segunda-feira, 30 de março de 2026

Confess: Do Caos ao Controle (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os suecos do Confess chegam a 2026 com Metalmorphosis, quarto álbum de estúdio que marca um claro passo adiante na evolução sonora da banda. Lançado pela Frontiers Music Srl e produzido por Erik Mårtensson (Eclipse), o trabalho equilibra com precisão a crueza do sleaze metal com um refinamento melódico mais evidente, ampliando o alcance sem comprometer a identidade construída ao longo dos anos.

A abertura, “Colorvision”, estabelece imediatamente o tom do disco com uma introdução grandiosa, marcada por corais e uma entrada explosiva. A combinação entre peso e apelo melódico já sinaliza a proposta do álbum: refrões fortes, produção polida e uma dinâmica mais abrangente.

Na sequência, “The Warriors” aposta em uma abordagem mais direta, com influências claras de nomes como Guns N’ Roses e Skid Row. O destaque fica para a inserção inesperada de gaita, que adiciona textura e conduz a uma ponte melódica eficiente. Já “Wicked Temptations” reforça o lado mais acessível do Confess, com um refrão imediato e estrutura pensada para impacto ao vivo.

A faixa-título, “Metalmorphosis”, sintetiza a essência do disco ao unir velocidade, guitarras em dobradinha e forte apelo clássico — em uma sonoridade que remete ao Judas Priest em uma leitura mais voltada ao hard rock. É um dos momentos mais representativos do álbum.

O clima muda com “Beat of My Heart”, uma balada de construção quase acústica que valoriza a interpretação vocal de John Elliot e evidencia o cuidado nos arranjos. Em contraste, “Pursuit Of The Jenny Haniver” retoma a energia com uma composição dinâmica, que evolui para passagens mais elaboradas e surpreendentes na segunda metade.

“The Other Side” mergulha de vez no hard rock melódico, com forte influência estética do próprio Eclipse, enquanto “Running To My Death” apresenta uma das facetas mais pesadas do disco, dialogando com o metal europeu dos anos 80 sem abrir mão de refrões marcantes.

Já “Plague Of Steel” combina referências oitentistas com uma estrutura moderna, alternando riffs consistentes e um refrão altamente acessível, além de um solo que flerta com influências clássicas do hard e do prog (com uma clara homenagem ao Rush). O encerramento fica por conta de “Silvermalen”, uma faixa de caráter épico que cresce em intensidade e complexidade, reunindo elementos acústicos, passagens densas e um dos refrões mais memoráveis do trabalho.

No conjunto, Metalmorphosis apresenta um Confess mais maduro e confiante, capaz de transitar entre peso e melodia com naturalidade. A produção de Erik Mårtensson desempenha papel fundamental nesse resultado, garantindo coesão e impacto sonoro. Trata-se de um álbum sólido, com potencial para figurar entre os destaques do ano dentro do hard/heavy contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

Swedish sleaze metal outfit Confess return in 2026 with Metalmorphosis, their fourth studio album and a record that marks a clear step forward in the band’s sonic evolution. Released via Frontiers Music Srl and produced by Erik Mårtensson (Eclipse), the album strikes a careful balance between the raw edge that defined their earlier work and a more refined melodic approach, broadening their appeal without sacrificing identity. 

Opening track “Colorvision” sets the tone immediately with a grandiose introduction built around choral arrangements and an explosive entry point. The blend of weight and melody encapsulates the album’s core aesthetic: strong choruses, polished production, and a more expansive dynamic range.

“The Warriors” follows with a more stripped-down and direct approach, drawing clear influence from acts such as Guns N’ Roses and Skid Row. The unexpected use of harmonica adds texture and leads into an effective melodic bridge, while “Wicked Temptations” leans into accessibility, delivering an immediate, hook-driven chorus designed with live impact in mind.

The title track, “Metalmorphosis”, captures the album’s essence by combining speed, twin-guitar interplay and a strong classic metal sensibility — evoking Judas Priest through a more hard rock-oriented lens. It stands out as one of the record’s defining moments.

A shift in mood arrives with “Beat of My Heart”, a near-acoustic ballad that highlights John Elliot’s vocal performance and showcases the band’s attention to arrangement detail. In contrast, “Pursuit Of The Jenny Haniver” reintroduces momentum with a dynamic structure that evolves into more elaborate and unexpected passages in its second half.

“The Other Side” dives fully into melodic hard rock territory, strongly reflecting the aesthetic of Eclipse, while “Running To My Death” delivers one of the album’s heaviest moments, nodding to the European metal tradition of the ’80s without abandoning melodic hooks.

“Plague Of Steel” blends old-school influences with a more modern structure, alternating between solid riff work and an accessible chorus, complemented by a solo that subtly channels classic hard rock and progressive elements (with a clear homage to Rush. The album closes with “Silvermalen”, an epic and expansive track that builds in intensity and complexity, combining acoustic textures, heavier passages, and one of the most memorable choruses on the record.

Taken as a whole, Metalmorphosis presents a more mature and confident Confess — a band capable of navigating between weight and melody with ease. Erik Mårtensson’s production plays a crucial role in shaping this outcome, ensuring both cohesion and sonic impact. While not necessarily groundbreaking, it is a strong and well-crafted release with clear potential to feature among the standout hard/heavy albums of the year.

Matias Sulander




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