terça-feira, 31 de março de 2026

Exodus: morno e esquecível

Por: Renato Sanson 

O retorno de Rob Dukes ao Exodus carregava um peso simbólico enorme, não apenas pela nostalgia, mas pela energia brutal que marcou sua primeira passagem pela banda. E é justamente aí que mora a grande frustração de "Goliath": um álbum que tinha tudo para ser um renascimento agressivo, mas acaba soando apático, previsível e, em muitos momentos, surpreendentemente sem identidade.

Desde o anúncio, impulsionado pelas declarações de Gary Holt de que este seria “um disco feito para nós, não para os fãs”, já existia um certo receio. O problema é que, ao ouvir o resultado final, essa frase deixa de soar como uma provocação artística e passa a parecer um aviso ignorado. Falta justamente aquilo que sempre definiu o Exodus: urgência, riffs memoráveis e aquela sensação constante de perigo iminente.

Rob Dukes, que em álbuns como "The Atrocity Exhibition... Exhibit A" e "Exhibit B: The Human Condition" havia se consolidado como um sucessor à altura ou até mesmo o verdadeiro herdeiro do espírito de Paul Baloff, aqui parece subaproveitado. Sua performance continua potente, carregada de agressividade, mas engessada por composições que não acompanham sua intensidade. É quase como ver um motor de alta performance preso a uma carroceria que não responde.

A comparação com "Force of Habit" (92), infelizmente, não é exagero. Assim como naquele controverso lançamento dos anos 90, Goliath flerta com uma abordagem diferente, menos inspirada, menos visceral e paga o preço por isso. A tentativa de explorar novas nuances acaba resultando em faixas arrastadas e pouco memoráveis, que dificilmente sobreviverão ao teste do tempo dentro de um catálogo tão respeitado.

Se Steve Souza havia recolocado a banda nos trilhos com dois discos sólidos, reacendendo a chama do Thrash clássico, o retorno de Dukes, que deveria elevar ainda mais o nível acaba soando como um passo em falso. A expectativa era de algo avassalador, mas o que se entrega é um trabalho morno, que raramente empolga.

Nem mesmo o aspecto visual ajuda: a capa, pouco inspirada, parece refletir exatamente o conteúdo do álbum. Genérico, sem impacto e distante da força estética que o Exodus já apresentou em outros momentos da carreira.

No fim, Goliath não é um desastre completo, mas talvez seja ainda mais frustrante por isso: é um disco que tinha potencial para ser gigante como o nome sugere e termina apenas esquecível.

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