A vocalista suéca Anette Olzon ficou conhecida mundialmente após ser escolhida para substituir a vocalista original do Nightwish, Tarja Turunen, e com um estilo vocal diferente da antecessora, dividiu a opinião dos fãs dos gigante finlandeses do Symphonic Metal.
Gostos pessoais a parte, Anette fez um bom trabalho na banda no período em que esteve na linha de frente, entre 2007 e 2012, sendo demitida de maneira polêmica em meio a uma turnê mundial e substituída às pressas pela holandesa Floor Jansen (que foi efetivada e permanece na banda até hoje).
Mas a exposição com o Nightwish trouxe bons frutos a cantora, que foi contratada por gravadoras de destaque da Europa, lançando trabalhos em bandas em projetos, como o The Dark Element, Hear Healing, Allen/Olzon, além de participações em álbuns de outros artistas, como The Rasmus e Secret Sphere.
Em 2014 a cantora lançou "Shine", seu primeiro álbum solo, e ano passado chegou a hora de trazer a luz do dia seu segundo trabalho, "Strong". E como o nome sugere, é um disco com muito mais pegada e peso do que "Shine", que era mais suave e introspectivo.
"Strong" mostra uma Anette com versatilidade vocal, mostrando diversas facetas de sua voz, sendo hoje uma cantora mais evoluida, experiente e segura. Seu marido Johan Husgafvel (Pain) também participa do álbum fazendo vocais guturais em algumas faixas, dando um tom mais agressivo nas músicas e dando ainda mais diversidade.
Johan Husgafvel
A produção e composição foi dividida entre Anette e Magnus Karlsson (Primal Fear). A sonoridade transita pelo Melodic Metal, Symphonic e Power Metal, resultando em um Metal moderno, pesado, sinfônico e cheio de refrãos e melodias marcantes.
Destaques para a poderosa faixa título "Strong", um hino de Melodic Metal moderno, sinfônico, com peso melodia, vocais enérgicos de Anette, culminando em um refrão grandioso; a cativante e de refrão explosivo "Catcher of My Dreams", onde Anette ataca com tons altos nos vocais.
Magnus Karlsson
"Sick of You", que tem elementos sinfônicos e dark, e toca num tema muito sério, sobre mulheres que sofrem abuso, mas tomam coragem de acabar com isso; "Fantastic Fanatic", com um trabalho de peso nos riffs e bateria, e elementos sinfônicos, remete a algo de sua antiga banda, aquela da finlândia.
E ainda o peso de "Parasite", com seus riffs agressivos, alternando vocais guturais, que aparecem no início, e com Anette mandando bem em tons ora mais suaves, ora mais altos, como na frenética parte final da música; e "I Need to Stay", com suas nuances sinfônicas, alternando tempos cadenciados e velozes.
Um ótimo trabalho de Anette, que mostra que ela tem personalidade e talento para mais voos solo, mostrando um tracklist diversificado, com identidade definida e coeso.
O álbum saiu no Brasil via parceria Shinigami Records e a gravadora italiana Frontiers. Ótima pedida para os fãs Melodic/Symphonic Metal.
A banda suíça Burning Witches, não muito tempo depois desde o lançamento de “Dance with theDevil”, lançado em
março de 2020, já apresenta seu novo álbum, “The Witch of the North”,
somando quatro álbum no período de 5 anos.
“Winter’s Wrath” é uma curta
introdução com violão enquanto um coral canta, mas não se apegue à atmosfera
tranquila, pois rapidamente você será martelado com a faixa título “The Witch
of the North”. Os riffs das guitarras de Romana Kalkuhl e Larissa Ernst (que entrou na vaga de Sonia Anubis) são como uma
celebração aos heróis do heavy metal dos anos 80.
Aumentando o ritmo e a fúria
dos instrumentais seguimos com “Tainted Ritual”. “We Stand as One”, é um
verdadeiro hino, pesado, animado e com Laura Guldemond mostrando todo seu poder
vocal.
A faixa seguinte, “Fight of the Walkyries”, tem um início mais
tranquilo, mas mais uma vez não se iluda, você logo será contagiado pela fúria
nos rosnados de Laura.
A absurda “The Circle of the Five”, é uma das melhoras
faixas do álbum. A balada “Lady of the Woods” irá te tirar do transe da música
anterior. E em seguida prepara-se para a veloz e cativante “Thrall”, que claramente
tem todos os elementos de metal clássico e combinados com mais vocais viscerais
de Laura que roubam a cena nessa música.
“Omen” é um rápido intervalo, mas acho
que não dá tempo nem do pescoço descansar, porque em seguida a poderosa “Nine
Worlds” e seus riffs habilidosos e um refrão cativante farão você colocar o som
no último volume.
Em seguida, temos a impactante “For Eternity” que passa muito
longe da monotonia. Faltando pouco para o álbum acabar, ainda dá tempo de se
surpreender com o desempenho da banda em “Dragon’s Dream” e seu refrão
divertido. Essa é uma das faixas que eu faixas que eu facilmente ouviria
repetidas vezes.
“Eternal Frost” é um breve intervalo instrumental que nos
prepara para a já tradicional versão, desta vez a escolhida foi “Hall of the Mountain King”, do Savatage, que encerra o disco com chave de ouro.
Sinceramente eu não esperava que fosse gostar tanto desse álbum, mas foi
difícil não me sentir contagiada com a energia da banda. Considerando que já
estamos no meio do ano, me arrisco dizer que “The Witch of the North” estará no
meu top 10 álbuns de 2021.
Tracklist: 1.Winter s Wrath 2. The Witch Of the North 3. Tainted Ritual 4. We Stand As One 5. Flight Of The Valkyries 6. The Circle Of Five 7. Lady Of The Woods 8. Thrall 9. Omen
10. Nine Worlds 11. For Eternity 12. Dragon s Dream 13. Eternal Frost 14. Hall Of The Mountain King
Já são quase 18 anos de estrada,
e a banda Goiana Bella Utopia segue buscando voos mais altos, com seu Hard Moderno e Rock pesado de melodias marcantes, mas com pegada que por vezes beira o Metal,
destacando as letras em português e os vocais cheios de fúria de Isabela, tendo
uma marca bem pessoal e forte.
Após um elogiado debut em 2015,
"Dilema do Prisioneiro", o qual foi masterizado em Nova Iorque, a banda chamou atenção dos fãs e da mídia especializada, e inclusive da gigante Sony Music.
Com nova formação, faixa inédita
e bastante personalidade o Bella Utopia
apresenta um novo petardo no cenário nacional de Hard/Rock e Metal. O grupo acaba de
disponibilizar nas plataformas de música (web) sua nova faixa autoral, após a
homenagem feita ao KISS, com o clipe da icônica: “Rock n´Roll All Night”(assista aqui), que está no tributo "Bazil Rock City".
Falando em tributos, a Bella Utopia confirmou participação no relançamento especial do "Sabbath Brazil Sabbath", tributo brasileiro ao Black Sabbath, lançado pela Armadillo Records, e que terá essa nova edição, com o álbum duplo original e mais um CD bônus. O Bella Utopia vai participar com uma versão acústica para "Snowblind".
Retornando ao assunto da nova inédita da banda, trata-se da música
“SURREAL” que tem letra escrita pela líder do grupo Isabela Eva, melodia e
arranjos do baterista Junão Cananéia, mixagem e masterização do pessoal que
trabalha no Doran’s Studio (GO) e participação especial de Lucas Rezende
(guitarrista da banda Aurora Rules)".
"SURREAL" foi concebida com intuito
de participar da coletânea física da web rádio Rock Freeday “RF Collection –
Volume IV” e também para apresentar os novos e promissores músicos que compõem
atualmente a banda, são eles: Mayck Vieira (Guitarra), Adriel (baixo) e Kaíque
Nunes (guitarra).
A letra de “SURREAL” é uma
reflexão bastante direta do atual momento que passamos por conta da pandemia do
coronavírus. “As mudanças do mundo fizeram da vida uma obrigação. E o mais
surreal é saber que o ser humano insiste em andar na contramão!” Afirma a
cantora e líder da Bella Utopia, Isabela Eva. Ouça "SURREAL" AQUI
A banda já possui três clipes
oficiais, que mostram a mensagem por trás do pensamento criativo do agora
quinteto, que almeja voos mais altos, porém sempre com os pés no chão. E os vídeos são muito bem feitos, inclusive o
clipe de "Dilema do Prisioneiro"
possui um curta na abertura, com produção de uma produtora de cinema e
participação de atores profissionais. A vocalista Isabela Eva idealizou toda a
estrutura e conseguiu autorização para filmar dentro do maior Complexo
Prisional de Goiânia, a CPP.
Um nome que merece a atenção do
público e muito mais visibilidade. Saiba mais sobre a banda nos links abaixo:
Secret Rule was founded in Italy, in 2013, and makes modern Metal, mixing heavy and melodic riffs, incursions of symphonic and electronic elements, combined with Angela Di Vicenzo's vocals, have built a strong musical identity. (Versão em português)
The band also has a well elaborated planning, which allows it to release practically one album per year, despite all the difficulties of the current market, and earlier this year released "Against", via Pride & Joy Music.
The world pandemic, in which the area of concerts and entertainment was greatly affected, changed a little and postponed some plans. But Secret Rule did not stop, and in this time of isolation and quarantine, they continued to plan and publicize their work, including even releasing another album! "Quarantine Sessions - The Other Side of Us", with versions of songs by artists that the members like.
We have talked with Angela Di Vicenzo, who told us a little more about the new albums, the way the band works, taking care of various details in addition to composition and production, such as, promotional photos, social media, booking and etc., also commented on the music market, and of course, how was this pandemic period in Italy, a country that was hit hard, and measures such as a Lock Down were necessary. Check it out below:
RtM: Talking about the most recent work,
"Against", with each album the band shows news, what are the main
changes in against for the others? I personally felt that more weight was put
into the songs, keyboards are also more present.
Angela Di Vicenzo: Hi Carlos, yes, "Against" is the
natural evolution of our sound. Surely, it's a bit more heavy and aggressive
and there are more industrial sounds on this one. The real news is that we took
care of the whole production of this CD by ourselves. We thought, wrote,
recorded, mixed, and mastered everything by ourselves. We created the graphics,
prepared the photos, every little detail was handled by us. It was a great
challenge, but now we are fully satisfied with it.
RtM: The first single was "Purgatory",
which also won a video. Comment more about this song and why you chose it for
the first single?
Angela: We wanted something different. Often
in recent years, people to describe our sound put us near symphonic metal. We
found it a bit limiting, surely there are a lot of symphonic atmospheres in our
music, but not only those. The riffing is more aggressive and totally different
from symphonic bands, we use a lot of electronic loops and industrial
sounds...these are not exactly what you find in symphonic music. So, Purgatory was the right song to mark that
something had changed. This message was mostly for other people, not for us...because
we just continue to make music as we have always done.
"Today, a band before being a band must be an expert social media manager, an expert music manager, an expert promoter, and a booker then you can be a musician."
RtM: Two of my favorites are "Against" and
"Deep Solitude", which has beautiful melodies and a catchy chorus. I
would like you to tell us a little more about them and the inspiration for the
lyrics.
Angela:Against is one of my favorite ones
too. The new album started from that song and concept, in fact, it's also the
album title. I suffer this world, this society. I can't understand how it’s
possible to see so much violence, racism and injustice, and how everything is
always guided by money and power. Getting back to the matter of the
manipulation of society, everything is filtered through all media forms and
worse still through the social networks. So this song is my scream inviting people
to be stronger so they can face this life every day and fight for freedom.
Deep Solitude is about the
difficulty we have in understanding our feelings. Because of this, we often end
up hurting the people we love most. We're complicated. So often we fall into
our solitude, misunderstood, unable to form and maintain relationships, but our
silence is the loudest scream we have to ask for attention.
RtM: The label Change seems to have opened new
doors, the band having a better treatment, several videos, releasing albums
regularly, we even had a special limited edition of "Against". I
would like you to comment on this and the viability of the bands to continue
launching new albums, because they do not always get a return when they
self-finance, or do not have adequate support from a label.
Angela:Today, if you wanna be a musician
you have to come from a rich family! (laughs)
This is the reality of things.
Everything we do, we do by ourselves. As I said to you, we take care of
everything and we pay for everything. Labels today, they offer very little help
for distribution, nothing else.
For example, promotion on the
webzines and magazines is not so important these days, because in most
situations, the writers are very young people who work for free or for little
money, without a musical background, without a musical culture, and your album
ends up being reviewed by guys who are eighteen and who in a good number of
cases listen to a different musical genre from what you play. Fortunately,
there are also professional writers but it has become hard for them too to
work.
Today, a band before being a band
must be an expert social media manager, an expert music manager, an expert
promoter, and a booker then you can be a musician. The World is going in this
direction and those who are not prepared for this, will have a hard life.
We make one album per year because
we want to do it. With or without a label. In the past few years we found a
good person in the owner of Pride & Joy Music, she's one of the few correct
people in this music market, surely it's very important...but with only this,
you can't survive in this World. It’s not enough.
So, we plan our activity year after
year...we know exactly what we'll do in the next 12 months. This is our secret.
Planning, scheduling, working hard every day, every hour.
" (The Song) 'Purgatory' marks that something had changed... This message was mostly for other people, not for us...because we just continue to make music as we have always done."
RtM: You have released recently the album "Quarantine Sessions – The Other Side of
Us", with versions of songs by artists that you like. Tell us a little
about how the idea came about and how the recording process went.
Angela:During the quarantine, we planned to
release a couple of videos of cover songs. When we released the Ozzy cover
("Gets me through") and Placebo's "The bitter end", we
received a lot of requests from our fans who asked us to release a whole album
of cover songs. So, we thought we would only if we were able to do it in two
weeks...before the Quarantine ended otherwise it wouldn't have made sense.
So, we chose the other songs and started
immediately working on production...and in two weeks we were ready to release
the album. It was self-produced and self-released. About the production, it was
easy enough for us, because every one of us has their own studio and at the end
of the sessions...Andy mixed and mastered it. So, everything was really fun.
RtM: And from
this album, which songs did you like to do the most and why?
Angela:It's difficult to choose because all
songs are so different. Surely I like "Not Afraid" because I like its
energy and it has been a challenge for me to sing it. I'm not a rapper! LOL I
love "Back to Black" because I love that song so much! "I think
I'm Paranoid" is so energic and rock, like "The Bitter End" too!
"The Swan Song" because I love Sharon's voice and I had fun in
singing that song with a different approach in respect to the original version.
But at the end, I like all the songs!
"When we released Ozzy and Placebo covers, we received a lot of requests from our fans who asked us to release a whole album of cover songs."
RtM: Well,
it's impossible not to ask how do you feel to have to go through this war
climate there in Italy. Tell us a little about how these days have been and the
routine there?
Angela:It's not a war climate, there is a
lot of silence instead. Everyone is living their life locked in at home, with
their family, spending their time with all those things they didn't have time
to do during their ordinary life. I did the same. I'm spending more time with
my cats Posi& Nega, I started to cook a lot of different cakes, and I worked
much more on Secret Rule.
I don't know if this virus was created or if it
really was an accident, neither explanation is difficult for me to believe. But
this has been another great challenge humanity has been called to face. There
have been stupid people (I have seen people spit on other people to terrify people
by threatening infection and those who didn't want to follow all rules) but
also a lot of solidarity and surely, I want to see the positive side of the
pandemic, the one which has moved people to take care of themselves. At this
moment we're getting back to normality and we hope to return completely to
normality for good.
RtM: And what have you been doing to pass the time,
to maintain physical and mental sanity?
Angela: I feel good at home. I watched
movies, I played with my cats and I worked with Secret Rule on new strategies.
We're always in a hurry so we took advantage of all this time to plan the next
steps to the best of our abilities. I started to exercise every day to keep in
shape and I feel much better!
RtM: And how
do you see the situation of bands and musicians in general now with this stop,
without doing shows. And I think there is still no prospect of a return in the
coming months.
Angela: Surely it's a difficult moment. For
us, it's difficult because we miss the stage and the contact with our fans. The
exchange of energy is the best side of being musicians. We had to postpone our
tours and we hope we'll be able to do them in September and December. At the
beginning of the pandemic, I saw a lot of bands expressing their money
difficulties but after a while, all bands started streaming concerts and found other
ways to connect with their fans. The chance to find another way to express oneself
has also proved an art form, be it streaming concerts, online activities,
inventing a new job, etc). As in any market and any company, a band has to
accept the business risk and find other ways to survive. I think it's normal.
"For us, it's difficult because we miss the stage and the contact with our fans."
RtM: Have you been watching many movies and series
during the quarantine? Which do you recommend?
Angela: I fell in love with "La casa de
Papel" of course and "Vis a Vis" that I've been watching all
during the pandemic. I liked a lot the actress "Najwa Nimri" present
in both the series. Then I watched "Glitch", but I think it's only for
certain people. Anyway, I liked it. So if you haven’t seen "Vis a
Vis", you should start with that :)
RtM: Ha ha ha!ok, i saw just some episodes, but i promise i will watch. Did you watch the movie "Rocket Man"?
A really cool moment is when Wilson
sayds to young Elton John that "
You gotta kill the person you were born to be in order to become the
person you want to be." what do you think about? What has the music
changed about you?
Angela: Wow! That’s so true! When I started
to sing, around age fifteen, I remember that I was soooo shy. Before going on
stage, I had to run to the toilet…sometimes I also vomited beforehand. On
stage, I was almost blocked. But I wanted to be different because I loved singing
so much. So, day after day, I had to kill my "limits" and force
myself to beat my shyness, my fears. When I looked at great singers like
Cristina Scabbia or Sharon Den Adel, I remained so enchanted by their
naturalness and spontaneity. It has been a long process and I always keep
working on myself.
RtM: Thanks for the interview, always a pleasure to
talk to you. Take care and hopefully soon we will overcome this pandemic and
good things will come after all this.
Angela: Thank you Carlos, it's the same for
me. Thank you for this space and to all the readers who support us.
A ideia desta matéria (devidamente batizada "Maidens of Metal", também aproveitando o trocadilho com "Made of Metal) surgiu em março, no clima do mês da Mulher e do Dia Internacional das Mulheres, pensamos em realizar um artigo especial, então nossa equipe colheu depoimentos de algumas mulheres atuantes na cena Metal e Rock Pesado, para saber a opinião delas quanto ao papel hoje da mulher nessa cena, antes dominada pelo sexo masculino. Antes, as raras pioneiras penavam com a discriminação e falta de apoio, mas buscaram seu lugar e conquistaram respeito, mesmo que seguindo mais a linha do que era feito pelos representantes masculinos, como as Runaways, Girlschool, Wendy O. Williams, Doro Pesch, Jo Bench, London Wilde e Leather Leone, e aqui no Brasil Volkana, Flammea, Valhalla e Placenta, para citar algumas.
Mais tarde, uma outra geração mostrou que as mulheres não precisavam deixar a serem femininas e até delicadas, ou usarem um figurino mais estilizado, e citamos aí Liv Kristine, Anneke, Kari e logo em seguida Tarja, Cristina Scabbia, Vibeke Stene... e partir daí, bandas com integrantes femininas, não só nos vocais, e até formadas somente por mulheres só cresceu, tendo até alguns rótulos específicos, e inclusive festivais exclusivos, surgindo novos ano a ano, como Metal Female Voices, que acontece desde 2003 na Bélgica, e o She Shakes the Earth, aqui no Brasil, em Brasília.
Charge de Márcio Baraldi, ilustrando isso, de que elas são capazes de tudo
Mas, e afinal? Ainda há muita dificuldade, discriminação? É justo explorar a imagem das musicistas femininas, utilizando rótulos como "Female Fronted Metal" ou "Female Fronted Band"?
E usar esse rótulo é justo ou é tirar proveito, às vezes até para suprir uma possível falta de outras qualidades? Vencer num território predominantemente masculino sem perder a feminilidade também é um desafio. O que elas pensam sobre isso tudo? E também perguntamos a opinião dos "caras".
Sabemos que são poucos depoimentos face a quantidade de bandas, a diversidade dentro dessa cena, além da individualidade de pensamento de cada pessoa, mas acompanhe conosco, porque com certeza, muita coisa conseguimos abranger, conversando com pessoas de diversos países e de diversos sub-estilos dentro do Metal, e, claro, também dê a sua opinião. Vamos lá conferir o que elas têm a dizer?
A experiente London Wilde, que vem de uma época que era bem mais complicada a cena, principalmente para as mulheres, tem restrições quanto à rótulos como "Female Fronted Metal" e também expressa sua opinião às mais jovens:
A experiente London Wilde, que iniciou a carreira em uma época que ainda eram raras as mulheres no Metal
"Eu acho que o termo "Female
Fronted "pode ser negativo se evoca noções preconcebidas sobre como a
música vai soar. Eu acho que é importante para as mulheres no Metal não se
preocuparem com os estereótipos, ou em encaixar em determinado papel ou
movimento, e se concentrar apenas em realizar sua visão pessoal como artista.
"
London Wilde (Vocalista/Produtora - WildeStarr - EUA)
A mexicana Marcela Bovio optou por mudar-se para a Holanda, em busca de mais oportunidades
"Acho que as
mulheres são muito mais aceitas no mundo do Metal hoje em dia. Você vê um monte
de mulheres que fazem música pesada, e já não é mais uma surpresa, e isto é
ótimo! Mas uma coisa que eu acho que realmente é preciso, é se livrar do rótulo de "Female Fronted
Metal", ele não diz nada sobre a música que uma banda realiza!"
Sobre a questão de mudar-se para a Holanda, em busca de melhores oportunidades, Marcela explica:
"Há uma série de fatores que mostram que manter uma banda na Europa
é mais fácil do que no México, mas um dos principais é que há , pelo
menos na Holanda, muito mais apoio do governo para as artes do que no
México, por exemplo."
Marcela Bovio (Natural do México, Marcela é Vocalista/Violinista e compositora do Stream Of Passion - Holanda)
Marcela mudou-se do México para a Holanda, mas no outro lado do Oceano também há países em que o apoio é precário, tanto para homens como para mulheres. Veja o que Daria Piankova (Concordea-Rússia) e Nelly Hanael (Majesty of Revival - Ucrânia) têm a dizer. Daria vê como uma questão ainda difícil de opinar quanto a participação feminina, e a busca de manter o equilíbrio entre mostrar força sem perder feminilidade, enquanto Nelly tem uma visão mais "poética".
Daria Piankova, do Concordea, oriunda da região Ural na Rússia
"É uma
pergunta difícil, principalmente porque essa música era originalmente
desempenhada por homens e não por mulheres. Comumente este tipo de música está
associada com o protesto, revolta, agressividade, poder, o que é - eu digo
outra vez esta palavra - principalmente prerrogativa dos homens, mesmo dentro
de nossa cultura moderna ... Então, quando você fala sobre o papel das mulheres
nesta música, você tem que enfrentar muitos estereótipos no ar, na mente dos
homens e das mulheres. Hoje as mulheres tentam contribuir com sua parcela a
sério neste negócio ... e seu objetivo é combinar sua ternura natural e o poder
que eu mencionei acima. Criar beleza e ser firme. E continuar sendo mulheres
apesar de tudo. Não é uma tarefa das mais simples, acredite em mim!"
(Daria
"Domovik" Piankova, Guitarra - banda Concordea- Rússia).
"Para mim, uma combinação da
suavidade feminina e o poder da música Heavy Metal sempre foi (e ainda é) a
coisa mais maravilhosa e mágica no estranho mundo de vários instrumentos
musicais e vozes. Quando uma mulher começa a cantar em uma música poderosa, e
ela traz uma pequena (ou nem tanto) linha melódica você precisa seguir e
apreciar de qualquer jeito, principalmente quando a cantora é uma profissional!
Todas essas mulheres me lembram
uma donzela guerreira - uma combinação de força, beleza e profunda ternura em
suas raízes. É uma espécie de conto de fadas da cena Rock/Metal, que deve
existir e continuar a progredir!...
Nelly Hanael (Ucrânia)
...E sobre o rótulo de "Female Fronted
Band”, acho ótimo esse rótulo existir porque essas pessoas, que gostam de ouvir
vozes femininas no Metal e no Rock facilmente podem encontrar muitas boas
bandas. E também mais fácil para as bandas encontrarem a gravadora certa, as
quais conhecerão o seu trabalho dessa forma! He he he.”
E aqui no Brasil? Um pouco do que nossas "Mulheres de Metal" aqui pensam:
"Cada vez
maior e em ascensão. As coisas mudaram bastante numa média de 10 anos pra cá,
hoje em dia, as mulheres estão cada vez mais presentes na cena rock/metal,
tanto comparecendo aos shows e comprando material quanto como integrantes das
bandas e produtoras e organizadoras dos eventos! Autênticas, vestindo , ouvindo
e agindo da forma que lhes agrada sem ter que provar nada a ninguém pra fazer
parte de um grupo.
Vejo muitas meninas mais jovens querendo ter uma banda, por
exemplo, não são apenas os garotos, eu
fico muito feliz por isso e me sinto muito realizada em ver que isso é reflexo
dessa mudança de comportamento, hoje mulheres e homens são tratados da mesma
forma e recebem o mesmo respeito, pelo menos da maioria, o que demonstra como
conseguimos efetivamente conquistar nosso espaço dentro dessa coletividade."
Jana lembra também que, se algumas seguiram firmes, outras foram desencorajadas pelo machismo de outrora e preconceitos:
"É claro que
sempre estivemos por ai, desde o inicio,
mas as cobranças e o clima machista de outrora desencorajou muita gente
. Mulheres não curtem som, mulheres só curtem caras, mulheres só causam
discórdia entre os caras das bandas, mulher no role tá caçando um cabeludo,
mulher é poser (pelo simples fato de ser
mulher), mulher no Metal que não pega os caras é “machinho”, mulher que pega os
caras é vagabunda... pois bem, o que
posso dizer é que se esse pensamento ainda existe, ele agora tem que ficar bem
guardadinho pois não será tolerado! O Metal e o Rock são movimentos de
transgressão.
Não existe espaço pro machismo, o indivíduo que pensa assim,
definitivamente não vive o Metal, é só um curtidor, não entendeu nada!
Participamos da cena como headbangers que somos, estamos de olho e unidas para proteger e
impedir qualquer tipo de preconceito e injustiça. A mulher da cena hoje é
consciente do seu direito e seu espaço, sente-se a vontade para falar, tocar,
curtir, ir onde ela quiser, dizer suas opiniões , encarar quem quer que a
afronte, de igual pra igual. E o cenário só tem a ganhar com isso!"
"Mulheres são
atuantes em todas as vertentes do rock-metal, temos ótimas representantes em
todos os gêneros e desempenham seus papéis admiravelmente, sem deixar a desejar
em nada ao sexo masculino.. como sou mais do extremo Death e Grind vou citar alguns nomes de respeito e
atitude: Marly (No Sense), Ana (Haemorrhage), Gabi (Nuclear Frost), Larissa
(High School Massacre e Retaliaçao Infernal), Fernando (Obitto), as gurias do
Valhalla de Brasília e muitas outras que não lembro agora.. Mas todas dignas de
respeito e admiração!!!!"
"As mulheres sempre representaram o rock, desde o seu início, mas tendo
destaque apenas como meras fãs. Depois de um tempo as mulheres ganharam mais
espaço para serem as protagonistas do rock, vindo atualmente ocuparem papel de
grande destaque junto aos homens." "No palco não
há distinção de sexo e sim a música."
(Adriane) Adrismith Panndora, baterista da banda Panndora
O Metal é um só, e somos todos iguais, então, seguimos nossa viagem, com opiniões que vêm da Itália, Holanda, e mais Brasil!
Duas emergentes e talentosas cantoras da sempre prolífica cena Italiana, Nicoleta Rosellini (Kalidia) e Chiara Tricarico (Temperance) também nos concederam sua opinião sobre a questão da mulher no meio Metal e os rótulos:
Nicoleta Rosellini
"Quando
comecei a cantar em bandas (em torno de 2008), as mulheres ainda eram
raras na cena underground do Rock e Metal,
e as poucas bandas lideradas por mulheres eram ainda algo estranho! Hoje
em dia, o movimento “Female Fronted” cresceu muito e parece que cada banda
precisa ter uma “frontwoman”!
Ser parte do
movimento permite que você use alguns recursos exclusivos, como fanpages ou
zines dedicadas a ele.
Mas eu ainda
prefiro a descrever a minha banda como “Melodic Power Metal” em vez de
“Female-Fronted Band”, porque há muitos ouvintes que realmente não estão
interessadas no “movimento”.
Eu acho que
todas essas bandas tem que dar um passo atrás e parar de descrever a si mesmos
apenas como "Female-Fronted band"; na verdade, eu prefiro ler seu
gênero musical, em vez dessa marca."
(Nicoletta Rosellini – Vocalista do
Kalídia – Itália)
Chiara Tricarico
"Estou
feliz que as meninas tomaram o seu lugar na cena do Metal nos últimos anos. Eu
acho que é um fato muito positivo que o público finalmente abriu sua mente para
os inúmeros bons músicos femininos da cena."
E independente de estilos, elas estão prontas para quaisquer desafios:
"Eu gosto de me
expressar de muitas maneiras diferentes, e é por isso que eu não me limito em
apenas um estilo vocal. Eu gosto tanto de ópera, Rock, pop e os estilos mais
agressivos, e, geralmente, eu também faço os “growls” e “screams” no palco ahaha."
Aline Happ (Rio de Janeiro-Brasil) e Deisi Wolff (Viamão-RS), jovens ainda, mas já com experiência na difícil tarefa de fazer Metal no Brasil, mostram opiniões firmes:
"Vejo as
mulheres com o mesmo papel que o homem. Várias bandas com mulheres têm
aparecido e tido destaque, principalmente os grupos com vocalistas femininos.
"
(Aline Happ,
Vocal e teclados –Lyria- Rio de Janeiro)
"Vejo o papel
das mulheres no Rock/Metal de extrema importância, ano após ano estamos
conquistando espaço em meio a essa “cena” onde a maioria dos músicos e público
ainda é masculina. O importante é que não estejamos nos destacando apenas por
ser mulher, mas sim por ter capacidade e atitude tanto quanto os homens. Hoje
em dia ainda representamos uma minoria, mas esse número vem crescendo a cada
dia e deve ser apoiado, pois se há uma coisa que falta entre a galera
Rock/Metal, independente do sexo, é união. E quando a mulherada que faz um som,
ou simplesmente apoia as bandas da forma que consegue, ao invés de ir a shows
pra fazer intrigas e desfilar roupas, é de mulheres assim que o Metal precisa!”
(Deisi Wolff,
vocalista da Soul Torment/ Correspondente/redatora site Road to Metal.)
Carla Van Huizen, da emergente banda Holandesa La-Ventura, vê as mulheres cada vez mais tomando a frente, e entende como positivo o rótulo "Female Fronted Metal", mas também entende que não importa o sexo do artista, e sim a qualidade:
"Eu,
pessoalmente, levo a sério o meu papel como “frontlady” de uma banda de Rock/Metal.
Para mim, é um gênero perfeito para expressar minhas emoções. É poderoso,
melódico, pesado e groovy, ao mesmo tempo. Talvez a cena Metal e Rock foi
originalmente dominada por homens, mas hoje em dia as mulheres têm provado ser
capazes de ser líder da matilha. Uma voz feminina pode facilmente equilibrar e
complementar o peso da música neste gênero. Para mim, essa cena é toda sobre as
mulheres no seu melhor: mostrando beleza e poder, ao mesmo tempo. Eu acho que
nós vamos sobreviver neste mundo "masculino".
E a tag
"Female Fronted Band" Eu acredito que é uma coisa boa, porque hoje em
dia é popular e está em evidência em muitas partes do mundo. Embora eu acredite
que devemos ser abertos para toda a boa música, não importando o sexo de quem
está à frente de uma banda. Você não concorda?"
Évora Morgana, experiente musicista da cena Underground do Rio Grande do Sul, viu as mulheres ocuparem cada vez mais espaço em todas as áreas dentro do Rock e Metal:
"Bem,
este é um espaço que foi conquistado com muita dificuldade visto que tanto o
Rock como o Metal em geral é um reduto bem machista. Se no exterior foi um
espaço conquistado com dificuldade, imagina no Brasil, onde infelizmente temos
essa cultura de futebol e carnaval....
Quando comecei
eram muito poucas mulheres na cena ,tinha que ser firme e muito determinada,
sem se expor muito! o respeito é o
essencial!!
Atualmente
vejo cada vez mais mulheres guerreiras na cena, desde o Rock até o Metal extremo
e bandas só de integrantes femininas também, e não se restringe ao som, temos
mulheres empresárias , que fazem camisetas pintadas a mão ou serigrafia, zines e
muito mais!!"
E a Rainha Doro Pesch, uma das pioneiras, começando muito jovem em uma cena quase que totalmente dominada pelos homens, o que ela tem a dizer?
"A participação
feminina hoje é fantástica, e há uma série de grandes músicos do sexo feminino na
cena. Em nenhum momento eu cheguei a sofrer discriminação. Todo mundo sempre
foi muito bom para mim e me tratou com respeito e me senti muito apoiada por
todas as outras bandas e músicos, e eu sempre, sempre senti uma conexão
profunda e sólida com os fãs. Acho que sempre senti que eu amava os fãs e a música,
mais que qualquer outra coisa neste mundo."
Mas e os "caras", o que eles
pensam a respeito da mulherada cada vez mais tomando frente? Confira a opinião de alguns representantes do sexo masculino:
"As
mulheres tiveram representatividade no rock/metal desde sempre, e, apesar de a
maioria das meninas preferirem seguir outros caminhos, as que partiram para esse
deixaram a sua marca...não vejo distinção entre as pessoas, o que acontece é
que muitos não levam a sério e não fazem acontecer...mas isso faz parte da
humanidade a milênios, e as que conseguem superar isso estão por aí destilando
o sangue rock/metal por suas veias.....é isso." (Adriano Ribeiro Khrophus,
guitarrista da banda Khrophus - SC)
Adriano Krophus
"Vejo que
hoje a mulher está ganhando mais espaço tanto no Rock como no Metal, um meio
praticamente dominado por homens, e isso é extremamente benéfico e importante.
Ainda há muito a ser conquistado, mas com tantos talentos surgindo, não duvido
que alcancem esse objetivo."
Dave Starr, uma lenda do Metal, acompanhou a evolução da participação feminina, juntamente com sua esposa London Wilde, mas também não concorda com rótulos que separam gênero, assim, como são da mesma opinião Baronvon Causatan, editor da Satanic Militia, e o redator e coordenador do Road, Carlos Garcia, os quais também enfatizam as pioneiras:
"Eu acho ótimo que há mais
mulheres no Rock/Metal nos dias de hoje. As coisas são muito diferentes hoje do
que eram 20 ou 30 anos atrás, e isso é uma coisa boa. Naquela época, haviam
realmente apenas algumas poucas bandas com mulheres, agora há um número maior. Pode
não ajudar, mas capacita as mulheres a verem quantas chegaram lá nos dias de
hoje. Dito isto, acho que a classificação "Female Fronted Band" está
desgastada e ultrapassada. Nós mesmos (WildeStarr) usamos em nosso site, mas a
removemos há alguns anos. O rótulo apenas parece datado e chato para mim. Acho
que todo músico ... e cada banda deve ser julgada pelos seus méritos, e não
pelo seu gênero. Se realmente queremos viver em uma sociedade sem
discriminação, não importando a cor da pele , também devemos viver em uma
sociedade que não se importa com o gênero. A boa música é boa música, não deve
realmente importar quem a faz. "
(Dave Starr - Guitarrista - WildeStarr, e ex-baixista e membro fundador do Vicious Rumors)
Dave Starr
"Uma pena
que as mulheres demoraram para tomar o seu lugar entre as bandas, deixando de
lado apenas aquela babação de ovo com os músicos, o que ao meu ver estragou e
atrasou demais a conquista de espaços nos palcos. Claro que ainda temos as
mulheres que infelizmente agem assim, mas pelo menos temos agora exemplos que
valem muito mais a pena em cima do palco (não atrás em algum sofá). Poucas
bandas tinham uma mulher a frente, talvez uma ou outra tocando algum
instrumento, mas tomando a frente foram poucas. Exemplos como Jynx Dawnson da
Coven, Wendy Williams da Plasmatics, passando por Doro Pesch na Warlock e não
podemos deixar de lembrar de Runaways, Suzy Quatro, mesmo não gostando do
trabalho vale destacar Janis Joplin também.
Atualmente
vemos em todos os estilos, bandas com algum membro feminino na formação ou
mesmo bandas completas de mulheres, e quando digo em todos os estilos, são
todos mesmos. Desde tradicional Heavy Metal chegando até as podreiras
Splatter/Gore.
Eu até acho
que chegamos ao exagero de ficar separando por gênero algo que não precisa, mas
seja por questões sociais ou por cabeças pequenas dos dois lados (homem/mulher)
essa competição e diferenciação surge.
Baronvon Causatan
Eu sempre
disse que tem mulher fazendo som melhor que muita gente por aí, tem vocalista
aí que tá dando pau em muito barbado quando abre a boca para fazer um gutural.
Acho que o
lado feminino não tem mais que lutar por um espaço e sim fazer o mesmo por manter,
dar continuidade e sair da posição de simplesmente refletir aquela coisa de
ficar correndo atrás de cabeludo porque toca em banda ou porque tem um cabelo
grande, porque são essas que estragam a imagem da mulher dentro do Metal,
felizmente é um pequeno grupo (ou groupies kkk) que só perdem espaço ao meu
ver. Enquanto tivermos bandas e mulheres representando o seu espaço, podem
estar certos de que as mulheres estão indo muito bem no cenário!!!!" (Baronvon Causatan, webmaster da Satanic Militia Magazine)
Carlos Garcia (Road to Metal)
"O que importa mesmo é a música, não o sexo, cor, credo....o que for. A qualidade do artista é que vai conquistar o reconhecimento e o respeito. Hoje as mulheres conquistaram seu espaço numa cena antes dominada pelos homens, mostrando isso, que é estupidez achar que algum indivíduo não possa realizar essa ou aquela tarefa porque é homem ou mulher. O papel delas na Cena Metal e Rock é fantástico, temos vocalistas, tecladistas, guitarristas, bateristas, produtoras...elas estão em toda parte, mostrando força, mas sem perder a graça, e é perfeitamente normal hoje, e, embora algumas bandas ainda se utilizam do fato para tentar chamar atenção, na grande maioria vejo que não se importam, como falei antes, o que importa é a qualidade do artista." (Carlos Garcia, Editor e Coordenador Site Road to Metal)
A matéria é relativamente pequena para o tamanho do assunto e a proporção que hoje as mulheres ocupam na cena Rock e Metal, mas esperamos com este artigo, além de uma homenagem, também mostrar que as opiniões, dificuldades e conquistas possuem pontos muito parecidos, não importando a idade, país ou continente, e esperamos retomar ainda o tema em mais algumas matérias especiais em breve. A colaboradora do Road to Metal Fernanda Vidotto, ficou com a tarefa de ajudar a concluir a matéria, e também enfatiza as dificuldades que as mulheres encontravam, e ainda encontram certo preconceito, principalmente no interior e lugares mais conservadores, parecendo precisar sempre ter algo a provar, mas que a mulher conquistou muito e ainda busca mais:
As
mulheres estão muito presentes em um espaço musical, que não tão antigamente era
associado à masculinidade e ao coletivo masculino.
E através de
suor, sangue e lágrimas a mulher vai à luta e quer rock. E quer pogar, moshar e
mostrar que também pode e deve ser vista como um ser humano normal e não como
um cristal que se quebra. SOMOS FORTES. SOMOS de METAL, me ouso à dizer.
A
representatividade é visivelmente maior que a de antigamente, porém ainda nos
deparamos com muitos casos de preconceito; violência e toda forma de abusos
contra as mulheres dentro do “cenário underground”. Como se isso fosse uma
falácia, um absurdo para alguns conservadores rudimentares aceitarem.
Se você toca,
ou trabalha, ou mesmo prestigia apenas como uma fã, existe SIM uma cobrança,
como se fosse necessário mostrar ao mundo três vezes mais o motivo do porquê se
está no meio.
Assim como
vejo encarcerado na comunidade banger feminina um teor de competição nada
saudável. As mulheres são encaradas com um ar de afronta por outras, e isso,
não adiciona em nada na vida de ninguém.
Creio que em
aspectos gerais sim, conquistamos muito espaço mas em aspectos interpessoais
ainda temos que nos “organizar” de forma mais coesa visto que a música é uma
excelente forma (assim como demais formas de expressão artística) de se passar
ideias e ideologias e criar vínculos, fomentar opiniões e etc. "
(Fernanda
Vidotto – Amazon Press e Colaboradora site Road to Metal)
CONCLUSÃO FINAL
Pudemos observar que todos os entrevistados concordam que hoje a mulher ocupou naturalmente seu espaço na cena, estando presente em vários setores da "indústria musical", mesmo que ainda possa ser encontrado algum preconceito e resistências mais conservadoras (sabemos que existem preconceitos contra religiões, preferências sexuais, e até absurdos como discriminar por diferenças da cor da pele, e ainda, mesmo sendo difícil conceber, lugares do mundo a mulher é tratada como ser inferior), mas em um mundo civilizado e globalizado, não se pode admitir certos absurdos, seja o ambiente que for, então, muito menos na música e menos ainda no Rock e Metal, onde sempre pregou-se a liberdade em todas as formas.
Especificamente sobre o assunto aqui tratado, a mulher tomou seu espaço, está ativa, presente, criativa, bela e independente de tudo, outro aspecto em que a maioria concorda, mesmo que alguns são da opinião que tags como "Female Fronted Band" também tenham papel positivo, o que importa é a qualidade da música, não os rótulos, gênero, credos ou o que for.
Matéria:Carlos Garcia, Fernanda Vidotto e Deisi Wolff Edição, textos adicionais e Revisão: Carlos Garcia Charge: Márcio Baraldi Agradecimentos: Agradecemos à todos que colaboraram respondendo à esta matéria, ao Márcio Baraldi e à todas a mulheres no Rock e Metal.