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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Shakra: Equilíbrio Perfeito Entre Nostalgia e Renovação (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após mais de três décadas de estrada, os suíços do Shakra retornam com Just Live Loud!, álbum que inaugura uma nova fase na trajetória da banda e marca sua estreia pela Frontiers Music Srl. Longe de soar como um exercício nostálgico ou uma tentativa artificial de revisitar glórias passadas, o disco encontra equilíbrio raro entre tradição e renovação. Há aqui a essência clássica do hard rock europeu — riffs robustos, refrães melódicos e solos carregados de identidade —, mas também uma abordagem moderna de produção e composição que impede o álbum de cair na previsibilidade. Tematicamente centrado em liberdade, resistência e intensidade emocional, Just Live Loud! apresenta um Shakra artisticamente revitalizado, reafirmando sua relevância dentro da atual cena melódica.

“Let the Show Begins” abre o álbum exatamente como o título sugere: com energia de arena e espírito de abertura de show. A introdução de guitarra imediatamente estabelece o clima clássico do hard rock, sustentada por uma condução rítmica segura e um refrão extremamente contagiante. A performance vocal de Mark Fox é carismática e eficiente, conduzindo as melodias com naturalidade, enquanto o solo de guitarra surge no momento certo, sem excessos, reforçando o forte senso de dinâmica da faixa.

Com forte influência setentista e um groove marcante, “Wasteland Warriors” amplia a paleta sonora do disco. O refrão abandona parte da abordagem melódica tradicional em favor de algo mais direto e agressivo, funcionando perfeitamente com a pegada quase “sleazy” da música. A interpretação de Fox aproxima-se mais da escola americana de vocalistas como Steven Tyler do que do hard rock melódico europeu propriamente dito. As guitarras base e solo dialogam constantemente, enquanto baixo e bateria criam uma base pesada e pulsante. Os backing vocals quase guturais adicionam personalidade extra a uma faixa que traz diversidade real ao álbum.

A faixa-título, “Just Live Loud!”, também escolhida como primeiro single, sintetiza boa parte da proposta do disco. A bateria conduz os versos com inteligência e senso de construção, preparando o terreno para um refrão de assimilação imediata. O trabalho de guitarras merece destaque especial: riffs fortes, bases sólidas e um solo extremamente bem dosado, técnico sem soar exibicionista. É uma música poderosa, explosiva e claramente pensada para funcionar tanto em estúdio quanto ao vivo.

“Left Outside Alone” muda significativamente o clima do álbum e adiciona novas camadas emocionais ao repertório. A participação de Seraina Telli (Burning Witches, Dead Venus) traz contraste e sofisticação à faixa. A introdução minimalista, sustentada por guitarra, teclados e vozes, cria uma atmosfera mais intimista antes da música crescer gradualmente. Os vocais de Seraina acrescentam nuances bluesy e pop à composição, enquanto Mark Fox atua como contraponto mais áspero e emocional. O resultado é uma das músicas mais refinadas e emocionalmente complexas do álbum.

Na sequência, “Demon of the Night” mergulha de cabeça no hard rock clássico. O riff inicial, aliado às linhas de baixo bastante presentes, remete imediatamente à estética oitentista, embora a produção moderna impeça qualquer sensação de mera reciclagem. O refrão funciona com eficiência, sustentado por excelentes backing vocals e melodias acessíveis. Mais uma vez, o destaque instrumental fica por conta das guitarras, especialmente no solo, que reforça a identidade melódica da banda sem comprometer o peso da faixa.

“Legends Never Die” surge como a grande power ballad do disco. A introdução épica logo dá lugar a uma construção clássica baseada em violões, permitindo que as guitarras elétricas assumam protagonismo nos refrães. A interpretação de Mark Fox é particularmente forte aqui, explorando sua rouquidão característica com intensidade emocional genuína. O refrão possui aquele caráter grandioso típico das grandes baladas do hard rock, enquanto o solo entrega exatamente a carga dramática necessária. O encerramento, com corais e vocalizações livres ao fundo, amplia ainda mais o impacto cinematográfico da composição.

“Lost Generation” recoloca o álbum em território mais pesado e moderno, mas sem abandonar referências clássicas. O uso de Hammond ao fundo adiciona textura vintage interessante, enquanto o groove da faixa aproxima o Shakra de uma estética mais americana, lembrando em certos momentos bandas como Guns N' Roses. As guitarras alternam riffs sólidos, pequenos licks e intervenções melódicas com naturalidade, culminando em mais um excelente solo.

“When We Were Young” aposta em uma construção mais melódica e emocional. A estrutura tradicional de hard rock ganha pequenas mudanças harmônicas e melódicas que tornam a música mais grandiosa do que aparenta inicialmente. Guitarras e teclados trabalham juntos de maneira eficiente, enquanto a cozinha rítmica sustenta o peso necessário sem sufocar a melodia. O resultado é uma faixa extremamente bem construída, que cresce a cada audição.

Com claras referências a Judas Priest, “Another Day in the Universe” aproxima o álbum momentaneamente do heavy metal tradicional. Mesmo mantendo momentos cadenciados, a música aposta em maior agressividade e velocidade. Os teclados são utilizados de maneira inteligente, enquanto efeitos vocais discretos adicionam modernidade sem comprometer a organicidade da faixa.

“New Tattoo” devolve o álbum ao hard rock mais direto e despojado. A influência de AC/DC é evidente tanto na construção rítmica quanto na abordagem das guitarras. Ainda assim, a banda evita soar derivativa graças à energia da execução e ao senso de composição eficiente. A presença dessa faixa reforça a variedade estilística do disco.

“High Above the Storm” entrega outra grande balada, desta vez ainda mais dramática. Voz rouca, violões, guitarras acústicas e um refrão emocionalmente carregado criam uma atmosfera quase teatral. Conforme a música evolui, bateria e baixo entram ampliando o peso e conduzindo a faixa para um clímax épico, coroado por mais um solo de guitarra extremamente melódico. É uma balada clássica em sua essência, mas executada com convicção suficiente para evitar clichês excessivos.

“Screaming Silence”, última inédita do álbum, encerra o repertório principal com peso e sofisticação. A combinação entre guitarras pesadas, linhas rítmicas sólidas e elementos modernos de produção cria uma sonoridade contemporânea sem romper com a identidade clássica da banda. Os efeitos vocais são usados de maneira muito mais inteligente aqui do que em boa parte do hard rock atual, servindo à dinâmica da composição em vez de mascarar limitações. A quebra melódica no meio da música, com guitarras limpas e atmosfera mais introspectiva, prepara terreno para um final grandioso e extremamente eficiente. Um encerramento forte para o disco.

O álbum termina com a versão solo de “Left Outside Alone”, apresentada aqui sem a participação de Seraina Telli. Embora funcione mais como bônus do que como peça essencial do repertório, a faixa evidencia ainda mais a força melódica da composição.

Just Live Loud! é um álbum que entende perfeitamente o legado do hard rock sem se tornar refém dele. O Shakra evita tanto o excesso de nostalgia quanto a tentativa desesperada de modernização artificial que compromete tantos veteranos do gênero. O resultado é um trabalho sólido, variado e artisticamente maduro, que reafirma a banda como um dos nomes mais consistentes do hard rock melódico europeu contemporâneo. Mais do que apenas sobreviver ao tempo, o Shakra demonstra aqui que ainda possui criatividade, identidade e energia suficientes para permanecer relevante em 2026.

***ENGLISH VERSION***

After more than three decades on the road, Swiss hard rock veterans Shakra return with Just Live Loud!, an album that marks a new chapter in the band’s career as well as their debut for Frontiers Music Srl. Far from sounding like a nostalgic exercise or an artificial attempt to revisit past glories, the record strikes a rare balance between tradition and renewal. The classic essence of European hard rock is all here — robust riffs, melodic choruses, and identity-driven guitar solos — but so is a modern songwriting and production approach that prevents the album from falling into predictability. Built around themes of freedom, resilience, and emotional intensity, Just Live Loud! presents a creatively revitalized Shakra, once again reaffirming the band’s relevance within today’s melodic rock scene.

“Let the Show Begins” opens the album exactly as its title suggests: with arena-sized energy and the spirit of a perfect show opener. The guitar intro immediately establishes the classic hard rock atmosphere, supported by confident rhythmic pacing and an undeniably infectious chorus. Mark Fox delivers a charismatic and effective vocal performance, guiding the melodies naturally, while the guitar solo arrives at precisely the right moment, reinforcing the track’s strong sense of dynamics without excess.

With strong ‘70s influences and an outstanding groove, “Wasteland Warriors” expands the album’s sonic palette. The chorus moves away from the traditional melodic approach in favor of something more direct and aggressive, working perfectly with the song’s almost sleazy swagger. Fox’s vocal performance feels closer to the American school of singers such as Steven Tyler than to European melodic hard rock itself. The rhythm and lead guitars constantly interact, while the bass and drums create a heavy, pulsating foundation. Nearly growling backing vocals add extra personality to a track that brings genuine diversity to the album.

The title track, “Just Live Loud!”, also chosen as the album’s first single, perfectly encapsulates much of the record’s identity. The drums drive the verses with intelligence and precision, setting the stage for a chorus that instantly embeds itself in the listener’s mind. The guitar work deserves special praise: powerful riffs, solid rhythm playing, and a solo that is technical without ever sounding self-indulgent. It’s a powerful, explosive track clearly designed to shine both in the studio and on stage.

“Left Outside Alone” significantly shifts the album’s mood while adding new emotional layers to the material. The appearance of Seraina Telli (Burning Witches, Dead Venus) brings contrast and sophistication to the song. The minimalist introduction, built around guitar, keyboards, and vocals, creates an intimate atmosphere before the arrangement gradually expands. Seraina’s vocals add bluesy and pop-oriented nuances to the composition, while Mark Fox provides a rougher, more emotional counterbalance. The result is one of the album’s most refined and emotionally complex moments.

Following that, “Demon of the Night” dives headfirst into classic hard rock territory. The opening riff, combined with the prominent bass lines, immediately evokes an unmistakable ’80s aesthetic, although the modern production prevents the song from feeling like mere recycling. The chorus works effortlessly thanks to strong backing vocals and accessible melodies. Once again, the instrumental highlight belongs to the guitars, particularly the solo, which reinforces the band’s melodic identity without sacrificing heaviness.

“Legends Never Die” emerges as the album’s definitive power ballad. Its epic introduction quickly gives way to a classic acoustic-driven structure, allowing the electric guitars to take center stage during the choruses. Mark Fox delivers one of his strongest performances on the album, exploring his signature rasp with genuine emotional intensity. The chorus carries the grandiose character typical of the genre’s great ballads, while the solo delivers precisely the dramatic weight the song demands. The closing section, enriched by layered choirs and free vocalizations in the background, further enhances the composition’s cinematic impact.

“Lost Generation” pulls the album back into heavier and more modern territory without abandoning classic references. The Hammond organ textures add an appealing vintage flavor, while the groove occasionally pushes Shakra toward a more American hard rock aesthetic reminiscent of Guns N' Roses. The guitars alternate naturally between solid riffs, melodic licks, and tasteful embellishments, culminating in yet another excellent solo.

“When We Were Young” embraces a more melodic and emotional approach. The traditional hard rock structure is elevated through subtle harmonic and melodic shifts that make the track feel grander than it initially appears. Guitars and keyboards work together seamlessly, while the rhythm section provides the necessary weight without overwhelming the melodies. The result is an exceptionally well-crafted song that grows stronger with each listen.

With clear nods to Judas Priest, “Another Day in the Universe” temporarily steers the album closer to traditional heavy metal. Even during its slower passages, the track favors greater aggression and velocity. The keyboards are used intelligently, while subtle vocal effects introduce a modern touch without compromising the song’s organic feel.

“New Tattoo” brings the album back to straightforward, no-frills hard rock. The influence of AC/DC is evident both in the rhythmic construction and the guitar approach. Still, the band avoids sounding derivative thanks to the sheer energy of the performance and the efficiency of the songwriting. The presence of this track further reinforces the stylistic diversity of the album.

“High Above the Storm” delivers another major ballad, this time even more dramatic in scope. Raspy vocals, acoustic guitars, and an emotionally charged chorus create an almost theatrical atmosphere. As the song evolves, bass and drums enter to expand the arrangement’s weight and guide the track toward an epic climax crowned by yet another highly melodic guitar solo. At its core, it is a classic hard rock ballad, but executed with enough conviction to avoid excessive clichés.

“Screaming Silence”, the album’s final new track, closes the main body of the record with both heaviness and sophistication. The combination of crushing guitars, solid rhythmic foundations, and modern production elements creates a contemporary sound without abandoning the band’s classic identity. The vocal effects are handled far more intelligently here than in much of today’s hard rock, serving the song’s dynamics rather than masking limitations. The melodic shift midway through the track, featuring clean guitars and a more introspective atmosphere, lays the groundwork for a grand and highly effective finale. A powerful closing statement for the album.

The record concludes with the solo version of “Left Outside Alone”, presented here without the participation of Seraina Telli. While it works more as a bonus than as an essential part of the tracklist, the song further highlights the strength of the composition’s melodic core.

Just Live Loud! is an album that fully understands the legacy of hard rock without becoming trapped by it. Shakra avoids both excessive nostalgia and the desperate attempts at artificial modernization that have compromised so many veteran acts within the genre. The result is a solid, diverse, and artistically mature work that reaffirms the band as one of the most consistent names in contemporary European melodic hard rock. More than merely surviving the passage of time, Shakra proves here that it still possesses enough creativity, identity, and energy to remain genuinely relevant in 2026.

Mark Fox


segunda-feira, 30 de março de 2026

Fighter V: Uma Viagem Oitentista Com Identidade Própria (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os suíços do Fighter V dão um passo importante em sua trajetória com Déjà Vu, terceiro álbum de estúdio e estreia pela Frontiers Records. Fortemente ancorado na estética do melodic hard rock e do AOR oitentista, o disco equilibra reverência e identidade própria, apostando em melodias marcantes, arranjos bem construídos e uma produção mais polida.

A abertura com “Raging Heartbeat” já evidencia um dos principais diferenciais da banda: o timbre vocal de Emmo Acar, mais grave e áspero do que o habitual no AOR, conferindo personalidade ao som. Sustentada por camadas de teclados e backing vocals bem trabalhados, a faixa estabelece a base sonora que permeia boa parte do álbum — uma fusão consistente entre AOR e hard rock.

Na sequência, “Victory” surge com força de hino, apoiada em refrão expansivo, coros marcantes e guitarras de timbre refinado. A combinação de elementos clássicos do gênero se mantém em “Made For A Heartache”, que aposta em uma abordagem mais direta e imediata, com destaque para o trabalho de baixo e um refrão de fácil assimilação.

A primeira mudança mais sensível de dinâmica aparece em “Foolish Heart”, balada que mergulha de vez na atmosfera oitentista. A influência de nomes como Whitesnake se faz presente, especialmente nas linhas vocais que remetem ao estilo de David Coverdale. O uso de saxofone ao final acrescenta textura e reforça a proposta nostálgica.

A faixa-título, “Déjà Vu”, traz uma introdução moderna com batida eletrônica, rapidamente incorporada ao DNA clássico do álbum. O diálogo entre guitarra e teclado remete diretamente a referências como Deep Purple e Rainbow, evidenciando o cuidado da banda em equilibrar peso e melodia.

“Stand By Your Side” amplia o leque de influências ao incorporar elementos que evocam Def Leppard, sobretudo nos backing vocals e nas texturas eletrônicas. Essa diversidade sutil também aparece em “All Your Love”, que retorna a uma abordagem mais hard rock, enriquecida por arranjos detalhados, incluindo saxofone e intervenções narrativas que dialogam com a temática da canção.

Em “Hold The Time”, o grupo aposta em uma construção mais tradicional, com introdução marcante e desenvolvimento centrado na interação entre voz, guitarras e teclados. Já “For All This Time” reforça novamente a presença de elementos eletrônicos, criando uma atmosfera que privilegia o groove e destaca o baixo na condução da faixa.

A reta final do álbum é marcada por um aumento de intensidade. “Break Those Limits” acelera o andamento e entrega um dos momentos mais enérgicos do disco, com forte apelo melódico e estrutura pensada para impacto imediato. Por fim, “Victim Of Changes” encerra o trabalho sintetizando suas principais características, transitando entre AOR, hard rock e toques de heavy metal com eficiência.

Déjà Vu é um álbum que aposta na força de suas influências sem soar datado. Ao contrário, demonstra maturidade na forma como revisita o passado, resultando em um trabalho coeso e bem executado. Com isso, o Fighter V se consolida como um nome relevante dentro da nova geração do melodic rock europeu.

***ENGLISH VERSION***

Swiss melodic rockers Fighter V take a significant step forward with Déjà Vu, their third studio album and debut release on Frontiers Records. Deeply rooted in the golden era of ’80s melodic hard rock and AOR, the record strikes a careful balance between nostalgia and identity, delivering soaring melodies, polished production, and a confident sense of direction.

Opening track “Raging Heartbeat” immediately highlights one of the band’s defining traits: Emmo Acar’s distinctive vocal tone. Grittier and more grounded than the typical AOR delivery, his voice injects character into a soundscape built on lush keyboards, layered backing vocals, and melodic guitar work. It’s an effective introduction to the album’s core formula — a seamless blend of AOR sheen and hard rock edge.

“Victory” follows with undeniable anthem potential, driven by its expansive chorus, gang vocals, and finely crafted guitar tones. The same sense of immediacy carries into “Made For A Heartache”, a more direct and punchy track where a strong rhythmic foundation and a memorable hook take center stage.

A shift in dynamics arrives with “Foolish Heart”, a power ballad steeped in ’80s atmosphere. Echoes of Whitesnake are particularly evident, especially in the vocal phrasing reminiscent of David Coverdale. The addition of saxophone in the closing moments adds depth and reinforces the track’s nostalgic appeal.

The title track, “Déjà Vu”, introduces a subtle modern twist with its electronic pulse before settling into the album’s classic framework. The interplay between guitar and keyboards pays clear homage to genre-defining acts such as Deep Purple and Rainbow, showcasing the band’s ability to channel their influences with authenticity.

“Stand By Your Side” broadens the sonic palette by incorporating elements reminiscent of Def Leppard, particularly in its layered backing vocals and textured production. This versatility continues with “All Your Love”, which leans back into hard rock territory while adding narrative touches and instrumental nuances — including saxophone — that enrich the listening experience.

“Hold The Time” embraces a more traditional structure, built around a strong intro and a dynamic interplay between vocals, guitars, and keys. Meanwhile, “For All This Time” revisits electronic textures, placing greater emphasis on groove and bass-driven momentum, while still maintaining the album’s melodic core.

The final stretch raises the intensity. “Break Those Limits” is the album’s most energetic moment — fast-paced, hook-laden, and crafted for instant impact. Closing track “Victim Of Changes” (not a Judas Priest cover) serves as a summary of the album’s strengths, blending AOR, hard rock, and subtle heavy metal influences into a cohesive finale.

Déjà Vu is a record that embraces its influences without sounding derivative. Instead, it reflects a band that understands the essence of the genre while injecting its own personality into the mix. With this release, Fighter V firmly establish themselves as a rising force within the modern melodic rock scene.

Florian Kehbel


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Gotthard: Hard Rock Sem Prazo De Validade

Reign Phoenix Music (Imp.)

Por Anderson Bellini 

Celebrando mais de três décadas de estrada, o Gotthard retorna com More Stereo Crush, um EP de oito faixas que funciona como extensão direta de Stereo Crush, 14º álbum de estúdio lançado em março de 2025. Disponibilizado pela Reigning Phoenix Music, o trabalho reúne músicas oriundas das mesmas sessões de gravação do disco principal, além de versões e colaborações que ampliam o alcance da proposta.

Mais uma vez, a produção ficou nas mãos do guitarrista Leo Leoni ao lado de Charlie Bauerfeind, conhecido por trabalhos com nomes de peso do metal europeu. Frequentemente chamado de “sexto membro não oficial” da banda, Bauerfeind reforça a química já consolidada com o grupo. “Charlie é um viciado em trabalho, assim como nós. Nos conhecemos há tantos anos que nem precisamos conversar sobre muitas coisas. Criativamente, nos entendemos perfeitamente”, afirmou Leoni.

Se Stereo Crush atingiu o topo das paradas suíças misturando hard rock clássico com acabamento moderno, More Stereo Crush surge como um complemento natural — mantendo a energia, reforçando o lado melódico e reafirmando a identidade que sustenta o Gotthard desde os anos 1990.

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Faixa a faixa

Right Now

A abertura mantém a mesma pegada harmônica apresentada em Stereo Crush. Com riff marcante e refrão grudento, a banda aposta em um hard rock direto e cativante, mostrando que ainda domina a fórmula que sempre funcionou tão bem.


Ride The Wave

Um dos destaques do EP, traz riff com sabor setentista e um refrão forte, daqueles feitos para ecoar em arenas. A faixa equilibra peso e leveza, com clima quase “verão rock’n’roll”. O final é apoteótico, evocando duelos de guitarra à la Thin Lizzy entre Leo Leoni e Freddy Scherer.


Liverpool (feat. Marc Storace)

Já presente em Stereo Crush, a música ganha nova vida com a participação de Marc Storace, vocalista do Krokus, que excursionou com o Gotthard recentemente. A combinação entre Nic Maeder e Storace funciona com naturalidade, reforçando o lado mais melódico e acessível da banda. É aquele hard rock moderno com leve toque pop que o grupo sabe executar como poucos.


Smiling In The Pouring Rain

Primeiro single do EP, lançado com videoclipe no início de janeiro, é a balada do pacote — território onde o Gotthard sempre se sentiu confortável. Intimista e emocional, a faixa destaca a interpretação de Nic Maeder e carrega uma mensagem de esperança. Segundo Leo Leoni, a ideia foi transmitir positividade mesmo diante das dificuldades. É fácil imaginar a cena ao vivo: guitarras mais suaves, público cantando em coro e o clima emocional tomando conta do ambiente.


Snafu

Aqui o riff assume clara inspiração no hard rock australiano à la AC/DC, com energia crua e refrão empolgante. Remete à fase mais direta da banda, especialmente ao espírito do álbum Bang! (2014). Tem todos os ingredientes para funcionar muito bem no palco.


Don't Miss The Call

A introdução pode surpreender: por alguns segundos, é impossível não lembrar de Alice Cooper e seu clássico Hey Stoopid. A semelhança inicial logo dá lugar à identidade própria da banda, mas a referência serve como um elogio ao clima hard rock oitentista que permeia a faixa. Os backing vocals são muito bem trabalhados, com harmonias marcantes que reforçam o refrão, enquanto o baixo de Marc Lynn aparece com presença e personalidade, sustentando a base com firmeza. É uma música vibrante, que dialoga com o passado sem soar datada.


Mayday

Com introdução de teclado marcante, a faixa evoca a era do saudoso Steve Lee, remetendo a trabalhos como Lipservice (2005) e  do clássico Domino Effect (2007).

Impossível não se lembrar de “Master of Illusion” e “Top of the World”. 

O solo de teclado acrescenta um diferencial interessante à construção da música. Empolgante, é mais uma que deve crescer bastante nas apresentações ao vivo. Vale lembrar que a faixa já havia sido apresentada anteriormente em formato de videoclipe, em 2023.


Burning Bridges (Radio Edit)

Versão editada para rádios da faixa lançada originalmente em Stereo Crush. Mantém a força do álbum principal, agora em formato mais enxuto.

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More Stereo Crush não é apenas um apêndice de Stereo Crush, mas um reforço consistente do momento atual do Gotthard. O EP equilibra riffs clássicos, melodias acessíveis e produção refinada, reafirmando a longevidade da banda dentro do hard rock europeu.

O grupo entrega exatamente o que seu público espera: energia, refrões fortes e competência técnica. Para os fãs, é mais um capítulo sólido nessa trajetória que já ultrapassa 30 anos.

More Stereo Crush será lançado em 13 de março de 2026, disponível em MCD, mini LP em edição limitada, pacote especial com Stereo Crush e nas plataformas digitais.

Divulgação 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Gloryhammer – 16/11/2025 – Carioca Club/SP

Gloryhammer estreia no Brasil com show no Carioca Club

Na noite de 16 de novembro de 2025, a banda suiça de power metal Gloryhammer fez sua aguardada estreia em solo brasileiro, apresentando-se no Carioca Club, em São Paulo. Liderada pelo carismático vocalista Sozos Michael e pelo tecladista Christopher Bowes(também fundador do Alestorm), a banda combina power metal sinfônico com um universo de fantasia próprio, repleto de reis, batalhas, magia e, claro, martelos sagrados.

Pontualmente às 20h, o grupo subiu ao palco em uma casa com público reduzido, reflexo dos preços um pouco elevados para uma banda ainda pouco conhecida e em ascensão. Mesmo assim, quem esteve presente foi presenteado com uma apresentação cheia de energia e diversão.

A banda iniciou a apresentação com uma dobradinha “The Land of Unicorns” e “He Has Returned”, dando o tom da aventura que viria pela frente. Na sequência, “Fly Away”, embalou o público, que já ao final da apresentação gritava pela música “Hootsforce”, prontamente respondido por Sozos: “Ainda não chegou a hora”.

Mais adiante, quase na metade do show tivemos, “Gloryhammer”, faixa que sintetiza a proposta da banda: batalhas, reinos e magia. O público respondeu à altura, cantando e acompanhando a banda no refrão, “Glory! Hammer!”.

O set seguiu com “Fife Eternal”, música que parecia saída diretamente de um game RPG, o público cantava, pulava, enquanto alguns se divertiam em uma rodinha mosh.

Na reta final, tivemos uma sequência de “Universe on Fire”, “The Unicorn Invasion of Dundee” e, finalmente, a mais aguardada pelo público, “Hootsforce”. Logo nos primeiros acordes, o público começou o coro: “Hoots! Hoots! Hoots!”. A banda em sintonia com o público entrou no clima, o vocalista, empunhando seu “martelo”, se divertia no palco, enquanto cantava, no refrão todos cantavam juntos: “Hootsforce, we are the Hootsforce!”. Esse momento foi sem dúvidas o ápice da noite.

O show foi encerrado às 21h25, após pouco mais de 1h20 de apresentação e 15 músicas no setlist. Embora a casa não estivesse lotada, a energia do público e o carisma da banda garantiram uma noite mágica, assim como as músicas que tocaram. Para uma primeira passagem pelo Brasil, o saldo foi extremamente positivo. Com maior divulgação, o Gloryhammer tem grande potencial para figurar em festivais brasileiros nos próximos anos e conquistar ainda mais fãs com seu universo épico e sonoridade divertida.


Texto: Guilherme Soares 

Fotos: Pri Secco

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Overload Brasil 

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Gloryhammer – setlist:

The Land of Unicorns

He Has Returned

Fly Away

Angus McFife

Questlords of Inverness, Ride to the Galactic Fortress!

Wasteland Warrior Hoots Patrol

Gloryhammer

Fife Eternal

Masters of the Galaxy

On a Quest for Aberdeen

The Siege of Dunkeld (In Hoots We Trust)

Keeper of the Celestial Flame of Abernethy

Universe on Fire

Hootsforce

The Unicorn Invasion of Dundee

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Burning Witches: Revivendo a Santa Inquisição nos Dias Modernos


2025 é o ano que marca a primeira década de existência do poderio de nacionalidades multifacetária das BURNING WITCHES. Multifaces por terem integrantes da Europa e da América, solidificando o fato de que a língua não só do Metal, mas da música é universal. Com apenas dois anos após o último lançamento (THE DARK TOWER), outra característica traga por elas é que além de resgatarem o som old-school prevalente da música pesada dos anos 80 com bandas como DIO, ACCEPT, WARLOCK e até mesmo uma roupagem moderna do AOR (Album-oriented Rock), uma espécie de acordo coletivo é o fato da inexistência de um período longo entre um trabalho e o outro.

Como muitas coisas na vida, "panela velha é que faz comida boa”, por assim dizer. Esses “truques velhos” muitas das vezes provam ser os mais eficientes, por isso do renascimento atual com os sons do período supracitado. Com várias bandas surgindo ao redor do globo após um período de recessão metálica, as BURNING WITCHES colocaram algo da mesa que, em larga parte, possui uma liderança com a potência brasileira NERVOSA: uma participação crescente da posição feminina no Metal.

Um ocorrido impressionante é que enquanto a maioria das bandas solta o ápice das suas carreiras já no primeiro álbum, as Bruxas quebram este padrão e, com o passar da década, demonstram uma maturidade gradual no que tange os arranjos das suas composições, ou, no mínimo, mantêm a régua num patamar saudável, sem deixar a peteca cair. Voltando ao tempo após esta viagem num passado próximo, temos o sexto lançamento, batizado de “INQUISITION”.

Sem mais delongas, iniciemos a observação.


O CONVENTO É LIVRE PARA TODOS PARTICIPAREM: O PREÇO É A SUA ALMA

A abertura instrumental SANGUINI HOMINUM inicia na forma de um cântico, e como o título sugere, ele é totalmente proferido em latim. Assim que a bateria entra com a deselegância de Lala Frischknecht marretando impiedosamente o tambor como se ele estivesse devendo dinheiro a ela, o propósito central do início do álbum é construir hype e criar a impressão de que estamos numa igreja: porém, logo somos induzidos a crer que não se trata de uma igreja comum, já que a fantástica Laura Guldemond perfura seus ouvidos com um grito de agonia que domina os seus dois ouvidos, trazendo-a ao final.

 
Ok, antes de darmos continuidade, um esclarecimento precisa ser feito: sou completamente contra a fulanização de integrantes. A banda deve ser tratada como um todo, e elogios individuais têm o seu devido local em partes pontuais. No entanto, uma exceção precisa ser feita aqui, porque LAURA GULDEMOND É UM FENÔMENO. PONTO FINAL. Ao iniciar na BURNING WITCHES, sua entrada estava envolta de dúvidas, confusões e incertezas, já que substituir Seraina é tarefa para poucas. Os ventos do destino sopraram ao seu favor, já que Laura provou ser justamente uma dessas poucas.

Começando sem ser uma referência no gênero, os anos foram favoráveis a ela, pois a própria desenvolveu um grau de profissionalismo que beira o inumano. Como a personificação da versão feminina de Goku (da franquia de animes DRAGON BALL), Laura foi superando seus próprios limites com a passagem do tempo.

Pelo que me importo, os meus olhos e ouvidos são os melhores juízes existentes, e eles me informaram que A HOLANDESA É A MELHOR FRONTWOMAN DO METAL NA ATUALIDADE, pois quando eu faço um Ctrl+F para procurar outra que consegue rivalizá-la nos pilares técnica, carisma e performance (talvez beleza seja apropriado, para completar de vez o combo), meus resultados encontram apenas o seu nome.



Certo, com esse "fanboyismo" fora do caminho... o início é dado de vez com SOUL EATER, com uma crescendo que não ficaria fora de lugar como um alerta da chegada de uma ambulância, porque o peso sonoro presente é sim cenário de emergência: de ver se o seu corpo aguenta a pressão do quinteto. SOUL EATER apresenta similaridades com UNLEASH THE BEAST do álbum anterior na sua apresentação, seja por agressão, batida e velocidade. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo, porém com uma produção impressionantemente limpa.

DEFENSORES DA FÉ? OU DEFENSORES DE UM PODER IMPERIAL?

Após uma abertura muito direta e "na sua cara", a próxima é SHAME, e é aqui que paramos para perceber a influência de Courtney Cox como nova integrante permanente. A estadunidense entrou após o lançamento de THE DARK TOWER, e no lançamento atual é que a sua forma de compor entra em campo. Primariamente focada em shred, e apesar da faixa atual ser um pouco mais lenta, SHAME tem uma boa porção de palhetadas rápidas (em especial no seu refrão), além de uma generosa contribuição de wah-wahs em seu solo e no seu interlúdio.

THE SPELL OF THE SKULL não é tão nova assim, e já fora tocada meses antes de INQUISITION surgir ao mundo. Lançada no ano passado (com direito a videoclipe!), a vibe oitentista vem ao seu esplendor aqui, ao ponto desta ser uma mistura com Hard Rock não tão diferente do que visto em WASP ao redor da sua composição.

A faixa mais longa do álbum, primeiro single e a que dá o nome ao próprio: chegamos em INQUISITION, mergulhando mais profundamente no Heavy Metal tradicional e recheada com variações de tempo. A "comissão de frente" dos instrumentos costuma ser mais prestada atenção em uma análise sonora, com a bateria sendo erroneamente vista por cima, só que é aqui que Lala é dona de um poder a ser reconhecido. Como uma técnica de futebol que comanda o seu time pelos bastidores, a suíça assume a função ao manusear o seu kit no que eu chamo de "brutalidade com finesse" através de um passeio em diferentes estilos dentro do universo do Metal: se canção demanda que o ritmo vá a uma posição mais rápida, tudo bem. Uma abordagem mais lenta? Sem problemas. Não é à toa que essa variedade a põe num patamar de competência reservado para poucas seletas.
 
Na metade do álbum, HIGH PRIESTESS OF THE NIGHT é o segundo single de INQUISITION e com uma pegada bastante groove e a mais "fora de lugar do álbum". Talvez por ter uma estrutura bem "básica" na sua composição, mas para quem quer apenas bangear sem se preocupar com a hora do Brasil, ela preenche esse propósito: com a agravante do solo virtuoso de Courtney para colocar um sorriso descontrolado no seu rosto, enquanto a sua cabeça funciona como um tipo de ventilador humano.


NÃO HÁ SALVAÇÃO A SER ENCONTRADA AQUI: TUDO O QUE RESTA É A DANAÇÃO

Mesmo voltada para um lado mais Thrash, BURN IN HELL me fez ter a seguinte certeza: a temática e a estética estavam me fazendo lembrar a cada minuto de THE EYE, do lendário KING DIAMOND enquanto eu ouvia o álbum. O conteúdo lírico ficou pesadamente voltado para o nome da banda em sua literalidade: "Bruxas Queimadas", o que finalmente ocorreu em seu sexto lançamento, encontrando um paralelo com o álbum de 1990 do dinamarquês.
 
A guitarra semi-acústica ao iniciar RELEASE ME estabelece uma mudança de ritmo, e a "riffagem" mais lenta que a acompanha revelam que é uma canção mais sentimental. A balada melódica se coloca como a tranquilidade que antecede a tormenta, e no segmento 3:34 é lançado o solo mais bonito ouvido até agora na opinião do redator: é como se os gritos de sofrimento da Bruxa que clama voltar à liberdade se manifestassem com a abertura de um portal que conecta a dimensão dos homens com um outro plano existencial.
Em uma alternância que parecia ser natural, IN FOR THE KILL possui uma investida mais agressiva na batida e na palhetagem, sem se importar se o ouvinte irá aguentar o massacre sônico que infesta seus canais auditivos, junto com uma sincronia entre todas as musicistas, funcionando de forma uníssona enquanto o "couro come". Esta é forte candidata em ser tocada nos próximos shows que virão para a formação de moshpits violentos, cuja imagem mais apropriada é a de um liquidificador girando de maneira desordenada, produzindo mais watts do que um grupo de hamsters jamais poderia alcançar nos seus sonhos mais selvagens. E claro, sem faltar a energia contagiosa que as Bruxas Queimadas exalam quando estão dominando o palco.
 
IN THE EYE OF THE STORM nos leva na parte final deste trabalho, mantendo a propensão de massacre audível que o ouvinte recebeu em seus ouvidos até agora, e seguindo também a linha mais "na sua cara" que a sua antecessora. O encerramento informal, MIRROR, MIRROR também já deu as caras antes, junto com THE SPELL OF THE SKULL. Ainda que em uma escutada imatura, observa-se que o encantamento das bruxas mergulha mais profundamente numa ambientação sonora dos anos 80, trazendo um ar de CHASTAIN durante a sua execução (porém com um nível de produção mais moderno, o que é algo que vem com o território em pleno 2025). O trabalho das guitarras gêmeas aqui está a pleno vapor: quando a sua alimentação precisa ser regrada com uma diversidade de nutrientes para o seu corpo funcionar de acordo, cada ingrediente funciona para um propósito específico, refletindo a sincronia entre Romana e Courtney.



"...E ASSIM SERÁ FEITO. AMÉM!"

MALUS MAGA fecha as cortinas como o encerramento, servindo como uma instrumental atmosférica, envolvida com sons vocais parecidos com a realização de uma magia sendo lida em um livro arcano, em oposição à abertura, SANGUINI HOMINUM. A conjuração de um feitiço com o propósito de finalizar uma espécie de ritual é um processo mundialmente conhecido como "Finite Incantatem" (Encantamento Finalizado, numa tradução livre do latim), servindo como um final em ordens teórica e filosófica com o tema abordado.

Em dez anos de existência, este já é o sexto álbum das Bruxas, tornando-as uma das musicistas bastante prolíficas da atualidade. Para além disso, o álbum foi composto durante períodos de turnês extensas, com pouco tempo para respirar o ar do abrigo. O fato de termos INQUISITION ser lançado envolvido com tantos compromissos é um testamento da qualidade bruta das musicistas internacionais.

Não nos enganemos: há sim momentos de repetição (o que não é tão incomum, num panorama geral), só que isso não afeta o produto geral.

INQUISITION certamente irá satisfazer o público existente das BURNING WITCHES assim como tem atração de sobra para os novatos da multidão. O tempo dirá se o mesmo é digno de entrar na categoria de "clássico". Mas até isso acontecer, estaremos ocupados demais nos imaginando inseridos na época da Santa Inquisição enquanto chutamos e socamos a oposição existente deste período histórico, com a feitiçaria das Bruxas Queimadas iluminando os nossos caminhos.

Texto: Bruno França
Selo: Napalm Records 

Faixas:
1) Sanguini Hominum
2) Soul Eater
3) Shame
4) The Spell of the Skull
5) Inquisition
6) High Priestess of the Night
7) Burn In Hell
8) Release Me
9) In For The Kill
10) In The Eye of the Storm
11) Mirror, Mirror
12) Malus Maga



domingo, 26 de setembro de 2021

Burning Witches: O Círculo Trabalhou Bem na Pandemia

 


A banda suíça Burning Witches,  não muito tempo depois desde o lançamento de “Dance with the Devil”, lançado em março de 2020, já apresenta seu novo álbum, “The Witch of the North”, somando quatro álbum no período de 5 anos. 

“Winter’s Wrath” é uma curta introdução com violão enquanto um coral canta, mas não se apegue à atmosfera tranquila, pois rapidamente você será martelado com a faixa título “The Witch of the North”. Os riffs das guitarras de Romana Kalkuhl e Larissa Ernst (que entrou na vaga  de Sonia Anubis) são como uma celebração aos heróis do heavy metal dos anos 80. 

Aumentando o ritmo e a fúria dos instrumentais seguimos com “Tainted Ritual”. “We Stand as One”, é um verdadeiro hino, pesado, animado e com Laura Guldemond mostrando todo seu poder vocal. 

A faixa seguinte, “Fight of the Walkyries”, tem um início mais tranquilo, mas mais uma vez não se iluda, você logo será contagiado pela fúria nos rosnados de Laura. 

A absurda “The Circle of the Five”, é uma das melhoras faixas do álbum. A balada “Lady of the Woods” irá te tirar do transe da música anterior. E em seguida prepara-se para a veloz e cativante “Thrall”, que claramente tem todos os elementos de metal clássico e combinados com mais vocais viscerais de Laura que roubam a cena nessa música.

“Omen” é um rápido intervalo, mas acho que não dá tempo nem do pescoço descansar, porque em seguida a poderosa “Nine Worlds” e seus riffs habilidosos e um refrão cativante farão você colocar o som no último volume. 

Em seguida, temos a impactante “For Eternity” que passa muito longe da monotonia. Faltando pouco para o álbum acabar, ainda dá tempo de se surpreender com o desempenho da banda em “Dragon’s Dream” e seu refrão divertido. Essa é uma das faixas que eu faixas que eu facilmente ouviria repetidas vezes. 

“Eternal Frost” é um breve intervalo instrumental que nos prepara para a já tradicional versão, desta vez a escolhida foi “Hall of the Mountain King”, do Savatage, que encerra o disco com chave de ouro.

Sinceramente eu não esperava que fosse gostar tanto desse álbum, mas foi difícil não me sentir contagiada com a energia da banda. Considerando que já estamos no meio do ano, me arrisco dizer que “The Witch of the North” estará no meu top 10 álbuns de 2021.

Texto: Raquel de Avelar 
Edição: Carlos Garcia
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o Álbum na Shinigami

Tracklist:
1.Winter s Wrath
2. The Witch Of the North
3. Tainted Ritual
4. We Stand As One
5. Flight Of The Valkyries
6. The Circle Of Five
7. Lady Of The Woods
8. Thrall
9. Omen
10. Nine Worlds
11. For Eternity
12. Dragon s Dream
13. Eternal Frost
14. Hall Of The Mountain King




 
 

quinta-feira, 5 de março de 2020

Burning Witches: O Heavy Metal Clássico se Renova!


O quinteto feminino Burning Witches foi formado na Suíça em 2015, nascido da intenção da guitarrista Romana Kalkuhl, que queria, antes de tudo, montar uma banda marcada pela cumplicidade, companheirismo, e claro, amor ao Heavy Metal. Completaram a formação inicial Lala (bateria), Alea (guitarras), Seraina (Vocais) e Jeanine (baixo).   (English Version)

As inspirações e  influências, claro, principalmente do Heavy Metal clássico, de grandes nomes, alguns surgidos já nos anos 70, e a sonoridade e visual 80's, e podemos citar bandas como Judas Priest, Dio, Manowar e King Diamond.

Em 2016 lançam o primeiro trabalho, simplesmente denominado “Burning Witches”, de forma independente, o qual recebe muitas críticas positivas em sites e revistas de renome na Europa. Essas ótimas reações chamaram a atenção da maior gravadora de Heavy Metal, a alemã Nuclear Blast, que ofereceu um contrato.


Final de 2017 a guitarrista Alea Wyss deixa a banda, e é recrutada uma carismática e técnica nova dona das seis cordas, a holandesa Sonia “Anubis” Nusselder. Lançaram em 2018 o segundo trabalho, “Hexenhammer”, e partem para uma turnê passando por diversos países, tocando inclusive em muitos festivais europeus importantes, como Bang Your Head e Wacken.

Em 2019 a vocalista Seraina Telli também deixa a banda para dedicar-se a outros projetos, e a banda recruta mais uma holandesa, Laura Guldemond, vocalista com muita personalidade, que além da beleza e uma presença de palco marcante, trouxe mais possibilidades ao som das bruxas.


2019 foi um ano agitado, prosseguindo com muitos shows e a banda ganhando ainda mais adeptos. Um single e um EP também foram lançados, “Wings of Steel”, as primeiras gravações oficiais com a nova vocalista. 

E agora em 2020, mais precisamente em 06 de março, a Burning Witches lança seu terceiro trabalho, “Dance With the Devil”, que promete levar o quinteto a outro patamar, com uma popularidade cada vez maior no cenário Metal.

Produzido por V.O. Pulver (The German Panzer, produtor de álbuns do Rage, Pro-Pain, Destruction e outros) e Schmier (Destruction), a banda manteve sua sonoridade, transpirando o Heavy Metal clássico com pitadas de Power Metal, porém adicionando um pouco mais de variedade e melodia.


Nos álbuns anteriores eu diria que elas puxavam mais para uma linha Judas Priest, e agora há uma variedade maior, tanto pela evolução de toda a banda, como também pela contribuição de Laura, que, além de criar linhas vocais variadas - chegando até a alguns trechos com guturais - coloca muita energia nas interpretações.

Essa maior variedade não trouxe somente mais melodia, pois há também faixas em que temos algumas passagens, riffs e vocais que possuem um pé no Thrash Metal tradicional, aquele recheado de riffs em cima de riffs, naquela linha Slayer do "Show no Mercy", por exemplo.

Inovação? Não é preciso inventar nada novo se você produz boas e sinceras músicas dentro do estilo que se propôs, e a Burning Witches dá um show neste quesito, trazendo riffs bem tradicionais e marcantes, refrãos fortes e muita energia.

Então em um belo álbum de Heavy Metal, temos 12 faixas (contando a intro) bem lineares em qualidade, mas com algumas que se destacam, como a abertura frenética com "Lucid Dream", uma locomotiva, com muita agressividade nos vocais e riffs beirando o Thrash; a já conhecida faixa título "Dance With the Devil", que traz mais melodia, licks e riffs marcantes e um refrão pegajoso. Anos 80 total!


Aquela balada Metal poderosa não poderia faltar, e "Black Magic" cumpre seu papel com louvor, naquela linha tradicional, melodiosa e com trechos acústicos e crescendo no refrão; "Sea of Lies" traz variações alternando trechos mais cadenciados e velozes. Laura alterna vocais mais melódicos com alguns guturais, e as guitarras brilham ora sozinhas, ora em uníssono, com melodia e agressividade.

"Necronomicon" tem um andamento mais arrastado e pesado, trazendo riffs cavalgados e vocais furiosos! "The Final Fight" é bem melodiosa, trazendo guitarras dobradas, segue uma linha que lembra bastante o Maiden em seu andamento. O refrão também é bem pegajoso e marcante.

Vale destacar também o já tradicional cover/versão, nos anteriores elas homenagearam Judas e Dio, desta vez é Manowar (em algumas edições especiais também há uma cover de King Diamond), e elas apresentam uma bela versão revisitada de "Battle Hymn", que contou com Ross "The Boss" e Mike Lepond (Symphony X) como convidados.


Em resumo, um belo e empolgante álbum de Heavy Metal, com muitas das nuances e até "clichês" tradicionais do estilo, mas feitos de forma muito honesta e competente. É diversão garantida!O certo é que não dá para duvidar da força deste quinteto, e de que 2020 poderá ser o ano das bruxas!

Texto: Carlos Garcia

Banda: Burning Witches
Álbum: "Dance With the Devil" 2020
Estilo: Heavy Metal, Power Metal
País: Suíça
Selo: Nuclear Blast (no Brasil, sairá via parceria NB e  Shinigami Records)

Facebook Burning Witches

Line-Up
Laura Guldemond: Vocais
Romana Kalkuhl: Guitarras
Sonia Anubis: Guitarras
Jay Grob: Baixo
Lala: Bateria

Tracklist:
1. The Incantation
2. Lucid Nightmare
3. Dance With The Devil
4. Wings Of Steel
5. Six Feet Underground
6. Black Magic
7. Sea Of Lies
8. The Sisters Of Fate
9. Necronomicon
10. The Final Fight
11. Threefold Return
12. Battle Hymn



       

       

domingo, 19 de abril de 2015

Cobertura de Show - Eluveitie: Encantando Porto Alegre/RS Pela Segunda Vez (13/04/15 - Teatro do CIEE, POA/RS)


Exatamente dois anos se passaram desde a primeira vinda dos suíços do Eluveitie a Porto Alegre/RS. E agora retornando com sua nova turnê do disco “Origins” (2014).

Se na primeira passagem pela capital gaúcha não tivemos a presença de Anna Murphy, nesta nova vinda não teríamos presentes a violinista Nicole Ansperger e o baixista Kay Brem, que ficaram em seus países devido a problemas de ordem pessoal.

O local escolhido para essa nova apresentação foi o aconchegante Teatro do CIEE, que infelizmente recebeu um público pequeno na noite do dia 13/04 (segunda-feira).

Então era hora dos mestres do Folk Metal entrarem em cena e pontualmente às 21h pouco a pouco cada integrante foi tomando seu posto enquanto a intro “Origins” era tocada. E sem muito tempo para respirar a monstruosa “King” entra em cena e faz o Teatro estremecer.


Mantendo o alto nível “Nil” (do disco “Everything Remains (As It Never Was)”de 2010) e “King” (do álbum mais recente) tomam forma e encantam os presentes, e de fato mostra como Anna faz falta ao grupo ao vivo, além de ter uma bela presença de palco suas partes vocais são insubstituíveis, assim como o som único de sua Viola de Corda.

Falando em instrumentos vale sempre ressaltar a diversidade que se encontra num show do Eluveitie, onde abrem mão dos samplers e mostram toda sua destreza com flautas, bandolim, percussão, Gaita de fole (que tinha um som belíssimo) e etc.

Seguindo a festa Folk certamente um dos momentos mais aguardados, quando o carismático vocalista Chrigel Glanzmann anunciava uma música que não tocavam a bastante tempo, e era de seu Debut “Spirit”, então os berros de “Uis Elveti” começam a surgir da plateia para banda iniciar essa obra do Folk Metal.


O contraste vocal de Anna e Chrigel nesta faixa é fantástico, pena que só mais uma música desse disco figuraria nesta noite.

“Primordial Breath” do “Slania” também teve uma ótima recepção, mas um dos momentos mais especiais da noite se daria pela bela Anna Murphy, que assumiu os vocais largando sua Viola de Corda para execução da épica “The Call of the Mountains” ou “De Ruef vo de Bärge” (em alemão), pois antes de sua execução Anna perguntou aos presentes qual versão gostariam de ouvir, se em inglês ou alemão.

Então a belíssima canção acabou sendo dividida tendo uma parte cantada em alemão e outra em inglês, além da simpatia da musa do Folk Metal da atualidade, ganhando os presentes com seu jeito doce e enigmático.


Após a instigante “Inception” onde Chrigel disse que ali era um show de Heavy Metal e gostaria de ver alguns moshs e rodas, era hora do set acústico comandado pelo disco “Evocation I - The Arcane Dominion”, onde Anna comandou em mais um show particular, mas com os demais dando uma aula nos instrumentos diferenciados, não há como não mencionar o novo membro da banda Matteo Sisti, e sua destreza com as flautas, dando um toque ainda mais refinado ao som do Eluveitie, além de fazer as partes do violino na flauta doce.

O set acústico nos brindou com a instrumental “Memento” e as belas “Brictom” e “A Rose for Epona” (cantada em uníssono pelos fãs).

A poderosa “The Nameless” volta a agitar os presentes com os guitarristas Ivo e Rafael se destacando. E falando em destaque, o baterista Merlin Sutter é de fato um monstro, com sua bateria com seus mais de 12 pedestais, senta o braço literalmente, além de ser provido de uma técnica acima da média.

Após o final fake que precedeu músicas dos discos mais atuais (e com parte da banda retornando ao palco vestindo camisetas do Brasil), tivemos “Inis Mona” para alegria geral dos presentes, e a intensa e já carimbada “Tegernakô” (do disco “Spirit”) , que fechou o show do mesmo modo que começou, em alto nível.


Parabéns a Dark Dimensions por trazer de volta essa grande banda ao nosso estado, além de levar a apresentação para um dos melhores teatros do RS, o que engrandeceu em muito a apresentação.

Fica aqui a ressalva pelo pouco público que prestigiou, pois quem não foi perdeu uma apresentação emblemática, fazendo de fato a alegria dos reais fãs.


Fica a dica, não adianta reclamar que as bandas não voltam ao estado ou que não tem show de fulano ou beltrano se o público não colabora. Os shows dependem de nós fãs, sem público não se há evento.


Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Felipe Pacheco