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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Cobertura de Show - Brazilian Metal Forces: A celebração da força e do peso do Metal Brasileiro!

 


Texto e Fotos: Vinny Vanoni
Edição/Revisão: Caco Garcia 

No dia 28 de Junho de 2026 foi realizado no Bar Opinião e, Porto Alegre a terceira apresentação do festival Brazilian Metal Forces, produzido pela Arena Produções com intenção de mostrar que o Metal e suas vertentes estão mais fortes do que nunca! 

O festival realizou três apresentações que englobaram o sul do Brasil, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contando com as excelentes apresentações de grandes nomes do Metal Brasileiro como Phornax, Viper e Korzus, além da banda de abertura, Xakol, projeto do baixista Saulo Xakol da já consagrada banda brasileira Noturnall. 

O Brazilian Metal Forces chegou para mostrar aos fãs brasileiros que além das bandas que se apresentaram, o nosso Metal Nacional tem muito fôlego, potência  e cada vez mais força não somente no cenário local como no mundial, provando que temos muita capacidade e técnica para confrontar as bandas gringas!

Mas chega de “lero lero” gurizada até porque vocês querem saber sobre as bandas e como foi o show de cada uma, então, bora pra matéria! 


*****Xakol*****


Começando com a banda de abertura, Xakol! Esta é uma daquelas bandas que podem ser consideradas “uma gema rara” dentro do cenário nacional, já que são tantas bandas boas que às vezes passam despercebidas a nível nacional mesmo com integrantes altamente qualificados, já que em muitas situações são conhecidas mais regionalmente principalmente pelos compromissos dos músicos que a integram. 

Para dar um contexto, Xakol é um projeto catarinense de Metal Melódico e Progressivo idealizada e concebida por Saulo “Xakol” Castilho, atual baixista da renomada banda Noturnall. 

Iniciou suas atividades com o Xakol em 2013 e contatou ninguém menos do que Edu Falaschi, vocalista que ficou famoso por entrar no lugar de Andre Matos no Angra e já integrou bandas como Mitrium, Venus, Symbols e Almah, e atualmente está em atividade com seu projeto solo Mi’Raj, para produzir seu álbum chamado “Chaos Lit A Soul”.

Em 2015 convidou amigos de longa data para comemorar seu aniversário, momento este que seria o embrião da banda Xakol e em 2016 entram para a banda Gil Lima, Thiago Moser e André Freitas. 

Também já colaborou com outros vocais e músicos famosos na cena do metal Brasileiro, como Bruno Sutter (Detonator, Massacration), Thiago Bianchi (Noturnall, ex-Shaman), Aquiles Priester (Hangar, All Metal Stars, W.A.S.P, Midas Fate, ex-Angra, ex- Primal Fear). 

Atualmente a banda possui em sua formação Rafael Azevedo (Guitarra), André Freitas (Guitarra), Gil Lima (Bateria), Thiago Moser (Baixo), Thiago Gonçalves (Teclado) e Saulo Xakol (Vocais). 

O Xakol se apresentou com cinco músicas próprias, "Runaway", "Rise of a New Sun", "Murdering My Heart", "Restless Hunter" e "Eternally". Destas, "Runaway" e Murdering My Heart" foram lançadas apenas de forma digital, enquanto "Rise of a New Sun" e "Metal for Demons," quarta música lançada que não foi tocada no Brazilian Metal Forces (e contou com a participação de Bruno Sutter, o nosso famigerado Detonator) foram lançadas também em formato físico. 

Estas quatro iniciais foram produzidas por conta própria em estúdio em Florianópolis, todas em formato de singles. Já a Restless Hunter e Eternally são inéditas e irão fazer parte do álbum com músicas inéditas (Du-uh, sério que músicas inéditas em um álbum de músicas INÉDITAS são inéditas pangaré???) que mencionei acima, o “Chaos Lit a Soul” e que está sendo produzido por Edu Falaschi (O cara produzir um disco de uma banda da parte Sul do continente merece aplausos, na real! Valeu “tio Edu”!!!). 

“Tá, tu falou das músicas que irão entrar no álbum, mas e as outras quatro???” Acalmem os coraçõezinhos e a ansiedade gurizadinha medonha. Runaway, Rise of a New Sun, Murdering My Heart e Metal for Demons não estarão no Chaos, porém segundo Saulo, mesmo que elas estejam no “banco de espera” por enquanto por não se encaixarem no conceito deste álbum, há a forte chance de serem utilizadas em um futuro disco (para não repetir a palavra álbum, again and again). Enquanto o Chaos Lit a Soul não é lançado, vocês podem conferir o trabalho da Xakol no Youtube e no Spotify!

Estes hiatos de tempo entre apresentações, tours e poucas músicas lançadas se devem a Saulo, e demais integrantes da banda Xakol, estarem com diversos compromissos, principalmente a partir de 2019 por Saulo ter assumido o posto de baixista na Noturnall, porém, mesmo com estes contratempos, o Xakol continua ativa no tempo disponível e mesmo que tenha tocado apenas suas quatro músicas já lançadas até 2019, fez um show excelente de abertura para as bandas Phornax, Viper e Korzus! 

A banda consegue trabalhar bem com os estilos melódico, progressivo e até mesmo com uma pegada heavy metal em suas musicas, mesmo que por enquanto sejam poucas, porém, existe a intenção de ainda lançar um álbum completo e alçar o Xakol ao sucesso, segundo a conversa que ocorreu com Saulo em meio ao show da Phornax, onde estava um som alto (é o Opinião, qualidade e volume de som é o que não falta) e em alguns momentos, mal conseguíamos nos entender.

Mas mesmo assim conseguimos trocar uma ideia, onde me foi revelado que mesmo que demore 10 anos (por causa dos compromissos pessoais dos integrantes) este álbum será lançado! E desejo boa sorte e sucesso para o Xakol! Batia banda gurizada, baita banda!

Spotify 



*****Phornax*****


Já a Phornax que fez o segundo show da noite teve um detalhe especial, muito especial na verdade, já que após um hiato de mais de 14, quase 15 anos, a banda volta não somente com uma nova formação com Eduardo Martinez na guitarra e Sfinge Lima no baixo (dois monstros do metal nacional com carreiras consolidadas e técnicas poderosas) mas também pelo lançamento de seu novo álbum, “Hellforge”, que será lançado neste mês de julho! 

No show, a banda tocou as músicas Silent War, Dare of Destruction, Ghosts from the Past e Final Beat de seu álbum lançado em 2011, Silent War, juntamente com as músicas Forged in Metal, Hell’s Paradise, Seeds of Strife, Blood for Blood, A Matter of Time e Between Fear and Hope que integram o "Hellforge". 

E gurizada, eu tenho que ser sincero, que show! QUE SHOW! A impressão que tenho, sem desmerecer os integrantes antigos que não estão mais na banda, com esta nova formação a Phornax  está mais... técnica, afiada por assim dizer. O primeiro álbum é muito bom, mas o "Hellforge" minha gente, é sensacional! 

O som parece que ganhou uma profundidade e peso maiores, os instrumentos mais trabalhados, a conexão entre os integrantes está mais, intima dentro do palco, eu não sei explicar exatamente, porém o que eu vi e escutei no Brazilian Metal Forces foi algo que me surpreendeu muito em relação a qualidade técnica e musical desta nova fase, a qual também agradou e muito não somente aos fãs da banda como também a todos que estavam presentes no Bar Opinião! 

E tem mais um detalhe, a banda agora conta com uma mascote, a “Phornaceia” uma feiticeira mística que encanta a todos e captura os olhares e almas com sua dança do ventre nas apresentações da Phornax, interpretada pela estonteante e talentosa Aline Mesquita, pois segundo o vocalista Cristiano Poschi “Se o Iron tem o Eddie, nós temos a Phornaceia”!


É com grande satisfação que digo, a Phornax está novamente no jogo e com uma qualidade ABSURDA para voar além das fronteiras brasileiras e alcançar as “Big Leagues”! 

Spotify 



*****Viper*****

.


A banda que tocou antes do Korzus foi a Viper. Como muitos, ou ao menos quase todos que gostam de Metal Melódico, Power Metal e Heavy Metal brasileiros sabem, Viper foi a banda criada pelo nosso eterno Maestro do Metal, Andre Matos, Pit Passarel, Yves Passarel, Felipe Machado e Marcos Kleine em 1985 e que já lançou álbuns icônicos para o Metal Nacional, inclusive ouso dizer que alguns deles, como Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate inclusive ajudaram a moldar o metal melódico e (me permitam utilizar esta expressão) “Óperatico” Brasileiro. 

Inclusive com muitos de nós tentando cantar imitando os agudos e falsetes de Matos e falhando miseravelmente (momento gargalhada em alto e bom som lembrando de experiências próprias!)

Após a saída de Matos por divergências musicais, Pit Passarel assumiu os vocais e em 1992 lançam o álbum mais vendido até agora da história do Viper, “Evolution”, onde com Pit nos vocais a direção musical se alterou um pouco, do melódico e orquestral que foi o Theatre of Fate, Evolution adotou uma linha mais... crua, por assim dizer, onde é possível notar a identidade pessoal de cada música, umas mais puxadas para um metal melódico, mas de leve, outras já vão para um caminho Heavy Metal e outras possuem aquela pegada Rock’n’Roll, além de acordes com outras influencias. 

Porém admito, na época em que descobri Viper, nos idos anos 2000, eu acompanhei até o Theatre of Fate e fiquei um tempo sem escutar e voltei em 2020, começando com o álbum "Coma Rage", o qual no início por ter uma pegada mais “Punk Hardcore” acabei estranhando devido a mudança bruta de estilo em relação ao Fate porém um álbum fantástico! 

E foi uma grata surpresa ao descobrir que continuavam na ativa e mais fortes do que nunca com Leandro Caçoilo nos vocais (descobri apenas este ano que ele já era vocal desde 2017 no Viper), dando não somente um suspiro novo para a banda, mas um oxigênio muito necessário para esta nova fase.

Mas, nem tudo são rosas, em 2019 perdemos nosso eterno Maestro do Metal. Não somente para mim que era um fã quase fanático de Viper, Angra, Shaman e carreira solo de Matos, mas para todos o que o conheciam, seja apenas como artista, seja como pessoa, amigos, familiares, colegas de banda e de trabalho e parcerias, ficamos em choque ao saber da morte prematura de Andre Matos.

E para o Viper o choque foi ainda maior, já que haviam voltado a conversar frequentemente com Andre inclusive realizando parcerias em álbum, musicas e shows em diversos períodos como 2004, 2007, 2017, além de ter retornado a banda no período de 2012 a 2016, e planejavam até mesmo a gravação de um álbum inteiro novamente com o ex-vocalista. 

Em 2020, em meio a pandemia, o Viper lança uma regravação da musica The Spreading Soul, do álbum Evolution de 1992 reintitulada como "The Spreading Soul Forever", com vocais de Andre Matos, em sua homenagem. Em 2024, outro integrante infelizmente se vai antes da hora, Pit Passarel vem a óbito por complicações de um câncer no pâncreas, novamente deixando o Viper, familiares, amigos e fãs devastados.

A banda possuía um show em Bogotá que decidiu manter, chamando o irmão de Andre, Daniel Matos no baixo, o qual logo após foi confirmado como baixista oficial do Viper. 

E neste show, neste festival que ocorreu no Bar Opinião, Brazilian Metal Forces, a banda com a formação contando com Felipe Machado (Guitarra, acústica, violão e backing vocals), Guilherme Martins (bateria desde 2012), Kiko Shred (Guitarra, desde 2021), Daniel Matos (Baixo desde 2024) e Leandro Caçoilo nos vocais desde 2017, o Viper realizou um mais do que belo show, realizou para os fãs, para mim, o melhor show que já tive a honra de assistir em minha vida.

O Viper grandes sucessos de toda sua carreira como Soldiers of Sunrise (Soldiers of Sunrise), To Live Again, Prelude to Oblivion, A Cry From the Edge e Living for the Night (Theatre of Fate), Evolution em homenagem à ao grande e saudoso Pit Passarel, Dead Light, Rebel Maniac e The Spreading Soul Forever em homenagem à Pit e Matos (Evolution), Coma Rage (Coma Rage), Under the Sun e Timeless (Timeless). 

Durante o show admito cantei junto (se alguém pudesse me escutar teria me expulsado do Opinião a pancadas por estar assassinando as músicas), me emocionei, só não me esbugalhei em lágrimas em alguns momentos por ter que trabalhar (fotografar com olhos marejados não funciona nem um pouco). 

Viper entregou uma performance tanto de presença de palco quanto técnica instrumental e vocal impecável! A galera cantou junto, chorou junto, e penso que não havia quase ninguém dentro do Opinião que não tenha se emocionado, principalmente durante as homenagens realizadas a estes dois gigantes e magníficos músicos que se foram cedo demais. 

Porém o Viper conseguiu fazer algo que poucas bandas conseguem em momentos que perdem algum integrante, que é encontrar músicos a altura dos que já não se encontram mais na banda. 

Dani Matos e Caçoilo não somente estão à altura como estão carregando o legado de Pit e Andre com perfeição absoluta! Talvez por eu ser nostálgico e saudosista, me chamou a atenção que Caçoilo ao cantar ao vivo consegue se aproximar muito, mas MUITO mesmo de Matos nos vocais, tom, timbre, alcance, potência, tudo! 

Claro que temos que considerar que na época, o Maestro era adolescente e Caçoilo hoje já é mais experiente, porém é difícil encontrar alguém que se aproxime tanto dos músicos anteriores como o Viper conseguiu, e posso dizer com certeza, embora nunca tenham deixado de existir apesar dos hiatos, com esta formação que honra o legado e os “calçados” das duas lendas do rock e metal brasileiros, o Viper se encontra mais do que pronto para conquistar, novamente, seu espaço na cena do Rock e Heavy Metal  mundiais! GO AND SHRED THE WORLD APART “MA GUYS”!   


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*****Korzus*****


Finalmente a atração principal da noite, Korzus! Senhores, senhoras, rapazes e senhoritas! Que show FODA! Primeiro que a Korzus é uma das potências e lendas do thrash metal nacional e juntos com Sepultura e Sarcófago foram os responsáveis por mostrar ao mundo que no Brasil também sabemos tocar e fazer Thrash Metal e dos bons! 

Em 2026 a banda passou por duas mudanças de integrantes, Antônio Araújo anunciou o desligamento da banda em 2024 após dezesseis anos de atuação por motivos de questões logísticas já que iria retornar para Recife, além de focar de forma integral em sua outra banda, Matanza Ritual. 

Já em 2025, Heros Trench também se desligou banda por querer buscar uma renovação criativa e artística e por mais que as duas saídas tenham ocorrido de forma amigável, deixaram um vácuo no Korzus que agora precisava buscar novos integrantes para ocupar os papeis de guitarra solo e guitarra base.

Em 2026 outras duas feras do metal nacional passam a integrar a banda, Jean Patton (Ex-Project46) e Jéssica Falchi (ex-Crypta) que trouxeram a renovação harmônica que o Korzus estava buscando, principalmente agora que estão em processo de produção de seu novo álbum que está sendo divulgado através da turnê “Flesh Machine Era” através do single “No Light Within”, o qual foi tocado no Bar Opinião juntamente com alguns dos maiores sucessos da banda que já conta com mais de quatro décadas de história, existência e correrias. 

A performance desses gigantes do Thrash Metal Brasileiro, e mundial, foi arrebatadora, simplesmente SENSACIONAL! 

Como todos que já estiveram presentes em um show do Korzus bem sabem, o carisma e presença de palco de Marcello Pompeu é fantástico, pois além de apenas cantar e performar, ele chama a galera para participar do show cantando junto, fazendo comentários até mesmo cômicos em relação a muitas situações.

Sim! é quase um show de metal misturado com show de comédia stand up em alguns momentos), responde a algumas falas, ou berros, dos fãs, principalmente os que se declaram para Falchi! Inclusive foi revelado por Pompeu que Jéssica recebe de 3 a 5 pedidos de casamento por show, o que levou o publico a gargalhadas e destruiu sonhos de outros (risadas internas). 

“Mas vem cá o pangaré, tu não vais falar da performance dela e do Patton não, ô arrombado???”. Acalmem o coraçãozinho jovens padawans, irei sim! Como não poderia deixar de ser, ambos são experientes e excelentes no que fazem, tanto que apenas pela “No Light Within” todos os presentes, inclusive “moizinho” (momento mistura de francês com brasileiro debochado) aqui, perceberam o peso e a tempestade harmônica que chegaram ao Korzus com a entrada de Patton e Falchi. 


Todas as músicas da carreira são excelentes, porém nesta nova fase o Korzus parece que está com sangue nos olhos para trazer a vida o que talvez  possa vir a ser considerado o seu melhor álbum! 

Porém não irei fazer suposições tão cedo, afinal de contas, existem mais diversos processos, risadas e talvez tretas a serem realizadas para que chegue o novo álbum, e podem ter certeza de que nós enquanto fãs estamos ansiosos para que o Korzus não dê à luz, mas sim um curto-circuito (“No Light WIthin”, captaram? Hein, hein?) a este novo álbum que aguardamos com ansiedade! CHEERS GUYS (and girl) AND KEEP ROCKING!



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domingo, 22 de março de 2026

Cobertura de Show: All Metal Stars Br – 15/03/2026 – Audio/SP

All Metal Stars na Audio: Uma Celebração de Amor e Legado ao Maestro Andre Matos

Nem a chuva de domingo, 15 de março, foi capaz de afastar o público fiel de Andre Matos da Audio, em São Paulo. A casa, que já se tornou um porto seguro para os fãs ao sediar momentos históricos como a Shaman Reunion e o projeto Shamangra, provou mais uma vez por que é um dos principais palcos do metal no Brasil. Desta vez, a atmosfera era ainda mais especial: o show serviu de cenário para a gravação do DVD oficial do All Metal Stars (Arena Produções). Vale pontuar, no entanto, que em certos momentos da noite o volume do vocal parecia estar um pouco abaixo dos instrumentos, um detalhe de mixagem que, embora perceptível, não tirou o brilho da grandiosidade do evento que está rodando o país.

Com duas bandas de respeito para a abertura dos shows, a noite começou pontualmente com os goianos da Krakkenspit. Formada por Márcio Cruvinel, Aldo Guilherme, Julian Stella e Bruno Dias, a banda apresentou o repertório do elogiado álbum Tides of Armageddon (2024). Com uma mistura impecável de metal moderno e tradicional, guitarras afiadíssimas e letras apocalípticas, o grupo conquistou a plateia. O carismático Márcio ainda brincou: "Vocês achavam que em Goiânia só tinha sertanejo?", provando que o metal do Centro-Oeste ruge muito alto. 

Na sequência, a Phornax trouxe o peso direto de Porto Alegre. Liderada pelo vocalista Cristiano Poschi — com sua nítida influência de King Diamond — e pelo baterista Mauricio Dariva, a banda mostrou a garra do metal gaúcho. A presença do lendário guitarrista Eduardo Martinez (ex-Hangar) foi um diferencial à parte, desfilando técnica refinada entre clássicos e as novas composições do álbum Hellforge.

Quando o supergrupo subiu ao palco, a Audio veio abaixo. O início foi com "pé no peito": "Carry On", o hino do metal nacional, seguido por "Here I Am" (fase Shaman) e a poderosa "Carolina IV", encerrando a primeira parte com a banda — formada por Aquiles Priester, Edu Ardanuy, Thiago Bianchi, Guilherme Torres e Saulo Xakol — em total sintonia. 

O momento mais emocionante de todos começou com a entrada de Dani Matos, irmão de Andre. Bianchi  comoveu a todos ao anunciar que D. Sonia, mãe de Dani e Andre, estava na plateia assistindo ao filho pela primeira vez. Sob um clima de nostalgia e gratidão, Dani tocou a belíssima "Wuthering Heights" (Angra) e, em seguida, cantou e tocou o clássico do Viper, a primeira banda de Andre, a "Living for the Night" (Viper), seguidas das poderosas "Stand Away" e "Make Believe" (Angra). Ainda com Dani no palco, Bianchi liderou uma comoção coletiva com "Fairy Tale". A plateia, em meio a lágrimas, cantou cada verso da música, selando um dos registros mais bonitos do DVD.

Após esse bloco, o palco recebeu mais dois convidados que engrandeceram a noite de forma contínua e emocionante. Guy Antonioli, vocalista do Tierramystica, trouxe sua voz potente para interpretar a densa e introspectiva "Letting Go". Visivelmente comovido, Guy dedicou a canção à D. Sonia, revelando que a perda recente de sua própria mãe tornava aquele momento sagrado. Logo depois, foi a vez de Chris Poschi, da Phornax, retornar ao palco para uma interpretação de arrepiar de "Lisbon", honrando a fase clássica do Angra. Entre as músicas, Aquiles Priester assumiu o microfone para apresentar a banda com muita descontração e carinho, chamando Edu Ardanuy de seu "padrinho de casamento" e celebrando o fato histórico de finalmente ter convencido o mestre da guitarra a tocar Power Metal.

O grand finale foi o encerramento do set principal com "For Tomorrow", cantada a plenos pulmões. Para o bis, o All Metal Stars reservou as icônicas "Nothing to Say" e "Angels Cry", levando a Áudio ao delírio absoluto. Foi, como Bianchi ressaltou, um show feito com o coração, de fã para fã, honrando todas as fases da genialidade de Andre Matos.

Fica apenas uma reflexão para essa noite maravilhosa, em pleno mês das mulheres sentimos falta de mulheres no palco. Temos muitas cantoras e instrumentistas incríveis que admiram a genialidade de Andre e que certamente ficariam honradas em participar e abrilhantar ainda mais essa homenagem.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Arena Produtora

Press: TRM Press


All Metal Stars Br – setlist:

Carry On

Here I Am

Carolina IV

Time

Wuthering Heights

Living for the Night

Stand Away

Make Believe

Fairy Tale

Letting Go

Lisbon

For Tomorrow

Bis

Nothing to Say

Angels Cry

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 03/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

Após um bom aquecimento, o sábado prometia atrações imperdíveis. Dessa forma, o segundo dia do festival teve um foco maior nas bandas de metal, ao contrário do dia anterior, que priorizou o Hard Rock. Para os admiradores de power metal, foi um dia e tanto, já que a maioria das bandas pertencia a esse subgênero.

Os outros dois palcos, o Sun Stage e o Waves Stage – este último retornando ao espaço interno do Memorial e dedicado às bandas nacionais – também foram abertos. 

Começando pelas primeiras atrações no Sun Stage, conferi os brasileiros do Viper, que este ano celebram 40 anos de carreira. Mesmo após a perda de um de seus fundadores, Pit Passarell, a banda segue firme a sua trajetória, entregando ótimas performances com seus clássicos e faixas do mais recente álbum Timeless, e foi justamente com a faixa-título que Leandro Caçoilo (vocais), Felipe Machado e Kiko Shred (guitarras), Daniel Matos (baixo e irmão do saudoso Andre Matos) e Guilherme Martin (bateria) agitaram o público logo cedo. Como de costume, não faltaram homenagens aos eternos Andre Matos e o citado Pit Passarell, especialmente em “The Spreading Soul” e “Rebel Maniac”, respectivamente.

Ao mesmo tempo em que o Viper se apresentava no Sun Stage, as suíças do Burning Witches incendiavam o Ice Stage com seu Heavy Metal tradicional. Com uma formação consolidada e tendo a vocalista Laura Guldemond como centro das atenções – uma das melhores da atualidade em se tratando de front-woman do gênero –, a banda fez todos os presentes baterem cabeça nas faixas “Wings of Steel”, “Hexenhammer” e “The Dark Tower”, além de “The Spell of the Skill”, a única faixa inédita do set, que deve integrar o próximo álbum.

Burning Witches – setlist:

Unleash the Beast

Dance With the Devil

Maiden of Steel

Nine Worlds

Wings of Steel

Hexenhammer

The Spell of the Skull

The Dark Tower

Lucid Nightmare

Burning Witches





Como eu disse no início, o dia acabou sendo mais voltado ao Metal, mas o H.E.A.T foi a exceção. Considerada por muitos a melhor banda de Hard Rock da atualidade, os suecos já haviam deixado sua marca na primeira edição do festival, quando foram apontados como um dos melhores shows daquele ano. 

Recentemente, a banda lançou seu novo álbum, Welcome to the Future, e foi com a faixa de abertura desse trabalho, “Disaster”, que o show começou com força total. Mas, claro, sem deixar de lado os clássicos da carreira, como “Dangerous Ground”, “Hollywood” e “Back to the Rhythm”.

Apesar da recepção calorosa, da banda tinindo no palco e de um repertório impecável, alguns sinais de preocupação surgiram durante "Rise" e "Beg Beg Beg". O guitarrista Dave Dalone precisou se ausentar do palco por conta da temperatura alta que fazia a tarde na capital, mas isso não comprometeu o nível da apresentação, que foi explosiva e superando a primeira em que fizeram em solo brasileiro. Kenny Leckremo, que a cada dia se mostra um vocalista ainda mais impressionante, não parou de agitar por um segundo sequer.

H.E.A.T – setlist:

Disaster

Emergency

Dangerous Ground

Hollywood

Rise

Beg Beg Beg

Back to the Rhythm

Bad Time for Love

1000 Miles

One by One

Living on the Run





Uma das coisas mais legais em um festival é poder escolher quais bandas assistir. O Municipal Waste é uma excelente banda de Thrash Metal, com músicas bem legais e divertidas. No entanto, como tenho uma paixão pelas bandas suecas, fui atraído a ver o pessoal do Dynazty. E olha, que show. Eles me impressionaram da primeira à última música.

A banda mudou bastante nos últimos anos; os dois primeiros discos têm uma pegada mais voltada ao Hard Rock, enquanto ao vivo, eles entregaram uma performance avassaladora! O vocalista Nils Molin tem uma presença de palco absurda, e a dupla de guitarristas - Rob Love Magnusson e Mike Lavér – foi fantástica, com riffs e solos certeiros. Ou seja, não tenho do que reclamar. Foi uma grande surpresa e considero esse um dos melhores shows do festival.

Dynazty – setlist: 

In the Arms of a Devil

Game of Faces

Natural Born Killer

The Grey

Waterfall

Yours

Call of the Night

Presence of Mind

The Human Paradox

Heartless Madness





Depois disso, resolvi andar pelo festival, observando as feiras, o merchandising e vendo se cruzava com algum artista. Enquanto fazia isso, o Sonata Arctica se apresentava no Hot Stage. Optei por não assistir ao Sonata Arctica por não ter tanta familiaridade com seu trabalho. Ainda assim, reconheço o valor deles dentro do Power Metal. Acabei vendo mais o final do show e percebi que havia muita gente os recepcionando, o que só comprova a admiração dos brasileiros pelos finlandeses, que com certeza fizeram uma ótima apresentação, como das outras vezes em que vieram ao Brasil.

Sonata Arctica – setlist: 

First in Line

Dark Empath

I Have a Right

San Sebastian

Replica

My Land

FullMoon

Wolf & Raven

Don't Say a Word

Vodka





Outra banda que me atraiu foi o Kamelot. Há um bom tempo eles vivem uma nova fase da carreira com o vocalista Tommy Karevik, que está na banda desde 2012 e interpretou com maestria clássicos como “Rule the World”, “When the Lights Are Down” e “Forever”, sem deixar nada a dever ao lendário Roy Khan.

O repertório também contou com faixas mais recentes, como “Veil of Elysium”, que abriu o show de forma arrebatadora, e “New Babylon”, ambas com a participação marcante da cantora Melissa Bonny. Outro ponto alto da apresentação foi o solo de bateria, que incluiu um trecho de “Tom Sawyer”, do Rush.

Kamelot – setlist: 

Veil of Elysium

Rule the World

Insomnia

When the Lights Are Down

New Babylon

Karma

March of Mephisto

Forever

One More Flag in the Ground

Liar Liar (Wasteland Monarchy)





Faltando poucos minutos para o fim do show do Kamelot, já havia muita gente apostas no palco vizinho aguardando a chegada do Saxon. Lenda da N.W.O.B.H.M, o Saxon é uma daquelas bandas que nunca faz um show ruim. Ao lado do Iron Maiden e do Judas Priest, eles formam a trinca de ferro do Heavy Metal britânico. E, quanto mais velhos ficam, menos incansáveis parecem.

Do Hell, Fire and Damnation, disco mais recente da banda, apenas duas músicas foram executadas: a faixa-título e Madame Guillotine. Mas, em todos os shows - mesmo quando estão promovendo um novo lançamento – eles nunca deixam de tocar os clássicos. E não tinha uma pessoa sequer que não cantasse, levantasse os punhos ou batesse cabeça com obras-primas como “Power and the Glory”, “Motorcycle Man”, “Heavy Metal Thunder”, “Strong Arm of the Law” e tantas outras. 

Saxon – setlist:

Hell, Fire and Damnation

Power and the Glory

Motorcycle Man

Madame Guillotine

Heavy Metal Thunder

Strong Arm of the Law

1066

And the Bands Played On

Denim and Leather

747 (Strangers in the Night)

Wheels of Steel

Crusader

Princess of the Night




Outra apresentação muito aguardada do dia foi a do Dark Angel, uma das principais bandas de Thrash Metal da história. Mesmo que não tenha a mesma visibilidade das bandas do chamado Big 4 americano, o grupo ainda continua tendo fãs que acompanham. Um de seus integrantes mais notáveis é o baterista Gene Hoglan, que dispensa apresentações e é uma verdadeira referência no estilo.

Apesar do desfalque do guitarrista Eric Meyer, a banda incendiou o público com rodas e moshes ao som de músicas como “Never to Rise Again”, “Darkness Descends”, “The Burning of Sodom” e “Extinction Level Event”, esta última dedicada a Jim Durkin.

Antes tarde do que nunca, deu tempo de conferir a apresentação do Powerwolf, uma banda que vem se destacando bastante no cenário atual do Power Metal. Apesar de já ter rodado o mundo a fora, muita gente ainda considera o grupo como "novo". Por um lado, isso é bom, pois acaba despertando a curiosidade de quem ainda não conhece muito bem, como foi o meu caso.

Pelo pouco que eu assisti deles ao vivo, já deu pra ver que não é uma banda qualquer. Claro, apesar de ser classificada como uma banda de Power Metal, eles fogem bastante dos estereótipos do gênero. O som é bem mais pesado, e a abordagem das letras também é diferente do que a gente costuma ver nas bandas clássicas. Eles apostam em temas mais religiosos e coisas semelhantes, o que dá um diferencial.

A produção do palco é outro ponto que me surpreendeu, sendo a melhor cenografia desta edição. Só de olhar, já dá pra entender todo o contexto lírico da banda. E o visual também chama atenção, com todos os integrantes com o rosto pintado. Aliás, falando nisso, desde cedo já dava pra ver gente caracterizada igual aos membros da banda, o que já mostra o impacto deles no público. O show foi um verdadeiro sucesso.

Powerwolf – setlist:

Bless ’em With the Blade

Incense & Iron

Army of the Night

Sinners of the Seven Seas

Amen & Attack

Dancing With the Dead

Armata Strigoi

Sainted by the Storm

Heretic Hunters

Fire and Forgive

Werewolves of Armenia

Demons Are a Girl's Best Friend

Blood for Blood (Faoladh)

Sanctified With Dynamite

We Drink Your Blood





Por fim, os suecos do Sabaton encerraram o segundo dia de festival de forma apoteótica. Muitos chegaram a comparar a banda com a atração anterior, contudo, não é bem o caso. O Sabaton aposta numa sonoridade mais tradicional dentro do Heavy Metal, com riffs marcantes e refrões feitos para o público cantar junto, e foi exatamente isso que aconteceu desde o início com "Ghost Division", música que abriu a apresentação da banda sueca e conhecida por abordar temas sobre guerra nas suas letras.

Nos shows em seu país natal, eles costumam apresentar uma grande estrutura de palco, mas aqui no Brasil essa montagem completa não foi possível. Apesar disso, mesmo com uma produção mais enxuta, a banda investiu em diversos efeitos especiais, como pirotecnia, explosões, fumaça e outros elementos visuais. O repertório passou praticamente por toda a trajetória da banda, que está na ativa desde 1999.

Entre as músicas mais aguardadas estavam “The Last Stand”, “Carolus Rex” (cantada em sueco) e “Smoking Snakes”, que homenageia três soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Um dos momentos mais engraçados da noite foi antes de tocarem “Resist and Bite”, quando o vocalista Joakim Brodén apareceu no palco com uma guitarra da Hello Kitty, tocando o riff de “Master of Puppets”, do Metallica.






Sinceramente, estava bem cético em relação ao segundo dia do festival, já que não tinha muitas atrações dentro do meu perfil musical, que é mais voltado para o Heavy Metal tradicional, Thrash Metal e o Hard Rock. Mas acabei me surpreendendo e despertando a curiosidade de conhecer bandas que eu não costumava ouvir tanto. No fim, foi um dia bastante agradável e enriquecedor para o meu background. Um sábado realmente proveitoso, sem sombra de dúvida!


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga


Sabaton – setlist:

Ghost Division

The Last Stand

The Red Baron

Bismarck

Stormtroopers

Carolus Rex

Night Witches

The Attack of the Dead Men

Fields of Verdun

The Art of War

Resist and Bite

Soldier of Heaven

Christmas Truce

Smoking Snakes

Primo Victoria

Swedish Pagans

To Hell and Back