da artista

Chiara Malvestiti' sofficial FB page




     


       


     

Interview - Chiara Malvestiti: Under the Bless of the Goddess and the Music

 


Chiara Malvestiti began in music as a teenager, taking classes in modern pop singing, then discovering Symphonic Metal and Nightwish, and as she already demonstrated a distinct and very natural voice for operatic singing, Chiara sought to improve her skills. The Metal experience had an important chapter with Crysalys debut, with the album "The Awakening of Gaya".                                      (Leia a Versão em Português)

Due to dedication to operatic singing, a career that demanded her full-time attention, she turned away from her Metal career, but in 2015, she was invited by Christofer Johnsson to join Therion. Although not an easy decision due to her commitments to classical music, Chiara accepted the invitation, and has been in the band for three years, fitting perfectly and participating in important moments of the group, such as the launch of the opera "Beloved Antichrist"and one of the greatest tours in the history of Therion.

On her way through South America on the Beloved Antichrist Tour, we did this interview with the charming and talented Chiara, who told us a little more about her career, these 3 years at Therion, her inspirations, her connection with nature and also some first-hand news! Check it below! Sing for us, angel of music:

"Honestly I never was a "normal" opera singer, but an unconventional one."
RtM: To begin, let’s come back in time.. I wonder how your work came to Christofer Johnsson, how was the first contacts? How did you felt when you received the invitation to join the band? 
Chiara Malvestiti: 3 years ago I recieved a mail from him where he asked me if I was available for the band.   At that time I was focused only on Opera and I was doing rehearsals in theatre for a debut on a Mascagni's Opera. Melissa Feerlak made my name when Christofer explaned her what kind of specific soprano he was searching for. I  felt confused at first, after 3 years or more away from Metal it sounded like coming back home!

  
RtM; Did you have been invited to audition and rehearsals with the band, right? Tell us how were these auditions, you felt confident that it would be the new Therion’s Soprano? What songs you sang with the band in the auditions? 
Chiara: The audition was via video,  I had do sing "Ginnungagap" and "The Rise of Sodom and Gomorrah" in one video without any interruption, Christofer needed a soprano with strong upper register who would be able to sing powerful high notes easily. Then I went in Sweden for rehearsals with the band.

  
RtM: Christofer said many times he found the right girl, fitting very well in "Therion’s family". Surely you must have felt flattered by his words. And sure, you’ve captured the heart of the fans too. I’d like you talk about it, that warmth received, since Lori was a very important part of the band. Did you ever feel somehow apprehensive about he reception of the fans? 
Chiara: Yes of course I was glad about Christofer's words. Lori was very important for Therion's history and she did a great job. We are different kind of soprano and singer, but I think we both fit very good in Therion'sound in different ways, everyone with her signature song. I don't feel apprehensive, I'm just myself and I gave time to Therion's fans to know better me and my voice!


RtM: And about the debut on stage with the band, in Istanbul? Tell us a little as was the expectation. The days and hours leading up to the debut left you anxious or nervous? And how did you feel at the end of the show? 
Chiara: Yes I felt VERY nervous that day! Everything was new for me, but after show everyone (included me) were very happy about my debut on stage!
  

RtM: Speaking of stage presence, Therion adopted some changes and more care with the stage look even remember that Snowy Shaw was one of those responsible for this change. And you, who has also accompanied the band, what do you think of the changes? And your visual and stage performance in Therion? Did you think of something specific, had any suggestions of the band, or simply followed your own style? 
Chiara: Therion is an eccentric band, you know it, with many influences. 
Honestly we never spoke so much about it, everything was very natural, each one has is own role on stage, the only word that bound everyone is a "Steampunk" concept, but yes I keep my own style that grows with me every tour :).

"After 3 years or more away from Metal it sounded like coming back home!"
 RtM: Now, would you tell us a little more about how you started in music, at what age did you start to practice singing and what were your main supporters, and your inspirations (singers, musicians) in Metal and opera singing? I remember what you said in an interview that began in classical singing because of Symphonic Metal. 
Chiara: Yes! You are right. I started with singing lesson when I was a teenager, studying modern-pop singing. After 2 years I discovered Nightwish with Tarja Turunen and my vocal coach said that my opera voice was very easy and natural,  and I started to improve my skills studying opera singing in Florence, the capital of Melodramma and in the Conservatory of Music and I have many experiences on Operas, Recitals etc..  My first inspiration was Tarja, but my muses were and are: Maria Callas, Renata Tebaldi, Loreena Mc Kennitt and Tori Amos.

  
RtM: Talking now about “Beloved Antichrist”,  tell us a little about your role in the album, and what can you tell us about this oportunity, to be in the band in a memorable moment, because is a Project that Christofer has been devoloping for years! 
Chiara: When I went in Sweden for the first rehearsals 2 years ago they also asked me for an audition for the Rock Opera's main female role, Johanna. I didn't have a clue about everything, the character, the song, nothing. I just sang some primavista scores and they immediately said I was perfect to sing her. 
Johanna is a sort of religious, fanatic priestess against Antichrist, a sort of Joan D'Arch, older sister of Helena (Antichrist's wife). Her temperament is sacred, luminous and combative at the same time.


RtM: What your favorite songs of this new album? 
Chiara: I love "Seeds of time" even if is very short to perform on stage in a normal Therion' show, but also "The Palace Ball" and "Resurrection".

  
RtM: What about your work as a classical singer? Tell to us a little also of how is to be divided between these two worlds, the Classic and the Metal? 
Chiara: At the moment is not easy at all. Being an opera singer it means living just for it in very aspect  of your life, full time. Many times happened that asked me to perform in classical concerts but in the same periods I was on tour with Therion. Honestly I never was a "normal" opera singer, but an unconventional one. In my mind I never splitted at all my essence and I think it's one of my point  of strenght or weakness, it depends from the point of view.


RtM: And about Crysalys? 
Chiara: Crysalys is proceeding very slowly for many reasons, initially for 3 years my energy and especially time are focused on Therion and my job as a vocal coach and Fabio (my boyfriend and composer-keyboard player of the band) is also very busy with the his work as a composer for the media.


RtM: Tell us more about the new album. You are organizing a crowdfunding, how’s going this Project? 
Chiara: The album is almost finished, but as you know it takes a lot of time to record, mix, burn, promote and support with the right image, shows, etc. The songwriting is also very accurate and deserves a lot of care and attention, but it's time to complete it and share it with the world. Yes, we would like to crowdfunding, let's see where the future will take us.

  
RtM: Talking more about Crysalys, I would also like you to talk a little about the first album,  “The Awakening of Gaya” and the self-evaluation of your performance in it. By the way, I love the album, and "Angelica" and "... and Let the Innocence Dream", are my favorite songs. 
Chiara: Thank you! The Awakening of Gaia marked a very important point in my metal career. It was a genuine, energic debut album and I still feel very proud and grateful to it and what it represented, not only for us but for a lot of bands of the genre I would say.  Of course now  after 7 years my idea of singing is very different and refined but for that album is right how it was, the rage of Mother Earth and her elements, a volcano of energy. It was definitively a part of me, that I truly respect and brought me where I am now.

  
RtM: A curiosity...about the Project Eve’s Apple, why it didn’t go ahead? 
Chiara: I don't know the real reasons why Eve's Apples stopped years ago, but I was very sorry for it, I loved that period where many of us female metal singers of different musical backgrounds and nations united our experiences to build something different in the metal industry.


RtM: You told me about a solo Project! Now, tell us a little more about it! In what style will the songs be? 
Chiara: Yes, you were the first one I told about it! I had a sort of illumination for the name when I was travelling through Brazil, your ancient Sun Goddess whispered something me about it. 
This project borned many years ago in my mind but now is taking shape. It won't be symphonic metal.
  
"This project borned many years ago in my mind but now is taking shape."
RtM: Who are with you in the Project? And about the lyrics themes? 
Chiara: I can only reveal you that it will be dedicated to The Goddess and my spirituality of the Old Ways, the Cults of the Great Mother around the world in my astral and real travels. It wont' be a band, I think will be a duo project with some special guests as composers, musicians and singers.  I can't wait to start it!

  
RtM: About writing songs, what inspires you? 
Chiara: The Goddess. My Light and Fire within.
  

RtM: I remeber that in your first time in America you had many gigs in a few days, and the band made a joke with this, calling “No Sleep Tour”! He he he! This time, there are again a lot o f concerts in few days. 
Chiara: Omg yes..it was my first tour with Therion and everyone of them told me that was the hardest tour they ever made! This time is the longest ever in Latin America (35 days, 24 shows and 11 gigs only in Mexico) only 3 weeks after 60 concerts around Europe (the longest tour ever of the band in 31 years! It seems they were waiting  me for this new goals hahaha!


RtM: Tell us, what care do you take to face these marathons? 
Chiara: You ask me how I face these marathons? I have to thank my classical backgrounds, the strong vocal tecnique I learned from great opera singers, and also my self-discipline. I have to say that it's not so obvious that an opera singer can resist for such a long run performing almost every day 2 hours with few hours (or nothing) of sleeping and long travels.The vocal job of a classical singer it takes a lot of energy and it needs some specific rules. 
This is what I want to teach to my vocal students if they want to become professional singers.

  
RtM: In Mexico Therion have a large fan base! And here in South America is also very expressive, I believe that you have felt how much Therion is loved by the fans here, and I would like to know the things that most caught your attention on this second passage for Latin America? 
Chiara: I'm in Mexico now, today is the first day off we have after I recieved your interview. Here in Latin America the fans and the crowd in general are great! So warm and passionated, it's a gift for us recieving your energy during the show, in general your roots are connected to the Sun and I'm sure you are so warm in everything you do in your life. I also recieved a lot of gifts and precious words and a lovely support for the loss of my grandaddy who died 5 days ago (interview made it in may 28th).

  
RtM: And about you time in Porto Alegre? Your first time here, and the second of the band, just Christofer and Sami was here in 2001. Did you like the reception? A pity that we don’t have time to show you more from the city and Rio Grande do Sul. 
Chiara: I know! it's the worst part of the job that we are not able to visit nothing. It's very rare that we have time or a day off close to something interesting. Porto Alegre was great and you were so kind with us, I want to thank you again for your gift, I love it!

  
RtM: You're welcome dear Chiara, glad you liked to be here, and also liked the gift. Well, maybe it's a difficult question, but could you tell us your three favorite albums of Therion and make a short comment about them? 
Chiara: My favorite albums are Secret of The Runes, Lemuria and Gothic Kabbalah. 
"Secret of the Runes" it's the closest to me, the most pagan one and the one I would had loved to record, "Lemuria" is the most magic, I love the essence of Atlantis inside of it, "Gothic Kabbalah" is the first one I listened many years ago when I started with metal, I still remember when I saw "Son of the staves of time" video  for the first time, I was so young!


RtM: And in your spare time, when you are not involved with music, what things do you like to do? I know that you like series, and, well, we will have to wait until 2019 for the final season of Game of Thrones! If you could choose a final to the history, how it will be? Há há há! 
Chiara: Ahahah! Yes GOT is one of my favorite ones, I didn't read the books and I don't have any idea about how the final season will end, but I love to see Daenerys and Jon Snow togheter with all the Dragons and Wolves! 


RtM: And are you having time to wach some of your favorites series? 
Chiara: No I don't have enough time to watch them all :( 
I  interrupted to watch many of them, they're in standby but then new series are out and I start to watch them in the few free times I have before sleeping!


 RtM: I know you too are very connected to nature, the Goddess, animals. I would like you to tell us a little bit about this side of yours, and also about how you see the world today, where it seems that we urgently need more love and more respect with others and nature. 
Chiara: This is the most importan part of me. I would like to dedicate my full life to this. I'm followig my path as a Goddess' daughter in order to become a priestess of Her and learning all her ancient arts and bring it to the world with my voice and spirit. In this world where the Patriarchate destroyed her cults She is still alive and is thank to both principles (Masculine and Feminine) if we can find the balance, respect and the righ roles in our gorgeous planet. 

"I'm followig my path as a Goddess' daughter in order to become a priestess of Her"
RtM: And how do you see the music scene in Italy, especially the Metal? Your country has always shown good names. There are many difficulties for a band to stay in the scenario? 
Chiara: Nowdays the scene in Italy is terrible. Yes there are a lot of good bands and musicians but the situation is very negative in many aspects.  If you want to emerge and play you have to pay a lof of money, Metal Music especially I think that I can say after 12 years that I'm in this scenario, is the hardest genre to play in Italy. This is very sad. I'm very disappointed by a lot of agencies and promoters here.

  
RtM: Chiara, thanks for your kindness and attention, we wish much success to you, talented and  lovely person, and sure this two things helped you to capture our hearts!  The final space is for you to send your message to fans, here in America and around the world! 

Chiara: Hola amigos! I love you "SONS OF THE SUN"  You are in my heart and I feel so lucky to have the chance to perform to your beautiful countries!


Interview: Carlos Garcia (With collaboration of Raquel de Avelar)

Chiara Malvestiti' sofficial FB page