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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Marcelo Demichelli: O Metal Oriental e Místico em Sua Fase mais Introspectiva

 


Em seu quinto álbum de estúdio "The Rising Inner Eden” (O Éden Interior Em Ascenção), com data de lançamento para este 10/08,2026, o guitarrista, compositor e produtor fonográfico Marcelo Demichelli - da prolífica cena Metal e Underground da região central do RS - apresenta em seu release que esse é o seu trabalho mais conceitual e introspectivo até então.

E realmente após as primeiras audições é o que podemos sentir, além da constante evolução a cada álbum do seu Metal Místico e Oriental, sendo que neste, Demichelli trouxe uma preocupação maior na construção de riffs e melodias marcantes, além de explorar novos elementos, como o Gothic Metal, que faz parte das inspirações do músico.

Este já é o terceiro trabalho produzido, mixado e masterizado pelo próprio artista em seu home studio, o que lhe proporciona tempo e comodidade para trabalhar e maturar as composições.

Afirmo que o álbum terá a capacidade de agradar além do público que é aficionado aos trabalhos instrumentais, principalmente os voltados à guitarra, pois essa trilha sonora carregada de climas densos, intensos e de melodias introspectivas, conduzem o ouvinte por uma jornada que desperta vários sentimentos, como reflexão, surpresa, ansiedade e libertação. 

O álbum inicia com a atmosférica intro "Inner Cure", que embora traga uma atmosfera bem interessante e introspectiva, em minha impressão inicial, poderia ser um pouco mais curta. 

A intro prepara o caminho da jornada, que começa a tomar mais corpo com "A Irmandade Da Fênix". Os riffs e arranjos de fundo apresentam nuances sombrias que demonstram as inspirações Gothic Metal, transitando por climas e atmosferas orientais, que já são característicos do trabalho de Demichelli, e finaliza com belos e introspectivos arranjos ao violão.

Na sequência temos "O Nascer Da Serpente", e aqui o peso dos riffs vêm mais intenso, e já se percebe o que comentei acima, que neste trabalho o guitarrista deu mais ênfase aos riffs e melodias, tornando as músicas mais marcantes. 

As nuances orientais estão bem presentes e mais marcantes. O clima tenso predomina, e nos solos, virtuosos, mas trabalhando para completar os climas que a música busca traduzir ao ouvinte.

Chegamos à faixa título, "The Rising Inner Eden", e aqui novamente podemos sentir as influências Gothic Metal nos riffs e na atmosfera da música, com peso e melodias sombrias e introspectivas, e nos solos temos nuances neoclássicas. 

Em "Silence Kisses but Silence Kills" prosseguimos a jornada, e ela é a faixa mais pesada do trabalho, onde o clima Dark ainda se faz presente, mas o que se sobressai são os trechos que beiram o Metal Extremo, com riffs velozes e nuances Death Metal. 

E essa variedade de riffs e mudanças de atmosferas, por vezes caóticas e com aquela sensação de urgência, mantém o ouvinte atento e interessado, e a cada audição poderá perceber mais detalhes.

Fechando o trabalho temos "Rosa Mystica" (new version/Bonus Track), umas das músicas mais conhecidas de Demichelli ganhou nova roupagem, e posso dizer que ficou ainda mais encorpada, pesada e dinâmica, e casou perfeita com a proposta deste álbum, que traz esse clima mais Dark/Gothic, com mais ênfase nos riffs e melodias.

Marcelo Demichelli demonstra aqui que sua proposta musical está cada vez mais coesa, madura e carregando forte identidade, e alguns excessos de outrora dão lugar a mais melodias, climas e riffs marcantes, e claro, como o título sugere, podemos sentir que é um álbum bem pessoal e transmite essa atmosfera introspectiva.

Os solos seguem como parte marcante, e muitas vezes se sobressaem, mas de forma a contribuir com o todo, quase "conversando" com o ouvinte, sem "exibição gratuita". Sabemos que muitas vezes, nos trabalhos "guitarrísticos", é difícil para o músico segurar aquela vontade de colocar mais notas aqui e ali (risos). Demichelli traz uma forte identidade, capaz de o diferenciar e ser logo reconhecido aos primeiros acordes, algo que todos certamente buscam. 

Um artista que merece ser "descoberto" por mais ouvintes. Não se enveredou por caminhos fáceis, o Metal já é um nicho, e o Metal Instrumental ainda mais.


Tracklist 
1 - Intro - Inner Cure
2 - A Irmandade Da Fênix 
3 - O Nascer Da Serpente 
4 - The Rising Inner Eden 
5 - Silence Kisses but Silence Kills 
6 - Rosa Mystica (new version/Bonus Track)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Falchi: Uma Viagem Sem Destino Pelo Metal Instrumental

Independente (Nac.)

Por Bruno França

Antes do ano de 2025 proferir a sua canção do cisne, o mesmo se prontificou em ir embora deixando um estrondo ao invés de um sussurro, através de inúmeras promessas que estariam por vir para os amantes não só do Rock, mas da música extrema também. Se para o ano de 2026 os anúncios de shows para o Brasil estão alguns dos mais promissores dos últimos anos, no front dos álbuns o cenário não está muito diferente.

Após construir uma estada tão memorável quanto o café da manhã mais tradicional consumido pelos brasileiros na banda CRYPTA, Jéssica Falchi (anteriormente conhecida como "Jéssica di Falchi") saiu dela após aproximadamente três anos, enquanto gradualmente marcava território ao quase se tornar a face da banda. De acordo com a própria (em uma live no canal do YouTube Bandmade), tocar Death Metal não era exatamente onde ela realmente encontrava o fogo que alimenta a sua paixão ao tocar, o que colocou uma data de validade implícita na banda mencionada acima, então a sua partida era inevitável no futuro previsível.

TAMANHO, DE FATO, NÃO É DOCUMENTO

Sendo assim, esta viagem pela estrada da memória nos leva ao agora. Desde Março de 2025 quando ocorreu a sua saída de um dos maiores expoentes do Metal nacional, Jéssica decidiu ascender a novos voos e arquitetou a sua própria banda solo para que pudesse se expressar da maneira que tão lhe agrada. Intitulado "FALCHI", seu primeiro trabalho é totalmente instrumental na forma de um EP, Solace, cujo lançamento completo aconteceu no dia 23 de Janeiro de 2026, após cada uma das faixas que o estrutura forem disponibilizadas ao público em formato episódico, à lá Netflix.

Então nos preparemos para uma observação das quatro canções deste EP, cuja abertura é dada por "Moonlace". A melhor definição que pode ser dada para ela é "um gosto do que está por vir", o que costuma ser a tradição de uma introdução. Desde o instante em que apertamos o botão "play", somos cumprimentados com um Efeito Doppler um pouco tímido, que logo acaba evoluindo para uma demonstração cabal da influência de JOE SATRIANI ao redor da abertura.

"Sunflare" é a exata manifestação daquilo que eu originalmente imaginava do que seria o projeto de Jéssica. Do momento em que a sua intenção foi publicizada, logo acreditei que fosse uma versão de MICHAEL ÂNGELO BATIO com sangue brasileiro, combinada com as produções dos tempos atuais.

Sua vibe pesadamente carregada de Metal Progressivo possui passagens que não estariam fora de lugar em um lançamento do OPETH de meados dos anos 2000 (notadamente, o excelente álbum Ghost Reveries), graças à sua semelhança com "Beneath The Mire".

Para os ouvidos mais exigentes que vislumbram algo mais contemplativo, os apreciadores de um Metal Neoclássico irão se sentir familiarizados aqui.

Sendo agressivamente sincero, o conjunto de palavras que deposito aqui não fazem justiça à sua qualidade pura: “Sunflare” precisa ser escutada para ser acreditada.

Dando continuidade com a análise, temos agora a primeira parte de uma duologia: “Sweetchasm – Pt. 1”, com a participação especial de Aaron Marshall (mais conhecido pela sua performance no INTERVALS). Como foi de costume até agora, é necessário um gosto sofisticado para gostar e compreender as músicas desprovidas de um vocal expresso, colocando a tarefa para tal nos próprios instrumentos: tal afirmação é reforçada quando João Pedro Castro se torna o foco e faz o ouvinte pensar que está ouvindo uma passagem do seu baixo vinda de uma canção do ATHEIST.

O destaque principal fica na minutagem 2:27, quando ocorre a chegada do convidado em tela, cujo solo está em linha com o que fora apresentado no INTERVALS, oferecendo uma pegada mais voltada ao Metal moderno, sem necessariamente tirar a canção para fora de contexto. De todo modo, vemos aqui um reforço de que Solace é uma declaração de intenções contínuas.

Durante boa parte da execução desta faixa, estive sob a impressão de que estava diante de uma faixa bônus do IN FLAMES dos anos 90. Considerando que na época em que estes executavam um Death Metal melódico sob a égide da era “Powerslave” do IRON MAIDEN (uma das bandas preferidas da fundadora), esta não soa uma afirmação tão “alienígena”.

A produção é cortesia de Jean Patton (conhecido pelo PROJECT46), entregue em um nível que não deixa nada a desejar ao observado nos lançamentos internacionais, merecendo o selo “padrão FIFA”.

REGRAS EXISTEM PARA VOCÊ MESMO CRIÁ-LAS

“Sweetchasm – Pt. 2” ficou incubida de fechar este lançamento, sendo a mais “exótica” (por assim dizer) das quatro. Sim, existe um certo grau de glamour na agressão que não precisa ser dito, apenas mostrado (como dita uma das regras basilares do Teatro).

Fica de lado a pegada mais progressiva apresentada até agora, entra em campo um ritmo mais rápido e uma abordagem mais puxada para o Thrash Metal. As passagens de bateria feitas por Luigi Paraventi vão te deixar impressionado com o massacre impiedoso que o próprio realiza por trás do seu kit de bateria, sem pedir permissão alguma para saber se o ouvinte aguenta o tranco, enquanto acompanha os riffs que atropelam o seu ouvido.

Embora não pertença muito ao mesmo gênero das três canções anteriores, o jeito meio “na sua cara”, aliada com uma produção de qualidade acima da média, colocam “Sweetchasm – Pt. 2” como uma variação bem-vinda para realizar o encerramento, traçando um paralelo com o trabalho anterior da líder, e assim deixando o ouvinte mais à vontade – como se estivesse dentro do seu lar.

Seja pelo bombardeamento de informações as quais somos submetidos todos os dias, seja pela correria do dia a dia, "FALCHI" passou meio despercebido pelo meu radar enquanto as faixas eram pontualmente lançadas. Quando surgiu a oportunidade de apreciar o produto completo é que levantei uma das sobrancelhas com os dizeres flagrantes de: "beleza, chegou a hora".

Mal sabia eu que estava prestes a embarcar não apenas em uma introspecção, mas em uma daquelas viagens que você realiza sem destino, apenas pelo prazer do momento.

Ao final de "Sweetchasm - Pt. 2", acabei chegando a uma reflexão. Dentre todas as sensações possíveis pelo espectro emocional humano, a de estar surpreendido é uma das mais generosas possíveis, pois ela nasce de algo edificante que estava fora do seu controle: e é aqui onde "FALCHI" encontra um merecido abrigo (trocadilho não intencional).

Em minha humilde opinião, este EP é um trabalho detentor do adesivo “profissional” estampado em sua testa, e é uma audição obrigatória por aqueles que sentem prazer em ouvir os instrumentos aqui presentes se expressarem, com "Sunflare" sendo digna de encabeçar as eventuais listas de "melhores músicas de 2026" que surgirão no final do corrente ano.


Faixas:

1) Moonlace

2) Sunflare

3) Sweetchasm - Pt. 1 (feat. Aaron Marshall)

4) Sweetchasm - Pt. 2


Principal destaque: Sunflare


domingo, 25 de novembro de 2018

Christian Vidal (Therion): Ecletismo e Feeling em Segundo Álbum Solo


O argentino Christian Vidal, nascido em 1972, em Zárate (província de Buenos Aires), começou muito cedo na música, e é o típico músico que no Rock e Heavy Metal tem todas as características do que podemos chamar de “guitar hero”, pela sua técnica diferenciada, feeling e carisma.

Além de ser guitarrista do Therion desde 2010, do trabalho solo e atuar como professor de música, já excursionou e participou de shows ao lado de músicos como Eric Martin e Paul Gilbert (Mr. Big), Russel Allen (Symphony X e Adrenaline MOb), além de projetos tributo a clássicos do Rock com diversos músicos acompanhados por orquestra, como Symphonic Rhapsody of Queen e Pink Floyd Symphonic Rhapsody entre outros.

Com a oportunidade de viver por um período na Suécia, além de tocar e excursionar com diversos músicos, o que lhe trouxe ainda mais bagagem musical, tem levado sua técnica e talento a muito mais países e pessoas. É um músico que merece alcançar um reconhecimento cada vez maior. Inclusive agora em novembro, dia 29, receberá do governo argentino o diploma Governador Enrique Tomás Cresto, importante título conferido a profissionais de trajetória destacada, e que elevam o nome e cultura do país.


Vidal lançou no final do ano passado seu segundo solo, "Home" (o primeiro, "El Viaje", é de 2005)disponível nas plataformas digitais primeiramente, e agora em 2018 também em formato físico. Neste segundo álbum, como esperado, demonstra toda sua técnica e personalidade, mesclando diversos ritmos nativos argentinos e música folclórica, ao Rock e Heavy Metal, mas desta vez contando com mais tempo para a produção, além de mais recursos, além de toda a experiência que agregou nestes anos que viveu na Suécia, viajou pelo mundo com o Therion e outros projetos, convivendo com muitos artistas.

Contou também com vários colaboradores e convidados de peso, como Thomas Vikström e Nalle (Therion), George Egg (Dynazty), Pontus Egberg (King Diamond), além da produção de Waldemar Sorychta.

Em um álbum de Christian Vidal, você poderá encontrar músicas com bases pesadas, solos intrincados e melodiosos, típicos do Metal e Rock pesado, mas também vai se deparar com surpresas, como passagens de tango e outros ritmos e melodias folclóricas, por exemplo, como em “Vals Rengo” e  “Enredadera”, onde entrelaça belas melodias na guitarra, solos de pura técnica, piano, bases mais pesadas e ritmos nativos. 


É um disco mais elétrico e voltado a guitarra, porém com muitos climas e variações, e, ao contrário de alguns álbuns predominantemente instrumentais, não é daquele tipo que agradará somente a outros músicos ou ao público aficcionado à álbuns de guitarristas. Vidal valoriza a composição acima da técnica, não temos um show de exibicionismo, e sim belas melodias, criatividade e música que agrada facilmente aos ouvidos.

Não há como se cansar ouvindo o álbum, devido a esse bom gosto, variedade e melodias marcantes. Temos faixas onde os ritmos regionais surgem naturalmente, como em "Enredadera", que citei anteriormente, faixas mais Metal e com mais peso, onde Vidal mostra também sua perícia em solos carregados de técnica, como em "Campanas de Gares", e momentos de pura emoção, como as baladas "Encuentros" e "Holy Smoking Kiss", sendo que nesta Vidal mostra sua evolução como vocalista, recebendo a ajuda de Linnéa Vikström (ex-Therion) como vocal-coach.

As melodias marcantes e técnica apurada da intrincada "Libertad de un Corazón Solitario" e os ritmos quebrados de "Hormigas", fazem o ouvinte viajar envoltos pelas notas da guitarra deste grande músico, assim como a variedade de "Ahi vá la Hostía" e a suavidade e bom gosto em "Manãnas de Ivan".


Realmente, um belíssimo álbum solo. Detalhe que os títulos são em espanhol e inglês, pois Vidal quis manter os nomes originais, como as músicas nasceram, mantendo a essência e ideia original. A "From the Woods", por exemplo, é referência ao local onde ensaiam com o Therion, na propriedade de Christofer Johnsson, que fica fora da zona urbana de Estocolmo e onde há um bosque.

Nos trabalhos com a mão de Vidal, o ouvinte terá sempre a certeza que encontrará técnica apurada, mas acima de tudo, de bom gosto e criatividade, com composições e melodias que facilmente cairão no gosto de qualquer apreciador da boa música.

Texto: Carlos Garcia

Tracklist:
Hormigas
From the Woods3
Encuentros
Campanas De Gares
Holy Smoking Kiss
La Vida Continúa
Enredadera
Aroma
Ahí Va La Ostia
Mañanas De Iván
Vals Rengo
The Elevator
Libertad De Un Corazón Solitario
El Sueño De Santi




Confira "Home" nas plataformas digitais:
Spotify 
Vídeos
Youtube

            

           

           

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Guilherme Costa: Técnica e Bom Gosto em EP de Estreia



Como primeira amostra de seu trabalho solo, o guitarrista mineiro Guilherme Costa apresenta o EP "The King's Last Speech", contendo 3 faixas. Um trabalho com capricho na produção, que ficou a cargo de Gus Monsanto ((conhecido também por seu trabalho como vocalista nas bandas Adagio – França – e Revolution Renaissance – Finlândia) e Celo Oliveira, obtendo uma qualidade sonora muito boa.

É um trabalho instrumental, mas de forma alguma é algo que só despertaria o interesse de outros músicos ou, especificamente, guitarristas, pois Guilherme tratou de não fazer do EP uma exibição de de técnica, ou do quanto ele pode tocar rápido, por exemplo, mas sim apresentou composições com feeling e musicalidade acima de tudo.

Sabe quando a gente fala que música boa é aquela que é possível sair assoviando? Pois é, é o caso aqui. É um álbum direcionado a guitarra, claro, mas as faixas prendem a atenção, possuindo cada uma delas melodias e andamentos que são de fácil assimilação, com técnica e bom gosto.


"Come on and Play", nome bem apropriado para uma abertura, Guilherme apresenta suas armas, numa composição vibrante, de andamento acelerado e cativante, remetendo  a influências como Joe Satriani, estilo a "Summer Song", por exemplo; "The Beginning of a Journey" é mais suave, mais melodiosa, uma balada instrumental, com arranjos acústicos e com Guilherme extraindo melodias e solos que passam uma sensação de paz de espírito. Para situar o ouvinte, pois temos que deixar claro que Guilherme não é uma mera cópia, a música me lembrou novamente Joe Satriani, em faixas como "Flying in a Blue Dream"; "The King's Last Speech" fecha o EP, sendo a mais pesada das três, inclusive a bateria e baixo também com mais pegada. Seguindo uma linha mais neoclássica, na linha de mestres como Blackmore e Malmsteen.

Uma excelente amostra do que está por vir, pois Guilherme vem preparando seu debut, que provavelmente trará algumas faixas com vocais, e a julgar por este primeiro EP, podemos esperar mais músicas repletas de melodias de bom gosto, aliadas a técnica apurada, que é direcionada de forma acertada, de forma que seu trabalho não se restringirá a um nicho somente, podendo ser degustado por qualquer admirador de boa música.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Artista: Guilherme Costa
Álbum: "The King's Last Speech" EP 2017
Estilo: Instrumental Hard/Heavy/Neoclassic
País: Brasil
Produção: Gus Monsanto e Celo Oliveira
Assessoria: Rômel Santos

Acompanhe Guilherme em seus canais oficiais:
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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mistheria:"Gemini" - A Nova Obra do Virtuoso Músico e Compositor Italiano


Antes de abordarmos sobre o novo trabalho deste genial músico italiano, vamos falar um pouco de sua carreira. Mistheria é um pianista, tecladista, keytarista (instrumento musical que apresenta características de guitarra, teclado e sintetizador, no Brasil chamado também de Controlador), organista, produtor e compositor da Itália, envolvido em gêneros clássicos e de rock/metal.

Após a graduação - com pontuação total - no Conservatório de Música em "Órgão e Composição", Mistheria iniciou sua carreira como solista e trabalhando como músico de estúdio. Além de seus álbuns e apresentações solo, Mistheria ganhou nome graças à várias e prestigiadas colaborações, tanto em estúdio quanto ao vivo, com muitos artistas e músicos internacionais de rock, metal e clássicos como Bruce Dickinson (Iron Maiden), Roy Z (Rob Halford), Rob Rock (Chris Impellitteri), Mark Boals (Ring of Fire), Edu Falaschi (Angra, Almah), Neil Zaza, John West (Artension, Royal Hunt), John Macaluso (TNT, ARK, Y. Malmsteen), para citar alguns.

Mistheria atuou como solista e como músico contratado na Europa, EUA e Ásia tanto como pianista/tecladista. Sua discografia conta mais de 70 álbuns, incluindo suas próprias e outras produções de bandas que vão desde a música Clássica ao Metal, de New-Age a Soundtracks, de Pop para Rock.
Além disso, ele trabalha como produtor, arranjador, designer, professor, avaliador e demonstrador de hardware/software para várias marcas de música.


A maior criação e produção de Mistheria é o projeto "Vivaldi Metal Project - The Four Season", um All Star Metal Project com mais de 130 artistas de Metal/Clássico, orquestra, quarteto de cordas e coral. O projeto foi aclamado como a maior Symphonic-Metal Opera já criada.

Mistheria iniciou seu projeto solo em 1996, com o nome inspirado na palavra "Mistério". Final do ano passado lançou seu novo trabalho, "Gemini", sob o selo Rockshots Records, contendo 13 faixas, incluindo composições próprias e versões re-arranjadas de clássicos de músicos como Beethoven e Chopin. O álbum traz  um time de excelentes músicos, além de convidados especiais, em uma produção sonora primorosa. É um álbum instrumental, mas de maneira alguma é direcionado somente a músicos, é Heavy Metal e Symphonic Metal com elementos Neoclassic, New-Age e Classic Music, vibrante, enérgico e cheio de atmosferas e melodias cativantes. E claro, temos de ressaltar o sentimento que Mistheria coloca nas canções, aliado a técnica e o cuidado de suas produções, rende ao ouvinte momentos de deleite.

Para saber um pouco mais de sua carreira e do álbum "Gemini", incluindo comentários do músico a respeito das 13 faixas do disco, confira a seguir o que Mistheria tem a nos dizer:


Como surgiu seu projeto solo e porque você o iniciou?
Comecei minha carreira e projeto solo em 1996, quando criei um show ao vivo chamado "Metamorfose", que incluiu várias formas de artes, como música, dança, poesia, gráficos 3D.
Tenho paixão pela música Clássica, Metal e de trilhas sonoras. Comecei a compor minhas músicas combinando mais ou menos esses gêneros e, depois, queria trazer minha música no palco. O próximo passo foi obviamente reunir algumas dessas músicas em um álbum.

Como você descreveria seu som em cinco palavras?
Intenso, apaixonado, impetuoso, enérgico, íntimo.

O que você espera em termos de receptividade para "Gemini"?
Meus fãs estão esperando por isso há muito tempo, um novo álbum instrumental meu, e isso criou muita emoção e fervor!

Que tipo de experiência você está tentando trazer aos fãs com este novo álbum?
Ao lado de álbuns clássicos/new age, eu já executei algumas das músicas em destaque, "Gemini" é o meu primeiro álbum de Metal instrumental que coleta treze músicas compostas ou arranjadas ao longo da minha carreira. É um novo "ponto de vista" para os meus fãs, que podem descobrir o que meus "teclados" podem contar para eles sem letras.

Como é o processo de composição?
Eu componho e arranjo todas as músicas. No caso de um álbum com vocais, muitas vezes eu passo a caneta para os cantores, e também escrevo letras. Durante as gravações, eu sempre adoro ouvir o que meus incríveis músicos podem trazer de acordo com o arranjo básico que criei e as demos. Adoro quando os músicos "sentem" a música e dão sua própria "marca registrada" às composições.


Como você escolheu as faixas que entrariam nesse álbum? 
As faixas em "Gemini" são uma combinação de minhas canções originais e covers de clássicas, uma mistura delas. Tenho novos álbuns já feitos, a música nova está sempre a caminho ...
  
Como você descreveria a evolução do som da banda?
De muito prog-oriented no início para Metal e Metal Sinfônico nos últimos anos.

Nomeie um "Top 5" das influências de sua banda. Que gêneros de música e Metal mais influenciam você?
Deep Purple, Symphony X, Y. Malmsteen, J. S. Bach, A. Vivaldi. Meus gêneros principais como compositor e artista são música clássica, metal, prog-metal, metal sinfônico e trilhas sonoras.

Qual o significado por trás do álbum e de algumas músicas?
Eu queria mostrar todas as minhas músicas de Metal instrumentais que, até agora, não era possível incluir nos meus outros álbuns. "Gemini" é o meu signo astrológico. Eu e minha música totalmente representadas, pois apresenta muito material coletado ao longo de 25 anos de carreira. "My Dear Chopin" foi a primeira música de Metal instrumental que já compus, obviamente inspirada por F. Chopin e diz tudo. Em seguida, criei músicas para eventos específicos, como "Angels in the Shadow" para a apresentação no Prog Head 2008 (Budapeste), "Adagio in G minor" de Albinoni foi arranjada para uma clínica, "Hands of Fire", como abertura  para alguns dos meus shows ao vivo.


"Gemini" faixa a faixa, por Mistheria:

1. "Hands of Fire" composta e arranjada por Mistheria
Claramente, uma música de introdução, keytar em chamas, composta como abertura de minhas aparições solo ao vivo.

2. "Angels in the Shadow" Composta e arranjada por Mistheria
Escrito para a apresentação do ProgHead Festival 2008 (Budapeste), é uma música virtuosa e melódica. Introdução dark, temas baseados em melodias cativantes seguidas por soltos triturantes, com um incrível solo de Chris Caffery (Savatage, Trans-Siberian Orchestra).

3. "Fight of the Bumblebee" Composta por R. Korsakov/Mistheria - Arranjos por Mistheria
Arranjo baseado no lendário "Flight of the Bumblebee" de R. Korsakov. Possui um riff pesado e muitas peças virtuosas entre teclados, guitarra e baixo. Classical meets shredding!

4. "Moonlight Sonata" Composta por L.V. Beethoven - Arranjos por Mistheria
Sobre a obra-prima de Beethoven, queria ser o mais fiel possível (se alguma vez fosse possível ...). Keytar e piano tocando como dueto, a parte do meio apresenta um fantástico jazz melodioso e apaixonado, cortesia de Roy Z.

5. "Air  - The Day After" Composta e arranjada por Mistheria
Foi composta originalmente em piano com uma melodia muito "cantante", então arranjei-o para a banda. Possui uma intro majestosa tocada por mim no "King of Instruments", o órgão de tubulação, que é o instrumento que estudei no Conservatório de Música.


6. "Devil's Steps" Composta e arranjada por Mistheria
Inspirado por uma trilha sonora de filme, é uma das músicas mais antigas, uma das canções mais intrincadas e complicadas, com algumas partes do teclado que atingem o limite da velocidade de reprodução que flui para um tema muito melódico no refrão.

7. "Prayer to God" Composta e arranjada por Mistheria
Composta apenas por teclados e pedal de baixo. Canção íntima e apaixonada, visão profunda e significado por trás disso, uma das minhas faixas favoritas.

8. "Prog-Fantasy" Composta e arranjada por Mistheria
Talvez a única música realmente orientada para o Prog, baseada em uma introdução de piano de inspiração clássica que "se eleva" ao tema do keytar.

9. "Falling Stars" Composta e arranjada por Mistheria
Composta durante uma noite de inverno, em um momento muito especial da minha vida, quando a solidão começou a cair ...

10. "My Dear Chopin" Composta por F. Chopin - Arranged by Mistheria
O ponto de partida da minha carreira no Metal. Não é por acaso que o início incluísse Chopin, uma das minhas paixões mais íntimas na música e na vida. Com base em um tema muito simples, é a minha música Keytar mais conhecida.

11. "Asturias (Leyenda)" Composta por I. Albeniz - Arranged by Mistheria
Dividido em duas partes, a promeira tocada no piano de uma maneira clássica, a segunda parte se move para teclados com um arranjo exigente pesado, agressivo e tecnicamente alto.

12. "Adagio in G minor" Composto por T.Albinoni-R. Giazzotto/Mistheria - arranjos por Mistheria
Comecei a tocar esta música no Acordeão quando tinha 10 anos de idade. Em seguida, no piano e depois no Pipe Organ, é um dos temas mais adoráveis ​​que eu gosto de tocar. Meu Keytar foi o próximo e último instrumento em que a transportei.

13. "Metal Piano Sonata, op.13" Composta e arranjada por Mistheria
Uma música composta como homenagem ao "Príncipe dos Instrumentos", o instrumento no qual componho e executo com mais frequência. É a última música, então a mais nova, que eu criei especificamente para "Gemini". A estrutura da música é baseada em uma Sonata de Piano Clássico dividida em três movimentos (Allegro, Adagio, Presto). As principais melodias desta música estão entre as que mais gostei de ter composto.

Entrevista e Informações Cedidas por Rockshots Promotion
Textos Adicionais, introdução e Tradução: Carlos Garcia
Agradecimentos: Roberto Giordani e Mistheria
Line-Up:
Mistheria (Bruce Dickinson, RoyZ, Rob Rock, Vivaldi Metal Project)
music, arrangements, keyboards 
Roger Staffelbach (Artension, Artlantica) - guitar
Leonardo Porcheddu (Vitalij Kuprij) - guitar
Ivan Mihaljevic (Side Effects) - guitar
Steve Di Giorgio (Testament, Death) - bass
Dino Fiorenza (Metatrone, Edu Falaschi, Ron Thal) - bass
John Macaluso (ARK, Symphony X, Malmsteen) - drums


SPECIAL GUESTS
Christopher Caffery (Trans-Siberian Orchestra, Savatage) - guitar
Roy Z (Bruce Dickinson, Rob Halford, Rob Rock) - guitar

Mixed and mastered by Ivan Moni Bidin at Artesonika Recording Studio (Pordenone, Italy).
Artwork and graphic design by Alexis Van Houcke.
PRODUCED BY MISTHERIA
Youtube

       


       

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Paulo Schroeber: Bem Tocado, Mas Ainda "Mais do Mesmo"


Mais conhecido pelos seus trabalhos nas bandas Almah e Astafix, o guitarrista Paulo Schroeber lançou em 2011 seu primeiro álbum solo, sob o nome de "Freak Songs".

Produzido pelo próprio guitarrista, temos uma sonoridade que da destaque a sua 7-strings (sim ele toca com uma guitarra de sete cordas), mas que não tira o brilho dos outros instrumentos, e falando nisso, temos no baixo o renomado Felipe Andreoli (Angra) e Rodrigo Zorzi na bateria. A parte gráfica foi feita por Benhur Lima (baixista do Hibria), que fez um bom trabalho, priorizando a simplicidade.


Musicalmente não temos nada de novo, nada que surpreenda, apesar de bem tocado, e de Paulo ser dono de grande técnica, o que ouvimos é a mesma coisa que muitos guitarristas no Brasil vem fazendo (ressalva de alguns que conseguem se diferenciar num meio tão batido), solos rápidos e técnicos, "fritação" constante, sendo difícil citar destaques.

Claro que encontramos influencias de Jazz, Fusion e música clássica, mas nada que saia da zona de conforto da maioria dos lançamentos deste gênero por ai. Então se você procura por algo diferente, "Freak Songs" não é a melhor escolha, mas se você é músico e procura por trabalhos onde a técnica é a predominância, confira sem medo.

Texto/edição: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Músico: Paulo Schroeber 
Álbum: Freak Songs
Ano: 2011
  
Formação:
Paulo Schroeber (Guitarra)
Felipe Andreoli (Baixo)
Rodrigo Zorzi (Bateria)


Tracklist:
01 Parallel Realities
02 Fast Jazz
03 Give Me a Pill
04 Neoclassical Party
05 Mom's Patience
06 Fusion Headache
07 Rock It
08 To My Father
09 Good Trip
10 Insert Coins
11 Rabbit Soup
12 The Third Wish

Acesse e conheça mais o músico:

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Yngwie Malmsteen: Dez Músicas que Não Podem Faltar no Set-List!



Com a vinda do virtuoso guitarrista ao Brasil, com a tour de divulgação do álbum "Spellbound", depois de alguns anos sem passar por aqui, os fãs já devem estar com aquele expectativa do set-list, de se esta ou aquela música estará na pauta. Todos tem suas preferências, e certo que se fizéssemos, cada um dos redatores do Road, a sua lista, dificilmente teríamos duas iguais, mas com certeza algumas estariam presentes em todas as listas, ou pelo menos em 99%, como "Far Beyond the Sun", "Black Star" e "Rising Force", por exemplo.



O guitarrista, que se apresentará pela América do Sul e fará 3 shows no Brasil (São Paulo, Curitiba e Porto Alegre), promete um show eletrizante, e também apagar de vez alguma má impressão da passagem em 2001, quando alguns fãs vaiaram a execução do hino dos EUA pelo guitarrista, causando certa confusão.

Famoso também por seu temperamento e algumas excentricidades, afinal todo gênio é um pouco louco, Yngwie, nome de batismo  Lars Johann Yngve Lannerbäck, é dono de técnica impecável e tem controle total do instrumento, sendo um dos maiores guitarristas de todos os tempos, criando um estilo próprio e sendo o guitarrista que melhor casou a guitarra Rock com a música clássica, tendo influenciado muitas gerações de guitarristas e sendo admirado e reconhecido por outros músicos do quilate de Joe Satriani e Steve Vai. 


Bom, vamos lá então, dentre os mais de 20 álbuns do guitarrista e multi-instrumentista, alguns excelentes, outros, mais recentes, um pouco abaixo do que ele pode mostrar, fiz aqui uma lista de 10 músicas que ao meu ver não podem faltar nos shows:

1) Música: Black Star (Rising Force - 84). O "Rising Force", assim como os dois seguintes, se dependesse de mim, ele poderia tocá-los na íntegra, e não é por acaso que desses três podemos tirar algumas das melhores músicas do suéco! Estes primeiros, foram os que ele conseguiu balancear muito bem a técnica, feeling, velocidade e ainda refrãos bem marcantes.

2) Música: Far Beyond The Sun (Rising Force - 84). Impossível não ter essas duas deste álbum pelo menos!



3) Música: "I'll See The Light Tonight" (Marching Out - 85). Complicado escolher nestes primeiros! Nestes dois vale lembrar que o vocalista também era outro jovem talento, Jeff Scott Soto. Aqui já apareciam músicas de mais fácil assimilação e refrãos ganchudos!

4) Música: "You Don't Remember, I'll Never Forget" (Trilogy - 86). Criatividade a toda, neste álbum os vocais ficaram a cargo de Mark Boals, e o Hard Rock, com refrãos e riffs ainda mais marcantes, era o que comandava o álbum, e também trazia os irmãos Johansson nos teclados e bateria.



5) Música: "Rising Force" (Odissey - 88). Com Joe Lynn Turner na voz, e seguindo um caminho ainda mais "comercial", embalado pelos resultados de "Trilogy", "Odissey" traz muitos bons hits e refrãos. Essa tendência se seguiria nos seguintes, "Eclipse" e "Fire And Ice", que traziam Göram Edman nos vocais.

6) Música: "Never Die" (The Seventh Sign - 94). Os anteriores foram bons, mas não traziam, em minha opinião, músicas tão marcantes como os anteriores, já "The Seventh Sign", além de novas mudanças na formação (novidade!), e com Michael Vescera no microfone, veio com vários hits potenciais, e ainda baladas bem marcantes. O hiato mais longo fez bem.




7) Música: "Forever One" (The Seventh Sign - 94). Assim como nos três primeiros, tem várias aqui que eu não dispensaria. Escolhi esta balada porque, além de ser muito boa e grudar na mente, é bom ter algumas baladas no set-list.

8) Música: "Like An Angel" (Facing The Animal - 98). Mais um momento calmaria, mas é uma bela faixa, com muito feeling e partes acústicas tocantes. Neste álbum temos o grande Mats Leven, mantendo o alto nível dos vocalistas e o lendário Cozy Powell na bateria.


9) Música: "Playing With Fire" (Alchemy - 99). Contando com Mark Boals novamente, "Alchemy" também traz músicas bem consistentes, podendo citar aí a "Blitzkrieg" e "Leonardo".

10) Música: "Trilogy Suite Op:5" (Trilogy - 86). Não teve jeito, tem muitas dos três primeiros que não poderiam faltar, então tive que colocar mais uma, e "Trilogy Suite" representa bem aquela fase maravilhosa, e é cheia de feeling e bom gosto, além de ser uma ótima amostra do estilo Neo-Clássico do guitarrista.


Texto/Edição: Carlos Garcia
Revisão: Eduardo Cadore

Canais Oficiais do Malmsteen:



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Jeff Loomis: Quebrando Paradigmas

Ex-guitarrista do Nevermore capricha em novo álbum solo


Dois argumentos me afastavam e muito da música instrumental em si, principalmente CDs solos de guitarristas. Primeiro era a autoindulgência em relação ao trabalho com suas bandas, sendo que na maioria dos casos esses músicos usam esses lançamentos para se mostrar para outros músicos o quanto anos e anos de conservatório melhoraram suas técnicas. E o segundo é o fato decorrente de muitas vezes nesses trabalhos, a agressividade fica em segundo plano dando lugar para malabarismos.

Mas como afirma o titulo dessa resenha o agora ex-guitarrista do Nevermore vem mostrando que é possível fazer música instrumental muito pesada e virtuosa, sendo que ele conseguiu fazer algo que parecia impossível: melhorar sua técnica com “Plains of Oblivion” (2012). 

Jeff não é um guitarrista de ego inflamado. Isso é bem perceptível na formação de sua banda de apoio onde se encontra Atilla Vörös (guitarrista que já passou pelo Nevermore), nas baquetas Dirk Verbeuren (Soilwork) e no baixo Shane Lentz, do Youtube. Isso mesmo. Na verdade, Loomis recrutou o musico devido a alguns vídeos postados no canal de vídeos. 

Mas ainda tem mais! O agora nipônico Marty Friedman (ex-Megadeth e Cacophony), Tony MacAlpine (ex- Planet X), Chris Poland (ex-Megadeth), sem contar os vocais de Christine Rhoades que já teve algumas participações no Nevermore, e Ihsahn (ex-Emperor). Com um time desses, sinceramente não tinha como lançar um álbum ruim.

Ao longo das suas 10 faixas de “Plains of Oblivion” o ouvinte transita entre a musicalidade, a cadência e todo o talento de Loomis e sua trupe. “Mercurial” conta com a parceria com Friedman e ouvindo essa música no carro devo ter conquistado algumas multas por excesso de velocidade, muito agressiva e que duelo! Falando em duelo, é interessante ver como Jeff molda sua musicalidade de acordo com seu convidado. Ouça “The Ultimatum”, com Tony MacAlpine (virtuose pura) e “Continuum Drift”, com Poland trazendo todo um clima de fusion muito bem vindo, pois cria um interessante contraste com as pesadas “Escape Velocity” e “Sibylline Origin”.

“Tragedy and Harmony” e “Chosen Time” trazem a voz poderosa de Christine Rhoades, sendo que aqui ela mostra uma grande atuação transitando do mais agressivo para um feeling absurdo. E para encerrar essa resenha, a faixa que mais chamou atenção “Surrender”, com Ihsahn nos vocais e todo o peso e obscuridade que o Black Metal deve ter. Sem dúvida um destaque para todo fã de Black Metal em geral.

Ao final dessa audição fica bem evidente que Loomis é um músico talentoso, acima da media, e ai bate aquele sentimento de saudosismo que falta faz ao Nevermore. Sorte nossa que o guitarrista não se afastou da cena e nos brinda com trabalha de tão excelente qualidade.

Texto: Luiz Harley
Revisão e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha técnica
Banda: Jeff Loomis
Álbum: Plains of Oblivion
Ano: 2012
País: Estados Unidos 
Tipo: Heavy Metal Instrumental

Formação
Jeff Loomis (Guitarra)
Shane Lentz (Baixo)
Dirk Verbeuren (Bateria)




Tacklist 
01. Mercurial (com Marty Friedman)
02. The Ultimatum (com Tony Macalpine)
03. Escape Velocity
04. Tragedy And Harmony (com Christine Rhoades)
05. Requiem For The Living (com Attila Voros)
06. Continuum Drift (com Chris Poland)
07. Surrender (com Ihsahn) 
08. Chosen Time (com Christine Rhoades)
09. Rapture
10. Sibylline Origin


Acesse e conheça mais o trabalho do guitarrista

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Kiko Loureiro: Virtuosismo, Brasilidade e Peso

Lendário guitarrista nacional ativo enquanto o Angra permanece indefinido


Quando você vai ouvir o CD solo de um instrumentista já pode pensar que será bombardeado por milhões de notas por segundo feito por músicos de conservatório destinado para alunos de conservatório, o que ocorre em 99 % dos casos. 

Entretanto, existem exceções às regras e dentre elas impossível não elencar o nome de um dos maiores guitarristas do Brasil, Kiko Loureiro.

Felipe Andreoli (esq.) e Virgil Donati (cen.) abrilhantam álbum do guitarrista

Elogiar o trabalho do músico no Angra é chover no molhado, porém o mais interessante é que nos seus trabalhos solo, além de se cercar de músicos de qualidade, ele é capaz de explorar vertentes que vão do Jazz a MPB e do Metal Progressivo ao Fusion. 

Agora em “Sounds of Innocence” (2012) podemos ver um guitarrista ainda mais técnico e que soube balancear todas suas facetas em prol da musicalidade. É claro que os músicos que o acompanham fazem frente a esse bom resultado, pois na cozinha temos o já parceiro de longa data Felipe Andreoli (Angra, Almah) no baixo e o batera  italiano Virgil Donati (Ring Of Fire,  Planet X ).

O CD em si abre com “Awakening prelude”, uma passagem meio MPB que faz uma bela ponte para a quebradíssima “Gray Stone Gateway” e aquela que ganhou o primeiro vídeo clipe “Conflicted” (poderia ter mostrado o resto da banda, né Kiko?).

Outras influências do guitar hero são perceptíveis em “Ray Of Light”, uma cozinha avassaladora e “The Hymn” com elementos funkeados, lembrando muito o trabalho de guitarristas norte americanos como Joe Satriani. Sem abandonar suas características musicais, Kiko explora o regionalismo nas tocantes “Mae D’agua” e “El Guajiro".

Um caso raro de um músico que possuiu um talento acima da média, mas não faz a menor questão de fritar a paciência do ouvinte com linkados e harmônicos impossíveis. Em tempos que o futuro do Angra é incerto, é bom ter certeza que seus músicos continuam ativos e primando pela qualidade. 

Texto: Harley
Revisão/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Kiko Loureiro 
Álbum: Sounds Of Inocence
Ano: 2012
País: Brasil 
Tipo: Metal Instrumental 

Formação
Kiko Loureiro (Guitarras)
Felipe Andreoli (Baixo)
Virgil Donati (Bateria)



Tracklist
01 Awakening prelude
02 Gray Stone Gateway
03 Conflicted
4-Reflective
5-El Guajiro
6-Ray of Life 
7-The Hymn
8-Mãe D’água
9-Twisted Horizon
10-A Perfect Rhyme

Assista ao vídeo clipe de “Conflicted”