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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Atrocity, Arkona & Leaves' Eyes – 23/11/2025 – Carioca Club/SP

As bandas Atrocity, Arkona e Leaves’ Eyes desembarcaram em São Paulo no último dia 23 para apresentações memoráveis. Talvez devido ao grande número de eventos do gênero, o público foi modesto, mas extremamente participativo. O evento ocorreu no Carioca Club e apresentou um lineup diversificado dentro do metal extremo, com influências que vão do death metal ao folk e ao symphonic metal. A participação do público, embora reduzida, foi decisiva, já que os presentes interagiram ativamente, cantando e aplaudindo, o que contribuiu para uma atmosfera empolgante. No geral, as apresentações foram sólidas, com cada banda entregando performances competentes e fiéis ao próprio estilo, mantendo a magia que só acontecem em shows ao vivo. 

A primeira banda da noite foi o Atrocity, grupo alemão de death metal formado em 1985 em Ludwigsburg. O conjunto é conhecido pela longa trajetória no cenário underground e por mesclar elementos do metal extremo com influências industriais e góticas em fases mais recentes. Fundado por Alexander Krull, vocalista e principal compositor, o grupo conta com integrantes como Thorsten “Tadd” Bauer na guitarra, entre outros músicos que contribuíram para álbuns relevantes. Com mais de três décadas de carreira, o Atrocity influenciou o metal europeu com composições marcantes e consolidou sua posição como referência do estilo por meio de uma discografia extensa e pela constante evolução sonora.

O Atrocity iniciou sua apresentação com um atraso de quinze minutos, o que forçou o corte da música “Necropolis” para adequação ao cronograma. Apesar disso, o grupo entregou um setlist consistente, incluindo “Desecration of God”, “Death by Metal” e “Reich of Phenomena”, que destacaram tanto o vocal gutural característico de Alexander Krull quanto o peso instrumental da banda. O público, pequeno, porém dedicado, respondeu de forma intensa, especialmente durante “Faces From Beyond” e “Bleeding for Blasphemy”. No geral, o show foi poderoso e atendeu às expectativas dos fãs de metal extremo, demonstrando profissionalismo ao compensar o atraso com uma performance coesa e envolvente.

Em seguida, veio o Arkona, que é uma banda russa de pagan folk metal formada em 2002 em Moscou e que se destaca pela fusão de elementos tradicionais da cultura eslava, como flautas e percussões folclóricas, com o peso do metal extremo. Liderada por Masha “Scream” Archipova, vocalista e principal letrista, a banda conta com músicos como Sergei “Lazar” Atrashkevich na guitarra, além de outros integrantes que incorporam instrumentos étnicos às composições. Com álbuns consagrados, o Arkona obteve reconhecimento internacional ao celebrar o folclore pagão e a mitologia eslava, misturando vocais limpos e agressivos em um som marcante.

A apresentação do Arkona no Carioca Club seguiu sem imprevistos e ofereceu um show dinâmico que reforçou a proposta estética do grupo. Com um setlist que incluiu “Kob’”, “Ydi” e “Goi, rode, goi!”, a banda envolveu o público com performances enérgicas conduzidas pela presença marcante de Masha Archipova. A participação da plateia foi incrivel, especialmente durante “Khram” e “Zimushka”, criando um ambiente imersivo. O show foi bem executado, mantendo qualidade sonora e entregando uma experiência culturalmente rica que atendeu às expectativas e reforçou o apelo da banda no cenário metal brasileiro.

Fechando a noite, era a vez do Leaves’ Eyes. Banda alemã de symphonic metal formada em 2003. O grupo foi originalmente idealizado pela vocalista norueguesa Liv Kristine, ex-Theatre of Tragedy, que contribuiu com uma abordagem lírica e operística ao lado de Alexander Krull (também do Atrocity) e demais integrantes responsáveis por acrescentar elementos orquestrais e temáticas vikings ao som da banda. Com discos dedicados à mitologia nórdica e arranjos sinfônicos marcantes, o Leaves’ Eyes consolidou presença internacional e participação constante em grandes festivais.

O show do Leaves’ Eyes no Carioca Club foi uma excelente surpresa, contrastando com o peso das bandas anteriores. A apresentação destacou o caráter sinfônico e melódico do grupo, que abriu com “Chain of the Golden Horn” e incluiu “Hammer of the Gods”, “Who Wants to Live Forever” e outras faixas marcantes. A banda entregou um setlist variado, evidenciando a qualidade vocal e a presença cênica de Liv Kristine. A plateia, embora pequena, participou de forma ativa, especialmente durante “My Destiny”, sendo ainda surpreendida com doses de vodca distribuídas pela banda. Outro destaque foi a apresentação de “Song of Darkness”, faixa anunciada como parte do próximo trabalho. No geral, a performance foi excelente e reforçou o domínio de palco do grupo, sobretudo em “Sign of the Dragonhead”, momento em que Alexander surgiu com vestimentas medievais e empunhando uma espada, elevando ainda mais o clima teatral da apresentação.

Em síntese, as três bandas apresentaram shows de qualidade, mantendo o público engajado e satisfeito.  Para um domingo à noite, o lineup diversificado atraiu os fãs verdadeiros, provando que não é sobre quantidade, mas da qualidade e da entrega daqueles que contribuem para fazê-lo acontecer. 


Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Edu Lawless 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta

Press: Acesso Music 


Atrocity – setlist:

Desecration of God

Death by Metal

Fire Ignites

Fatal Step

Spell Of Blood

Faces From Beyond

Bleeding for Blasphemy

Shadowtaker

Reich of Phenomena 


Arkona – setlist:

Kob'

Ydi

Na strazhe novyh let

Yav'

Khram

Goi, rode, goi!

Zakliatie

Zimushka


Leaves' Eyes – setlist:

Chain of the Golden Horn

Hammer of the Gods

Across the Sea

Serpents and Dragons

Edge of Steel

Who Wants to Live Forever

Sign of the Dragonhead

Song of Darkness

Realm of Dark Waves

My Destiny

Swords in Rock

Hell to the Heavens

Farewell Proud Men

Forged by Fire

sábado, 26 de setembro de 2015

Arkona: Folk/Pagan Metal Envolto em Atmosfera e Musicalidade Grandiosa


Os russos do Arkona são classificados como Pagan/Folk Metal, e hoje são, sem dúvidas, umas das grandes referências do estilo, e podemos dizer também, o grande nome do Metal russo, e apesar de se expressar em sua língua natal, não lhe impediu de alcançar outros mercados, inclusive o brasileiro, por onde a banda se apresentará em outubro (assista AQUI recado da vocalista Masha aos fãs brasileiros), e a versão nacional de seu mais recente trabalho ("Yav" - Napalm Records) chega na hora, via Shinigami records.


Liderada pela carismática vocalista Masha, diferente de muitas bandas do estilo (Pagan/Folk), que possuem aquela sonoridade que remete a climas "festivos", bebedeira, histórias de batalhas e danças em volta da fogueira, o Arkona vai por um caminho mais "sóbrio", encarando com muita seriedade suas raízes e crenças pagãs e cultura eslava.

Em uma sonoridade e temáticas, densas e belas, mas também pesadas, agressivas e atmosféricas, os russos cativam o ouvinte, inclusive pela atmosfera que passam os instrumentos étnicos utilizados nas músicas e a sonoridade peculiar da sua língua pátria. Destaque também para a belíssima capa, onde, uma princesa pagã, eu diria, ajoelhada em frente a um lago tem sua imagem refletida, mas de forma diferente, provavelmente significando Yav (que na mitologia eslava significa o mundo material, onde estão as criaturas vivas) e Nav (o mundo imaterial).


"Zarozhdenie", com seus mais de 9 minutos abre o álbum, apresentando a belíssima e pesada música do grupo, arranjos de teclados e instrumentos tradicionais dão os tons e climas, envolvendo o ouvinte em sua atmosfera, enquanto que Masha alterna vocais limpos e "screams" com maestria e feeling, em interpretações envolventes e sendo agressiva quando necessário. Uma daquelas bandas que você sente que acreditam no que fazem, tocam com paixão e fazem com que você sinta a música, apesar das diferenças ou estranheza que a língua possa causar para alguns, mas acredite, é um dos elementos que deixam a atmosfera mais bela, e o encarte ajuda, pois traz as versões em inglês.


A criativa "tempestade" sonora pode ser sentida em "Na Strazhe Novikh", que passa por caminhos mais extremos, ritmos típicos como a balalaika e experimentações mais modernas; "Ved'ma" traz trechos da dança típica horovod e "Chado Indigo" belo arranjo de piano, grandes riffs, e também um coro de crianças, tudo regado a mais sons típicos, mas nada se compara a épica faixa título, "Yav", com cerca de treze minutos de duração, uma jornada musical que leva o ouvinte a uma viagem por entre climas sombrios, folk, com peso e melodia.

Um álbum perfeito, uma verdadeira celebração, indicado não só a fãs de Folk/Pagan ou Metal Extremo em geral, mas para ouvintes exigentes, sendo um trabalho para ser degustado em várias audições para uma compreensão e proveito mais completo.
Rate: 9,5/10


Banda: Arkona
Álbum: Yav
País: Rússia
Estilo: Folk/Pagan Metal
Selo: Napalm Records (Licenciado para a Shinigami Records)
Adquira o álbum na Shinigami AQUI



Membros:
Masha "Scream" – voice
Sergei "Lazar" - guitar
Ruslan "Kniaz" - bass
Andrey Ischenko - drums
Vladimir "Volk" - wind ethnic instruments
Anton Dobrovolskiy - keyboards, samples(live)

Track listing:
1. Zarozhdenie
2. Na Strazhe Novyh Let
3. Serbia
4. Zov pustyh dereven’
5. Gorod Snov
6. Ved’ma
7. Chado Indigo
8. Yav’
9. V Ob’yat’yah Kramoly




 





sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Metal Female Voices Fest: Mostrando a Força Feminina do Metal Mundial

A principais bandas com vocal feminino já passaram pelo MFVF


Chegando a sua 10º edição, não podíamos deixar de falar desse que é, com certeza, um verdadeiro paraíso para quem gosta de Metal dominado por vozes femininas: o Metal Female Voices Fest, que acontecerá entre 19 e 21 de outubro deste ano.

A proposta do festival que acontece na Bélgica é reunir, em três dias de festival, muitas bandas de dentro do Metal (mas não somente) que contem com, pelo menos, uma vocalista.

Sabe-se que, por muito tempo, o Heavy Metal fora majoritariamente masculino, e até hoje encontramos muito mais bandas totalmente masculinas do que com algum membro feminino, embora esta realidade já venha mudando há anos, prova disso é este festival, por onde já passaram bandas como Doro Pesch (considerada uma das pioneiras mulheres no Metal), Epica, Lacuna Coil, Delain, Nightwish, Leaves’ Eyes, Tristania e até mesmo as garotas da Girlschool, referência histórica Hard Rock.



O festival não possui uma cidade fixa, mas este ano volta a acontecer em Wize, durante a Oktoberhallen, tradicional festa anual. Aliás, cerca de metade das edições aconteceram nessa localidade, o que tudo indica que o festival encontrou seu porto seguro e tende, a cada ano, atrair mais atenção e público.

Para esta edição de 2012, atrações de grande nome estarão em Wize: Arch Enemy (com Angela Gossow), Lacuna Coil (com Cristina Scabbia), Delain (com Charlotte Wessels), Epica (com Simone Simons), Xandria (com Manuela Kraller), dentre outras. No dia 19, estão previstas jams acústicas, um preparativo para os dois dias seguintes de grandes shows.

Definitivamente, é o festival dos sonhos para quem gosta, sobretudo, de Metal Sinfônico e Gothic Metal, ainda bastante predominante entre as bandas com vocais femininos. Quem sabe, numa próxima edição, a organização expanda seus horizontes, levando para as próximas edições bandas como Crucified Barbara e a brasileira Shadowside, que iria colocar para ferver o público. Que você acha?

Stay on the Road

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Informações sobre o festival


Assista ao trailer oficial da edição 2012