MASTER OF VOICES TRANSFORMA O TOKIO MARINE HALL EM UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL
Mais uma noite histórica para os amantes do hard rock e do heavy metal, desta vez em São Paulo. O Tokio Marine Hall recebeu o espetáculo Master of Voices, reunindo quatro grandes vozes do gênero em um verdadeiro desfile de clássicos. No palco, Tim "Ripper" Owens, Eric Martin, Jeff Scott Soto e o brasileiro Edu Falaschi revisitaram sucessos de bandas como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra e muitos outros projetos que marcaram gerações de fãs.
A responsabilidade de abrir a noite ficou com a banda norte-americana Velvet Chains, de Los Angeles, que subiu ao palco pontualmente às 20h50, exatamente no horário prometido. Divulgando seu terceiro EP, Last Rites, o grupo apresentou um som que mistura heavy metal moderno, hard rock e influências de nu metal. Mesmo diante de um público que praticamente desconhecia seu repertório, a banda conseguiu conquistar a plateia com muita energia. O momento de maior interação aconteceu durante o cover de "Suspicious Minds", clássico eternizado por Elvis Presley, apresentado em uma roupagem moderna, pesada e com aquela característica pegada do rock de Los Angeles. O público rapidamente embarcou no refrão conhecido.
Liderado pelo vocalista Chaz Terra, o quinteto mostrou um set direto, sem enrolação, deixando claro o potencial que possui para se tornar uma das próximas revelações da cena mundial do metal. Singles recentes como "Hurt Me" e "Dead In The Head" evidenciam bem esse momento da banda. Vale destacar também a performance extremamente energética da dupla de guitarristas Von Boldt e Philip Paulsen, que dominaram o palco durante toda a apresentação. Antes de deixar o palco, o Velvet Chains prometeu voltar em breve ao Brasil e pediu que o público comparecesse novamente aos próximos shows.
Pontualmente às 22h, subiu ao palco o primeiro dos Masters of Voices: Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big. Sempre muito bem-humorado, iniciou sua apresentação com a incrível "Daddy, Brother, Lover, Little Boy", emendada com a maravilhosa "Take Cover", colocando o público imediatamente no clima da festa. Na sequência veio "Green-Tinted Sixties Mind", transformando o Tokio Marine Hall em um grande coro. Com o violão em mãos, Eric fez um divertido passeio por clássicos do rock, tocando trechos de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) e "Sweet Home Alabama" (Lynyrd Skynyrd), preparando o terreno para outro grande clássico: "Wild World", de Cat Stevens, eternizada na sua voz no Mr. Big. Durante todo o show, Eric fez questão de rasgar elogios à banda brasileira que o acompanhava: Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Edu Cominato (Mr. Big/Spektra) e Leo Mancini (Elektra e ex-Shaman). E não foi exagero. Nenhum deles deixa absolutamente nada a desejar aos músicos originais que gravaram aqueles clássicos. A prova veio logo depois com "Colorado Bulldog", uma das músicas mais técnicas do repertório do Mr. Big, executada de forma impecável.
Voltando ao violão, Eric comentou sobre sua frequente presença no Brasil e declarou o carinho que sente pelo público brasileiro. Então soltou a frase: "I am the one who wants to be with you..." Era a deixa para "To Be With You". O resultado foi emocionante: praticamente todo o Tokio Marine Hall cantou junto. Inclusive seguranças, bombeiros e funcionários do bar pareciam acompanhar a música. Eric encerrou seu set com "Addicted to That Rush" e chamou ao palco o ex-vocalista do Judas Priest, Tim "Ripper" Owens.
A entrada de Ripper aconteceu ao som da introdução "The Hellion", executada ao vivo pela banda — diferentemente da versão original do Judas Priest, que utiliza playback. Logo em seguida veio "Electric Eye", fazendo o Tokio Marine Hall literalmente explodir. Com um som pesado, extremamente coeso e muito bem regulado, Tim apresentou uma performance impecável. Seus agudos continuam impressionantes e sua voz permanece poderosa. Não por acaso, foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite.
Na sequência veio "Burn in Hell", representante de sua fase no Judas Priest durante o álbum Jugulator (1997). Sempre muito simpático e humilde, Ripper agradeceu a Eric Martin por estar abrindo um show dele, dizendo que jamais imaginou viver algo assim. Demonstrando ainda mais humildade, apresentou todos os músicos dizendo que eram excelentes instrumentistas e brincou afirmando que provavelmente todos eram mais famosos do que ele.
Após apresentar o baterista Edu Cominato, veio a introdução de "Painkiller", talvez um dos maiores hinos da história do heavy metal. Falando em hinos, "Breaking the Law" fez o público cantar como se não houvesse amanhã. Para fechar seu set, Ripper resolveu ampliar ainda mais a festa com dois clássicos absolutos do rock: "Highway to Hell" (AC/DC) e "Heaven and Hell" (Black Sabbath). Mesmo não fazendo parte de seu repertório tradicional, ambas incendiaram a plateia, principalmente quem não conhecia tão bem sua trajetória no Judas Priest. Na despedida, chamou ao palco o único brasileiro do quarteto: Edu Falaschi.
Edu iniciou sua apresentação com "Acid Rain", do álbum Rebirth (2001). As músicas seguintes também vieram de seu disco de estreia com o Angra: "Millennium Sun" e "Bleeding Heart". Esta última ganhou uma curiosa participação do público. Afinal, a música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, tornando-se um enorme sucesso na música popular brasileira. Não foram poucas as pessoas que cantavam junto com Edu... mas usando a letra da versão nordestina.
Na sequência veio "Waiting Silence", do clássico Temple of Shadows (2004). Talvez não seja uma das mais conhecidas do público em geral, mas certamente é uma das preferidas deste que vos escreve. Durante sua apresentação, Edu comentou estar extremamente feliz por dividir o palco com três vocalistas que sempre admirou e ouviu desde jovem. Também aproveitou para convidar todos os presentes para seu show no próprio Tokio Marine Hall, marcado para agosto, dizendo que gostaria de reencontrar aquele público novamente. Seu set terminou em clima emocionante com "Rebirth" e "Heroes of Sand", duas das baladas mais marcantes de sua passagem pelo Angra.
A introdução de "One Love", do supergrupo W.E.T., já anunciava que era hora de Jeff Scott Soto assumir o comando. Era perceptível que parte do público não conhecia aquela música, mas isso não fez diferença. A energia de Jeff rapidamente conquistou todos, e bastaram alguns refrões para muita gente já tentar acompanhar a letra. Sem deixar a peteca cair, anunciou um clássico lançado nos anos 80 por uma banda muito conhecida: o Journey. Assim começou "Separate Ways". Nesse momento já não era mais apenas um show. Era uma verdadeira festa. Todo mundo pulando, cantando e comemorando junto com Soto e a excelente banda de apoio. Em uma pausa, Jeff brincou dizendo que ama tanto o Brasil que já está providenciando seu CPF para se tornar oficialmente brasileiro. A resposta veio imediatamente com o tradicional coro: "Vira, vira, vira... virou!". Uma brincadeira que acompanha suas passagens pelo país e faz referência às lendárias caipiroskas consumidas durante antigas turnês brasileiras. Soto contou que, em sua última visita, ouviu muitas reclamações sobre seu peso e decidiu procurar um médico nos Estados Unidos. O resultado? Adeus às caipiroskas, pão de queijo, brigadeiro e feijoada. Agora, segundo ele, apenas Sprite Zero.
Entre risadas, anunciou um momento muito especial. Disse que iria cantar uma música inédita em sua carreira para prestar homenagem a um dos maiores nomes da história do rock: Ozzy Osbourne, que completaria um ano de seu falecimento em 22 de julho. Após fazer o sinal da cruz, começou "Mama, I'm Coming Home". Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Jeff interpretou a música com enorme sensibilidade e arrancou aplausos calorosos. Obrigado por esse presente, Jeff. Logo depois, a bateria anunciou outro clássico de sua carreira: "I'll Be Waiting". Durante a execução, Soto simplesmente desceu para o meio da plateia e cantou cercado pelos fãs. Todos unidos em um único refrão: "If you need somebody, call out my name... I'll Be Waiting, right by your side." Foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. O tradicional medley de sua fase com Yngwie Malmsteen também marcou presença: "I Am a Viking / I'll See the Light Tonight". Para encerrar seu set, vieram "Coming Home", do Sons of Apollo — ocasião em que relembrou a participação de Felipe Andreoli nos shows brasileiros da banda substituindo Billy Sheehan — e "Stand Up", música da banda fictícia Steel Dragon, do filme Rock Star, na qual Jeff gravou os vocais.
Já passando da meia-noite, os quatro vocalistas voltaram ao palco para um grandioso encerramento com "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Convenhamos... Não poderia existir música mais apropriada para fechar uma noite como essa.
O Master of Voices não foi apenas uma sequência de apresentações individuais. Foi uma verdadeira celebração da história do hard rock e do heavy metal, reunindo quatro vocalistas consagrados, músicos impecáveis e um público que cantou cada refrão como se estivesse reencontrando velhos amigos. Uma festa daquelas que atravessam gerações. Daquelas noites que quem esteve presente jamais esquecerá.
Texto: Anderson Bellini
Fotos: André Tavares
Edição/Revisão: Gabriel Arruda
Realização: Top Link Music
Setlist - Velvet Chains
War
Ghost in the Shell
Dead Inside
Stuck Against the Wall
Wasted
Suspicious Minds
Wide Awake
Hurt Me
Sins
Dead in the Dead
How The Story Ends
Set List - Eric Martin
Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)
Take Cover
Green-Tinted Sixties Mind
Wild World
Colorado Bulldog
To Be With You
Addicted to That Rush
Set List - Tim Ripper Owens
The Hellion
Electric Eye
Burn in Hell
Painkiller
Breaking the Law
Highway to Hell (AC/DC cover)
Heaven and Hell (Black Sabbath cover)
Set List - Edu Falaschi
Acid Rain
Millennium Sun
Bleeding Heart
Waiting Silence
Rebirth(Angra cover)
Play Video
Heroes of Sand
Set List - Jeff Scott Soto
One Love
Separate Ways (Worlds Apart)
Mama, I'm Coming Home (Ozzy Osbourne cover)
I'll Be Waiting
I Am a Viking / I'll See the Light Tonight
Coming Home
Stand Up
All Singers
Living After Midnight (Judas Priest cover)
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