Mostrando postagens com marcador Death/Thrash Metal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Death/Thrash Metal. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de março de 2026

Nervosa: Imprevisivel e poderoso

 Por: Renato Sanson

Tivemos acesso antecipado a “Slave Machine” (lançamento marcado para o dia 03/04), o novo trabalho da Nervosa, e o que se ouve aqui é mais do que um simples passo à frente, mas sim uma redefinição consciente de identidade.

Conhecidas por sua agressividade direta e raízes fincadas no Thrash Metal, a Nervosa mantêm essa espinha dorsal intacta, mas expandem consideravelmente seu alcance sonoro. O novo álbum apresenta uma banda mais madura, que entende o peso da própria trajetória e não hesita em explorar novos caminhos sem perder sua essência. A própria banda já descreve o disco como seu trabalho mais “brutal e melódico” até aqui e isso se confirma ao longo das faixas.

Se em registros anteriores havia flertes evidentes com o Death Metal old school e o Heavy tradicional, aqui esses elementos dão lugar a uma abordagem mais refinada e atmosférica. As guitarras continuam afiadas e agressivas, mas agora carregam linhas melódicas mais evidentes, criando uma ambiência que em diversos momentos remete aos tempos áureos do Arch Enemy, especialmente no equilíbrio entre peso e melodia. Mas isso não quer dizer cópia, não interpretem errado, apenas um direcionamento para entenderem o quanto as águas de “Slave Machine” se aprofundam.

Outro destaque absoluto é a performance de Prika Amaral. Consolidada como frontwoman, ela entrega aqui um trabalho vocal mais versátil. Além dos já esperados vocais rasgados e agressivos, surgem passagens mais limpas e até melodiosas, ampliando o espectro emocional ao decorrer do play. Essa escolha não suaviza o impacto, pelo contrário, adiciona camadas e torna a experiência ainda mais dinâmica e imprevisível.

A cozinha da banda também merece menção especial, principalmente com a chegada da baterista Michaela Naydenova. Sua execução é precisa, técnica e agressiva na medida certa, contribuindo diretamente para a solidez do trabalho. A bateria não apenas acompanha, mas impulsiona, criando variações rítmicas que enriquecem a construção das músicas.

Com 12 faixas, o disco mostra uma banda que domina sua própria linguagem. Alternando entre velocidade extrema, grooves mais cadenciados e momentos de respiro melódico. “Slave Machine” soa coeso e bem estruturado, sem excessos ou dispersões. Há uma sensação clara de direção e algo que só bandas em estágio avançado de maturidade conseguem atingir.

Mais do que um novo lançamento, representa uma evolução estratégica. A Nervosa amplia seus horizontes sem abrir mão da agressividade que a consolidou no cenário mundial. É um disco que dialoga tanto com fãs antigos quanto com uma nova audiência, especialmente aqueles que apreciam a fusão entre peso extremo e melodia.

Se havia qualquer dúvida sobre o próximo passo da banda após “Jailbreak”, ela é completamente dissipada aqui. “Slave Machine” não apenas eleva o nível, ele redefine o rumo.


terça-feira, 8 de abril de 2025

Pandemmy: se inspirando em injustiças sociais

Entrevista por: Renato Sanson


“Faithless” nasceu ao meio à crise pandêmica. Conte-nos esse processo criativo e o quanto isso influenciou positivamente e negativamente a banda.

Pedro Valença – ‘Faithless’ nasceu de fato durante a pandemia do covid-19. Devido ao isolamento não tivemos como divulgar nosso terceiro álbum, ‘Subversive Need’, com apresentações ao vivo. Então, com a obrigatoriedade do confinamento, começamos a compor, porém a fonte de inspiração estava esgotada, o que tornou mais difícil a composição. Se pelo lado positivo tínhamos tempo de sobra, o lado negativo era encontrar inspiração musical e psicológica em tempos tão difíceis.

Guilherme Silva – O cenário trágico que estávamos vivenciando naquele período nos inspirou com temas para quase todas as músicas do disco, acho que não ter ficado alheio ao que estava acontecendo com a sociedade brasileira e minorias de todo o mundo, foi o que nos trouxe esse sentimento de revolta que imprimimos em faixas como ‘This Land Will Never Disappear’, ‘Fatal Choice’, ‘Manifesto (Antifascista)’, ‘Orphaned Land Never Existed’.

Já “Subversive Need” foi lançado se não me engano umas 3 ou 4 semanas antes do decreto da pandemia. Um álbum muito aclamado, mas que acabou ficando ofuscado pelo caos em que vivíamos. Como foi lidar com esse momento, tendo um material tão bom recém-lançado?

Pedro Valença – ‘Subversive Need’ foi lançado dia 6 de março de 2020. Em 20 de março do mesmo ano, quatorze dias depois, um decreto legislativo reconhecia o estado de calamidade pública. Aqui em Pernambuco já estávamos em confinamento alguns dias antes. Nos restou divulgar o álbum através da internet, com vídeos de Live Sessions, Collabs, participando de Festivais Online. Para ser sincero foi bem frustrante ter uma obra pronta e não poder divulga-la como merecia.

Guilherme Silva – Além do lançamento do disco físico pela Europa (pelos selos neerlandeses Big Bad Wolf Records e Headbanger Records), nós nos empenhamos em promover o ‘Subversive Need’ de todas as maneiras que eram possíveis durante a pandemia, buscamos explorar nossas músicas através de todos os formatos de materiais do audiovisual que estavam sendo utilizados pelas bandas, para compensar os meios presenciais. Fizemos playthrough, festivais online, vídeos collab com outras bandas parceiras, Split Cams, live sessions. Tudo isso na base do DIY!

O nome da banda (Pandemmy) trouxe algum problema nesses últimos anos da covid-19?

Pedro Valença – Não que tenhamos notado. Apenas a pergunta sobre o nome da banda voltou a ser frequente nas entrevistas. Mas essa curiosidade é normal, não nos incomoda. A propósito, o nome Pandemmy está associado a um conceito de pandemia SONORA. Como um desejo de nossa música se espalhar mundo afora.

Voltando a “Faithless” temos um álbum fantástico e que mostra um Pandemmy maduro, agressivo e ainda mais técnico. Como foi desenvolver essas composições tão abrasivas e que casassem com o tema lírico?

Pedro Valença – A parte instrumental foi bem difícil, porque começamos a compor este álbum sem muita inspiração decido aos motivos já citados. Mas aos poucos algumas ideias foram tomando forma e no final de 2023 estávamos com 8 novas faixas. Uma delas foi descartada, mas que um dia será novamente trabalhada, e resgatamos o single de 2018, ‘This Land Will Never Disappear’, para uma nova versão. A parte lírica não seria sobre temas atuais, eu iria escrever sobre histórias fictícias, como permaneceu em ‘The Shadow’ e ‘Blood Never Lies’, mas diante de tantos absurdos, ficou impossível não externar nossa revolta em nossas letras. Acredito que ‘Faithless’ é uma evolução natural do Pandemmy.

Guilherme Silva – Esse processo de desenvolvimento foi algo bem natural, visto que as faixas, em sua maioria, tratam de questões atuais que já vínhamos vivendo, acompanhando e cultivando os sentimentos e a energia que colocamos no disco.

Pois a ideia proposta nas letras seguiu o mesmo caminho do álbum anterior. Criticar essa distopia politica em que estamos vivendo a anos. Para o futuro, a ideia é seguir nesta batida ou pretendem abordar outros assuntos?

Pedro Valença - Em ‘Faithless’ as letras são mais específicas. Escrevi sobre temas mais específicos se comparado com ‘Subversive Need’. Vamos continuar com essas temáticas (anti-imperialismo, anti-fascismo, anti-neoliberalismo) para os próximos trabalhos, é algo que combina com a nossa identidade musical. Talvez tente escrever um álbum inteiro sobre a questão da Palestina, que é um assunto que venho me dedicando há quase dez anos.


Se fossem traçar uma linha do tempo entre “Reflections & Rebellions” (13) até o presente momento o que mudariam?

Pedro Valença – Sinceramente, quase nada. Tem sido um caminho de muito aprendizado e amadurecimento. Seria muito fácil julgar o passado com a experiência do presente. Óbvio que temos nossos arrependimentos, mas eles também nos forjaram. Guilherme e eu conversamos sobre isso esses dias. O conhecimento que temos hoje é também fruto dos erros do passado.

Guilherme Silva – Acho que, levando em consideração a experiência e o conhecimento que adquirimos de lá para cá, hoje nós traçamos caminhos mais assertivos em termos de composição, pré-produção e produção de um disco. Com isso, nós conseguimos atingir mais qualidade no que buscamos em termos de sonoridade.

Seguindo ainda o raciocínio da linha tempo, quais composições indicariam para conhecer a Pandemmy e por quê?

Pedro Valença – Nosso som é principalmente uma mescla entre o Death e o Thrash Metal. Baseado nisso, diria que as faixas: ‘Heretic Life’, ‘Circus Of Tyrannies’, ‘Xenophobia’ e ‘The Shadow’ são um bom começo para quem quer conhecer nosso trabalho.

Guilherme Silva – ‘Self Destruction’, ‘Almost Dead’, ‘Unwitnessed’, ‘Neohate’ e ‘Fatal Choice’, eu acredito que são faixas bem diversificadas entre si, apesar de todas soarem pesadas e agressivas, cada uma traz algo bem característico do Pandemmy, seja uma melodia, um refrão mais impactante, linhas de guitarras mais técnicas, a união de elementos do Death e do Thrash Metal.

Falando em futuro, já pensam em material inédito?

Pedro Valença – ‘Faithless’ só tem 6 meses de lançamento. Ainda queremos explorá-lo pelos próximos três anos. Temos lançado álbuns a cada quatro anos, e tem sido uma boa janela de tempo. O que posso adiantar é que antes do nosso quinto álbum, há planos para uma coletânea com músicas antigas, que não foram lançadas em álbuns oficiais, e um Split com uma banda sul americana.

Como vocês enxergam hoje o mercado musical com toda essa tecnologia? O material físico ainda se faz presente na Pandemmy?

Pedro Valença – Lançamos todos os nossos quatro álbuns em formato físico. Apesar de termos apenas algumas cópias do segundo álbum e muitas unidades de ‘Faithless’, não sei até quando vamos continuar lançando álbuns em CDs. A procura vem diminuindo bastante. Eu adoro a ideia da materialidade de uma obra de arte, mas somos uma banda underground...

Pergunto isso, pois, sou um apreciador do material físico e penso que nada pode substituir esse conceito.

Pedro Valença – Concordo contigo. Nada como apreciar um CD ou Vinil, ler o encarte, apreciar a arte de um artista gráfico, que transformou um conceito musical em imagens. Além de se informar sobre os créditos, ler as letras. Infelizmente a sociedade pós-moderna aderiu a um ritmo desumano em que essas simples apreciações estão se tornando ultrapassadas.

Encerrando, deixo aqui uma pergunta: Se pudessem definir a Pandemmy em uma frase qual seria?!

Pedro Valença – Uma banda de Metal brasileiro com músicas instigadas e letras inspiradas nas revoltas das injustiças sociais. Muito obrigado à Road to Metal pelo espaço. Apoiem o metal nacional, as mídias sobre Heavy Metal. Tudo faz parte de uma cena.





domingo, 9 de fevereiro de 2025

Cobertura de Show: Nervosa – 30/01/2025 – Gravador Pub/RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Vinny Vanoni

Após dois anos de sua mais recente vinda à capital gaúcha, a Nervosa retorna e com grandes novidades ao público. Uma delas é a tour de 15 anos divulgando o seu novo álbum “Jailbreak” e trazendo sua nova formação com Prika assumindo os vocais da banda.

Apresentando também a nova baterista Gabriela Abud e a baixista Emmelie (da banda Sisters of Suffocation, onde é guitarrista) que substitui Hel Pyre nessa tour por problemas pessoais.

Muitas novidades em tão pouco tempo. Se antes a Nervosa tinha tocado no Bar Opinião, agora seria no caldeirão Gravador Pub e sua ótima estrutura, se tornando a nova casa dos bangers gaúchos!

Para a abertura tivemos os australianos do Elm Street, que vem acompanhando a Nervosa nos últimos shows e que grata surpresa! Aquele Heavy Metal clichê do Accept, com algumas pitadas de Thrash e alguma influencia ali e aqui de Judas e Megadeth. O Elm Street fez um showzaço encantando os presentes. Não sendo apenas uma banda de abertura, mas trazendo um arsenal sonoro de primeira!

Uma dupla de guitarras afiadíssima e melodias que grudavam e arrepiavam vocais ásperos que bebe na fonte dos anos 80 e uma linha de baixo e bateria correta e bem variada. Não demorou muito para os bangers estarem grudados no palco e curtindo cada minuto do Elm Street ao vivo.

Com muito carisma e presença, o Elm Street ganhou os fãs e saíram de cena mais do que aplaudidos. Ainda em tempo a som em especial estava fantástico, parecia um CD tocando e tivemos também uma homenagem da banda a Paul Di’anno tocando o clássico “Running Free”. Sensacional!

Não demora muito e a Nervosa vai adentrando em palco para arrumar seus equipamentos, realizar pequenos ajustes para iniciar seu show. É fantástico isso na banda e no Gravador Pub que proporciona essa experiência e vemos ali o quanto às meninas são gente como a gente!

A intro ecoa nas caixas de som e a avalanche sonora se inicia com “Seed of Death” e “Behind the Wall” não é preciso dizer que o publico foi a loucura e as primeiras rodas já se formavam e o caldeirão estava pronto.

Um detalhe em questão é que o som não estava tão bom quanto o do Elm Street, o que prejudicou um pouco a força da apresentação, pois, mal se ouvia os solos da Kotina para quem estava do lado direito. Passava a sensação que em muitos momentos a banda não estava se ouvindo tocando apenas no feeling graças ao entrosamento que já possuem.

Tivemos uma parada técnica para ajustes do som, mas que não resolveu muita coisa, mas o baile seguiu e como era uma comemoração aos 15 anos de estrada Prika (muito aplaudida e referenciada) informou que seria uma festa por toda a discografia da banda, mas é inegável o quanto faixas como “Death!” e “Perpetual Chaos” são festejadas. 

E o que torna isso ainda mais incrível é que são musicas de diferentes fases, onde Prika mostrou se adaptar muito bem e ficar aquela pergunta: “Porque ela não assumiu os vocais antes?”. Após uma enxurrada de riffs Prika elogiou muito o publico gaúcho dizendo que somos um dos melhores do mundo e um dos mais brutais. Não preciso dizer que os berros de “Nervosa, Nervosa...” ecoaram aos quatro cantos da casa.

Ao total foram 18 musicas executadas sendo “Jailbreak” o álbum priorizado e mostrando a nova força da Nervosa, faixas essas que ficaram ainda mais poderosas ao vivo. Mas sem esquecer o passado e suas demais fases, a Nervosa passeou por todo o seu legado agradando gregos e troianos.

Um show enérgico, brutal e rico em carisma. As meninas são a nova força do Thrash nacional e vão levando a bandeira brasileira mundo a fora, doa a quem doer.

Vale mencionar que após o show a Nervosa atendeu todos os seus fãs. Detalhe: a casa estava extremamente lotada e aí você já viu, para bater aquela foto e trocar aquela ideia, tinha que pegar fila (risos). Avante Nervosa! Aguardamos o seu retorno!



terça-feira, 16 de abril de 2024

Entrevista - Marcelo Vasco: "Ter trabalhado pro Slayer é um sonho que se realizou e ás vezes até hoje eu acho que a ficha não caiu"

Por: Renato Sanson

Músico/artista entrevistado: Marcelo Vasco


Dentre seus vários projetos e bandas, atualmente você também faz parte da The Troops Of Doom. Sendo atualmente um dos maiores nomes do Thrash nacional. Como está sendo este momento?

Muito legal! O The Troops Of Doom está no seu melhor momento, estamos prestes a lançar o disco novo no final de Maio e temos muitas coisas positivas pela frente, como o show no Summer Breeze e a Tour Europeia em Agosto.

Referente ao convite do lendário Jairo. Acredito que deve ter sido inimaginável, pois, a criação da banda para os fãs foi algo que nos pegou de surpresa.

Sou fã do Jairo e do trabalho dele a vida toda praticamente (risos). Tinha poster do Sepultura da época do Bestial no meu quarto quando eu era molecão e estava começando no Metal, então fazer parte disso é do caralho. Sem contar o trabalho dele com o The Mist, que eu também adoro. Enfim, somos amigos há muitos anos e estávamos planejando fazer um projeto juntos em 2015, eu, ele e o Alex, mas como estávamos todos muitos ocupados acabou ficando na gaveta. Então veio a pandemia, todos ficamos um pouco mais sossegados e foi quando ele e o Alex tiveram a ideia de montar o The Troops Of Doom. Então visto que estávamos já planejando algo juntos, foi quase que instintivo terem me convidado. Foi algo que também me pegou de surpresa, mas fiquei bastante empolgado, claro.

A recepção com o Debut “Antichrist Reborn” foi um presente aos fãs. A velha escola está ali e resgatando aquela alma do Thrash/Death Metal oitentista. Como é o processo de composição da banda?

Animal! Que bom que o povo está curtindo o nosso trabalho. A gente fica feliz das pessoas captarem bem essa nossa ideia desse resgate a um passado glorioso que infelizmente hoje em dia já não existe mais e está ficando cada vez mais raro. Somos meio órfãos desse tipo de Metal.

Eu acho que o ser humano de uma maneira geral é um bicho nostálgico (risos). Hoje as bandas estão em sua maioria muito “boazinhas” e o Metal muito plastificado, seguindo fórmulas, cada vez mais monótono, sem alma, especialmente as bandas que estão ou querem estar mais no mainstream. O foco é puramente comercial e com isso elas se moldam de acordo com a demanda. É triste!

Mas voltando a sua pergunta, o processo de composição do The Troops acontece praticamente de maneira remota, via WhatsApp, já que eu estou aqui na Serra Gaúcha, o Alex no Rio e o Jairo e o Alexandre em BH. Mas tem funcionado super bem. Nessas horas a tecnologia fica muito a nosso favor, pois se fosse anos atrás, algo desse tipo seria inviável. De qualquer forma o início das composições acontecem assim, mas quando temos pronto o esqueleto das músicas, o Jairo normalmente vem aqui pro Sul, passa um tempo na minha casa e a gente finaliza tudo juntos, antes de entrar em estúdio de fato. 

A gente sempre grava antes uma espécie de Demo, que funciona como uma pré-produção, então o Alex pode encaixar os vocais e o Alexandre trabalhar nas baterias, até que chegue o momento de gravar o material oficialmente.

Não poderia conversar contigo sem perguntar sobre seu foco principal, suas artes! Além de ter realizado todas as artes da reta final do Slayer você também está agora trabalhando com Kerry King para o álbum solo do mesmo. Conte-nos para nós está ocasião.

Ter trabalhado pro Slayer é um sonho que se realizou e as vezes até hoje eu acho que a ficha não caiu pra mim. Eu sou fã demais deles, é minha banda favorita desde que eu era moleque, então essa conquista é algo surreal demais. E recentemente, quando o Kerry King me convidou para ser o artista da banda solo dele, eu fiquei maluco também. 

Feliz demais de poder fazer parte dessa história do Metal de alguma forma. É algo muito importante, especialmente pros fãs de Slayer, que ficaram órfãos, e posso afirmar que o disco está fantástico e já está no meu Top 5 de 2024. Pra mim soa como uma espécie de continuação do Slayer, tem a essência da coisa. Fiquei muito surpreso com o vocal do Mark inclusive. Muito foda!

Sobre o Slayer. Referente a esta volta repentina, qual a sua opinião?

Eu não sabia de nada e tomei um baita susto. De cara achei que fosse alguma brincadeira ou fake news, mas quando soube que era oficial mesmo, fiquei muito feliz. Acho que o balanço do universo foi restaurado. 

A vida sem o Slayer é muito chata (risos). Teve muita gente que não entendeu nada, principalmente porque a notícia chegou no mesmo momento em que o Kerry King estava anunciando seu disco solo e tudo mais, mas na realidade eu creio que essa volta foi apenas uma volta “parcial”, eles não vão voltar a fazer Tour mundial e acho que nem gravar novos discos. 

São shows esporádicos aqui e ali, mas pra mim já é super válido. Fiquei muito triste quando eles anunciaram aquela “aposentadoria”. Recentemente eles me pediram umas artes novas pra Merchandise inclusive. Quase nem fiquei feliz (risos).

Como é processo criativo e de influencias para desenvolver um trabalho gráfico para um artista? Tem muita interferência dos músicos?

Eu costumo trabalhar em cima do título do álbum, conceito ou até letras, e claro, sempre procuro captar um “norte” do que a banda está buscando em termos estéticos através de algumas conversas inicias. 

Mas gosto de estar completamente livre pra criar, sem muros e sem muitos dedos, até porque é dessa forma que eu consigo me expressar melhor, sem ser usado somente como uma ferramenta, mas como um artista de verdade, de poder interpretar visualmente aquilo através da música e conceito criado pela banda. Normalmente não, a maioria das bandas me deixa muito livre pra criar através da minha própria perspectiva, o que é muito legal, quase sempre eles confiam no meu trabalho e na minha visão. 

Quando eu sinto que a banda está interferindo muito, é sinal de que talvez eu não seja o artista certo pro trabalho e até prefiro não fazer parte do projeto.

Como anda a situação da banda Patria? O disco mais recente (“Hexerei”) já faz dois anos. Tem previsão de algum lançamento futuro?

Caramba, 2 anos já do Hexerei? O tempo passa rápido demais! O Patria é uma banda que nunca foi muito ativa e compromissada, no bom sentido, especialmente no âmbito dos shows. Tocamos muito pouco ao vivo e desde o lançamento do “Hexerei” só fizemos um show, com o Watain, em Porto Alegre. 

Depois disso paramos de tocar e nem temos muito interesse, pra ser honesto. Estamos aqui na Serra Gaúcha e o custo para shows é muito alto, simplesmente não fecha a conta e torna tudo praticamente impossível, comercialmente falando. Então a ideia é realmente não tocar mais, a não ser que algo decente e digno apareça, que é extremamente raro. 

Atualmente a banda continua, mas está mais para um projeto de estúdio. Não temos nenhum plano a curto prazo, mas sem dúvidas no futuro haverão mais discos.

 

Voltando ao The Troops of Doom, vocês estarão no Summer Breeze Brasil em breve. Qual a expectativa? Teremos surpresas no setlist? Alguma coisa do vindouro “A Mass to the Grotesque” aparecerá?

Sim, curtimos demais o convite pra tocar no Summer Breeze Brasil e estamos animados pro show. Acho que vai ser muito foda! Somos headliner do palco Waves, o que deixou a gente muito honrado. Estaremos tocando também ao lado de bandas que eu adoro, como o Mercyful Fate, Amorphis, Carcass, Ratos de Porão e várias outras. 

Vai ser uma experiência muito legal! Claro, teremos músicas de praticamente toda nossa discografia, dos primeiros EPs, do primeiro disco “Antichrist” e uma estreia ao vivo do novo “A Mass To The Grotesque”, além de algumas músicas clássicas do Sepultura, da época do Jairo na banda.

Sou muito fã do projeto Hellscourge que no qual você também faz parte. Lançando dois discos icônicos para o Metal extremo old school. Existe a possibilidade de um novo material? (Desculpa, mas o lado fã falou mais alto agora hahaha).

Haha Legal demais! Obrigado! O Hellscourge é um projeto super podreira, toscão e totalmente sem compromisso, fazemos mais pela diversão mesmo. Mas a gente fica feliz da galera ter curtido e entendido a proposta. 

Já faz um tempo que não planejamos nada. A gente até tinha um terceiro disco em mente muitos anos atrás, mas acabou ficando parado, mas claro, ainda há planos de reviver essa ideia ai. Não sei exatamente quando, mas acredito que não vá demorar muito não! Vamos ver!

Marcelo, muito obrigado pela disponibilidade e parceria. Antes de encerrar, quais álbuns e artes da sua extensa discografia e catalogo você indicaria para alguém que não conhece o artista Marcelo Vasco?

Eu que agradeço o interesse pelos meus trabalhos! Muito obrigado! De álbuns meus mais desconhecidos eu indicaria o último do Le Chant Noir “La Société Satanique des Poètes Morts”, que eu adoro, que é um projeto meu com o vocalista Lord Kaiaphas, que foi vocalista do Ancient (Noruega) e com o batera Malphas, da formação original do Mysteriis. 

Também posso indicar o Demoniac Harvest “The Midnight Obsessor”, que não tem nas plataformas digitais, mas é possível encontrar no Youtube. O “Hexerei” do Patria e o “About The Christian Despair” do Mysteriis. E é claro, fiquem ligados no novo disco do The Troops Of Doom “A Mass To The Grotesque”, que está muito do caralho. 

A mixagem e masterização foi feita pelo Jim Morris, no lendário estúdio Morrisound Recording, na Flórida, que foi o estúdio responsável pelos maiores clássicos do Death Metal dos anos 80/90, então a sonoridade do álbum está fora da curva e mega especial.

Em relação as artes, eu acho que a trinca Slayer “Repentless”, Borknagar “Winter Thrice” e Soulfly “Enslaved” representa muito bem o meu estilo artístico e serve como uma boa introdução ao meu trabalho :) Espero que todos gostem! Valeu! Muito obrigado e grande abraço!

terça-feira, 19 de julho de 2022

Carniça: “Na minha visão estes subgêneros somente enfraqueceram o Heavy Metal”

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Mauriano Lustosa (vocal) – Banda: Carniça de Novo Hamburgo/RS

 

“A New Medium Ages” nasceu ao meio de um turbilhão pandêmico. Como foi lidar com isso para o processo de gravação?

O lance da pandemia de uma certa forma até nos ajudou. Como toda a banda respeitou o isolamento social, ficamos em nossos estúdios compondo e gravando. Tivemos tempo de sobra para a elaboração do álbum.

Para o novo álbum também tivemos a estreia do novo baixista, Kaue Muller. Que diga-se de passagem fez um excelente trabalho. A Carniça está com a sua melhor formação até o momento?

O Kaue é um excelente músico e baita parceiro. Seria injusto com os membros que passaram dizer que estamos com a melhor formação de nossa carreira. O justo é dizer que o Kaue se encaixou perfeitamente com a proposta da banda e é um músico muito, mas muito talentoso.

 


A Carniça sempre buscou trazer em suas letras o seu posicionamento contra um sistema e um país falho como o nosso. Porém em “A New Medium Ages” temos isso ainda mais forte e latente. Foi proposital ou surgiu naturalmente?

O contexto atual de país nos levou naturalmente a isto. Estamos vivenciando coisas surreais tanto na política, cotidiano, costumes sociais e religiosos. Nunca nos calamos ou tomamos partido para A ou B. Continuaremos firmes expondo a podridão e hipocrisia do ser humano.

Passados dois anos de pandemia enfim os shows retornaram e vocês voltaram aos palcos. A ansiedade estava a mil?

Estava!!!! Muito tempo longe dos palcos. Porém nos adaptamos e partimos para as lives, entrevistas online, etc. E vale ressaltar que nossas lives eram tocadas mesmo, LIVES DE FATO. Não "dublagens" que muitas bandas fizeram por aí… O retorno foi grandioso. Já fizemos muitos shows e o público está respondendo muito bem!

Musicalmente, a Carniça vem evoluindo a cada lançamento. As estruturas soam cada vez mais solidas e características. Tendo o que poucos conseguem: ouvir e sacar logo de cara de quem se trata. E vocês fazem isso com maestria. O quanto as referências musicais de cada um influenciam na hora de compor?

Não nos amarramos a fórmulas.  Não somos uma banda de Death, Thrash, Power ou qualquer subgênero. Na minha visão estes subgêneros somente enfraqueceram o Heavy Metal. Até “brincamos” que somos "Heavy Rotten Metal. Mas isso é um conceito criado justamente para exorcizar estes subgêneros. As influências ajudam muito, pois, cada integrante curte diversas VERTENTES do Heavy Metal.

 


“A New Medium Ages” seria o melhor disco da banda até agora?

Não digo que seria o melhor, pois cada álbum reflete uma época, uma situação da banda. Em todos nossos álbuns eu vejo músicas de grande potencial. “A New Medium Ages” é o álbum da vez, e nele colocamos muita energia e dedicação.

Referente a shows, o que a Carniça pretende para 2022?

Já realizamos diversos shows, inclusive em SC. Estamos planejando shows em SP e RJ. Porém com todas as adversidades que o underground tem, tudo deve ser muito bem planejado.

Uma curiosidade bastante interessante são os covers que fecham cada álbum. Venom, Slayer, Wasp, Sarcofago e agora Iron Maiden (“Powerslave”). Sabemos da importância da banda principalmente para você que é vocalista e um grande fã do Bruce Dickinson. Como surgiu a ideia e como foi esse desafio?

Isso mesmo! Sempre homenageamos bandas que gostamos em nossos álbuns e não poderia faltar NUNCA o Maiden!!!! Já tínhamos tocado a “Powerslave” em inúmeros shows no começo dos anos 2000. Sendo assim, o processo foi muito fácil e o resultado nos deixou muito, mas muito satisfeitos.

 


É sempre um prazer conversar com uma das melhores bandas de Metal do Brasil e do mundo. Que a Carniça tenha mais 100 anos de atividade e continue nos brindando com sua música verdadeira, agressiva e pesada. Obrigado e o espaço final é todo de vocês!

Primeiro muito obrigado pelo elogio. Não posso dizer que somos uma das melhores bandas, mas posso dizer que fazemos essa porra andar a 31 anos e sempre com muito prazer e satisfação! É graças a grandes parceiros como vocês que ainda nos dá gosto de seguir em frente! Muito obrigado pelo espaço sempre presente e à atenção dedicada pela Road To Metal!!!!


Fotos: Everson Krentz


Links:

https://www.facebook.com/CarnicaOfficial

https://www.instagram.com/carnicaofficial/

 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Carniça: evolutivo e despejando a podridão de um país

Resenha por: Renato Sanson 

Após cinco anos de seu último lançamento, eis que os gaúchos da Carniça nos brindam com seu 5° álbum de estúdio o poderoso “A New Medium Ages”. Produzido pela própria banda tendo a mixagem feita no From Hell Studio, por Henrique Fioravanti temos uma produção apurada e atual ainda que a veia old school possa imperar, a Carniça não se limita e nos apresenta um Thrash/Death Metal mais evoluído e não parado no tempo.

As composições soam enérgicas e cheias de estruturas marcantes, principalmente as melodias que se destacam da guitarra de Parahim Neto. Sem contar os riffs animalescos e pesados, que fazem dupla perfeita ao trator chamado Marlo Lustosa na bateria e ao estreante Kaue Muller nos graves, que segura muito bem a bronca. As vocalizações de Mauriano soam mais diversificadas não perdendo a agressividade, dando um toque a mais ao som.

Em termos gerais, a Carniça estabeleceu nesses 31 anos de estrada uma sonoridade bem peculiar é apertar o play e identificar logo de cara de quem se trata e isso é para poucos. Entre os destaques posso citar: “Dogs of War” (brutal), “País Sem Salvação” (com uma letra atemporal e marcante), “A New Medium Ages” (prestem atenção nesses riffs) e “Sexual Perverted” (uma letra soturna em volta de criminosos pervertidos soltos, com a dupla Mauriano e Marlo despejando raiva em seus instrumentos).

Um dos melhores lançamentos do estilo em 2022 e pode-se ser considerado o melhor trabalho da Carniça até o momento, pois os gaúchos não param de evoluir e sempre nos apresentam materiais de extrema qualidade.

Ainda há tempo de mencionar a bela intro que abre os trabalhos -“Intro The Dark”- dando um clima mais que especial a destruição apocalíptica que viria, com teclados muito bem colocados de Ramon Oliveira (Doc Jones) e a bela arte gráfica que permeia o material criada pelo excelente artista Alcides Burns. Um material gráfico de alto nível com uma capa que merecia um vinil!

Sem mais delongas, adquira sua cópia, ouça nas plataformas digitais e aprecie uma das melhores bandas do Metal nacional.

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

ChaosFear: a era digital em beneficio ao caos mundial

Entrevista por: Renato Sanson

 


Músico entrevistado: Fernando Boccomino (Guitarra/Vocal) – Banda: ChaosFear de São Paulo/SP.

 

Recentemente o ChaosFear lançou uma versão matadora de “Toxic Waltz” do Exodus contando com a participação do vocalista Zetro Souza. Como surgiu esta chance?

Inicialmente iríamos gravar um EP de covers de bandas que influenciaram o ChaosFear. Comentamos com o Johnny Z (nosso assessor/Metal na Lata/JZ Press) que nessa lista tínhamos o Exodus. Queríamos muito fazer a “Toxic Waltz”, mas ainda estávamos em dúvida pois os estilos de vocal são completamente opostos... então o Johnny soltou a seguinte pérola: “sou amigo do Zetro, querem que eu tente falar com ele? Vai que ele tope a idéia…” resumindo: o Zetro topou e ainda escolheu as partes onde queria cantar! Surreal... sonho de adolescente realizado. Ficou sensacional!! A idéia do EP ficou para 2021.

 

Apesar da pequena pausa que tiveram, retornaram com tudo em 2020 com “Be the Light in Dark Days”, conte-nos mais sobre o novo álbum.

O novo CD veio pra consolidar a nova formação e também pra mostrar que não paramos no tempo. Estamos sempre inovando e procurando novas influências. “Be the Light in Dark Days” foi todo gravado no esquema “home Studio”. Nosso baixista Marco Nunes é produtor, então tivemos a sorte de conseguirmos trabalhar durante esses tempos caóticos de pandemia. 

 


O ChaosFear passou por reformulações interessantes em sua formação, mas sem deixar sua essência de lado e seguindo sua evolução musical. Essas mudanças ajudaram a construir a identidade da banda?

A essência do ChaosFear está cravada em nossa música. Acredito que consolidamos nosso estilo no álbum “Image of Disorder”. Dali para a frente fomos absorvendo e incorporando influências vindas dos novos integrantes. Trabalhar com o Fábio e o Marco é fácil. Os caras são mente aberta, tem identidade naquilo que tocam, ou seja, as mudanças foram altamente benéficas para a banda.

 

De Sick Mind à ChaosFear. O que levou a mudança de nome?

Em 2002 começamos a ser confundidos com uma marca de skate com o mesmo nome. Muitos nos procuravam pensando que nosso som era associado ao punk/hardcore. Pensando em evitar esse tipo de confusão resolvemos mudar o nome para ChaosFear. 

 


Em relação aos lançamentos anteriores, vocês mudariam alguma coisa?

Nada! Tenho orgulho e respeito por tudo que fizemos até hoje. Era o que sentíamos naquele momento, naquela época. Começamos mais extremos, depois caminhamos pelo Groove... hoje temos um leque ainda mais aberto. Caminhamos do hard rock até o black metal sem problema algum. Mas a raiz do ChaosFear é thrash/death!!

 

“Be The Light In Dark Days” é a consolidação musical que esperavam?

Na minha opinião este é o trabalho mais maduro e conciso da banda. Fizemos aquilo que realmente tínhamos em mente e estamos muito felizes e orgulhosos com o resultado final. 

 

São três discos de estúdio, um EP e diversos Singles. Com o mundo digitalizado é mais fácil expandir sua música, porém a mídia física nunca perderá seu valor. Com essa digitalização extremada se torna cada vez mais difícil encontrar gravadoras para lançamentos em formato Físico?

Eu acho que a primeira coisa que precisamos fazer é contextualizar a situação. Estamos em 2020, em plena era digital, onde a música é via streaming e mega pulverizada.  As gravadoras praticamente inexistem. Os trabalhos, principalmente no underground são “by yourself”. O público também é outro. Essa galera mais nova que nasceu meio que pós-CD é completamente diferente. Um garoto de vinte e poucos anos usa as mídias de streaming para consumir música. Dificilmente compra CD. Então, investir dinheiro e prensar o seu trabalho passa a não ser nem um pouco lucrativo para uma gravadora. Assim, as bandas acabam fazendo isso e optando por uma distribuição, que também não é lucrativa, para fazer o seu produto chegar em locais mais distantes. É por isso que sou a favor se utilizando a tecnologia até onde der, pois assim a gente consegue chegar em locais e pessoas que jamais imaginaríamos que curtiriam o nosso trabalho. O CD acaba ficando como produto de mersh em shows. Mas como nem isso temos hoje, aí fica difícil. 


Quais os planos para 2021 já que 2020 poderia ter terminado.

 Este ano está sendo muito difícil para a maioria das pessoas no mundo. Nós aqui no Brasil estamos mais ferrados ainda. Desemprego, falta de otimismo, milhares de mortes, desinformação, isto realmente é muito triste. Mas, dizem que precisamos encarar o problema, tirar algumas lições dele e nos reinventarmos. Para nós, o ano de 2020 está sendo muito proveitoso. Conseguimos lançar um álbum novo, fizemos várias lives, entrevistas, tivemos uma Collab com uma lenda do thrash metal mundial (Zetro do Exodus), lançamos alguns vídeos, ganhamos de fãs 2 vídeos!! Pô, tá legal demais!!!! Acredito que a repercussão do trabalho chegou à níveis que a gente nunca nem sonhou. Para 2021 nós iremos lançar um novo álbum, participaremos de dois tributos (ao Slayer e Black Sabbath), e esperamos poder tocar ao vivo de novo!


Links:

https://www.facebook.com/chaosfear/?ref=page_internal

https://www.instagram.com/chaosfearband/?fbclid=IwAR3iv8IhGiXhOR7nBkTO3OcCGkB-7grbhzJRQovgmrV9IXXS8BMJicwekn4

https://open.spotify.com/artist/3V3WFlj68xP2Zf1TqYI7dB

sexta-feira, 15 de março de 2019

Ladies In Black: o underground vive e resistirá!



Se no dia 08 de março se comemora a data histórica do dia mundial da mulher, nada melhor que a cena gaúcha underground prestar sua homenagem. Foi exatamente o que presenciamos sábado passado (09/03) na tradicional Embaixada do Rock em São Leopoldo/RS, no “Ladies In Black” capitaneado pela lenda do underground nacional, Flávio Soares (Leviaethan).

Quatro bandas onde em todas tinham pelo menos uma integrante mulher, mostrando a força das meninas no Heavy Metal.


Para incendiar a noite que iria madrugada a dentro, tivemos o grande show da Soul Torment, que tem em sua frente a vocalista Deisi Wolff, onde apresentam um Thrash Metal com pitadas mais extremadas de alto nível, não deixando os bangers parados, já que a “pauleira” comeu solta em seu setlist composto por suas composições autorais. Tendo como destaque a primeira faixa em português “A Praga do Mundo”, apresentando todo seu potencial em um grupo que tem muita experiência de palco e com ótima presença, faltando apenas o lançamento do seu Debut para brindar está ótima fase.




Seguindo a frenética noite era hora da Psycophobia com seu Death/Black Metal old school, sem frescuras e extremamente direto tendo em suas lacunas Évora Morgana (guitarra) uma das percussoras do Heavy Metal no Brasil. Sem enrolação e delongas após uma pequena passagem de som, a Psycophobia despeja toda sua podridão e agressividade no público, não dando espaço para respirar e jogando seu arsenal autoral um atrás do outro, levando os bangers aos primeiros moshpits da noite. Um show correto e incessante.



Algo que vale sempre ressaltar, mas não como crítica negativa, mas sim construtiva é a qualidade de som que a Embaixada apresenta, que varia muito entre o bom e o médio. Pois em certos momentos as bandas sentiram certa dificuldade com este quesito e como estamos falando de um dos principais redutos do underground gaúcho, esse upgrade poderia ser dado, assim como na estrutura com melhor acessibilidade.


Seguindo o baile metálico tivemos a estreia das caxienses da Hatomic, quarteto feminino desembarcando pela primeira vez na região metropolitana de Porto Alegre. Empolgando os presentes com uma série de covers muito bem executados, variando entre: Sepultura, Metallica, Pantera e etc. Mas a grande surpresa da noite foi a composição autoral do quarteto, “Disorder”, mostrando o sangue novo da cena gaúcha com um poderio sonoro de muita qualidade com um Heavy Metal agressivo e diversificado. Claro que aquele cozimento de palco ainda é preciso, mas no que se propõem estão de parabéns e mostram que o futuro é promissor.




Fechando os portões do inferno um dos trios mais infernais do Brasil, Losna e seu Thrash Metal mais que gabaritado, tendo Fernanda (baixo/vocal) e Débora (guitarra) a sua frente, completando a destruição com o monstro Marcelo na bateria. Falar da Losna e sua qualidade é chover no molhado, um show empolgante, visceral e com uma banda soltando fogo pelas ventas, nos enchendo de orgulho e escancarando que os mais antigos ainda têm muita lenha para queimar. A presença de palco de Fernanda e Débora impressionam, assim como a técnica apurada de Marcelo. Uma apresentação monstruosa deixando os presentes inquietos e agitando até o último minuto.



Mais uma grande noite chegava ao fim em São Hell, onde o underground vive e não morrerá!

Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Indy Witch

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Chaos Synopsis: Mitologia e a Agressividade do Thrash/Death Metal



Fundada em 2005 em São José dos Campos (SP), o Chaos Synopsis chega seu quarto full-lenght, trazendo novidades na formação, e também na sonoridade, a qual é calcada no Thrash e Death Metal, e a exemplo de seus trabalhos anteriores, busca trazer algo diferente, evoluindo sua sonoridade e um cuidado especial na parte lírica, algo louvável, pois é preciso fazer a diferença para vencer neste concorrido cenário. Vale lembrar que a banda já fez tours fora do país, e este ano novamente levou a bandeira do Metal brasileiro à Europa.

A exemplo dos dois trabalhos antecessores, "Gods of Chaos" traz uma temática conceitual, desta vez voltado à diversos personagens mitológicos (os "deuses do caos"), de várias crenças e culturas, como, por exemplo, um dos mais conhecidos e comum à várias crenças, satanás, em "Raising Hell", e visitando mitologias como a eslava, em "Black God", e a grega, em "The Beast that Sieges Heaven".


A sonoridade do grupo apresenta  elementos mais tradicionais do Metal extremo, e claro, nuances mais atuais também entrecortam as 10 faixas do álbum, que possui muita pegada e peso, vocais urrados e agressivos, alternando velocidade e técnica, e nos deparamos com momentos mais melodiosos, atmosféricos e cadenciados. 

Logo na abertura com "Raising Hell", o Thrash Metal impera, alternando momentos mais cadenciados com outros mais velozes, destacando o trabalho de bateria, principalmente nos bumbos; faixas mais climáticas e trabalhadas, como "Serpent in Flames" também são uma característica marcante, onde trechos mais melodiosos e atmosféricos se alternam com peso e cadencia.

Mas agressividade e velocidade, porém com técnica e precisão, podemos sentir "na cara" em "Black God", que flerta com o Death Metal, mas apresenta breves interlúdios de calmaria, para em seguida prosseguir com a porradaria, assim como em  "The Beast That Sieges Heaven", também com trechos bem agressivos, mas alternando partes mais trabalhadas e cadenciadas, destacando o trabalho das guitarras.


Destaco ainda "Badlands Terror", que inicia extramente veloz e agressiva, com a batera colocando tudo abaixo, mas depois transita por momentos mais trabalhados e com envolventes trocas de ritmos, destacando novamente o trabalho das guitarras, principalmente na parte final, com direito a melodias e um trechinho "dobrado", bem Heavy/Trash 80's; e claro, a faixa título, "Gods of Chaos", bem atmosférica e tensa, com essa alternância de trechos agressivos com outros mais cadenciados, algo marcante no trabalho do Chaos Synopsis.

O Chaos Synopsis é um desses nomes prontos para alçar voos mais altos, o caminho não é fácil, mas qualidade e a busca por uma melhora constante são características que mostram que o grupo é diferente, e se manter o foco e estabilizar a formação, é perfeitamente plausível acreditar na colheita de muito mais bons frutos em um breve futuro.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Chaos Synopsis
Álbum: "Gods of Chaos"
País: Brasil
Estilo: Thrash/Death metal
Produção: Friggi
Selo: Dunna Records/Black Legion

Line-up:
Jairo Vaz: Baixo e Vocais
Luiz Ferrari: Guitarras
Diego Sanctus: Guitarra
Friggi: Bateria

Tracklist:

01. Raising Hell
02.  Storm of Chaos
03.  Black God
04.  Serpent in Flames
05.  Opposer of Gods
06.  The Beast That Sieges Heaven
07.  Sixteen Scourges
08.  Badlands Terror
09.  Gods of Chaos
10.  Cocaine (cover do Andralls)

Canais Oficiais:
Facebook
Youtube