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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Neon Rider: A Chama do AOR (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Formado em Buenos Aires em 2020, o Neon Rider surgiu como um projeto dedicado ao AOR e ao hard rock melódico dos anos 1980. Depois de Destination Unknown (2024), a banda retorna em 2026 com uma nova configuração: Marcos Nieva Green assume os vocais, enquanto Hernan Cattaneo permanece como único guitarrista. O resultado é um trabalho que aposta sem reservas na tradição do gênero, combinando riffs vigorosos, melodias grandiosas e refrãos épicos com uma produção contemporânea.

Drowning In Shallow abre o álbum sem rodeios, com a guitarra estabelecendo a base para baixo e bateria, enquanto os teclados acrescentam a camada melódica característica do AOR. O refrão, reforçado por vocais dobrados, amplia a dimensão melódica da faixa e deixa evidente, desde os primeiros minutos, a devoção do Neon Rider aos grandes nomes do gênero.

O primeiro single do álbum segue exatamente essa cartilha. A faixa combina uma cozinha rítmica sólida com guitarras e teclados que se alternam na construção das melodias, enquanto os vocais limpos ganham força com backing vocals especialmente eficazes no refrão. É AOR clássico em sua essência, mas executado com segurança e uma produção que procura atualizar a fórmula. Curiosamente, a ficha técnica fornecida pela gravadora não identifica o responsável pelos teclados.

Helluva Ride começa com uma breve introdução de teclados antes de desembocar em uma condução cadenciada, mais próxima do hard rock. Os backing vocals novamente desempenham papel importante, sobretudo no refrão, construído para ser imediatamente assimilado. Após três faixas, a identidade do Neon Rider já está completamente estabelecida: não há dúvidas sobre o território musical que a banda pretende explorar.

Em Drifting, a viagem aos anos 1980 se torna ainda mais evidente. A sonoridade é imediatamente reconhecível e, dentro da proposta do grupo, isso está longe de ser um problema. A faixa é direta, sem excessos, com a guitarra sustentando a base e deixando espaço para um refrão marcado pelas belas dobras vocais. As linhas melódicas de Marcos Nieva Green são um dos pontos altos, especialmente quando sua voz ligeiramente rouca acrescenta personalidade à interpretação.

Para quem não viveu a época em que o rádio era um dos principais veículos de divulgação da música, uma canção sobre o próprio rádio pode parecer um conceito distante. Pump Up The Radio, porém, abraça justamente essa nostalgia. A faixa funciona como um pequeno tributo à cultura radiofônica dos anos 1980, utilizando uma estrutura AOR tradicional, backing vocals bem encaixados e um refrão de fácil assimilação.

Waiting For My Call mantém a veia melódica e confirma a consistência da proposta. Cadenciada e com cada instrumento claramente definido na mixagem, a faixa chama atenção pela variedade dos backing vocals, que introduzem novas texturas sem romper a unidade sonora do álbum. Guitarras e teclados são utilizados de maneira particularmente eficiente, complementando-se em vez de disputar espaço.

A faixa-título, Keepers Of The Flame, chega introduzida por guitarra e voz, enquanto um timbre ligeiramente mais sujo cria uma atmosfera quase misteriosa. O contraste desemboca em um refrão no qual a melodia vocal assume o protagonismo, novamente reforçada por backing vocals bem posicionados. A cadência típica do gênero permanece intacta, com cada instrumento cumprindo uma função precisa. Hernan Cattaneo entrega um solo essencialmente melódico, mas acrescenta uma breve passagem shred que amplia sua intensidade sem comprometer a característica acessível da composição.

Heading To The Line apresenta uma abertura particularmente interessante, com a bateria ganhando destaque inclusive na mixagem. Guitarra e baixo entram posteriormente para completar os versos e conduzir a música ao refrão, desta vez com backing vocals que se diferenciam do restante do álbum. Os momentos em que voz e bateria assumem o primeiro plano acrescentam uma camada adicional de dinâmica e complexidade à faixa.

Uma bela passagem de guitarra introduz Those Times Are Now Over, que começa de maneira quase épica, apoiada por teclados e percussão. A faixa se encaixa naturalmente no universo AOR, mas sua construção consegue acrescentar uma nova dimensão ao álbum. O teclado ganha protagonismo na transição para o refrão e, em determinados momentos, chega a dominar completamente o arranjo. O refrão é direto, sem excesso de ornamentação vocal, enquanto uma bela virada de bateria ajuda a conduzir a música.

Dominoes coloca guitarra e teclados lado a lado, tanto na base quanto nas linhas melódicas. Não há propriamente uma disputa pelo protagonismo, mas um diálogo eficiente entre os dois instrumentos. O refrão é novamente bastante melódico e, embora utilize poucos backing vocals, possui uma melodia suficientemente forte para permanecer na cabeça do ouvinte. As mudanças de andamento também ajudam a manter o interesse, enquanto guitarra e teclado continuam dialogando durante o solo, com o segundo reforçando e dobrando algumas das linhas de Cattaneo.

Jukebox Anthem é, como o próprio título sugere, um verdadeiro hino hard rock/AOR. A introdução evoca diferentes referências do gênero, mas o Neon Rider consegue imprimir sua própria dinâmica através do uso de efeitos na guitarra e nos vocais. A faixa cresce naturalmente até o refrão, sustentado por uma base de guitarra pontuada pelos teclados nos momentos certos. Os vocais dobrados reforçam a característica radiofônica da composição e conduzem a um solo bem construído sobre uma sólida cama de teclados. É uma das faixas mais completas do álbum.

Another Love Story encerra o disco sem grandes surpresas — e isso, neste caso, é coerente com a proposta. Em vez de buscar uma guinada de última hora, o Neon Rider prefere terminar reafirmando sua identidade, mergulhada na sonoridade clássica do AOR e em referências claras à década de ouro do gênero. O refrão assume contornos quase épicos, com um belo coro e outro bom trabalho de guitarra.

Keepers Of The Flame cumpre seu objetivo é mais direto: preservar a essência de uma sonoridade que teve seu auge nos anos 1980 e apresentá-la com energia, boas melodias e uma produção atual. Em alguns momentos, a produção poderia ser mais equilibrada, escondendo brevemente determinados instrumentos ou fazendo escolhas de destaque que certamente não serão consensuais. No conjunto, porém, o Neon Rider entrega um álbum sólido, coeso e, acima de tudo, honesto em sua proposta. Para quem ainda mantém acesa a chama do AOR clássico, Keepers Of The Flame tem combustível de sobra.


***ENGLISH VERSION***

Formed in Buenos Aires in 2020, Neon Rider began as a project dedicated to the AOR and melodic hard rock of the 1980s. Following Destination Unknown (2024), the band returns in 2026 with a new configuration: Marcos Nieva Green takes over on vocals, while Hernan Cattaneo remains the sole guitarist. The result is an album that wholeheartedly embraces the genre’s traditions, combining powerful riffs, soaring melodies and epic choruses with contemporary production.

Drowning In Shallow opens the album without hesitation, with guitar laying down the foundation for bass and drums, while keyboards provide the melodic layer so characteristic of AOR. Reinforced by doubled vocals, the chorus expands the song’s melodic dimension and makes Neon Rider’s devotion to the genre’s greats clear from the very first minutes.

The album’s first single follows the same blueprint. The track combines a solid rhythm section with guitars and keyboards alternating in the construction of its melodies, while the clean vocals gain strength from particularly effective backing vocals in the chorus. This is classic AOR at its core, performed with confidence and given a production that seeks to bring the formula into the present. Interestingly, the credits supplied by the record label do not identify the keyboard player.

Helluva Ride begins with a brief keyboard introduction before settling into a measured groove that leans more toward hard rock. Once again, the backing vocals play an important role, particularly in a chorus designed for immediate impact. After three tracks, Neon Rider’s identity is already fully established: there is no doubt about the musical territory the band intends to explore.

On Drifting, the journey back to the 1980s becomes even more apparent. Its sound is instantly recognizable and, within the band’s approach, that is by no means a problem. The track is direct and free of unnecessary embellishment, with the guitar maintaining the foundation while leaving room for a chorus marked by beautiful vocal harmonies. Marcos Nieva Green’s melodic lines are one of the highlights, particularly when his slightly raspy voice adds character to the performance.

For those who did not experience an era when radio was one of the main vehicles for music promotion, a song about radio itself might seem like a distant concept. Pump Up The Radio, however, fully embraces that nostalgia. The track works as a small tribute to 1980s radio culture, employing a traditional AOR structure, well-integrated backing vocals and an instantly accessible chorus.

Waiting For My Call maintains the melodic vein and further confirms the consistency of the band’s approach. Measured in pace, with every instrument clearly defined in the mix, the track stands out for the variety of its backing vocals, which introduce new textures without disrupting the album’s sonic unity. Guitars and keyboards are used particularly effectively, complementing rather than competing with each other.

The title track, Keepers Of The Flame, opens with guitar and vocals, while a slightly dirtier tone creates an almost mysterious atmosphere. The contrast gives way to a chorus in which the vocal melody takes center stage, once again reinforced by well-placed backing vocals. The genre’s characteristic groove remains intact, with each instrument serving a clearly defined purpose. Hernan Cattaneo delivers an essentially melodic solo, adding a brief shred passage that increases its intensity without compromising the song’s accessible character.

Heading To The Line features a particularly interesting opening, with the drums receiving prominent treatment, even in the mix. Guitar and bass enter later to complete the verses and drive the song toward the chorus, this time with backing vocals that differ from those used elsewhere on the album. The sections in which vocals and drums take center stage add another layer of dynamics and complexity to the track.

A beautiful guitar passage introduces Those Times Are Now Over, which begins on an almost epic note, supported by keyboards and percussion. The track fits naturally into the AOR universe, yet its construction manages to add another dimension to the album. Keyboards take center stage during the transition into the chorus and, at certain moments, virtually dominate the arrangement. The chorus is direct, without excessive vocal ornamentation, while a fine drum fill helps drive the song forward.

Dominoes places guitars and keyboards side by side, both in the rhythm section and in the melodic lines. There is no real battle for dominance here, but rather an effective dialogue between the two instruments. The chorus is once again highly melodic and, despite using relatively few backing vocals, has a melody strong enough to stay in the listener’s head. The changes in pace also help maintain interest, while guitar and keyboard continue their dialogue during the solo, with the latter reinforcing and doubling some of Cattaneo’s lines.

Jukebox Anthem is, as its title suggests, a genuine hard rock/AOR anthem. The introduction evokes several of the genre’s major influences, but Neon Rider establishes its own dynamic through the use of effects on both guitar and vocals. The track naturally builds toward the chorus, supported by a guitar foundation punctuated by keyboards at precisely the right moments. The doubled vocals reinforce the song’s radio-friendly character and lead into a well-constructed solo built over a solid bed of keyboards. It is one of the album’s most complete tracks.

Another Love Story closes the album without any major surprises — and in this case, that is entirely consistent with the band’s approach. Rather than attempting a last-minute change of direction, Neon Rider chooses to end by reaffirming its identity, immersed in the classic AOR sound and clear references to the genre’s golden era. The chorus takes on almost epic proportions, with a beautiful choir and another strong guitar performance.

Keepers Of The Flame fulfills its most direct objective: preserving the essence of a sound that reached its peak in the 1980s while presenting it with energy, strong melodies and contemporary production. At times, the production could be more balanced, briefly burying certain instruments or making choices about what to emphasize that will certainly not appeal to everyone. Overall, however, Neon Rider delivers a solid, cohesive album that is, above all, honest about its intentions. For those who still keep the flame of classic AOR burning, Keepers Of The Flame has plenty of fuel to spare.

Divulgação 

domingo, 25 de novembro de 2018

Christian Vidal (Therion): Ecletismo e Feeling em Segundo Álbum Solo


O argentino Christian Vidal, nascido em 1972, em Zárate (província de Buenos Aires), começou muito cedo na música, e é o típico músico que no Rock e Heavy Metal tem todas as características do que podemos chamar de “guitar hero”, pela sua técnica diferenciada, feeling e carisma.

Além de ser guitarrista do Therion desde 2010, do trabalho solo e atuar como professor de música, já excursionou e participou de shows ao lado de músicos como Eric Martin e Paul Gilbert (Mr. Big), Russel Allen (Symphony X e Adrenaline MOb), além de projetos tributo a clássicos do Rock com diversos músicos acompanhados por orquestra, como Symphonic Rhapsody of Queen e Pink Floyd Symphonic Rhapsody entre outros.

Com a oportunidade de viver por um período na Suécia, além de tocar e excursionar com diversos músicos, o que lhe trouxe ainda mais bagagem musical, tem levado sua técnica e talento a muito mais países e pessoas. É um músico que merece alcançar um reconhecimento cada vez maior. Inclusive agora em novembro, dia 29, receberá do governo argentino o diploma Governador Enrique Tomás Cresto, importante título conferido a profissionais de trajetória destacada, e que elevam o nome e cultura do país.


Vidal lançou no final do ano passado seu segundo solo, "Home" (o primeiro, "El Viaje", é de 2005)disponível nas plataformas digitais primeiramente, e agora em 2018 também em formato físico. Neste segundo álbum, como esperado, demonstra toda sua técnica e personalidade, mesclando diversos ritmos nativos argentinos e música folclórica, ao Rock e Heavy Metal, mas desta vez contando com mais tempo para a produção, além de mais recursos, além de toda a experiência que agregou nestes anos que viveu na Suécia, viajou pelo mundo com o Therion e outros projetos, convivendo com muitos artistas.

Contou também com vários colaboradores e convidados de peso, como Thomas Vikström e Nalle (Therion), George Egg (Dynazty), Pontus Egberg (King Diamond), além da produção de Waldemar Sorychta.

Em um álbum de Christian Vidal, você poderá encontrar músicas com bases pesadas, solos intrincados e melodiosos, típicos do Metal e Rock pesado, mas também vai se deparar com surpresas, como passagens de tango e outros ritmos e melodias folclóricas, por exemplo, como em “Vals Rengo” e  “Enredadera”, onde entrelaça belas melodias na guitarra, solos de pura técnica, piano, bases mais pesadas e ritmos nativos. 


É um disco mais elétrico e voltado a guitarra, porém com muitos climas e variações, e, ao contrário de alguns álbuns predominantemente instrumentais, não é daquele tipo que agradará somente a outros músicos ou ao público aficcionado à álbuns de guitarristas. Vidal valoriza a composição acima da técnica, não temos um show de exibicionismo, e sim belas melodias, criatividade e música que agrada facilmente aos ouvidos.

Não há como se cansar ouvindo o álbum, devido a esse bom gosto, variedade e melodias marcantes. Temos faixas onde os ritmos regionais surgem naturalmente, como em "Enredadera", que citei anteriormente, faixas mais Metal e com mais peso, onde Vidal mostra também sua perícia em solos carregados de técnica, como em "Campanas de Gares", e momentos de pura emoção, como as baladas "Encuentros" e "Holy Smoking Kiss", sendo que nesta Vidal mostra sua evolução como vocalista, recebendo a ajuda de Linnéa Vikström (ex-Therion) como vocal-coach.

As melodias marcantes e técnica apurada da intrincada "Libertad de un Corazón Solitario" e os ritmos quebrados de "Hormigas", fazem o ouvinte viajar envoltos pelas notas da guitarra deste grande músico, assim como a variedade de "Ahi vá la Hostía" e a suavidade e bom gosto em "Manãnas de Ivan".


Realmente, um belíssimo álbum solo. Detalhe que os títulos são em espanhol e inglês, pois Vidal quis manter os nomes originais, como as músicas nasceram, mantendo a essência e ideia original. A "From the Woods", por exemplo, é referência ao local onde ensaiam com o Therion, na propriedade de Christofer Johnsson, que fica fora da zona urbana de Estocolmo e onde há um bosque.

Nos trabalhos com a mão de Vidal, o ouvinte terá sempre a certeza que encontrará técnica apurada, mas acima de tudo, de bom gosto e criatividade, com composições e melodias que facilmente cairão no gosto de qualquer apreciador da boa música.

Texto: Carlos Garcia

Tracklist:
Hormigas
From the Woods3
Encuentros
Campanas De Gares
Holy Smoking Kiss
La Vida Continúa
Enredadera
Aroma
Ahí Va La Ostia
Mañanas De Iván
Vals Rengo
The Elevator
Libertad De Un Corazón Solitario
El Sueño De Santi




Confira "Home" nas plataformas digitais:
Spotify 
Vídeos
Youtube

            

           

           

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Renacer: O Metal Argentino Mostra que Sangue Não é Água!



Na vizinha Argentina temos uma prolífica cena de excelentes nomes no Rock e Heavy Metal, e se bandas como Soda Stereo (um dos sucessos do grupo, “De Música Ligera”, ganhou  versão em português do Capital Inicial, com “A Sua Maneira”), e Rata Blanca alcançaram grande repercussão, não só no seu país de origem, mas na América Latina, México e Espanha, outros grupos merecem um olhar atento, e uma delas é o RENACER.

O Renacer é uma banda que já possui uma bela bagagem, foi fundada em 2001, em Buenos Aires, pelo vocalista Christian Bertoncelli (Horcas, Imperio), e em pouco tempo  grupo já estreou ao vivo no Uruguai, lançando em seguida seu debut “Hoy como Ayer”, simultaneamente na Argentina e México. O Heavy Metal muito bem trabalhado, com muita importância às melodias e letras profundas logo chama a atenção, ganhando seguidores em vários países da América. No ano seguinte editam o segundo trabalho, “Renacer”, distribuído em toda a América Latina, Espanha e Japão.


Lançaram em 2003 o EP “Surcando Camiño” e o terceiro full-lenght, “Senderos del Alma”, 2004, ficam entre os destaques nos álbuns importados da revista Burnn do Japão, e também dividem shows com bandas como Primal Fear e Shaman.

2007 reservam para o lançamento de “Em Versiones Vol 1”, um tributo a grupos como Rata Blanca, Riff, Dio, Baron Rojo, Judas Priest, Heroes Del Silencio e outros. Partem para mais tours pela América Latina e México, incluindo shows com grupos como Mötorhead, Gamma Ray e Jorn Lande, e “Renacer VI” e “Hijo del Viento” são os próximos petardos, de 2008 e 2009, com a banda apresentando um som mais pesado, com nuances de Power Metal. O aniversário de 10 anos é comemorado de forma bem especial, com a Tour “Alas de Fuego”, e com o DVD ao vivo “Bienvenidos al Show”.


Em 2013, “Espíritu Inmortal” é um álbum que o grupo disse voltar às raízes, em um Metal mais tradicional, com ênfase nas melodias e letras profundas. E em 2015 a compilação comemorativa dupla, “Alas de Fuego”, pela Icarus Music, com suas canções mais clássicas regravadas especialmente para este lançamento, que traz ainda algumas versões demo de canções como “Senderos del Tiempo” e “Hijo del Viento”. Uma excelente pedida para quem quer conhecer a banda. “Alas de Fuego” traz uma bela capa embalada em um slipcase, e são 21 faixas de Metal poderoso, técnico e melodioso.



Após uma pausa para ajustar seu direcionamento e para que Bertoncelli também se recuperasse de um problema nas cordas vocais, o grupo, com a adição de novos integrantes para o baixo e bateria, retorna com "Del Silencio a La Tempestad", lançado este ano pela Icarus Music. Contendo 12 faixas, destacando a homenagem a Lemmy Kilmister, "Leyenda del Rock" e "Voces en el Viento", a qual é o mais recente vídeo oficial (assista logo abaixo). 

Neste álbum adicionaram mais peso e agressividade em faixas como a abertura "Cultura del Odio", mas também possui momentos mais melodiosos, como a já citada "Voces en el Viento" e na Hard/Heavy "Corazón Salvaje", ou seja, um excelente balanço de pura agressividade Heavy e Power Metal, doses de Hard Rock, melodias marcantes e letras profundas e bem elaboradas. O Renacer escreve mais um capítulo de uma história que ainda tem muito a dar pelo Heavy Metal Sul Americano e Mundial. Como eles dizem, em uma faixa de seu novo álbum: "La Sangre No Es Agua".

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Agradecimentos: Marcelo Quiroga y Telon de Acero Radio; Icarus Music

Youtube Icarus Music

Line-up
Christian Bertoncelli - voz
Diego raca de Paolo - guitarra
Juan Manuel Ocampo - guitarra
Lukas Russo- bateria
Guillermo Ariel Tebes - bajo


       


       


       

terça-feira, 15 de maio de 2018

Bestial Malevolencia: Derramando Thrash Old School


 
Debut álbum desta banda argentina de, conforme eles mesmos se autoproclamam, ‘Thrash Vieja Escuela’. Lançado de forma independente e num bonito Digipack, o petardo não traz absolutamente nada de novo, obviamente. 

Porém, como a própria banda declara, seu Metal é tocado nos moldes do que era feito nos anos 80, por bandas como Destruction e Sodom, no entanto, com a grande diferença de ser cantado na sua língua pátria, com exceção da música ‘Explode This Thrash’. O que não traz nenhum prejuízo, pelo contrário, o espanhol casa muito bem com o Thrash Metal, forjado aqui em dez potentes manifestações.

A produção do álbum também faz referência aos velhos tempos, uma vez que a crueza está presente, ainda que a qualidade seja boa e tudo esteja plenamente audível. Até porque, pela sonoridade do Bestial Malevolencia, uma produção mais ‘moderna’ certamente comprometeria o resultado final da obra.


‘Derramaré Tu Sangre’ se deixa ouvir tranquilamente. Com referências etílicas na arte do disco, podemos dizer que é bem propício escutá-lo tomando umas cervejas.

Como referido inicialmente, por ser um lançamento independente, sua aquisição pode ser difícil, mas em contato direto com a banda isso deve ser possível. Se tu és um maníaco Thrasher que exalta as velhas bandas do estilo, tanto as alemãs como as americanas, este ‘Derramaré Tu Sangre’ te agradará sobremaneira. Som estoura-tímpanos.

Texto e edição: Marcello Camargo
Revisão: Carlos Garcia

Canais Oficiais da banda: 

Line-Up:
Emiliano San Martin – vocals
Alexis Costilla Soloa – guitar
Ariel Báez – bass
Alex ‘Mapex’ da Rosa – drums

Agradecimentos: Marcelo Quiroga e Programa Telón de Acero (Cortina de ferro)- Radio Planeta  - Sábados 12h


Tracklist:
1. Derramaré tu Sangre
2. Ser Libre
3. Estalla El Thrash
4. Contaminación
5. En el Ano!!
6. Bestial Malevolencia
7. Tortura Siniestra
8. Escapar
9. Hijos de la Destrucción
10. Explode This Thrash
11. HHH (instrumental Demo 2013) (Bonus Track) 



Official music video: “Derramaré Tu Sangre”

     

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Captor: Seguindo a Luta pelo Heavy Metal



Chegando aos 18 anos de estrada a banda de San Martín (Buenos Aires-Argentina) lançou no ano passado o segundo full-lenght, "Seguir Luchando". A banda se apresenta em seu perfil como "Heavy Metal com vozes melódicas", e realmente, o que ouvimos é Heavy Metal tradicional, com doses de Hard Rock e vocais melodiosos e em tons altos, seguindo o estilo de nomes tradicionais como Iron Maiden, Dio, Black Sabbath, Judas e também seus conterrâneos do Rata Blanca.

O álbum possui uma apresentação com design simples, capinha tipo envelope e com encarte com letras e informações básicas, e acredito que um investimento um pouco maior nessa questão deveria ter sido pensado, apesar de sabermos claro, que assim como aqui, a situação econômica Argentina não é favorável. Uma curiosidade interessante sobre a arte da capa, é que é uma continuação da do álbum antecessor, "Hacia El Destino" (2013), que inclusive foi lançado em um belo digipack e com faixa multimídia com vídeos e história da banda), ambas a cargo do artista plástico Rafael Arias Romero. 


Mas se na questão do design e apresentação gráfica o Captor foi econômico, a parte sonora compensa, pois traz uma boa produção, sendo que o álbum foi mixado e masterizado nos EUA no 6K Estúdios, por Ezequiel e Martín Etcheverry, que fizeram um bom trabalho, deixando os instrumentos bem nítidos, e com um som com pegada.

São 10 faixas, cantadas em espanhol, onde temos Heavy Metal com bons riffs e melodias cativantes, com boas variações e incursões de Hard Rock, além de teclados que são utilizados em algumas músicas, contribuindo positivamente nas melodias. Logo na abertura, e um dos destaques, "Atrapados", o grupo já apresenta as armas com um Heavy Metal empolgante, mostrando uma banda segura e coesa, onde já chamam a atenção os bons vocais de Marcelo Tovares, assim como a pegada da bateria; "A Fondo Siempre", a faixa seguinte, mantém a boa impressão inicial, seguindo por um caminho mais melodioso, destacando o refrão marcante.

Captor: Martin, Mariano, Carlos e Marcelo
Encontramos um álbum com composições numa média muito boa, com variações que mantém o interesse do ouvinte por todo ele, pois temos faixas mais diretas e pesadas, mais cadenciadas e melodiosas e também faixas mais aceleradas. Além das já citadas, destaco "Voces del Hoy y de Ayer",  uma faixa com dramaticidade, andamento mais cadenciado, com peso e doses de melodia bem colocadas, inclusive com a inclusão de alguns teclados e "Seguir Luchando", Heavy Metal tradicional com pegada, grandes riffs e vocais poderosos e com gana.


O Captor não tem a intenção de inovar ou inventar a roda,  faz sim  Heavy Metal tradicional com a segurança de quem está na estrada há quase duas décadas, mostrando qualidade e força nas composições, que trazem competência nos riffs e solos, peso, melodia e uma cozinha com pegada. Um bom nome para quem aprecia o Metal Sul Americano, e  para quem deseja conhecer mais bandas de nossa vizinha Argentina.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Facebook

Line-Up:
Martin Galeano: Guitarras
Mariano Binda: Bateria
Carlos Corsi: Baixo
Marcelo Tovarez: Vocais

Tracklist:
Atrapados
A Fondo Siempre
Voces Del Hoy Y de Ayer
Traicion Y Verdad
Verdades Olvidadas
Miradas Que No Miran
Gritos En La Noche
Guerreras Sin Armas
Seguir Luchando


       


       

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Entrevista: Cinnamun Beloved - Deixando a Musicalidade Fluir



Criada em 2011 pela vocalista e compositora Sabrina Filipcic Holm, o Cinnamun Beloved já possui um full-lenght e um DVD lançados, além de ter sido banda de suporte em shows de porte internacional, ao lado de bandas como Epica e Sirenia.  (English Version)

Com uma sonoridade moderna,  densa, bela e melodiosa, às vezes melancólica, às vezes sinfônica, possui uma personalidade marcante, sendo difícil lhe lhe colocar dentro de um rótulo específico, mas com certeza agradará fãs de grupos como The Gathering, Nightwish, Sirenia e outros que transitam nesse estilo sinfônico/Gótico.

Conversamos com a mentora do grupo, Sabrina Filipcic Holm, para trazer para vocês um pouco mais desta excelente banda argentina, que inclusive está com o segundo álbum praticamente pronto.



RtM: Para começar esta conversa, gostaria que você fizesse uma breve história da banda, aos leitores que conhecerão o Cimnamun Beloved por essa entrevista.
Sabrina Holm: A ideia inicial do Cinnamun Beloved surgiu no início de 2011, depois que deixei minha banda principal, a qual era fundadora e compositora principal. Decidi explorar novos estilos musicais sem abandonar meu estilo de composição. O primeiro material da banda foi gravado por músicos talentosos da cena local, que  fizeram parte da banda para os shows ao vivo. Cinnamun Beloved também contou com a participação de alguns músicos convidados: Diego Valdez (ex Skiltron) e Guillermo De Medio (que trabalhou com Tarja Turunen) no teclado e programação. A banda foi escolhida para abrir para o Epica em 2012. A banda também lançou um DVD ao vivo em 2013, com fragmentos de shows ao vivo e importantes músicos convidados.

RtM: Como você descreveria a sonoridade da banda?
SH: O som da banda é uma mistura de diferentes estilos de metal combinados com elementos eletrônicos, que tem como resultado um som moderno e poderoso, em combinação com minha voz.

RtM: A banda também sofreu várias alterações no line-up. Conte-nos mais a respeito.
SH: Por razões pessoais, em 2014, me separei dos demais músicos, e comecei a compor o que seria o próximo álbum da banda, chamado "Stain", o qual está sendo gravado ainda. A banda está postando as novas músicas no Youtube. para que a pessoas possam ouvir o novo material. A atual formação é: Eu (Sabrina Filipcic Holm) nos vocais,  Leonardo Lukaszewicz (guitas), Germán Esquerda (keyboards), David Saavedra (baixo) e Matías Sala (bateria). Em março de 2017 Cinnamun Beloved ganhou um concurso para ser banda de apoio do Sirenia em Buenos Aires. Atualmente, a banda continua tocando e gravando o novo álbum que possui um som diferente do primeiro, incluindo elementos do Power metal, mas ainda mantendo o som sinfônico.

"Eu gosto de encontrar o meu próprio estilo, não tento copiar qualquer cantor (e não poderia, mesmo se eu quisesse)"
RtM: Gostaria que você nos contasse um pouco sobre o álbum de estréia, como foi a repercussão dele e também gostaria que você falasse sobre o conceito do título, "The Weird Moment"
SH: Felizmente, a repercussão do primeiro álbum foi muito boa, mas a cena do metal aqui é muito complicada, por vezes, é difícil conseguir levar às pessoas o seu material ...
Sobre o nome do álbum, eu (Sabrina Filipcic Holm) estava em um momento muito estranho na minha vida, então é por isso que eu decidi nomear o álbum desse jeito ...

RtM: Gostaria que você nos conte um pouco mais sobre 2 músicas desse debut, que eu gostei muito, são elas "Leaving Myself" e "Never Asleep", para mim, dois destaques do seu primeiro álbum.
SH: Essas são duas músicas que escrevi com piano e voz somente, e decidimos fazer "músicas" delas, com elementos eletrônicos e toda a banda no final, para torná-las mais divertidas e poderosas.

RtM: No perfil da banda, você se descreve como Gothic Metal, mas vejo que o som vai além, sendo muito criativo. Gostaria que você comentasse sobre a sonoridade e o que você procura em termos musicais para a banda?
SH: Nós nos consideramos uma banda de Gothic Metal porque nós realmente não sabemos o que somos ....hehe. No segundo álbum, há mais elementos do Power Metal, mas ainda sinfônico. Eu acho que porque há uma cantora em primeiro lugar, mas nós fazemos a música que gostamos, nós não pensamos: "isso não é gótico". Eu apenas componho do jeito que eu quero (risos).


RtM: Fiquei impressionado com a qualidade de som do seu álbum. Eu vejo que você está projetando uma carreira internacional, e você sabe que só é possível com o investimento. Gostaria que você comentasse sobre isso e sobre os planos futuros da banda.
SH: Claro que é um plano futuro da banda, procuramos um selo, e queremos que nossa música seja ouvida fora da Argentina também. Temos uma boa repercussão por pessoas que nos ouviram em outros países, mas sabemos que é difícil,  são muitas bandas boas na mesma situação que estamos ... mas há bandas de heavy metal da Argentina que atravessaram o oceano, então, quem sabe?

RtM: Falando sobre investimentos, logo após o álbum, você também lançou um DVD. Eu achei uma ideia interessante, algumas novas bandas lançam DVD logo nos primeiros anos. Gostaria de saber como ocorreu a repercussão e se você alcançou os resultados esperados.
SH: Foi um pouco arriscado, mas decidimos fazê-lo de qualquer maneira, a repercussão foi boa e está disponível no youtube para que as pessoas possam assisti-lo. O DVD físico tem entrevistas e backstages.

RtM: E sobre o processo de composição na banda? Como funciona?
SH: No primeiro álbum, a composição foi feita por mim, Sabrina Filipcic Holm e Jorge Perini, que me ajudou, tive algumas ideias e fizemos músicas delas. No segundo álbum, a composição vem sendo feita por mim e Federico Cordera, exceto duas faixas feitas por Guillermo de Medio, Leonardo Lukaszewicz e eu, uma por mim e a intro e outro composta pelo tecladista Germán Esquerda.

 "São muitas bandas boas na mesma situação que estamos ... mas há bandas de Heavy Metal da Argentina que atravessaram o oceano, então, quem sabe?"
RtM: E quais são as principais inspirações quando você está compondo e escrevendo músicas?
SH: Depende do clima, acho, he he. Como eu disse antes, não planejamos nossas músicas ou dizemos que não é nosso estilo, ou qualquer coisa assim ... se gostamos, está dentro ....

RtM: Como você disse antes, existem várias músicas novas no youtube, gostaria que você nos contasse, então, qual é a situação atual do novo álbum e se há uma previsão de lançamento?
SH: O novo álbum está quase terminado, e será lançado no final de 2017, esperamos. Estamos colocando no youtube as novas músicas, para que as pessoas possam ouvi-las antes que o álbum esteja completo, então eles sabem o que é o Cinnamun Beloved hoje em dia. Felizmente as pessoas gostaram do que já ouviram! 

RtM: E para fazer um paralelo com a cena na Argentina com a cena aqui no Brasil, quais são as principais dificuldades enfrentadas para manter uma banda de Metal em seu país?
SH: A cena do Metal aqui é muito pequena, e é muito difícil conquistar seu espaço. Muitas pessoas são desonestas, e você tem que pagar para abrir para bandas estrangeiras, e uma soma considerável de dinheiro, é tão injusto, nunca fizemos isso, mas muitas pessoas fazem isso, nunca termina ...

"Estamos colocando no youtube as novas músicas, para que as pessoas possam ouvi-las antes que o álbum esteja completo, então eles sabem o que é Cinnamun Beloved hoje em dia."
RtM: Sabrina, e sobre você? Conte-nos um pouco mais como você entrou na música? Quem foram seus principais incentivadores? Você tem uma voz bonita, gostaria que nos conte um pouco sobre suas influências e seus antecedentes musicais?
SH: Comecei a ouvir Metal quando tinha 16 anos, mas eu cantei toda a minha vida. Comecei a estudar e continuo hoje em dia. Obrigado pelo  "bela voz!". Eu tenho influências, mas ninguém em particular. Eu gosto de encontrar o meu próprio estilo, não tento copiar qualquer cantor (e não poderia, mesmo se eu quisesse), então eu faço o que posso fazer ...

RtM: Obrigado pela sua atenção, deixei o espaço final para você enviar uma mensagem aos leitores.
SH: Obrigada pela entrevista, você pode nos encontrar no facebook, Instagram, twitter, somos Cinnamun Beloved ... KEEP ON ROCKING !!!!! OBRIGADO!!!!

Entrevista: Carlos Garcia
Agradecimentos: Patry Campos (Skywards Promotions)

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sábado, 26 de agosto de 2017

Witchour: moderno, ousado e agressivo

Resenha: Renato Sanson


Em 2015 quando lançaram “The Hauting” os argentinos do Witchour já mostravam há que vieram, pois a mescla sonora que executavam (do Death Metal Melódico ao Modern Metal americano) era de grande qualidade e equilíbrio, trazendo diferenciais pontuais que agregaram a sua musicalidade.

Seguindo esse raciocínio e indo um pouco mais adiante, temos o mais novo trabalho dos Hermanos, o EP “Night Hag/El Pacto” (2017) que traz apenas duas composições, mas que enchem os ouvidos de alegria ao apertar o play.

“Night Hag” abre o EP com teclados amenos que descambam em uma violência sem fim, com riffs mais que encorpados e bem postados, as linhas vocais urradas estão ainda mais potentes que se entrelaçam com momentos mais limpos, que caem muito bem a proposta do grupo. E que guitarras são essas? Solos inspiradíssimos com melodias que grudam logo de cara!

Em “El Pacto” a agressividade não diminui, mas temos um diferencial, pois a mesma é cantada em espanhol e nos mostra toda a versatilidade do Witchour, que não economiza e nos dá o seu melhor, as melodias são incríveis e as linhas de baixo-bateria esmagam como um rolo compressor, sem contar o refrão marcante que mostra essa grande variação.

O trabalho gráfico é muito bem cuidado, apesar de vir embalado em um simples Slimcase, temos no mesmo duas capas que encantam, pois são ricas em detalhes e faz você ficar um bom tempo analisando ambas, sem contar o belo encarte que vem separado em formato pôster, que traz as letras e um belo release sobre a trajetória da banda até o momento. A produção é de alto nível e casa perfeitamente com o que querem passar, cristalina, mas não plastificada, com um som bem na cara, moderno e pesado.

Não se prenda a rótulos e ouça essa grande banda que tem tudo para despontar no cenário mundial.

Links:

Tracklist:
01 Night Hag
02 El Pacto

Formação:
Alejandro Souza (Vocal)
Marco Ignacio (Baixo)
Ezequiel Catalano (Guitarra)
Federico Rodriguez (Guitarra)
Javier Cuello (Bateria)




terça-feira, 22 de abril de 2014

Climatic Terra: Crescendo Absurdamente em Novo Álbum

Grupo argentino se tornando uma das novas potências do Metal do país
Se muitas bandas abandonaram os vocais masculinos em troca de vocalistas mulheres (na maioria das vezes sexy), especialmente com vocais guturais, há nomes, como o Climatic Terra, que optaram pelo inverso.

E a evidente evolução não é mérito apenas do novo vocalista James Wright, mas de todo o quinteto argentino que lançou “Entity” (2013), sucessor do aclamado álbum underground “Earth Pollution” (2011), que rendeu passagem da banda pelo Brasil (este redator teve oportunidade de assistir a antiga formação ao vivo).

Novo vocalista James Wright estreia em alto estilo

No álbum de estreia, a banda trazia uma claríssima influência (beirando quase o plágio) do Arch Enemy, o que não acontece tanto no novo trabalho, apesar de aqui e acolá surgirem nítidas influências, que agradarão aos fãs da banda sueca, como as faixas “Traffic” e “My Sanity”.

Temática envolve a destruição do ecossistema
A proposta do grupo flerta com o Thrash Metal, trazendo vários elementos do Death Metal e momentos de melodia, formando um som forte, rápido, pesado e cheio de ótimos momentos. Grandes são os méritos da dupla de guitarristas Ezequiel Catalano e Federico Rodriguez, que em seus riffs me lembram mestres do Death Metal melódico como Niklas Sundin (Dark Tranquility), Michael Amott (Arch Enemy) e Jesper Strömblad (ex-In Flames).

Com peso de sobra tirado do baixo de Leonardo Baéz e da bateria insana de Hernan Martiarena, você certamente se impressionará com a violência de músicas como “We Are Not Dead”, “Na Unforgiving God” e “To Be Heard”, que usufruem da ótima produção geral do álbum, feita pela própria banda, que também acerta nas letras, saindo do clichê e retratando a degradação ambiental e o “way of life” do mundo atual.

“Entity” é um largo passo se comparado ao seu antecessor e, justiça sendo feita, será um importante arsenal metálico que a Climatic Terra tem para levar seu nome para o mundo. No Brasil já conquistou grandes fãs. Cabe a você ouvir a banda e juntar-se a eles.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação e Claroescuro
Assessoria: Metal Media

Ficha Técnica
Banda: Climatic Terra
Álbum: Entity
Ano: 2013 
País: Argentina
Tipo: Death/Thrash Metal
Selo: Independente

Formação
James Wright (Vocal)
Ezequiel Catalano (Guitarra)
Federico Rodriguez (Guitarra)
Leonardo Báez (Baixo)
Hernan Martiarena (Bateria)

Tracklist
01 - Indignation
02 - An Unforgiving God
03 - Traffic 
04 - To Be Heard
05 - What Could Have Been
06 - My Sanity  
07 - The Socialist
08 - Blood Walkway
09 - We Are Not Dead
10 - No Forgiveness
11 - End of Darkness

Assista ao vídeo clipe oficial de “The Socialist”

Ouça a faixa "Indignation"

Acesse e conheça mais sobre a banda
Youtube

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Helker: Herdeiros do Trono do Metal Argentino

Novo álbum de grupo argentino é um dos melhores lançamentos deste ano


Embora a cena do país vizinho seja bastante rica, pelo menos aqui no Brasil, poucas bandas chegam vindas de lá a fazer algum sucesso aqui e, mesmo não sendo uma banda muito nova, a Helker tem tudo para com o disco “Somewhere in the Circle” (2013), que acaba de sair pela grande AFM Records, ser considerada a herdeira do Metal argentino.

Surgida em Buenos Aires, a Helker, desde 1999, lançou 3 álbuns completos, algumas demos e singles, tendo como líderes o guitarrista Mariano Rios e o baixista Christian Abarca, completando a atual formação com Leo Aristu (guitarra), Hernan Coronel (bateria) e Diego Valdéz (vocal). E é este último a grande talento da banda.

O vocalista Diego Valdez comanda o ataque
Pode parecer clichê destacar mais o frontman de um grupo, mas é inevitável fazermos isso já que Diego possui uma das vozes mais potentes do Metal, não apenas sul americano, mas mundial, algo muito ajudado pela sua semelhança com Ronnie James Dio (Rainbow, Black Sabbath, Dio), que segue bem evidente, mas caminhando por timbres potentes que remetem também à Tim Owens (Judas Priest, Iced Earth). Aliás, sua participação no DVD ao vivo da cantora Tarja Turunen (ex-Nightwish) ganhou os quatro cantos do mundo.

“Somewhere in the Circle” acabou de ser lançado, no dia 15 de janeiro, já tendo dois singles apresentados na pré-divulgação do trabalho e, a partir deles, você pode ter uma real dimensão do que lhe espera nesse 4º trabalho completo. E a banda não poderia ter escolhido um produtor melhor: Mat Sinner (Sinner, Primal Fear).

"Somewhere in the Circle" coloca a banda em patamar mundial

São 11 faixas, em dois lançamentos: um disco em inglês e outro em espanhol (que não será o foco desta resenha), que trazem a banda no seu Heavy/Power Metal tradicional, com muita energia, numa inspiração pouco vista nos últimos tempos, sobretudo em bandas sem um grande renome internacional. Atributos esses que colocam Helker como um dos fortes nomes como “sucessor” histórico do reinado de Rata Blanca, já que, assim como toda grande nação com uma cena forte, alguém deve seguir com a bandeira e não consigo pensar em outro nome que não Helker.

Tim "Ripper" Owens
O álbum começa “Modern Roman Circus”, já mostrando que a cozinha da banda pega pesado, assim como os riffs seguem uma linha do chamado Power/Heavy Metal atual, lembrando até bandas brasileiras como Shadowside e Hibria. Mas essa é a apenas o primeira de inúmeros petardos.

“Just Be Yourself” traz na letra o ensinamento: seja você mesmo, não tente ser outra pessoa. Aliás, as composições líricas são ricas e tornam o trabalho mais polido. Outros destaques imediatos ficam para os singles/vídeos “Wake Up” e “No Chance to Be Reborn” (ambas você assiste abaixo), esta última sendo a que Diego mais apresenta referência à Dio e foi a que me fez ter contato com a banda e ir atrás de mais material. Também destaco a belíssima e acústica “Flying” (impossível não lembrar da primeira fase do Rainbow, lá nos anos 70), que com muita emoção, mostra o lado mais sensível da banda e se destaca por pisar mais nos freios.
Ralf Scheepers

Mas a grande surpresa e a faixa mais sensacional é “Begging For Forgiveness”, não apenas por contar com duas das maiores vozes do Metal mundial atual, como também se mostra a faixa mais heterogênea, com várias passagens, perfeitamente encaixadas aos vocais de Tim Owens e Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray, atual Primal Fear). Colocaria a canção como uma das melhores que já ouvi e, definitivamente, superior à qualquer participação especial dos supracitados vocalistas em outros grupos. Aliás, Owens já cantara no disco solo de Scheepers, mas não obtiveram resultado tão bom quanto agora. Ouça e compare!

Várias seriam as outras considerações, mas a matéria já se alonga. Mas não posso encerrar esse texto sem escrever o seguinte: a banda não revoluciona, mas dentro do que já foi feito no estilo que segue, disparadamente, oferece um álbum perfeito (que só peca pela capa que não faz jus ao trabalho) e audição obrigatória à qualquer headbanger que preze pelos seus ouvidos e quer um disco para bater cabeça. Essa é a banda!

Stay on the Road

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Helker
Álbum: Somewhere in the Circle
Ano: 2013 
País: Argentina
Tipo: Heavy/Power Metal
Lançamento: AFM Records

Formação
Diego Valdez (Vocal)
Mariano Rios (Guitarra)
Leo Aristu (Guitarra)
Christian Abaca (Baixo)
Hernan Coronel (Bateria)



Tracklist
1. Modern Roman Circus 
2. Just Be Yourself 
3. No Chance to Be Reborn 
4. Begging for Forgiveness (com Tim Owens e Ralf Scheepers)
5. Wake Up 
6. At the End of the Journey 
7. Ghosts from the Past 
8. Still Alive 
9. Flying 
10. Inside of Me 
11. Dreams

Acesse e conheça mais sobre a banda

Assista ao vídeo clipe de “No Chance to Be Reborn”


Assista ao vídeo clipe de “Wake Up”