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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Na Mira da Navalha: Noturnall – Nascendo dos Destroços do Shaman?



 - A seção Na Mira da Navalha traz temas polêmicos relacionados ao mundo Metal, muitas vezes de forma ácida e, para pessoas mais sensíveis, até agressiva, mas sempre respeitando a integridade da pessoa humana, considerando que os nomes aqui citados são pessoas públicas e este site se propõe a "avaliar" o trabalho de bandas. O texto exprime a opinião exclusiva do autor. Reclamações/sugestões podem ser enviadas para contato@roadtometal.com - 

Confesso que fiquei bastante surpreso quando 4 dos 5 integrantes do Shaman (a banda toda, exceto Ricardo Confessori) anunciaram que o disco que estavam produzindo (e todo o “auê” de meses sobre o vídeo clipe gravado nos EUA) e que já havia sido divulgado como sendo da banda, sairia pela nova banda do grupo, Noturnall, contando com ninguém menos que Aquiles Priester (Hangar, ex-Angra) na bateria. 

Noturnall, com integrantes do Shaman (vivo ou morto?), mais Aquiles Priester

Passado o baque inicial, a verdade é que vejo sempre com bastante desconfiança uma mudança tão drástica. O Shaman, é sabido, nunca alcançou, após a drástica mudança na sua formação anos atrás, o lugar almejado, pelo contrário, se tornou até motivo de piada entre os fãs mais radicais do Angra e da primeira fase do Shaman.

Agora, quando a coisa parecia alinhada, e anos após lançar um bom disco ("Origins", de 2010), a bomba: sem Confessori, os mesmo integrantes vem com nova banda. Aí foi lançado o mega divulgado vídeo clipe “Nocturnal Human Side”, que trazia a sonoridade pesada da banda, muito auxiliada por Russel Allen (Symphony X, Adrenaline Mob), que além de cantar e participar do vlipe, também produziu o debut álbum que ainda não foi lançado.

Capa do debut, traz nome da banda, baseado no que viria a ser o 5º disco do Shaman

Mais recentemente, um novo vídeo clipe foi divulgado, desta vez para “No Turn At All”, que, ainda mais pesada que a anterior, tem mostrado um lado bastante pesado e agressivo, totalmente diferente do trabalho anterior com o Shaman. Aliás, ninguém parece querer falar sobre este nome, tanto é que nos próprios vídeos de apresentação a Noturnall, os músicos só falam “a outra banda” (mas já confirmaram músicas do Shaman e do Angra nas apresentações da jovem banda).

Tirando essa confusão toda que nenhuma pessoa mais atenta engoliu, a verdade é que com Noturnall, Thiago Bianchi (vocal), Leo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo) e Juninho Carelli (teclados) conseguiram chamar a atenção, ainda mais tendo a mega estrela Aquiles na bateria, que dispensa apresentações (de tem feito seus fãs voltarem as atenções a esta sua nova banda, mesmo aqueles que não ouviam Shaman).

Foto de divulgação do vídeo clipe, ainda como Shaman e com Confessori (bateria)

O ponto alto é o instrumental, bastante agressivo, com momentos bem simples, mas com bastante “anger”, muita velocidade e qualidade, que contrasta com os vocais agressivos de Bianchi. Pode até soar um comentário de má fé, mas o vocalista optou por uma mudança de 180º na voz, e em muitas partes não convence, soando demasiado exagerado e pouco natural, apesar do vocalista ter o reconhecimento que tem e a bela voz que apresentava desde o Karma.

Me pergunto: será que essa banda vai dar certo? E o Aquiles, vai seguir nela, ou apenas lançar o CD e seguir com suas atividades individuais e com o Hangar? E Bianchi, não estaria tentando ser aquele vocalista que não treinou ser a vida toda? E as melodias orgânicas de sua voz, não farão parte do Noturnall? E a mais importante: quantos anos levaremos para ver a banda como uma entidade única, e não apenas “a banda dos caras do Shaman”?

Este texto pode ter soado um tanto agressivo, ainda mais considerando que não se pode questionar ou “falar mal” de bandas nacionais. Entretanto, estou apenas levantando o questionamento comum a muitos headbangers que, da mesma forma que eu, desejam que a banda dê certo, mas não vê como isso pode acontecer. Que eu esteja enganado e tenhamos uma duradoura trajetória para Noturnall.

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Assista aos dois vídeo clipes oficiais e conheça o som da banda

Assista "No Turn at All" clicando aqui

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Na Mira da Navalha: Eloy Casagrande – O Músico Certo Para a Banda Errada

Sepultura muda de formação após cinco anos e dois discos

Na última semana duas notícias pegaram os fãs do Sepultura de surpresa: depois de cinco anos o baterista Jean Dolabella estava deixando o Sepultura, deixando um legado de dois trabalhos, o experimental “A-Lex” (2009) e o poderoso “Kairos” (2011), sendo que quem já teve a chance de ver esse músico ao vivo sabe o quanto ele é monstruoso, e trouxe sangue novo para a banda no momento que ela mais precisava, não era raro o show ter que ser interrompido porque o cara tinha rasgado a pele da caixa, por exemplo.

Essa notícia primeiramente tinha saído em off, não tendo um anúncio oficial da banda, o que gerou muita expectativa de quem poderia ser o substituto, pensamos que seria Amilcar Crhistófaro (Torture Squad), mas nos enganamos feio.


Jean mostrava ao vivo sua técnica e descia o braço tanto nos clássicos da banda quanto nas composições atuais

Na realidade, assim que ouvimos a noticia logo pensamos que era algum problema de saúde, pois o baterista já esteve afastado de alguns shows e sendo brilhantemente substituído por Amilcar, mas o músico logo soltou uma declaração alegando que saiu da banda numa boa e na realidade não apresenta nenhum problema de saúde, mas que quer se dedicar a novos projetos musicais.

Troca de músicos não é novidade para o Sepultura desde a saída dos irmãos Cavalera, sendo que o grande mentor da banda se tornou Andreas Kisser (guitarra) que, ao contrário do que muita gente acha, não é da primeira formação da banda e sim da época do “Schizophrenia” de1985.

Pois bem, coube a ele indicar o nome do novo baterista para a maior banda do Brasil, ai que está a questão: muita gente esperava o próprio Almicar, ou então Rodrigo Oliveira do Korzus ou ate mesmo Ricardo Confessori, já que o Angra esta na geladeira e Ricardo já teve experiência com o Thrash Metal, no caso o Korzus em 1993. Mas a surpresa foi geral quando anunciado Eloy Casagrande.

O que deixou todos surpresos, pois sabemos da capacidade deste garoto de apenas 20 anos, mas seria ele o mais indicado a ser novo dono das baquetas do Sepultura?

Eloy é um prodígio mundial: 20 anos apenas e é o novo baterista do Sepultura!

Que fique bem claro que não é nada contra o cara em si, pois o background de Eloy é impressionante, sendo que não é qualquer um que vence o “MODERN DRUMMER´S UNDISCOVERED DRUMMER CONTEST 2005” (é o maior festival para bateristas do mundo realizado em New Jersey – USA). O Eloy foi o primeiro adolescente sul-americano a vencer este festival competindo com bateristas de todo o mundo. Além de ter passagens marcantes pelo IAHWEH, Aclla e André Matos, tendo sido aluno de Aquiles Priester (Hangar, ex-Angra).

Só que nesse quesito que fica a maior dúvida, pois Eloy atualmente estava na banda bisonha Glória (que nunca foi e nunca será Metal Core), sendo que ele não esta familiarizado com a sonoridade do Sepultura, é claro que como músico vai ao longo do tempo se incorporando a banda, mas a questão final é: será que o mesmo foi eleito apenas por sua qualidade como baterista ou o fato de sair de uma banda adorada pela mídia adolescente vai trazer mais atenções para o Sepultura?


Eloy, criando história no Metal em bandas como André Matos e Accla, torna-se baterista do Glóriam e, agora, Sepultura!


Pois mesmo que indiretamente, o Sepultura sempre acaba se envolvendo em polêmicas que acabam trazendo os holofotes à banda, recentemente o Sepultura esteve envolvido em mais uma polêmica com os irmãos Cavalera, sobre questões de reunião da banda, sonoridades e toda a novela que já conhecemos...

E Eloy acabou se envolvendo em uma grande polêmica quando decidiu ingressar na banda Glória, onde gerou muitas discussões entre os headbangers Brasil a fora.

E mais uma polêmica é criada “O baterista do Gloria Elóy Casagrande é o novo baterista do Sepultura”. Mais polêmico que isto no meio Metal, ainda mais envolvendo a maior banda do Brasil? Com certeza muitos holofotes estarão sobre o Sepultura novamente.

Agora é esperar e conferir este garoto ao vivo. Vamos ver se realmente Andreas o chamou pelo seu talento, ou pelos novos “fãs” que a banda vai conquistar.


Texto: Harley e Renato Sanson

Revisão/Edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


Assista solo de Aloy Casagrande no Rock in Rio 2011 aqui.

sábado, 24 de setembro de 2011

Na Mira da Navalha: Angra - Será que a história vai se repetir?

Esta é a seção chamada Na Mira da Navalha, a cada postagem você irá conferir um texto que caminha entre o polêmico, o radical e o extremo, onde os redatores "chutarão o balde" ou colocarão "à prova" algum grupo ou assunto, buscando expressar sua opinião. A ideia não é impor verdades absolutas, mas demonstrar o que pensam os redatores sobre assuntos que são pautas nas conversas antes de shows, ou entre amigos num churrasco regado com muito Metal. E, claro, a galera pode comentar! Stay on the Road

Formação atual do Angra abalada: mudanças podem ser anunciadas após o Rock in Rio

Um músico que não é da formação original entrou para o Angra, a maior banda de metal melódico do Brasil sendo responsáveis por clássicos insuperáveis como “Rebirth” (2000) e “Temple Of Shadows” (2004) , sendo que o mesmo possuindo uma banda paralela se sente mais realizado na mesma e desabafa para uma grande mídia fazendo que sua saída não seja das mais agradáveis, deixando um clima de incerteza para os fãs. Pois bem, foi essa situação que aconteceu com o Aquiles Priester (Hangar) e, de acordo com os últimos dias, a situação aparentemente se repetirá, mas dessa vez esta acontecendo com o Edu Falaschi (vocal).

Em uma entrevista para a rádio UOl, no programa Heavy Nation, Eduardo deixou bem claro sua felicidade com o lançamento de “Motion” onde ele declara que é o melhor álbum que já gravou com uma banda, muito parecido com as declarações que o Aquiles deu para a Roadie Crew na época do lançamento do “The Reason of Your Conviction” (2007), com o Hangar.

Sempre alvo de críticas, Edu Falaschi participa de discos e projetos internacionais, e é um dos nomes mais lembrados do Brasil

"Depois do show no Rock in Rio se não voltarmos a ser uma banda de verdade, sinceramente eu não vou ter mais vontade de continuar nela. Cansei de fazer música por dinheiro!"

O fato é que desde o lançamento do “Temple of Shadows”, o Angra viveu um verdadeiro inferno astral, sendo que primeiramente foram os problemas do vocalista, que acabou prejudicando muito a voz, o que fez com que o mesmo muitas vezes cancelasse apresentações ou fizesse as mesmas abaixo da média. Após, foi o choque entre Aquiles com Rafael (Bittencourt, guitarrista) que trocaram farpas culminando na saída do monstro das baquetas. Para piorar a situação, vieram as brigas com empresários, a volta do Ricardo Confessori (que saiu da banda em 1999 junto com outros dois integrantes, montando o Shaman, banda que faz parte até hoje) e a expectativa pelo álbum novo que veio na forma do “Aqua” (2010) que, na minha opinião, é um álbum muito bom, mas nem todos concordam achando esse um álbum muito aquém do que o próprio Angra já criou.


Almah, o projeto paralelo que virou banda e, quem sabe, a única banda de Edu Falaschi

A fala do Edu deixa uma incógnita no ar: seria o Angra uma fábrica? Uma empresa que faz música só para faturar mais e mais? Dúvidas que pairam na cabeça dos fãs, pois Edu deixa bem claro que o Almah é a sua prioridade e aparentemente esse pensamento é compartilhado pelo Felipe Andreoli, baixista do Angra e do Almah.

O Angra ainda não se posicionou acerca dessas declarações, especialmente na véspera de um show importante para a história do grupo, que será a apresentação dia 25 de setembro no Palco Sunset do Rock in Rio (inclusive o Edu postou foto ao lado da convidada especial Tarja Turunen, ex-Nightwish).


Texto: Harley

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


Confira a entrevista citada no programa Heavy Nation aqui.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Na Mira da Navalha: A Morte do New Metal

Esta é a seção chamada Na Mira da Navalha. A cada postagem você irá conferir um texto que caminha entre o polêmico, o radical e o extremo, onde os redatores "chutarão o balde" ou colocarão "à prova" algum grupo ou assunto, buscando expressar sua opinião. A ideia não é impor verdades absolutas, mas demonstrar o que pensam os redatores sobre assuntos que são pautas nas conversas antes de shows, ou entre amigos num churrasco regado com muito Metal. E, claro, a galera pode comentar! Stay on the Road

Korn foi um dos pioneiros da cena

Década de 90, após ter resistido ao pavoroso grunge, aparentemente mais nada afetaria o Metal, certo? Errado! Um novo estilo vinha ganhando a mídia e sendo empurrado goela abaixo como a salvação do Metal: nascia uma mistura indigesta de guitarras mal tocadas, vocais chorosos e rap (muito rap) primeiramente conhecido como Metal Alternativo até receber o horrendo título de New Metal.

Pai da crianças?

Não existe consenso entre quem foi a primeira banda de New, poderíamos apontar desde Faith No More a Rage Against the Machine, entretanto sabe–se que o seu foco maior se iniciou no EUA e como uma praga foi afetando o mundo todo e, por incrível que pareç,a grandes bandas como Sepultura (repare na camiseta que o Max usa no clipe de “Roots”), Soulfly (primeiro CD é New puro), Slayer na época do Diabolus inMusica e Machine Head, entraram vindo nesse embalo.

Aparecera as pioneiras como Korn, Deftones, Coal Chamber, etc...

Papa Roach foi um dos grupos "queridinhos" de Ozzy Osbourne para o Ozzyfest

O estrago estava feito: a grande de mídia adota o estilo com força. A tradicional revista Kerrang! faz páginas e páginas vangloriando os novos astros do Rock como Jonathan Davis (vocalista do Korn). Mas o que me soa mais oportunista é o padrinho de peso Ozzy Osbourne que por antes atendia como Príncipe das Trevas, lota o seu Ozzyfest do maior número de “aberrações” possíveis como Mudvyne, Kittie e POD.

Nos anos 2000, o estilo chega ao seu auge com os oportunistas do Likin Park tocando na MTV de 2 a 2 minutos. Quem permaneceu fiel ao Metal verdadeiro é obrigado a ouvir besteiras como “o New Metal é a evolução da música pesada”, ou pior, ver seus ídolos de outrora se bandeando para o lados mais alternativos para ganhar destaque (Metallica e o tenebroso “St. Anger”).

Hora da virada

Entretanto a década de 2000 trouxe um novo revival para o Heavy Metal verdadeiro. O Iron Maiden agora com a volta de Bruce detonava no Rock in Rio; o Arch Enemy ao lado do In flames e Dark Tranquility começavam a formatar o Death Metal Melódico; Angra com seu “Rebirth” trazia novos ares para o Metal Melódico, assim como o Helloween e o Stratovarius; além do Black Metal incendiando tudo (literalmente) na Noruega...

Já as bandas de New iam chegando em seus segundos, terceiros, quartos trabalhos repetindo a mesma formula, criando aquela conhecida sensação de” já vi isso tudo antes” e cada vez mais perdendo atenção, muitas sumiram de vez (Amen , Papa Roach), outras foram moldando o seu estilo (Likin Park caindo para o pop, Korn para a música eletrônica) e algumas poucas conseguiram o que parecia impossível: aprenderam a tocar e fazer música interessante como o caso do Slipknot no seu “Subliminal Verses vol 3” ou Machine Head refazendo música pesada com seu "Blackening", ou até mesmo a salada de música feita pelo System o A Down.

Likin Park passou a deixar seu som a cada disco mais comercial

Legado final

O que mais irrita no New Metal é o seu rótulo em si, afinal virou modinha e qualquer coisa pseudo fabricada virava New como no caso do choroso Evanescense. Mas se fosse para dizer alguma coisa que esse estilo moribundo deixou de bom é o fato de que muitas crianças que aos seus 10 a 12 anos começaram a ouvir New Metal foram crescendo e conhecendo bandas extremas, então se para chegar em um Dimmu Borgir foi necessário passa por um Korn (ambas as bandas realizaram turnê conjunta), beleza! Só que atualmente é fato o New metal morreu! Apenas os rappers metal do Limp Bizkit, por exemplo, não se tocaram disso.


Texto: Harley

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


OBS: as opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor, não sendo, necessariamente, a posição dos demais membros da equipe Road to Metal. Vivemos numa democracia e as temáticas apresentadas nesta seção estão sempre em discussão pelo nosso público. Obrigado pela compreensão.

Confira a sonoridade e imagem de algumas bandas New Metal


Korn “Blind”

Coal Chamber “Loco”

Mudvayne “Happy?”

Il Ninõ “This is War”

domingo, 29 de maio de 2011

Na Mira da Navalha: Cradle of Filth – Toda a Beleza Se Foi...

Esta é uma das mais novas seções do Road to Metal. Chamada Na Mira da Navalha, a cada postagem você irá conferir um texto que caminha entre o polêmico, o radical e o extremo, onde os redatores "chutarão o balde" ou colocarão "à prova" algum grupo ou assunto, buscando expressar sua opinião. A ideia não é impor verdades absolutas, mas demonstrar o que pensam os redatores sobre assuntos que são pautas nas conversas antes de shows, ou entre amigos num churrasco regado com muito Metal. E, claro, a galera pode comentar! Stay on the Road


O inicio da década de 90 foi um período dourado (ou amaldiçoado, se preferir) para o Black Metal em geral. No Brasil, o estilo ganhava força, na Noruega o Inner Circle fazia o movimento pegar fogo (literalmente), enquanto a cena inglesa que estava um pouco apagada, revelava para o mundo o original Cradle of Filth.

A banda nos anos 90, ainda usando corpse paints clássicas e executando Black Metal

Formado em Subfolk no ano de 1992, o seu estilo musical era uma verdadeira revolução, sendo que até o rótulo Black Metal também é discutível, já que seus trabalhos apresentam elementos sinfônicos, industriais e até mesmo góticos.

Sua discografia nunca foi uniforme, sendo que a cada lançamento novas texturas e influências se apresentavam ao som da banda só que...

Podemos traçar uma linha de até onde a originalidade e principalmente a grandiosidade do CoF termina. Sendo que o álbum “Midian” (2000) fecha um ciclo de trabalhos realmente relevantes.

O que vem depois é uma sucessão de álbuns onde o experimentalismo, as melodias agridoces e os sons inexpressivos dominam. Exemplos não faltam como verdadeiras heresias para os fãs das antigas como “Damnation and a Day” (2003) e “Nymphetamine” (2004).

“Darkly Darkly Venus Aversa” de 2010 tenta resgatar a velha fórmula, mas a confiança dos fãs já estava quebrada, e para piorar tudo isso, as performances ao vivo ficavam abaixo do aceitável. Que um vocalista erre uma ou outra nota é aceitável, mas tentar em todas e errar em grande parte delas é, no mínimo, lamentável.

O que mais me frustra é que com essa nova proposta o Cradle of Filth veio conquistando novos fãs que de certo nunca ouviram faixas como “Funeral in Carpathia”, mas devem pensar que o Dani é algum parente do Marylin Mason.

Pessoalmente, acredito que o berço da imundice terminou. Não só os vocais e sim a fórmula perdeu a sua essência, sendo que qualquer CD de “volta às origens” irá soar falso e oportunista, pois se um dia o CoF foi Black Metal deveria seguir exemplo do Emperor e ter terminado no ápice da carreira e não ladeira abaixo.


Texto: Harley

Revisão: Eduardo “EddieHead” Cadore

Confira alguns vídeos clipes oficias da banda e tire suas conclusões

From the Cradle to Ensalaved

http://www.youtube.com/watch?v=ga-kd2Z0XtI&feature=related

Her Ghost in the Fog (do álbum Midian)

http://www.youtube.com/watch?v=49ZJqqrr6jk

Nymphetamine (do álbum homônimo)

http://www.youtube.com/watch?v=6dW6aNAZGTM

Mannequin (do álbum Damnation and a Day)

http://www.youtube.com/watch?v=oVhhEku6ECA&feature=relmfu

The Death of Love (do álbum Godspeed On The Devil's Thunder)

http://www.youtube.com/watch?v=K_aMnV1uaCY

The Foetus Of A New Day Kicking (do álbum Thornography)

http://www.youtube.com/watch?v=ujeQBGS70lA&playnext=1&list=PLB00DB97F1A1B8B9E

Forgive Me Father (I Have Sinned) (do álbum Darkly Darkly Venus Aversa)


Obs: o texto é de total responsabilidade do autor, não sendo, necessariamente, o ponto de vista de toda a equipe Road to Metal.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Na Mira da Navalha: Metallica - Volta às Origens ou Oportunismo?

Estamos estreando uma nova seção aqui no Road to Metal. Chamada Na Mira da Navalha, a cada postagem você irá conferir um texto que caminha entre o polêmico, o radical e o extremo, onde os redatores "chutarão o balde" ou colocarão "à prova" algum grupo ou assunto, buscando expressar sua opinião. A ideia não é impor verdades absolutas, mas demonstrar o que pensam os redatores sobre assuntos que são pautas nas conversas antes de shows, ou entre amigos num churrasco regado com muito Metal. E, claro, a galera pode comentar! Stay on the Road


A banda é um dos 4 grandes pilares do Thrash Metal mundial

Quem teve o prazer de ler a Roadie Crew (edição 147) desse mês deve ter percebido algumas alfinetadas que as bandas alemãs deram no big four americano, sendo que um dos principais alvos foi o Metallica (de acordo com a produção do show, os principais do evento, já que eram eles que fechavam a noites).

Pois bem, na mesma entrevista, o Mille Petrozza (guitarrista e vocalista do Kreator) dispara algo parecido com “Há algum tempo atrás eles tocavam com o Limp Bikzit e agora voltaram para o Thrash? Pois bem essa citação não saiu da minha cabeça ai decide trocar idéias com os leitores do Road: Até que ponto essa volta do Metallica é positiva?

Vamos aos fatos! Na minha opinião, “And Justice for All” foi o último grande álbum de Thrash propriamente dito do Metallica, mesmo esse já mostranado os caminhos pelo qual os caras iriam seguir (vide a faixa “One” e o seu vídeo clipe).

O que vem depois, são álbuns que possuem algumas boas músicas, mas nunca à altura do que representaria o nome Metallica.

"Triste" época da banda: capa e contracapa de "Load" (1997)

Os trabalhos seguintes foi uma “ladeira abaixo”. A saída do Jason Newsted (baixista da banda entre 1986-2001), a briga com a Naspter, os cortes de cabelo, as baladas, os beijos, as unhas pintadas, tanta coisa que ajudou os fãs a perderem a confiança construída em cima de muito peso e agressividade nos anos 80.

O golpe de misericórdia veio com o álbum “St. Anger” (2003). Confesso que esperei muito esse álbum e desafio alguém a apontar grandes qualidades do mesmo: faltam solos de guiatarra, bateria de tambor de lixo (lembrando bandinhas de shopping que infestavam a cena norte americana, como o Linkin Park e Korn).

Cadê a banda que, ao lado do Iron Maiden, me fez curtir metal???

Porém, no final da década de 90 uma nova onda do Thrash metal se iniciava, sendo que bandas como Hirax, Tankard, Sodom, Kreator continuavam na cena e o Metallica avisa que Rick Rubin iria voltar a trabalhar com eles

Em 2008 sai “Death Magnetic” que marcava esse retorno, sendo um álbum muito, mas muito bom, com faixas que realmente lembravam o Metallica antigo e ao vivo as mesmas não ficavam devendo nada para todo o material do “And Justice...” para trás.. basta ver o DVD no México para comprovar o que eu estou falando.

O boom do Thrash ganha ainda mais força, com o Slayer e o Megadeth lançando verdadeiro petardos, alem das brasileiras Violator e Torture Squad, fortalecendo seus nomes em turnês européias (a segunda foi o gran de destaque do Wacken Open Air em 2007) até que é anunciada a turnê com o Big Four.

Grande álbum lançado em 2008: inicio de uma volta às origens, ou oportunismo?

O Metallica, juntamente com Slayer, Megadeth e Anthrax realizaram uma turnê juntos pelo festival Sonisphere na Polônia, República Tcheca, Romênia, Bulagária e Turquia.

Os shows foram gravados e editados e, em seguida, foi ao ar em mais de 80

0 cinemas em todo o mundo no mesmo dia do festival. Esse show marcou a história do rock, e foi gravado em DVD/Blue-ray ao vivo, intitulado “The Big 4 – Live from Sofia, Bulgaria”. Muito hilário ver uma fila de bangers no cinema e tentando fazer rodas no mesmo.

Na sequencia mais e mais shows sendo que eles se tornam presença confirmada do rock in rio, e boatos de um novo álbum, só que ai voltamos para questão do início do texto como será esse trabalho afinal de contas eles são uma verdadeira lenda do metal mundial e será que depois do ótimo recomeço com o “Death Magnetic” eles vão derrapar para as baladinhas superficiais do “Load” (1997) e o New Metal sem graça do “St. Anger” dando total razão assim para o Mille do Kreator, ou, ao exemplo de seus companheiros de Big Four irão lançar álbuns tão poderosos como “End Game” (Megadeth) e “World Painted Blood” (Slayer).

Kerry King (Slayer), Dave Mustaine (Megadeth), Ian Scott (Anthrax) e James Hetfield (Metallica)

Ficamos no aguardo e na torcida e tomara que essas alfinetadas vindas da Alemanha criem uma disputa saudável entre as bandas para ver que lança o álbum mais fudido do Thrash, assim como foi uma vez a Bay Area.


Texto: Harley

Revisão: Eduardo "EddieHead" Cadore

Fotos: Divulgação


Obs: o conteúdo expresso nessa postagem é de total responsabilidade de seu autor, não sendo, necessariamente, a opinião do autor compartilhada por toda a equipe Road to Metal.