segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Diretamente da Suécia: Dr. Living Dead!




Poderíamos classificá-los, essencialmente, como uma paródia dos ideais Thrashers “vomitados” nos anos 80. Suas músicas em grande maioria contêm cerca de dois minutos ou um pouco mais, carregadas de riffs típicos do estilo, que facilmente caem no gosto dos apreciadores do bom e velho Thrash/Crossover. Talvez eles pequem um pouco por falta de originalidade, mas é o que ao mesmo tempo os mantém em uma zona segura, justamente por não tentarem nada eclético ou extravagante demais.


Após o lançamento de dois EPs (“Thrash After Death” - 2007 e “Thrashing the Law” – 2008), um CD autointitulado de 2011 e uma vinda ao Brasil em 2009, a banda sueca atacou novamente em 2012 com o novo material, “Radioactive Intervention”, pelo selo High Roller Records.

O “Radioactive Intervention” contem 12 faixas, e o disco tem apenas 38 minutos. Rápido e objetivo. 
Com destaque para as faixas “Mental Warzone” e “Hiding Inside Of Me”, repletas de riffs carregados e linhas vocais em que se percebe a clara influência de bandas como Slayer e Suicidal Tendencies.

O Dr. Living Dead mostrou-se mais maduro de lá pra cá com este último trabalho, tanto no conteúdo das letras quanto na nova roupagem que seus riffs ganharam, sem se descaracterizar. 

Esses suecos mostram ter um futuro promissor.  Vale a pena conferir.
Vamos aguardar por mais novidades!
 
Texto e edição: Ananda Luizä
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
 
Ficha Técnica
Banda: Dr. Living Dead
CD: Radioactive Intervention
Ano: 2012
País: Suécia
Tipo: Thrash/Crossover
Selo: High Roller Records

 
Formação
Dr. Ape (Vocal)
Dr. Toxic (Guitarra, backing vocal)
Dr. Rad (Baixo, backing vocal)
Dr. Dawn (Bateria)


Tracklist
1 – Radioactive Intervention
2 – You’re Lost
3 – Signs From The Other Side
4 – Meaning Of Life
5 – They Live
6 – Bearer Of Truth
7 – Suffering
8 – Mental Warzone
9 – Life Sucks
10 – Hiding Inside of Me
11 – Timeless
12 – Dead New World 

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Statik Majik: Uma Viagem Sem Volta ao Stoner Metal



Vindos do "Hell de Janeiro" onde muitos nomes do Metal extremo mundial nasceram, o Statik Majik não anda na contramão, pois faz um Stoner Metal muito agressivo e característico, demonstrando diversas influências em seu som, desde o Rock psicodélico dos anos 70 ao Metal extremo contemporâneo.

O trio formado por Luis Carlos (bateria/backing vocal), Thiago Dominogorgoth (baixo/vocal) e Artur Círio (guitarra/vocal), lançou no ano de 2010 seu 1° álbum, o poderoso "Stoned On Music", que é empolgante do começo ao fim, e com aquele "q" de malícia do Hard Rock e com uma certa obscuridade do Rock setentista.

Com uma produção que prima pelo peso, parece que o álbum veio direto dos anos 70, com uma gravação que deixa aquele clima de volta ao passado, mas tudo muito bem dosado e audível sem contar a parte gráfica do trabalho que apesar de simples, mostra todo o clima que a banda quer passar, mostrando na capa todas a referências da época.


E musicalmente o que a banda mostra é o melhor do Stoner Metal, com passagens horas rápidas, horas mais cadenciadas, com momentos mais cativantes e outros mais soturnos, mas tudo regado a muito peso e bom gosto, pois os músicos são donos de boa técnica e mostram muito feeling.

A trinca inicial com "Shadows of Hope", "Reality" e "Statik Majik" são como um murro no estomago, as faixas transitam entre a velocidade e momentos mais cadenciados, mas com uma empolgação que fará você perder o pescoço, seja nas partes mais "rockers" aos momentos mais Metal. Uma trinca dessas levanta qualquer defunto.


"Damned" que é uma das faixas de trabalho do álbum mostra o lado mais anos 60 do Rock/Blues, mas com muito peso e uma pegada alá Deep Purple, que transborda no clima sessentista que a faixa mostra.

Eu poderia ficar horas falando do disco, mas seria desnecessário, pois o melhor que você tem a fazer é correr atrás do seu e ouvir, pois não irá se arrepender, na verdade terá sim um sentimento de arrependimento, o de não ter ouvido a banda antes. Em outras palavras ALTAMENTE RECOMENDADO!

Ps: A banda está atualmente gravando seu novo álbum que tem previsão para sair ainda em 2013, agora é aguardar e torcer para que seja tão bom quanto seu álbum de estreia. 


Texto/edição: Renato Sanson
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Statik Majik
Álbum: Stoned On Music
Ano: 2010
País: Brasil
Tipo: Stoner Metal

Formação que gravou o álbum
Luis Carlos (bateria/backing vocal)
Thiago Dominogorgoth (baixo/vocal) 
Artur Círio (guitarra/vocal)




Tracklist
01 Shadows of Hope
02 Reality
03 Statik MAjik
04 Peccata Mundi 2 (Blessed Still)
05 Damned
06 Born on a New Day
07 I’m Not Your Puppet
08 The War Song
09 Stoned on Music

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sábado, 19 de janeiro de 2013

Nostoi: O Casamento do Rock & Roll com o Heavy Metal


Minas Gerais é um estado brasileiro que é reconhecidamente o berço de grandes nomes do Metal extremo, mas que, ao longo dos anos, tem mostrado que sabe criar bandas com outras influências, que caminham por outros campos, e é de lá essa grata revelação chamada Nostoi.

O que o quarteto formado por Nienna (vocal), Pedro Santos (guitarra), Leandro Lima (bateria) e Marco Nobrega (baixo) fizeram em “Railroad(s)” (2012), primeiro registro completo da Nostoi e que saiu de forma independente no fim do ano passado, é digno de nota e tem tudo para ser o marco inicial de uma banda com futuro promissor.



Isso porque a banda investe numa sonoridade que é quase uma união entre o Rock & Roll clássico, o Heavy Metal tradicional e o Hard Rock, o que deixa o álbum um verdadeiro prato cheio aos amantes dos estilos, ofertando variações entre as canções, sem aparentar uma salada mista.

A obra já impressiona pela arte da capa. São vários detalhes relacionados às letras das músicas, numa das capas mais bonitas de 2012 (você fica vários minutos analisando-a), méritos da banda e do artista Marcus Lorenzet. 

A produção, à cargo de Renato Kojima (que também participa tocando violão em “Slave Lady”), também dá um teor mais profissional ao som da banda, embora para os próximos lançamentos possa soar ainda melhor.

São 13 faixas, contando a introdução, que mostram uma banda com energia, tendo na vocalista Nienna uma voz diferente das que estamos habituado (inclusive a moça é graduada em canto pela Universidade Federal de Minas Gerais e já esteve em vários projetos na música pesada e erudita), já que a veia pulsante é mais Hard/Rock, seus vocais agudos, até com certo apelo no Pop Rock, casaram muito bem, embora mostre, aqui e ali, uma veia mais lírica, remetendo ao Metal Sinfônico, como na bela “Under the Light of The Olive Tree”.

O mais impressione são os riffs e solos. O guitarrista Pedro Santos fez um trabalho, no mínimo, digno de egente grande e, se ele não vier em futuros lançamentos com novas grandes composições, mercê uma repreensão, afinal, se já no álbum de estreia, criou/executou riffs sensacionais como em “R.A.W.R!!!”, faixa mais pesada e que a cozinha come valendo (Leandro Lima senta o braço na bateria), não espero nada menor que isso no futuro.

Músicas como “The Torment Within” (outro show do trio instrumental), “The Vulture” (com um dos refrões mais grudentos e lá estão mais outros grandes riffs), “Trademark Destruction”, verdadeiro hino de amor ao Metal (quem de nós nunca afirmou: “Heavy Metal não é uma moda passageira?”), citando bandas como Nightwish, Behemoth, Megadeth, afirmando: “todos são Heavy Metal no seu jeito”. Aliás, hino por hino, o Rock & Roll também recebeu sua parcela de homenagem, com a faixa “When I Met Rock’n Roll”. Correndo o risco de me estender demais, só destaco mais uma: “Human Flood” (ouça)!



Ao longo de “Railroad(s)”, a Nostoi contou com participações especiais, como os violinos de Erica Humber, as guitarras de Richard Squair e Henrique Guedes, além do já citado Kojima.

Nostoi pode ter certeza que possui um debut álbum de grande qualidade e, se ainda não está perfeito (e quem disse que precisa estar), a experiência e o reconhecimento adquirido com “Railroad(s)” tenderão a dar ao grupo mais habilidade e qualidade. Agora é divulgar estas faixas (que inclusive algumas já haviam sido gravadas anos atrás e passaram por regravações para o álbum), fazer bastante shows e mostrar que a música pesada pode soar legal mesmo sem revolucionar.


Revisão/edição: Renato Sanson
Fotos: Divulgação


Ficha Técnica
Banda: Nostoi
Álbum: Railroad(s)
Ano: 2012
País: Brasil
Tipo: Rock & Roll/Metal Tradicional/Hard Rock



Formação
Nienna Melo (Vocal)
Pedro Santos (Guitarra)
Marco Nóbrega (Baixo)
Leandro Lima (Bateria)






Tracklist
01 Von Berlin Nach Warszawa
02 The Girl, The Train, The Book
03 When I Met Rock'n'Roll
04 R.A.W.R!!!
05 Under The Light of the Olive Tree
06 The Torment Within
07 The Vulture
08 Trademark Destruction
09 Human Flood
10 Return
11 Slave Lady



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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

NervoChaos: Death Metal Até a Morte

Um dos maiores nomes do som pesado nacional chega ao 5º disco em 2012

Quando o NervoChaos anuncia um novo álbum, quem tem uma mínima noção histórica do Metal extremo brasileiro conhece a violência em forma de música que o grupo paulista oferece já há mais de 15 anos, e sabe que vem coisa boa e, por isso, entenda-se uma banda bastante pesada.

Com “To the Death” (2012), que saiu via Cogumelo Records, não foi diferente, embora a nova formação (saída do baixista e do vocalista) traga a banda agora como quarteto, aliada à experiência de várias turnês nacionais e internacionais , que favorecem uma evolução natural, fizeram com que a banda desenvolvesse mais riffs Thrash na sua sonoridade, mas sempre tendo o Death Metal característico como um dos mais brutais do país.

O talento do grupo paulistano rendeu 13 grandes canções do Metal extremo, mostrando mais uma vez porque é um dos nomes mais lembrados mundialmente quando o assunto é a quebradeira vinda do Brasil. 

Banda voltará à Europa em turnê conjunta com os também brasileiros Headhunter D.C. em abril/maio

Músicas como “Mark of the Beast”, que abre o disco absurdamente pesada, “Sheep Amongst Wolves” (uma das melhores do álbum), “Gospel of Judas” (com um grande riff) e “Smoking Mortal Remains”, uma das melhores do trabalho, fazem a estrutura da casa balançar, assim como não deixa pescoço parado.

O trabalho certeiro de Quinho (guitarra e vocais de apoio), Guiller (vocal e guitarra), Felipe (baixo) e Edu (bateria, único membro original) só pode ser equiparado ao bom trabalho de produção e edição, cuja gravação se deu no Rio de Janeiro em 2011, mixado e masterizado na Itália em 2012 por Alex Azzali, assim como a arte da capa desenvolvida pelo renomado Joe Petagno (Pink Floyd, Motörhead, dentre outros), mostrando a preocupação do grupo em oferecer um material de qualidade.

Banda está em processo de divulgação em shows de "To the Death"
“To the Death” não é apenas um amontoado de faixas deslocadas, e em várias delas temos grandes participações de figuras nacionais e internacionais, como Ralph Santolla (guitarrista que gravou com Iced Earth e Deicide, por exemplo, inclusive fez shows com o Death) em “The Exile”, bem como Cherry (vocalista da banda japonesa Hellsakura) em “Gospel of Judas” e um trio de peso nacional com Jão (Ratos de Porão), que toca guitarra em “Smoking Mortal Remains”, Antônio (Korzus) em “Mark of the Beast” e Zhema (guitarrista do Vulcano) em “Wolves Curse”, que fecha essa verdadeira pedrada sonora.

Embora este seja apenas seu 5º disco, Nervochaos não precisa mais provar a força que possui por ser uma das potencias do Metal extremo nacional e, se depender de discos como “To the Death”, temos certeza que a banda ainda nos ofertará muitos outros grandes trabalhos. Confira sem dó do seu pescoço!

Stay on the Road

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Assessoria: Metal Media

Ficha Técnica
Banda: Nervochaos
Álbum: To the Death
Ano: 2012 
País: Brasil
Tipo: Death Metal
Selo: Cogumelo Records


Formação
Guiller (Vocale  Guitarra)
Quinho (Guitarra e Vocais de Apoio)
Felipe Freitas (Baixo)
Edu Lane (Bateria)



Tracklist
01. Mark Of The Beast
02. Sheep Amongst Wolves
03. Your World´s Trend
04. Gospel Of Judas
05. The Exile
06. To The Death
07. Hate
08. Smoking Mortal Remains
09. Mind Under Siege
10. Delusions And Lies
11. Destroyer Of Worlds
12. Warlords Unbound
13. Wolves Curse

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Site Oficial
Myspace

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Entrevista: Project46 – Agressividade Sonora a Serviço da União Underground




“Você só fala, incapaz de agir!”. É isso que diz uma das letras da banda paulista Project46, porém os guris da banda, na verdade, agem e muito, com letras ácidas e postura anti- comodismo. Podemos dizer que o Project46 é um grande destaque das bandas da nova geração.

Mas engana-se quem pensa que a estrada foi curta. Iniciando como um cover de Slipknot, o que serviu de base para uma sonoridade bem mais pesada e com muita raiva. Atualmente a banda é composta por Caio MacBeserra (vocal), Jean Patton e Vinicius Castelallari (guitarras), Rafael Yamada (baixo e vocal) e Henrique Pucci (bateria). Com um trabalho (“Doa a Quem Doer”) que arrancou elogios e uma turnê internacional marcada, o Road tem o prazer de trocar ideia com essa revelação, nas pessoas de Henrique e Rafael. Então, está pronto para acordar para vida?

Road to Metal: Hail Project46! Primeiramente, obrigado pelo tempo para responder nossa entrevista.  A primeira pergunta não poderia ser outra: como foi a transição de banda cover do Slipknot (muito boa por sinal, com direito a máscaras e tudo) para um trabalho autoral?

Rafael Yamada: Opa, eu que tenho que agradecer pelo interesse e pelo espaço. A transição não foi proposital e foi bem lenta, na verdade não sei se foi bem uma transição, pois nos juntamos pra compor algum tempo depois do termino do Kroach. Como somos todos amigos de infância, fora o Henrique, que entrou depois, foi bem natural essa aproximação.

"É isso que sabemos fazer, metal pesado soco na cara, dois pés no peito, curto e grosso, e em português"

RtM: Conheci a banda através do clipe no Youtube de “Tomorrow”  e ai veio “If You Want Your Survival Sign Wake Up Tomorrow”. Só que o trabalho posterior, “Doa A Quem Doer”, veio em Português. Essa mudança foi mais para a banda ser reconhecida no underground nacional? E existe chance de novas composições em inglês?

Rafael Yamada: Não, na verdade quando gravamos o nosso EP, ainda sonhávamos em ser “a banda”, viajar o mundo todo, ser “famoso” e achávamos que tinha que ser em inglês pra entrar no mercado. Mas depois de realmente tomar na cara, ouvir muitos conselhos de pessoas que realmente conheciam a cena e alguma estrada, percebemos que hoje em dia não é isso que queremos. O reconhecimento vem com o tempo e com merecimento, se não for assim, fazendo o que você realmente acredita e sabe fazer não vai valer a pena. É isso que sabemos fazer, metal pesado soco na cara, dois pés no peito, curto e grosso, e em português.

Álbum cantado em português colocou a banda em evidência nacional e internacionalmente
RtM: Uma composição em Português tem toda uma preocupação com a estética da música, do refrão, essa coisa toda. Como a banda divide as composições? Vocês buscaram inspiração nas bandas de Metal do Brasil no seu primórdio que cantavam em língua pátria?

Rafael Yamada: Respondendo a primeira pergunta, quando se canta na sua língua nativa, a letra se torna um novo instrumento para a banda. Em inglês cantamos “in the night I’m alrigth” e dependendo do instrumental isso soa pesado. Todos da banda tem liberdade de criar qualquer coisa, diversas vezes o Caio sugere uma levada pro Henrique, e por aí vai. Em relação às bandas, sempre levamos em consideração nossos “antepassados” e suas obras primas.



RtM: Focando um pouco “Doa A Quem Doer”, quanto por cento dele já estava pronto nos primórdios da banda? E qual música foi aquela que deu mais trabalho para ficar pronta?

Rafael Yamada: Quando a banda foi formada, fizemos quatro sons em quatro ensaios, e gravamos nosso EP, as outras foram saindo do forno aos poucos. A música que mais deu trabalho foi “Impunidade” [Nota do editor: confira a música ao vivo acima], pois ela tem muitas mudanças de andamento e uma palhetada bem treze.

RtM: Conte-nos qual o segredo da sonoridade do Project46? É difícil definir a sonoridade, pois tem Death, Metalcore, Thrash, Hardcore, Deathcore e muitos outros elementos. Como a produção do Adair Daufembach foi responsável por esse resultado?

Rafael Yamada: O Project46 é um metal/hardcore moderno, eu diria (risos). Hoje em dia é muito difícil definir um estilo ou outro, já que tem tantas ramificações e tanta mistura de metal com outros estilos. O segredo é não se prender, não tentar seguir tendências e simplesmente tocar o que você sente. O Adair é um gênio do metal, manja muito de música e sabe pegar a energia da banda e botar no disco.

RtM:  A parceria com o vocalista do Ponto Nulo no Céu ficou muito interessante. Conte-nos como rolou o convite e se vocês já reproduziram ao vivo, afinal de contas o PNNC tem um estilo diferente do Project46.

Rafael Yamada: Conhecemos o Adair por intermédio do PNNC, e foi uma das bandas que mais nos influenciaram a fazer o som em português. Tocamos junto com o PNNC no primeiro show deles aqui em sampa, e desde lá somos grandes amigos, passamos a virada de 2011 juntos e sempre que eles tão por perto nos trombamos. Já reproduzimos essa parceria ao vivo algumas vezes e sempre fica muito bom, e em relação aos estilos de som, hoje em dia não tem mais isso de separar os estilos, aqui é tudo #uniaounderground!

"O importante é que nós, como cidadãos, vimos na banda a oportunidade de gritar algo que a sociedade reclama ou sofre"

RtM: Lendo algumas resenhas do álbum, muitas vezes era citado o Project46 como uma banda de Metalcore, eu acho isso muito limitado para a sonoridade de vocês. Afinal de contas qual o estilo do Project46 e quais são as influencias da banda em si?

Rafael Yamada: Eu acho o Project46 um metal/hardcore moderno, mas não nos rotulamos de nenhum estilo simplesmente pra não limitar a banda. As nossas maiores influencias são: Sepultura, Lamb Of God, Slipknot, As I Lay Dying, Chimaira, Whitechapel, Pantera, Slayer, Despised Icon, entre outros... 

Henrique Pucci: Preferimos o termo metal/hardcore, incorporamos diversas influências, muitas delas estão a nossa volta, aqui no Brasil, como rap e ritmos brasileiros, e as bandas da cena brasileira.

RtM: Quem canta em português realmente tem que ter uma mensagem forte. De onde vem a inspiração para letras tão ácidas, como em “Impunidade” e “Acorda Pra Vida”?

Rafael Yamada: As letras são “vomitadas” pelos membros da banda, cada um indignado com algo, escreve uma letra: “Acorda Pra Vida” foi escrita pelo Vini Castellari e “Impunidade” pelo Caio MacBeserra. O importante é que nós, como cidadãos, vimos na banda a oportunidade de gritar algo que a sociedade reclama ou sofre, acho que vem mais dessa parte.

RtM: Agora comentando o momento atual, a banda se encontra trabalhando no sucessor de “Doa A Quem Doer”. Que detalhes já podem ser adiantados para o público? E existe alguma pressão entre vocês para que esse trabalho supere o antecessor?

Rafael Yamada: O que podemos adiantar para vocês é que esse disco vai ser mais extremo que o outro, muito mais violento e mais pesado. Vamos chutar boas bundas gordas com ele e “taca o foda-se nessa porra”.

Henrique Pucci: Estamos pensando em usar todo material de vídeo e áudio para um DVD para acompanhar a próxima prensagem de “Doa A Quem Doer”, que se esgotou, e compondo riffs e explorando ideias para o próximo CD, que com certeza acrescentará ao seu antecessor.

Banda foi recebida calorosamente pelo público Chileno. Foto no festival Maquinaria

RtM: Recentemente foi anunciada uma turnê no Chile. Gostaria que vocês comentassem um pouco como rolou esse convite, como foram os shows e quais são os próximos passos do Project46 relacionados a turnê e o sul está na rota?

Rafael Yamada: A tour no Chile foi sensacional, fizemos nossa primeira tour internacional e com certeza ela superou todas as nossas expectativas. O povo chileno é muito receptivo, nos trataram muito bem e nos sentimos em casa. O Maquinaria é um mega evento e tivemos o imenso prazer de tocar junto com os nossos maiores ídolos. Estamos agora trabalhando para uma possível tour no Equador em 2013 e Europa em 2014.

Henrique Pucci: Tivemos uma visita de nosso amigo do Chile, Francisco Reinoso, que trabalha na revista conceituada de rock no Chile, a Rockaxis e na Radio Sonar, que gostou muito do trabalho a ponto de falar com o produtor do Maquinaria, e fez questão de nos receber em seu programa Rockaxis TV, além de nos pôr em contato com a banda Sacramento, que marcou os outros três shows. A recepção dada a nós pelo público do Chile foi surreal, as pessoas não paravam de chegar para frente do palco no Maquinaria à medida que ouviam o metal comendo solto. O mais incrível e me fez sentir uma sensação de patriotismo, foi ouvir os chilenos cantando nossas letras em português, foi emocionante, do começo ao fim, e os outros shows, todos lotados, com bandas boas, em clubes muito bons. Esperamos voltar em breve ao Chile.

RtM: Obrigado Project46 pela entrevista. Deixamos aqui um espaço livre para mensagem para os leitores do Road to Metal e, caso queiram, para os chefões da rede globo, (risos) [Nota do editor: O Project46 teve uma música boicotada na emissora, coisas que só acontecem numa mídia como esta “Global”].

Rafael Yamada: Não adianta chorar o leite derramado, e mesmo porque ninguém derruba um pilar que é fruto de tanto trabalho pesado. Quem conhece a gente, sabe o quanto trabalhamos e investimos no nosso Project46, e o resultado desse trabalho que nos faz continuar acreditando no metal barsileiro. Não precisamos voltar muito no tempo pra ver que as coisas estão mudando, há dez anos atrás ninguém mais acreditava em uma banda brasileira desbancando as gringas, em picos lotados pra ver as novas bandas, não se via esse exército de gente com camiseta de banda nacional. E isso não é porque não tinha banda boa na cena, sempre tem banda boa, são as pessoas que estão mudando, e as pessoas que mudam a história. Não é o Project46, o Jonh Wayne, Ponto Nulo No Céu, A Última Theoria, Savant Inc e todas as outras bandas que vão mudar a história do metal brasileiro, são as pessoas que agora estão vendo que são elas que tem esse poder, e elas irão fazer muito barulho em 2013.




Henrique Pucci: Obrigado por ler nossa entrevista, a informação é uma arma, quando agregada a música mais forte ainda, precisamos de uma união de todos evolvidos com a música pesada, a concorrência não serve muito na música, junto somos fortes, unidos somos imbatíveis!!! Vamos mostrar ao mundo o que o Brasil tem a oferecer. Obrigado.

A HORA É AGORA, AS PESSOAS COMPRAM UM DISCO INDEPENDENTE, COMPRA A CAMISETA DA BANDA, VAI NOS SHOWS E CANTA TODAS AS MÚSICAS. TODOS NÓS JUNTOS, AS BANDAS E O PUBLICO, VAMOS MUDAR TUDO.  

Entrevista: Luiz Harley
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação/Island Press Assessoria/Igor Lavrador (ao vivo, durante o II Laguna Metal Fest, Santa Catarina)
Assessoria: Island Press

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Jorn: Novas Perspectivas em Projeto Sinfônico


O vocalista norueguês tido hoje como um dos melhores do gênero, provavelmente também é um dos que mais trabalha! Além de seus trabalhos próprios, sempre está envolvido em outros projetos, seja como artista principal, membro de outras bandas (Masterplan) ou como convidado, nos últimos 3 anos, por exemplo, esteve presente aí em mais de uma dúzia de trabalhos, entre esses seu álbum de covers "Dio", seu mais recente álbum de estúdio "Bring Heavy Rock to the Land", além de lançamentos com o Masterplan, Avantasia, Pushkings, Amanda Somerville e Allen/Lande!


"Symphonic" é uma ideia que o vocalista vinha cultivando e agora ganha vida. As músicas foram cuidadosamente selecionadas pelo próprio, que imaginava como essas canções soariam com arranjos orquestrais. Uma das coisas que tinha em mente, era que o álbum não fosse um simples "Best Of", trazendo canções diferentes das usuais dos shows e das mais lembradas, como faixas títulos e dos clipes oficiais. O álbum é composto por 14 músicas, sendo que a única inédita é a versão de "Rock and Roll Children" do Dio.

Os arranjos clássicos foram adicionados a já existentes versões de estúdio, e algumas foram remixadas para melhor se encaixarem com os novos arranjos. Este, para mim, é um ponto que poderia ter sido melhor estudado, pois a simples reutilização das versões já existentes, deixou aquela impressão que os arranjos clássicos soam deslocados muitas vezes, mas mesmo assim, ainda é um álbum interessante por essa questão de ter músicas que usualmente não são tocadas nos shows de Jorn (lembrando que o "S&M" do Metallica, mesmo com as músicas sendo executadas ao vivo com a orquestra e músicas re-arranjadas, as partes clássicas soam deslocadas, e é um álbum que nunca me agradou, e pouco consegui ouvir, e pior, ainda colocavam como algo "pioneiro", sendo que muitas bandas já tinham feito a mescla de Metal/Clássico e com resultados muito melhores. Para o público que não é verdadeiramente ligado no Metal, serviu essa jogada, pois sabemos que o Metallica, assim como algumas outras bandas que alcançaram o mainstream, possuem um público mais variado).


Jorn explica que escolheu canções que considera muito boas, mas que de certa forma ficaram esquecidas e mereciam uma segunda chance.

A faixa de abertura, "I Came to Rock", é uma de suas favoritas de todos os tempos, e segundo Jorn, os arranjos clássicos funcionaram muito bem nela. Destaca ainda que o refrão soa como um musical, típico da Brodway, algo diferente do usual de uma banda de Heavy Metal.


Outra que o vocalista faz questão de mencionar é a melancólica "Behind the Clown", e diz: "Esta é apenas uma das músicas que fazem você questionar se o artista realmente representa o Heavy Rock ou Metal de coração, ou se a música é apenas uma tentativa experimental de escrever algo diferente. Eu acho que todos nós temos alguns esqueletos no armário ...

Quando eu cresci não havia tal coisa como Heavy Metal, e bandas com guitarras distorcidas e pesadas ​​não eram comuns no cenário musical. A maioria dos artistas que descobrimos veio através do rádio convencional comercial, ou somente se você fosse sortudo, tivesse uma loja de discos perto, importando material internacional e vinis de rock.

Quando garoto eu era fascinado pela única e maravilhosa  Kate Bush, e quando você sabe disso, é mais fácil compreender por que uma canção como "Behind The Clown" foi escrita."


O álbum sairá pela Frontiers, e alguns samples disponíveis, além do primeiro single, mostram um trabalho bem interessante, e, claro, em minha opinião, como falei anteriormente, seria melhor se fosse tudo regravado e re-arranjado, quem sabe ao vivo, com uma orquestra, e então lançado como um DVD do show, mas lógico que seria um trabalho bem mais complicado e caro de se fazer, um investimento bem maior. Mas, quem sabe se o álbum for um sucesso relativamente bom, agradar os fãs, motive os envolvidos a apresentar o álbum ao vivo, com posterior lançamento em vídeo. Não seria muito mais interessante?

Texto e edição: Carlos Garcia

Data Lançamento: 22/01 EUA  - 25/01 Europa
Frontiers Records

Ouça algumas das faixas AQUI , bem ao final da página.

Set List

1.- I Came To Rock
2.- Rock And Roll Children
3.- The World I See
4.- Burn Your Flame
5.- Man Of The Dark
6.- My Road
7.- Time To Be King
8.- Black Morning
9.- Like Stone In Water
10.- Vision Eyes
11.- War Of The World
12.- Behind The Clown
13.- A Thousand Cuts
14.- The Mob Rules