Mostrando postagens com marcador A Sorrowful Dream. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Sorrowful Dream. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Sorrowful Dream: Dark Metal com Alma e Paixão



Fundada em 1996 no interior do Rio Grande do Sul (Sapucaia do Sul), e agora radicada na capital, a Sorrowful Dream passou por diversas fases e trocas de formações, lançando nesse tempo diversos trabalhos oficiais, como Demo-Tapes, CD-Demos, participações em compilações e dois full lenghts, evoluindo e agregando novos elementos, mas fiel a sua proposta inicial, de criar uma música unindo o peso, melodia e melancolia, inspirada nos principais nomes que surgiram na Europa dentro do Gothic e Dark Metal, passando por elementos do Death e Black, utilizando-se de orquestrações, vocais femininos e violinos.

Somente em 2009 veio o primeiro full lenght, "Toward Nothingness", sendo muito bem recebido, trazendo novas músicas e algumas composições de trabalhos anteriores, em um registro que a banda e fãs já mereciam.

Em 2015 chegou a vez do segundo full lenght, lançado no final do ano, tendo uma apresentação especial de lançamento no Teatro CIEE em Porto Alegre, dia 17 de outubro, onde a banda apresentou "Passion" ao público.


"Passion" apresenta o ponto alto do grupo, apresentando uma evolução com relação ao anterior, algo que a banda sempre buscou em sua carreira, não poderia ser diferente. Um trabalho elaborado, repleto de emoções, beleza e melancolia. A começar pela capa, que vem em digipack, com uma bela gravura (criada por Tric Jonathas) representando o conceito do álbum, que a banda explica (em folheto que acompanha o álbum, o qual também inclui explanações a respeito de todas as músicas) não ter sido intencional compor um trabalho conceitual, porém os temas recorrentes nas letras e certa relação entre as músicas, pode-se considerar "Passion" uma obra dessa estirpe.

Em 10 faixas, incluindo o prelúdio com "Prolusion", a banda põe pra fora uma música que, percebe-se por todo o trabalho de composição, foi feito por quem realmente ama e acredita no que faz, e trata isso como arte, como expressão de sentimentos, e conseguem passar essas emoções ao ouvinte.

O Dark Metal, acho que é uma denominação mais abrangente aos componentes da música da A Sorrowful Dream (Gothic, Black, Death, etc), que seguiu agregando novos elementos, pela evolução natural como músicos, e pessoas,  o que foi compondo e fortalecendo a personalidade da banda, e a cada canção vamos descobrindo esses elementos, viajando com o grupo por todas essas emoções expressas, com doses de originalidade e ousadia.


Bom, seguimos com as faixas, aproveitando também as explanações da banda a respeito de que se refere cada canção, e claro, música está sujeita a interpretação pessoal de cada um, muitos sons e palavras podem tocar as pessoas de diversas e diferentes maneiras.

O prelúdio junta-se a "Amálgama", tema que traduz a paixão em sua forma mais mundana, ótimo tema, um dos destaques, originária de poema do mesmo nome, tendo trechos em português e inglês, é uma música com peso e melancolia, que já impressiona e gruda na mente, com belo trabalho de vozes, onde se destacam os vocais de Éder, que em vários momentos do álbum me lembra bastante Fernando Ribeiro (Moonspell), destaque também pera a beleza e melancolia dos arranjos de violino (um dos instrumentos que mais transmitem esse sentimento de melancolia) e piano; "Entwined", aborda os relacionamentos, orquestrações e incursões mais suaves se juntam ao peso das guitarras, além das diversas vozes, limpas, femininas, guturais, transitando pelo Doom e Gothic Metal; 

"Silent Words", uma música de transição, ainda se referindo a relacionamentos, destaco aqui os ótimos riffs, e a bela melodia de guitarra que se junta a voz de Éder e Josi no refrão, além dos trechos mais acústicos, uma balada praticamente, mas com trechos extremos; depois temos "Ephemeral", que conforme a banda apresenta, é uma música polifônica, com diversas vozes representando estados diferentes de personalidade e consciência, começa com melodias limpas, para depois ganhar peso, não esquecendo jamais das melodias profundas e melancolia que marcam as canções da banda.

"A Lullaby For Lunatics" é outros grande destaque, trazendo doses de originalidade, com a mistura de tango ao Dark Metal do grupo, nem sempre esses experimentos podem dar certo, mas aqui encaixou perfeito, de certa forma são duas formas de música que possuem como característica a melancolia. Muito bom.


"Solo Awakening" se aproxima do conceito de paixão como sacrifício, e aqui destaca-se o belo trabalho vocal de Josi, mesclando voz natural ao canto lírico, que tem em contraponto vocais guturais, com a música transitando por passagens mais arrastadas e mais intensas com trechos mais rápidos; "In Hebetude", que significa "estar em letargia", trata do contraste do mundo real e o "eu", em outra canção com bastante peso e intensidade.

"Only Blood Knows", é ponto crucial na paixão, onde os indivíduos percebem que esse caminho se encontra neles próprios. É bastante intensa, também  iniciando num andamento lento, iniciando com melodias quase etéreas, e a voz grave de Éder, quase num tom de narrativa, surge em uma interpretação carregada de emoção e teatralidade, tendo ao fundo o peso das guitarras e cozinha, além da companhia da voz suave de Josi, sempre acrescentando ainda mais beleza a esta peça repleta de variações instrumentais, em trechos mais etéreos, permeados pela melancolia dos violinos e piano, aos trechos mais pesados.


"Passion" é a conclusão do percurso, retomando ambos os sentidos da "Paixão", o mundano, ou a paixão amorosa, e o do sentido de sacrifício, doação.  Um gran finale carregado de belas melodias, peso e melancolia, destacando o brilhante desempenho nos vocais, principalmente com Josi e Éder "duelando", transmitindo muito feeling, em interpretações impecáveis, algo bem teatral. O instrumental traz peso e melodia bem dosados, destacando as belas melodias criadas por Mari Vieira ao teclado, e a cozinha de Tuko e Ricardo, com peso e precisão, sentando a mão sempre que a canção pede, os riffs abafados, pesados e soturnos das guitarras. Trilha perfeita para o tema cantado.

 Uma coleção de canções que agradarão a todo fã de bandas do estilo, que sentem saudades de grandes momentos de grupos como Theatre of Tragedy, Tristania e outros tradicionais nomes pioneiros do gênero, em um álbum carregado de melancolia, peso, melodia, beleza e música feita com paixão e alma.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Banda: A Sorrowful Dream
Álbum: "Passion" (2015)
País: Brasil
Estilo: Dark Metal
Produção: Sebastian Carsin e Ricardo Giordano 
Selo: Independente
Assessoria: War Gods



Canais da Banda:

Éder A. de Macedo (voz) 
Josie Demeneghi (voz) 
Aurélio Martins (guitarra)
 Lucas Vargas (gui/violino) 
Mari Vieira (teclados) 
Geovane "Tuko" Lacerda (baixo) 
Ricardo Giordano (bateria)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Resenha de Show: Hibria - Massacrando Pescoços em Uma Noite Histórica

2013: grande ano para os gaúchos da Hibria

E a Hibria retorna a São Leopoldo/RS depois de 5 anos de sua última apresentação na cidade. Após um 2013 recheado de coisas boas para banda (vide mais um tour no Japão, show com Black Sabbath, Rock In Rio), os gaúchos da Hibria dão sequência a divulgação de seu novo disco, o aclamado "Silent Revenge", e graças a Makbo Produtora em parceria com a Influx, a banda volta a São Leopoldo, para um show esmagador.

O local escolhido para destruição foi a excelente Sociedade Orpheu, onde apresenta uma ótima estrutura. Mas antes da Hibria quebrar tudo, tínhamos duas bandas de abertura que aqueceram muito bem os presentes. Após um pequeno atraso, A Sorrowful Dream sobe ao palco, e mostra a força do seu Dark Metal, que é muito bem executado.


A Sorrowful Dream levantando o público da casa

Mesclando músicas novas com algumas de seu primeiro álbum, o excelente "Toward Nothingness", a banda faz uma ótima apresentação, com destaque a dupla de vocais, com Josie Demeneghi fazendo os líricos que se entrelaçavam com as linhas ora screams, ora mais góticas de Éder. Única ressalva fica para o som que estava extremamente alto, mas que não prejudicou o show do grupo.


Dyingbreed foi responsável pela sonoridade mais pesada da noite

Após uma rápida mudança de palco, era ora dos deathbangers da DyinBreed entrar em cena (ainda com o som extremamente alto), e não demora muito para a banda despejar seu Death Metal crú e ríspido, levando as primeiras rodas da noite. 

O set foi baseado na sua demo "Killing The Image Of Your God" (resenha aqui), além de apresentar algumas canções novas. Para completar a destruição, a DyinBreed ainda tocou "Chemical Warfare" do Slayer e "The Preacher" do Testament, levando os bangers a total insanidade.

Atração principal da noite, Hibria chegou detonando e mostrando sua experiência no palco

Então era hora da atração principal da noite, com um belo pano de fundo, com a capa de "Silent Revenge" (2013) e com a bateria monstruosa de Eduardo Baldo, o clima estava pronto, com um pouco mais de 300 pagantes (neste quesito o público headbanger tem muito no que melhorar, 3 excelentes bandas, ingresso barato e mesmo assim a galera não comparece em peso), a Hibria sobe ao palco ovacionados, e "Silent Revenge" e "Lonely Fight" (ambas do disco novo), dão inicio ao massacre. Vale destacar a excelente participação de André Meyer (Distraught) na "Silent Revenge", fazendo todos cantarem junto.

Após esse inicio matador, tome mais paulada com "Shoot Me Down" e "Welcome To The Horror Show", com todos os presentes cantando juntos. Para deixar todos extasiados e sem pulmão, "Living Under Ice" entra em cena para tirar a voz de todos. 

Vale destacar a coesão e entrosamento da banda, todos com uma presença de palco animal, além de muito carisma, ficando a única ressalva para o som que continuava extremamente alto, e para o vocal de Iuri que estava muito baixo, sendo que muitas vezes não se ouvia.

Meyer (Distraught), além de participar do novo álbum, também mostrou agressividade ao vivo

Tirando esses pesares, e como a ideia da banda era quebrar tudo, "Steel Lord On Wheels" e "Walking To Death" vem para trucidar os pescoços alheios, destacando o poder da voz de Iuri Sanson, levando os tons mais altos com muita maestria.

Não deixando o clima esfriar, "Deadly Vegeance" (que também pertence ao novo disco), mantendo o headbanging, com Benhur Lima debulhando as 6 cordas de seu baixo e Eduardo Baldo sentando o braço. 

"I’ll chase you; I'll drag you to hell..."

Com toda força do refrão da "Silence Will Make You Suffer", André Meyer (Distraugth) retorna ao palco, e sem dúvida alguma arrasta todos na sala para o submundo da euforia Metal. A Hibria, definitivamente, promoveu um grande espetáculo digno de ser guardado na memória por muito tempo.

Com grande técnica, mas sem perder o feeling, grupo enche olhos e ouvidos da platéia

Sentir pena?

Sim! Dos que resolveram ficar em casa no chuvoso sábado, da bateria que por sinal Eduardo Baldo mostrou total desconhecimento do sentimento em "The Shelter’s On Fire", pois literalmente surrou a velha companheira com uma agressividade absurda, provavelmente algo que ela já está acostumada e deve se orgulhar. Toda essa energia concentrada, feito um vulcão que está prestes a entrar em erupção, também soube se comportar durante a "Shall I Keep On Burning", que Iuri Sanson apresentou, com brilho no olhar, como "(...) A primeira balada da Hibria" e neste momento, no primeiro minuto de música, não se pode deixar de notar a influência vinda do Jazz presente nas cordas do baixo de Benhur Lima. 

Feito o recorte, voltamos ao olho do furacão com mais uma representante do "Silent Revenge", "The Way It is", mas foi na "Stare At Yourself" que as guitarras de Abel Camargo e Renato Osório arrancaram, além de muitos headbangs, arrepios.

Apesar das mudanças de formação ao longo dos anos, Hibria é uma das mais coesas no palco

A banda mostrou uma frente sólida o tempo todo, sempre muito centrada e em sincronia milimétrica, Iuri segurou o tranco tranquilamente, e isso o mundo presenciou no palco do Rock in Rio, mas no encore com "Tiger Punch" do álbum "The Skull Collectors", que o vocalista deixou muito claro o domínio da técnica e que a Híbria não está para brincadeira. 

E para encerrar a noite com uma grande e dourada chave, o presente para os bangers veio com a presença icônica da "Rock And Roll" do Led Zeppelin  (interpretação matadora) para, literalmente, lavar corpo, alma e coração headbanger.

Hibria, mais uma vez, mostrou que não é mundialmente famosa à toa

E como toda banda que leva a música a sério, merece muito respeito, consideração e valorização, e esses mesmos sentimentos que a banda desprendeu aos fãs após o show, numa seção de autógrafos e fotos no saguão da entrada principal do Orpheu.

Com muito orgulho, batemos no peito pra dizer ao mundo que: esse rolo compressor chamado Hibria, é NOSSO!

Texto: Renato Sanson/Uillian Vargas
Revisão/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Renato Sanson/Uillian Vargas (equipe Road to Metal)

Confira mais fotos exclusivas no nosso perfil do Facebook clicando AQUI!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Hibria: Destruindo Pescoços Neste Sábado! (Organização: Produtora Makbo - Realização: In Flux English School)


Após sua quinta turnê no Japão e o show memorável no Rock In Rio, a Hibria retorna ao Rio Grande do Sul para continuar a tour de divulgação de seu mais novo álbum, o poderoso "Silent Revenge".

A Hibria se apresentou recentemente em Porto Alegre/RS no Teatro do CIEE no dia 11/10, que segundo relato dos fãs, fizeram um show épico e inesquecível. Além disso, diante de milhares de pessoas, foi a banda de abertura dos shows do Megadeth e Black Sabbath (confira resenha aqui). E seguindo o baile a banda se apresenta neste sábado na Sociedade Orpheu em São Leopoldo/RS, onde prometem um show destruidor.


Para completar a festa, teremos mais duas bandas gaúchas fazendo a abertura, são elas: A Sorrowful Dream, que apresenta seu Dark Metal com boas pitadas de Doom e Gothic e DyingBreed que vem divulgando sua demo de estreia "Killing The Image Of Your God", onde mostram um Death Metal bruto, técnico e empolgante.

E como de costume, a produtora Makbo em parceria com a In Flux English School, teremos mais um excelente show de Metal na região do vale dos sinos, com ingressos a preço justo e acessível ao público, agora é aguardar e ver nosso underground apoiar em peso mais este grande evento!

Textoe edição: Renato Sanson
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Informações sobre o show:

Abertura:
A Sorrowful Dream (Porto Alegre)
DyingBreed - Death Metal (São Leopoldo)
No som: DJ Maicon Leite 

Cronograma:
21h - Abertura da casa
21:10h - A Sorrowful Dream 
21:45h - DyingBreed
22:30 - Hibria
00:15 - Dj Maicon Leite


Ingressos:
Estudante (limitados) – R$ 10,00 (À venda somente na INFLUX em São Leopoldo).
1° lote + 1 kg alimento – R$ 15,00
2° lote + 1 kg alimento – R$ 20,00
No local – R$ 30,00

Obs: Na compra do ingresso para estudante é necessário apresentar a carteirinha de estudante com data de validade, ou comprovante de matricula. No dia do show o estudante deve apresentar seu ingresso juntamente com a carteirinha ou comprovante.

Pontos de venda:

São Leopoldo:
InFlux Idiomas
Marquês do Herval, 1182 - Fone: 51 3037 5366
Horário de atendimento: 
Segunda das 09:00 às 20:30h.
Terça a Quinta das 09:00 às 22:00h.
Sábado até às 15:00h

Porto Alegre:
Aplace artigos de rock (Voluntários da Pátria,294 - Loja 150)
Porto Alegre Muiltisom Praia de Belas 
Porto Alegre Multisom (Barra Shopping Sul) 
Porto Alegre Multisom (Shopping Iguatemi POA) 
Porto Alegre Multisom Bourbon Shopping Ipiranga 
Porto Alegre Multisom Palacio (Filial 12)

Novo Hamburgo:
Multisom Bourbon Shopping
Multisom Novo hamburgo

Caxias do Sul:
Multisom (Centro Julio 1773) 
Multisom (Dsitr. Industrial Loja - Shopping Iguatemi - 333/334) 
Multisom (São Pelegrino)

Gramado:
Multisom Gramado

Site da Blueticket:

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Resenha de Shows: Estreia do Moonspell no Rio Grande do Sul

Estância Velha/RS (Brasil) recebeu a lendária banda portuguesa pela primeira vez

Quando divulgado que a banda portuguesa Moonspell viria ao Rio Grande do Sul, a primeira cidade a ser pensada, claro, fora a capital Porto Alegre/RS. Acontece que, dentro da proposta do projeto cultural EST+Cultura, a pequena Estância Velha/RS, na região metropolitana, foi o palco para a estreia da banda de Dark/Doom/Gothic Metal em terras gaúchas na noite de 15 de dezembro de 2012.

Grande público aguardava ansioso o Moonspell
Havia um receio de que, devido à localização do evento, teríamos um baixo público, mas esta impressão foi por água abaixo ao chegarmos ao estacionamento da Arena Palco 7, mais nova arena de shows da região, onde encontramos longas filas aguardando a esperada noite onde, além das estrelas, teríamos as bandas gaúchas A Sorrowful Dream e Estação das Brumas.

Com um tratamento profissional, fomos credenciados com facilidade e podemos assistir à passagem de som da banda, antes da abertura oficial dos portões. E já aqui, ao ver a banda portuguesa acertando seu som, tivemos a certeza de que teríamos um dos melhores eventos do ano e com uma das melhores estruturas sonoras do estado.

Com atraso e mudança na agenda, Moonspell se apresentou primeiro, após pronunciamento emocionado dos idealizadores do projeto, bem como da produção Makbo, que mostrou ter capacidade para eventos do porte, mesmo que alguns erros tenham sido relatados por algumas pessoas, como problemas com o Meet & Greet (encontro com a banda) e acesso interno ao local, além de problemas com o som das bandas posteriores ao Moonspell.

Finalizando a Alpha Mundi Tour em terras brasileiras (o derradeiro show aconteceu uma noite depois, em São Paulo/SP), Fernando Riberio (vocal) e sua banda sobem ao palco, muito bem decorado, para executar a fenomenal “Axis Mundi”, faixa de abertura do álbum em divulgação “Alpha Noir” (2012), com Ribeiro usando um capacete temático de gladiador, marchando no palco, ao ritmo tribal da canção. Sem conversas e com o público gritando a plenos pulmões, outra do mesmo álbum, a emblemática “Alpha Noir” seguiu o massacre.

Fernando Ribeiro mostraria, ao longo de todo show, o grande frontman que é
Em meio a muitas ovações, Ribeiro anuncia “Finisterra”, a primeira das faixas mais antigas, afinal, todos estávamos esperando os grandes clássicos, tanto por ser a primeira vez da banda no sul quanto pelo grupo estar a comemorar seus 20 anos de existência. Seguindo “Night Eternal”, e o público parecia, a cada faixa, ficar mais empolgado, literalmente agindo como animais, no bom sentido, claro, com a energia que qualquer banda gostaria de ver no seu público.

Com a qualidade sonora do local, bem como a presença de palco dos integrantes (vale mencionar o baixista Aires Pereira que não é um membro efetivado da banda, mas os acompanha em shows ao vivo e estúdio, e mostrava-se um dos mais ativos), iriam se exaltar ainda mais com a clássica “Opium”, que, juntamente com “Alma Matter” e “Fullmoon Madness”, eram das mais aguardadas, e o público respondeu à altura.

Entre uma música e outra, Ribeiro tecia elogios ao público gaúcho, agradecendo inclusive as pessoas que vieram de todo o estado, mostrando que sabia que não haviam apenas pessoas do município, mas sim a grande maciça maioria viajara de poucos a vários quilômetros para assisti-los (este que vos escreve é um).

Público respondia a cada chamada da banda
Vieram mais canções antigas, como “Awake!” e “Mephisto”, que mantinham o público insano, para levar a banda à uma etapa mais voltada à fase Gothic da banda, como o próprio vocalista falou: “O Moonspell sempre caminhou entre o Metal e a veia mais gótica, e vamos tocar algumas dessas para vocês”. Seguiram-se então as soturnas “Scorpion Flower”, “Nocturna” (uma das mais clássicas dessa fase) e “Everything Invaded”, acompanhada às palmas do público e aos berros no refrão. Muito legal essa fase da banda que, embora não traga o peso da fase mais atual, segue presente como um dos pontos fortes do grupo, com os vocais mais graves do que guturais tomando conta.

Estava na hora de voltar à fase mais recente, pois ainda faltavam grandes canções do recente disco “Alpha Noir” e, ao som de lobos a correr, sabíamos que a esperadíssima “Lickanthrope” (até agora único vídeo clipe do disco) iria despontar nos próximos segundos, com a explosão sonora refletida no público ensandecido que, mesmo tendo agitado desde o começo, aqui investiu ainda mais energia  Era fácil ver muitos cabelos voando. Sensaciona!  Uma das canções da atual fase mais pesadas e esperadas por este que vos escreve. Foi de pirar.

Após a quebradeira, Ribeiro conversa mais um pouco com o público, para anunciar então a faixa em língua portuguesa, também recente, e bastante esperada (tinha um cara próximo de mim que passou o show pedindo ela): “Em Nome do Medo”. Pulmões ao máximo, o público mostrava, à exemplo das canções anteriores, a sua força e vontade de assistir aos mestres do Metal lusitano.

O guitarrista Pedro Paixão (esq.) agita bastante e reveza-se entre a guitarra e os teclados

Caminhando mais para o fim da primeira parte do show, “Vampiria” é recebida com grande ovação dos presentes, seguida daquele que é o maior clássico da banda, o hino “Alma Matter”, onde a voz de Ribeiro chega quase a ficar inaudível em confronto ao barulho do público.

Temos a despedida para a volta com três músicas no bis. Com a introdução característica, a banda volta para “Wolfshade”, não sem um pequeno problema na guitarra de Ricardo Amorim, que rendeu risadas da banda e público, mas que não quebrou o clima, apenas mostrou que o grupo caíra nas graças dos presentes.

Após o clássico, a única faixa de “Omega White”, lançado juntamente com “Alpha Noir”, a ser executava veio em seguida. Tratou-se da ótima “Grandstand”, que soou bem legal ao vivo, embora tenha sido sentido falta de “White Skies”, música de trabalho do álbum, que aqui na América do Sul só foi executada em São Paulo.

Para finalizar a apresentação, o Moonspell tocou a solicitada “Fullmoon Madness”, deixando o palco com imensa satisfação visível aos olhos e na certeza de que a banda possui um bom público no Rio Grande do Sul e que deverá voltar mais vezes.

Com o público cansado, mas satisfeito, e após uma hora desde o fim do show do Moonspell, a banda A Sorrowful Dream executou algumas canções, todas composições próprias dos seus 15 anos de história, além de uma faixa inédita, que estará no próximo álbum do grupo a sair em 2013.


Moonspell despede-se satisfeito
Infelizmente, mesmo com um bom público, muitas pessoas foram embora (já eram  2 da manhã) e a banda sofreu com problemas no som, já que na maior parte do show a guitarra de Jô Toldo não era ouvida, com a moça tentando consertar o problema em cima do palco, além de que os vocais de Éder eram inaudíveis, apenas quando trazia guturais mais altos é podíamos entender o que estava cantando, uma clara falha da parte sonora do local, o que atrapalhou os méritos da banda, mas que mesmo assim era ovacionada a cada faixa e saiu tendo cumprido seu papel, embora merecesse melhor estrutura.

A Sorrowful Dream
Faltava ainda Estação das Brumas e, quase por volta das 4 da manhã, com um público de menos de 30 pessoas, todos visivelmente cansados, a banda de São Leopoldo/SP levou seu Rock Alternativo, executando duas faixas próprias, cantadas em português, além de covers de Marilyn Manson, que soaram bem próximas a original. Porém, problemas de retorno, aliado ao baixo público e cansaço geral, fez com que a banda encerrasse o show antes do previsto.

Estação das Brumas
Uma noite histórica, com um show enérgico e recheado de clássicos, fez dessa vinda do Moonspell um grande sucesso. Agora, é apoiar o projeto EST+Cultura e os produtores para, quem sabe, termos outras grandes shows em 2013, com valores baixos de ingresso (mérito desta apresentação) e qualidade. 

Agradecimentos: à Makbo Produções pelo credenciamento e tratamento profissional.

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Road to Metal (Dafne Endres)
Fotos - Edição: Izabella Balconi


Set List Moonspell
01 – Axis Mundi
02 – Alpha Noir
03 – Finisterra
04 – Night Eternal
05 – Opium
06 – Awake!
07 – Mephisto
08 – Scorpion Flower
09 – Nocturna
10 – Everythin Invaded
11 – Lickanthrope
12 – Em Nome do Medo
13 – Vampiria
14 – Alma Matter
Bis
15 – Wolfshade
16 – Grandstand
17 – Fullmoon Madness

sábado, 8 de dezembro de 2012

Rio Grande do Sul Recebe Moonspell Pela 1º Vez




Considerada mundialmente um dos maiores nomes do Doom/Gothic Metal, a banda lusitana, sempre lembrada como maior nome da música pesada de Portugal, vem ao Brasil neste mês de dezembro para dois únicos e exclusivos shows, e o Rio Grande do Sul não podia ficar de fora da Alpha Mundi World Tour.

Moonspell com seu show da atual turnê mundial chega ao Rio Grande do Sul

A cidade de Estância Velha/RS, próxima à capital Porto Alegre/RS, recebe o grupo formado por Fernando Ribeiro (vocal), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (guitarra), Aires Pereira (baixo) e Mike Gaspar (bateria) pela primeira vez no Rio Grande do Sul no dia 15 de dezembro, no Arena Palco 7. Na ocasião, a banda vem divulgar seus dois simultâneos e mais recentes lançamentos, os aclamados pela crítica mundial “Aplha Noir” e “Omega White”, ambos lançados no início de 2012 via Napalm Records.

A iniciativa que trará a banda aos pampas é o Projeto EST+Cultura, que possui um caráter descentralizado, buscando de maneira eclética favorecer a cultura na cidade de Estância Velha/RS. Na ocasião, além da banda Moonspell, se apresentarão as bandas A Sorrowful Dream e Estação das Brumas, além de Dj's.

O Moonspell esteve, entre os dias 3 a 7 de dezembro, realizando shows em um cruzeiro, etapa anterior à turnê latino-americana, que passará também pelo México, Colômbia, Chile, Bolívia e culmina com os shows no Brasil, sendo o primeiro em Estância Velha e o último em São Paulo/SP.

Como não podia deixar de ser e fechando o ano de 2012 com grandes coberturas de shows internacionais, estaremos conferindo de perto e oficialmente esse grande show para contar a quem não foi o que perderam. Aguarde!

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Compre seu ingresso (baratíssimo) clicando aqui.



Serviço
Data: 15 de dezembro de 2012
Local: Arena Palco 7 (Estância Velha/RS – Presidente Vargas, 2466)
* local possui estacionamento.
Ingressos:
Pista: R$30,00 (estudantes e idosos)
Pista 1º lote: R$40,00
Pista 2º lote: R$50,00
VIP 1 lote: R$60
Vip 2º lote: R$70
Camarote (possibilidade de circular pela VIP e pista): R$80,00
Locais de Venda: Multisom (Porto Alegre, Novo Hamburgo, Caxias do Sul e Gramado)
São Leopoldo na Karisma Papelaria, Extreme Board Shop e Faculdades Est.


Mais infos via Facebook aqui.


quarta-feira, 10 de março de 2010

Entrevista: A Sorrowful Dream e Uma Caminhada Pelo Gothic/Doom Metal



O Road to Metal tem o prazer de neste mês trazer uma entrevista exclusiva com uma das expoentes do Gothic/Doom Metal nacional: A Sorrowful Dream.

A banda, que surge em 1997 no interior do Rio Grande do Sul, construiu sua trajetória na capital gaúcha, alçando vôos com shows em várias cidades de vários estados do Brasil.

Ano passado a banda lançou seu primeiro álbum de estúdio, “Toward Nothingness” (2009). Este é o sexto trabalho da banda entre singles, Eps, e álbuns completos.

O grupo é formado por seis membros, mais o baterista convidado Mano. Fazem parte desse time Éder (vocal), Josie (vocal), Jô (guitarra), Lucas (guitarra/violino), Mari (teclados), Tuko (baixo).

Aqui você acompanha a banda falando de sua carreira, o novo lançamento, a cena do estilo no país, além dos planos futuros. Aproveitem! Stay on the Road

Road to Metal: Agradecemos à banda pela disponibilidade em conceder esta entrevista. Queremos apontar que o nosso pequeno trabalho é de buscar formas de fazer crescer o reconhecimento do cenário Metal underground brasileiro, principalmente.
Primeiramente, como e quando a banda surgiu. Qual o significado do nome da banda (quem sugeriu, o que lhes representa)?

A Sorrowful Dream: O nome foi inspirado pelo álbum “Into the depths of sorrow”, da banda Americana Solitude Aeturnus. O Éder, nosso atual vocalista, que também participou do início da banda, gostou do nome e da sonoridade da palavra “sorrow”. Então surgiu a idéia do ‘triste sonho’ traduzido na forma de A Sorrowful Dream que soou legal e todos gostaram. Além disso, há uma certa “moral” escondida por trás do nome, pois não se trata de um pesadelo...quando temos um sonho triste, acordamos com uma sensação muito peculiar, como a de que algo em nós foi descoberto, como se descobríssemos algo escondido, demônios adormecidos. No CD, a música “A Sorrowful Dream” se refere exatamente aos “segredos” contidos em nossa alma: as amarguras que não desaparecem, mas se escondem nos recônditos de nossa mente.

RtM: A banda tem um trajetória bastante significativa, sendo reconhecida entre os apreciadores de Gothic/Doom Metal. Como vocês caracterizam a banda desde seu primeiro lançamento, a demo de 1998 "The Echo of your Cry" até o recente álbum "Toward Nothingness" (2009)?

ASD: O que se pode dizer da banda em termos musicais é exatamente a conservação dessa vertente Gothic/Doom, sempre presente em nosso som desde sua criação até os dias de hoje. Mas a A Sorrowful Dream desde sempre também incorporou outros estilos e outras referências muito além, até mesmo, do próprio Metal. Por ser uma banda de muitos integrantes, cada qual com seus estilos e influências próprios, e por tantos músicos terem passado pela banda e inserido sua marca pessoal no seu devido tempo, a ASD apresenta uma diversidade dentro do próprio estilo ao qual ela nunca deixou de pertencer sem se prender aos estigmas que essas ramificações muitas vezes carregam.

RtM: Constantes foram as mudanças na formação da banda, sem esta, entretanto, abandonar a cena, tocando em outros estados brasileiros, inclusive. A que vocês devem isso?

ASD: Talvez por dois fatores importantes: o primeiro é o Lucas, nosso guitarrista e co-fundador da banda. É o nosso verdadeiro “guerreiro”, que sempre acompanhou a banda desde o início, nos tempos bons e nos tempos ruins. Se a A Sorrowful Dream está aí até hoje, é, sem dúvidas, porque ele sempre acreditou na banda e continuou com o sonho mesmo quando tínhamos todos os motivos para desacreditar. O segundo fator é nosso público, sempre fiel e apoiador. Somos imensamente gratos pelas pessoas que nos acompanham desde o início, nos apóiam, se interessam pelo nosso material e freqüentam nossos shows. Se não tivéssemos uma resposta assim tão grande, talvez não encontrássemos motivação para seguir em frente em alguns momentos.





RtM:
Atualmente o line-up da banda conta com seis integrantes. Como é para os músicos da banda terem que dividir o espaço na banda entre os músicos, quando as demais bandas geralmente não passam de cinco integrantes?

ASD: Na verdade, ao todo somos sete, se contarmos com o baterista que já há algum tempo não é fixo na banda. Não encontramos qualquer problema em dividir o espaço, pois cada um tem uma função bem específica dentro da banda. Se temos sete músicos – e oito instrumentos, contando o violino – é porque nossa música abre espaço para todos os oito. E tudo flui da melhor maneira possível.

RtM: Entre as demo já lançadas ("The Echo of your Cry"; "Promo 2000" (2002); "A Garden of Stones" (2003); "In Your Dry Lips" (2004), qual vocês escolheriam como a que melhor representa o “espírito” do grupo?

ASD: Cada trabalho demo melhor representa o “espírito” da banda exatamente como ela era na época do lançamento de cada um desses materiais. Dizer que algum deles melhor representa ou se aproxima do que a banda é hoje é impossível, dadas as transformações que o grupo sofreu até chegar aqui. A atual formação só pode ser bem representada pelo que ela produziu em conjunto, e o ápice disso é o último lançamento da banda, o Toward Nothingness. Esse é o trabalho que resume nossos esforços e idéias, é ali que a banda, como ela é hoje, está representada.

RtM: Em relação às apresentações ao vivo, vocês seguem a linha desse estilo de Metal. Como vocês veem a reação do público em seus shows?

ASD: A reação do público sempre varia de show pra show, de local pra local. Se tocamos em um festival mais voltado pro doom, a reação tende a ser uma; se o festival é de um estilo mais extremo, a reação tende a ser outra. O importante é que aprendemos a lidar com reações diferentes e a deixar o show a fluir a partir disso, pois a relação banda-público é inerente ao ato de se tocar ao vivo, seja uma relação de respostas boas ou de respostas não tão boas assim. No fim das contas é o público quem dita nosso ritmo de show e nossa performance em palco; a gente também reage ao ânimo deles, num eterno esforço de fazer o melhor show possível.

RtM: Como é a agenda da banda em termos de shows? Quais as principais cidades em que a banda já se apresentou e qual cidade e/ou evento a banda deseja um dia tocar?

ASD: Nossa agenda é muito aquém do que a gente poderia desejar. Não é fácil encontrar organizadores dispostos a nos levar para muito longe, pois somos muitos e estamos bem no sul do país, o que gera custos altos. Além disso, a cena do Metal não é a mais privilegiada em estrutura e incentivos, principalmente financeiros, como no caso de patrocínios para shows e eventos. Ainda assim é possível listar shows muito marcantes que já fizemos país a fora em locais que, com certeza, gostaríamos de voltar a tocar, como Curitiba, Joinville, Campinas, Indaial, também já tocamos em Montevideo (Uruguai), e vários bons festivais pelo interior do RS, como em Taquara, Caxias do Sul, e até mesmo em Porto Alegre. Se dependesse de nós, tocaríamos em todo e qualquer lugar possível, dentro e fora do país. Por enquanto, estamos apenas correndo atrás de organizadores da região e de estados mais próximos para fecharmos algumas datas para o ano de 2010.

RtM: Vamos ao último trabalho do grupo. "Toward Nothingness" (2009) teve seu lançamento oficial dia 06/11/09 em Porto Alegre/RS. Como foi a festa, o show e a recepção das novas músicas?

ASD: As músicas não eram exatamente o que a gente poderia chamar de inéditas, sendo que algumas delas já vínhamos tocando com freqüência em alguns shows anteriores. As demais músicas o público também pôde ter conhecimento com a venda antecipada dos CDs, que já aconteciam cerca de duas semanas antes do show de lançamento. Então o show não surpreendeu de todo os espectadores que já sabiam mais ou menos o que ouviriam em palco. Acho que o ponto mais marcante para quem estava presente aquela noite foi que, além de prestigiar o show da banda ao vivo, nós nos dedicamos a fazer uma apresentação muito mais extensa do que é normal fazermos, resgatando músicas antigas da banda e até mesmo executando covers que o pessoal sempre pede ou que já tínhamos feito em outras ocasiões. Além de apresentar o material que gravamos recentemente, então, o pessoal pôde realmente matar a saudade dos velhos tempos ou, no caso de alguns, conhecer um pouco do que era feito nos primórdios da banda. Foi cansativo, mas muito gratificante ver a resposta do público até o final do show, que durou cerca de duas horas. Era algo que a gente devia ao nosso público pela paciência e apoio que sempre nos foi dispensado.

RtM: Vocês já possuem certa experiência em estúdio. Os fãs podem já ir pensando em algum trabalho ao vivo?

ASD: Não existe nada concreto, fora o nosso constante e real desejo de apresentar nossos trabalhos em perspectivas diferentes. Mesmo no show de lançamento de Toward Nothingness cogitamos fazer uma filmagem oficial e até mesmo capturar o áudio em canais separados, como uma experiência própria, mas também para analisar se seria possível lançar esse material assim. O problema é que a cena atual e a estrutura que a gente encontra pra tocar hoje, ainda mais como banda independente, impossibilita levarmos essas ideias a cabo da maneira mais satisfatória tanto pra nós como para o público. Mas sempre estudamos possibilidades de tornar isso tudo realidade. Pode ser que, em breve, alguma boa notícia nesse sentido surja.

RtM: Entre as 9 faixas que compõem o álbum, quais vocês podem assinalar como destaques do álbum?

ASD: Essa é uma pergunta cruel! Na realidade, para a banda, não existe uma ou duas músicas que se destaquem. Cada uma está no álbum da forma como a gente queria, porque a gente queria e no lugar que a gente queria, ou melhor, se as gravamos e optamos por colocá-las nesse álbum, é porque elas fazem sentido ali. É um trabalho que mostra exatamente o que somos e o que fomos até agora, ela resume o que as formações anteriores vinham sendo ao mesmo tempo que apresenta exatamente o que nós somos agora. Dizer que uma ou outra faixa tem mais destaque é ignorar todo o contexto que envolve a obra toda. Cada uma das faixas tem sua importância específica para nós, por todo o processo que envolve a composição e a gravação de cada uma delas.

RtM: Em relação às composições das músicas e letras, em geral, quem se envolve no processo diretamente? Quais as temáticas que circulam as letras da banda?

ASD: Todos se envolvem no processo de composição das músicas, que ocorre em estúdio ou em reuniões “extraordinárias”. Geralmente é o Lucas quem traz as ideias e linhas de instrumentos iniciais, e todos complementam com seus respectivos instrumentos e opinam até chegarmos num consenso de que a música agrada a todos. As letras sempre ficam a cargo de ambos os vocais. O curioso em Toward Nothingness é que ele trouxe músicas que já vinham de outras formações da banda, então nem só o Éder e a Josie compuseram suas partes nas músicas, mas também existe material da Vari e do Clark ali, por exemplo. No geral abordamos temas humanistas e existencialistas, mas não nos prendemos a temas específicos. Por força daquilo que sentimos que a música pode dizer e transmitir é que compomos nossas letras. Tratamos de crenças, medos, dúvidas e angústias próprios da condição humana, e também abordamos forças da natureza, simbologias e mitologia. Tudo o que nos parecer propício retratar em nossas músicas.

RtM: Para quem quiser adquirir o novo álbum e não mora na capital gaúcha, qual o procedimento?

ASD: Por enquanto é só mandar um email para o endereço que disponibilizamos no site e fazer a encomenda. O valor fica o mesmo, acrescido de custos postais.

RtM: Por falar em interior do estado, a banda tem se apresentado fora da grande Porto Alegre? Qual a previsão de shows de divulgação do novo álbum para o noroeste e norte do estado do Rio Grande do Sul?

ASD: Ainda não temos datas acertadas, mas pretendemos fechar alguns shows para divulgação do CD por todo o estado, o quanto for possível. Infelizmente já faz um bom tempo que não saímos da região metropolitana – o último show no interior do estado foi em Dezembro de 2008, em Santa Maria.

RtM: Desejamos sucesso à banda com esse novo trabalho sensacional. Gostariam de deixar alguma mensagem àqueles que acompanham o blog Road to Metal?

ASD: Gostaríamos de agradecer pelo espaço e pelo interesse. Além disso, queremos deixar o recado de que o sonho jamais acabará. Apesar do tortuoso caminho, temos a certeza de que continuaremos nessa luta, pois muito além de acreditarmos em nosso trabalho, percebemos que há um público que também acredita, e isso nos fortalece e nos faz crer ainda mais no que fazemos. Muito obrigado!