segunda-feira, 29 de julho de 2019

Enforcer: Adicionando Novos Elementos ao Seu 80's Heavy Metal



Após cerca de 3 anos do último trabalho de estúdio, os suecos do Enforcer apresentam "Zenith", seu quinto álbum em 15 anos de carreira. A banda tem seu estilo moldado e inspirado no Heavy Metal e Speed Metal 80's, inclusive incorporando essa inspiração em suas performances e figurinos de palco. Muitas vezes a música do Enforcer pode soar clichê, mas os caras fazem tão bem feito que, quem curte o estilo vai abraçar a ideia toda.

Em "Zenith" a banda manteve a estética 80's, mas tirou um pouco o pé do acelerador, tendo predominância de músicas com andamento mais cadenciado, como "Die for the Devil", carregada de elementos do Heavy e Hard 80's, naquela levada hit de arena ("Shout at the Devil" do Mötley, por exemplo), refrãozinho pra lá de grudento; e "Zenith of the Black Sun", menos Hard Rock que a anterior, mas em que esse andamento mais meio tempo funciona bem também, destacando os corais épicos.


Também nessa levada mais meio tempo, porém naquele estilo "hino", como em "Forever We Worship the Dark", que pode soar um pouco "brega" demais para alguns ouvidos.

O álbum vai tocando e é fácil notar mais presença de melodias grudentas e elementos do Hard Rock, adições bem marcantes, com a banda trazendo até mais teclados, arranjos orquestrais e coros, fazendo com que sua sonoridade se torne mais acessível. Temos por exemplo a balada "Regrets", com arranjos de piano, refrão e coros bem melodiosos. Acredito que é a primeira balada em um disco do Enforcer. Lembrou-me alguma coisa de Stryper, além de honrarem a escola sueca de criar melodias grudentas e marcantes.
                      
O Speed Metal, muito mais presente nos álbuns anteriores, não foi abandonado, e faixas como "Searching for You" e "Thunder and Hell" vão satisfazer os fãs da velocidade.


Um álbum em que o Enforcer buscou trazer novos elementos, com maior ênfase nas composições em andamento meio tempo, além das melodias mais "fáceis" e mais marcantes, somadas ao estilo sueco de criar canções cativantes. Fugiu daquela ciranda do auto-plágio, e creio que a banda foi bem sucedida nessa sua evolução sonora, embora para alguns possa soar mais acessível, e as melodias e nuances Hard Rock terem se sobressaído ao Speed Metal. 

Enfim, diversão garantida com muitos riffs, refrão e melodias marcantes, e a inspiração no Heavy Metal e Hard 80's ainda batendo muito forte no peito. 

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Enforcer
Álbum: "Zenith" 2019
País: Suécia
Estilo: Heavy Metal, Speed Metal, Hard Rock, Heavy Metal 80's
Produção: Olof  e Jonas Wikstrand
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records
Facebook Oficial


Line-Up:
Olof Wikstrand: Vocais e guitarras
Jonathan Nordwall: Guitarras
Tobias Lindqvist: Baixo
Jonas Wikstrand: Voacis, Bateria e Teclados

Tracklist:
1. Die for the Devil
2. Zenith of the Black Sun
3. Searching for You
4. Regrets
5. The End of a Universe
6. Sail on
7. One Thousand Years of Darkness
8. Thunder and Hell
9. Forever We Worship the Dark
10. Ode to Death
11. To Another World (Bonus Track)      


       


        

domingo, 7 de julho de 2019

Forkill: "Realmente, tocar numa banda de Metal é muito difícil pelas circunstâncias, mas amamos isso e assim seguimos em frente.”


Entrevista por: Renato Sanson


O Metal nacional e sua “sina” de ter grandes nomes, mas pouca visibilidade. Porém alguns artistas descartam essa pressão de “reconhecimento” a curto prazo e curtem o seu trabalho fazendo essa tarefa árdua chegar ao natural em seus pilares. Dizer que o Forkill não ama tocar Thrash Metal seria um sacrilégio, pois os caras nasceram para isso e curtem cada momento, e quem sai ganhando? Nós os apreciadores do estilo e do Heavy Metal em geral.

Conversamos com o líder e guitarrista Ronnie Giehl que nos fala do novo momento da banda, as dificuldades em suas lacunas e da superação com o novo álbum lançado, que vem abrindo portas e mostrando que os cariocas já são uma realidade.


Assim como qualquer banda do nosso cenário, o início sempre é complicado, seja pelas adversidades de estabilizar uma formação, conflitos da direção sonora e etc... 

“Apesar da demora em lançar o novo álbum (6 anos), o Forkill sempre esteve em atividade. Tivemos muitos problemas com trocas de formação, (hora batera, hora vocal/guitarra), e atrapalhou muito a banda que tem por finalidade fazer um trabalho sério. Infelizmente muitos músicos que passaram por aqui, não tiveram o comprometimento e seriedade necessária para fazer um trabalho correto e quando começam a atrapalhar o andamento é hora de trocar.”

Mas nada melhor que superar as barreiras com um novo lançamento, e é isso que o Forkill fez e nos brindou com um dos melhores álbuns de Thrash de 2019.

“The Sound of the Devil's Bell significa muito, marca um trabalho de luta, dedicação, insistência e que temos muito orgulho de conseguir lançar e superar os problemas. Ao mesmo tempo a banda tem como principal característica, nunca se acomodar com situações adversas e sempre enfrentar e vencer desafios e todas dificuldades que aparecem. Isso nos fez crescer e nos deixa mais fortes sem dúvida. O Forkill sempre foi uma banda de palco pois é lá que as coisas acontecem e nele nos sentimos mais à vontade para mostrar nosso trabalho. Realmente, tocar numa banda de Metal é muito difícil pelas circunstâncias, mas amamos isso e assim seguimos em frente.”


Foram seis anos de espera até “The Sound of the Devil's Bell” nascer, e a evolução entre o Debut (“Breathing Hate” – 13) e o novo lançamento são latentes, como explica Ronnie:

“Acho que o principal foi o amadurecimento da banda e esse álbum marca bem isso. Sempre procuramos melhorar em todos os pontos e tivemos em nosso produtor – Daniel Escobar – uma forte parceria em nos auxiliar em termos de sonoridade ao longo da gravação. Ficamos mais experientes também, aprendemos bem como trabalhar nossas principais características, para assim moldar e encontrar o nosso próprio estilo.”

Mas para essa evolução foi necessária uma mudança brusca em sua formação, como explica o guitarrista:

“Não é fácil depositar confiança num músico e da noite para o dia ele resolve abandonar tudo, te deixar na mão em termos de agenda e compromissos importantes. Mas mudanças quando necessário, são inevitáveis para a engrenagem voltar a rodar a todo vapor. Tem o ditado que diz: “à males que vem para o bem” e nesse caso aqui é muita verdade. Não adianta dar soco na ponta de faca e insistir com alguém que te puxa para baixo, não demonstra força de vontade e dedicação em busca de objetivos específicos em comum. Ninguém é insubstituível e temos uma metodologia de trabalho a cumprir. Se o músico não corresponde mais a nosso método, é hora dele partir e assim tem acontecido infelizmente. Claro que isso torna o nosso trabalho mais difícil, atrasa todo planejamento, e perdemos oportunidades importantes, mas mesmo assim acreditamos em nosso potencial e lutaremos por ele. Temos amor ao Metal e fazemos isso pois gostamos de tocar e principalmente nos divertir tocando Thrash Metal. As dificuldades são muitas a toda hora e é aí que sabemos separar quem serve de verdade, de quem está brincando.”


“The Sound of the Devil's Bell” apresenta uma arte formidável pelo grande artista Rafael Tavares, rica em detalhes e ao mesmo tempo agressiva. Ronnie comenta como foi a escolha do artista e da arte em si.

“Já acompanho o Rafael Tavares a muitos anos e sempre achei que ele faz um trabalho fantástico! Desde o começo da gravação, queria a arte da capa assinada por ele e assim foi. Passamos as idéias, e ele captou muito bem o que tínhamos em mente. A capa retrata muitas situações do que passamos nas letras num todo, representa muito bem a temática das músicas e Rafael fez uma arte incrível, ajudando a valorizar ainda mais o disco.”

Assista ao videoclipe: https://www.youtube.com/watch?v=n7dmxp-eQ00
Com um novo material lançado nada melhor que divulga-lo através de shows e claro, tendo aquela bela ajuda das redes sociais, o que hoje é inevitável para os artistas que querem mostrar sua música para o mundo.

“Estamos promovendo o álbum através de shows e das redes sociais que ajudam muito! Tem rolado um bom retorno, resenhas superpositivas e também grandes oportunidades.

Aproveitamos também e lançamos o clipe do primeiro single para a música “Emperor of Pain”, o retorno foi sensacional e abriu muitas portas. Penso que o vídeo clipe hoje em dia é muito importante para a banda e vamos investir mais nesse formato em breve. Sem dúvida ele nos possibilitou uma maior visibilidade ao público e sentimos que a aceitação foi sensacional! Em breve também, estaremos lançando o nosso primeiro Lyric Vídeo para a música “Warlord” e vai ser o segundo single a promover o álbum. Mas é nos shows que recebemos o retorno para valer. Ver a galera cantando as músicas junto, batendo cabeça e se divertindo no mosh pit nos dá força para seguir em frente.”


Em tempos em que a era digital domina, não é sempre que vemos uma banda underground lançando seu material em formato físico, ainda mais em edição luxuosa, porém o Forkill se preocupa com esse quesito, e pensa ser tão importante quanto o lançamento nas plataformas digitais.

“Sempre fui colecionador, ainda acho o CD/vinil muito mais legal e sempre vai fazer parte da cultura dos Headbangers! Ainda uma parte do público do Metal mantém essa tradição viva e esse CD é em especial para esse pessoal, que coleciona. Montamos o formato do CD (Slipcase, pôster, encarte com as letras, fotos e informações com 20 páginas) em parceria de idéias com nossa gravadora (DarkSun Records) e que apostou em fazer assim, dando esse lindo material aos fãs que adquirem o formato físico. É claro que sabemos da importância das plataformas digitais que ajudam a atingir um grande público, com muita rapidez e temos nos adaptado bem a essa era. Muitos conheceram a banda ali, escutaram, curtiram o álbum e acabaram adquirindo o CD.”

A máquina não para e o Forkill já está trabalhando em um novo material, e Ronnie nos adianta o que podemos esperar para o futuro.

“Estamos com novas idéias, muitos riffs e até algumas músicas prontas. Temos planos de aproveitar o bom momento e lançar um EP em breve!

Aproveitando gostaria de agradecer pela a oportunidade e pelo espaço. Espero encontrar com muitos de vocês nos shows!  Apoiem as suas bandas preferidas do underground, pois isso é muito importante para elas...

See you in the Pit!”


Acesse e conheça mais sobre o Forkill:



quinta-feira, 4 de julho de 2019

Turilli/Lione's Rhapsody: Renascimento e Evolução



Precisamos de mais uma versão do Rhapsody? Essa pergunta me veio a mente quando a dupla Turilli e Lione anunciaram que estavam trabalhando em um novo álbum, fruto das boas energias reunidas com a Farewell Tour, celebrando os 20 anos do Rhapsody original.

 Essas tours nesses moldes, reunion/anniversary, são meio que caça-níqueis, mas tem o outro lado, aquele de que muitos fãs terão chande de ver alguns músicos no palco juntos novamente (Pumpkins United, por exemplo), ouvir alguns clássicos, então acho válidas, bom para o fã e para o artista, e quem não curte não vai e pronto.

Álbuns reunindo formações e ou parte delas também seguem por essa linha, então, depois da bem sucedida Farewell Tour do Rhapsody com Lione e Turilli, era quase certo um trabalho reunindo a dupla.


 Respondendo a pergunta que me fiz, eu acredito que sim, uma versão do Rhapsody com Lione e Turilli seria válida, e gostaria de ouvir algo novo vindo deles. Para mim a voz do Rhapsody não tem outra, é Lione e ponto final. O Rhapsody Of Fire lançou um trabalho novo recentemente, um álbum legal, mas nada que realmente empolgasse, longe ainda dos primeiros discos quando existia uma versão só.

Chegou a hora e a dupla, acompanhada de outros músicos que passaram por formações do Rhapsody, apresentam ao mundo "Zero Gravity (Rebirth and Evolution)", e posso afirmar, não é um álbum simplesmente para ir na carona dos bons resultados da tour, e aproveitar a curiosidade e expectativa, é um excelente álbum de Epic Symphonic Metal, e traz um ar de renovação para o estilo.

Não é só o logo que está diferente, que abandonou o estilo medieval do original - esse ficou com o Rhapsody of Fire, as influências neo-clássicas saíram um pouco de cena para dar lugar à um tom mais futurista. 


A dramaticidade, arranjos sinfônicos e incursões eruditas estão presentes, com esses novos elementos, que também incluem trechos utilizando instrumentos e sonoridades étnicas (indiana e persa, por exemplo), além de melodias que remetem ao Queen, como na ótima "I Am", que mixa o Symphonic Metal com trechos operísticos, com muita dramaticidade, tempos moderados com arranjos de piano e saxofone ao fundo.

Da mesma forma é em "Decoding the Multiverse", que também traz Lione em vocais bem dramáticos e trechos com DNA do Queen, porém com arranjos mais velozes nas partes Symphonic Metal, e  claro. melodias marcantes não faltam.

O "Cinematic" ou "Hollywood Metal", como eles gostavam de definir o seu som, pode ser usado aqui, e em faixas como a abertura "Phoenix Rising", onde temos aqueles elementos que o fã encontrava nos primeiros álbuns, ou seja, arranjos grandiosos e melodias marcantes. Simphonic Metal explosivo, dramático e com essa nova roupagem futurística e incursões de instrumentos étnicos. 


Lione está no seu habitat, e as suas linhas vocais são uma marca fortíssima na identidade do Rhapsody, e fez um trabalho excelente, com grandes interpretações, usando de muita dramaticidade e teatralidade (foram gastos 3 meses somente nas gravações das vozes, então, eles realmente trabalharam para trazer o melhor álbum possível).

Em "Zero Gravity", a faixa título, por exemplo, ele alterna vocais dramáticos e melodiosos com maestria. Turilli também está ótimo, criando grande melodias e solos, e a química da dupla é incontestável; E nesta mesma faixa, além dos arranjos com melodias orientais, há belos arranjos de teclados e trabalho majestoso de guitarras.

Os belos arranjos de piano são o destaque na balada "Amata Immortale", que traz outra característica do clássico Rhapsody, que são as canções em italiano. Com o acompanhamento de vocais femininos, Lione mostra seus dotes de cantor clássico. Também em italiano temos a grandiosa faixa final, "Arcanum (Da Vinci's Enigma)", com vocais clássicos e corais fantásticos.


E claro, além das faixas que destaquei, seguindo essa mesma linha, com muita coesão dos elementos, e  "D.N.A.", que traz Elize Ryd como convidada, e já foi apresentada como single, e provável foi já usada por ser um Symphonic Metal mais tradicional, para apresentar gradualmente essa nova fase,  "Fast Radio Burst", "Multidimensional" e "Origins" são também muito boas.

"Zero Gravity " reflete o que seu sub-título diz "Rebirth & Evolution", renascimento e evolução. Um belo de um trabalho, sonoridade renovada em uma obra de Metal sinfônico, futurístico, progressivo e operístico, carregado de dramaticidade e melodias memoráveis. Realmente, a química da dupla Turilli e Lione é um diferencial. Desse Rhapsody a cena precisava.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Turilli/Lione's Rhapsody
Álbum: "Zero Gravity (Rebirth & Evolution)" 2019
Estilo: Symphonic Metal
País: Itália
Selo: Nuclear Blast

Lançamento no Brasil via Shinigami Records

Turilli / Lione RHAPSODY online:
www.tlrhapsody.com
www.facebook.com/tlrhapsody

www.nuclearblast.de/turilli-lione-rhapsody

Line-up:
Luca Turilli | guitars, keyboards, piano
Fabio Lione | vocals
Dominique Leurquin | guitars
Patrice Guers | bass
Alex Holzwarth | drums


Tracklist:
1. Phoenix Rising 6:14
2. D.N.A. (Demon and Angel) 4:19
3. Zero Gravity 5:53
4. Fast Radio Burst 5:07
5. Decoding The Multiverse 6:19
6. Origins 2:27
7. Multidimensional 4:42
8. Amata Immortale 5:04
9. I Am 7:15
10. Arcanum (Da Vinci's Enigma) 6:25


       

       

sábado, 29 de junho de 2019

Uganga: "Servus", Espere o Inesperado!


Depois do excelente "Opressor" (2014), tido por muitos até então como o melhor trabalho do grupo, eles agora, além de terem se desafiado e apresentado um álbum tão bom ou melhor, justamente também desafiam o ouvinte. Difícil não cravar que eles novamente se superaram, evoluíram. Cada álbum da banda tem suas características e importância, e certamente cada ouvinte também tem suas preferências, e o que temos que nos ater é a gana do Uganga em seguir sempre em frente.

"Servus" (2019) traz outra conquista, além da evolução sonora e lírica, pois a banda conseguiu o financiamento do álbum pela Wacken Foundation, além da PMIC de Uberlândia, permitindo mais recursos para a conclusão do trabalho. Gravado novamente no Rock Lab em Goiânia, a exemplo de seu antecessor, "Servus" apresenta uma sonoridade excelente.


Iniciando pela arte da capa, feita por Wendell Araújo, é muito bonita, com vários simbolismos, tendo como destaque o uganga (feiticeiro), em um cenário pós-apocalíptico, usando pintura de guerra indígena e usando colares do budismo e umbanda.

Quanto ao conteúdo lírico, algo que também é bem cuidado pela banda, e em "Servus", além das questões político/sociais e temas ligados a cultura brasileira que sempre estão presentes, há também muitas mensagens positivas, trazendo uma energia muito forte. Inclusive abro parenteses para o que o vocalista Manu Jokers escreveu no encarte: "Falei muito de amor nesse trabalho né? Pois é, esse é o caminho que quero seguir. Tretar qualquer idiota sabe, eu também sei."

A parte musical em "Servus" apresenta várias características marcantes da identidade do Uganga, como o peso do Thrash e Hardcore, groove, elementos da música e cultura brasileira, além das salpicadas de Dub e Rap, e, a exemplo dos antecessores, novas nuances se somam, com mais melodia, mais momentos limpos, e além disso, a evolução de cada um como instrumentistas e a experiência e segurança em experimentar, fazendo tudo soar espontâneo e natural.


A forte identidade do Uganga já é sentida na faixa título "Servus", que vem logo após a intro "Anno Domini", e traz letras fortes, instigando as massas de manobra a se soltarem dos grilhões, para dar um basta aos "assassinos de terno e gravata". O som traz o Thrash e Hardcore com os vocais meio falados, marcas registradas, e embora soe mais polida e técnica, ainda soa muito pesada.

Criativo e diversificado, a qualidade alta quase não permite apontar destaques, mas ressalto algumas aqui, além da faixa-título, como "Abismo", com sua levada cadenciada, alternando peso e groove, ela tem incursões mais melodiosas e refrão muito marcante, mudanças de andamento e de repente surpresas, como um saxofone.

O batuque e groove em "Hienas" embala o discurso forte contra a falsidade, tendo também trechos em espanhol;  "7 Dedos (Seu Fim)", que alterna trechos velozes com tempos mais pausados e com muito peso e elementos regionais;  e "Fim de Festa", um mix de  Heavy Metal e Thrash com riffs marcantes e andamento cativante.


E para ilustrar a diversificação do álbum, destaco também a profunda e reflexiva "E.L.A.",  numa levada meio Rap, que traz em seu conteúdo uma bonita homenagem de Manu Jokers à sua mãe, e fechando o disco "Depois de Hoje", arrastada e pesada, com algo de Doom e riffs a lá Sabbath, alternando vocais sussurrados e berrados quase que discursados.

Evolução, segurança e originalidade no que fazem, a banda está em um patamar elevado musicalmente, e precisa ser festejada e citada como uma das grandes afirmações do Metal nacional.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Uganga
Álbum: "Servus"
País: Brasil
Estilo: Thrash Metal, Hardcore, Heavy Metal
Arte de Capa: Wendell Araújo
Produção: Gustavo Vazquez e Manu Jokers
Assessoria: Som do Darma

Facebook
Official Website
Youtube

Set-list
Manu Joker (vocal)
Christian (guitarra)
Thiago (guitarra)
Murcego (guitarra)
Ras (baixo and vocais)
Marco (bateria)

Tracklist
1. Anno Domini
2. Servus
3. Medo
4. O Abismo
5. Dawn
6. Hienas
7 Dedos (Seu Fim)
8. Couro Cru
9. Imerso
10. Lobotomia
11. Fim De Festa
12. E.L.A.
13. Depois De Hoje...


       


       



quarta-feira, 26 de junho de 2019

Föxx Salema: Pelo Heavy Metal e Igualdade Acima de Tudo




Föxx Salema é natural de Bragança Paulista (SP), autodidata, estando no circuíto independente há mais de 20 anos, sendo também uma das pioneiras como pessoa transgênera headbanger/metalhead no Brasil. Föxx lançou recentemente seu debut, "Rebel Hearts", de forma independente, e vem alcançando resultados muito bons, com um Heavy Metal inspirado nos grandes nomes dos anos 80, principalmente o lado mais tradicional e Nwobhm, além de pitadas de Power Metal. 

Conversamos com Föxx para saber um pouco mais de sua caminhada nesta árdua estrada do Heavy Metal brasileiro, sobre o debut e também questões delicadas como discriminação e violência crescente em nosso mundo atual, além de outras dificuldades que, infelizmente, pessoas vistas como "diferentes", por exemplo portadores de necessidades especiais, como um cadeirante que muitas vezes nem um transporte ou acesso à local público consegue ter,  e pessoas da comunidade LGBT, que sofrem com violência ou homofobia. 

Mas, por outro lado, muitas dessas pessoas lutam para realizar seus sonhos, buscar igualdade, e consequentemente ajudar muitas outras. Na irmandade Heavy Metal, felizmente, sempre houve esse sentimento às vezes tido como "transgressor", mas que sempre buscou a liberdade e igualdade, ou você conhece algum fã de Metal que deixou de ouvir Judas Priest porque Halford assumiu sua sexualidade? Confira então um pouco mais sobre a Föxx Salema e descubra um Heavy Metal com pegada e melodia!


RtM: Para início de conversa, gostaria que você nos contasse um pouco de como você iniciou na música e no Heavy Metal. 
Föxx Salema: Bom, eu canto desde criança e sempre gostei também do tema Terror, nessa época eu passava e via sem saber ao certo o que era, posters do Iron Maiden na parede de uma pequena loja de discos e achava muito massa aqueles desenhos. Quando entrei na adolescência um primo meu, que já colecionava fanzines do gênero e tinha vários discos, me apresentou devidamente ao Metal. Ele inclusive gravou em fita cassete o álbum "Seven Churches" do Possessed, ao qual eu pedi cópia do encarte para poder acompanhar nas letras o que era cantado. Dali para eu começar a cantar Metal e fazer shows foi “um pulo”... rsrsrs 


RtM: E quais seriam as suas maiores influências e inspirações musicais? 
FS: Eu posso citar 3 vocalistas que influenciaram bastante a minha forma de cantar: Geoff Tate, André Matos e Andi Deris. Já em termos de inspirações musicais, além claro, das bandas e projetos destes que citei, eu ouço vários subgêneros de Metal, do mais clássico, tradicional ao tido como mais extremo, pesado. E tudo isso, mesmo que em diferentes graus, influencia em como componho.

  
RtM: Com o tempo que você possui de estrada, como artista independente no underground, quais as principais dificuldades ainda enfrentadas para poder montar uma banda, gravar, arranjar espaço pra tocar? 
FS: Nossa, montar banda sendo trans é um caos, as pessoas no geral possuem um freio mental que muitas nem se ligam que tem, por exemplo: vergonha de dividirem o palco comigo, não sendo da comunidade LGBT+ e achando que serão julgadas, taxadas como tal. Então eu fiquei bastante tempo “caçando” músicos. Felizmente achei pessoas competentes e que toda esta questão pessoal minha, não as impediu de estarem musicalmente ao meu lado. Quanto a shows, eu ainda estou formando uma banda com integrantes fixos, pois me mudei ano passado para Grande BH para morar com meu marido, Cleber. Já fiz algumas pequenas participações ao vivo com bandas locais e também fui em alguns festivais em casas de show bem legais daqui, então estou bastante otimista, vamos ver o que o futuro me reserva...ha ha ha


" A honestidade e os valores familiares que me foram passados ajudaram a moldar o meu caráter e este, o meu ativismo."
RtM: Gostaria que você falasse um pouco sobre o processo de composição e gravação de seu debut, “Rebel Hearts”, pois sei que você não tinha uma banda montada, praticamente criando todas as partes. Imagino que seja mais complicado não ter, por exemplo, um guitarrista que já acompanhe o trabalho há mais tempo, tenha conhecimento e participe da composição. 
FS: Pois é, a questão da distância, da ausência de ensaios, entre outros fatores, foi complicado sim. Mas apesar disso o Paulo Garciia, que foi o produtor musical, conseguiu comigo cantando as melodias do instrumental (inclusive de pedal duplo) me ajudar primeiramente com os arranjos e guias musicais e posteriormente quem contratei para gravar lapidou tudo isso. Sempre, claro, com o meu aval final de aprovação, a Karine Campanille por exemplo, cuidou de 3 instrumentos: guitarra, baixo e teclado. Ela ia me mostrando o que tinha pensado para cada um, em cada música; os solos de guitarra mesmo, muitas vezes ela fez mais de um e eu, ou aprovava um por inteiro ou pedia uma mescla deles. Com o baterista também não foi diferente. 


RtM: Sobre a produção final, às vezes parece que algumas de suas ideias ficaram prejudicadas, e as músicas, várias excelentes ideias, poderiam ter rendido muito mais. Gostaria que você falasse a respeito de como avalia a produção do álbum, e o que gostaria de fazer de diferente? 
FS: Olha, eu sou muito minuciosa, perfeccionista, teriam algumas mudanças que eu faria em termos de mixagem e timbres, porém isso denotaria mais dinheiro e tempo, no mínimo meses para realização, então optei por não atrasar o lançamento do álbum. 

Todavia se levarmos em conta o lance de eu não ter uma formação de banda, não tocar nenhum instrumento, ter recursos limitados, o produtor musical não ser do Metal e que tudo foi gravado, mixado e masterizado num home estúdio de uma cidade do interior, eu acho que conseguimos um bom resultado, ainda que não seja o “ideal”. De qualquer forma, a receptividade do público tem sido bastante positiva, muitas das pessoas que ouvem o álbum via streaming, posteriormente fazem questão de adquirem fisicamente o CD.


RtM: O logo da banda ficou muito legal, poderia nos contar um pouco sobre os significados dele e também porque você adotou o nome artístico de Föxx? 
FS: O meu logo foi criado em 2013 e o designer que trabalhou nele seguiu a risca as minhas instruções, tanto de cores quanto a implementação do kanji de kitsune, a letra japonesa para raposa. Este detalhe remete ao meu nome artístico, eu possuo uma ligação digamos “espiritual” com a cultura nipônica, inclusive com uma tatuagem de raposa em forma de tribal no meu braço esquerdo. Quanto a grafia em si, o trema no “o” foi um “charme” inspirado em algumas bandas que usam isso e o duplo “x” é uma alusão a minha transexualidade e ao cromossomo feminino.


RtM: Falando um pouco das músicas, vamos iniciar com o single “Mankind”, que traz uma letra bem atual, além de capa criada para o single, excelente também, inclusive foi o que me chamou a atenção para conhecer mais do seu trabalho. Gostaria que comentasse mais a respeito dessa música e sua letra. 
FS: Eu escrevi a letra inspirada em eventos que embora não sejam assim tão novos, estão bastante em voga na atualidade brasileira: banalização do sexo e da violência, manipulação da verdade através de fake news, exploração da fé através do ódio e do medo, corrupção política a nível judiciário; enfim, toda esta merda nociva que a meu ver, corrompeu e inverteu valores éticos e sociais. A capa e todos os detalhes que idealizei para o single refletem bastante isso e ela era para ser mais explícita do que está, mas após ponderar um pouco eu optei por deixa-la mais “neutra”. Inclusive fui eu quem posou para o ilustrador, sou eu ali empunhando a bandeira LGBT+.

  
RtM: Seguindo essa linha, pois muito o conteúdo das letras em “Rebel Hearts” toca em assuntos bem importantes, que é uma certa involução na humanidade, com muitas manifestações de ódio e intolerância pelo mundo. Como você vê o papel dos músicos nessas questões? Ainda vejo algumas pessoas criticarem e dizem que não é papel de artistas se posicionarem em questões políticas e sociais. 
FS: Quando eu ouço esse tipo de “””argumentação””” na mesma hora me vêm a mente a imagem icônica do single Sanctuary do Iron Maiden, aquele com o Eddie e a Margaret Thatcher, fora várias outras bandas com letras e posicionamento político e social. Eu entendo que algumas pessoas optem por se acovardarem e se absterem sobre estas questões, mas definitivamente este NÃO é o meu caso. Meu falecido avô materno foi vereador em minha cidade natal, numa época em que não se ganhava salário para isso, se fazia por amor à pátria e vocação, ele ainda foi chefe de gabinete, assessor e secretário de um dos prefeitos.

  
RtM: Valores que são ensinados em casa, e que refletem no indivíduo, precisamos mesmo de mais educação e cultura, não mais armas e violência em formas diversas. 
FS: Sim, a honestidade e os valores familiares que me foram passados ajudaram a moldar o meu caráter e este, o meu ativismo. Fora que o simples fato de eu ter a muito tempo assumido publicamente a minha transexualidade, é um ato político, a minha própria existência é considerada por muitas pessoas uma afronta à sociedade religiosa e tradicional, principalmente para a direita conservadora e retrógrada. O que a meu ver é insanidade, pois eu sou assim desde criança (nasci em 78), não foi uma escolha, influência externa ou frescura pós-modernista como muita gente erroneamente acredita.

  
RtM: Ainda sobre essas questões, você, como trans, sentiu ou sente algum tipo de boicote ou discriminação de pessoas dentro ou fora do cenário Metal? 
FS: Boicote, desdém, exclusão, humilhação, injustiça, perseguição, transfobia e violência simbólica são apenas exemplos do que já passei e infelizmente passo, muitas vezes devido a falsa segurança que o anonimato e a distância da internet permite, as pessoas “se esquecem” que o mundo virtual também é regido por leis. Todavia é como eu canto em uma das músicas do álbum: eu ainda estou aqui, com cicatrizes emocionais, mas de pé e preparada para lutar. 

" A 'Mankind' foi inspirada em eventos que, embora não sejam assim tão novos, estão bastante em voga na atualidade brasileira."
RtM: Mesmo o cenário Metal tendo sido um tanto machista em determinadas épocas, acredito que a ideologia falou mais alto, e o público na grande maioria abraçou essas causas, pois não lembro de artistas como Rob Halford, que assumiu sua sexualidade, ou a Marcie Free terem sofrido discriminação no meio Metal. 
FS: Agora, sobre esta questão de artistas que assumiram publicamente sua orientação sexual ou identidade de gênero e a subsequente aceitação do público, acho importante ressaltar que o fizeram já com certa fama e renome, eu fiz o caminho inverso e paguei um preço alto por isso. Mesmo assim não me arrependo, pois eu fui em 1º lugar verdadeira comigo mesma e também com as pessoas que conviviam comigo, algumas entenderam, outras não. Aquelas que não entenderam ou mesmo entendendo se recusaram a me respeitar, eu me afastei, afinal, não preciso do stress causado pela toxidade delas. 


RtM: Continuando a respeito das músicas do álbum, nos fale um pouco mais da faixa título “Rebel Hearts”, que possui um refrão bem marcante e uma pegada que me lembrou o Viper da época do “Coma of Souls”. 
FS: A letra e a melodia de voz foram compostas em 2016, esta é uma das músicas que apesar de eu ter pensado na comunidade LGBT+ ao cria-la, ela serve também para pessoas que não fazem diretamente parte dela. Foi a minha escolha para título do álbum, não apenas pela levada mais direta dela, mas também por já ter em mente a capa (o lance do coração flutuando entre as minhas mãos e as 3 gotas de sangue pingando dele). Somado a isso tem ainda a introdução do álbum que antecede ela e onde se ouve o meu próprio batimento cardíaco, meu marido conseguiu emprestado um estetoscópio e o adaptou para conseguir captar o som em estúdio.

"Felizmente achei pessoas competentes e que toda esta questão pessoal minha, não as impediu de estarem musicalmente ao meu lado."
RtM: Outra que me chamou bastante atenção, e pelo que notei também é uma das que mais tem agradado o público, é “Emotional Rain”, que também possui uma letra bem forte e com bastante emoção. Nos conte um pouco mais sobre ela. 
FS: Esta é a única balada do álbum e a letra dela é motivacional. Quando a escrevi eu estava pensando no que eu sendo uma trans, gostaria de ter ouvido nos momentos difíceis. Em meados de 2.000 eu tentei o suicídio e só fui salva por conta de paramédicos terem sido chamados na madrugada e estes me entubarem. Então esta é uma composição muito íntima, muito pessoal. Até o momento, é a música do álbum que mais tem feito sucesso, o que pra mim é ótimo, pois eu gostaria que a mensagem dela chegasse ao maior número de pessoas possível.

  
RtM: E os planos agora após o lançamento? Como estão as novidades quanto a montar sua banda para shows e divulgar o trabalho ao vivo? 
FS: Sem querer eu acabei anteriormente meio que respondendo sobre isso! ha ha ha
Mas complementando: eu mal vejo a hora de voltar a ensaiar e estar de volta aos palcos, a energia do público é um grande estímulo para mim.

  
RtM: Föxx, obrigado pela atenção, parabéns pela sonhada estreia, há um ótimo conteúdo em “Rebel Hearts”, trazendo expectativa para o que virá a seguir. Fica o espaço para sua mensagem aos leitores. 
FS: Obrigada, eu é que agradeço o apoio. E aos leitores desta entrevista: ouçam o álbum no Spotify ou em algum serviço de streaming, se gostarem indiquem o mesmo para outras pessoas e se gostarem pra caralho, adquiram o CD físico! =^.^= \m/

Entrevista: Carlos Garcia

Canais Oficiais da Föxx Salema:

         


terça-feira, 18 de junho de 2019

Status Quo: Registro Acústico Empolgante e Espontâneo


Após mais de 50 anos de carreira, e sofrendo uma baixa como a de um dos fundadores, o guitarrista e vocalista Rick Parfitt, falecido no final de 2016, a lenda inglesa Status Quo decidiu seguir em frente realizando vários shows e registrando apresentações especiais em áudio e vídeo, dando a oportunidade de muitos fãs ainda poderem ver a banda. 

Um dos mais recentes lançamentos são “Down Down & Dignified” e “Down Down & Dirty”. Um gravado acústico, no Albert Hall em Londres, enquanto o set do festival Wacken na Alemanha, os encontra com todo gás e no show tradicional plugado, tendo à frente de cerca de 70.000 pessoas.


Vamos falar aqui de “Down Down & Dignified”, que saiu em DVD/Blu-Ray e também em CD duplo ou simples, capturando o show do Albert Hall em julho de 2017. Nos últimos anos, o Status Quo vinha já aperfeiçoando seu set acústico, e esta é uma apresentação muito bem arranjada e ensaiada. Iniciando com “And It's Better Now”, percebe-se de imediato a captura perfeita do som, em um álbum muito bem mixado. 

O show traz um algo de nostalgia às vezes, mas é cheio de energia e espontaneidade, e o grupo desfila seu rock & roll e rock clássico em canções de diversas fases de sua carreira. 

O guitarrista Rhino Edwards, na banda desde 85, consegue suprir com competência a ausência de Rick ao lado do único membro remanescente, Francis Rossi, mantendo aquela característica marcante do Quo, com os duetos vocais e de guitarra, aqui também contando com as harmonias fornecidas pelas cantoras de apoio, dando um brilho extra nos arranjos de voz.


O uso da orquestração, piano e acordeão também preenchem de forma exuberante o trabalho das cordas, que contam com quatro violões e um baixo. Os destaques incluem canções clássicas do Quo, como “Paper Plane”, “Hold You Back”, “Rock N Roll”, “Reason For Living”, e claro, a sempre esperada “Whatever You Want”, mas todo o set é de muita qualidade.

O álbum está disponível em edição simples com 21 faixas, lançado pelo selo paulista Shinigami Records. Um ótimo álbum, registro de uma noite fantástica no Albert Hall e é uma adição valiosa à qualquer fã ou colecionador da discografia dos ingleses. E claro, excelente diversão, com muita energia positiva e Rock & Roll!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Curtiu? Adquira o álbum na Shinigami

Site Oficial do Quo

Track-list:
1. And It’s Better Now
2. Break The Rules
3. Again And Again
4. Paper Plane
5. Rock ‘N’ Roll
6. Caroline
7. Hold You Back
8. That’s A Fact
9. Down Down
10. Pictures Of Matchstick Men
11. Rollin’ Home
12. Band Introductions
13. Don’t Drive My Car
14. Reason For Living
15. Claudie
16. Rain
17. Marguerita Time
18. Na Na Na
19. Whatever You Want
20. Rockin’ All Over The World
21. Burning Bridges