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terça-feira, 14 de abril de 2026

Vanden Plas: Sofisticação e Profundidade (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Três décadas após o lançamento de AcCult (1996), os alemães do Vanden Plas revisitam um dos capítulos mais emblemáticos de sua trajetória com AcCult II. Longe de se limitar a um exercício nostálgico, o novo trabalho amplia a proposta original ao apresentar releituras acústicas que equilibram sofisticação, sensibilidade e uma abordagem artística amadurecida.

O repertório mescla versões de composições marcantes da banda — como “Far Off Grace” e “The Ghost Xperiment” — a releituras de clássicos de Metallica e Styx, criando um diálogo interessante entre diferentes universos musicais. Com participação especial de John Helliwell (Supertramp) e uma execução impecável por parte da formação atual, o álbum reafirma a identidade do grupo dentro do metal progressivo, mesmo em um contexto essencialmente acústico.

A abertura com “Far Off Grace” já estabelece o tom do disco. Em uma construção gradual e minimalista, a ausência quase total de percussão na maior parte da faixa valoriza a interpretação de Andy Kuntz, enquanto os arranjos de Stephan Lill se desenvolvem de forma elegante até o clímax final, onde a entrada da percussão amplia a intensidade emocional.

Na sequência, “Holes in the Sky” rompe com essa introspecção inicial ao apostar em uma dinâmica mais energética. A percussão mais presente impulsiona a faixa, enquanto o trabalho de violão e o solo bem estruturado reforçam o caráter técnico da banda. O piano de Alessandro Del Vecchio surge como elemento de refinamento, enriquecendo a textura sonora.

Um dos momentos mais aguardados do álbum, “The Ghost Xperiment” mantém sua essência progressiva ao transpor sua complexidade para o formato acústico. A bateria assume papel central desde os primeiros compassos, enquanto o piano conduz a narrativa até um refrão sustentado por arranjos vocais densos. O uso de cordas adiciona profundidade e contribui para uma das interpretações mais completas do disco.

O primeiro cover aparece em “Boat on the River”, clássico do Styx, que ganha aqui uma leitura delicada e detalhista. A combinação entre cello, acordeão e violão cria uma atmosfera rica, permitindo que a interpretação instrumental se destaque sem perder o caráter melódico da composição original.

“Healing Tree” representa uma mudança de atmosfera, apostando em uma sonoridade mais etérea e textural. A presença de vocais femininos — não creditados oficialmente — adiciona uma nova camada à interpretação de Andy Kuntz, resultando em uma das faixas mais acessíveis do álbum, mesmo dentro de sua complexidade estrutural.

Em “Postcard to God”, o Vanden Plas explora uma abordagem mais tradicional dentro do conceito acústico, com arranjos que combinam piano, violão, contrabaixo e intervenções pontuais de cordas. A performance vocal novamente se destaca, enquanto o solo remete à sonoridade clássica dos instrumentos acústicos, com discretas incursões de elementos eletrônicos.

A releitura de “Nothing Else Matters”, do Metallica, surge como um dos pontos mais delicados do álbum. Iniciando em formato intimista de piano e voz, a faixa se desenvolve gradualmente, incorporando elementos orquestrais e uma abordagem vocal menos fiel à versão original, o que contribui para uma interpretação própria. O resultado é uma versão que respeita a essência da composição, mas encontra identidade própria dentro da proposta do disco.

Encerrando o trabalho, “You Fly” sintetiza a proposta do álbum ao incorporar elementos característicos do metal progressivo em uma roupagem acústica. As mudanças de andamento, os arranjos elaborados e o refrão marcante são complementados pela participação de John Helliwell no saxofone, adicionando uma coloração distinta ao desfecho do álbum.

Mais do que uma celebração de aniversário, AcCult II se apresenta como uma reafirmação artística. Ao revisitar seu repertório com novas perspectivas, o Vanden Plas demonstra maturidade e domínio criativo, entregando um trabalho que dialoga tanto com fãs antigos quanto com ouvintes que buscam sofisticação dentro do gênero.

***ENGLISH VERSION***

Three decades after the release of AcCult (1996), German progressive metal veterans Vanden Plas return to one of the most distinctive chapters of their career with AcCult II. Far from being a mere nostalgic exercise, the album expands on the original concept, delivering a collection of acoustic reinterpretations that balance sophistication, emotional depth, and artistic maturity.

Blending revisited band staples such as “Far Off Grace” and “The Ghost Xperiment” with carefully selected covers from Metallica and Styx, AcCult II builds a compelling bridge between progressive metal and classic rock sensibilities. Featuring a guest appearance by John Helliwell (Supertramp), the record highlights the band’s ability to reshape their identity without losing its core essence.

Opening track “Far Off Grace” immediately sets the tone. Built on a restrained and gradual arrangement, the near absence of percussion for most of the song allows Andy Kuntz’s expressive vocals to take center stage, while Stephan Lill’s acoustic work unfolds with elegance, culminating in a subtle yet powerful climax.

“Holes in the Sky” shifts gears with a more dynamic and rhythm-driven approach. The stronger percussive presence pushes the track forward, while intricate acoustic guitar work and a well-crafted solo underline the band’s technical finesse. Alessandro Del Vecchio’s piano adds an extra layer of refinement, enriching the overall texture.

One of the album’s most anticipated moments, “The Ghost Xperiment”, successfully translates its original complexity into an acoustic setting. The drums establish a strong presence early on, while the piano guides the arrangement toward a chorus supported by lush vocal harmonies. The addition of string arrangements enhances the depth, resulting in one of the album’s most fully realized performances.

The first cover, Styx’s “Boat on the River”, is handled with remarkable sensitivity. The interplay between cello, accordion, and acoustic guitar creates a rich and organic soundscape, allowing the band to reinterpret the track without losing its melodic identity.

“Healing Tree” introduces a shift in mood, leaning into a more atmospheric and textural direction. The inclusion of uncredited female vocals adds an intriguing dimension to Kuntz’s performance, resulting in one of the album’s most accessible yet nuanced tracks.

On “Postcard to God”, Vanden Plas embraces a more traditional acoustic framework. Piano, acoustic guitars, and upright bass form a warm foundation, complemented by subtle string details. Kuntz delivers one of his strongest vocal performances here, while the solo evokes a classical acoustic tone, with brief touches of synthesized elements adding contrast.

Taking on Metallica’s “Nothing Else Matters” is no small task, yet Vanden Plas approach it with confidence and restraint. Beginning as a sparse piano-and-vocal arrangement, the track gradually evolves, incorporating orchestral layers and a more interpretative vocal delivery that diverges from the original. The result is a respectful yet distinctive reimagining that fits seamlessly within the album’s concept.

Closing track “You Fly” encapsulates the essence of AcCult II. With its shifting dynamics, intricate arrangements, and memorable vocal lines, it brings progressive elements into the acoustic realm with ease. John Helliwell’s saxophone contribution adds a unique tonal color, providing a fitting and elegant conclusion.

More than a commemorative release, AcCult II stands as a testament to Vanden Plas’ enduring creativity. By revisiting their catalogue through a refined acoustic lens, the band not only honors their legacy but also reinforces their relevance within the progressive music landscape.

Jannik S. Wagner

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Maestria em Música: Vanden Plas



Sinto-me envergonhado de apenas agora em 2010 ter tido o prazer de conhecer parcialmente o trabalho da banda Vanden Plas, que desde meados dos anos 80, mas que não alcançaram o sucesso e reconhecimento que mereciam.

Os alemães neste ano lançaram seu disco 6º trabalho“The Seraphic Clockwork” (2010), que é complexamente perfeito. Falo em complexidade pois estamos tratando de uma banda de Metal Progressivo e de um cd que me cativou já na primeira audição, e a cada uma seguinte me vicia ainda mais.

O álbum apresenta 9 faixas (oito inéditas de estúdio), que ao longo de seus mais de 72 minutos, desfilam toda a habilidade do grupo em termos técnicos e de composição.

O maior destaque fica para “On My Way to Jerusalem”, música com mais de 12 minutos e que não é nada mais que a perfeição. A faixa inicial “Frequency” já impressiona de cara, por mesclar peso e técnica espetacularmente. Confira a guitarra de Stephan Lill, que lembra bastante John Petrucci (Dream Theater).

O que mais impressiona, de tudo que a banda nos oferece no disco, foram os teclados de Günter Werno, que detona e assegura os momentos instrumentais com muita capacidade.

“Holes in the Sky” é uma das minhas preferidas do álbum. Andy Kuntz (Vocal) mostra que esta no posto certo e configura entre os nomes mais lembrados do Metal Progressivo, sendo um dos ídolos da Alemanha.

Grande música também é “Scar of An Angel”. Confira o final apoteótico da canção. Assim como “Sound of Blood” (telcado comendo!).

Outra canção de grande destaque fica a cargo de “The Final Murder”, com a cozinha da banda puxando o peso com Andreas Lill (bateria) e Torsten Reichert (baixo).

As demais músicas agradam tanto quanto as citadas, isso porque o grupo, a maior referência em Metal Progressivo vindo da Alemanha, são mestres em compor melodias que expressam todas seus sentimentos, pensamentos, tendo nas letras grandes temas da humanidade.

Com certeza, após este contato inicial com o trabalho da Vanden Plas, irei atrás dos demais, na certeza de que não me decepcionarei. Altamente recomendado aos amantes do Metal Progressivo e de melodias.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Vanden Plas
Álbum: The Seraphic Clockwork
Ano: 2010
País: Alemanha
Tipo: Progressive Metal

Formação

Andy Kuntz (Vocal)
Stephean Lill (Guitarra)
Günter Werno (Teclados)
Torsten Reichert (Baixo)
Andreas Lill (Bateria)



Tracklist

01. Frequency
02. Holes In The Sky
03. Scar of an Angel
04. Sound of Blood
05. The Final Murder
06. Quicksilver
07. Rush of Silence
08. On My Way to Jerusalem
09. Eleyson (bônus ao vivo)