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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Christian Death & Gene Loves Jezebel – 12/12/2025 – Burning House/SP

Mesmo com São Paulo enfrentando problemas de energia elétrica, nada foi capaz de parar a noite intensa e memorável no Burning House. A casa cheia e o público entregue provaram que a cena gótica e post punk segue mais viva do que nunca.

O Gene Loves Jezebel entregou um show vibrante, carismático e extremamente próximo do público. Michael Aston foi o grande destaque da noite, comunicativo, afetuoso e totalmente disponível, interagiu o tempo todo, dentro e fora do palco,  cantando junto, conversando, agradecendo e criando uma conexão real com os fãs. Os outros membros acompanharam essa energia, sorrindo, respondendo ao público e curtindo cada reação da plateia. O público cantou, dançou e respondeu com entusiasmo durante o show todo.

O set do Gene Loves Jezebel foi direto e envolvente, passando por Heartache, Flame, Downhill, Cow, 20 kHz, Loving You, Bruises, Beyond Doubt, Suspicion, Gorgeous, Motion of Love e Desire, reforçando o clima nostálgico e emotivo que marcou a apresentação.

Já o Christian Death trouxe a atmosfera mais sombria e ritualística da noite. Formada por Valor Kand (vocal e guitarra), Maitri Nicolai (baixo), Matthew Anderson (guitarra) e Steve Kilroy (bateria), a banda entregou um show à altura de sua história, denso, hipnótico e intenso, mergulhando o público em sua estética gótica clássica e mantendo todos completamente envolvidos do início ao fim.

O set passou por Tales, Penance, Drowning, Become, New Messiah, Forgiven, Abraxas, Beautiful, Warning, Rise and Shine, Elegant Sleeping, Four Horsemen, Blood Moon, Romeo, Church e Heresie, sustentando uma atmosfera densa e hipnótica durante toda a apresentação.

A interação da banda com o público foi um dos pontos mais marcantes da noite. A baixista Maitri Nicolai interagiu diversas vezes, cantou junto com o público e ainda chamou fãs para subir ao palco, criando momentos espontâneos e muito próximos. Tudo isso deixou o show ainda mais especial.

A presença de palco de Valor Kand foi forte e envolvente, conduzindo o público com segurança e intensidade do início ao fim. Para fechar a noite chuvosa e escura de São Paulo de forma histórica, God Save The Queen reuniu Christian Death e Gene Loves Jezebel no palco, com todos tocando e cantando juntos. Um encerramento simbólico, emocionante e memorável, que transformou o show em um verdadeiro marco no Burning House.

Tanto o Christian Death quanto o Gene Loves Jezebel deixaram claro, em diversos momentos, o quanto foi especial tocar para o público do Burning House. A resposta calorosa da plateia, a casa cheia e a entrega dos fãs criaram um clima de proximidade que as bandas sentiram do palco.

O Gene Loves Jezebel se mostrou visivelmente à vontade. Michael Aston falou mais de uma vez sobre o carinho recebido, agradeceu o público e demonstrou entusiasmo genuíno em estar ali. A banda tocou solta, sorrindo, interagindo e aproveitando cada reação, como quem realmente estava curtindo aquele momento com os fãs brasileiros.

Já o Christian Death também deixou evidente o quanto se sentiu acolhido. A conexão com o público foi intensa e constante, com trocas diretas durante o show e uma atmosfera de respeito e entrega mútua. A banda absorveu a energia da casa e devolveu em forma de um show forte, emocional e próximo, mostrando gratidão por cada resposta da plateia.

Foi uma noite em que ficou claro que o público do Burning House não foi apenas espectador, mas parte ativa do espetáculo. A troca entre bandas e fãs transformou o show em algo maior, especial e inesquecível para todos os envolvidos. Uma noite pesada, íntima e inesquecível.


Texto e Fotos: Monise Bianchi

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions 

Press: JZ Press


Gene Loves Jezebel – setlist: 

Heartache 

Always a Flame

Downhill Both Ways

Cow

Twenty Killer Hurts

Loving You Is the Best Revenge 

Bruises 

Beyond Doubt

Suspicion

Gorgeous

The Motion of Love

Desire


Christian Death – setlist: 

Tales of Innocence

Penitence Forevermore

The Drowning 

We Have Become

New Messiah

Forgiven

Abraxas We Are

Beautiful

The Warning

Rise and Shine

Elegant Sleeping

Four Horsemen 

Blood Moon

Romeo's Distress

Church of No Return

This Is Heresy

God Save the Queen (Sex Pistols cover)

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Cobertura de Show: The Sisters Of Mercy – 26/09/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Em sua sétima passagem pelo Brasil, a banda britânica The Sisters of Mercy levou cerca de 4 mil fãs ao delírio em uma apresentação única, no último dia 26 de setembro, no Tokio Marine Hall, em São Paulo. A turnê All Wires Red South America 2025 reforça o legado gótico e pós-punk do grupo, que estreou no país ainda nos anos 1990.

Mas antes, o público foi recepcionado por uma apresentação intensa do 3Pipe Problem, banda que já havia feito a abertura do The Sisters of Mercy em 2023. Com um set rápido, a banda cumpriu bem seu papel de preparar o terreno, criando uma atmosfera condizente com a estética sombria da noite. Além do material autoral, o trio incluiu no repertório uma versão de “Save A Prayer”, clássico do Duran Duran, que trouxe um respiro nostálgico e fez boa parte do público cantar junto. 


Com uma atmosfera carregada de fumaça, luzes indiretas e sombras intencionais, o The Sisters Of Mercy começou o show pontualmente às 22hrs, convidando o público a mergulhar na experiência. Desde os primeiros acordes de “Don’t Drive On Ice”, ficou claro que o objetivo da banda não era ser “vista”, mas sentida. O vocalista Andrew Eldritch, figura central e enigmática, manteve sua tradicional postura contida, praticamente sem interações com o público — marca registrada de suas performances ao longo das décadas.

O repertório misturou clássicos como “More”, “Lucretia My Reflection”, “Temple of Love” e “This Corrosion” — todos entoados em coro pela plateia — com faixas mais recentes e outras menos conhecidas, como “Here”, “Quantum Baby” e o cover “Giving Ground”, da The Sisterhood. A sequência de músicas soou mais pesada ao vivo, com guitarras densas e batidas eletrônicas bem encaixadas.


Os guitarristas Ben Christo e Kai foram os mais animados no palco, demonstrando sintonia com o público. Já a percussão ficou por conta da icônica caixa de ritmos Doktor Avalanche, operada por Chris Catalyst, quase invisível em meio à névoa que dominava o palco.

Apesar de o setlist ter poucas novidades em relação à última visita da banda em 2023, a entrega foi fiel à proposta: transportar os fãs para uma balada gótica dos anos 80 e 90. A sensação de nostalgia foi reforçada por um público que não buscava inovação, mas sim reviver momentos e mergulhar na ambientação sombria que só o The Sisters of Mercy sabe criar.


O encerramento, com “Never Land (A Fragment)”, “Lucretia My Reflection” e “This Corrosion”, selou a noite com intensidade e emoção. Para os fãs de longa data, missão cumprida. A banda entregou o que prometeu: uma noite intensa de rock alternativo/ pós-punk com a veia gótica bem representada. Transformou o Tokio Marine Hall numa grande balada gótica digna de Madame Club (famosa casa noturna de São Paulo especializada no estilo). 




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


The Sisters Of Mercy – setlist:

Don’t Drive on Ice

Crash and Burn

Ribbons

Doctor Jeep / Detonation Boulevard

More

I Will Call You

Alice

Dominion / Mother Russia

Summer

Giving Ground (The Sisterhood cover)

Marian

But Genevieve

Eyes of Caligula

Here

Quantum Baby

On the Beach

When I’m on Fire

Temple of Love

Bis

Never Land (A Fragment)

Lucretia My Reflection

This Corrosion

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Cobertura de Show: The Hives – 15/10/2024 – Tokio Marine Hall/SP

A banda The Hives retornou ao Brasil para uma apresentação única em São Paulo, no dia 15 de outubro, no Tokio Marine Hall. A última vez que se apresentaram no país foi há menos de um ano, durante o festival Primavera Sound.

No comunicado do anúncio do show, os suecos publicaram em suas redes sociais:

“Oh Brasil! Algum outro país tão frequentemente e tão entusiasticamente pediu para que fossemos até lá? Eu acho que não. Desde a nossa última vez nós ficamos muito ansiosos para voltar e fazer um show maior pois a única coisa melhor que um monte de brasileiros é um monte de brasileiros ainda maior!!! Estamos esperando ansiosamente para passear pelas suas florestas e selvas de concreto e pedra, e ver todos vocês na grade do show.”

Faltando poucos dias para o show, a banda, formada por Howlin’Pelle Almqvist (vocais), Nicholaus Arson e Vigilante Carlstroem (guitarras), Chris Dangerous (bateria) e The Johan and Only (baixo), prometeu: “esse será nosso melhor show em solo brasileiro”.

A previsão de início era 21 horas e, com atraso, o show começou por volta de 21:30.

Abriram a apresentação com “Bogus Operandi” do seu álbum mais recente “The Death of Randy Fitzsimmons”, lançado ano passado. De cara deu para perceber que esse show seria extremamente agitado. A sensação foi de que alguém entrou arrombando a porta. Com apenas um “boa noitche” entre os acordes finais da primeira música, a banda já emendou um dos seus maiores sucessos, “Main Offender”, diretamente do seu segundo álbum (e talvez mais bem-sucedido), “Veni Vidi Vicious”.

Pelle gira o microfone incontáveis vezes e interage muito com o público, além de fazer questão de cantar bem próximo, chegando a descer do palco. Foi assim em “Rigor Mortis” que também foi single do último álbum.

Mesclando músicas novas com hits, o set seguiu com “Walk Idiot Walk” que fez o público cantar em uníssono e dançar sem parar.

Sempre que possível interagindo em português, a banda seguia arrancando sorrisos e olhares maravilhados. “Good Samaritan” - single de 2019 - rendeu um daqueles momentos inesquecíveis. Após o refrão, o vocalista pediu: “Everybody SCREAM!” e, teve seu pedido atendido. A banda permaneceu imóvel por uns bons minutos, enquanto o público provava seu fôlego. A volta da música, que até então parecia ser um momento calmo no show, voltou mais enérgica do que antes.

Ainda rasgando elogios para os brasileiros, “Go Right Ahead”, “Stick it Up” e “Try It Again” deram sequência a esse show que parecia estar passando voando.

Antes de anunciar a próxima música, Pelle perguntou quantos ali já estiveram em um show do The Hives. Entre um mix de respostas, ele anunciou “se você já foi a um show do The Hives você com certeza sabe que música é essa”. Foi aí que a casa veio abaixo com “Hate to Say I Told You So”, com direito a coro do público e um dos pontos altos do show!

Na sequência, a brevíssima “Trapdoor Solution”, “I’m Alive” (que também rendeu um belo momento onde todos levantaram as mãos ao ritmo da música) e “Bigger Hole to Fill”. Antes de finalizar a primeira parte do show com a ótima “Countdown to Shutdown”, o público levou uma bronca por chegar atrasado, o que levou a banda a cortar uma música do set.

Após poucos minutos, o The Hives voltou ao palco com “Come On!” fazendo o público cantar mais alto que a banda mais uma vez (mesmo que por 1 minuto que é o tempo da música). “Smoke & Mirrors” foi trazendo aquele gostinho agridoce de estar chegando ao fim a noite, mas não antes de mais um super hit.

Em “Tick Tick Boom”, a apresentação dos integrantes foi feita em português e deveras interessante. Já enrolado em uma bandeira do Brasil, Pelle pediu a todos que se abaixassem e ao seu sina (simultaneamente com a música) pulassem e dançassem o máximo que pudessem. Dito e feito, a sensação de alegria e energia foi impagável.

Foram vários momentos de nostalgia e um público bem diversificado. A forma com que a banda se porta, todos os momentos de interação, mostram que eles amam realmente o que fazem. Esse foi o último show do ano para o The Hives. A promessa de entregar o melhor deles já feito no Brasil foi cumprida. E deixaram outra: a de voltar pelo menos uma vez por ano. Assim esperamos.


Texto: Jessica Tahnne Valentim

Fotos: Roberto Sant'Anna


Realização: Popload GIG / T4F


The Hives – setlist:

Bogus Operandi

Main Offender

Rigor Mortis Radio

Walk Idiot Walk

Good Samaritan

Go Right Ahead

Stick Up

Try It Again

Hate to Say I Told You So

Trapdoor Solution

I'm Alive

Bigger Hole to Fill

Countdown to Shutdown

Bis

Come On!

Smoke & Mirrors

Tick Tick Boom