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sábado, 25 de julho de 2015

Maidens of Metal - O que Elas Pensam a Respeito do Papel da Mulher na Cena Rock/Metal nos Dias de Hoje?


A ideia desta matéria (devidamente batizada "Maidens of Metal", também aproveitando o trocadilho com "Made of Metal)  surgiu em março, no clima do mês da Mulher e do Dia Internacional das Mulheres, pensamos em realizar um artigo especial, então nossa equipe colheu depoimentos de algumas mulheres atuantes na cena Metal e Rock Pesado, para saber a opinião delas quanto ao papel hoje da mulher nessa cena, antes dominada pelo sexo masculino.

Antes, as raras pioneiras penavam com a discriminação e falta de apoio, mas buscaram seu lugar e conquistaram respeito, mesmo que seguindo mais a linha do que era feito pelos representantes masculinos, como as Runaways, Girlschool, Wendy O. Williams, Doro Pesch, Jo Bench, London Wilde e Leather Leone, e aqui no Brasil Volkana, Flammea, Valhalla e Placenta, para citar algumas. 

Mais tarde, uma outra geração mostrou que as mulheres não precisavam deixar a serem femininas e até delicadas, ou usarem um figurino mais estilizado, e citamos aí Liv Kristine, Anneke, Kari e logo em seguida Tarja, Cristina Scabbia, Vibeke Stene... e partir daí, bandas com integrantes femininas, não só nos vocais, e até formadas somente por mulheres só cresceu, tendo até alguns rótulos específicos, e inclusive festivais exclusivos, surgindo novos ano a ano, como Metal Female Voices, que acontece desde 2003 na Bélgica, e o She Shakes the Earth, aqui no Brasil, em Brasília.


Charge de Márcio Baraldi, ilustrando isso, de que elas são capazes de tudo

Mas, e afinal? Ainda há muita dificuldade, discriminação? É justo explorar a imagem das musicistas femininas, utilizando rótulos como "Female Fronted Metal" ou "Female Fronted Band"? 

E usar esse rótulo é justo ou é tirar proveito, às vezes até para suprir uma possível falta de outras qualidades? Vencer num território predominantemente masculino sem perder a feminilidade também é um desafio. O que elas pensam sobre isso tudo? E também perguntamos a opinião dos "caras".


Sabemos que são poucos depoimentos face a quantidade de bandas, a diversidade dentro dessa cena, além da individualidade de pensamento de cada pessoa, mas acompanhe conosco, porque com certeza, muita coisa conseguimos abranger, conversando com pessoas de diversos países e de diversos sub-estilos dentro do Metal,  e, claro, também dê a sua opinião. Vamos lá conferir o que elas têm a dizer?


A experiente London Wilde, que vem de uma época que era bem mais complicada a cena, principalmente para as mulheres, tem restrições quanto à rótulos como "Female Fronted Metal" e também expressa sua opinião às mais jovens:

A experiente London Wilde, que iniciou a carreira em uma época que ainda eram raras as mulheres no Metal


"Eu acho que o termo "Female Fronted "pode ​​ser negativo se evoca noções preconcebidas sobre como a música vai soar. Eu acho que é importante para as mulheres no Metal não se preocuparem com os estereótipos, ou em encaixar em determinado papel ou movimento, e se concentrar apenas em realizar sua visão pessoal como artista. "
 London Wilde (Vocalista/Produtora - WildeStarr - EUA)




A mexicana Marcela Bovio optou por mudar-se para a Holanda, em busca de mais oportunidades

"Acho que as mulheres são muito mais aceitas no mundo do Metal hoje em dia. Você vê um monte de mulheres que fazem música pesada, e já não é mais uma surpresa, e isto é ótimo! Mas uma coisa que eu acho que realmente é preciso,  é se livrar do rótulo de "Female Fronted Metal", ele não diz nada sobre a música que uma banda realiza!"

 Sobre a questão de mudar-se para a Holanda, em busca de melhores oportunidades, Marcela explica:
"Há uma série de fatores que mostram que manter uma banda na Europa é mais fácil do que no México, mas um dos principais é que há , pelo menos na Holanda, muito mais apoio do governo para as artes do que no México, por exemplo."
Marcela Bovio (Natural do México, Marcela é Vocalista/Violinista e compositora do Stream Of Passion - Holanda)



Marcela mudou-se do México para a Holanda, mas no outro lado do Oceano também há países em que o apoio é precário, tanto para homens como para mulheres. Veja o que Daria Piankova (Concordea-Rússia) e Nelly Hanael (Majesty of Revival - Ucrânia) têm a dizer. Daria vê como uma questão ainda difícil de opinar quanto a participação feminina, e a busca de manter o equilíbrio entre mostrar força sem perder feminilidade, enquanto Nelly tem uma visão mais "poética".


Daria Piankova, do Concordea, oriunda da região Ural na Rússia

"É uma pergunta difícil, principalmente porque essa música era originalmente desempenhada por homens e não por mulheres. Comumente este tipo de música está associada com o protesto, revolta, agressividade, poder, o que é - eu digo outra vez esta palavra - principalmente prerrogativa dos homens, mesmo dentro de nossa cultura moderna ... Então, quando você fala sobre o papel das mulheres nesta música, você tem que enfrentar muitos estereótipos no ar, na mente dos homens e das mulheres. Hoje as mulheres tentam contribuir com sua parcela a sério neste negócio ... e seu objetivo é combinar sua ternura natural e o poder que eu mencionei acima. Criar beleza e ser firme. E continuar sendo mulheres apesar de tudo. Não é uma tarefa das mais simples, acredite em mim!"
(Daria "Domovik" Piankova, Guitarra - banda Concordea - Rússia).



"Para mim, uma combinação da suavidade feminina e o poder da música Heavy Metal sempre foi (e ainda é) a coisa mais maravilhosa e mágica no estranho mundo de vários instrumentos musicais e vozes. Quando uma mulher começa a cantar em uma música poderosa, e ela traz uma pequena (ou nem tanto) linha melódica você precisa seguir e apreciar de qualquer jeito, principalmente quando a cantora é uma profissional!
Todas essas mulheres me lembram uma donzela guerreira - uma combinação de força, beleza e profunda ternura em suas raízes. É uma espécie de conto de fadas da cena Rock/Metal, que deve existir e continuar a progredir!...

Nelly Hanael (Ucrânia)
...E sobre o rótulo de "Female Fronted Band”, acho ótimo esse rótulo existir porque essas pessoas, que gostam de ouvir vozes femininas no Metal e no Rock facilmente podem encontrar muitas boas bandas. E também mais fácil para as bandas encontrarem a gravadora certa, as quais conhecerão o seu trabalho dessa forma! He he he.”
(Nelly Hanael - Vocalista - Majesty of Revival - Ucrânia)




E aqui no Brasil? Um pouco do que nossas "Mulheres de Metal" aqui pensam:


"Cada vez maior e em ascensão. As coisas mudaram bastante numa média de 10 anos pra cá, hoje em dia, as mulheres estão cada vez mais presentes na cena rock/metal, tanto comparecendo aos shows e comprando material quanto como integrantes das bandas e produtoras e organizadoras dos eventos! Autênticas, vestindo , ouvindo e agindo da forma que lhes agrada sem ter que provar nada a ninguém pra fazer parte de um grupo.

Vejo muitas meninas mais jovens querendo ter uma banda, por exemplo,  não são apenas os garotos, eu fico muito feliz por isso e me sinto muito realizada em ver que isso é reflexo dessa mudança de comportamento, hoje mulheres e homens são tratados da mesma forma e recebem o mesmo respeito, pelo menos da maioria, o que demonstra como conseguimos efetivamente conquistar nosso espaço dentro dessa coletividade."


Jana lembra também que, se algumas seguiram firmes, outras foram desencorajadas pelo machismo de outrora e preconceitos:

"É claro que sempre estivemos por ai, desde o inicio,  mas as cobranças e o clima machista de outrora desencorajou muita gente . Mulheres não curtem som, mulheres só curtem caras, mulheres só causam discórdia entre os caras das bandas, mulher no role tá caçando um cabeludo, mulher é poser  (pelo simples fato de ser mulher), mulher no Metal que não pega os caras é “machinho”, mulher que pega os caras é vagabunda...  pois bem, o que posso dizer é que se esse pensamento ainda existe, ele agora tem que ficar bem guardadinho pois não será tolerado! O Metal e o Rock são movimentos de transgressão. 

Não existe espaço pro machismo, o indivíduo que pensa assim, definitivamente não vive o Metal, é só um curtidor, não entendeu nada! Participamos da cena como headbangers que somos,  estamos de olho e unidas para proteger e impedir qualquer tipo de preconceito e injustiça. A mulher da cena hoje é consciente do seu direito e seu espaço, sente-se a vontade para falar, tocar, curtir, ir onde ela quiser, dizer suas opiniões , encarar quem quer que a afronte, de igual pra igual. E o cenário só tem a ganhar com isso!"
Jana Lemos (Sakhet - Brasil)



"Mulheres são atuantes em todas as vertentes do rock-metal, temos ótimas representantes em todos os gêneros e desempenham seus papéis admiravelmente, sem deixar a desejar em nada ao sexo masculino.. como sou mais do extremo Death e  Grind vou citar alguns nomes de respeito e atitude: Marly (No Sense), Ana (Haemorrhage), Gabi (Nuclear Frost), Larissa (High School Massacre e Retaliaçao Infernal), Fernando (Obitto), as gurias do Valhalla de Brasília e muitas outras que não lembro agora.. Mas todas dignas de respeito e admiração!!!!"
Angela Crotch ( Crotchrot e Necrose)

"As mulheres sempre representaram o rock, desde o seu início, mas tendo destaque apenas como meras fãs. Depois de um tempo as mulheres ganharam mais espaço para serem as protagonistas do rock, vindo atualmente ocuparem papel de grande destaque junto aos homens."
          "No palco não há distinção de sexo e sim a música."
      (Adriane) Adrismith Panndora, baterista da banda Panndora



O Metal é um só, e somos todos iguais, então, seguimos nossa viagem, com opiniões que vêm da Itália, Holanda, e mais Brasil!

Duas emergentes e talentosas cantoras da sempre prolífica cena Italiana, Nicoleta Rosellini (Kalidia) e Chiara Tricarico (Temperance) também nos concederam sua opinião sobre a questão da mulher no meio Metal e os rótulos:

Nicoleta Rosellini
"Quando comecei a cantar em bandas (em torno de 2008), as mulheres ainda eram raras na cena underground do Rock e Metal,  e as poucas bandas lideradas por mulheres eram ainda algo estranho! Hoje em dia, o movimento “Female Fronted” cresceu muito e parece que cada banda precisa ter uma “frontwoman”!

Ser parte do movimento permite que você use alguns recursos exclusivos, como fanpages ou zines dedicadas a ele.

Mas eu ainda prefiro a descrever a minha banda como “Melodic Power Metal” em vez de “Female-Fronted Band”, porque há muitos ouvintes que realmente não estão interessadas no “movimento”.

Eu acho que todas essas bandas tem que dar um passo atrás e parar de descrever a si mesmos apenas como "Female-Fronted band"; na verdade, eu prefiro ler seu gênero musical, em vez dessa marca."

(Nicoletta Rosellini – Vocalista do Kalídia – Itália)



Chiara Tricarico


"Estou feliz que as meninas tomaram o seu lugar na cena do Metal nos últimos anos. Eu acho que é um fato muito positivo que o público finalmente abriu sua mente para os inúmeros bons músicos femininos da cena."

E independente de estilos, elas estão prontas para quaisquer desafios:

"Eu gosto de me expressar de muitas maneiras diferentes, e é por isso que eu não me limito em apenas um estilo vocal. Eu gosto tanto de ópera, Rock, pop e os estilos mais agressivos, e, geralmente, eu também faço os “growls”  e “screams”  no palco ahaha."


(Chiara Tricarico, vocalista - Temperance - Itália)





Aline Happ (Rio de Janeiro-Brasil) e Deisi Wolff (Viamão-RS), jovens ainda, mas já com experiência na difícil tarefa de fazer Metal no Brasil, mostram opiniões firmes:






"Vejo as mulheres com o mesmo papel que o homem. Várias bandas com mulheres têm aparecido e tido destaque, principalmente os grupos com vocalistas femininos. "

(Aline Happ, Vocal e teclados – Lyria- Rio de Janeiro)



"Vejo o papel das mulheres no Rock/Metal de extrema importância, ano após ano estamos conquistando espaço em meio a essa “cena” onde a maioria dos músicos e público ainda é masculina. O importante é que não estejamos nos destacando apenas por ser mulher, mas sim por ter capacidade e atitude tanto quanto os homens. Hoje em dia ainda representamos uma minoria, mas esse número vem crescendo a cada dia e deve ser apoiado, pois se há uma coisa que falta entre a galera Rock/Metal, independente do sexo, é união. E quando a mulherada que faz um som, ou simplesmente apoia as bandas da forma que consegue, ao invés de ir a shows pra fazer intrigas e desfilar roupas, é de mulheres assim que o Metal precisa!”
(Deisi Wolff, vocalista da Soul Torment/ Correspondente/redatora site Road to Metal.)





Carla Van Huizen, da emergente banda Holandesa La-Ventura, vê as mulheres cada vez mais tomando a frente, e entende como positivo o rótulo "Female Fronted Metal", mas também entende que não importa o sexo do artista, e sim a qualidade:



"Eu, pessoalmente, levo a sério o meu papel como “frontlady” de uma banda de Rock/Metal. Para mim, é um gênero perfeito para expressar minhas emoções. É poderoso, melódico, pesado e groovy, ao mesmo tempo. Talvez a cena Metal e Rock foi originalmente dominada por homens, mas hoje em dia as mulheres têm provado ser capazes de ser líder da matilha. Uma voz feminina pode facilmente equilibrar e complementar o peso da música neste gênero. Para mim, essa cena é toda sobre as mulheres no seu melhor: mostrando beleza e poder, ao mesmo tempo. Eu acho que nós vamos sobreviver neste mundo "masculino".


E a tag "Female Fronted Band" Eu acredito que é uma coisa boa, porque hoje em dia é popular e está em evidência em muitas partes do mundo. Embora eu acredite que devemos ser abertos para toda a boa música, não importando o sexo de quem está à frente de uma banda. Você não concorda?"

Carla Van Huizen (Vocal - La-Ventura - Holanda)

Carla Van Huizen

Évora Morgana, experiente musicista da cena Underground do Rio Grande do Sul, viu as mulheres ocuparem cada vez mais espaço em todas as áreas dentro do Rock e Metal:




"Bem, este é um espaço que foi conquistado com muita dificuldade visto que tanto o Rock como o Metal em geral é um reduto bem machista. Se no exterior foi um espaço conquistado com dificuldade, imagina no Brasil, onde infelizmente temos essa cultura de futebol e carnaval....
Quando comecei eram muito poucas mulheres na cena ,tinha que ser firme e muito determinada, sem se expor muito!  o respeito é o essencial!!
Atualmente vejo cada vez mais mulheres guerreiras na cena, desde o Rock até o Metal extremo e bandas só de integrantes femininas também, e não se restringe ao som, temos mulheres empresárias , que fazem camisetas pintadas a mão ou serigrafia, zines e muito mais!!"
Évora Morgana (Guitarrista,  Imortal Perséfone e Psycophobia)




E a Rainha Doro Pesch, uma das pioneiras, começando muito jovem em uma cena quase que totalmente dominada pelos homens, o que ela tem a dizer?


"A participação feminina hoje é fantástica, e há uma série de grandes músicos do sexo feminino na cena. Em nenhum momento eu cheguei a sofrer discriminação. Todo mundo sempre foi muito bom para mim e me tratou com respeito e me senti muito apoiada por todas as outras bandas e músicos, e eu sempre, sempre senti uma conexão profunda e sólida com os fãs. Acho que sempre senti que eu amava os fãs e a música, mais que qualquer outra coisa neste mundo."

A jovem Doro, beleza, força e pioneirismo




Mas e os "caras", o que eles pensam a respeito da mulherada cada vez mais tomando frente? Confira a opinião de alguns representantes do sexo masculino:


"As mulheres tiveram representatividade no rock/metal desde sempre, e, apesar de a maioria das meninas preferirem seguir outros caminhos, as que partiram para esse deixaram a sua marca...não vejo distinção entre as pessoas, o que acontece é que muitos não levam a sério e não fazem acontecer...mas isso faz parte da humanidade a milênios, e as que conseguem superar isso estão por aí destilando o sangue rock/metal por suas veias.....é isso."
 (Adriano Ribeiro Khrophus, guitarrista da banda Khrophus - SC)
  
Adriano Krophus

"Vejo que hoje a mulher está ganhando mais espaço tanto no Rock como no Metal, um meio praticamente dominado por homens, e isso é extremamente benéfico e importante. Ainda há muito a ser conquistado, mas com tantos talentos surgindo, não duvido que alcancem esse objetivo."
(Vitor Rodrigues, vocalista - VOODOOPRIEST, ex-Torture Squad - SP)

Vitor Rodrigues


Dave Starr, uma lenda do Metal, acompanhou a evolução da participação feminina, juntamente com sua esposa London Wilde, mas também não concorda com rótulos que separam gênero, assim, como são da mesma opinião Baronvon Causatan, editor da Satanic Militia, e o redator e coordenador do Road, Carlos Garcia, os quais também enfatizam as pioneiras:

"Eu acho ótimo que há mais mulheres no Rock/Metal nos dias de hoje. As coisas são muito diferentes hoje do que eram 20 ou 30 anos atrás, e isso é uma coisa boa. Naquela época, haviam realmente apenas algumas poucas bandas com mulheres, agora há um número maior. Pode não ajudar, mas capacita as mulheres a verem quantas chegaram lá nos dias de hoje. Dito isto, acho que a classificação "Female Fronted Band" está desgastada e ultrapassada.

Nós mesmos (WildeStarr) usamos em nosso site, mas a removemos há alguns anos. O rótulo apenas parece datado e chato para mim. Acho que todo músico ... e cada banda deve ser julgada pelos seus méritos, e não pelo seu gênero. Se realmente queremos viver em uma sociedade sem discriminação, não importando a cor da pele , também devemos viver em uma sociedade que não se importa com o gênero. A boa música é boa música, não deve realmente importar quem a faz. "
(Dave Starr - Guitarrista - WildeStarr, e ex-baixista e membro fundador do Vicious Rumors)

Dave Starr

"Uma pena que as mulheres demoraram para tomar o seu lugar entre as bandas, deixando de lado apenas aquela babação de ovo com os músicos, o que ao meu ver estragou e atrasou demais a conquista de espaços nos palcos. Claro que ainda temos as mulheres que infelizmente agem assim, mas pelo menos temos agora exemplos que valem muito mais a pena em cima do palco (não atrás em algum sofá). Poucas bandas tinham uma mulher a frente, talvez uma ou outra tocando algum instrumento, mas tomando a frente foram poucas. Exemplos como Jynx Dawnson da Coven, Wendy Williams da Plasmatics, passando por Doro Pesch na Warlock e não podemos deixar de lembrar de Runaways, Suzy Quatro, mesmo não gostando do trabalho vale destacar Janis Joplin também.

Atualmente vemos em todos os estilos, bandas com algum membro feminino na formação ou mesmo bandas completas de mulheres, e quando digo em todos os estilos, são todos mesmos. Desde tradicional Heavy Metal chegando até as podreiras Splatter/Gore.
Eu até acho que chegamos ao exagero de ficar separando por gênero algo que não precisa, mas seja por questões sociais ou por cabeças pequenas dos dois lados (homem/mulher) essa competição e diferenciação surge.

Baronvon Causatan
Eu sempre disse que tem mulher fazendo som melhor que muita gente por aí, tem vocalista aí que tá dando pau em muito barbado quando abre a boca para fazer um gutural.
Acho que o lado feminino não tem mais que lutar por um espaço e sim fazer o mesmo por manter, dar continuidade e sair da posição de simplesmente refletir aquela coisa de ficar correndo atrás de cabeludo porque toca em banda ou porque tem um cabelo grande, porque são essas que estragam a imagem da mulher dentro do Metal, felizmente é um pequeno grupo (ou groupies kkk) que só perdem espaço ao meu ver. Enquanto tivermos bandas e mulheres representando o seu espaço, podem estar certos de que as mulheres estão indo muito bem no cenário!!!!"
(Baronvon Causatan, webmaster da Satanic Militia Magazine)


Carlos Garcia (Road to Metal)
 "O que importa mesmo é a música, não o sexo, cor, credo....o que for. A qualidade do artista é que vai conquistar o reconhecimento e o respeito. Hoje as mulheres conquistaram seu espaço numa cena antes dominada pelos homens, mostrando isso, que é estupidez achar que algum indivíduo não possa realizar essa ou aquela tarefa porque é homem ou mulher. O papel delas na Cena Metal e Rock é fantástico, temos vocalistas, tecladistas, guitarristas, bateristas, produtoras...elas estão em toda parte, mostrando força, mas sem perder a graça, e é perfeitamente normal hoje, e, embora algumas bandas ainda se utilizam do fato para tentar chamar atenção, na grande maioria vejo que não se importam, como falei antes, o que importa é a qualidade do artista."
(Carlos Garcia, Editor e Coordenador Site Road to Metal)




A matéria é relativamente pequena para o tamanho do assunto e a proporção que hoje as mulheres ocupam na cena Rock e Metal, mas esperamos com este artigo, além de uma homenagem, também mostrar que as opiniões, dificuldades e conquistas possuem pontos muito parecidos, não importando a idade, país ou continente, e esperamos retomar ainda o tema em mais algumas matérias especiais em breve.

A colaboradora do Road to Metal Fernanda Vidotto, ficou com a tarefa de ajudar a concluir a matéria, e também enfatiza as dificuldades que as mulheres encontravam, e ainda encontram certo preconceito, principalmente no interior e lugares mais conservadores, parecendo precisar sempre ter algo a provar, mas que a mulher conquistou muito e ainda busca mais:



As mulheres estão muito presentes em um espaço musical, que não tão antigamente era associado à masculinidade e ao coletivo masculino.
E através de suor, sangue e lágrimas a mulher vai à luta e quer rock. E quer pogar, moshar e mostrar que também pode e deve ser vista como um ser humano normal e não como um cristal que se quebra. SOMOS FORTES. SOMOS de METAL, me ouso à dizer.
A representatividade é visivelmente maior que a de antigamente, porém ainda nos deparamos com muitos casos de preconceito; violência e toda forma de abusos contra as mulheres dentro do “cenário underground”. Como se isso fosse uma falácia, um absurdo para alguns conservadores rudimentares aceitarem.


Se você toca, ou trabalha, ou mesmo prestigia apenas como uma fã, existe SIM uma cobrança, como se fosse necessário mostrar ao mundo três vezes mais o motivo do porquê se está no meio.
Assim como vejo encarcerado na comunidade banger feminina um teor de competição nada saudável. As mulheres são encaradas com um ar de afronta por outras, e isso, não adiciona em nada na vida de ninguém.
Creio que em aspectos gerais sim, conquistamos muito espaço mas em aspectos interpessoais ainda temos que nos “organizar” de forma mais coesa visto que a música é uma excelente forma (assim como demais formas de expressão artística) de se passar ideias e ideologias e criar vínculos, fomentar opiniões e etc. "
(Fernanda Vidotto – Amazon Press e Colaboradora site Road to Metal)




CONCLUSÃO FINAL

Pudemos observar que todos os entrevistados concordam que hoje a mulher ocupou naturalmente seu espaço na cena, estando presente em vários setores da "indústria musical", mesmo que ainda possa ser encontrado algum preconceito e resistências mais conservadoras (sabemos que existem preconceitos contra religiões, preferências sexuais, e até absurdos como discriminar por diferenças da cor da pele, e ainda, mesmo sendo difícil conceber, lugares do mundo a mulher é tratada como ser inferior), mas em um mundo civilizado e globalizado, não se pode admitir certos absurdos, seja o ambiente que for, então, muito menos na música e menos ainda no Rock e Metal, onde sempre pregou-se a liberdade em todas as formas.

Especificamente sobre o assunto aqui tratado, a mulher tomou seu espaço, está ativa, presente, criativa, bela e independente de tudo, outro aspecto em que a maioria concorda, mesmo que alguns são da opinião que tags como "Female Fronted Band" também tenham papel positivo, o que importa é a qualidade da música, não os rótulos, gênero, credos ou o que for.



Matéria: Carlos Garcia, Fernanda Vidotto e Deisi Wolff
Edição, textos adicionais e Revisão: Carlos Garcia
Charge: Márcio Baraldi
Agradecimentos: Agradecemos à todos que colaboraram respondendo à esta matéria, ao Márcio Baraldi e à todas a mulheres no Rock e Metal.











sábado, 2 de maio de 2015

Lyria - Alternative/Symphonic Metal Maduro e de Potencial! (Entrevista+Resenha+Audição Gratuíta do CD)



Fundada em 2012, o Lyria é uma banda que apresenta um excelente potencial e maturidade, fazendo um Metal Alternativo/Sinfônico temperado por influências que vão do Thrash ao Gothic Metal e Industrial, apresentando arranjos criativos e boas ideias, mostrando bastante personalidade e competência.   (English Version Here)

Com a bela voz da mezzo soprano Aline Happ, aliada a dupla Eliezér e Thiago Zig, o grupo agora quer continuar divulgando seu álbum de estreia, "Catharsis", lançado no final do ano passado, por meio de uma bem sucedida campanha de crowdfunding, que contou com colaboradores de diversos países, mostrando que a banda já desperta o interesse também em outros territórios.

Conversamos com a fundadora Aline Happ para saber um pouco mais da banda, do álbum de estreia e planos, e de quebra, no final da entrevista você confere resenha de "Catharsis"! Confira esta matéria/entrevista bem especial com esta promissora banda!


RtM: Para quem ainda não conhece a Lyria, você poderia fazer um breve histórico da banda?
Aline Happ: Olá, obrigada pela entrevista! Somos uma banda de metal alternativo sinfônico do Rio de Janeiro. Fundei a banda em 2012 e em 2013, Eliezer (bateria) e Zig (baixo) entraram para a banda. Em 2014, lançamos nosso primeiro álbum, “Catharsis”, através de uma campanha de crowdfunding. =)


RtM: Final do ano passado foi lançado o seu debut, “Catharsis”. Já deu pra mensurar a repercussão do álbum? O retorno está dentro do esperado? Vocês já conseguiram ter um retorno de quais as músicas estão tendo maior destaque entre os fãs?
Aline: Se tivéssemos algum tipo de publicidade, sei que poderíamos espalhar a notícia para mais pessoas e mais rapidamente. Mas o retorno tem sido ótimo, muitas pessoas têm comprado o álbum, principalmente o físico e temos recebido feedbacks muito bons. Difícil dizer quais músicas têm mais destaque, pois cada pessoa fala uma coisa, hehe. Mas posso dizer que o clipe de “Jester” tem agradado bastante, até passou na TV, no canal PlayTv =).


RtM: Pessoalmente, gostei bastante das músicas “Jester”, “The Phoenix Cry” e “The Phoenix Rebirth”, e gostaria que você comentasse um pouquinho mais sobre elas, conceito...letra.
Aline: “Jester” é sobre uma pessoa que ao ser questionada por certa falta de atitude, ficou bastante irritada e preferiu se isolar e não rever suas atitudes.
“The Phoenix Cry” e “The Phoenix Rebirth” são interligadas. A primeira nos mostra alguém que se sacrifica pelo mundo, que está cansado de tanta violência e caos. Já a segunda é a continuação da primeira, mostra essa alma torturada e o desejo e a força de vontade dela de se reerguer.


RtM: A banda faz um Metal Sinfônico mesclando momentos mais melódicos, mas também com músicas mais pesadas, lembrando-me alguns ícones do estilo, como Nightwish, Within Temptation e Tristania dos primeiros álbuns. Como influências principais e inspirações que contribuíram para forjar a sonoridade do Lyria, que bandas ou artistas você citaria?
Aline: São muitas! Nightwish com a Tarja, Epica, Evanescence, Within Temptation, Metallica, After Forever, Black Sabbath e muitos outros.



RtM: E neste concorrido cenário, o que vocês acreditam que possa ser o diferencial do Lyria para se destacar?
Aline: Nós gostamos do que fazemos e investimos tempo nisso. Colocamos verdade nas músicas e acredito que temos composições que vão agradar ao público, tanto o nicho de metal sinfônico como em outros estilos, justamente por não sermos metal sinfônico “puro”. Gostamos de manter contato com os fãs, de mantê-los atualizados e entretidos.


RtM: Percebi que a banda tem essa preocupação de apresentar novidades, trabalhar a divulgação, tendo inclusive lançado um vídeo oficial com uma boa produção, além de algumas outras ações, como a venda de alguns produtos, como letras das músicas escritas a mão e com dedicatória. Ideia bem legal, inclusive lembro que a Anneke fez isto também. Como tem sido o retorno dessas ações?  
Aline: Obrigada! O pessoal tem gostado bastante e é sempre um prazer apresentar novidades ao público. Eu adoro escrever as letras e autografar os produtos.


RtM: Poderia nos contar um pouco mais a respeito da produção do álbum “Catharsis”, e também como funciona o processo de composição dentro da banda?
Aline: Bom, o álbum foi gravado em uma semana, haha. Íamos todo dia de manhã para a casa do produtor e saíamos de lá já tarde da noite. Mas todo o esforço valeu a pena. Nosso produtor fez um ótimo trabalho. Em relação às composições, a maioria parte de mim, eu venho com a melodia , às vezes com a melodia e a letra, as vezes com uma letra e aí criamos o instrumental e depois a melodia juntos.


RtM: E o cenário para as bandas independentes, principalmente, o que melhorou, o que piorou? Inclusive pelo fato de que é difícil cobrir as despesas somente com venda de CDs, e além disso os shows também podem ser raros, pois muitas bandas vivem dos shows ao vivo e novas bandas nem sempre conseguem ter condições ou apoios para isso.
Aline: Alguns produtores querem que você toque de graça ou até mesmo pague para tocar em locais horríveis, outros não querem nem ouvir seu material se você diz que é autoral, assim como muitas pessoas preferem ouvir covers por já conhecerem as músicas. Mas felizmente também tem muita gente fazendo um trabalho sério e ajudando na divulgação das bandas autorais da maneira que for possível, além de um público aberto a novidades.


RtM: E você Aline, quais suas influências pessoais, como começou a cantar e quem lhe incentivou no início? 
Aline: Evanescence, Epica, Nightwish com a Tarja, After Forever, Sarah Britghtman... e muitas outras. Sempre gostei de cantar, desde pequena assistia aos desenhos da Disney em que as princesas cantavam e eu queria fazer o mesmo. Aos 13 anos comecei aulas de canto por incentivo da minha mãe.


RtM: E as influências dos demais integrantes? E como se iniciaram na carreira musical?
Aline: Eliezer (bateria) toca desde os 13 anos. Já teve diversas bandas e tocou na noite. Sempre gostou de Rock e Metal. Zig começou a tocar baixo entre os 13/14 anos e teve bandas autorais de metal, já tocou na igreja e também em bandas de festa. Quando começou a tocar, tinha muitas influências do Metal Progressivo


RtM: Aline, Obrigado pela atenção, fica o espaço para a sua mensagem final aos leitores!
Aline: Obrigada! Espero que vocês tenham curtido a entrevista! Se quiserem saber mais de mim e do Lyria, seguem aqui os links:

facebook.com/alinehapp
Facebook.com/lyriaband


Entrevista: Carlos Garcia



Resenha do Ábum

"Catharsis" - Uma Estreia Promissora que Mostra uma Banda de Potencial

Criada pela vocalista Aline Happ em 2012, o Lyria traz em sua sonoridade elementos do Metal Sinfônico de bandas como Epica e Nightwish, mas também de um lado mais moderno e alternativo de bandas como Evanescence, onde podemos ouvir esses elementos sinfônicos tradicionais mesclados a passagens industriais/alternativas, com vários efeitos nas guitarras, onde também são utilizadas afinações mais baixas, e teclados, além de algumas doses de Thrash e Gothic Metal em alguns arranjos mais introspectivos e melancólicos.


Lançado em 2014 através de uma exitosa campanha de crowdfunding, onde participantes de diversos países contribuíram,o álbum "Catharsis" vem recebendo boas críticas e aceitação favorável do público
O mérito do Lyria é que não cai no lugar comum, tendo um balanço bem interessante dessas influências e elementos, usando com inteligência e sem excessos, e não sendo repetitivo nos arranjos, algo que comumente percebo em bandas que enveredam por esse lado mais "moderno/alternativo", vide o citado Evanescence.

Encontramos então uma boa variação nas composições, mostrando, apesar de uma banda nova, que possui maturidade suficiente, resultando em uma execução segura de seus papéis e arranjos bem construidos. "The True War" é uma boa abertura, com bastante peso, enquanto que "Revenge" tem uma sonoridade bem moderna, com vários efeitos e sintetizadores, evidenciando o lado mais "alternativo" (os efeitos me lembraram um pouco o The Birthday Massacre). O lado mais Symphonic Metal fica latente na excelente "Jester", com ótimo balanço de peso e melodia, bom trabalho de guitarras, além de um refrão cativante; momentos mais suaves e melancólicos, com flautas que dão um toque especial, podem ser encontrados em "What do You Want from Me".

Uma estreia muito boa, com maturidade e mostrando um excelente potencial.

Texto: Carlos Garcia


Ouça aqui o CD