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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Stoned Jesus – 25/10/2025 – Jai Club/SP

Stoned Jesus celebra 15 anos de banda com show impecável em São Paulo

Evento, que contou com abertura dos brasileiros do Pesta, fez parte da turnê latino-americana e marcou o retorno da banda ucraniana à capital paulista após oito anos

Oito anos se passaram desde a última vinda do Stoned Jesus, banda ucraniana de Stoner Metal e Doom Metal, ao Brasil. Desta vez, a apresentação em São Paulo, realizada no último dia 25 de outubro na Jai Club, localizada na Zona Sul, fez parte da “Latin American Tour 2025”, turnê que celebra os 15 anos de banda e, ao mesmo tempo, divulga o mais recente álbum do trio, “Songs to Sun”, lançado em 19 de setembro deste ano. A apresentação contou com a abertura da banda belo-horizontina Pesta e foi produzida pela Solid Music Entertainment e a Caveira Velha Produções.

A turnê em questão abrangeu, além de São Paulo, outras cinco cidades brasileiras: Rio de Janeiro (21), Porto Alegre (22), Florianópolis (23), Curitiba (24) e Belo Horizonte (26). A extensão se deu com Buenos Aires, na Argentina (28), Santiago, no Chile (29), e Cidade do México, no México (31). São Paulo, que foi a quinta da turnê, contou com uma Jai Club cheia desde a banda de abertura e que, no show principal, lotou a pista praticamente por um todo, deixando pouquíssimos espaços de circulação.

O Pesta, também em ritmo de divulgação de lançamento recente, o álbum “The Craft of Pain” (outubro de 2025), fez uma apresentação impactante, com quatro faixas consolidadas de seu repertório geral e duas do disco novo, sendo uma delas a estreante ao vivo. O quarteto foi amplamente elogiado pelo público, que viu um show impactante e muito bem executado pelos músicos por um todo.

Já o Stoned Jesus, que desta vez veio como atração principal, fez uma terceira passagem pela capital paulista digna de headliner, com um repertório de 11 músicas com todas as fases dos 15 anos de carreira da banda. Yurii Kononov, baterista que entrou no lugar de Dmitry Zinchenko em 2024, foi a novidade e teve impacto positivo ao vivo, dominando as faixas tanto nos ritmos mais lentos quanto nos mais intensos, parecendo um baterista de Heavy Metal e de Jazz ao mesmo tempo e em momentos distintos por conta da forma que toca no palco. Da mesma forma, o peso do baixo de Andrew, que também entrou para o Stoned Jesus em 2024, no lugar de Sid, foi notável em diversas faixas e ambientações 

Por último e não menos importante, o frontman Igor Sidorenko foi impecável em todos os momentos e funções possíveis: do vocal aos riffs e solos de guitarra, dos alertas engraçados para ajustes instrumentais às interações com os fãs na pista. Foi por conta dele que a galera ecoou coros líricos e das letras das músicas e, no melhor dos momentos, gerou um mosh pit no meio de uma Jai Club lotada, garantindo a diversão ainda maior de boa parte dos que participaram da roda. O susto que tomou na última música, “Electric Mistress”, ou certas exigências de som, iluminação e do pedido contra fumaças em geral, de nada mudou seu comportamento no palco, que garantiu, junto com os demais, uma noite memorável na capital paulista.


Pesta

A banda mineira de Stoner Metal e Doom Metal Pesta fez seu retorno a São Paulo após sete meses, quando abriram para o Pentagram junto com o Weedevil. O grupo, que se apresentou em quarteto, teve como fator novo o lançamento do terceiro álbum de estúdio, “The Craft of Pain” (2025), contando com duas das faixas - uma delas tocada ao vivo pela primeira vez - entre as seis tocadas na noite. 

Thiago Cruz (vocal), Marcos Resende (guitarra), Anderson Vaca (baixo) e Flávio Freitas (bateria) começaram pontualmente e, com uma Jai bem ocupada, começaram o show com “Moloch’s Children”, do álbum “Faith Bathed in Blood” (2019), e a estreia de “Mirror Maze”, do novo álbum - e que conta com participação do guitarrista Scott "Wino" Weinrich na versão de estúdio -, ao vivo. Enquanto a primeira teve um ritmo mais lento e sombrio, a segunda puxou um Stoned Metal mais agitado.

“Black Death”, do disco de estreia “Bring Out Your Dead” (2016), veio na sequência e agitou o público, seja pelo início marcado pela sequência de repetições do riff com três fortes batidas da bateria (que aumentaram na terceira vez), seja pelo ritmo envolvente no restante da faixa, com Thiago Cruz focando em um bom vocal lírico ao longo da faixa. A dobradinha do primeiro álbum se formou com “Words of a madman”, marcado por um bom refrão e a cadência suave e impactante dos músicos que foi o suficiente para puxar não só a atenção do público, como os primeiros balanços de cabeça da noite. 

O show prosseguiu após um pequeno discurso de agradecimento de Thiago, que reforçou o prazer que ele e a banda têm ao tocar em São Paulo. “Shadows of a Desire”, single do álbum mais recente do Pesta, veio com a mesma pegada sombria da sonoridade, com ritmo calmo ao longo da faixa e com uma aceleração de ritmo nos minutos finais, contando com bom solo de Marcos Resende. 

O guitarrista do Pesta também trouxe ótimas distorções da guitarra após o riff da última faixa da noite, “Witches’ Sabbath”, assim como outro bom solo dentro da faixa que apresentou um exemplo primordial da inspiração vocal e sonora em bandas de Doom Metal dos anos 1970 e 80. Foi com o poderio desta música, na reta final, que uma espécie de Jam aconteceu para finalizar o show e sacramentar uma abertura que trouxe os sinceros aplausos de um público que, seja pela primeira vez ou além da segunda, apreciou e se impactou positivamente com um grande nome do Doom  e do Stoner Metal nacional atual.

Stoned Jesus

A rápida configuração dos instrumentos do trio ucraniano deu a eles um tempo maior para a passagem de som no palco. Isso se deu principalmente pela adaptação que, aparentemente, foi feita no kit de bateria de Flávio Freitas, trazendo algumas adições de pratos que se adaptassem à sonoridade do Stoned Jesus.

Cada acorde testado era comemorado por um fã diferente na pista da Jai Club que, cada vez mais cheia, tinha poucos espaços de circulação que não fossem no corredor que direcionava aos banheiros. Fãs arriscaram alguma interação com a banda, com gritos esporádicos de “Jesus Chapado” ou elogios com palavrões (“f*da pra c*ralho!”, “Do c*ralho” e afins) aos testes da banda. A situação resultou em uma resposta mais que engraçada do vocalista Igor Sidorenko, que respondeu um deles: “Don't use that kind of language, or i’m gona ‘kick your c*zinho’” - “Não use esse tipo de linguagem, ou eu vou chutar o seu c*zinho”, em tradução livre.

Os testes seguiram até 20h30, contando até mesmo com trechos de músicas da banda mais extensos. Às 20h32, o show começou de fato, com os acordes calmos e simples de “Bright Like the Morning”, faixa do disco “Seven Thunders Roar”, que abriu o setlist de 11 faixas da turnê. Junto a Igor Sidorenko (vocal, guitarra), também estavam Andrew Rodin (vocal, baixo) e Yurii Kononov (bateria), que começaram a tocar aos poucos dentro da faixa e, numa questão de 2 minutos, entrelaçaram com o vocalista e guitarrista o ritmo introdutório da faixa, após pedidos de aumento do volume do microfone. E quando a música em questão foi para seu ritmo mais intenso, o público acompanhou fortemente com coros que ecoaram principalmente nos refrões da faixa.

O tom brincalhão de Igor reapareceu na música seguinte, "Porcelain”, que começou sob linhas de baixo de Andrew. No caso, um fã mais exaltado da parte da frente comemorou por mais tempo que os demais e o frontman do Stoned Jesus fingiu uma irritação e gesticulou tanto para que ele ficasse quieto, quanto apontando para o companheiro de banda para que o fã escutasse os acordes que ecoaram a Jai Club. A graça, claro, se converteu em risos rápidos das pessoas na pista, que francamente admiraram a progressão instrumental do trio. Yurii Kononov, como em diversos outros momentos do show, mostrou calma e precisão em suas linhas, principalmente com os pratos, o que ajudava no ambiente misterioso da primeira parte da música. Da mesma forma, nos momentos mais intensos, soube dosar pratos e caixas de forma primorosa.

“Shadowland” foi a primeira das duas faixas do mais recente álbum do Stoned Jesus, “Songs to Sun”, a tocar no setlist. Parte dos presentes na Jai Club começaram a balançar as cabeças desde o início da faixa e se envolveram no misto envolvente entre os riffs de Igor e o ritmo de Yurii, ora acompanhando a guitarra, ora com viradas poderosas e porradas nos pratos para a faixa. 

Em seguida, “Thessalia”, única faixa do álbum “Pilgrims” (2018), veio em seguida com uma proposta semelhante de início calmo, baseado na condução de Yurii e Andrew, porém rapidamente transitado para um ritmo mais agitado após o grito de “São Paulo, are You ready?”, ao estilo Korn, puxado por Igor e incrementado com a guitarra potente. Foi o suficiente para tirar alguns fãs do chão, que arriscaram pulos no mínimo espaço que tinham, assim como fez com que outros voltassem a balançar a cabeça com intensidade ao longo da faixa. Já “Thoughts and Prayers” veio na sequência, antecedida de um discurso de Igor em relação à guerra entre a Ucrânia, país de origem do trio, e a Rússia, e sobre como buscam arrecadações para os afetados no país do Leste Europeu. A faixa, referente ao álbum de 2023 “Father Light”, é justamente um clamor por esperança e resolução, ao mesmo tempo que uma crítica ao contexto de guerra, com ritmo que tem uma pequena pegada Blues Rock sem comprometer com a base Stoner e Doom da banda e que, na Jai Club, contou com coros líricos do público em determinados momentos e um ótimo solo por parte do guitarrista e vocalista do Stoned Jesus.

Igor também fez alguns alertas sobre a fumaça na Jai, por conta de possíveis pessoas que estavam fumando no local e quanto a como aquilo poderia prejudicá-lo. O pedido foi atendido e, aparentemente, foi um ponto que ajudou o vocalista e guitarrista a ficar mais à vontade durante o restante da apresentação, que prosseguiu com “Silkworm Confessions”, do álbum “The Harvest” (2015), numa das performances mais enérgicas da noite, encabeçada por um riff e ritmos potentes ao longo da faixa, mudanças de ritmo periódicas e uma tonalidade vocal “à la Ozzy” de Igor, que também colocou um chapéu de um fã pela primeira vez na noite. Ele também protagonizou uma regência lírica com as vozes do público, assim como teve, perto da reta final da música, um solo rápido e bem “palhetado” durante sua execução.

“Black Woods” foi amplamente comemorada após as primeiras notas tocadas por Igor Sidorenko. O músico chegou a tirar seus óculos - e não os colocou mais - para a faixa em questão. Quando o instrumental completo veio, múltiplas cabeças balançaram por toda a pista da Jai Club por todos os minutos do riff inicial e além dele. O líder do Stoned Jesus fez um solo poderoso no meio da faixa e conduziu muito bem a faixa, que só mudou de ambientação e ritmo nos três minutos finais, contando com os gritos de hey do público a pedido de Igor e, no final, com o poderio do pedal duplo e dos pratos de Yurii para um encerramento apoteótico. Ou o início do caos na Jai Club.

E este caos se deu justamente porque a faixa seguinte foi “Here Come the Robots”, outra do disco “The Harvest”, com ritmo agitado e contagiante o suficiente para diversas camadas de agitação da banda e do público presente no show: a comemoração generalizada a partir do riff, os pulos na sequência, o coro que ocorreu durante toda a letra e, principalmente, o mosh pit pedido por Sidorenko no meio para o final da faixa, executado por boa parte do público que estava entre a frente e o meio, além dos que também se deslocaram do fundo para o bate-cabeça. Teve espaço para isso? Teve, porém, comprometendo o corredor do canto da pista e, talvez, as leis da impenetrabilidade. De todo modo, o momento foi único e marcou o grande ápice da noite.

Os ânimos do público e da banda logo deram espaço para o silêncio pedido pelo frontman do Stoned Jesus e a calmaria dos acordes iniciais da também comemorada “I’m the Mountain”. Além destas linhas e do instrumental pesado ao longo da parte inicial, houve outro coro do público em cima da letra da música, com os primeiros versos ecoados sem o suporte do vocalista e com a ênfase nos versos que tinham o nome da música em destaque. Junto a isso, as variações de ritmo ao longo dos pouco mais de 13 minutos de música, contaram muito com a condução de Yurii Kononov e Andrew que, seja nos momentos mais calmos, seja nos mais intensos, foram grandes destaques junto aos solos e acordes gerais de Igor, de modo que a banda foi amplamente ovacionada ao final.

A pequena pausa que a banda deu, em direção ao camarim, foi rápida a ponto de os três integrantes voltarem após dois minutos, rumo ao bis. Os gritos do público ecoavam na Jai Club, com tentativas de puxar um coro em nome da banda e outros elogios. De todo modo, Igor, Yurii e Andrew logo iniciaram “Low” que, apesar de ter uma temática sensível e melancólica na letra, trouxe um ritmo de Stoner Metal poderoso e conciso o suficiente para levantar o público novamente. A faixa também teve um “momento Black Metal”, onde toda a sonoridade do trecho lembrava músicas do subgênero do Heavy Metal, com blast beats, e palhetadas rápidas, somadas a um grito estridente de Igor. O retorno para o ritmo Stoner se deu com uma boa condução de pedais de Yurii, nem muito rápidos, nem muito lentos, até os momentos finais da faixa.

“Electric Mistress” fechou a noite com mais um riff impactante, somado com um último “Are You ready?” conjunto de Igor e Andrew, desaguando em uma sonoridade contagiante da banda. Os versos do refrão, todos iniciados com o nome da faixa em questão, foram gritados pelo público. E essa dinâmica foi ainda mais explorada por Igor Sidorenko em dois momentos distintos da faixa, mais “parados”, em que ele contou até cinco antes de o público, em coro conjunto e intenso, gritar “Electric Mistress” e ele complementar com o restante dos versos. Tudo foi muito bem dinamizado e, quando voltou para o instrumental geral da banda na segunda vez, Sudorenko ainda tomou um susto por algo que aconteceu na parte da frente do palco - e que não deu para ver, precisamente, se envolveu apenas o equipamento e os pedais, ou se pode ter sido algo em relação a um fã das primeiras fileiras -, todavia se recompôs para um final com sonoridade explosiva e digna de um encerramento apoteótico.

As quase uma hora e 20 minutos de show do Stoned Jesus passaram muito rápido, mesmo com músicas que tinham mais de dez minutos. E isso tudo graças a um conjunto de fatores já citados que tornaram a apresentação memorável para os que esperaram tanto tempo pela volta da banda ao solo brasileiro: sonoridade impecável - mesmo com os mínimos problemas rapidamente corrigidos, sob a condução de Igor Sudorenko -, uma banda que executou todas as músicas de forma primorosa, o cuidado com os detalhes de cada membro e um público que, seja para cantar, aplaudir ou para moshar, entreteu e foi entretido da melhor forma junto ao trio. Foi uma apresentação digna de headliner de evento e que, com certeza, deixou o desejo por mais do Stoned Jesus em breve.


Texto: Tiago Pereira 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 



Pesta – setlist:

Moloch’s Children

Mirror Maze

Black Death

Words of a Madman

Shadows of a Desire

Witches’ Sabbath


Stoned Jesus – setlist:

Bright Like the Morning

Porcelain

Shadowland

Thessalia

Thoughts and Prayers

Silkworm Confessions

Black Woods

Here Comes the Robots

I'm the Mountain

Bis

Low

Electric Mistress

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Cobertura de Show: Pentagram – 30/03/2025 – Fabrique Club/SP

Noite de culto e peso: Pentagram no Fabrique

O domingo, 30 de março de 2025, foi uma data histórica para os fãs de Stoner e Doom Metal em São Paulo. O Fabrique recebeu uma verdadeira celebração do gênero, com as nacionais Pesta (@pestadoom) e Weedevil (@weedevildoom) preparando o terreno para a aguardada apresentação do lendário Pentagram. Com casa cheia e um público em êxtase, a noite foi um mergulho profundo em riffs hipnóticos, atmosferas densas e a essência da música pesada em sua forma mais pura.


Uma lenda viva retorna ao Brasil

O Pentagram não é apenas uma banda — é um pilar do Doom Metal. Na ativa desde 1971, o grupo norte-americano influenciou gerações e escreveu seu nome na história da música pesada. Em março de 2025, eles retornaram ao Brasil para dois shows marcantes, um em Curitiba (29/03) e outro em São Paulo (30/03), ambos organizados pela Powerline Music & Books. A passagem pelo país integrou uma extensa turnê latino-americana realizada pela Dreamers Entertainment e Extremy Retained Booking, com paradas no México, Colômbia, Peru, Chile e Argentina.

Pioneiros do proto-doom, o Pentagram solidificou seu legado com o álbum “Day of Reckoning” (1987), que definiu o gênero com hinos pesados e uma sonoridade que remete diretamente à era de ouro do Black Sabbath. Décadas depois, sua trajetória foi resgatada pelo documentário “Last Days Here” (2011), apresentando a banda para uma nova geração de fãs. 

Junto ao lendário Bobby Liebling nos vocais, a formação atual conta com Victor Griffin na guitarra, Greg Turley no baixo e Pete Campbell na bateria.


Uma noite inesquecível em São Paulo

Desde os primeiros minutos da noite, a energia no Fabrique era elétrica. A primeira banda a subir ao palco foi a mineira Pesta, trazendo toda a força do Doom Metal de Belo Horizonte. O setlist percorreu seus dois álbuns de estúdio, alternando entre o peso arrastado e o groove do Stoner Rock. O destaque ficou para a performance magnética do vocalista, Thiago Cruz, que além da voz marcante, cativou o público com gestos teatrais e uma conexão intensa com a plateia. O som estava perfeitamente ajustado, garantindo que cada riff ressoasse com impacto máximo.

Setlist – Pesta:

Anthropophagic

Hand of God

Witches' Sabbath

Black Death

Words of a Madman




Em seguida, a paulistana Weedevil elevou ainda mais a temperatura. Com um set focado no recém-lançado “Profane Smoke Ritual” (2024), a banda apresentou uma fusão poderosa de Doom, ocultismo e psicodelia. O show foi um verdadeiro ritual sonoro, carregado de atmosfera e intensidade. Nem mesmo um contratempo técnico — a quebra da caixa da bateria durante a execução da faixa-título — conseguiu diminuir a energia do grupo ou do público, que respondeu com entusiasmo e fez da apresentação um momento memorável.

Setlist – Weedevil:

Serpent's Gaze

Chronic Abyss of Bane

Underwater

Veil of Enchanted Shadows

Profane Smoke Ritual — (Delayed because Flavio broke his snare)

Necrotic Elegy

Serenade of Baphomet

Hi I’m Lucifer!




Quando o relógio passou das 21h, a expectativa atingiu seu auge. Sob aplausos ensurdecedores, o Pentagram finalmente entrou em cena. Recentemente, Bobby Liebling virou meme na internet, o que trouxe uma curiosidade extra: como isso influenciaria a recepção da banda no Brasil? A resposta veio rapidamente — a plateia estava ali por respeito ao legado da banda, e não apenas pelo fenômeno virtual.

A apresentação começou com “Live Again”, e desde o primeiro acorde ficou claro que aquele seria um momento especial. Apesar da idade e de uma trajetória repleta de desafios, Liebling continua um frontman magnético, entregando cada música com paixão e intensidade. Suas expressões e gestos característicos deram ainda mais autenticidade ao show, e sua interação com o público foi constante.

O setlist trouxe uma seleção impecável, misturando faixas mais recentes com clássicos absolutos. “The Ghoul”, “Sign of the Wolf (Pentagram)” e “Review Your Choices” incendiaram o público, reafirmando o status da banda como uma das mais icônicas do Doom Metal. No encore, “Forever My Queen” e “20 Buck Spin” fecharam a noite com chave de ouro, reafirmando porque o Pentagram é uma lenda viva.

Além da música, um dos pontos altos foi o reencontro entre fãs e músicos, unidos pelo amor ao Doom Metal. O Fabrique se transformou em um verdadeiro templo do gênero, onde diferentes gerações se encontraram para compartilhar essa devoção. No fim da noite, uma certeza pairava no ar: todos que estiveram ali participaram de algo único e inesquecível.








Texto: Patricia Araújo 

Fotos: Roberto Sant'Anna 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agencia Powerline 

Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Setlist – Pentagram:

Live Again

Starlady

The Ghoul

I Spoke to Death

When the Screams Come

Sign of the Wolf (Pentagram)

Might Just Wanna Be Your Fool

Solve the Puzzle

Review Your Choices

Thundercrest

Walk the Sociopath

Encore

Forever My Queen

20 Buck Spin

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Ministério da Discórdia: Inspirações no Sabbath e Letras em Português


Formado em São Paulo em 2007 por Maurício Sabbag e Inacio Nehme, e atualmente completa o trio Carlos Botelho, o Ministério da Discórdia é uma banda que traz como característica as letras em português, e nelas temáticas realistas, ideológicas, sombrias e espirituais. O grupo explora muito bem as letras na língua pátria, facilitando passar o recado nas temáticas dirigidas à nossa realidade social. E é mais uma que mostra que não é regra obrigatória cantar em inglês para fazer Heavy Metal.

A sonoridade tem base na mistura de influências dos integrantes, com riffs pesados, refrãos marcantes e letras bem elaboradas. A sonoridade tem muito da inspiração do Black Sabbath (inclusive já recebeu elogios sendo chamado de Sabbath brasileiro), e junto à sonoridade por vezes grave e sombria, há muita melodia e arranjos bem elaborados, adicionando flautas e violões acústicos.


Após alguns anos dividindo o repertório próprio com covers “lado B” do Black Sabbath, o Ministério da Discórdia gravou e lançou em 2013 seu primeiro e autointitulado álbum. A partir daí a banda começa a fazer os seus shows apenas com músicas autorais.

Em 2015, gravou seu segundo trabalho de estúdio, “Abismo”, influenciado pelas repercussões da crise nacional, adicionando mais potência e peso na mensagem. “Abismo” foi lançando por distribuição digital em 2016 e também foi disponibilizado um clipe para a faixa título.

No ano passado o grupo, durante as conturbadas eleições no Brasil, lançou “AbismoPortal”, que reúne o EP “Abismo”, que só havia sido disponibilizado em formato digital, e o EP “Portal”, com novas músicas, formando assim um álbum completo e agora em formato físico, lançado em parceria com a gravadora paulista Shinigami Records.


Em 11 faixas bem elaboradas e com letras inteligentes, destacam-se canções como "Portal",  com seus riffs marcantes e andamento cativante; o andamento mais acelerado da já obrigatória "Mensageiros da Desgraça" empolga de cara. A parte mais cadenciada lá pela metade é sensacional e arrepiante, e logo a seguir novamente ganha contornos mais acelerados, terminando de forma apoteótica.

Recomendo ainda a versão de "Fuga nº II", dos Mutantes, que traz arranjos orquestrais (feitos por Renato, do Armahda), flautas e violões acústicos. Transformou-se numa música da banda, "balada" pesada e sombria; e ainda a épica e sinistra "Supremo Concílio", que inicia com uma intro perturbadora, e logo a aura do Sabbath pode ser sentida, em andamentos mais lentos e com toneladas de peso, e a cadencia e peso da assustadora e realística "Perdidos", onde se destacam também os arranjos quase lisérgicos de teclados, e o sempre incrível som do Hammond.

A banda explica a inspiração para os títulos: “Nesses últimos anos que se passaram, muitas pessoas perderam seu emprego, sua saúde, suas expectativas. Caímos em um ABISMO. Alguns chegaram até o fundo desse abismo. Como músicos que querem realmente passar uma mensagem para reflexão, usamos essa alegoria do ‘abismo’ como algo que precisa ser superado. Queremos espalhar a semente, uma mensagem positiva, mesmo que tenhamos que ser, inicialmente, os mensageiros da desgraça. ”

“Nunca antes houve tanta mentira, incitação ao ódio e intolerância… O que nos contamina não é o que ouvimos, mas sim o que sai de nossa boca. Imagine então o que hipócritas ousam registrar, nessa era da superinformação! Entramos agora em um PORTAL, para uma nova dimensão, que será herdada pelos nossos descendentes. ”


São 11 faixas de som pesado, com arranjos e refrãos cativantes, e claro, letras inteligentes, que em diversos momentos conecta a ficção com a dura realidade atual. O Ministério da Discórdia (nome mais atual do que nunca) nos brindou com um dos melhores lançamentos do Metal nacional em 2018, e com certeza um dos melhores cantados em português nos últimos anos.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Assessoria: Metal Media
Selo: Shinigami Records

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Tracklist:
1. Portal
2. Mensageiros da Desgraça
3. Espelho
4. Motim Elétrico
5. Fuga nº II (Original por Os Mutantes)
6. O que teria acontecido à Baby Jane?  (Original po Troll Porrada Sonora)
7. Abrace a Discórdia
8. Abismo
9. Supremo concílio
10. Orquídea Negra

11. Perdidos



       

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Bad Bebop: composições diretas e ao mesmo tempo trabalhadas


Resenha: Renato Sanson


Um pouco mais de três anos de atividade e já temos o primeiro full dos curitibanos do Bad Bebop, que investem em uma pegada alternativa passando por momentos mais sujos do Stoner ao Thrash Metal, trazendo um mix de influencias que tornam “Prime Time Murder” (17) um disco diversificado e de audição agradável.

Mesmo que não mantenha uma linha as faixas apresentam a mesma essência e é essas alternâncias que tornam a música do Bad Bebop interessante, pois vamos de momentos mais enérgicos como em “D.O.A” à nuances mais calmas e belas em “River” e momentos totalmente alternativos em “Gone Wrong”, mas sem soar descaracterizadas.

Tanto a produção como a parte gráfica (belíssimo Digipack em três abas) casam com a sonoridade e mostram todo o profissionalismo e preocupação com sua musicalidade, que transborda feeling e bom gosto.

Composições diretas e ao mesmo tempo trabalhadas, nada de complexidade exagerada, mas também nada somente pelo feeling, um bom equilíbrio que transforma “Prime Time Murder” em um álbum de fácil assimilação e muito gostoso de se ouvir.

Links de acesso:

Tracklist:
1. D.O.A.
2. Deceiver
3. Vicious
4. Gone Wrong
5. 22
6. Trouble
7. Greed
8. River

Formação:
Juliano Ribeiro - Vocais, baixo
Henrique Bertol - Guitarras
Celso Costa - Bateria

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Misconducters: Simples e Objetivo


A simplicidade por fazer música tem se tornado cada vez mais abrangente para buscar um espaço no cenário. Com tão pouco, em termos de arranjos musicais, uma banda consegue funcionar bem em alguns sentidos. Não, não estou me referindo ao “Faça Você Mesmo”, e sim a maneira de como uma música deve ser, de forma natural e conforme ela vai pedindo. E é exatamente isso que o Misconducters (que tem em sua formação o britânico Den, vocalista/guitarrista) mostram no seu 4º disco, “Boundless”.

O trio consegue muito bem mesclar o peso do Heavy Metal com a energia do Punk Rock, juntando também dosagens de Hard Rock e Rock N’ Roll, puxado mais pro lado setentista, que quem for chegado em Motörhead, Orange Globin e Corrosion Of Conformity, vai entender do que “Boundless” se trata. E as músicas são de rápida ação (sem desvios), proporcionada por arranjos radicais e ríspidos, que em determinado momento, se difere com várias técnicas bem distribuídas por parte dos músicos.

Sobre a produção, podemos dizer que é bem natural e suja, não esperando algo super grandioso ou relevante, mas a qualidade de gravação, tanto nas partes de mixagem e masterização, são bem nítidas e alvejantes. Resumidamente, a logística sonora se difere ao lado esporrento do trio, que dispõem arranjos crus e sujos. A capa é bem compreensível e espontânea, expondo de forma esclarecedora a postura da banda. 


Dentre os destaques, “The Game” inicia o petardo de forma bem pra cima e enérgica, flertando a união entre Heavy Metal e Punk, com riffs de guitarras diretos e simples; “Class Of ‘84” percorre num andamento mais lento, mas que não deixa empolgar em nenhum momento, com baixo e bateria mantendo o seu devido ritmo; o lado mais Punk da banda aparece em “Pave The Way”, que já é mais trabalhada, principalmente nas guitarras, tendo algumas partes melódicas pra dar um toque sublime.

A parte rítmica ganha destaque novamente em “Hunters And Prey”, que é bem ganchuda, apresentado cadenciada e peso nas 4 cordas, além das mudanças de andamentos na bateria e os refrães acessíveis. E por falar de mudanças, “Boundless”, a instrumental do disco, segue com variações inteligíveis, com cada um mostrando o que sabe nos seus respectivos instrumentos. Chegando aos momentos finais, “Plain Conditioning”, ganha força pelo jeitão "SABBATHICO", prevalecendo nuances não tão rápidas, que também é conduzida pra "Lurch”, que encerra o disco espontaneamente, puxando mais para o lado do Rock N’ Roll.

Em breve, a banda estará lançando o seu novo disco, “Circadian”, que promete ser ainda melhor que este. No aguardo pelas novidades...


Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Ténica
Banda: Misconducters
Álbum: Boundless
Ano: 2015
Gravadora: Denfire Music

Formação
Den (Vocal/Guitarra) 
Brisa (Baixo) 
Vitão (Bateria)

Track-List
1. The Game 
2. Classof '84 
3. Pavethe Way 
4. Hunter and Prey 
5. Boundless 
6. PlainConditioning 
7. Lurch 

Contato

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Panzer: Resistência em Nome do Metal



São 25 anos de carreira já, muitas conquistas, alcançadas com muito trabalho e superando adversidades, e a cada nova etapa o Panzer parece voltar ainda melhor e mais forte, e após as mudanças na formação vindas depois do lançamento do DVD "Louder Day After Day" ano passado, André Pars (guitarras) e Edson Graseffi (bateria), encontraram em Sérgio Ogrês um vocalista perfeito para a proposta de voltar a fazer um som mais calcado no Stoner e Metal dos anos 90, como o Pantera e BLS, e claro, ouvindo o álbum você vai perceber muito do Black Sabbath, logicamente.

Produzido por Henrique Baboom e pelo André, que também acabou gravando, além das guitarras, as linhas de baixo, já que Fabiano Menon, que havia entrado na banda (inclusive aparece na capa do CD), acabou deixando o posto por razões pessoais, "Resistance"realmente, como anunciado por André e Edson, traz uma sonoridade bem Stoner, mesclando-se aos elementos Thrash e Metal Old School.

O excelente trabalho nos riffs e cozinha pesada e trabalhada, com a habilidade de Ogrês em variar os vocais, apresentando linhas agressivas, limpas e rasgadas, lembrando bastante Phil Anselmo em vários momentos (bom, o cara cantava na banda tributo ao Pantera, Unscarred), mostrou perfeito encaixe, e temos em "Resistance" um álbum forte, inspirado, orgânico e com variações dinâmicas e empolgantes pelas 12 faixas.


Após o dedilhado da intro "96", "The Price" entra mostrando de cara esse lado mais Old School, em nuances bem Black Sabbath (lembrou-me também algo dos primeiros solos de Ozzy), riffs empolgantes, batera com pegada fenomenal, e Sérgio passeando por vocais limpos e agressivos. Destaque para o solo de André, nesta abertura perfeita. A sonoridade mais anos 90, já aparece com vigor em "Impunity", com andamento mais arrastado, e mais um grande trabalho de Ogrês nos vocais; "No Fear" é bem na linha do Thrash mais contemporâneo, com Edson sentando a mão, a cozinha aqui ficou com um peso absurdo!

"To Scream in Vain" já joga de cara seus riffs Stoner, convidando a bater cabeça. A veia Pantera aparece com força novamente; "Alone" é mais arrastada, embora tenha variações, onde podemos ouvir trechos mais limpos, inclusive nos vocais, e transpira Sabbath em seu riff principal; "Attitude" traz contrastes bem legais, com um riff mais direto e tradicional, para em seguida soar mais Stoner, com vocais numa linha bem Hardcore de Ogrês; "Do It!" é Thrash direto e bem na cara.

"The Old and the Drugs For Soul" tem cadência e doses de groove, aliadas a passagens mais rápidas; "The Resistance" apresenta muito peso e agressividade, com a batera sendo espancada sem dó e vocais raivosos; e fechando o álbum a curta e melancólica balada "You Don't Have Tomorrow" e  "Actitud", uma versão em espanhol para "Attitude".

Um álbum, que desde os primeiros momentos faz você sentir que é mais um grande trabalho do Panzer, temperado com muito Stoner, Thrash e Metal Old School, e acima de tudo, soa orgânico e verdadeiro. O tanque continua cada dia mais alto e mais forte!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Panzer
Álbum: "Resistance" 2016
País: Brasil
Estilo: Thrash/Stoner/Heavy Metal
Produção: André Pars e Henrique Baboom
Arte de Capa: Edson Graseffi
Selo: Shinigami Records 


Track List:
1. 96
2. The Price
3. Impunity
4. No fear
5. To Scream in Vain
6. Alone
7. Attitude
8. Do It!
9. The Old and the Drugs for Soul
10. The Resistance
11. You may not have tomorrow
12. Actitud
 
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