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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Serenity: Da Vinci, Conspirações, Ciência, Arte e Symphonic Metal Monumental


Em seu quinto álbum de estúdio os austríacos do Serenity, encabeçado pelo seu "mastermind" Georg Neuhauser (que tem um timbre vocal que sempre me lembra Tony Kakko, do Sonata Arctica), leva o ouvinte a uma jornada interessante, regada a Symphonic Metal, uma verdadeira trilha sonora, que atingirá em cheio os fãs desse estilo, bastante, digamos, "melódico e pomposo", e além dos elementos que são imprescindíveis ao Symphonic, como arranjos orquestrais bem feitos e melodias e refrãos competentes, e o único porém é que pude notar que foi dada muita ênfase nos arranjos "cinematográficos" e introduções dos teclados, do que ao peso das guitarras e bateria, etando esses em evidência em apenas algumas faixas.

Certamente esse clima mais cinematográfico, com mais ênfase nos arranjos orquestrais se deva a buscar em "Codex Atlanticus" uma relação próxima com a parte lírica, onde o grupo aborda temas instigantes, tendo como centro Leonardo da Vinci, mas também abordando temas como teorias da conspiração, illuminati e afins.



Conforme falei acima, predomina a melodia e os arranjos de orquestra e piano, mas o peso se faz presente, com as guitarras bem evidentes em "Sprouts of Terror", apresentando também andamentos mais velozes e com Greg também com mais agressividade nos vocais, assim como em "Fate of Light" temos esses momentos mais heavy (detalhe para um trechinho da ópera "Phantom of the Opera" em meio a música), "Reason" segue o caminho melodioso, intro com orquestrações bombásticas, seguindo após com um andamento mais moderado e agradável, além do marcante refrão.

Mais um destaque para quem curte a música produzida pela banda, com toda a sua "pompa", está em "Perfect Woman", com uma incrível e épica abertura, grandes arranjos e teclados, espécie de Power Ballad sinfônica liderada pelo piano, trazendo um ar de trilha sonora mesmo; "The Oder" fecha o álbum também nessa linha, ênfase nas orquestrações, seguindo esse clima cinematográfico/Brodway do álbum.


Um álbum que agradará fãs deste estilo, apesar de alguns seguidores da banda talvez venham a sentir falta de mais punch, além de composições menos calcadas nos arranjos orquestrais, naquele estilo mais dark dos primeiros trabalhos, mas "Codex Atlanticus" é muito bem produzido, possui momentos bons, e, embora tenham, talvez, "suavizado" demais a sonoridade, depende do que você curte ouvir dentro dessa área do Symphonic Metal. Vale conferir.

Rate 8/10
Resenha por: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Serenity
Álbum: Codex Atlanticus (2016)
País: Austria
Estilo: Symphonic Power Metal
Selo: Napalm Records


Assista AQUI vídeo oficial para a faixa "Follow Me"






Line Up:
Georg Neuhauser – Vocals
Cris Hermsdörfer – Guitars, Backing Vocals
Fabio D’Amore – Bass, Backing Vocals
Andreas Schipflinger – Drums, Backing Vocals

Tracklist:
1. Codex Atlanticus
2. Follow Me
3. Sprouts of Terror
4. Iniquity
5. Reason
6. My Final Chapter
7. Caught in a Myth
8. Fate of Light
9. The Perfect Woman
10. Spirit in the Flesh
11. The Order





sexta-feira, 13 de março de 2015

Moonspell: Qualidade e Identidade



A maior banda de Portugal traz em Extinct um álbum com uma produção primorosa. Quer dizer, não se tem reparos a fazer neste quesito. Tá ok, tu pode achar a coisa limpa demais, mas esta é a proposta da banda: um som nítido, cristalino, sem qualquer traço da sujeira de outrora. Mas nem por isso, trata-se de um disco ‘leve’. Pelo contrário, ele tem um punch. A banda enveredou de vez pela mistura de dark metal, algo do gótico dos anos 90 e pouco se tem das partes mais extremas e vocais urrados.

O disco abre com a "Breathe (Until We Are No More)" com bastante pompa e bastante uso de teclados e sintetizadores; segue com a faixa-título, com algo lembrando o projeto antigo de Fernando Ribeiro, o DAEMONARCH, mais pelos vocais cavernosos e umas levadas de guitarra. É um som pesado, mas que tem passagens limpas; “Medusalem” mantém o pique com umas levadas que lembram OLD MAN’S CHILD (instrumental). É um som com uma ambiência legal; “Domina” traz em sua introdução um trabalho de flauta e vocais limpos com maior cadência; já “The Last Of Us” traz uma levada mais pop e anos 90 com riffs palhetados e certamente cairá no gosto dos fãs e do público em geral por estes motivos. Eu curti. 

Na sequência, “Malignia” começa com vocais sussurrados e sintetizadores, para depois alternar vocais limpos com urrados e uma cozinha pesada; com “Funeral Bloom” se mantém a linha que se inicia lenta e vai aumentando o andamento. Aqui a veia gótica dos anos 80 salta aos ouvidos, com destaque ao refrão.


“A Dying Breed” tem uma intro pomposa com teclados clássicos para depois enveredar numa passagem mais pesada e vocais que lembram o Irreligious; “The Future Is Dark” segue a receita do álbum com andamento cadenciado e vocais densamente encaixados; por fim, “La Baphomette” funciona como uma espécie de trilha sonora para um filme dramático, com um tocamento arrastado, teclados e sintetizadores dando um clima funéreo e caótico, encerrando o álbum de forma majestosa. É fato que o MOONSPELL dificilmente errará a mão em algum álbum. 



Tu só não podes esperar algo pretensamente pesado, não se trata disto. Aqui o lance é mais sinfônico, denso, teatral, mas com resquícios do que foram no passado. Talvez se investissem em partes mais furiosas e vocais mais cavernosos o resultado seria muito mais positivo. Mas esta é a opinião do redator. Cada um deve formar a sua depois de ouví-lo. Enfim, um bom disco que certamente tu vai querer escutar do início ao fim, e terá bons momentos de boa música.

Texto: Marcello Camargo
Edição: Carlos Garcia


Moonspell official facebook
Lançamento: NAPALM RECORDS


Line Up
Fernando Ribeiro - vocals
Ricardo Amorim - guitars
Pedro Paixão - keyboards, guitars
Aires Pereira - bass

Miguel Gaspar - drums

Track-List
"Breathe (Until We Are No More)" 
 "Extinct"         
 "Medusalem"  
 "Domina"        
 "The Last of Us"        
 "Malignia"        
 "Funeral Bloom"     
 "A Dying Breed"      
 "The Future Is Dark" 
 "La Baphomette"      








quinta-feira, 20 de março de 2014

Grave Digger: Capa de Novo Álbum Mantém Histórico de Grandes Artes

Clássica banda alemã divulga capa e nome de novo álbum
 
Se já fazem alguns álbuns que a clássica banda alemã Grave Digger não acerta de vez a mão, com lançamentos medianos (só fãs fanáticos não percebem o declínio dos últimos discos), uma coisa é a mais pura verdade: sabem caprichar nas capas.






E é na divulgação de hoje (20/03) no Facebook oficial do grupo liderado pelo vocalista Chris Boltendhal e que conta com seus fiéis integrantes Axel Ritt (guitarra), H.P. Katzenburg (teclados), Stefan Arnold (bateria) e Jens Becker (baixo),  que conhecemos a arte da capa do vindouro álbum chamado “The Return of the Reaper”, que sairá pela Napalm Records no dia 11 de julho. Aliás, a banda está fazendo um concurso que escolherá 10 sortudos que ouvirão o álbum no estúdio antes do lançamento (saiba mais no site oficial).

Novo álbum deve sair em 11 de julho e é bastante aguardado (ainda mais depois desta capa!)

A exemplo da maioria das capas da banda evidencia-se o esmero e qualidade nessa nova arte, feita pelo artista Gyula, trazendo o eterno mascote da banda e o logotipo da banda com algumas modificações para remeter ao personagem “O Ceifador”. 

Tendo como base as gravações de estúdio disponibilizadas pela banda para cada instrumento (confira clicando aqui), quem sabe tenhamos aí um retorno ao épico triunfal da banda dos anos 90? Afinal, “The Reaper” (1993) é um dos grandes clássicos da banda, numa pegada mais seca e crua, que contrasta com a sonoridade cheia de sinfonias e mais pomposa atual. Agora é aguardar para que, em breve, seja divulgada alguma faixa do álbum para termos certeza se “The Return of the Reaper” marcará um retorno às origens ou se sua capa vai se destacar mais que a proposta sonora. 

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Gravadora: Napalm Records

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Legion of the Damned: O Apocalipse em Forma de Música Extrema


Grupo holandês segue em constante ascensão 

Aqui cabe perfeitamente o ditado “Em time que está ganhando não de mexe!”. A fórmula feita pelo Legion Of The Damned, muitas vezes apenas LOTD, é certeira, e em “Ravenous Plague” (2014) não é diferente. Sempre com o propósito de fazer o mesmo som de suas origens, ainda dos tempos em que a banda se chamava Occult, formada em 1992 que gravou vários discos, que por problemas por muitos desconhecidos alteraram o nome, o que se presencia nos discos do LOTD é um Thrash Metal moderno, criativo e carregadíssimo de riffs que não lhe deixarão parado um só segundo durante todo o player. Mas Thrash moderno? Isso, exatamente. O que temos aqui não é nada muito diferente do que já se era feito desde os anos 80, sem perder o toque atual.

A banda vem da Holanda, país que já presenteou o Metal com Pestilence, Asphyx, Whitin Temptation, Ayreon e inúmeras outras. Os “arrasa quarteirões” holandeses, guiados por Erik Fleuren (bateria), Maurice Swinkels (vocais), Harold Gielen (baixo) e Twan van Geel (guitarra), o qual teve a missão de substituir Richard Ebisch, trazem ao mercado mundial mais um grande álbum, na já consagrada discografia da banda. Depois do ótimo “Descent Into Chaos” (2011), esse novo disco vem guiado novamente pelo Thrash Metal baseados em riffs rápidos intercalados com momentos cadenciados, o que é o prato cheio da banda, e diga-se de passagem, o que a banda faz excepcionalmente muito bem.

“Ravenous Plague” deve ser um dos melhores álbuns do grupo, porém é um decisão dificílima de tomar, pois a homogeneidade da discografia dos caras faz com que todo álbum lançado por eles já nasça clássico. 
Acostumados a introduções cinematográficas, esse player não começa diferente. Adicionando um pouco de suspense ao disco, como é bom ouvir pela primeira vez o disco do LOTD para ficar com aquela expectativa de “o que será que vem por aí?”. “The Apocalyptic Surge” fica naquele lance de o apocalipse na Terra, cuja capa já relata muito bem. Assim encerrada, a porrada desce solta em “Howling for Armageddon”, com Erik fritando seus bumbos e levando o andamento no condução de sua bateria como típico da banda e do próprio Thrash Metal. E a primeira música já apresenta a banda como sempre foi: rápida e muito bem dosada de candência em momentos muito bem encaixados. Maurice esbraveja como poucos hoje em dia e os riffs de van Geel deixam qualquer um de boca aberta. O cara é um baú de riffs, incrível!

Novo trabalho, lançado no começo de janeiro, já é considerado um dos melhores deste ano

“Ravenous Plague” é pesado em sua essência e “Black Baron” nos prova isso, rápida e com um riff clássico, provando mais uma vez toda a estrutura que a banda cria no que se propõe em fazer. “Mountain Wolves Under a Crescent Moon” segue a mesa linda das anteriores, porém com partes cadenciadas mais presentes, segurando um pouco o ritmo do disco, mas sem deixar de lados por alguns instantes a velocidade e os bumbos duplos. “Ravenous Abominations” talvez seja umas das que menos irá te chamar atenção no disco, porém seu solo de guitarra não a deixa passar em branco na mais longa e única faixa que ultrapassa os 5 minutos, o que é característico do estilo.

Em seguida, meu amigo, que música! “Doom Priest” é uma das melhores do disco, se não a melhor. Com uma levada mais lenta em sua introdução, com uma narração sombria sobre as orações em vão, cujo mesmo fala em condenação para os pecadores, assim como um corvo se alimenta da carne de um condenado, deixando no ar o que cada deseja para si próprio. A música é praticamente guiada pelo poderoso riff de van Geel. A guitarra torna a música especial, levando qualquer um ao “air guitar”. Erik juntamente com Gielen, formam uma competente cozinha, que marca muito a música.

Em dezembro de 2013, banda liberou o vídeo clipe "Doom Priest" (assista ao final da matéria)

“Summon All Hate” e “Morbid Death” seguem a mesma linha, pesadas e carregadas e riffs, mantendo o ótimo nível de todo o álbum. “Bury Me in a Nameless Grave” já se inicia com um poderoso riff, quebrando pescoços no head bang e uma levada mais cadenciada. Mais uma vez van Geel nos brinda com mais um belo riff, um dos melhores do disco embalado por um baixo cavalar, acelerando ao final. Destaque!

“Armalite Assassin” é a mais curta do álbum e apresenta mais do mesmo, não variando seu andamento, embalado por várias variações na bateria. Para finalizar, mais destaque com “Strike of the Apocalypse”, que é outra calçada dos ótimos riffs de van Geel, que vem nos informar sobre a chegada do apocalipse através dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse (Morte, Peste, Guerra e Fome), descritos em uma visão profética do Apóstolo João na Bíblia. Bumbos duplos penetrantes na mente e um vocal poderoso, guiando o mundo a revelação.

"Ravenous Plague" tem tudo para se tornar um dos maiores (ou o maior) clássico da banda

O ano de 2014 pelo o que tudo indica já começa muito bem, obrigado. É muito cedo para dizer, mas passados os 365 dias do ano, já imagina-se “Ravenous Plague” presente em muitas listas de melhores do ano, inclusive já está encabeçando a minha. Capa apocalíptica muito bem elaborada e produção bem destacada, nos brindando com um ótimo álbum de uma das melhores bandas de Metal extremo da atualidade, brigando pelo top da banda, desses holandeses malucos zumbizados, que agitam o planeta Terra com seu Thrash Metal doentio e viciante. Recomendadíssimo em qualquer coleção digna.

Texto: André Sauer
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha técnica
Banda: Legion of the Damned
Álbum: Ravenous Plague
País: Holanda
Ano: 2014
Tipo: Thrash Metal
Selo: Napalm Records

Formação
Maurice Swinkels (Vocal)
Twan van Geel (Guitarra)
Eric Fleuren (Bateria)
Harold Gieln (Baixo)





Track List
01 – The Apocalyptic Surge
02 – Howling for Armageddon
03 – Black Baron
04 – Mountain Wolves Under a Crescent Moon
05 – Ravenous Abominations
06 – Doom Priest
07 – Summon All Hate
08 – Morbid Death
09 – Bury Me in a Nameless Grave
10 – Armalite Assassin
11 – Strike of the Apocalypse

Assista "Doom Priest"


Acesse e conheça mais sobre a banda
Site Oficial
Facebook

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Heavatar: Novo Projeto do "Mastermind" do Van Canto


Quando surgiu com o Van Canto em 2006, Stefan Schmidt e o grupo causaram no mínimo muita curiosidade, com o Metal a Capela proposto pelo grupo, mostrando uma mistura de Power/Symphonic/Epic Metal, porém, somente usando as vozes como instrumento acompanhado de um baterista, estilo que eles batizaram de "Hero Metal a Capella", que obteve e continua obtendo ótimos resultados, sendo que em 2013 lançará seu quinto trabalho, e realmente, mesmo quem não tenha gostado do trabalho da banda, tem que admitir que foi algo novo, e não é todo mundo que tem criatividade e coragem de apresentar uma proposta inovadora.


Mesmo tendo admiração pelo trabalho do Van Canto eu, muitas vezes, imaginei como ficariam aquelas músicas se inseridos outros instrumentos, pois o grupo tem uma grande capacidade de criar melodias cativantes. Pois bem, agora, com este novo projeto do mentor do Van Canto, Stefan Schmidt, provável que possamos ter uma ideia de como seria se eles fossem uma banda "normal". O Heavatar traz novos ares, com um Power Metal recheado por melodias cativantes, coros grandiosos, incursões clássicas, onde podemos identificar traços de Bach, Beethoven, Paganini e outros compositores clássicos (como nas faixas "Abracadabra" e "Replica",  sendo que esta última você confere no vídeo oficial, logo mais abaixo).


O debut, "Opus I - All my Kingdoms", será lançado oficialmente dia 22/02, pela Napalm Records, e além de Stefan nos vocais (que me lembram James Hetfield às vezes) e guitarra, a banda conta com Jörg Michael na bateria, David Vogt no baixo e Sebastian Scharf na guitarra solo, além ainda do apoio do pessoal que faz os arranjos dos corais, Olaf Senkbeil (Dreamtide - veja entrevista de Olaf para o Road aqui, na época da divulgação do último trabalho) e Hacky Hackman, que também fizeram várias gravações para o Blind Guardian, e claro, participação também dos parceiros de Van Canto.

A bela capa épica foi concebida por Kerem Beyit, renomado ilustrador de ficção e fantasia (acesse o site do artista AQUI e conheça mais do trabalho).

No dia 08/02, a banda lançou seu primeiro vídeo oficial, para a música "Replica", que você confere abaixo.


Um trabalho que vai agradar em cheio os fãs de um Power Metal Épico, com músicas bombásticas e pegajosas, indicado também para admiradores do Van Canto, Blind Guardian e para quem quer desfrutar de grandes melodias. Stefan já mostrou que pode surpreender e inovar, agora é aguardar até onde a banda pode chegar, pois o começo é promissor e traz novos ares para o lado mais pomposo e melódico do Metal.
Confira abaixo também o teaser do álbum.



Texto/Edição: Carlos Garcia
Revisão: Mister M

Site Oficial Heavatar
Facebook
Napalm Records

Tracklist:
01. Replica
02. Abracadabra
03. All My Kingdoms
04. Elysium at Dawn
05. Long Way Home
06. Born to Fly
07. Luna! Luna!
08. The Look Above
09. To the Metal




sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Grave Digger: "Clash Of The Gods" - Um Álbum Que Cresce A Cada Audição



Um novo trabalho de uma banda considerada clássica sempre é cercado de muita expectativa e esperamos que venha recheado com mais algumas canções que poderão ser colocadas ao lado de outros hinos produzidos, que são músicas obrigatórias em qualquer show e são entoadas com entusiasmo.

Pois bem, com o Grave Digger, não poderia ser diferente, eles vêm lançando bons álbuns, mas faz um tempo que falta um algo mais, então a expectativa era muita, e o EP "Home At Last" (2012) foi uma amostra bem animadora, e agora, com o álbum finalmente lançado, pude conferi-lo, dedicando alguns dias para digerir o play e formar uma opinião justa, apesar de confiar muito na primeira impressão, ainda mais se tratando de uma banda que acompanho desde o primeiro LP.

A primeira audição deixou uma boa impressão, com algumas canções se sobressaindo, como "God Of Terror", "Medusa" e  "Walls Of Sorrow", porém com aquela sensação de que deve ser ouvido sem esperar encontrar um novo clássico.


A essência do Grave Digger está ali, a voz marcante, ácida e rasgada de Chris Boltendahl, cozinha competente, os teclados pontuais, riffs marcantes da guitarra, desde 2009 comandada pelo experiente Axel Ritt, ou seja, todos que entram na banda sabem que estão em uma verdadeira "instituição" do Metal, e vão trazer coisas novas, mas sem jamais mudar a identidade da banda (que teve seu período negro, inclusive mudando até de nome, para depois retomar o caminho destinado a ela).

Faltou algo? Talvez as músicas com andamento mais cadenciado ou a "middle time" pudessem aparecer menos, e ter um par mais de canções mais velozes, como a "God Of Terror", o que a meu ver deixaria o álbum mais dinâmico, e, quem sabe, falta aquele grande destaque, o grande clássico da bolacha, apesar de ter músicas bem interessantes.

Mas, de maneira nenhuma podemos dizer que não é um bom álbum, não se preocupe, apenas dê mais tempo ao play, ouça várias vezes e verá que ele cresce a cada audição, e alguns pontos que talvez decepcionem nas primeiras audições parecerão pequenos diante do todo, e quem sabe alguma, ou algumas dessas faixas, se tornem um clássico do Digger? Certo que ao vivo crescerão também.


"Charon", a intro que abre o álbum, título bem adequado, pois é o barqueiro (Caronte) que carrega as almas dos recém mortos através do Hades, e nos conduz a esta viagem pela mitologia grega, temática escolhida pela banda para este play; "God Of Terror", é uma típica faixa de abertura do Grave Digger, com velocidade, trazendo muito peso e bom refrão. Destaque para o solo de teclado bem "setentista", lembrando o grande Jon Lord no Purple (saca o solo da Burn?); "Hell Dog", também vem com partes rápidas, alternando momentos mais cadenciados, como no refrão; "Medusa", tem uma intro bem tétrica, andamento mais cadenciado, com um ar épico, uma canção interessante, mas que eu esperava mais, devido ao seu bom início, e também pelo tema abordado, pois é uma das personagens mais fascinantes da mitologia.

"Clash Of The Gods", a faixa título, também segue uma linha bem épica, mais cadenciada, com sons orientais, deixando a canção com uma cara de trilha sonora, destacando também o refrão épico, com aqueles corais que só as bandas alemãs clássicas como o Digger e o Accept sabem fazer; "Death Angel and the Grave Digger" começa com um efeito de flanger na guitarra, com Axel disparando um típico riff do Metal Tradicional, aliás, belo trabalho do Iron Finger no álbum, mostrando que encaixou bem na banda e sabe como deve soar, é uma faixa bem dinâmica e com um dos melhores refrões do play, bem pegajosa.


Falei de quase todas as faixas, pois um play de uma entidade como o Grave Digger, uma lenda do Power/Heavy, merece, então nada mais justo que comentar o restante, sem me alongar muito mais, destacando "Walls Of Sorrow", "Warriors Revenge" e "Home At Last", provavelmente a trinca que mais chamará atenção dos ouvintes. A primeira, é uma boa candidata a clássico, tendo muitos elementos que fizeram outras canções do Digger cair nas graças do povo Banger, como os riff rápidos e o refrão épico, bem ao estilo da clássica "Lion Heart", por exemplo, vai ser um arregaço nos shows!! "Warriors...", também  é rápida, refrão épico e melódico, deverá ser uma das que crescerão muito ao vivo também, destaque para os riffs tradicionais, naquela linha de outro gigante, Judas Priest (a "Painkiller" me veio a mente nos riffs iniciais), e "Home At Last", que conhecemos já do EP, também possui aqueles riffs e bases tradicionais da banda e outro refrão que convida a cantar, ou seja, mais uma naquela fórmula infalível, numa trinca de muito bom nível que elevam a qualidade e o interesse no álbum.


Falando sobre as que faltaram, "Call of the Sirens" começa com um riff que me lembrou "In the Dark of The Sun", embora mais lento, e se repete depois no refrão. Normal, pois há outros riff que vão lembrar outras da própria banda. É uma boa música, com peso, andamento cadenciado e clima dark, detalhe para intervenções interessantes do teclado; e  "With the Wind" funciona como intro para "Home At Last", que fecha o play, e já falei dela, mas vale registrar que trata da jornada de Joseph Campbell, o mitologista e escritor.

Resumindo, é um álbum com uma bela produção, uma sonoridade poderosa, trabalho gráfico magistral, contou com um cuidado muito especial na sua divulgação pela Napalm Records, com a banda soando moderna sem perder sua identidade clássica, um trabalho que, se não figurar entre os grandes clássicos do Digger, não decepciona, cresce a cada audição e é superior aos 4 álbuns que o precedem.

Texto: Carlos Garcia
Edição/Revisão: Carlos Garcia/Eduardo Cadore
Fotos: Napalm Records

A Napalm teve um cuidado especial com o lançamento, lançando, inclusive, tiragem em vinil

Ficha Técnica
Banda: Grave Digger
Álbum: Clash of the Gods
Ano: 2012
País: Alemanha
Tipo: Power/Heavy Metal
Selo: Napalm Records


Formação
Chris Boltendahl (Vocal)
Stefan Arnold (Bateria)
Jens Becker (Baixo)
H.P. Katzenburg (Teclados)
Axel “Ironfinger” Ritt (Guitarra)

Tracklist
1. Charon
2. God of Terror
3. Helldog
4. Medusa
5. Clash of the Gods
6. Death Angel and the Grave Digger
7. Walls of Sorrow
8. Call of the Sirens
9. Warriors Revenge
10. With the Wind
11. Home at Last

Compre o álbum direto pela Napalm Records clicando aqui.

Acesse e conheça mais sobre a banda
Site Oficial
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Assista ao vídeo clipe de "Home at Last"

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Grave Digger: Vídeo às Vésperas de Novo Álbum

Banda parte para nova temática: Grécia Antiga


Há algumas semanas a lendária banda alemã Grave Digger lançou seu EP “Home at Last”, aperitivo para “The Clash of Gods”, disco que sai neste próximo dia 31.

Mas ainda estava faltando um vídeo. E a faixa-título recebeu, esta semana, um registro, mostrando a nova temática adotada pela banda, que é a cultura da Grécia Antiga, fio norteador do vindouro disco.

A première saiu através da revista alemã Metal Hammer, já acostumada a fazer atividades como esta, mostrando a força que a revista tem mundialmente.

A formação atual que vai lançar seu 3º disco, o 16º da carreira
Confira resenha de “Home at Last” (clique aqui) e assista ao mais novo vídeo da banda de Chris Boltendahl e cia.

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação


Assista ao vídeo "Home at Last"