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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Schandmaul: Quando Mudar de Voz não significa Perder a Própria Identidade

Napalm Records (Imp.)

Por Stephanie Ferreira - @instephanie

Existem mudanças de formação que alteram uma banda. E existem aquelas que colocam em xeque a própria identidade construída ao longo de décadas. Para o Schandmaul, Sternensegler nasce exatamente nesse território delicado. Lançado em 11 de setembro de 2026 pela Napalm Records, o décimo segundo álbum de estúdio do grupo alemão marca a estreia de Till Herence como vocalista principal, enquanto Thomas Lindner, voz que durante mais de duas décadas esteve no centro da personalidade da banda, permanece no Schandmaul assumindo piano, teclados, violão e acordeão.

A primeira impressão, porém, não é de ruptura. É de movimento. Quando Nimm alles mit entra, a sensação é de que o Schandmaul deliberadamente escolheu não transformar esse novo capítulo em um manifesto melancólico. O álbum começa imediatamente, com guitarras, elementos folk e uma energia que aponta para frente. E isso é importante: Sternensegler não tenta esconder que existe uma nova voz, mas também não parece interessado em pedir desculpas por ela.

Till Herence tem uma voz mais clara e menos áspera que a de Lindner. Isso muda a temperatura das músicas. Em alguns momentos, o resultado se aproxima mais do folk rock melódico e até de uma linguagem pop-rock; em outros, especialmente quando as guitarras ganham espaço, essa suavidade se transforma em uma vantagem. O instrumental continua reconhecível: violino, flautas, gaita de foles, viela de roda, alaúdes e as diferentes guitarras dividem espaço com uma cozinha rítmica que mantém o disco em movimento.

O grande mérito de Sternensegler está justamente nessa negociação. O Schandmaul não soa como uma banda tentando recriar artificialmente o passado. Mas também não está reinventando sua linguagem do zero. E é nessa zona intermediária que o álbum encontra sua personalidade.

1. Nimm alles mit

Nimm alles mit já começa com aquela combinação característica de rock e instrumentos tradicionais, mas a voz de Herence muda imediatamente a percepção do conjunto. Ele canta com uma clareza que deixa as melodias mais abertas, enquanto a instrumentação cria a sensação de estrada, movimento e recomeço.
É uma escolha muito inteligente para abrir o álbum porque a música não fica presa ao peso da mudança. Existe uma espécie de urgência positiva nela, como se a banda dissesse que, depois de tudo, ainda existe muito para viver.

Thomas Lindner contou que a música foi escolhida para a abertura justamente porque, quando todas as faixas estavam reunidas, ela se apresentou como uma escolha natural: começa imediatamente, tem energia rock'n'roll e carrega uma mensagem positiva. Musicalmente, é um excelente cartão de visitas para a nova formação.


2. Sternensegler

A faixa-título diminui um pouco a velocidade, mas aumenta a sensação de amplitude. O Schandmaul trabalha aqui com uma construção mais atmosférica, e os instrumentos folk aparecem como parte essencial da arquitetura da música.

O que mais chama atenção é a maneira como a voz de Herence se encaixa nesse espaço. Existe leveza, mas não fragilidade. O refrão tem aquela característica de música que parece feita para ser cantada por um público inteiro, enquanto as guitarras e os elementos tradicionais dão profundidade à composição.

A faixa também funciona como uma espécie de declaração estética do álbum: olhar para o futuro sem abandonar as próprias raízes. É uma música bastante acessível, mas não descartável, principalmente porque a instrumentação impede que ela caia em uma estrutura pop genérica.


3. Beide Füße in der Luft

Aqui o álbum começa a mostrar um lado mais irreverente. Beide Füße in der Luft tem uma energia mais saltitante e uma presença rítmica que deixa a música consideravelmente mais física. É uma das faixas em que o novo vocalista parece mais confortável em assumir a própria personalidade, sem precisar carregar o fantasma da voz anterior.

A guitarra ganha importância, os elementos medievais ficam mais evidentes e o arranjo cria uma espécie de movimento circular que combina perfeitamente com o título. Há também um toque mais próximo do rock tradicional, o que faz a faixa funcionar como uma pequena quebra dentro da sequência inicial.


4. Flagge

Se existe uma faixa que dá ao álbum uma espinha dorsal mais firme, é Flagge. A banda assume uma postura política direta contra o extremismo de direita e o discurso de ódio, mas sem abandonar a característica melódica que sempre esteve no centro do Schandmaul. A música tem uma pegada mais roqueira, com guitarras mais presentes e uma estrutura que privilegia impacto e refrão.

E é justamente aqui que a nova voz funciona particularmente bem. Herence canta com precisão e deixa as palavras muito expostas. Não existe necessidade de exagerar na interpretação porque o arranjo já entrega a força necessária. O resultado é um dos momentos mais marcantes de Sternensegler, justamente por unir mensagem, melodia e peso sem transformar a música em um panfleto.


5. Nosferatu

Nosferatu muda novamente o cenário e coloca o Schandmaul em uma atmosfera mais cinematográfica. A música tem uma construção mais teatral, com os instrumentos folk criando imagens quase imediatamente. É fácil visualizar uma narrativa acontecendo enquanto a faixa avança, e esse é um dos grandes diferenciais do grupo: mesmo quando a produção é moderna e limpa, existe uma preocupação evidente em construir ambientes.

Os elementos tradicionais aparecem com bastante personalidade, enquanto as guitarras seguram a estrutura rock. A faixa é longa o suficiente para desenvolver sua ideia sem parecer apressada, e os arranjos fazem diferença especialmente nos momentos em que a música ganha dimensão.


6. Wo Sprache aufhört

Aqui o disco entra em uma região mais delicada. Wo Sprache aufhört é construída sobre uma melodia extremamente acessível e uma interpretação mais emocional de Herence. O refrão tem forte potencial de permanência e, justamente por isso, é uma das faixas mais fáceis de imaginar funcionando ao vivo.

Mas também é um dos momentos em que Sternensegler chega mais perto do limite entre folk rock e pop-rock. A composição funciona porque o Schandmaul sabe preencher essa estrutura com instrumentos tradicionais. Sem eles, provavelmente seria uma música muito mais convencional. Com eles, ganha identidade suficiente para permanecer dentro do universo da banda.


7. In der Hand

Depois da delicadeza anterior, In der Hand recoloca o corpo do álbum em movimento. A percussão ganha destaque e existe uma sensação de balanço muito mais pronunciada. As melodias folk aparecem de maneira particularmente viva, e a faixa demonstra como o Schandmaul consegue fazer instrumentos tradicionais dialogarem com uma estrutura de rock sem que um lado pareça estar apenas acompanhando o outro.

É uma música extremamente eficiente na construção de clima. Também é aqui que se percebe como a produção de Sternensegler privilegia clareza. Cada instrumento encontra seu espaço, mas a sonoridade não fica excessivamente separada. O resultado é um álbum grande, limpo e contemporâneo, sem eliminar as características acústicas que fazem o grupo ser reconhecido.


8. An beiden Enden

An beiden Enden retorna à atmosfera mais contemplativa do disco. A música tem uma construção que privilegia a melodia e a interpretação vocal, e Herence novamente se beneficia da característica mais clara de sua voz. Ele não tenta reproduzir o peso de Lindner; trabalha com outra dinâmica, deixando as notas respirarem mais.

É uma escolha interessante dentro da sequência porque funciona como uma ponte entre a parte mais energética do álbum e a reta final, que começa a ficar progressivamente mais emocional.


9. Lass nicht los

Aqui o Schandmaul volta a acertar em cheio no refrão. Lass nicht los combina uma interpretação vocal mais expansiva com violino e uma construção melódica extremamente eficiente. É uma daquelas faixas em que a banda consegue ser sentimental sem abandonar completamente o caráter festivo.

A voz de Herence funciona especialmente bem nesse contexto porque existe espaço para ele trabalhar intensidade. Em vez de tentar competir com a instrumentação, ele deixa a melodia conduzir a música.


10. Trag Dich

Trag Dich é a balada declaradamente sentimental do disco. E aqui é preciso reconhecer que o Schandmaul não tenta esconder o romantismo. A música é direta, emocional e deliberadamente delicada. Herence interpreta tudo com bastante controle, evitando transformar a faixa em um exercício vocal exagerado.


11. Zwei Raben feat. Laura Fella

E então chega a música que transforma o encerramento em acontecimento. Zwei Raben já começa em uma atmosfera muito mais frágil, sustentada por elementos folk e pela participação de Laura Fella, do Faun. A entrada da cantora cria imediatamente um contraste interessante com Herence, e a música ganha uma dimensão quase narrativa.

O mais importante, entretanto, é a progressão. A faixa não entrega seu impacto imediatamente. Ela cresce. Primeiro existe intimidade, depois os instrumentos começam a ocupar mais espaço e, quando as guitarras entram com força, o encerramento assume proporções épicas.

A escolha também carrega história: Zwei Raben já havia aparecido no projeto WETO, no álbum Schattenspieler, de 2011, e agora é incorporada ao universo do Schandmaul com uma nova roupagem e a participação de Fella.

É um daqueles casos em que a última faixa não parece simplesmente colocada no fim da tracklist. Ela foi pensada para encerrar o percurso. E funciona.


Daniel Sommer

Confira a tracklist completa de Sternensegler:

Nimm alles mit
Sternensegler
Beide Füße in der Luft
Flagge
Nosferatu
Wo Sprache aufhört
In der Hand
An beiden Enden
Lass nicht los
Trag Dich
Zwei Raben (feat. Laura Fella)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Atrocity, Arkona & Leaves' Eyes – 23/11/2025 – Carioca Club/SP

As bandas Atrocity, Arkona e Leaves’ Eyes desembarcaram em São Paulo no último dia 23 para apresentações memoráveis. Talvez devido ao grande número de eventos do gênero, o público foi modesto, mas extremamente participativo. O evento ocorreu no Carioca Club e apresentou um lineup diversificado dentro do metal extremo, com influências que vão do death metal ao folk e ao symphonic metal. A participação do público, embora reduzida, foi decisiva, já que os presentes interagiram ativamente, cantando e aplaudindo, o que contribuiu para uma atmosfera empolgante. No geral, as apresentações foram sólidas, com cada banda entregando performances competentes e fiéis ao próprio estilo, mantendo a magia que só acontecem em shows ao vivo. 

A primeira banda da noite foi o Atrocity, grupo alemão de death metal formado em 1985 em Ludwigsburg. O conjunto é conhecido pela longa trajetória no cenário underground e por mesclar elementos do metal extremo com influências industriais e góticas em fases mais recentes. Fundado por Alexander Krull, vocalista e principal compositor, o grupo conta com integrantes como Thorsten “Tadd” Bauer na guitarra, entre outros músicos que contribuíram para álbuns relevantes. Com mais de três décadas de carreira, o Atrocity influenciou o metal europeu com composições marcantes e consolidou sua posição como referência do estilo por meio de uma discografia extensa e pela constante evolução sonora.

O Atrocity iniciou sua apresentação com um atraso de quinze minutos, o que forçou o corte da música “Necropolis” para adequação ao cronograma. Apesar disso, o grupo entregou um setlist consistente, incluindo “Desecration of God”, “Death by Metal” e “Reich of Phenomena”, que destacaram tanto o vocal gutural característico de Alexander Krull quanto o peso instrumental da banda. O público, pequeno, porém dedicado, respondeu de forma intensa, especialmente durante “Faces From Beyond” e “Bleeding for Blasphemy”. No geral, o show foi poderoso e atendeu às expectativas dos fãs de metal extremo, demonstrando profissionalismo ao compensar o atraso com uma performance coesa e envolvente.

Em seguida, veio o Arkona, que é uma banda russa de pagan folk metal formada em 2002 em Moscou e que se destaca pela fusão de elementos tradicionais da cultura eslava, como flautas e percussões folclóricas, com o peso do metal extremo. Liderada por Masha “Scream” Archipova, vocalista e principal letrista, a banda conta com músicos como Sergei “Lazar” Atrashkevich na guitarra, além de outros integrantes que incorporam instrumentos étnicos às composições. Com álbuns consagrados, o Arkona obteve reconhecimento internacional ao celebrar o folclore pagão e a mitologia eslava, misturando vocais limpos e agressivos em um som marcante.

A apresentação do Arkona no Carioca Club seguiu sem imprevistos e ofereceu um show dinâmico que reforçou a proposta estética do grupo. Com um setlist que incluiu “Kob’”, “Ydi” e “Goi, rode, goi!”, a banda envolveu o público com performances enérgicas conduzidas pela presença marcante de Masha Archipova. A participação da plateia foi incrivel, especialmente durante “Khram” e “Zimushka”, criando um ambiente imersivo. O show foi bem executado, mantendo qualidade sonora e entregando uma experiência culturalmente rica que atendeu às expectativas e reforçou o apelo da banda no cenário metal brasileiro.

Fechando a noite, era a vez do Leaves’ Eyes. Banda alemã de symphonic metal formada em 2003. O grupo foi originalmente idealizado pela vocalista norueguesa Liv Kristine, ex-Theatre of Tragedy, que contribuiu com uma abordagem lírica e operística ao lado de Alexander Krull (também do Atrocity) e demais integrantes responsáveis por acrescentar elementos orquestrais e temáticas vikings ao som da banda. Com discos dedicados à mitologia nórdica e arranjos sinfônicos marcantes, o Leaves’ Eyes consolidou presença internacional e participação constante em grandes festivais.

O show do Leaves’ Eyes no Carioca Club foi uma excelente surpresa, contrastando com o peso das bandas anteriores. A apresentação destacou o caráter sinfônico e melódico do grupo, que abriu com “Chain of the Golden Horn” e incluiu “Hammer of the Gods”, “Who Wants to Live Forever” e outras faixas marcantes. A banda entregou um setlist variado, evidenciando a qualidade vocal e a presença cênica de Liv Kristine. A plateia, embora pequena, participou de forma ativa, especialmente durante “My Destiny”, sendo ainda surpreendida com doses de vodca distribuídas pela banda. Outro destaque foi a apresentação de “Song of Darkness”, faixa anunciada como parte do próximo trabalho. No geral, a performance foi excelente e reforçou o domínio de palco do grupo, sobretudo em “Sign of the Dragonhead”, momento em que Alexander surgiu com vestimentas medievais e empunhando uma espada, elevando ainda mais o clima teatral da apresentação.

Em síntese, as três bandas apresentaram shows de qualidade, mantendo o público engajado e satisfeito.  Para um domingo à noite, o lineup diversificado atraiu os fãs verdadeiros, provando que não é sobre quantidade, mas da qualidade e da entrega daqueles que contribuem para fazê-lo acontecer. 


Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Edu Lawless 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta

Press: Acesso Music 


Atrocity – setlist:

Desecration of God

Death by Metal

Fire Ignites

Fatal Step

Spell Of Blood

Faces From Beyond

Bleeding for Blasphemy

Shadowtaker

Reich of Phenomena 


Arkona – setlist:

Kob'

Ydi

Na strazhe novyh let

Yav'

Khram

Goi, rode, goi!

Zakliatie

Zimushka


Leaves' Eyes – setlist:

Chain of the Golden Horn

Hammer of the Gods

Across the Sea

Serpents and Dragons

Edge of Steel

Who Wants to Live Forever

Sign of the Dragonhead

Song of Darkness

Realm of Dark Waves

My Destiny

Swords in Rock

Hell to the Heavens

Farewell Proud Men

Forged by Fire

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Odin’s Krieger Festival – 01/11/2025 – Carioca Club/SP

Odin’s Krieger Festival mistura humor com medieval em shows de Nanowar of Steel e Heidevolk

O humor italiano e o folk metal viking holandês combinam muito bem, e festival, que também contou com outras apresentações diversas nacionais, valeu a pena presenciar

O Odin’s Krieger Festival já é tradicional! Ano após ano, a festa atrai apreciadores de costumes e da cultura medieval fantástica, além de adeptos da história e mitologia nórdica, celta, e todo tipo de história e fé pagãs. Mesmo sem shows, só o encontro temático dessa ou dessas tribos já seria sensacional, mas com grandes apresentações, tudo fica melhor. Tivemos!

Embora, devo dizer, o público parecesse abaixo do que tivemos em 2024, ainda era respeitável, com mais da metade do Carioca Clube cheio. Bem, era de se esperar, já que as atrações do ano anterior eram mais populares, com Dogma e Wind Rose. Neste ano corrente, tivemos ainda um repeteco: O Heidevolk já havia estado no mesmo festival alguns anos antes.


OAKLORE FAZ TRIBUTO AO FOLK “GEEK”:

Uma aguardada atração nacional era o Oaklore, um grupo de música folclórica que já se tornou conhecido no circuito de eventos “folk”. Talvez uma das coisas mais legais deles, é que você vai se sentir “em casa” quando estiver em seus shows: grande parte de seu repertório é de temas musicais que somos acostumados a ouvir no nosso dia-a-dia (bem, ao menos quem é ligado em videogames, filmes e séries), com canções que vão de Senhor dos Anéis, uma das grandes inspirações da existência do grupo, segundo o que disseram no palco - bem, podemos compreender isso, já que o filme, do qual tocaram temas no show, é uma das maiores obras audiovisuais do gênero. Pessoalmente, fiquei extremamente emocionado ao tocarem um mix de temas de The Witcher 3, que é meu jogo preferido. Tão bem executado foi, que chegou a ser emocionante para fãs da franquia, do personagem Geralt of Rivia, e desse universo fantástico. Excelente apresentação, que serviu perfeitamente como “esquenta” para o que viria.

*Priscila Ramos - @agendametal

Vale frisar que, no meio tempo entre os shows, não há nenhum tipo de tédio! vários stands de lojas dos mais variados produtos, comuns, exóticos, artesanais, que iam de hidromel a velas aromáticas. Tem para todo tipo de público, e isso já vem de ano após ano - sempre ótimas opções, embora muitas vezes pagando um preço bem salgado.

*Priscila Ramos - @agendametal

NANOWAR OF STEEL TRAZ BOM HUMOR, HITS HILÁRIOS, E… VAMPETAÇO!:

Sejamos diretos: você nunca vai rir tanto em um show de rock quanto no do Nanowar of Steel! Conhecido recentemente pelo engraçadíssimo hit Norwegian Reggaeton, que parodia tanto o reggaeton latino, quanto o black metal norueguês, foi a primeira vez que a banda italiana esteve no Brasil, depois de muitos pedidos. Valeu a espera!

Sandra Rosato

A banda entrou com o visual mais bizarramente divertido possível: cada um dos integrantes com uma fantasia mais “zoeira” que a outra, sendo o vocalista Mr. Baffo o ápice, vestido com quase um cosplay de “loli” de animes - só imagine um sujeito barbado fazendo isso, é sensacional! Apesar da zoeira, todos tocam absurdamente bem, e as músicas são executadas exatamente como deveriam.

Sandra Rosato

Alguns momentos completamente absurdos fazem parte da festa. O outro vocalista, Potowotominimak colocou uma máscara do monstro Cthulhu, da obra de HP Lovecraft, durante a canção The Call of Cthulhu, com um telefone em mãos. Entenderam o trocadilho?! Ou o momento incrível quando um sujeito vestido do pássaro “malvado” Cacciatore entrou no palco, na canção Il Cacciatore della Notte. Também tivemos um “wall of love”, uma espécie de wall of death, mas onde todos se abraçam - ainda com Careless Whisper, de George Michael, de fundo, seguido pelo cover do cantor inglês da música de mesmo nome.

Sandra Rosato

Mas provavelmente o momento mais sensacional do magnífico show foi quando alguém atirou uma bandeira com a foto do ex-jogador Vampeta nu, apenas com a foto de Varg Vikernes, do Burzum, tampando suas genitais, em referência ao episódio quando o dito vocalista de black metal falou mal de brasileiros no twitter, e os usuários brasileiros começaram a lhe mandar fotos do ensaio do ex-atleta para a extinta revista G Magazine - ficou conhecido como “Vampetaço”. Eles realmente exibiram aquilo no palco!

Sandra Rosato

Seu grande hit, Norwegian Reggaeton, claro, foi um dos pontos mais altos. Todos sabiam cantar a música! Os sorrisos e risos eram nítidos por todos os cantos. Realmente, eles roubaram a cena, mesmo não sendo a atração principal da noite.

Sandra Rosato

Entre as apresentações, tivemos uma bela apresentação de dança, que serviu muito bem de aquecimento, além de uma batalha esportiva de espadas, o que fez com que não ficasse nada cansativa a espera para o próximo show.

Sandra Rosato

HEIDEVOLK FECHA A NOITE COM BOA APRESENTAÇÃO DE FOLK METAL, MAS OFUSCADA PELA ANTERIOR:

Trocamos o humor pelo verdadeiro folk metal. Diretamente da Holanda, um dos maiores celeiros de bandas bem sucedidas do mundo, o Heidevolk fazia sua segunda participação no Odin’s Krieger Festival. Claro que, pela proposta do evento, de celebrar a cultura medieval e nórdica, seriam a atração principal.

Sandra Rosato

Afiada, a banda veio ao país agora divulgando seu álbum Werderkeer, e não decepcionou. O som que apresentam faz todo o sentido para o evento, e logo de começo já era ovacionada pelo público. Uma coisa bem curiosa é que apesar de fazerem um som mais rápido, onde seria comum o uso de vocais agudos, os holandeses usam dois vocalistas com vozes extremamente parecidas e graves. Por um lado, isso dá um contraste, e deixa com uma certa cara “ritualística”, mas por outro, uma das vozes acaba ficando redundante, já que não há contraste entre ambas. No fim das contas, funciona. Outro ponto interessante é o idioma; não é comum ouvirmos músicas no idioma neerlandês, mas a banda prova que pode, sim, funcionar bem, a depender do estilo.

Sandra Rosato

O setlist foi conservador, mesmo longo. Tivemos, de começo, duas do último disco, como era de se esperar: Hagalaz e Klauwen Voorut. Não demorou para virem clássicos, com Winter Woede, Urth e A Wolf in my Heart. No geral, tudo muito completo, contemplando vários períodos de sua carreira.

Sandra Rosato

Terminamos o show com Vulgaris Magistralis, versão para a banda de rock holandesa Normaal, e a saideira com um grande clássico, Nehalennia, do já distante ano de 2010. 

Sandra Rosato

Ótimo show, com belo som, e um público muito animado, e diversos mosh pits ao longo do show. Apesar do brilho, o fato do Nanowar of Steel ter feito uma apresentação inédita e extremamente divertida, que roubou a cena, ficou parecendo que quem deveria ter sido a atração final eram eles. De toda forma, o conjunto de ambas foi muito bom, e tudo foi muito bem aproveitado. Ambas bandas já têm um lugar no coração dos brasileiros, e podem voltar a qualquer momento, que será uma boa pedida de show!

Sandra Rosato

Texto: Fernando Queiroz

Fotos: Sandra Rosato (*exceto onde indicado)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Okf Produções

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Nanowar of Steel – setlist: 

Sober

The Call of Cthulhu

Pasadena 1994

Wall of Love

Disco Metal

Uranus

HelloWorld.java

Il Cacciatore della Notte

Norwegian Reggaeton

Armpits of Immortals

La Polenta Taragnarok

Vahlallelujah


Heidevolk – setlist:

Hagalaz

Klauwen Vooruit

Winter woede

Urth

A Wolf in My Heart

Schildenmuur

De strijd duurt voort

Het Wilde Heer

Wederkeer

Het bier zal weer vloeien

Het Gelders volkslied

Hulde aan de kastelein

Ostara

Krijgsvolk

Tiwaz

Saksenland

Drink met de Goden (Walhalla)

Drankgelag

Vulgaris magistralis

Nehalennia

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Lothlöryen: Uma Jornada Barda e Insana

Por Gabriel Arruda

Décadas se passaram e, até hoje, muitos afirmam que Minas Gerais é a capital do Heavy Metal brasileiro. Afinal, foi de lá que surgiu o maior nome do estilo no mundo, o Sepultura, além de excelentes bandas de death e thrash metal como Overdose, WitchHammer, Sarcófago e outras.

Anos mais tarde, a cena mineira também se tornou um celeiro do Folk Metal nacional, revelando nomes como Tuatha de Danann e Lothlöryen. É justamente esta última que, no próximo mês de setembro, lançará “…Of Bards and Madmen [Reimagined]”, uma releitura do álbum lançado há vinte anos.

Com novos arranjos e letras remodeladas, a obra  conduz ao universo bardo, explorado com maestria por Daniel Felipe (vocal), Leko Soares (guitarra e vocal), Leo Ghigiarelli (baixo) e Lucas Bello (orquestrações e vocais). O álbum reúne dez faixas inspiradissimas, regadas de orquestrações grandiosas, backing vocals imponentes, passagens acústicas e toda a riqueza sonora que são características do gênero.

Faixas como "Ruins Of Fantasy, "Elfic" e "There And Back Again" — esta última com a participação do talentoso vocalista Raphael Dantas (Ego Absence) — representam bem a proposta, surpreendendo pelo equilíbrio entre peso e toda a abundância sonora citada acima de forma condensada. A sequência com a faixa-título e "Moriality" trazem o poder magnético do Power Metal, com riffs e solos que grudam na memória como cola Super Bonder, além de linhas vocais impactantes e envolventes. "Another Tale" (com leve influência de Avantasia e participação de Shoujy) e "Someday" acrescentam uma boa dose de teatralidade, sendo duas baladas carregadas de emoção.

A produção é outro ponto forte. Mesmo sendo uma regravação, a qualidade impressiona pela clareza e pelo peso. Cada detalhe é audível, especialmente quando se ouve com fones de ouvido, que aproximam o ouvinte da experiência sonora completa.

Mesmo com alguns torcendo o nariz e afirmando que, uma vez concebida uma obra não deve mais ser alterada, muitos — inclusive este que vos escreve — acabam resistindo à ideia. Mas, no caso de …Of Bards and Madmen [Reimagined], a mudança é positiva e abrasiva, pois esta nova versão se mostra ainda mais polida e resistente que a primeira. Então, já deixe sua IPA, sidra ou hidromel à mão, pois este álbum merece ser degustado com cada gole e ouvido atento, assim como toda a experiência que ele oferece.

sábado, 16 de maio de 2020

Asgard: Mesclando Elementos Contemporâneos ao Progressivo e Folk


"Ragnarøkkr" é o mais recente registro do Asgard, grupo oriundo desde meados dos anos 80, que mistura sem medo folk medieval com o Heavy Metal. Diria até que as guitarras e bateria servem mais de apelo extra. Emolduram composições que não hesitam no uso de flautas, samples de teclado remetendo instrumentos medievais e cânticos também daquele período.

"Trance-Preparation" tem um começo extremamente metaleiro com o teclado mais progressivo. Logo em seguida há uma entrecortada de cantoria barda sob batidas celtas. Franco Violo conduz as coisas como um Ian Anderson para em seguida as sessões de heavy metal voltarem com força total. Toma conta um palm mute de guitarra solando numa penta menor encerrando com tappings. A guitarra se funde ao lado folk da canção e retorna ao princípio para fechar com chave de ouro.

"Rituals" toca uma batida tribal em contraste de flauta e alguma corneta medieval distorcida. O vocalista abre caminho para uma passagem sombria reforçada pela guitarra e blast beat. A guitarra dá uma revisada na melodia do começo para  depois gerar fraseados flutuantes ajudados pela harmonia leve do sintetizador. Uma gaita de foles conversa com a guitarra. São interlúdios para um recomeço meio cara de "canção pirata".


"The Night Of The Wild-Boar" tem levada melódica, um pop cara de musical. Instrumentos se empilham no objetivo de criar um forro pro canto. Apesar disso, tanto harmonia quanto melodia soam exóticas. 

"Visions" é a mais metal, tem um climão de batalha, seus vários riffs são costurados por melodias sintetizadas.

"Shaman" é iniciada por uma flauta, seu começo é extremamente tranquilo. Aos poucos atinge um clima obscuro como se o ouvinte entrasse num lugar servido de mistérios. As guitarras soam como um sino martelado. A canção no final cai numa fúria progressiva.

"Battle" ecoa uma espécie de cravo cristalino, chocalhos e acordes ressonantes na guitarra. A primeira parte se encaixaria perfeitamente num videogame. Violo puxa uma direção Serj Tankian. Na segunda metade, os teclados geram harmonias parecendo corais de igreja e a guitarra distorcida gera clima macabro. Apesar de não ser frenética, ela passa um clima de sofrimento enquanto escapam algumas ideias dançantes como se tudo não fosse encenação de um épico.

"Anrufung" tem um início cerimonial. Na outra metade vira uma dança folclórica repaginada para o peso do metal.

"Ragnarøkkr" uma das mais progressivas, fecha o disco de modo sombrio e melancólico, o guitarrista Andrea Gottoli e o tecladista Albert Ambrosi parecem mais livres para soltarem suas ideias.

       

Analisando tudo, o álbum despeja muitos conceitos e não faz cerimônias em costurá-los abruptamente. O andamento de tudo é ondulado, não há espaço para descanso. Algumas coisas poderiam ser melhor desenvolvidas mas são logo jogadas para trás, com sorte relembradas nos momentos finais das faixas.  Alguns samples no sintetizador me incomodaram um pouco, muito artificiais, acredito que espantem parte dos ouvintes também.

É uma experiência diferente. Canto e melodias conservam o espírito dos antigos trovadores e os integrantes manipulam isso com novos recursos tecnológicos. O resultado soa  inusitado. O registro é mais indicado para aqueles que já curtem trilhas sonoras épicas e metal progressivo. O excesso de informação e escolha de timbres pode afugentar a maioria.

Texto: Alex Matos (Canal Rock Idol)
Edição: Carlos Garcia

Selo: Pride & Joy Music

       

domingo, 1 de setembro de 2019

Eluveitie: Celtic Folk Metal em Constante Evolução




O Eluveitie nasceu em 2002 sob a imponência e misticismo dos Alpes suíços, e sua música inspirada na mitologia celta, história gaulesa e a cultura protoindo-europeia. O grupo foi se tornando um dos grandes nomes do Folk Metal, sub-estilo do Heavy Metal que, naturalmente, mixa as nuances tradicionais do gênero, além do Melodic Death Metal às influências folclóricas, utilizando sonoridades e instrumentos típicos da cultura celta e gaulesa. 

Desde sua estreia com o álbum “Spirit” (2006) a banda começou a criar uma identidade musical bem própria, trazendo letras também bem profundas, abordando temas históricos, filosóficos e folclóricos.

O sucesso e reconhecimento mundial chegaram com o álbum “Slania” (2008), o qual foi considerado o trabalho que consolidou o estilo da banda, e até então, o auge de sua maturidade. Inclusive o álbum recebeu uma nova versão comemorando os 10 anos de seu lançamento.


E agora em 2019, a banda apresentou seu novo trabalho, “Ategnatos”, que é a palavra gaulesa para “renascer”. Um álbum místico e filosófico, onde o Eluveitie traz a mitologia, a crença pagã e a espiritualidade para o nosso mundo moderno. Mudança e renovação. Isto, naturalmente, tem um preço.

Sempre há sofrimento antes da felicidade. E sempre há escuridão antes da luz. Obscuro e sério em sua atmosfera e carisma, e também oculto, arcano e elitista, o álbum em si é um manifesto, um trabalho altamente dramático e embelezado no qual a sociedade de hoje se vê no espelho da antiga mitologia e cultura celta.

A banda retornou ao Fascination Studios, onde também mixaram "Slania". A sonoridade, cada vez mais lapidada e trabalhada, muitas vezes com composições melodiosas e limpas, como “Ambiramus”, que segue aquela linha de músicas como "A Rose For Epona", por exemplo, com belas melodias, vocais femininos e um folk mais contemporâneo, canções que são capazes de agradar ouvidos menos acostumados ao estilo e aos momentos de mais peso.


E o peso e densidade sonora são também adjetivos do som dos suíços, pois as músicas são preenchidas por esses elementos folk, que se juntam ao peso e agressividade nas  peças mais voltadas ao Melodic Death e Folk Metal mais direto, como podemos perceber na própria faixa título.

O peso do Eluveitie é diferente, principalmente onde as canções trazem atmosferas místicas, quase com ar de trilha sonora de série ou filme épico, casando perfeitas com o conceito lírico como por exemplo em “The Raven Hill”. 

São 16 faixas, mas o grupo soube dosar com equilíbrio as músicas, mantendo o álbum sempre interessante, intercalando momentos mais pesados e agressivos, com essas peças mais melodiosas, com atmosferas mágicas, por vezes melancólicas, como a já citada "Ambiramus" e também em "Breathe", onde mais uma vez se destacam os vocais femininos, os instrumentos étnicos e os violinos.

Chrigel Glanzmann
Os arranjos orquestrais preenchidos pelo colorido dos instrumentos étnicos é destaque também, como em "The Slumber", onde os vocais limpos femininos e guturais se contrapõem, gerando uma atmosfera bela, pesada e mágica.

A banda destaca que compôs o álbum enquanto estava na Universidade de Artes de Zurique e consideram o processo um produto de toda a banda, espontâneo, resultado das ideias dos nove membros, onde as canções foram sofrendo modificações enquanto ainda estavam em desenvolvimento.

O Eluveitie é uma banda diferente, merece o reconhecimento mundial, e mesmo com as diversas trocas de formações, seu líder Chrigel Glanzmann tem o mérito de guiar a formação da personalidade da banda, mantendo-a, mas sem abrir mão da evolução, e "Ategnatos" é a prova.

O álbum está disponível no Brasil pela gravadora Shinigami Records, trazendo uma edição com faixas bônus.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Tracklist:
1. Ategnatos
2. Ancus
3. Deathwalker
4. Black Water Down
5. A Cry In The Wilderness
6. The Raven Hill
7. The Silvern Glow
8. Ambiramus
9. Mine Is The Fury
10. The Slumber
11. Worship
12. Trinoxtion
13. Threefold Death
14. Breathe
15. Rebirth
16. Eclipse
Bonus:
17. Ategnatos (Acoustic Version)
18. Ambiramus (Acoustic Version)
19. Threefold Rebirth (Acoustic Folk Medley)

Canais Oficiais da banda:

       


       



domingo, 21 de abril de 2019

Cobertura de Show – Amorphis (13/04 – Porto Alegre/RS): finalmente em solo gaúcho


Cobertura: Renato Sanson
Fotos: Uillian Vargas


Da fria e bela Finlândia tivemos o prazer de presenciar a nova tour  - a “Queen of Time Tour”, que divulga seu 13° álbum de estúdio “Queen of Time” – do ícone Amorphis, que desta vez passou por Porto Alegre.

É interessante notar que mesmo com toda sua mudança musical o Amorphis mantém uma legião de fãs bastante solida, claro, alguns se dividem, até mesmo pela questão de preferirem a fase mais extrema e outros a fase mais experimental, mas o que fica é a qualidade e a evolução eminente em sua música.

O local escolhido para o show foi o Centro de Eventos da Fiergs, complexo este que também estava recebendo o maior evento de tatuagem do Brasil, o Inked Art Tattoo (realizado nos dias 11, 12 e 13 de abril) e nada melhor que na segunda noite do mesmo receber está grande atração do Metal mundial.


Em termos de estrutura só temos elogios, pois o local escolhido foi de um acerto absurdo tendo acessibilidade e bastante comodidade para os que ali estavam para assistir ao show, além da ótima sonorização apresentada, muito bem equalizada e soando sem falhas e sem contar o ótimo atendimento dos funcionários do local.

Após a montagem de palco finalizada – muito bela por sinal – não demora para a intro ecoar nos PA’s e os monstros mostrarem ao que vieram despejando logo de cara “The Bee” e “The Golden Elk” (ambas do álbum mais recente) que agitou os presentes, com uma banda extremamente entrosada e cheia de feeling.

O que me chamou a atenção do show em si, foi a predileção pela fase de Tomi Joutsen no grupo, respectivamente o vocalista que mais tempo ficou à frente do Amorphis e gravou mais discos, ao total de sete até o momento. Não que isso seja ruim, mas da fase inicial que muitos também gostam (me incluo nela) tivemos só a clássica “Black Winter Day”, as demais todas pertencentes aos álbuns com a voz de Tomi.


Mas claro que grandes clássicos surgiram desta “nova” - “velha” fase como: “Sky Is Mine” (emocionante no mínimo), “Silver Bride” e “House Of Sleep”.

Vale destacar a presença de palco da banda e todo seu comprometimento com o público, interagindo e sendo mais do que atenciosos, mostrando que não era apenas mais um show da turnê, mas que estavam felizes de estarem ali nos brindando com sua musicalidade única pela primeira vez.


Demorou, mas enfim Porto Alegre recebeu o Amorphis saciando a vontade dos fãs, tendo um ótimo público que se mostrou presente desde a primeira nota executada. Agora é torcer pela volta dos finlandeses o quanto antes!


Setlist:
01 – The Bee
02 – The Golden Elk
03 – Sky Is Mine
04 – Sacrifice
O5 – Against The Widows
06 – Silver Bride (intro)
07 – Bad Blood
08 – Wrong Direction
09 – Daughter Of Hate
10 – Heart Of The Giant
11 – Hopeless Days
12 – Black Winter Day
Bis
13 – Death Of a King
14 – House Of Sleep


O Amorphis atualmente é:
Tomi Joutsen (vocal – desde 2005)
Esa Holopainen (guitarra – desde 1990)
Tomi Koivusaari (guitarra – desde 1990)
Olli-Pekka Laine (baixo – 1990 – 2000 / 2017 – atual)
Santeri Kallio (teclado – desde 1998)
Jan Rachberger (bateria – 1990 – 1995 / 2002 – atual)

terça-feira, 9 de abril de 2019

Cellar Darling: Segundo Álbum para "Enfeitiçar" os Fãs



O trio folk rock/metal Cellar Darling está de volta! “The Spell” foi lançado no dia 22 de março via Nuclear Blast Records.

Em seu primeiro álbum, os suíços já haviam mostrado um trabalho diferente de suas raízes no Eluveitie e em “The Spell” aparentemente ainda estão explorando novos territórios, trazendo o conceito de um conto de fadas moderno.

A primeira faixa do álbum “Pain” já começa com o som encantador do hurdy-gurdy de Anna Murphy. Na canção seguinte “Death” mais uma vez há uma interpretação perfeita de Anna que nos guia pela narrativa, onde uma garota à procura do sentido da vida se apaixona pela morte. “Love” provavelmente é uma das minhas músicas favoritas do álbum, começa com alguns riffs mais pesados e evolui de forma cada vez mais melódica, com um piano contribuindo para um tom mais clássico. Na faixa título “The Spell”, a linda e doce voz de Murphy rouba os holofotes.


Para quem sentia falta, em “Burn” podemos ouvir uma mistura de guitarras pesadas, bateria, vocais suaves e rosnados. Nesse disco senti um capricho maior na instrumentação das músicas, trazendo mais sons de piano, que agregaram muito mais às melodias. Em “Hang” é inevitável se hipnotizar pelo som da flauta de Anny. 

Os vocais de “Sleep” trazem um clima melancólico, sombrio, enquanto o piano nos guia em uma jornada emocional. “Insomnia” é o ponto mais experimental do álbum, causando uma certa estranheza na primeira audição, mas já na segunda você é cativado pelo solo de hurdy gurdy e aí não tem mais volta, o belo refrão ficará em sua cabeça. Impossível não se apaixonar pelos acordes mais hard rock de “Freeze”. 

A curtinha “Fall” serve como uma introdução operística para “Drown”, uma música coesa e impressionante por seus vocais teatrais. Anna se destaca o tempo todo em ”Love Pt. 2” com vocais bem angelicais e ao mesmo tempo emotivos. “Death Pt. 2” flui como um encerramento perfeito para esta obra prima. 


Durante o álbum todo o Cellar Darling apresenta um som tão sincero e confiante que só nos deixa curiosos para saber o que o podemos esperar do próximo trabalho. A banda provou que tem um som original e inovador, mostrando que é possível agregar elementos folk à um som mais moderno. Ainda é cedo para dizer que é o melhor álbum do ano, mas com certeza ele estará entre meu TOP 10.


Texto: Raquel de Avelar
Fotos: Divulgação

Lançamento: Nuclear Blast Records
Edição Nacional disponível via Shinigami Records. Confira o site do selo AQUI
Site Oficial

Line-Up:
Anny Murphy: Vocais, hurdy-gurdy
Merlin Sutter: Bateria
Ivo Henzi: Guitarra e Baixo

Tracklist:
1. Pain
2. Death
3. Love
4. The Spell
5. Burn
6. Hang
7. Sleep
8. Insomnia
9. Freeze
10. Fall
11. Drown
12. Love Pt. II
13. Death Pt. II