domingo, 26 de julho de 2026

Cobertura de Show: Nazareth – 21/07/2026 – Manifesto Bar/SP

Após sete anos de espera, o Nazareth finalmente voltou a São Paulo para um aguardado reencontro com os fãs paulistanos. A apresentação aconteceu no Manifesto Bar e mostrou, logo de cara, que nem mesmo uma terça-feira foi capaz de impedir a presença do público para prestigiar uma das bandas mais tradicionais do hard rock mundial. A casa ficou completamente lotada, com uma fila que andava do lado de fora a passos de tartaruga. A demora foi tanta que muitos, incluindo este repórter, acabaram perdendo a apresentação da banda de abertura, Phornax, evidenciando que a organização da entrada merecia um planejamento melhor diante da procura pelo evento.

Muito se discute nas redes sociais sobre a continuidade do Nazareth após a morte de Dan McCafferty, em 2022. Para muitos, a banda teria perdido sua essência. No entanto, bastaram os primeiros acordes de "Telegram" e "Miss Misery" para que Gianni Pontillo demonstrasse por que foi escolhido para assumir os vocais. Sem tentar imitar seu lendário antecessor, o cantor entrega personalidade, técnica e uma presença de palco contagiante, respeitando o legado da banda enquanto imprime sua própria identidade. Ao lado dele, Jimmy Murrison (guitarra), Pete Agnew (baixo) e Lee Agnew (bateria) mostraram uma sintonia impecável, sustentando um show de alto nível do começo ao fim.

O repertório privilegiou diferentes fases da carreira da banda e manteve o público envolvido durante toda a noite. "Razamanaz" e "Shanghai'd in Shanghai" incendiaram a pista logo no início, enquanto "Love Leads to Madness" ganhou um momento especial quando Pontillo dedicou a canção ao público paulista, descrevendo São Paulo como uma "cidade grande e maluca". Em meio à execução da música, ergueu uma taça de vinho para brindar os presentes, arrancando aplausos da plateia. Logo depois, "Dream On" transformou o Manifesto Bar em um grande coro, com praticamente todos os presentes acompanhando a canção do início ao fim.

A interação entre banda e público permaneceu intensa durante toda a apresentação. Antes de "Light Comes Down", Gianni perguntou se os fãs gostariam de ver o Nazareth novamente no Brasil em 2027. A resposta veio em forma de um ensurdecedor coro positivo. Visivelmente emocionado, o vocalista agradeceu o carinho recebido e afirmou que todos estavam extremamente felizes por voltar ao país depois de tantos anos, classificando São Paulo como uma verdadeira cidade do rock. Em "Whiskey Drinkin' Woman", colocou novamente os fãs para trabalhar, testando sua capacidade vocal em um divertido duelo de vozes, que foi vencido com facilidade pelos fãs brasileiros. Já "Changin' Times" apareceu em uma versão estendida, oferecendo espaço para um excelente solo de guitarra de Jimmy Murrison.

Na reta final, o clima atingiu seu ápice. A introdução de bateria de "Hair of the Dog" bastou para provocar uma explosão do público, preparando terreno para aquele que talvez tenha sido o momento mais emocionante da noite: "Love Hurts". O clássico foi cantado em uníssono, emocionando público e banda em uma interpretação digna da história da música. Infelizmente, foi justamente após esse momento que um problema alheio ao espetáculo começou a comprometer a experiência. Como o sistema de comandas do Manifesto exige que o pagamento seja realizado antes da saída, muitos espectadores deixaram a pista ainda durante "Turn On Your Receiver" para enfrentar as enormes filas nos caixas. O resultado foi uma quantidade considerável de espaços vazios em frente ao palco, justamente quando a apresentação caminhava para sua reta decisiva.

O bis evidenciou ainda mais esse problema. Já passava das 23 horas, em plena terça-feira, e centenas de pessoas preferiram garantir um lugar na fila para deixar a casa a acompanhar as últimas músicas. Assim, "Where Are You Now" e "Go Down Fighting" acabaram sendo executadas diante de uma plateia visivelmente menor do que a que lotou o Manifesto durante quase todo o show. Ainda assim, o Nazareth saiu de São Paulo com a missão cumprida. A banda mostrou que continua em excelente forma, sustentada por músicos extremamente competentes e por um vocalista que honrou a memória de Dan McCafferty sem viver à sombra de seu legado. Se depender da reação daqueles que permaneceram até o último acorde, o convite para um retorno em 2027 já foi aceito muito antes de a última nota ecoar pelo Manifesto Bar. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music



Nazareth – setlist:

Telegram

Miss Misery

Razamanaz

Shanghai'd in Shanghai

Love Leads to Madness

Dream On

Holiday

This Flight Tonight

Light Comes Down

Whiskey Drinkin' Woman 

Beggar's Day

Changin' Times 

Hair of the Dog

Love Hurts

Turn On Your Receiver

Where Are You Now

Go Down Fighting

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