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sábado, 13 de maio de 2017

Entrevista - Arjen A. Lucassen: Fonte Inesgotável de Criatividade




Para Falar sobre o álbum "The Source", conversamos com o mastermind Arjen Anthony Lucassen, o qual também marca um recomeço para o projeto mais famoso do músico e produtor, que além de estar de gravadora nova, Mascot Label Group, também retoma a saga da "Forever Race", contando o início de tudo, e fazendo referências também à origem da raça humana e a origem do projeto.

A história, recheada pela fantástica "trilha sonora" Progressive/Heavy/Classic/Folk Rock, é dividida em quatro crônicas, e conta como o planeta Alpha foi destruído, por conta das convicções de um super computador criado por eles, "The Frame", para descobrir a causa do planeta estar morrendo, então "The Frame" chega a conclusão que o problema é o povo do planeta, e que este deve ser erradicado, e aí se inicia a tentativa de sobrevivência da espécie.

Para falar sobre alguns detalhes mais desta nova obra, conversamos com este genial holandês, que, como sempre, proporcionou uma ótima entrevista, com sua simpatia de sempre, sendo praticamente uma conversa entre amigos, e descrevo abaixo, praticamente 99% da conversa, tentando transmitir a vocês o clima desse papo, onde ainda pude dar um alô pro Hoshi, o cãozinho do Arjen, figurinha conhecida dos fãs e artistas e amigos do músico.

Não há muito mais a dizer, somente acompanhar e apreciar a música produzida por Arjen, e conferir o que ele nos contou sobre o álbum e alguns outros assuntos:


RtM: Olá Arjen, tudo bem?
Arjen: Hey man! Tudo ok! Como você vai? Que horas são aí?

RtM: Tudo certo Arjen! Aqui são onze horas da manhã (a entrevista foi sábado passado, 6 de maio)
Arjen: Aqui já são quatro da tarde! 

RtM: Antes de tudo, queria dar os parabéns pelo ótimo álbum, a cada audição eu encontro mais detalhes e curto ainda mais, as minhas canções favoritas mudam todo dia! (risos)
Arjen: Ah ah ah! Isso é bom cara! Bom sinal! Obrigado.

RtM: Bom, as reações estão ótimas, e tenho visto muitas entrevistas, muito boas inclusive, estava difícil preparar uma pauta e não ser repetitivo nas perguntas! 
Arjen:  Ha ha ha! Não se preocupe, provavelmente serei repetitivo nas respostas também! (Risos)

"Acho que cada álbum que faço, é uma reação ao anterior. Sempre quero fazer algo diferente."
 RtM: A primeira coisa, é um pedido, acho que você tem que criar um personagem pro Hoshi no próximo trabalho! Um personagem canino na história! (Risos) Muito legal ver ele interagindo com todos que vão no estúdio, adoro ver os extras no DVD.
Arjen: Ha ha ha! Boa ideia! Ele adora quando as pessoas vêm no estúdio, principalmente as mulheres! (risos) Adora cantoras, ele fica ali pertinho, esperando ganhar abraços.

RtM: Garoto esperto! Bom, sobre o álbum, gostaria que você falasse um pouco sobre o título, "The Source" ("A origem", ou "A Fonte"), o qual possui muitos significados implícitos.
Arjen: A principal referência é a fonte da humanidade, de onde viemos, e neste caso, a fonte, a origem da "Forever Race", e também a respeito da água, que é uma grande parte nisso tudo, pois vem dela a origem da vida. Também é a substância "Liquid Eternity", que está nesta história, também citada como "The Source". Então, temos várias referências.

RtM: É um álbum também mais pesado, com ais guitarras do que os trabalhos anteriores, o Ayreon "Theory of Everything" e o The Gentle Storm. Você sentiu necessidade de fazer algo mais nessa linha, mais "heavy", depois desses álbuns?
Arjen: Sim, eu acho que cada álbum que faço, é uma reação ao anterior. Sempre quero fazer algo diferente, ter um contraste, e basicamente manter o interesse para mim mesmo, e também para as as outras pessoas. Naturalmente, "Theory of Everything" é um álbum mais progressivo, mais orientado ao teclado, e The Gentle Storm (composto em conjunto com Anneke Van Giersbergen), um álbum mais feminino, uma história de amor. Então desta vez eu queria voltar à ficção científica, e algo mais orientado à guitarra, mais pesado.

RtM: Não é uma regra pra você, que não gosta de se limitar, ou colocar algo como definitivo, mas se logo após um álbum de Ayreon surgisse inspiração para um próximo álbum do projeto, você faria ou guardaria a ideia para mais tarde, e procuraria compor para outro projeto?
Arjen: Boa pergunta! Não funciona desta maneira pra mim, a inspiração vêm, e eu não tenho ideia do que vão se tornar. Basicamente, eu comecei este projeto como um álbum solo, mas quando ficou muito pesado para isso, eu pensei que talvez poderia ser um novo Star One, mas depois partes mais folk vieram. Não é algo como "oh, esta ideia não cabe no projeto, vou salvá-la", sempre eu uso todas as ideias que eu tenho, eu pego cerca de 50 ideias, e em algum ponto, quando começo a gravar, vou transformando-as, e cerca de 60 por cento eu descarto, não guardo para outros projetos, as tiro fora e deleto. Seria confortável usar essas sobras, mas eu tenho aquele sentimento de querer sempre usar o melhor do melhor.

"Desta vez trabalhei com cantores que eu conheço, e contei com alguns dos melhores do mundo."
RtM: Gostei da ideia de você ter retomado a saga da "Forever Race", a qual aparece em vários dos seus álbuns. Como surgiu essa ideia de falar sobre o início de tudo?
Arjen: Em algum ponto, quando percebi que se trataria de um novo álbum do Ayreon, então eu pensei "Ok, tenho que voltar a ficção científica", e pensei que, já que estava começando com uma nova gravadora, uma nova maneira de trabalhar, fui procurar a inspiração na arte gráfica, fui para o google procurar imagens de artistas de Sci Fi. Então acho que por 2 ou 3 semanas fiquei procurando, centenas e centenas, até que encontrei essa (a arte que foi usada na capa), e o legal é que me identifiquei com ela, e também gostei de tudo que o artista fez, não uma ou duas, mas tipo umas 40 imagens que ele fez. Muitos detalhes, profundas, muito sombrias, e encaixavam no tipo de música que eu estava criando. 

RtM: Realmente, a arte da capa ficou maravilhosa.
Arjen: Então, eu vi aquela arte com a garota dentro d'água, conectada àqueles tubos, então percebi algo relacionado a um humano forçado a viver em baixo d'água, e de repente tive a ideia de que como seria legal se aquela pessoa fosse alguém da Forever Race, e que esse indivíduo fosse um humano, basicamente a ideia de saber de onde viemos, qual nossa origem.

RtM: Legal, e sendo fã de Sci-Fi, sei que é um sonho provavelmente, mas não seria muito legar essas sagas transformadas em uma série, ou quem sabe um comic book?
Arjen: Sim, hehe, um sonho. Seria muito legal. Eu sei que é um sonho, eu estou acompanhando a série da HBO "Westworld", e são produções muito caras.

RtM: Excelente série! Sim, caras, mas quem sabe alguém gosta da sua história e resolve adquirir os direitos.
Arjen: Sim! bom, e cada episódio custa milhões, 10 episódios, dez milhões de dólares, claro, não teria tudo isso pra investir. E sim, se surgisse um interesse eu ficaria muito feliz.


RtM: Bom, falando nesse novo começo, com um novo selo, por esse motivo você cogitou iniciar com um álbum do Ayreon? Ou antes de fechar com eles já estava encaminhado?
Arjen: Outra boa pergunta! Acho que a razão de ter ido trabalhar com o Mascot Label Group foi por ter lançado com eles o álbum do Guilt Machine, e para o lançamento do vinil, tinha de ir até o escritório deles, e me perguntaram "E o Ayreon? O contrato com a Inside Out está terminando, você poderia assinar conosco.". Eu disse "Sim, mas estou contente com eles.", Mas eles insistiram "vamos conversar, assine conosco, venha conhecer nosso escritório.". E eu gostei muito de como eles colocaram as ideias, gostei muito de tudo, e o escritório deles fica somente a uma hora e meia de onde eu moro. Então, tive essa boa impressão, e fiquei pensando a respeito, por tipo um ano e meio. Então, quando estava compondo e percebi que seria um novo álbum do Ayreon, eu pensei que talvez deveria fazer com uma nova gravadora, Tipo, eu vejo "The Source" como um novo começo, uma nova companhia, novas pessoas...

RtM: Sim, novas ideias...
Arjen: Exato! Sim, um novo início, tudo encaixava.

RtM: Me parece que eles estão fazendo um excelente trabalho. Bom, e nesse álbum você também reuniu um grande cast de cantores, muitos conhecidos seus já, e que haviam trabalhado com você antes. Foi difícil reuni-los desta vez?
Arjen: Não, não foi, é complicado quando é com pessoas que não me conhecem, pois se eles não me conhecem, não é fácil convencê-los... "Oh, uma Rock Opera? Não sei se vou gostar disso...", não conhecem meu estilo. Desta vez trabalhei com cantores que eu conheço, e contei com alguns dos melhores do mundo, muitos que se tornaram amigos, como James Labrie, Russel Allen, Tobias Sammet, então não foi difícil convencê-los. Eu só perguntei: "Você que fazer parte do álbum?" e eles "Mas é claro!" (Risos). Claro, eu tive tempo, eles são bem ocupados, e desta vez não pude ter todos no estúdio, como eu gostaria, somente 3 deles, Floor, Simone e Michael Erikssen, o resto deles estava muito ocupado, então...mas todos fizeram um grande trabalho.

RtM: E teve alguma das músicas que foi mais complicada de gravar?
Arjen: Bom, quando eu tenho a inspiração, nada é complicado, pode soar meio arrogante, nenhuma teve uma dificuldade maior que as demais.

RtM: Sim e todos eles conhecem já seu trabalho, e são muito experientes.
Arjen: Sim, os melhores cantores do mundo, e eu confio 100 por cento neles!

RtM: Eu gostaria que você comentasse sobre algumas das músicas. escolhi algumas das minhas favoritas, e o legal é que foge um pouco das que eu vi o pessoal perguntar, e afinal, todos já falaram da música de abertura que é fantástica.
Arjen: Isso é legal! Vamos lá.

RtM: Vou ir citando aqui as partes, cada uma das quatro "Crônicas", em que é dividido o álbum, e respectiva música que gostaria que você comentasse. Bom, a primeira que vou perguntar é mais óbvia, a "Everybody Dies", onde as pessoas percebem que o apocalipse vai acontecer, na parte 1, "The Frame", e é uma música bem diferente, apesar de ter elementos familiares, como os seu teclados analógicos.
Arjen: Bom, eu acho que ficou muito forte quando Mike Mills se envolveu, quando ele veio com todas aquelas melodias estranhas, e também aquelas melodias estilo Queen, e acho que isso elevou a canção, a fez especial, e eu mesmo tive esse feeling meio Devin Towsend, eu amo o trabalho dele, e ela tem um pouco de um "happy feeling" (cantarola as melodias), mas por outro lado parte a letra fala de um momento terrível, onde percebem que todo mundo vai morrer, então eu gostei muito desse contraste, é tipo um filme do Stephen King! (risos) Tipo, você vê palhaços vindo e pensa "oh não, más notícias!" (risos).

"Gostei muito desse contraste (melodias felizes x letra que fala de um momento terrível), é tipo um filme do Stephen King! (risos) Tipo, você vê palhaços vindo e pensa 'oh não, más notícias!'" (sobre a música "Everybody Dies)
RtM: Bom, na parte 2, "The Aligning of the Ten", a canção "All that Was", com essas belas melodias folk, uma canção de despedida, algo melancólica.
Arjen: Sim, novamente, ela também tem esse tipo de sentimento positivo, mas claro, é algo terrível, eles tem que deixar o planeta, deixar os entes queridos, simplesmente porque não servem para a nave espacial, onde estão os escolhidos para prosseguir com a raça no novo planeta, "Planet y", que é formado por água. É uma canção triste, mas também traz esse sentimento positivo, de esperança, e eles relembram boas coisas que viveram. No geral é uma canção bem folk, eu adoro esse tipo de música.

RtM: Na parte 3, "Transmigration", onde eles, já no novo planeta, utilizam a substância desenvolvida, a "Liquid Eternity", também referida como "The Source", que lhes dá a habilidade de viver embaixo d'água, e minha favorita nessa parte é "The Dream Dissolves".
Arjen: Novamente, é uma canção bem Folk...

RtM: Pois é, percebi que a maioria das minhas favoritas foram as mais folk.
Arjen: Sim, eu adoro folk, aquela cantora...Loreena Mckennitt, e essa música tem esse tipo de feeling, com flautas e violinos, e claro, os belos vocais de Simone (Simons, Epica) e Floor (Nightwish). Eu adoro essa canção também, tem uma construção muito interessante, tem essa parte clássica, depois essa parte "folky", onde as garotas cantam, e tem uma parte pesada, e claro, dois lindos solos, primeiro o de teclado do Mark Kelly (Marillion), e depois tem o solo de guitarra de Marcel Coenen (Sun Caged), eu acho ele um dos melhores guitarristas solo do mundo, seu solo é maravilhoso, fantástico.

RtM: Nossa, sim, excelente! Bom, da quarta e última parte, "The Rebirth", onde eles já estão construindo o novo lar, vivendo embaixo d'água, e minha favorita é ""The Source Will Flow", que tem uma atmosfera belíssima, nem consigo descrever, e também tem partes bem folk.
Arjen: Eu acho que ela tem aquele feeling, não sei se você é um fã de Led Zeppelin, ela tem algo da "No Quarter", aquele efeito em que o piano parece que está embaixo d'água, e Tommy Rogers (Beetween Buried and Me) cantou lindamente, e depois você tem aquela parte meio Pink Floyd, com o James Labrie, e novamente, o que você falou que gostou, uma parte bem folk. E os vocais de Simone. Então, ela veio ao meu estúdio, e fizemos alguns backing vocals, não estava planejado. Eu disse "quem sabe gravamos alguns backing vocals", e começamos, e eles ficaram muito bonitos, e acabamos tirando toda a música, ela ia em um "crescendo" (quando a música vai aumentando gradativamente de intensidade), e é por isso que ela acabou ficando bem calma do início ao fim, tinha muitas camadas de música, e acabamos tirando.

RtM: Que legal, e ela ficou perfeita, uma atmosfera suave, quase etérea. Bom, no finalzinho temos aquela parte "March of the Machines", um tipo de ligação com a outra parte da história (principalmente em "01011001"), tipo uma pista de que eles poderiam estar repetindo os erros do passado (o computador criado, "The Frame", que acabou causando a destruição do planeta natal)? Uma referência que me veio a cabeça foi a questão homem conta máquina, como na franquia "Terminator".
Arjen: Certo! Bom, tecnologia não é algo ruim, não é uma coisa má abraçar a tecnologia, mas o que as pessoas podem fazer com ela, é o que a minha questão se refere. Tecnologia sempre vai evoluir, o que significa que daqui a alguns anos, cientistas desenvolverão computadores muito mais inteligentes que as pessoas. Claro, é interessante pensar nas coisas que poderão acontecer então.

RtM: Bom, para ir já finalizando, gostaria que você nos contasse alguns detalhes sobre os shows do Ayreon Universe", que acontecerão em outubro.
Arjen: Será tipo um "Best of Ayreon", não será somente sobre o "The Source" ou algum outro álbum, serão shows de Rock, não serão espetáculos de teatro. O melhor do Ayreon significa que pretendo tocar pelo menos duas canções de cada álbum, e teremos 16 cantores! Maravilhoso, claro. Teremos grandes músicos, instrumentos clássicos como Cello e Violino, uma tela gigante, onde passarão belas imagens...e muitas surpresas extras, que não posso contar, porque não seria surpresas daí! (risos)

RtM: Sem spoilers! Sem Spoilers! (Risos)
Arjen: Ha ha ha! Não, não, claro. Será fantástico, 3 shows lotados, 9 mil pessoas virão, os ingressos esgotaram em um dia. É legal ter 3 noites, pois teremos mais tempo, e os dois primeiros shows serão filmados para um DVD e Blu-Ray.


RtM: Isso é ótimo, para nós, que não poderemos estar lá. E um DVD do Ayreon é algo que muitos sonhavam também. E sei que é difícil, mas espero que hajam outros shows.
Arjen: É... Eu não posso prometer nada, mas, quem sabe se tudo for um sucesso, e eu gostar, talvez possamos fazer algo mais. Vamos ver o que acontece.

RtM: Bom, obrigado Arjen, o tempo que tínhamos está no fim...
Arjen: Ok Carlos...ah, você gostaria de dar um alô pro Hoshi?

RtM: Claro! ha ha ha (Nesse momento Arjen levanta e abre uma porta para outra sala, e chama Hoshi, ouço ele falar com a Lori, sua esposa, "um grande fã do Hoshi!", e retorna com seu cãozinho, figura conhecida dos fãs, e dos artistas que vão gravar com Arjen, inclusive Hoshi aparece em vários extras nos DVDs bônus, e o coloca em frente a câmera)
Arjen: Venha Hoshi, aqui está ele! (risos) Diga oi Hoshi!! (eu então dou um Hi-Five pela tela. Nos extras do "Theory of Everything", tem cenas de todos cumprimentando Hoshi com um Hi-Five! ha ha). Aí está ele Hoshi, esse é o Carlos! (Muitos risos)! Ok Carlos, obrigado pela agradável conversa! Até mais. Falamos pelo Facebook, como hoje cedo!


Entrevista: Carlos Garcia
Agradecimentos: TRM PRESS

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Leia a resenha do álbum

   


   

Ayreon: "The Source" - Um "Recomeço" Brilhante



Sempre que algum trabalho novo deste genial holandês, Arjen Anthony Lucassen, começa a ser moldado, é gerada uma expectativa grande, principalmente quando se trata do seu projeto mais famoso e mais querido pelos fãs, a Opera Rock AYREON.

O garoto que começou fazendo playback na escola, imitando ídolos como David Bowie e Alice Cooper, descobriu o que queria para si quando foi apresentado ao som do Deep Purple, e imediatamente tornou-se um fã de Ritchie Blackmore. Em 1994, iniciou sua carreira solo, e, indo totalmente contra a maré, compôs o primeiro álbum do Ayreon, "The Final Experiment" (ele brinca que achava que seria a "experiência final" mesmo.), uma Opera Rock em plena era em que o mercado musical atravessava profundas transformações, a era do "Grunge", de bandas como Nirvana, Alice In Chains, Pearl Jam e etc, e por conta disso, o trabalho foi recusado por várias gravadoras, até que a Transmission Records lançou o álbum, e a aceitação e vendas foram aos poucos aumentando, sendo um grande êxito, tanto que a gravadora logo pediu um novo álbum.


A partir daí, é mais história, e vamos falar do presente, que é o álbum duplo "The Source" (A Origem), que em seu título traz vários significados, ligados à parte lírica, onde Arjen retoma a ficção científica,  a origem da "Forever Race", a própria origem da humanidade e do Ayreon, com vários elementos ligando aos álbuns anteriores, como a substância "Liquid Eternity", utilizada pelos Alphas para sobrevir embaixo d'água, além disso, Arjen também viu como um recomeço, pois inicia o trabalho com uma nova gravadora a partir deste álbum, a "Mascot Label Group". 

Para explanar aqui em poucas palavras, a  história, que é dividida em quatro crônicas, conta como o planeta Alpha foi destruído, por conta das convicções de um super computador criado por eles, "The Frame", para descobrir a causa do planeta estar morrendo, então "The Frame" chega a conclusão que o problema é o povo do planeta, e que este deve ser erradicado. Frente a um iminente apocalipse, alguns poucos escolhidos são destinados a procurarem um novo planeta para que a espécie sobrevivesse, e o destino é um planeta formado por água, onde vão tentar recomeçar, com ajuda da substância chamada "Liquid Eternity" (ou "The Source"), a qual lhes permitiria sobreviver embaixo da água e comunicar-se telepaticamente.

Em 2016, quando revelou que o novo trabalho seria um álbum do Ayreon, já foi gerando expectativas, que aumentaram com os "jogos" de adivinhação, onde Arjen postava em sua página do Facebook teasers das músicas, para que os fãs adivinhassem qual ou quais cantores estavam nas referidas.


Para este álbum, Arjen reuniu um maravilhoso time de vocalistas, contando a seu favor o fato que todos já eram amigos ou no mínimo familiarizados com o seu trabalho, e a primeira faixa apresentada, "The Day That The World Breaks Down", causou impacto extremamente positivo. Uma produção magnifica, que introduz a história, trazendo os 11 vocalistas principais, em uma música que traz todas aquelas nuances características do Ayreon. Fantásticos vocais, grandes teclados, peso, melodia, mesclando o Progressivo, Classic Rock e Heavy/Hard. 

É um álbum mais típico e, digamos, "seguro", pois "The Theory of Everything" foi um trabalho que dificilmente pode ser ouvido parcialmente, e não há uso de refrãos, não seguindo da maneira mais tradicional, já em "The Source", mesmo que siga uma história com início, meio e fim, e as faixas vão se completando, é possível a audição pura e simples, não sendo necessário ouvir na ordem. Mas o álbum é tão bom que fica difícil querer pular músicas! hahah! Com certeza vai ser complicado tirar do playlist.

E todas essas nuances que conhecemos do projeto, estão em "The Source", uma produção magnífica, grandes músicos, e sonoridade que transita pelas influências do 70 e 80 que Arjen nunca nega, mas é um cara sempre aberto a coisas novas, mas o certo é que seu trabalho possui grande personalidade. Então, temos muita música excelente, viajando por partes progressivas, Hard Rock, Heavy e Folk. Você vai notar que é um álbum mais pesado, bastante orientado pela guitarra, mas temos também muitos teclados e aquelas lindas partes mais folk e viajantes.


Podemos sentir o peso já na citada faixa de abertura, e as nuances progressivas e folk em "Sea of Machines", e algo mais experimental na "Everybody Dies", com sua melodias criativas, algo de Queen, e um certo humor negro, pois as melodias "felizes" se contrastam com a letra (Arjen sempre cita o grupo de humoristas Monty Phython, e gosta de utilizar esse tipo de contraste, como em seu álbum solo, na música "Dr. Slumber's Eternity Home"). A história vai se desenvolvendo e as músicas vão trazendo os climas, em performances excelentes dos vocalistas, e em músicas que a cada audição do álbum fica difocil destacar, temos o peso, melodia e cadência de "Star of Sirrah", para em sguida a beleza do clima folk de "All That Was", que traz um certo ar de melancolia, mas também de esperança. Floor e Simone estão magistrais nas suas participações.

Passamos também por momentos que remetem as influências de Blackmore, como a rápida "Run! Apocalipse! Run!", que traz um ar bem Rainbow/Purple, porém com mais peso, aliás, como falei, é um trabalho bem orientado para a guitarra, mais pesado. E o que dizer da tensão dessa intro com os cellos e violinos em "Condemned to Live"? e os fantásticos coros de "Aquatic Race" e "Journey to Forever"?, esta última aliás, remete ao outro projeto de Arjen, o Star One, mais ainda porque há Russel Allen nela, porém há melodias folk. Bom, Arjen mesmo achou que poderia ser, no início, um álbum do Star One, mas depois com a diversidade das demais ideias que foram surgindo, percebeu que um novo Ayreon nascia.


Temos momentos em que a música beira ao Power Metal Melódico, como em "Planet Y is Alive", principalmente nos trechos em que Hansi Kürsch canta,  e logo em seguida a atmosfera belíssima de "The Source Will Flow", com aquele teclado com efeito como se estivesse embaixo da água, vocais intensos e carregados de emoção, além de dois solos magníficos, o de teclado, por Mark Kelly (do Marillion) e o de guitarra por Mark Coenen (Sun Caged). É fantástico como Arjen encaixa as peças, e também tira o melhor de cada um, e o pessoal faz com muito gosto, muito feeling, e ele segue mostrando que é um produtor acima da média.

Com todas essas nuances, encaixadas de forma genial, nos proporciona uma audição em que dificilmente você vai achar o álbum cansativo, é um álbum que vai ser celebrado por muito tempo pelos fãs, que com certeza seguirão aumentando, pois uma mente brilhante como Arjen Lucassen merece ser ouvido, um gênio do Rock Pesado/Progressivo contemporâneo. Não tem muito mais a dizer, "The Source" é simplesmente maravilhoso, o que eu vier mais a falar vai se tornar clichê, ou até piegas.


Texto: Carlos Garcia

Artista/Banda: Ayreon
Álbum: The Source
Estilo: Rock Opera/Progressive Rock/Classic Rock
País: Holanda
Selo: Mascot Label Group (lançamento nacional via Hellion Records)

Confira Line-up e participações em cada faixa:

Joost van den Broek (ex-After Forever) – grand piano and electric piano
Mark Kelly (Marillion) – synthesizer solo[14] on "The Dream Dissolves"
Maaike Peterse (Kingfisher Sky) – cello
Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X) – guitar solo[15] on "Star of Sirrah"
Guthrie Govan (The Aristocrats, ex-Asia) – guitar solo[16] on "Planet Y Is Alive!"
Marcel Coenen (Sun Caged) – guitar solo[17] on "The Dream Dissolves"
Ed Warby – drums
Ben Mathot – violin
Jeroen Goossens (ex-Pater Moeskroen) – flute, wind instruments
Arjen Anthony Lucassen – electric and acoustic guitars, bass guitar, mandolin, synthesizers, Hammond, Solina Strings, all other instruments

   

Chronicle 1: The 'Frame
1. "The Day That the World Breaks Down" (James LaBrie, Tommy Karevik, Tommy Rogers, Simone Simons, Nils K. Rue, Tobias Sammet, Hansi Kürsch, Mike Mills, Russell Allen, Michael Eriksen, Floor Jansen) 12:31
2. "Sea of Machines"  (Rogers, Eriksen, Rue, Simons, Sammet, Allen) 5:08
3. "Everybody Dies" (Mills, Karevik, Rogers, Allen, Kürsch, Eriksen, Sammet, Jansen) 4:42
Tempo Total: 22:21

Chronicle 2: The Aligning of the Ten
4. "Star of Sirrah"  (LaBrie, Allen, Kürsch, Sammet, Rue, Rogers, Eriksen, Jansen) 7:03
5. "All That Was" (Simons, Jansen, LaBrie, Eriksen) 3:36
6. "Run! Apocalypse! Run!" (Karevik, Kürsch, Mills, Allen, Jansen, Sammet, Rue, LaBrie) 4:52
7. "Condemned to Live" (LaBrie, Rogers, Eriksen, Simons, Karevik, Jansen) 6:14
Tempo Total: 21:45

Chronicle 3: The Transmigration
1. "Aquatic Race" (LaBrie, Sammet, Karevik, Eriksen, Allen, Simons, Rogers, Jansen, Kürsch) 6:46
2. "The Dream Dissolves" (Simons, Jansen, Eriksen, Rue) 6:11
3. "Deathcry of a Race" (Allen, Sammet, Jansen, Karevik, Zaher Zorgati, Simons) 4:43
4. "Into the Ocean" (Allen, Mills, Eriksen, Kürsch, Sammet, Karevik, Rue) 4:53
Tempo Total: 22:33

Chronicle 4: The Rebirth
5. "Bay of Dreams" (LaBrie, Rogers, Mills, Eriksen, Rue) 4:24
6. "Planet Y Is Alive!" (Karevik, Allen, Kürsch, Mills, Sammet, Jansen) 6:02
7. "The Source Will Flow"  (Rogers, LaBrie, Simons) 4:13
8. "Journey to Forever" (Sammet, Eriksen, Kürsch) 3:19
9. "The Human Compulsion" (Simons, LaBrie, Rogers, Eriksen, Allen, Rue, Sammet, Kürsch, Karevik, Jansen) 2:15
10. "March of the Machines" (Mills) 1:40
Tempo Total: 21:53

   

   

domingo, 10 de junho de 2012

Entrevista - Arjen A. Lucassen : Welcome to the New Real!

                                        English version clic HERE
Multi-instrumentista, compositor, produtor, fã de filmes de ficção e séries, considera-se um recluso social, não gosta de ler jornais ou assistir noticiários, não gosta de tocar ao vivo (ressaltando que o que sente falta é do contato com os fãs, mas felizmente com a internet pode trocar e-mails com eles pelo menos), possui uma criatividade incomum, não se permite limites, em plenos anos 90, numa época, digamos, totalmente desfavorável, ele gravou sua primeira Metal Ópera, já produziu estupendos trabalhos com seus projetos Ayreon e Star One, além de outros de qualidade equivalente, como Guilt Machine e Ambeon.

Passou por um período difícil (em 2007),  passando por uma separação, tendo que mudar-se da sua casa no campo, onde mantinha o estúdio, ter sido diagnosticado com anosmia, lutou contra a depressão, mas buscou na música as forças contra tudo isso, e nos presenteou com mais grandes trabalhos (Ayreon - 01011001, Star One - Victims of the Modern Age e Guilt Machine - On This Perfect Day), e agora em 2012, lança seu segundo trabalho solo, trazendo uma atmosfera mais leve e menos "dark" do que os trabalhos anteriores, sendo que, além do senso de humor presente no álbum, também podemos encontrar uma grande diversidade musical, além do que neste álbum o gênio Holandês gravou todos os vocais.

Conversamos com o sempre simpático Arjen para falar um pouco mais sobre "Lost in the New Real", sobre filmes, séries, como conduz seu trabalho e muito mais, numa divertida e muito interessante entrevista que você confere a seguir. Com vocês: O Maestro!


RTM: Depois de muitas bandas e projetos, "Lost in The Real New" é apenas o seu segundo álbum "solo". Por que você demorou tanto para lançar um outro "solo"?
Arjen: Na verdade, o último álbum do Ayreon e o álbum do Guilt Machine foram planejados para ser um álbum solo. Mas ... Eu nunca mantenho o plano, eu sempre mudo de idéia em algum ponto! Muitas vezes eu ouço um grande cantor, como no caso do Guilt Machine, então acabo convidando outros cantores ... mas não desta vez, me mantive preso ao plano...somente eu nos vocais!

RTM: Você disse que foi um desafio gravar todos os vocais, comentou que gostaria de cantar, mas nunca esteve confortável ou satisfeito com a sua voz. Para as gravações de "Lost in the New Real"  como você se preparou, e o que teve de mudar em sua maneira de cantar para chegar aos grandes resultados alcançados? E agora, com o CD já lançado, como você analisa o seu desempenho?
Arjen: Eu acho que definitivamente fiquei melhor e mais versátil. Pelo menos eu aprendi com minhas próprias limitações. E eu escrevi essas canções especialmente para minha voz. Eu não podia cantar metal como, por exemplo, Russell Allen faz. Estou orgulhoso da minha performance e espero que as pessoas também aprovem!

RTM: Sobre sua época com o Stream of Passion, lembro que você comentou que foi muito bom fazer parte de uma banda de novo, sair em tour, shows . Com este novo álbum, sem muitos convidados, como no Ayreon ou Star One, você já trabalhou nele também pensando que seria mais fácil talvez apresentá-lo ao vivo, e quem sabe haveria chance de vermos você realizar uma turnê desse álbum ?
Arjen: Desculpe, mas não ... Será que eu realmente disse isso?(N. do R.: em entrevista a Roadie Crew de março 2008, falou que por um lado gostou de participar da tour ao lado do Stream of Passion, principalmente porque sente falta do contato com os fãs, mas por outro lado, como sabemos, não gosta de tocar ao vivo). De qualquer forma, eu realmente odeio tocar ao vivo, é o meu maior pesadelo. Eu me vejo como um compositor / produtor, que é o que eu prefiro fazer e é isso que eu faço melhor. Eu sou um recluso total. Eu não gosto de socializar. Eu não gosto de viajar e eu odeio esperar. Sair em tour é 90% espera! Não é produtivo ou criativo. Eu prefiro ser criativo e trabalhar em coisas novas em vez de tocar as mesmas canções noite após noite. Só não é mais a minha paixão. Desculpe, gente!


RTM: Man! Com a sua mente focada exclusivamente em estúdio e criar música, você vai explodir nossas mentes com muitas obras-primas!
Arjen: Esse é o plano, Carlos! Eu vou fazer o meu melhor!

RTM: Conte-nos um pouco sobre o conceito de "Lost in The New Real". Como surgiu a idéia inicial e o desenvolvimento da história?
Arjen: "Lost in the New Real" conta a história de Mr. L, um homem morrendo de câncer que foi criopreservado no início do século 21 e revivido em algum momento num futuro indeterminado. Neste mundo do futuro, câncer e outras doenças foram eliminados, e o tecido social da humanidade mudou drasticamente: os computadores têm desenvolvido emoções e a maior parte da interação social ocorre na realidade virtual. A linha entre o que é considerado "real" e o que não é tonou-se irreconhecível.

As 15 músicas que compõem o álbum acompanham a jornada emocional de Mr. L, como ele, com a ajuda de um conselheiro psicológico (o narrador, interpretado pelo ator Rutger Hauer), é confrontado com vários aspectos sérios e cômicos desta "nova realidade" e tenta decidir se deve ou não encontrar um lugar significativo para ele dentro dessa realidade.

RTM: A história me lembra antigos filmes de ficção, e do "Austin Powers", a comédia!Senti muito senso de humor neste álbum, e eu acredito que esta é a grande diferença dele com relação aos seus trabalhos anteriores!
Arjen: Ah, sim, meus últimos álbuns foram todos muito "dark", era hora de um pouco de humor novamente!


RTM: A capa do álbum é muito legal também! "In Stereo"! "Totalvision Trekknicolor" (com o "trekk" como alusão a série "Star Trek")!Como os filmes de ficção cartazes antigos! Você deve ter muito divertido fazer este álbum! Great! Conte-nos um pouco mais sobre a idéia de arte da capa! 
Arjen: Eu queria algo muito colorido e nostálgico. Felizmente eu encontrei alguém que tem o mesmo fascínio por coisas sci-fi antigas como eu tenho: o artista gráfico Claudio Bergamin. Tentamos capturar a sensação daqueles velhos cartazes de filme de ficção científica dos anos 60 e atualizá-lo um pouco para o nosso tempo. Se você olhar atentamente você vai ver também o Holodeck de Star Trek!

RTM: Sobre o senso de humor, nós gostaríamos que você comentasse sobre a letra de "Pink Beatles on a Purple Zepellin" (o título já parece homenagear algumas de suas bandas favoritas) e "When Pigs Can Fly", esta canção é hilária!
Arjen: Fica cada vez mais difícil ser original na música. Eu acho que no futuro eles terão este programa de computador que só vai criar a música perfeita para você, sob medida. Apenas um toque de suas bandas favoritas como Floyd, Beatles, Purple e Zeppelin e o computador vai misturar seus estilos em uma nova composição.

"When Pigs Can Fly" é sobre uma realidade alternativa, o que aconteceria se nosso mundo fosse exatamente o oposto do que é, como a matéria e a anti-matéria?


RTM: Outra coisa que diferencia este álbum dos demais é a diversidade musical. Os seus outros projetos tem, de certa forma, uma linha mais definida, em "Lost in the New Real" você se sentiu mais à vontade para experimentar?
Arjen: Ah, sim, absolutamente. Eu queria voltar para a sensação que tive quando comecei com o Ayreon. Sem expectativas, apenas fazer um álbum para mim, mesmo que todo mundo venha a odiá-lo. Sem limites!

RTM: E nos dizer sobre a participação de Rutger Hauer! Você é um grande fã de filmes de ficção, e "Blade Runner" é o seu favorito de todos os tempos (provavelmente você gosta de "A Morte Pede Carona" também).
Arjen: Foi realmente um sonho. Porque eu realmente sonhava com isso! Eu sou um fã de Rutger desde que eu tinha 10 anos. E sim, Blade Runner é o meu favorito filme de ficção científica de todos os tempos também. Rutger escreveu cerca de 80% de sua própria narrativa. Fomos conversando pelo skype durante semanas! Isto se tornou muito especial para mim. E muito real, ele não simplesmente lê palavras de outras pessoas. Ele realmente mergulhou na história e na música para criar a sua própria narração.

Rutger Hauer, em cena do filme Blade Runner
RTM: O filme "Surrogates", com Bruce Willis, mostra um futuro no qual as pessoas interagem através de andróides, e vivem em isolamento, há algo de verdade nisso, as pessoas parecem preferir ter uma conversa ou interagir pela internet em vez de falar cara a cara!Você acha que isso pode ser um problema sério no futuro? Em "Lost in The New Real" você toca em alguns destes pontos.
Arjen: Eu já estou assim! A canção "Social Recluse" é sobre mim, basicamente, menos a parte de jogar jogos de computador. Para mim pessoalmente não é um problema, porque eu nunca gostei de me socializar de qualquer maneira! Mas eu sou feliz por ter tido uma infância "normal" naquele tempo antes dos computadores.

RTM: E sobre o futuro da música? A maioria diz que lançamento do álbum físico é algo que não é mais viável, e as bandas se sustentam apenas com os shows. O que você acha dessa questão?
Arjen: A resposta é simples. Se as pessoas continuarem baixando a minha música ilegalmente e deixar de comprar os meus CDs, eu tenho que parar de fazer música. É a minha única renda, porque eu não toco ao vivo, e eu tenho que investir muito tempo e dinheiro em meus projetos. Então você pode adivinhar meus pensamentos sobre o assunto! :-)


RTM: E se você estivesse congelado criogenicamente e despertado num futuro distante, como você imagina que seria a indústria da música? He he he!
Arjen: Como eu descrevi na canção "Pink Beatles...". Fazer música se tornará um passatempo, em vez de uma profissão.

RTM: Depois de ter trabalhado com muitos artistas de renome e descobrir muitos talentos,  que os músicos você gostaria de trabalhar no futuro? (Lembro-me agora uma brincadeira com você e Tobias Sammet, sobre uma disputa envolvendo os convidados para os seus projectos!)
Arjen: Eu, claro, adoraria trabalhar com músicos que eu cresci ouvindo, como Floyd, Beatles, Alice Cooper ou Zeppelin. Mas há também um monte de novos talentos que eu gostaria de trabalhar.

RTM: E sobre os comentários que você teria gostado do trabalho da cantora brasileira Daísa Munhoz, do Soulspell Metal Opera, e que ela poderia ser convidada para um futuro álbum seu? (Acho que está faltando um brasileiro em albuns do Ayreon, Tobias já tinha André Matos no Avantasia! He he he!)
Arjen: Obrigado pela dica, vou checá-la!!!!


RTM: E falando como Arjen Lucassen, o produtor, o que bandas ou artistas de que você gostaria de produzir algum dia?
Arjen: Eu não produzo outras bandas, eu sou um total ego-maníaco que só trabalha em sua própria música!


RTM: Seguindo a mesma linha, um fã de vocês, que é também um músico, ele pediu para fazer as seguintes perguntas:
a) Você pode falar um pouco sobre o trabalho de mixagem do álbum Into the Electric Castle? A combinação de instrumentos, especialmente o baixo ea bateria estavam com grande peso e profundidade em comparação com todos os outros álbuns.
b) E sobre clássicos como Gênesis Rush, e Sim, são bandas que você cita como influências na sua música?
Arjen: a] "Electric Castle" foi ainda gravado em fitas Adat antigas. Eu acho que as limitações podem ser muito interessantes. Eu adoraria voltar ao som "transparente" novamente, sem "samples" ou quaisquer sons digitais.

        b] Ah sim, claro! Eu amo essas bandas. Eu escuto muita música dos anos 60 e 70 e é claro que isso influencia e inspira-me.

RTM: Conte-nos como funciona a sua maneira de fazer as coisas, um pouco de como funciona a mente criativa de Arjen Lucassen! Quando você começa a imaginar um novo álbum, geralmente começa a história e depois a música, ou depende?
Arjen: eu começo a gravar algumas ideias pequenas na guitarra (acordes, riffs, melodia) em um gravador de cassetes simples. Essas idéias normalmente surgem quando estou apenas brincando no meu violão. Em outras palavras, quando não há pressão.Quando eu tenho cerca de 50 idéias reunidas eu começo a  gravar, organizá-las e arranjá-las em meu estúdio. Depois de uns dois meses eu normalmente já tenho cerca de 2 horas de música.

 Então eu coloco as músicas na ordem certa e começo a entrar em contato com os cantores, quando é um álbum do Ayreon. Então eu deixo a música me inspirar para chegar a uma história. Quando todos os cantores são confirmados eu divido as partes deles pelo álbum, e o último passo é escrever letras. Enquanto estou escrevendo as letras a história se desdobra.

James Bond Style ou "Arjen's Angels"!?
 RTM: Quando você começou com o Ayreon, você imaginou tal aceitação, com os fãs chegando a criar fóruns para discutir o conceito dos álbuns? Sua música é capaz de criar esse interesse, porque há tantos detalhes que cada audição, cada vez que leio as letras, eu acho coisas novas.
Arjen: Obrigado pelo elogio! De maneira alguma, eu não esperava que PESSOA ALGUMA fosse gostar de minhas músicas e letras estranhas! Tantos estilos, e uma história tão complicada. Mas eu estou verdadeiramente honrado que as pessoas gostam tanto dela, é tudo que eu poderia desejar!

RTM: Como um fã de filmes e séries, que você listar os seus cinco filmes favoritos de todos os tempos?

RTM: E os seus cinco álbuns favoritos?
Arjen: Beatles - Magical Mystery Tour, Pink Floyd - Queria que você estivesse aqui, Led Zeppelin - III, Queen - II, Rainbow - Rising, Rush - Permanent Waves ... Damn, foram 6 eu acho ... (Risos)


RTM: E que outras séries de tv você curte ? O que acha de sucessos mais recentes como "Supernatural", "Dexter" ou "Lost"?
Arjen: Dexter é a minha série de TV favorita, brilhante! Também gostei das duas primeiras temporadas de Lost.

RTM: Bem, temos um monte de perguntas, mas vamos poupar seu tempo (para contin uar criando!!)! Obrigado por toda a atenção, obrigado por toda sua música! Deixamos o espaço para a sua mensagem aos fãs brasileiros!
Arjen: Estou a disposição! Tudo que eu quero dizer aos meus leais fãs brasileiros é que eles não devem esperar (de "Lost in the New Real") uma bombástico metal ópera, com vários cantores convidados. Mas se vocês tem uma mente aberta, que eu sei que vocês tem a partir de seus e-mails e mensagens lindas, tenho certeza que vocês poderão desfrutar deste álbum eclético e aventureiro, então ... divirtam-se!

Por: Carlos Garcia
Edição: Carlos Garcia
Revisão: Roy Batty
Colaboraram: Luiz Harley e Alan Garcia

Thanks to Arjen and Lori for all attention and kindness!



Interview With Arjen A. Lucassen - Welcome to the New Real!


Multi-instrumentalist, composer, producer, fan fiction movies and series, calls himself a social recluse, does'nt like read newspapers or watch the news, does not like to play live (noting that what he feels is a lack of contact with the fans, but fortunately with the Internet can change e-mail them at least), has an unusual creativity, do not allow limits, and on 90's, in a totally unfavorable time, he recorded his first Metal Opera,!! Has produced stupendous works with his projects Ayreon and Star One , and others of equivalent quality as Guilt Machine and Ambeon.

Went through a difficult period (in 2007), with a divorce, having to move out of his old house and studio, have been diagnosed with anosmia and faced a depression, but sought in music all the forces against it, and presented us with more great music (Ayreon - 01011001, Star One - Victims of the Modern Age, Guilt Machine - on This Perfect Day), and now in 2012, released his second solo effort, bringing an atmosphere lighter and less dark than the previous works, where, besides the sense of humor in this album, we also find a wide variety of music, furthermore the Dutch genius recorded all the vocals.

We spoke to Arjen to talk more about "Lost in the New Real" about movies, series, your music and more in a funny and very interesting interview! With you: The Maestro!!! 



RtM: After too many bands and projects, “Lost in The New Real” is just your second “solo” album. Why did you take so long to release another “solo”?
Arjen: I’ve been planning to do a solo album for years, in fact the last Ayreon and the Guilt Machine album were planned to be a solo albums. But…I never stick to the plan, I always change my mind at some point! Often I hear a great singer, like in the case of Guilt Machine, and then I invite other singers anyway…but not this time, I stuck to the plan…just me on vocals!

RtM: You said that was a challenge to record all the vocals, commented that like to sing but never was comfortable or satisfied with your voice. For "Lost in the New Real” records, how did you prepare yourself, and what has change in your way to sing to get such good results? And now, with the CD already released, how did you analyze your performance? 
Arjen:  I think I definitely got better and more versatile. At least I learned my own limitations. And I wrote these songs especially on my voice. I couldn’t sing metal like for instance Russell Allen does. I'm proud of it and pleased that people enjoy it too!

RtM: When you work with Stream of Passion, you said that was really great to be a part of a band again, make tours, live shows… With this new album, without too many guests like Ayreon or Star one, did you work on it thinking that will be easier to play alive, and maybe will there be a chance to see you take this album on tour?
Arjen: Sorry, but no… Did I really say that?(Redator's Note: In an interview to brazillian magazine Roadie Crew, in March 2008, said that on one hand like to participate in the tour with the Stream of Passion, mainly because he misses the contact with the fans, but on the other hand, as we know, does not like to play live)

Anyway, I really hate playing live, it's my biggest nightmare. I see myself as a composer / producer, that's what I prefer doing and that's what I do best. I am a total recluse. I don't like to socialize. I don't like to travel and I hate waiting. Touring is 90% waiting, it's not productive or creative at all. I'd rather be creative and work on new stuff instead of playing the same songs night after night. It's just not my passion anymore. Sorry, folks!


RtM: Man!With your mind focused exclusively in studio and to create music, you will blow our minds with many masterpieces!!
Arjen: That's the plan, Carlos! I'll do my best!

RtM: Tell us a little about the “Lost in The New Real” concept. How did the initial idea, the concept and the history development?
Arjen: "Lost in the New Real" tells the story of Mr. L, a man dying of cancer who was cryopreserved in the early 21st century and revived sometime in the undetermined future. In this future world, cancer and other diseases have been eliminated, and the social fabric of humanity has changed drastically: computers have developed emotions and most social interaction takes place in virtual reality. The line between what is considered "real" and what is not has blurred beyond recognition. 

The 15 songs comprising the album follow Mr. L's emotional journey as he, with the help of a psychological advisor (the narrator), is confronted with various serious and comical aspects of this "new real" and tries to decide whether or not he can find a meaningful place within it.


RtM: The history reminds me old fiction movies, and  the “Austin Powers” comedy! I felt many sense of humor in this album, and I believe that’s a great difference of it!  
Arjen: Oh yes, my last albums were all very dark, it was time for some humor again!

RtM: The album cover is very nice too! “In Stereo”! “Totalvision Trekknicolor”! Like the old fiction movies posters! You must have a lot of fun doing this album! Great!Tell us a little more about the cover art idea!
Arjen: I wanted something very colorful and nostalgic. Luckily I found someone who has the same fascination for old sci-fi stuff as I have: the artwork guy Claudio Bergamin. We tried to capture the feel of those old cheesy sci-fi movie posters from the 60’s and update it a bit to our time. If you look closely you’ll even see the Holodeck from Star Trek!

RtM: About the sense of humor, we would like you comment about the lyrics of “Pink Beatles in A Purple Zeppelin” (the title have seems to pay homage to some yours favorite bands too) and “Where Pigs Can Fly”, this song it’s hilarious! 
Arjen: It gets harder and harder to be original in music. I figure that in the future they will have this computer program that will just create the perfect music for you, tailor-made. Just punch in your favorite bands like Floyd, Beatles, Purple and Zeppelin and the computer will mix their styles into a new composition.

Where Pigs Fly is about an alternate reality, what would our world look like if everything was exactly the opposite, like matter and anti-matter?


RtM: Another thing that differentiates this album from the others is the musical diversity. Your other project have, in some ways, a more defined line, in “Lost in the New Real” did you feel more comfortable to experiment?
Arjen: Oh yes, absolutely. I wanted to get back to the feeling I had when I started Ayreon. No expectations just make an album for myself, even if everyone else would hate it. No limits.

RtM: And tell us about the Rutger Hauer participation! You are a big fan of fiction movies, and “Blade Runner” is your all-time favorite (probably you like “The Hitcher” too).
Arjen: It was truly a dream come true. Because I really dreamt about it! I’ve been a fan of Rutger ever since I was 10 years old. And yes, Blade Runner is my fave sci-fi movie of all time as well. Rutger wrote about 80% of his own narration. We’ve been skyping for weeks! This makes it really special for me. And very real, he’s not just reading other people’s words. He really dived into the story and music to make the narration his own.

Rutger Hauer, Blade Runner scene
RtM: The movie “Surrogates”, with Bruce Willis, show a future when people interact through androids, and live in isolation, an actually, people seems to prefer to have a conversation or interact through internet instead of talking face to face! Did you thing this can be a serious problem in the future? In Lost in The New Real you touch in some of this point.
Arjen: I’m already like this! The song Social Recluse is about me basically, apart from playing computer games. For me personally it’s not a problem, because I never liked to socialize anyway J But I’m glad I had a ‘normal’ childhood in the time before computers.

RtM: And about the future of the music? Most say that physical album release is something that is no longer feasible, and the bands make the money only with the shows. What do you think about?
Arjen: The answer is simple, . If people keep downloading my music illegally and stop buying my CDs, I have to stop making music. It's my only income because I don’t play live, and I have to invest a lot of time and money in my projects. So you can guess my thoughts on that topic! :-)

With Anneke, Floor and Simone:James Bond Style or Arjen's Angels!!?
RtM: And if you were cryogenically frozen and awakened in the distant future, as you can imagine what would be the music industry? He he he!
Arjen: Like I described in Pink Beatles in a Purple Zeppelin. Making music will become a hobby instead of a profession.

RtM: After having worked with many renowned artists and discovered many talents, what   musicians would you like to work in future? (I remember now a joke with you and Tobias Sammet, about a dispute involving the guests for your projects!)
Arjen: I would of course love to work with musicians that I grew up listening to as a kid, like Floyd, Beatles, Alice Cooper or Zeppelin. But there is also a lot of new talent I’d like to work with.

RtM: And speaking as Arjen Lucassen, the producer, what bands or artists would you like to produce some day?
Arjen: I don’t produce other bands, I’m a total ego-maniac who only works on his own music!

RtM: And about the comments that you would have liked the work of brazilian singer Daísa Munhoz, from Soulspell Metal Opera, and that she could be invited to a future album of yours? (I think it is missing a Brazilian in Ayreon’s  albuns, Tobias had already André Matos in Avantasia! He he !)
Arjen: Thanks for the tip, I’ll check her out!




RtM: Following the same line, a fan of yours, also a musician, begged to us to ask the following questions:
A) Can you talk a little about the work of mixing the album "into The Electric Castle"? The mix of instruments, especially bass and drums, were with great weight and depht compared to all other albuns.
B) And about classics like Genesis, Rush and Yes, are bands that will you cite like influences on your music?
Arjen: A) Electric Castle was still recorded on old Adat tapes. I Think that limitations can be very good. I would love to go back to that transparent sound again, without samples or any digital sounds.
and... B) Oh yes, of course! I love those bands. I listen to a lot of 60's and 70's music and of course this influences and inspires me!

RtM: Tell us how it works the way you do the things, a bit of how works the creative mind of Arjen Lucassen! When you begin to imagine a new album, usually begins the story and then the music, or depends?
Arjen: I start recording some little ideas on guitar (chords, riff, melody) on a simple cassette player. These ideas usually come up when I'm just noodling on my guitar. In other words, when there's no pressure. When I've got about 50 ideas I start recording, layering and arranging them in my studio. After a couple of months I usually have about 2 hours of music.

 Then I put the songs in the right order and start contacting singers when it's an Ayreon. Then I let the music inspire me to come up with a story. When all the singers are confirmed I divide their parts over the album and the last step is writing lyrics. While I'm writing the lyrics the story unfolds itself.

Guilt Machine
RtM: When you started with Ayreon, would you have imagined that such acceptance, with fans to create forums to discuss the concept of the albuns? Your music is able to create that interest, because there are so many details that every hearing, every time I read the lyrics, I find new things.
Arjen: Thanks for the compliment! Not at all, I didn’t expect ANYONE to like my weird music and lyrics! So many styles, and such a complicated story. But I’m truly honored that people enjoy it so much, it’s all I could wish for!

RtM: As a fan of movies and series, would you list your five favorite movies of all time?  
Arjen: Donnie Darko, Being John Malkovich, The Omen, Blade Runner, One Flew Over the Cuckoo's Nest, The Machinist, Insomnia. Oops, that's more than 5 :-) !!!! 

RtM: And your five favorite albuns?
Arjen: Beatles - Magical Mystery Tour; Pink Floyd - Wish you Were Here; Led Zeppelin - III; Queen - II; Rainbow - Rising; Rush - Permanent Waves...Damn, that's was six i believe !!! (laughs).

RtM: And what another movies or tv series would you appointed how your favorites? And about more recent success like “Supernatural”, “Dexter” or “Lost”?
Arjen: Dexter is my favorite TV series ever, brilliant! I also enjoyed the first two seasons of Lost.


RtM: Well, we have a lot of questions, but we wil save your time!!! Thanks for all attention, thanks for the music, and we let the space for your message to brazilian fans!
Arjen: You’re very welcome! All I want to say to my loyal Brazillian fans is that they shouldn’t expect a huge bombastic metal-opera here with load of guest singers. But if you have an open mind, which I know you have from your lovely emails and messages, I’m sure you could enjoy this eclectic and adventurous album, so... have fun!!


Interview: Carlos Garcia
Review: Roy Batty
Collaborated: Luiz Harley & Alan Garcia


Thanks to Arjen and Lori for all attention and kindness!


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