Por: Renato Sanson
 |
| Músico/artista entrevistado: Marcelo Vasco |
Dentre seus vários projetos e bandas, atualmente você também faz parte da
The Troops Of Doom. Sendo atualmente um dos maiores nomes do Thrash nacional.
Como está sendo este momento?
Muito legal! O The Troops Of Doom
está no seu melhor momento, estamos prestes a lançar o disco novo no final de
Maio e temos muitas coisas positivas pela frente, como o show no Summer Breeze
e a Tour Europeia em Agosto.
Referente ao convite do lendário Jairo. Acredito que deve ter sido
inimaginável, pois, a criação da banda para os fãs foi algo que nos pegou de
surpresa.
Sou fã do Jairo e do trabalho
dele a vida toda praticamente (risos). Tinha poster do Sepultura da época do
Bestial no meu quarto quando eu era molecão e estava começando no Metal, então
fazer parte disso é do caralho. Sem contar o trabalho dele com o The Mist, que
eu também adoro. Enfim, somos amigos há muitos anos e estávamos planejando
fazer um projeto juntos em 2015, eu, ele e o Alex, mas como estávamos todos
muitos ocupados acabou ficando na gaveta. Então veio a pandemia, todos ficamos
um pouco mais sossegados e foi quando ele e o Alex tiveram a ideia de montar o
The Troops Of Doom. Então visto que estávamos já planejando algo juntos, foi
quase que instintivo terem me convidado. Foi algo que também me pegou de
surpresa, mas fiquei bastante empolgado, claro.
A recepção com o Debut “Antichrist Reborn” foi um presente aos fãs. A
velha escola está ali e resgatando aquela alma do Thrash/Death Metal
oitentista. Como é o processo de composição da banda?
Animal! Que bom que o povo está
curtindo o nosso trabalho. A gente fica feliz das pessoas captarem bem essa
nossa ideia desse resgate a um passado glorioso que infelizmente hoje em dia já
não existe mais e está ficando cada vez mais raro. Somos meio órfãos desse tipo
de Metal.
Eu acho que o ser humano de uma maneira geral é um bicho nostálgico
(risos). Hoje as bandas estão em sua maioria muito “boazinhas” e o Metal muito
plastificado, seguindo fórmulas, cada vez mais monótono, sem alma, especialmente
as bandas que estão ou querem estar mais no mainstream. O foco é puramente
comercial e com isso elas se moldam de acordo com a demanda. É triste!
Mas voltando a sua pergunta, o
processo de composição do The Troops acontece praticamente de maneira remota,
via WhatsApp, já que eu estou aqui na Serra Gaúcha, o Alex no Rio e o Jairo e o
Alexandre em BH. Mas tem funcionado super bem. Nessas horas a tecnologia fica
muito a nosso favor, pois se fosse anos atrás, algo desse tipo seria inviável.
De qualquer forma o início das composições acontecem assim, mas quando temos
pronto o esqueleto das músicas, o Jairo normalmente vem aqui pro Sul, passa um
tempo na minha casa e a gente finaliza tudo juntos, antes de entrar em estúdio
de fato.
A gente sempre grava antes uma espécie de Demo, que funciona como uma
pré-produção, então o Alex pode encaixar os vocais e o Alexandre trabalhar nas
baterias, até que chegue o momento de gravar o material oficialmente.
Não poderia conversar contigo sem perguntar sobre seu foco principal,
suas artes! Além de ter realizado todas as artes da reta final do Slayer você
também está agora trabalhando com Kerry King para o álbum solo do mesmo.
Conte-nos para nós está ocasião.
Ter trabalhado pro Slayer é um
sonho que se realizou e as vezes até hoje eu acho que a ficha não caiu pra mim.
Eu sou fã demais deles, é minha banda favorita desde que eu era moleque, então
essa conquista é algo surreal demais. E recentemente, quando o Kerry King me
convidou para ser o artista da banda solo dele, eu fiquei maluco também.
Feliz
demais de poder fazer parte dessa história do Metal de alguma forma. É algo
muito importante, especialmente pros fãs de Slayer, que ficaram órfãos, e posso
afirmar que o disco está fantástico e já está no meu Top 5 de 2024. Pra mim soa
como uma espécie de continuação do Slayer, tem a essência da coisa. Fiquei
muito surpreso com o vocal do Mark inclusive. Muito foda!
Sobre o Slayer. Referente a esta volta repentina, qual a sua opinião?
Eu não sabia de nada e tomei um
baita susto. De cara achei que fosse alguma brincadeira ou fake news, mas
quando soube que era oficial mesmo, fiquei muito feliz. Acho que o balanço do
universo foi restaurado.
A vida sem o Slayer é muito chata (risos). Teve muita
gente que não entendeu nada, principalmente porque a notícia chegou no mesmo
momento em que o Kerry King estava anunciando seu disco solo e tudo mais, mas
na realidade eu creio que essa volta foi apenas uma volta “parcial”, eles não
vão voltar a fazer Tour mundial e acho que nem gravar novos discos.
São shows
esporádicos aqui e ali, mas pra mim já é super válido. Fiquei muito triste
quando eles anunciaram aquela “aposentadoria”. Recentemente eles me pediram
umas artes novas pra Merchandise inclusive. Quase nem fiquei feliz (risos).
Como é processo criativo e de influencias para desenvolver um trabalho
gráfico para um artista? Tem muita interferência dos músicos?
Eu costumo trabalhar em cima do
título do álbum, conceito ou até letras, e claro, sempre procuro captar um
“norte” do que a banda está buscando em termos estéticos através de algumas
conversas inicias.
Mas gosto de estar completamente livre pra criar, sem muros
e sem muitos dedos, até porque é dessa forma que eu consigo me expressar
melhor, sem ser usado somente como uma ferramenta, mas como um artista de
verdade, de poder interpretar visualmente aquilo através da música e conceito
criado pela banda. Normalmente não, a maioria das bandas me deixa muito livre
pra criar através da minha própria perspectiva, o que é muito legal, quase
sempre eles confiam no meu trabalho e na minha visão.
Quando eu sinto que a
banda está interferindo muito, é sinal de que talvez eu não seja o artista
certo pro trabalho e até prefiro não fazer parte do projeto.
Como anda a situação da banda Patria? O disco mais recente (“Hexerei”)
já faz dois anos. Tem previsão de algum lançamento futuro?
Caramba, 2 anos já do Hexerei? O
tempo passa rápido demais! O Patria é uma banda que nunca foi muito ativa e
compromissada, no bom sentido, especialmente no âmbito dos shows. Tocamos muito
pouco ao vivo e desde o lançamento do “Hexerei” só fizemos um show, com o
Watain, em Porto Alegre.
Depois disso paramos de tocar e nem temos muito
interesse, pra ser honesto. Estamos aqui na Serra Gaúcha e o custo para shows é
muito alto, simplesmente não fecha a conta e torna tudo praticamente
impossível, comercialmente falando. Então a ideia é realmente não tocar mais, a
não ser que algo decente e digno apareça, que é extremamente raro.
Atualmente a
banda continua, mas está mais para um projeto de estúdio. Não temos nenhum
plano a curto prazo, mas sem dúvidas no futuro haverão mais discos.
Voltando ao The Troops of Doom,
vocês estarão no Summer Breeze Brasil em breve. Qual a expectativa? Teremos
surpresas no setlist? Alguma coisa do vindouro “A Mass to the Grotesque”
aparecerá?
Sim, curtimos demais o convite
pra tocar no Summer Breeze Brasil e estamos animados pro show. Acho que vai ser
muito foda! Somos headliner do palco Waves, o que deixou a gente muito honrado.
Estaremos tocando também ao lado de bandas que eu adoro, como o Mercyful Fate,
Amorphis, Carcass, Ratos de Porão e várias outras.
Vai ser uma experiência
muito legal! Claro, teremos músicas de praticamente toda nossa discografia, dos
primeiros EPs, do primeiro disco “Antichrist” e uma estreia ao vivo do novo “A
Mass To The Grotesque”, além de algumas músicas clássicas do Sepultura, da
época do Jairo na banda.
Sou muito fã do projeto Hellscourge que no qual você também faz parte.
Lançando dois discos icônicos para o Metal extremo old school. Existe a
possibilidade de um novo material? (Desculpa, mas o lado fã falou mais alto
agora hahaha).
Haha Legal demais! Obrigado! O
Hellscourge é um projeto super podreira, toscão e totalmente sem compromisso,
fazemos mais pela diversão mesmo. Mas a gente fica feliz da galera ter curtido
e entendido a proposta.
Já faz um tempo que não planejamos nada. A gente até tinha
um terceiro disco em mente muitos anos atrás, mas acabou ficando parado, mas
claro, ainda há planos de reviver essa ideia ai. Não sei exatamente quando, mas
acredito que não vá demorar muito não! Vamos ver!
Marcelo, muito obrigado pela disponibilidade e parceria. Antes de
encerrar, quais álbuns e artes da sua extensa discografia e catalogo você
indicaria para alguém que não conhece o artista Marcelo Vasco?
Eu que agradeço o interesse pelos
meus trabalhos! Muito obrigado! De álbuns meus mais desconhecidos eu indicaria
o último do Le Chant Noir “La Société Satanique des Poètes Morts”, que eu
adoro, que é um projeto meu com o vocalista Lord Kaiaphas, que foi vocalista do
Ancient (Noruega) e com o batera Malphas, da formação original do Mysteriis.
Também posso indicar o Demoniac Harvest “The Midnight Obsessor”, que não tem
nas plataformas digitais, mas é possível encontrar no Youtube. O “Hexerei” do
Patria e o “About The Christian Despair” do Mysteriis. E é claro, fiquem
ligados no novo disco do The Troops Of Doom “A Mass To The Grotesque”, que está
muito do caralho.
A mixagem e masterização foi feita pelo Jim Morris, no
lendário estúdio Morrisound Recording, na Flórida, que foi o estúdio
responsável pelos maiores clássicos do Death Metal dos anos 80/90, então a
sonoridade do álbum está fora da curva e mega especial.
Em relação as artes, eu acho que
a trinca Slayer “Repentless”, Borknagar “Winter Thrice” e Soulfly “Enslaved”
representa muito bem o meu estilo artístico e serve como uma boa introdução ao
meu trabalho :) Espero que todos gostem! Valeu! Muito obrigado e grande abraço!