Do Pop Eletrônico ao peso do
Thrash/Industrial, o Ministry de Al Jourgensen teve seus altos e baixos, pois
nem sempre suas “mutações” surtiram efeito ou caíram no gosto do público. Eu
fui prestar atenção na banda quando esta iniciou sua fase mais Metal, com
“Psalm 69” (1992), e descobri o grupo através dos vídeos de “Just one Fix” e da
insana “Jesus Built My Hot Rod”, onde Ministry também estreava o guitarrista
Mike Scaccia (também do Rigor Mortis, e falecido em 2012). Aquele peso e
loucura era algo que valia a pena em meio a tanta coisa, digamos, estranha que
surgia nos anos 90.
Passado o tempo, o grupo seguiu
entre altos e baixos, sem, em minha opinião, jamais chegar a chegar perto da
revolução que foi “Psalm 69”. Jourgensen imerso em problemas com substâncias
ilícitas e a perda do parceiro de longa data, Paul Barker, que deixou a banda
para dedicar-se a outros projetos, até chegou a trazer o peso e agressividade
de volta, mas nada de excepcional foi criado. Vez por outra, cheguei a conferir
os novos trabalhos, mas nada que realmente empolgasse, inclusive o show no Rock
in Rio, foi um tanto quanto chato.
“Amerikkkant”, é o mais novo
trabalho de Al, e mais uma vez trata de atacar duramente a política dos EUA,
além de abordar outros assuntos/problemas da sociedade norte americana, como
racismo e elitismo. Com uma excelente produção do próprio Jourgensen e músicos
de competência, como Roy Mayorga (bateria), Sin Quirin (Guitarra) e Burton C.
Bell (vocal convidado em algumas faixas), o álbum, que também traz bastante
sarcasmo, mostra-se muito interessante. Ao final, sumindo, podemos ouvir "I Want You...Get Out" (Eu quero Você...Fora Daqui).
O peso do Thrash/Industrial em
passagens caóticas, pesadas e atmosféricas está bem pulverizado, e já traz a
sensação de que o álbum não é mais do mesmo, como poderás perceber em destaques
como a irada e metálica “We’re Tired of It”, que nos incita a uma revolução
contra a opressão. Outra coisa positiva, é, se você der uma passada de olho nas
letras, vai perceber um sendo de humor bem ministrado, como em “I Know Words”,
onde pode ser ouvida a voz do atual presidente dos EUA falando em construir um
muro.
Burton C. Bell, do Fear Factory,
faz as vozes em “Wargasm”. Os efeitos eletrônicos, guitarras ultra distorcidas
e batidas do industrial seguem sendo elementos constantes, e em faixas mais
longas como em “Twilight Zone”, podem causar certo desinteresse aos ouvidos
menos acostumados, face à dezenas de samples, além do uso de Cello e Dj
Scratchs, mas o vídeo é muito legal! “Victims of a Clown”, também uma faixa mais
longa, as estruturas mais atmosféricas e as camas de teclado e guitarras
distorcidas, trazem uma variação mais interessante, me lembrando muito os melhores momentos da banda. Destaque para o final, onde
há o sampler do discurso de Chaplin no filme “O Grande Ditador”.
A épica “Amerikkka”, a faixa
títulos, tem de ser destacada, e claro, você percebeu a referência nos 3 “K’s”.
Jourgensen vocifera que “isto é como os nazistas em 39, como os romanos à beira
do declínio, como os russos em 68, como isto supostamente pode fazer a América
grande?”, atacando o governo atual, em meio ao peso dos riffs, da bateria (sendo que temos batidas programadas e também o peso da mão de Mayorga) e samples, os mais de 8 minutos são digeridos com tranquilidade, graças às criativas variações e a liderança das guitarras.
“Amerikkkant” mantém o Ministry
no jogo, se mostrando novamente uma experiência musical interessante, com seu Metal Industrial, com boas variações, transitando por passagens
pesadas, sombrias, frenéticas e caóticas. Al Jourgensen mostra aqui que sua mente ainda é
capaz de produzir música carregada de peso e fúria, e se seu discurso já não é
tão chocante, com certeza ainda é relevante, trazendo à tona todas essas
agruras e podres do cenário político e do caos social atual.
Formada no início dos anos 90, a banda israelita Orphaned Land foi além de ser apenas mais uma banda de Metal, pois foi naturalmente criando uma identidade sonora bem própria, agregando em sua música elementos típicos de sua região. Além das barreira musicais, também quebrou obstáculos culturais, alcançando com sua música e mensagens um público fiel, independente de credos, religiões, gêneros e outros fatores. (English Version) A banda comemora 25 anos com o lançamento de um grande álbum, caindo logo nas graças de fãs e crítica, que esperavam um disco de inéditas há mais de 5 anos, e completando essas comemorações, relançou em edição especial seu debut, "Sahara". E para os fãs do Brasil, essa comemoração de 25 anos é ainda mais especial, pois todo o catálogo do grupo está sendo lançado aqui via Shinigami Records. Conversamos com o guitarrista Chen Balbus, que nos falou um pouco mais sobre o novo álbum, "Unsung Prophets & Dead Messiahs", os 25 anos de Orphaned Land e muito mais. Confira!
Road to Metal: Para começar, eu gostaria que você falasse sobre esses 25 anos de Orphaned Land, uma banda que quebrou muitas barreiras através de sua música, alcançando audiências independentemente de crenças, religiões, idioma ou outros fatores. Eu gostaria que você falasse sobre as realizações da banda.
Chen: Eu diria que nenhuma banda que fez isso em algum lugar pensou que chegaria tão longe. Você começa a tocar a música que ama, o que faz o seu coração se sentir bem, fala sobre o que acha que é certo ... e de repente você percebe que isso tem algum efeito sobre as pessoas. Você nunca está preparado para isso!
Road to Metal: E para o futuro do Orphaned Land? O que vocês ainda gostariam de realizar com a banda?
Chen: O sonho final e clássico é continuar crescendo. Nunca realmente quero me ver em um escritório de 9 a 5m todos os dias. Além de fazer o que eu amo para sempre? Espero que nossa mensagem rompa os limites e crie algum efeito lá fora. Nós desejamos iluminar o mundo.
"Nós não temos que gostar um do outro ou acreditar em qualquer coisa que não queremos - nós só temos que viver juntos no mesmo planeta...não é tão difícil"
Road to Metal: A música, assim como o esporte, é capaz de mudar a vida das pessoas e, por exemplo, na Copa do Mundo da Rússia, vi mulheres iranianas pedindo a intervenção da Fifa para que pudessem entrar nos estádios. Você acredita que tanto o esporte quanto a música podem desempenhar um papel maior nesta questão de derrubar barreiras, um mundo com direitos iguais para todos, mais liberdade e tolerância?
Chen: Existem muitas maneiras de promover a paz. quanto mais públicas elas são - melhor usá-las para grandes causas como essas. Seja esportes, música ou qualquer tipo de ato.
Road to Metal: 25 anos de banda bem celebrados com re-lançamentos e, claro, com o excelente novo álbum. "Unsung Prophets & Dead Messiahs". Foram 5 anos antes de seu lançamento, e valeu a espera. Quais são os principais fatores de atraso para este álbum? Eu acredito que vocês não queriam dar um prazo, fluir naturalmente, entregar as melhores músicas possíveis e, talvez, também coincidir com essa comemoração de 25 anos.
Chen: Tivemos muita sorte em gravar a maior parte do material no estúdio de Idan em Israel. Ter esse tempo livre e não ir para o estúdio com um prazo tornou tudo mais fácil - Apenas tomando nosso tempo até nos sentirmos bem com o que colocamos pra fora. Você não quer ficar estressado com o quanto cada minuto vai te custar, e isso pode causar um álbum apressado.
Road to Metal: Eu também acredito que vocês ficaram satisfeitos com o resultado final de toda a produção, bem como ótimas músicas, tudo soa fantástico, e certamente compor um álbum do Orphaned Land é complexo e requer uma produção muito bem cuidada.
Chen: Obrigado! Estamos muito felizes com o resultado final. Valeu a pena a espera e os comentários, as reações dos fãs apenas nos provaram que estávamos certos em fazer tudo a nosso tempo, em vez de apenas ter outro álbum com o qual não estaríamos satisfeitos e não se destacaria como os anteriores. Nós sempre queremos superar o trabalho anterior.
Road to Metal: Você têm um conceito central no álbum? Poderia nos falar a respeito, e as inspirações para compor toda a obra? Percebi que vocês usaram a alegoria da Caverna de Platão como inspiração também.
Chen: Sim, nós temos! Há muitos Profetas Desconhecidos e Messias Mortos ao longo da história que foram silenciados ou opostos pelo governo, aqueles que tiveram seus ideais e tentaram revolucionar o mundo, como Victor Jara, Martin Luther King e muitos outros. Toda vez que um cara quer trazer uma solução real, ele é assassinado com a ideia dele.
"O pensamento de ser como todas as outras bandas de metal era ... muito chato e não original. Assim nasceu a ideia de combinar o que é natural para nós."
RtM: Falando um pouco sobre as músicas, a abertura com "The Cave", que se refere a, traz em suas letras a frase que deu o nome ao álbum, aparecendo no final "Esses profetas e messias mortos cairão" junto com outro grande frase "Nós escolhemos viver nesta caverna escura, longe, longe da luz." Eu gostaria que você falasse um pouco mais sobre essa música.
Chen: Essa música é a minha favorita do álbum desde o meu gosto - resume o álbum inteiro. Musicalmente e liricamente. Também foi a primeira música que foi escolhida para este álbum (começou como uma música de 3.45 minutos e terminou às 8:30. Essa música tem todos os elementos do álbum.
RtM: "Chains Fall to Gravity" é outra música muito forte no álbum, trazendo Steve Hackett como convidado, eu gostaria que você falasse sobre a participação dele, e claro, sobre as letras, que tem uma passagem que gostei muito: "Quando Nasce um messias, é como o florescimento de uma flor que se ergue no submundo, águas de esperança, caindo em terra órfã ".
Chen: Steve queria ter Kobi em seu álbum solo e perguntou a Kobi se ele queria ser pago ou ter ele fazendo um solo como convidado em o nosso álbum. A resposta foi óbvia! Esta faixa, com cerca de 9 minutos de duração e muito prog - era a faixa que se encaixaria perfeitamente no estilo de Steve Hackett. Essa música se refere ao herói, o messias, o profeta que saiu de suas correntes e trocou a vida que conhecia na caverna pelo mundo exterior.
RtM: Outro destaque é "Like Orpheus", música que já merece status clássico na discografia da banda. Também traz outro convidado, Hansi Kursch, outro elemento que ajudou a tornar essa música muito especial. Então, antes de falarmos mais sobre as letras, eu gostaria que você falasse sobre a participação de Hansi e como surgiu a ideia de tê-lo nessa música?
Chen: Nós somos bons amigos há um longo tempo com o guitarrista do Blind Guardian, o Sr. Marcus Siepen, o que nos levou a fazer uma turnê juntos. Nós nos divertimos muito juntos em turnê, e todos eles são os caras mais incríveis da terra. Durante esse tempo, estávamos compondo "Unsung Prophets & Dead Messiahs", e sabíamos que a faixa "Like Orpheus" é feita exatamente para Hansi. Felizmente ele concordou e fez isso com prazer.
RtM: O vídeo da música também é incrível, e eu até me lembrei disso quando vi o episódio sobre as mulheres iranianas na Rússia, pedindo o direito de ir aos jogos. Eu gostaria que você nos contasse mais sobre essa música e suas mensagens.
Chen: Obrigado, em primeiro lugar! A ideia por trás dessa música é obviamente sobre a iluminação interior - onde as pessoas não percebem além do que já sabem. No contexto da história, é onde o herói está fora da caverna e compreende que há um mundo totalmente novo do lado de fora do qual ele nunca soube, já que estava preso na escuridão da caverna. Assim como aquele menino judeu e a menina muçulmana - eles não sabem que ambos estão nas mesmas coisas, eles estão em sua própria caverna, longe da luz.
"Toda vez que um cara quer trazer uma solução real, ele é assassinado com a ideia dele."
RtM: "Only The Dead Have Seen the End of War" é, sem dúvida, outro ponto alto e parte importante do álbum, trazendo a participação de Tomas Lindberg. Eu gostaria que você nos contasse mais sobre essa música e sobre a participação de Tomas.
Chen: Nosso herói na história é condenado à morte pelo povo da caverna. Enquanto o herói tem notícias sobre o mundo fora da caverna e tenta esclarecer seus amigos - eles se recusam a acreditar nele e começam a chamá-lo de lunático - acabando por matá-lo. Eles estão bem com sua vida na caverna. Tomas Lindberg ajustou-se perfeitamente ao papel da multidão lunática com seus grunhidos e gritos assustadores e loucos.
RtM: Voltando às comemorações dos 25 anos, seu primeiro disco, "Sahara", recebeu um relançamento especial, e assim, como toda a discografia da banda, estão sendo lançados aqui no Brasil finalmente. Antes só tínhamos acesso às cópias importadas. Você poderia nos contar um pouco sobre esse relançamento? Nos fale um pouco sobre ele qual sua músicas favoritas do álbum?
Chen: Cada um desses álbuns faz parte da história da Orphaned Land e é responsável por moldar a banda ao longo dos anos. À medida que crescemos como banda, as pessoas geralmente ficam sabendo dos álbuns mais recentes e gostaríamos que eles conhecessem cada período do Orphaned.
Minha favorita do 'Sahara' eu escolheria - Ornaments of Gold, que nós tocamos um fragmento dela durante cada set ao vivo como a última música. Ela mantém esse espírito Orphaned Land ao meu gosto.
RtM: Um elemento que marca muito a personalidade da banda é essa mistura de Metal com ritmos típicos do seu país, além de vocês também usarem diferentes idiomas em vários momentos. Eu gostaria que você falasse sobre como vocês foram pensando e forjando essa personalidade musical da banda.
Chen: É algo que foi acontecendo muito naturalmente. O Orphaned começou como uma banda de metal querendo tocar metal, mas o pensamento de ser como todas as outras bandas de metal era ... muito chato e não original. Assim nasceu a ideia de combinar o que é natural para nós - e isso acontece naturalmente, pois bandas escandinavas falam sobre vikings e usam seus instrumentos folclóricos, digamos.
RtM: Há alguns anos, a banda participou do documentário Global Metal, gostaria que você nos contasse um pouco sobre as mudanças que você notou no Oriente Médio desde então, com relação a certas restrições e imposições culturais.
Chen: Eu não diria que muita coisa mudou desde então, já que temos os mesmos conflitos de novo e de novo. Eu realmente acredito que Israel está tentando fazer o seu melhor para o mundo e para nós mesmos. É um dos únicos países (senão o único) que permitiu e abraçou as pessoas homossexuais sem matá-las, e praticamente permitem que você fale o que pensa, independentemente de onde você é. Os árabes que escolhem viver aqui às vezes vivem melhor em Israel do que em seus próprios países.
RtM: E também seria interessante ouvirmos sua opinião sobre os conflitos no Oriente Médio.
Chen: Enquanto os termos 'Terra' e 'Fronteiras' ainda existirem - a guerra provavelmente continuará. As pessoas se recusam a entender que nada disso importa. Nós não temos que gostar um do outro ou acreditar em qualquer coisa que não queremos - nós só temos que viver juntos no mesmo planeta. não é tão difícil. Todo mundo quer implicar suas regras sobre o outro e é isso que cria a guerra.
RtM: Muito obrigado pela entrevista, eu tenho planejado fazer isso por um tempo, e é ótimo ter feito uma ocasião tão especial para a banda. Espero que você volte ao Brasil e à América do Sul em breve. Fica o espaço para sua mensagem final para os fãs daqui.
Discografia: Sahara (1994) El Norra Alila (1996) Mabool (2004) The Never Ending Way of OrWarrior (2010) All is One (2013) Unsung Prophets & Dead Messiahs (2018)
Formed in the early 1990's, the Israeli band Orphaned Land was not only another metal band, as they was naturally creating a sound identity of their own, adding elements typical of their region. Besides the musical barrier, they also broke cultural obstacles, reaching with their music and messages a faithful audience, independent of creeds, religions, genres and other factors. (Confira Versão em Português)
The band celebrates 25 years with the release of a great new album, soon falling in the graces of fans and critics, who waited for a record of unpublished ones more than 5 years. And completing these celebrations, re-released in special edition their debut, "Sahara". And for fans of Brazil, this 25-year celebration is even more special, as the entire catalog of the group is being released here via Shinigami Records.
We talked with guitarist Chen Balbus, who told us a bit more about the new album, "Unsung Prophets & Dead Messiahs", the 25th anniversary of Orphaned Land and more. Check out!
Road to Metal: To begin with, I would like you
to talk about these 25 years of Orphaned Land, a band that broke many barriers
through their music, reaching audiences regardless of beliefs, religions,
language or other factors. I would like you to talk about the band's achievements
and if you imagined, at the beginning, that your music would reach so many
people around the world.
Chen: I would say that no band that
made it somewhere ever thought that they’d get this far. You just start off playing the music you love
and do what makes your heart feel good, speak about what you think is
right..and suddenly you realize it does have some effect on people. you’re
never prepared for that.
RtM: And for the future of Orphaned
Land? What would you still like to accomplish with the band?
Chen: The ultimate and classic dream is
to keep growing. Never actually want to see myself in an office from 9 to 5
everyday. Besides doing what I love forever? I hope that our message will break
the boundaries and create some effect out there. We wish to enlighten the
world.
"We don’t have to like one another or to believe anything we don’t want to - we just have to live together on the same planet. it’s not that hard."
RtM: Music, as sports, is capable of
changing people's lives, and, for example, in the Russian World Cup, I saw
Iranian women asking for FIFA to intervene so they could enter the stadiums. Do
you believe that both, sports and music, can play a greater role in this issue
of breaking down barriers, a world with equal rights for all, more freedom and
tolerance?
Chen: There are many ways to promote
peace. the more public they are - the better to use them for great causes like
these. Whether sports, music, or any kind of act.
RtM: 25 years of band well celebrated
with re-releases and, of course, with the excellent new album. "Unsung
Prophets & Dead Messiahs". It was 5 years before its release, and it
was worth the wait. What are the main factors of delay for this album? I
believe that you did not want to give a deadline, to flow naturally, delivering
the best songs possible, and, maybe, also to coincide with this 25-year
celebration.
Chen: We were very fortunate this time
to record most of the stuff at Idan’s studio in Israel. Having that free time
and not going to the studio with a deadline made it all easier - Just taking
our time till we feel good with what we put out there. You don’t want to be
stressed about how much every minute will cost you and that can cause a rushed
album.
RtM: I also believe that you are
satisfied with the final result of the whole production, as well as great
songs, everything sounds fantastic, and surely composing an Orphaned Land album
is complex and requires a very well-kept production.
Chen: Thanks! we’re very happy with the
final outcome. It was worth the wait and the reviews, the fan reactions just
proved us that we were right to take our time. Rather than just having another
album that we’re not happy with and does not stand out as previous ones. We
always want to top previous work.
RtM: I would like you to tell us if have a main
concept on the album, and the main inspirations to compose the entire work? I saw that you use Plato's allegory of the cave as an inspiration too.
Chen:Yes, we have! There are many
Unsung Prophets & Dead Messiahs throughout the history that were silenced
or opposed by the government, those are the ones who had their ideals and tried
to revolutionize the world, such as Victor Jara, Martin Luther King and many
more. Every time some guy wants to bring an actual solution - he’s murdered
with his idea.
RtM: Speaking a little about the
songs, the opening with "The Cave", which refers to, brings in its
lyrics the phrase that gave the album its name, appearing at the end
"Those unsung prophets and dead messiahs will fall" along with
another great phrase "We choose to live in this darkened cave, far, far
away from the light." I would then like you to talk a little more about
this song, and those specific phrases, which tell me a lot about the album
title.
Chen: This song is my personal favorite
out of the album since in my taste - it sums up the whole album. Musically and
lyrically. As well it was the first song that was chosen for this album
(started as a 3.45 minute song and ended up 8:30. This song has all of the
elements of the album.
RtM: "Chains Fall to
Gravity" is another very strong song on the album, bringing Steve Hackett
as a guest, I would like you to talk about his participation, and of course,
about the lyrics, which has a passage that I really like: "When a messiah
is born, it's like blooming of a flower rising in the netherworld, waters of
hope, falling on an orphaned land."
Chen: Steve wanted to have Kobi on his
solo album and asked Kobi whether he wanted to get paid or to have a guest solo
for our album. The answer was obvious!! This track, being about 9 minutes long
and very prog - it was the track that would fit Steve Hacketts style perfectly.
This song refers to the hero, the messiah, the prophet that got out of his
chains and leaving the life he knew at the cave for the world outside.
RtM: Another highlight is "Like
Orpheus", music that already deserves classic status in the discography of
the band. It also brings another guest, Hansi Kursch, another element that
helped make this song very special. So, before we talk more about the lyrics,
I'd like you to talk about Hansi's participation and how did the idea come to
have him in this song?
Chen: We were good friends for a long
while with Blind Guardian’s guitar player, Mr. Marcus Siepen, which lead
eventually to us touring together. We’ve had so much fun together on tour as
all of them are awesome down to earth guys. During that time we were composing
UPADM and we knew that the track ‘Like Orpheus’ is pretty much made exactly for
Hansi. Luckily he agreed and did it with pleasure.
"The band started just as a metal band wanting to play metal music, but then the thought of being like every other metal band was...pretty boring and not original."
RtM: The song’s video is also
incredible, and I even remembered it when I saw the episode about Iranian women
in Russia, calling for the right to go to the games. I would like you to tell
us more about this song and its messages.
Chen: Thank you, first of all! The idea behind this song is
obviously about inner enlightenment - where people don’t realize beyond what
they already know. In the story context it’s where the hero is out of the cave
and understanding that there’s a whole new world outside he never knew about,
since he was trapped in the darkness of the cave. Just like those Jewish boy
and Muslim girl - they don’t know that they are both into the same things, they
are in their own cave, far away from the light.
RtM: "Only The Dead Have Seen the
End of War" is undoubtedly another high point and important part of the
album, bringing the participation of Tomas Lindberg. I would like you to also
tell us more about this song and about Tomas' participation.
Chen: Our hero in story is sentenced to
death by the people of the cave. While the hero has news news about the world
outside the cave and tries to enlighten his friends - they refuse to believe
him and call him a lunatic - thus eventually killing him. They are ok with
their life in the cave. Tomas Lindberg fitted perfectly for the role of the
lunatic crowd with his crazy scary growls and shouts.
RtM: Returning to the celebrations of
25 years, your first album, "Sahara", received a special relaunch, and
it, as all the discography of the band, are being launched here in Brazil
finally. Before we only had access to the imported copies. Could you tell us a
bit about Sahara's relaunch and, maybe difficult question, what is your favorite song on it?
Chen: Each of those albums are part of
Orphaned Land history and responsible for shaping OL through the years. As we
are growing bigger as a band - people usually get to know that latest albums
and we’d like them to know each period of the band.
Out of ‘Sahara’ I would pick -
Ornaments of Gold which we play a fragment of it during every live set as the
final song for the set. It holds that OL spirit in my taste.
RtM: An element that marks much the
personality of the band, is this mixture of Metal with typical rhythms of your
country, besides you also use to sing using different languages at various
times. I would then like you to talk about how you were thinking and forging
that musical personality of the band.
Chen: That something that just happened
very naturally. The band started just as a metal band wanting to play metal
music, but then the thought of being like every other metal band was...pretty
boring and not original. Thus the idea to combine what is natural for us was
born - and it just happens naturally as Scandinavian bands would talk about
Vikings and use their folk instruments, lets say.
"Every time some guy wants to bring an actual solution - he’s murdered with his idea."
RtM: A few years ago, the band participated
in the "Global Metal" Documentary, I would like you to tell us a little about
what changes you have noticed in the Middle East since then, regarding certain
cultural restrictions and impositions.
Chen: I wouldn’t say much has changed
since then, since we have the same conflicts again and again. I truly believe
that Israel is trying to be at its best for the world and for ourselves. It’s
one of the only countries (if not the only) that will allow and embrace
Homosexual people without killing them or pretty much allow you to speak your
mind regardless where you are from. Arabic people who choose to live here
sometimes live better in Israel than in their own countries.
RtM: And it would also be interesting
to pass on your view about the conflicts in the Middle East.
Chen: As long as the term ‘land’ &
‘Borders’ still exists - war will probably continue. People refuse to
understand that none of that matters. We don’t have to like one another or to
believe anything we don’t want to - we just have to live together on the same
planet. it’s not that hard. Everyone wants to imply their rules upon the other
and that’s what creates war.
RtM: Chen, thank you very much for the
interview, I've been planning to do it for a while, and it's great to have done
such a special occasion for the band. I hope you will return to Brazil and
South America soon. Make room for your final message to the fans from here.
Ciência, tecnologia, política, guerras e golpes arquivaram
os anos 80 como a década perdida pelos latinos americanos, e sobressair-se desse
terremoto tépido era uma batalha. Diante de todos esses lances, a música era o remédio para
reverter as angústias e o Hard Rock erigiu sucessos que atacaram
todo tipo de males sociais. Sob essa aura oitentista, o Tales From The Porn nos brinda com “H.M.M.V” (abreviação de "Heavy Metal Minha Vida").
Logo distinguimos que o ‘debut’ disco embarca num universo de recordações de uma época. Nas mais legitimas palavras, a
sonorização dedilha um Hard Rock integralmente classudo, que submete a
características abundantemente históricas, naqueles temas tradicionais do estilo, como garotas, carros, festas.
A produção alcança níveis fervorosos, opondo balanços
homogêneos e conservadores, onde Henrique Baboom, do Toque Final Mix &
Master Studios, apostou numa musicalidade atual, mas que também remete aos tempos áureos do Hard, regulando timbres certeiros numa
mixagem/masterização de qualidade. A arte calibra proporções cínicas,
traçando nuances foscas e dourada em explicita atitudes.
Menções para nomear a cadência da banda são imensas, buscando a fonte 80's de grupos como Dokken, Ratt, L.A Guns, Cinderella, Motley Crüe
e entre outros. E os princípios abraçados pelo Tales mantém a chama
queimando, zelando todo o peso e intensidade da ousadia do verdadeiro Hard anos
80. E tudo fica ainda mais brilhante com a presença de Stevie Rachelle (Tüff e editor-chefe
do portal Metal Sludge) nos vocais, junto aos músicos brasileiros, entre eles
os conhecidos Bento Mello, Igor Godoi (integrantes do Sioux 66) e Ed Avian
(Supla).
Já que “H.M.M.V” saúda o cintilo Hard Rock, “Back to the
80’s” mostra-se um belo ponta pé inicial, evidenciando riffs pesados e vocais
característicos de Rachelle, aqueles rasgados típicos. Efusivas
guias de guitarra e refrãos pulsantes aparecem em “Runaway Lovers”, para em seguida entrar em cena a quente “Hot Girls Fast Cars”. Bases rítmicas vigorosas surgem a
todo vapor na cançãos de mesmo nome da banda, “Tales From The Porn”, senhora de um refrão
grudento e memorável (Hey Motherfucker, You Motherfucker, We Motherfucker), e chegamos a metade do disco com a envolvente “Perfect Love”.
A festa continua em “Girls Wanna Party (In
Augusta Street)”, que aborda as belas garotas na delirante Rua Augusta (SP),
seguida da blues “Let It Shake”. A conhecida “Danger Zone”, composta,
originalmente, por Kenny Loggins, fez parte da trilha sonora do filme “Top
Gun – Ases Indomáveis”, que tem o Tom Cruise como um dos atores principais. E a
releitura ficou uma pancada, bem a cara da banda, sem soar mera cover. E encerrando com louvor, mais um Hardão, “Scary Movie”.
Se a banda surgisse nos meados anos 80, com certeza o álbum
ia contagiar os charts e rádios daquela época, e é por essa pegada contagiante, que entrou facilmente na minha lista de melhores discos lançados em 2017.
Direcionado aos fãs de uma das
maiores e mais importantes bandas do Heavy Rock e Classic Rock, a "The Official Deep Purple (Overseas) Live Series”
traz uma série de lançamentos, trazendo em áudios recuperados e remasterizados
materiais raros de concertos do Deep Purple em várias épocas, disponibilizando
ao ouvinte performances de grandes momentos dos ingleses, e em fases diferentes
nos anos 70.
Mais dois novos lançamentos dessa
série foram disponibilizados no Brasil via parceria ear Music, atual distribuidora
dos álbuns do grupo no exterior, com o selo brasileiro Shinigami Records, que
já colocou no mercado nacional outros lançamentos dessa série, o DVD do "California Jam 74" e o o CD duplo "Live Long Beach 76". O selo também lançou no Brasil mais recente trabalho da banda, “InFinite” (2017), além de outros DVDs mais recentes, como o do show no Wacken.
O primeiro desses novos títulos
da série é “LIVE IN LONG BEACH 1971”, com a MK II (Blackmore, Lord, Paice,
Gillan, Glover), e que contém 4 faixas, “Speed King”, “Strange Kind of Woman”,
“Child in Time” e “Mandrake Root”. O show, na Long Beach Arena, aconteceu em 30
de julho de 1971, e foi transmitido via rádio. Como era praxe do grupo, as
músicas ganhavam versões com duração bem maiores ao vivo, contendo muitas
improvisações, solos e trechos de outras canções, como em “Speed King”, onde a
banda emenda trechos de“Good Golly Miss
Molly”, “Lucille” e outros Rocks clássicos.
E em “Strange Kind of
Woman”, o atrativo fica por conta do “duelo” de Ian Gillan e Ritchie Blackmore,
que acabou se tornando tradicional nessa canção, onde o vocalista fica imitando as notas de
guitarra e vice-versa. E o que falar dos vocais em "Child in Time", feliz de quem pode ver ao vivo, gora temos de nos contentar com os álbuns, pois jamais alguém conseguirá ter uma performance a altura de Gilan nesta canção, e o "Silver Voice" já não tem mais garganta para reproduzir as performances de outrora neste clássico.
O segundo é “GRAZ 1975”, trazendo
já a MK III (Blackmore, Coverdale, Hughes, Lord e Paice), com o show realizado
na Áustria, . Um momento bem marcante, pois depois desse concerto, o Deep Purple
tocou somente mais dois shows com essa formação, com Ritchie Blackmore deixando
o grupo para então se dedicar aoRainbow. Tivemos a partir daí um período de incertezas, mas com a banda
prosseguindo com Tommy Bolin nas guitarras, e iniciando a curta era da MK
IV.
Durante esse concerto em Graz, já eram visíveis as desavenças na banda, principalmente com relação a Blackmore,
que era visto distante dos demais membros. Embora houvesse já esse clima pesado, o show foi elétrico e é tido como um tesouro para os apreciadores do
Purple. Até então, o concerto gravado pela equipe da banda no estúdio móvel dos
Rolling Stones, não havia sido disponibilizado na integra, e agora chega as
prateleiras em edição dupla e com áudios remasterizados. São 8 músicas,
incluindo clássicos dos 2 álbuns daquela formação, como as faixas títulos
“Burn” e “Stormbringer”.
Os lançamentos dessa série resgatam, com qualidade sonora excelente, grandes performances do Deep Purple em uma época dourada e com uma banda "selvagem" em palco. Títulos dessa série já circularam com lançamentos anteriores ou bootlegs, mas jamais com essa qualidade e também completos. Jóias imperdíveis para os apreciadores de uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos.
Chiara Malvestiti iniciou na música na adolescência, fazendo aulas de canto pop moderno, para em seguida descobrir o Metal Sinfônico e Nightwish, e como já demonstrava uma voz diferenciada e muito natural para o canto operístico, Chiara foi buscar melhorar suas habilidades. A experiência no Metal teve um capítulo importante com o debut do Crysalys, com o álbum "The Awakening of Gaya". (English Version) Devido a dedicação ao canto operístico, carreira a qual exigia sua atenção em tempo integral, afastou-se da carreira no Metal, mas em 2015, recebeu o convite de Christofer Johnsson para integrar o Therion. Apesar de não ter sido uma decisão fácil, devido aos seus compromissos com a música clássica, Chiara aceitou o convite, e já está há três anos na banda, encaixando-se perfeitamente e participando de momentos importantes do grupo, como o lançamento da ópera "Beloved Antichrist" e uma das maiores tours da história do Therion. Em sua passagem pela América do Sul, na "Beloved Antichrist Tour", fizemos esta entrevista com a encantadora e talentosa Chiara, que nos contou um pouco mais sobre sua carreira, estes 3 anos no Therion, suas inspirações, a ligação com a natureza e também algumas novidades em primeira mão! Confira a seguir:
Honestamente, eu nunca fui uma cantora de ópera "normal", mas uma não convencional.
RtM: Oi Chiara, foi um prazer conhecê-la pessoalmente, e obrigado por tirar um tempinho para nos conceder esta entrevista. Bom, para começar, vamos voltar no tempo. Gostaria de saber como seu trabalho foi parar nas mãos de Christofer Johnsson, como foram os primeiros contatos? Como você se sentiu quando recebeu o convite para se juntar à banda?
Chiara: Há 3 anos atrás eu recebi um e-mail dele, onde ele me perguntou se eu estava disponível para a banda. Naquela época eu estava focada apenas na ópera e estava fazendo ensaios no teatro para uma estreia na Ópera de Mascagni. Melissa Feerlak mencionou meu nome quando Christofer explicou-lhe que tipo de soprano específico ele procurava. Eu me senti confusa no início, depois de 3 anos ou mais longe do Metal, parecia uma volta para casa!
RtM: Você foi convidada para audições e ensaios com a banda, certo? Conte-nos como foram essas audições, você se sentiu confiante de que seria a nova Soprano do Therion? Quais músicas você cantou com a banda nas audições?
Chiara: A audição foi via vídeo, eu cantei "Ginnungagap" e "The Rise of Sodom and Gomorrah" em um vídeo sem qualquer interrupção, Christofer precisava de uma soprano com um alto registro que pudesse cantar notas altas com facilidade. Então eu fui à Suécia para os ensaios com a banda.
RtM: Christofer disse que muitas vezes que encontrou a garota certa, se encaixando muito bem na "família Therion". Certamente você deve ter se sentido lisonjeada com as palavras dele. E claro, você também conquistou o coração dos fãs. Eu gostaria que você falasse sobre isso, o calor recebido, já que Lori era uma parte muito importante da banda. Você chegou a se sentir de alguma forma apreensiva com relação a recepção dos fãs?
Chiara: Sim, claro que fiquei contente com as palavras de Christofer. Lori foi muito importante para a história do Therion e ela fez um ótimo trabalho. Nós somos diferentes tipos de soprano e cantora, mas eu acho que nós duas nos encaixamos muito bem na sonoridade do Therion de maneiras diferentes, cada uma com suas características e assinaturas. Não me senti apreensiva, fui apenas eu mesma e dei tempo aos fãs do Therion para conhecer melhor a mim e a minha voz!
RtM: E sobre a estréia no palco com a banda, em Istambul? Conte-nos um pouco como foi a expectativa. Os dias e as horas que antecederam a estréia deixaram você ansiosa ou nervosa? E como você se sentiu no final do show?
Chiara: Sim, eu me senti muito nervosa naquele dia! Tudo era novo para mim, mas depois do show todo mundo (inclusive eu) ficou muito feliz com a minha estréia no palco!
RtM: Falando em presença de palco, o Therion adotou algumas mudanças e mais cuidado com o visual de palco, lembrando que o Snowy Shaw foi um dos responsáveis por essa mudança. E você, que também acompanhou a banda, o que você acha das mudanças? E seu visual de palco no Therion? Você pensou em algo específico, teve alguma sugestão da banda ou simplesmente seguiu seu próprio estilo?
Chiara: O Therion é uma banda excêntrica, você sabe disso, com muitas influências.
Honestamente, nós nunca falamos muito sobre isso, tudo foi muito natural, cada um tem seu próprio papel no palco, a única palavra que vincula todo mundo é um conceito "Steampunk", mas sim eu mantenho meu próprio estilo que cresce comigo em cada turnê:
"Depois de 3 anos ou mais longe do Metal, parecia uma volta para casa!" (sobre a entrada no Therion)
RtM: Agora, você poderia nos contar um pouco mais sobre como começou na música, com que idade você começou a praticar canto e quais foram seus principais apoiadores e suas inspirações (cantores, músicos) no Metal e no canto operístico? Eu me lembro do que você disse em uma entrevista, que começou no canto clássico por causa do Symphonic Metal.
Chiara: Sim! Você está certo. Comecei com aulas de canto quando era adolescente, estudando canto pop moderno. Depois de 2 anos eu descobri o Nightwish com Tarja Turunen e meu treinador vocal disse que minha voz de ópera era muito fácil e natural, e eu comecei a melhorar minhas habilidades estudando ópera, cantando em Florença, a capital do Melodramma e no Conservatório de Música. Tive muitas experiências em Óperas, Recitais etc. Minha primeira inspiração foi Tarja, mas minhas musas foram e são: Maria Callas, Renata Tebaldi, Loreena Mc Kennitt e Tori Amos.
RtM: Falando agora sobre a ópera “Beloved Antichrist”, conte-nos um pouco sobre o seu papel no álbum, e o que você pode nos dizer sobre essa oportunidade, estar na banda em um momento memorável, porque é um projeto que Christofer vem desenvolvendo há anos !
Chiara: Quando eu fui à Suécia para os primeiros ensaios, há dois anos, eles também me pediram uma audição para o principal papel feminino da Rock Opera, Johanna. Eu não fazia ideia de nada, do personagem, da música, nada. Eu apenas cantei algumas partituras primavistas e eles imediatamente disseram que eu era perfeita para cantar essas partes.
Johanna é uma espécie de sacerdotisa religiosa e fanática contra o Anticristo, uma espécie de Joana D'Arch, irmã mais velha de Helena (esposa do Anticristo). Seu temperamento é sagrado, luminoso e combativo ao mesmo tempo.
RtM: Quais suas músicas favoritas deste novo álbum?
Chiara: Eu amo "Seeds of time", mesmo que seja muito curta para se apresentar no palco em um show normal do Therion, mas também "The Palace Ball" e "Resurrection".
"Johanna é uma espécie de sacerdotisa religiosa e fanática contra o Anticristo." (Sobre sua personagem na ópera "Beloved Antichrist"
RtM: E quanto ao seu trabalho como cantora clássica? Conte-nos um pouco também de como é se dividir entre esses dois mundos, o clássico e o metal?
Chiara: No momento não é nada fácil. Ser uma cantora de ópera significa viver apenas para ela em um aspecto da sua vida, em tempo integral. Muitas vezes aconteceu de me pedirem para me apresentar em concertos clássicos, mas nos mesmos períodos eu estava em turnê com o Therion. Honestamente, eu nunca fui uma cantora de ópera "normal", mas uma não convencional. Em minha mente, nunca dividi minha essência e acho que é um dos meus pontos de força ou fraqueza, depende do ponto de vista.
RtM: E sobre o Crysalys?
Chiara: O Crysalys está indo muito devagar por muitas razões. Inicialmente, por 3 anos minha energia e principalmente o tempo estão focados no Therion e meu trabalho como vocal coach, e Fabio (meu namorado e compositor-tecladista da banda) também está muito ocupado com o seu trabalho como compositor para a mídia.
RtM: Conte-nos mais sobre o novo álbum. Vocês estão organizando um crowdfunding, como está indo esse projeto?
Chiara: O álbum está quase pronto, mas como você sabe, é preciso muito tempo para gravar, mixar, promover e apoiar com a imagem certa, shows, etc. As composições também são muito precisas e merecem muito cuidado e atenção, mas é hora de completá-lo e compartilhá-lo com o mundo. Sim, nós gostaríamos de crowdfunding, vamos ver onde o futuro nos levará.
RtM: Ainda sobre o Crysalys, gostaria que você falasse um pouco sobre o primeiro álbum, “The Awakening of Gaya” e a auto-avaliação de sua performance nele. A propósito, eu adoro o álbum, e "Angelica" e "... Let the Innocence Dream", são minhas músicas favoritas.
Chiara: Obrigada! O Despertar de Gaia (The Awakening of Gaya) marcou um ponto muito importante na minha carreira no metal. Foi um álbum de estreia genuíno e enérgico, e ainda me sinto muito orgulhosa e grata a ele e ao que ele representou, não apenas para nós, mas para muitas bandas do gênero eu diria. É claro que agora, depois de 7 anos, minha ideia de cantar é muito diferente e refinada, mas para esse álbum está certo como foi, a raiva da Mãe Terra e seus elementos, um vulcão de energia. Foi definitivamente uma parte de mim, que eu realmente respeito e me trouxe até onde estou agora.
RtM: Uma curiosidade ... sobre o projeto Eve's Apple, por que não foi em frente?
Chiara: Eu não sei as verdadeiras razões pelas quais o Eve's Apple parou anos atrás, mas eu senti muito por isso, eu amei aquele período em que muitas de nós, cantoras de metal de diferentes origens musicais e nações, uniram experiências para construir algo diferente no metal.
RtM: Você me falou algo sobre um projeto solo! Agora, conte-nos um pouco mais sobre isso!
Chiara: Sim, você foi o primeiro que eu contei sobre isso! Eu tive uma espécie de iluminação para o nome quando estava viajando pelo Brasil, sua antiga Deusa do Sol sussurrou algo sobre isso para mim.
RtM: Em que estilo as músicas serão? Quem está com você no projeto? E sobre os temas das letras?
Chiara: Este projeto nasceu há muitos anos em minha mente, mas agora está tomando forma. Não será metal sinfônico. Só posso revelar-lhe que será dedicado à Deusa e à minha espiritualidade das Antigas Formas, os Cultos da Grande Mãe ao redor do mundo em minhas viagens astrais e reais. Não vai ser uma banda, acho que será um projeto em dupla com alguns convidados especiais como compositores, músicos e cantores. Eu mal posso esperar para começar!
"Este projeto nasceu há muitos anos em minha mente, mas agora está tomando forma." (A respeito de seu novo projeto)
RtM: Sobre escrever músicas, o que te inspira?
Chiara: A Deusa. Minha luz e chama interior.
RtM: Agora falando sobre as tours, lembro que na sua primeira vez na América você teve muitos shows em poucos dias, e a banda fez uma piada com isso, chamando “No Sleep Tour”! hahaha! Desta vez, há novamente muitos shows em poucos dias.
Chiara: Sim, foi minha primeira turnê com o Therion e todos me disseram que foi a turnê mais difícil que eles já fizeram! Desta vez é o mais longo da América Latina (35 dias, 24 shows e 11 shows apenas no México) apenas 3 semanas depois de 60 shows pela Europa (a turnê mais longa da banda em 31 anos! Parece que eles estavam me esperando para buscar essas novas metas! hahaha!
RtM: Diga-nos, que cuidados você toma para enfrentar essas maratonas todas?
Chiara: Eu tenho que agradecer meus antecedentes clássicos, a técnica vocal forte que eu aprendi com grandes cantores de ópera e também a minha autodisciplina. Eu tenho que dizer que não é tão óbvio que uma cantora de ópera possa resistir a tão longo prazo performando quase duas horas todos os dias, com poucas horas (ou nada) de sono e viagens longas. O trabalho vocal de um cantor clássico leva muita energia e precisa de algumas regras específicas.
Isto é o que eu quero ensinar aos meus alunos de canto, se eles querem se tornar cantores profissionais.
RtM: No México o Therion tem uma grande base de fãs! E aqui na América do Sul também é muito expressiva, acredito que você tenha sentido o quanto Therion é amado pelos fãs daqui, e gostaria de saber as coisas que mais chamaram sua atenção nessa passagem pela América Latina, agora, sua segunda vez aqui?
Chiara: Estou no México agora, hoje é o primeiro dia de folga que temos depois que eu recebi sua entrevista. Aqui e na América Latina os fãs e público em geral são ótimos! Tão calorosos e apaixonados, é um presente para nós recebermos sua energia durante o show, em geral suas raízes estão conectadas ao Sol e tenho certeza que vocês são calorosos em tudo que fazem em sua vida. Eu também recebi muitos presentes e palavras preciosas e um apoio adorável quando da perda do meu avô, que morreu 5 dias atrás(23 de maio).
RtM: E quanto a passagem em Porto Alegre? Sua primeira vez aqui, e a segunda da banda, apenas Christofer e Sami estiveram aqui em 2001. Você gostou da recepção? É uma pena que não tenhamos tido tempo para mostrar mais da cidade e do Rio Grande do Sul.
Chiara: Eu sei! é a pior parte do trabalho, o fato de não podermos visitar nada. É muito raro termos tempo ou um dia de folga perto de algo interessante. Porto Alegre foi ótima e você foi muito gentil conosco, quero agradecer novamente pelo seu presente, eu adorei!
RtM: Talvez seja uma pergunta difícil, mas você poderia apontar seus três álbuns favoritos do Therion e fazer um breve comentário sobre eles?
Chiara: Meus álbuns favoritos são "Secret of The Runes", "Lemuria" e "Gothic Kabbalah".
"Secret of the Runes" é o mais próximo de mim, o mais pagão e o que eu adoraria gravar, "Lemuria" é mais mágica, eu amo a essência de Atlantis dentro dele, "Gothic Kabbalah" é o primeiro que eu escutei muitos anos atrás, quando eu comecei no metal, eu ainda me lembro quando vi o vídeo "Son of the Staves of Time" pela primeira vez, eu era tão jovem!
RtM: E no seu tempo livre, quando você não está envolvida com música, que coisas você gosta de fazer? Eu sei que você gosta de séries, e, bem, teremos que esperar até 2019 para a temporada final de Game of Thrones! Se você pudesse escolher uma final para a história, como seria? Há há!
Chiara: Ahahah! Sim GOT é um dos meus favoritos, eu não li os livros e não tenho nenhuma ideia sobre como a temporada final vai acabar, mas eu adoraria ver Daenerys e Jon Snow juntos com todos os dragões e lobos!
RtM: E você está tendo tempo para acompanhar algumas de suas séries favoritas? Chiara: Não, eu não tenho tempo suficiente para assisti-las todas
Eu tive de parar de assistir muitas delas, elas estão em modo de espera, então novas séries estão de fora, e eu começo a assisti-las nos poucos momentos livres que eu tenho antes de dormir!
RtM: Bom, sabemos que você também está muito ligada à natureza, a Deusa, aos animais. Eu gostaria que você nos contasse um pouco sobre esse seu lado, e também sobre como você vê o mundo hoje, onde parece que precisamos urgentemente de mais amor e mais respeito com os outros e com a natureza.
Chiara: Esta é a parte mais importante de mim. Eu gostaria de dedicar minha vida inteira a isso. Estou seguindo meu caminho como filha da Deusa para me tornar uma sacerdotisa Dela e aprender todas as suas artes antigas e trazê-la ao mundo com minha voz e espírito. Neste mundo onde o Patriarcado destruiu seus cultos Ela ainda está viva e é grata a ambos os princípios (masculino e feminino), se conseguirmos encontrar o equilíbrio, o respeito e os papéis corretos em nosso lindo planeta.
"Estou seguindo meu caminho como filha da Deusa para me tornar uma sacerdotisa Dela"
RtM: E como você vê a cena musical na Itália, especialmente no Metal? Seu país sempre mostrou bons nomes. Existem muitas dificuldades para uma banda permanecer no cenário?
Chiara: Hoje em dia a cena na Itália é terrível. Sim, há muitas bandas e músicos bons, mas a situação é muito negativa em muitos aspectos. Se você quer sair e tocar, você tem que pagar muito, e o Metal especialmente, e eu acho que posso dizer que depois de 12 anos que estou neste cenário, é o gênero mais difícil de se tocar na Itália. Isso é muito triste. Estou muito desapontada com muitas agências e promotores aqui.
RtM: Chiara, obrigado pela sua gentileza e atenção, desejamos muito sucesso a você, pessoa talentosa e adorável, e com certeza estas duas coisas ajudaram você a capturar nossos corações! O espaço final é para você enviar sua mensagem para os fãs, aqui na América!
Chiara: Olá amigos! Eu amo vocês "FILHOS DO SOL" Vocês estão no meu coração e eu me sinto tão sortuda por ter a chance de me apresentar em seus lindos países!
Entrevista: Carlos Garcia e Raquel de Avelar
Fotos: Arquivo da artista