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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Blades of Steel: Um Debut Consistente de Metal Tradicional

 


Tendo iniciado sua história em SP em 2022, o Blades of Steel é uma das novidades recentes no Heavy Metal brasileiro. Nascido do sonho da vocalista Yara Haag em capitanear sua própria banda, foi encontrando as pessoas certas para tornar o sonho em realidade. 

Parece uma história até clichê, a qual muitos devem conhecer, ou até ter vivenciado semelhantes, mas aqui temos um detalhe que diferencia e separa quem realmente vive o Metal, e tem o potencial para deixar sua marca: tudo é feito com muita paixão e seriedade.

Podemos sentir isso em vários aspectos, desde o cuidado com detalhes visuais, nas artes das capas dos singles, camisetas, no trato nas redes sociais, e principalmente na honestidade e feeling das composições, que apresentam um Heavy Metal tradicional com algumas nuances épicas que, para situar o leitor, nos remete a nomes como Judas Priest, Dio, Doro, Running Wild e principalmente Accept, e ainda pra citar uma de geração seguinte, o Hammerfall.

Trazendo 8 faixas o álbum auto- intitulado nos apresenta uma boa variação, alternando músicas rápidas, mid-tempo e cadenciadas, dando um dinamismo e que contribui para manter o interesse do ouvinte durante todos os pouco mais de 38 minutos do álbum. A produção foi assinada por Rafael Augusto Lopes, que tem em seu currículo o segundo álbum da Crypta.

Como exemplos do que você vai ouvir, temos a abertura com a música que também batiza a banda, "Blades of Steel", e que foi o primeiro single, e apresentou a banda. Cadenciada e com riffs marcados, com aquele andamento que convida a bater cabeça, refrão forte e trechinho mais introspectivo e épico antes dos solos de guitarra na parte final, dando o cartão de visitas da proposta da Blades.

O instrumental da Blades tem peso e pegadas que o estilo exige, e Yara Haag tem um tom de voz agradável, melodioso  e marcante, por vezes buscando tons mais altos e com agressividade quando o momento da música pede.

Com andamento mais acelerado, mais melodiosa e uma pegada épica, onde Yara nos conta sobre a pirata Anne Bonny, temos "Ruler of The Waves"; em seguida, "Vegeance is Mine" inicia com as guitarras atacando sem piedade com riffs cortantes, e a canção alterna boas variações de trechos mais rápidos com cadenciados, sempre mantendo aquela pegada do Heavy Tradicional e nuances épicas, principalmente pelo estilo de Yara.

Na sequência vem "Unholy Scrolls", que tem um andamento cadenciado, trazendo mais peso, com a cozinha bem marcante. Traz um ar épico e misterioso com melodias meio orientais, e Yara alterna vocais melodiosos e agressivos; "Into The War" é a próxima, também com uma pegada mais cadenciada, naquela levada Accept e com coros no refrão, e convidando a bater cabeça.

"A Heart in The Dark" é uma balada melodiosa, com arranjos acústicos e teclados, naquela levada tradicional das baladas Heavy, que crescem e pesam no refrão. A letra inspira à acreditar que toda dificuldade pode ser vencida e a vitória está logo ali na frente. 

Depois de um pouco de calmaria, temos a vibrante "Iron Hands", uma das minhas preferidas, com seus riffs e melodias marcantes no riff principal com as guitarras dobradas, andamento mais acelerado nos versos e mudança de andamento no marcante refrão. 

"Shadow Huntress", que encerra o álbum, inicia com a cozinha martelando pesadamente, para em seguida os riffs puramente Heavy tradicional 80's seguirem ditando o ritmo, na pegada em que a esta altura já mostra a identidade da Blades. A canção traz também trocas de andamento, alternando passagens mais rápidas, com outras mais cadenciadas e épicas, como no meio da faixa, e que logo depois abre caminhos aos bons e tradicionais solos, imprescindíveis para o estilo. 

"Blades of Steel" é um Debut consistente, e sem a pretensão de querer reinventar o estilo, a banda nos presenteia com um trabalho feito com honestidade e amor ao Metal, trazendo os elementos que um bom álbum do segmento deve ter. Tenho certeza que teremos ainda muito Blades of Steel no futuro.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Blades of Steel
Álbum: "Blades of Steel" 2025
Pais: Brasil
Estilo: Heavy Metal Tradicional 
Selo: Metal Relics 
Fotos: divulgação 


Blades of Steel é:
Yara Haag: Vocais 
Rafael Romanelli: Guitarras
Jonas Soares: Guitarras
Fellippi Tonini: Baixo
Bruno Carbonato: Guitarras 

(Obs: No álbum o baixista ainda era Bill Martins, que por motivos pessoais e saúde teve que se afastar da banda, e a bateria foi gravada por Marcelo Oliveira)







quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Fenrir's Scar: Versatilidade Musical e de Emoções

 



Finalmente “Love | Hate | Hope | Despair” da banda Fenrir’s Scar foi lançado! E sinceramente, essa espera valeu a pena.

O duo formado por André Baida (Vocal, Baixo, Guitarra) e pela vocalista e letrista Desireé Rezende evolui muito desde seu primeiro álbum homônimo, lançado de forma independente em 2017.

Algumas músicas do novo álbum já são conhecidas pelo público, como por exemplo a pesada “Ruins of My Sanity” que abre o trabalho.

Desde que eu ouvi “Age of Arrogance”, quando foi lançada no começo de abril deste ano, eu senti que rotular a banda como Gothic Metal seria muito limitante. Nessa faixa eles ousaram trazer elementos eletrônicos dando uma roupagem bem moderna aos arranjos.

E talvez a graça deste álbum seja exatamente a experimentação da dupla, onde é perceptível todo o esforço que eles fizeram para evoluir musicalmente.

Em “Blinded” se destaca o solo de guitarra cativante, em seguida temos “All Your Tears”, que explora uma atmosfera mais sensível, através da combinação da letra da música com os expressivos vocais de Desireé.

A quinta faixa do álbum é a inédita “Final Requiem” que traz mais elementos de música eletrônica.

Gostaria de destacar a colaboração de Fabiano Negri, não só como o produtor do álbum, mas também sua participação nos teclados, principalmente em “The Harvest” e sua introdução marcante.

Finalmente, “Queen of the Seas”, uma canção sobre Iemanjá e que não esconde a brasilidade do Fernrir's Scar, o que de forma positiva só reforça a originalidade da banda.

A próxima faixa, “Breaking the Wheel”, tem um tema especial para mim, pois foi inspirada no livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, que deu origem a uma das minhas séries de TV favoritas.

É normal todo mundo escolher uma faixa favorita de um álbum e nesse caso eu acho que eu escolho “Reason to Believe”, que mais uma vez me pegou por sua letra mais profunda.

Embora eu goste da versatilidade do Fenrir’s Scar na escolha do tema de suas composições, o lado mais emocional e introspectivo da banda é o que mais me cativa. “The Enemy Inside” já havia sido lançada em 2020 e embora não seja nenhuma novidade, ela agrega muito ao álbum, quando se ouve o trabalho completo.

Em “Curse of Mankind”, eu gostaria de destacar os vocais de André Baida, é muito satisfatório ouvir durante todo o álbum sua versatilidade entre vocais agressivos e limpos, mas para mim essa faixa é um verdadeiro destaque para os vocais masculinos, embora vale destacar que o Fenrir’s Scar já desconstruiu há muito tempo o estereótipo de vocais “Bela e a Fera”.

E é claro que não poderia faltar “Heal You”, que eu tenho certeza de que deve ter um significado muito forte para o casal, não só por sua letra, mas também por ter entrado para a trilha sonora do filme independente produzido por Gê Filho e Wagner Kampynas, “Amanhã Você Vai Embora”.

E encerrando o álbum, uma versão acústica para a faixa “The Queen of The Seas”. “Love | Hate | Hope | Despair”, não há um título melhor para definir as emoções apresentadas nesse álbum, por um momento você se sente comovido, em outro você se sente no meio do caos e do desespero e de repente a suavidade de Desireé e André te fazem sentir esperança novamente.

Eu esperava já um trabalho muito bom, mas eles conseguiram superar minhas expectativas de verdade. 

Texto: Raquel de Avelar
Edição/revisão: Caco Garcia
Fotos: divulgação 
  1. Ruins of My Sanity

  2. Age of Arrogance

  3. Blinded

  4. All Your Tears

  5. Final Requiem

  6. The Harvest

  7. The Queen of the Seas

  8. Break the Wheel

  9. Reason to Believe

  10. The Enemy Inside

  11. Curse of Mankind

  12. Heal You

  13. The Queen of the Seas (versão acústica)





sábado, 12 de março de 2022

Anette Olzon: Em Sua Melhor Forma


A vocalista suéca Anette Olzon ficou conhecida mundialmente após ser escolhida para substituir a vocalista original do Nightwish, Tarja Turunen, e com um estilo vocal diferente da antecessora, dividiu a opinião dos fãs dos gigante finlandeses do Symphonic Metal.

Gostos pessoais a parte, Anette fez um bom trabalho na banda no período em que esteve na linha de frente, entre 2007 e 2012, sendo demitida de maneira polêmica em meio a uma turnê mundial e substituída às pressas pela holandesa Floor Jansen (que foi efetivada e permanece na banda até hoje).


Mas a exposição com o Nightwish trouxe bons frutos a cantora, que foi contratada por gravadoras de destaque da Europa, lançando trabalhos em bandas em projetos, como o The Dark Element, Hear Healing, Allen/Olzon, além de participações em álbuns de outros artistas, como The Rasmus e Secret Sphere.

Em 2014 a cantora lançou "Shine", seu primeiro álbum solo, e ano passado chegou a hora de trazer a luz do dia seu segundo trabalho, "Strong". E como o nome sugere, é um disco com muito mais pegada e peso do que "Shine", que era mais suave e introspectivo.

"Strong" mostra uma Anette com versatilidade vocal, mostrando diversas facetas de sua voz, sendo hoje uma cantora mais evoluida, experiente e segura. Seu marido Johan Husgafvel (Pain) também participa do álbum fazendo vocais guturais em algumas faixas, dando um tom mais agressivo nas músicas e dando ainda mais diversidade.

Johan Husgafvel

A produção e composição foi dividida entre Anette e Magnus Karlsson (Primal Fear). A sonoridade transita pelo Melodic Metal, Symphonic e Power Metal, resultando em um Metal moderno, pesado, sinfônico e cheio de refrãos e melodias marcantes. 

Destaques para a poderosa faixa título "Strong", um hino de Melodic Metal moderno, sinfônico, com peso  melodia, vocais enérgicos de Anette, culminando em um refrão grandioso; a cativante e de refrão explosivo "Catcher of My Dreams", onde Anette ataca com tons altos nos vocais.

Magnus Karlsson

"Sick of You", que tem elementos sinfônicos e dark, e toca num tema muito sério, sobre mulheres que sofrem abuso, mas tomam coragem de acabar com isso; "Fantastic Fanatic", com um trabalho de peso nos riffs e bateria, e elementos sinfônicos, remete a algo de sua antiga banda, aquela da finlândia.

E ainda o peso de "Parasite", com seus riffs agressivos, alternando vocais guturais, que aparecem no início, e com Anette mandando bem em tons ora mais suaves, ora mais altos, como na frenética parte final da música; e  "I Need to Stay", com suas nuances sinfônicas, alternando tempos cadenciados e velozes.


Um ótimo trabalho de Anette, que mostra que ela tem personalidade e talento para mais voos solo, 
mostrando um tracklist diversificado, com identidade definida e coeso.

O álbum saiu no Brasil via parceria Shinigami Records e a gravadora italiana Frontiers. Ótima pedida para os fãs Melodic/Symphonic Metal.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Artista: Anette Olzon
Álbum: "Strong" 2021
Estilo: Modern Metal, Melodic Metal
País: Suécia
Selo: Frontiers/Shinigami Records

Confira no site da Shinigami

Tracklist
Bye Bye Bye
Sick of You
I Need to Stay
Strong
Parasite
Sad Lullaby
Fantastic Fanatic
Who Can Save Them
Catcher of My Dreams
Hear Them Roar
Roll the Dice

Lineup
Anette Olzon – vocals
Magnus Karlsson – guitars, bass
Anders Köllerfors – drums
Johan Husgafvel – growling vocals

Anette Olzon Instagram




sábado, 26 de junho de 2021

Frozen Crown: Consolidação no Prolífico Cenário Power Metal Italiano

A Itália é muito famosa por revelar bandas de Power Metal excepcionais e um dos nomes mais recentes a se juntar a esse elite é a banda Frozen Crown. Atualmente fazem parte da formação o guitarrista e fundador Federico Mondelli, a poderosa vocalista Giada "Jade" Etro, além dos músicos que entraram para a banda recentemente, a guitarrista Fabiola “Sheena” Bellomo, o baixista Francesco Zof e o baterista Niso Tomasini. 

Agora que a banda foi apresentada, vamos ao que interessa, o novo álbum intitulado “Winterbane”, lançado no dia 23 de abril via Scarlet Records. O disco começa com a faixa “Embrace the Night”, pesada e rápida, com uma bateria que causa um impacto perfeito logo na primeira audição. Em seguida a sensacional “Towards the Sun”,  com seu refrão cativante.

Em “Far Beyond” não tem como não destacar Niso Tomasini espancando a bateria com toda a força e velocidade de uma maneira incrível. As guitarras da música “The Lone Stranger” possuem uma pegada que me fez lembrar muito o som de bandas de heavy metal dos anos 80, a introdução não sai mais da minha cabeça.

No que diz respeito a “Crown Eternal”, a guitarra solo combina muito bem com a melodia, além do ritmo mais rápido, dessa vez os vocais ásperos de Federico aparecem na hora certa, sincronizando muito bem a com a voz de Jade. 

A contagiante “The Water Dance” é uma das minhas favoritas. Com uma atmosfera mais lenta e leve comparada as canções anteriores, seus teclados trazem uma atmosfera medieval cativante. Em “Angels in Disguise” temos um ritmo médio e a participação de Federica Lanna, vocalista da banda Volturian e ex Sleeping Romance. 

Gostei da mistura dos vocais poderosos de Jade com os mais delicados de Federica. Imagino que durante a composição eles devem ter se inspirado muito em bandas oitentistas pois a seguir, temos o cover de “Night Crawler” do Judas Priest. 

A versão definitivamente não é ruim, mas também não é nada que se possa dizer que superou a original, mas de qualquer forma me agradou. “Tales of the Forest” é um intervalo apenas com teclados que dura menos de 2 minutos. 

Como encerramento, “Blood on the Snow”, talvez seja a música mais épica do álbum e mais uma vez parece que os vocais de Federico aparecem no momento certo, não é fácil juntar um som gutural com algo mais suave sem tornar a música algo cansativo ou até mesmo desagradável, mas aqui a sintonia é perfeita!

Sinceramente esse álbum foi melhor do que eu esperava, pois sempre há um certo receio quando se fala em mudança de formação, mas aqui as mudanças foram positivas, dando um ótimo refresco na sonoridade da banda, mas sem tirar a identidade que já foi construída nos álbuns anteriores.

Texto: Raquel de Avelar 

Fotos: divulgação
Banda: Frozen Crown
Álbum: "Winterbane" 2021
Estilo: Power Metal
País: Itália
Selo: Scarlet Records




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Dark Sarah: Sinfônico de Bom Gosto e Diversidade




O novo disco do Dark Sarah, projeto da cantora finlandesa Heidi Parviainen foi lançado em 18 de novembro. “The Puzzle”, assim como seu antecessor “Behind the Black Veil” , também é um álbum conceitual que continua contando a história de Sarah, dessa vez em uma ilha enevoada no meio de um oceano, perdida entre a vida e a morte.

As canções contam sua luta para sobreviver e como ela encontra forças para continuar. O álbum conta com as participações de JP Leppäluoto como o Dragão, Charlotte Wessels ( Delain ) como a Sereia e Manuela Kraller (ex-Xandria) como Destino. A música de introdução do álbum, “Breath”, nos faz entrar no clima cinematográfico do álbum. A canção “Island in the Mist” possui um vocal doce e delicado que contrasta com o peso do instrumental. “Little Men”, com sua bela orquestração e refrão envolvente foi a primeira música do álbum a ser divulgada. A música seguinte, “Ash Grove” é muito agradável de ouvir. A viciante “For the Birds” chama a atenção por sua introdução ao som de flauta. Em seguida, “Deep and Deeper”, uma canção forte, cheia de elementos sinfônicos.


“Dance with the Dragon”, conta com a participação de JP Leppäluoto, a música se destaca pelo refrão carismático, o dueto te faz sentir realmente em um musical. “Cliffhanger” é uma das faixas mais belas. Em “Aquarium” temos o impressionante dueto entre Heidi e Chalortte Wessels. E fechando com chave de ouro “Rain”, arrepiante dueto com Manuela Kraller.

Será difícil encontrar um fã de Metal Sinfônico que não tenha gostado de “The Puzzle”, um belo casamento entre o talento vocal de Heidi e o instrumental refinado. A versatilidade de cada música não deixa que se torne um álbum enjoativo.

Texto: Raquel de Avelar
Edição/Revisão: Carlos Garcia


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Banda:
Heidi Parviainen [ex. Amberian Dawn] - Vocals
Erkka Korhonen [Northern Kings, Ari Koivunen] - Guitar
Sami Salonen - Guitar
Rude Rothstén - Bass
Thomas Tunkkari - Drums


Vocalistas Convidados: Manuela Kraller [ex. Xandria] as "Fate", JP Leppäluoto [Charon, Northern Kings] as "The Dragon", Charlotte Wessels [Delain] as the "evil siren mermaid"

Track Listing:
1. Breath
2. Island In The Mist
4. Ash Grove
5. For The Birds
6. Deep and Deeper
8. Cliffhanger
9. Aquarium [feat. Charlotte Wessels]
10. Rain [feat. Manuela Kraller]