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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Entrevista - Robert Lowe: "A Música Precisa Te Levar em uma Jornada."



English version available below

O vocalista norte-americano Robert Lowe é considerado uma das vozes mais emblemáticas do doom metal mundial, tanto pela sua importância no Solitude Aeturnus — ajudando a consolidar o epic doom como um subgênero — quanto pela sua contribuição à trajetória de uma das maiores bandas do estilo, o Candlemass.

Robert chega ao Brasil neste mês de abril para uma mini tour de três datas(dia 10 em São Paulo, 11 em Sorocaba e 12 no Rio de Janeiro. Midgard e Loss são as bandas convidadas na turnê) onde apresentará clássicos do Solitude Aeturnus e Candlemass. 

Conversamos com Robert para falar um pouco dessa história e contribuição para o estilo. Confira!


Renato: Oi, Robert
Robert: E aí, irmão?


Renato: Cara, meu nome é Renato, do site Road to Metal. É um prazer falar com você.
Antes de começarmos, preciso dizer que não falo muito inglês, estou me desafiando aqui. Sou muito seu fã, Robert, seja com o Solitude ou Candlemass.
Robert: Sabe de uma coisa? Podemos dizer logo que, atualmente, moro na Noruega, não falo muito norueguês, então, sabe, estamos na mesma página. [risos]


Renato: Para início de conversa, vamos falar sobre seus anos no Candlemas. Diga-me, quais são as principais contribuições que você acredita ter deixado como legado para a banda durante esse período? 
Robert: Bem, boa pergunta. Contribuição? Você sabe, espero que com esse tempo que passei com esses caras, que são ótimos, isso tenha contribuído para melhorar o que eles vinham já fazendo. Ninguém estava tentando melhorar, mas apenas adicionar algo para que todos nos sentíssemos confortáveis com o que o que estávamos fazendo.


Renato: Ainda sobre sua história com Candlemas, o álbum “Death Magic Doom” se tornou um álbum muito amado pelos fãs, com músicas que se tornaram icônicas, como “Hammer of Doom”. Eu gostaria que você falasse sobre a importância deste álbum na sua carreira e um pouco sobre como ele foi concebido. 
Robert: Bem, você sabe, Hammer of Doom é Hammer of Doom. Eu adoro tocar essa música, adoro tocar. Uma das coisas sobre todo esse álbum é que conseguimos retratar certas coisas, mas essa, essa me toca profundamente, sabe, porque, quero dizer, há poder. 

Leif e os caras, Lars, Lasse e Mappe, sabe, caras ótimos, músicos ótimos. E, sabe, você tem que dar os parabéns a esses caras.
Quer dizer, eu, eu não fiz nada. Eu não sou ninguém. [risos]

Então eu não fiz nada. Mas poder lançar algo assim é uma coisa que te qualifica,  te permite ser quem você é. E, novamente, aqueles tempos e estar com o Candlemass foram momentos de qualidade.


Renato: A próxima pergunta é sobre a era Solitude Aeturnus. Diga-nos, como foi formar uma banda de Doom Metal no Texas, a terra do Southern Rock e da cultura country? Quais foram suas principais inspirações? 
Robert:  Bem, antes de mais nada, preciso dizer que adoro ser texano e sempre vou apreciar isso. Mas o que importa é que, como você perguntou, o John Perez e o Lyle, que sempre foi meu amigo de longa data, nós dois ouvimos, sei lá, Pentagram, Trouble, sabe, Celtic Frost, certo? E tipo: “ei, a gente devia fazer isso.” E aí você pensa, dane-se, vamos fazer. E aí você acaba fazendo! [risos]

Mas o ponto é que a qualidade desses caras, sabe, com os instrumentos deles e o que eles fazem é importante, porque você pode confiar no seu colega de banda. Porque seu colega de banda é importante quando você está no palco ou em qualquer outra coisa que você faça: A qualidade da amizade. Acho que é isso que faz com que, seja com quem for, você traga essa qualidade para a mesa, que vai permitir que você faça o que tem de ser feito.


Renato: Agora uma pergunta muito importante para mim. Gostaria que você falasse um pouco sobre “Beyond the Crimson Horizon”.
Robert:  Nossa! Sim, sim. Fantástico.


Renato: Perfeito. Ele é considerado por muitos a obra-prima da banda, um álbum magistral, cara, ostentando a melhor atmosfera e a mistura perfeita de doom esmagador e melodia. Conte-nos o que você acha disso e se concorda. E claro, o que este álbum significa para você? 
Robert:  Bem, fazer esse álbum, e vou ser breve na resposta, o que não vou fazer porque seria uma mentira. [risos]

A música precisa te levar em uma jornada, e fazer esse álbum com esses meus amigos, simplesmente, eu não sei como dizer de outra forma, mas você simplesmente faz acontecer!
 
E as letras, e a música, e o tempo que você passa com cada um…escrever riffs de guitarra, e/ou, sabe, ei, que tal essas letras? Ou que tal aquelas? Sabe, tudo isso, a culminação de todo o processo é o que importa.
E tem tanta coisa envolvida. Mas eu amo esse álbum.


Renato: É um álbum foda!
Robert: É mesmo. E eu sou extremamente feliz por ter feito parte desse processo. Quer dizer, significou muito para mim poder ter meus companheiros de banda, meus amigos, fazer algo juntos. Significou muito para mim.


Renato: Para mim, este álbum é uma obra-prima do metal.
Robert: É o melhor. É isso aí,  irmão.



Renato: E se é possível escolher: Candlemass ou Solitude Aeturnus? Qual a sua preferida? [Risos]
Robert Lowe: Sabe de uma coisa? Ambos são os melhores porque o Candlemass traz algo para a mesa e o Solitude traz algo também. Se eu estivesse na sala de estar, ou no quarto, e fosse colocar um álbum para ouvir, eu gostaria de ouvir Messiah Marcolin no Candlemass, ou ouvir Solitude Aeturnus... é uma daquelas coisas que depende do que fala aos seus sentimentos ou emoções. O Leif traz isso e, como eu disse antes, todos os caras do Solitude também. São todos pessoas incríveis.


Renato: Valeu, cara. Obrigado pela música, obrigado pela sua voz. Tchau!
Robert Lowe: Obrigado a você. Agradeço seu tempo e nos vemos por aí. Talvez para fumar algo ou tomar uma cerveja, sei lá. O importante é aproveitar nosso tempo. Espero aproveitar com todos os fãs brasileiros. Se cuida irmão!


Entrevista: Renato Sanson (colaborou: Caco Garcia)
Transcrição e Edição: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação, arquivos do artista e Terje Tysnes

Agradecimentos: Som do Darma 




English Version

Interview - Robert Lowe: "Music Needs to Take You on a Journey."


The North American singer Robert Lowe is considered one of the most emblematic voices in world doom metal, both for his importance in Solitude Aeturnus—helping to consolidate epic doom as a subgenre—and for his contribution to the trajectory of one of the style's greatest bands, Candlemass.

Robert arrives in Brazil this April for a mini-tour of three dates (April 10th in São Paulo, April 11th in Sorocaba, and April 12th in Rio de Janeiro. Midgard and Loss are the guest bands on the tour) where he will present classics from Solitude Aeturnus and Candlemass.

We talked with Robert to discuss a bit of his history and contribute to the style. Check it out!

Renato: Hello, Roberto.

Robert: Hey, brother?

Renato: Man, my name is Renato, from the Road to Metal website. It's a pleasure to talk to you.

Before we begin, I need to say that I don't speak much English; I'm challenging myself here. I'm a big fan of yours, Robert, whether with Solitude or Candlemass.

Robert: You know what? We can say right away that, currently, I live in Norway, I don't speak much Norwegian, so, you know, we're on the same page. [laughs]

Renato: To start the conversation, let's talk about your years in Candlemass. Tell me, what are the main contributions you believe you left as a legacy for the band during that period?

Robert: Well, good question. Contribution? You know, I hope that with the time I spent with these guys, who are great, it contributed to improving what they were already doing. Nobody was trying to improve, but I just added something so that we all felt comfortable with what we were doing.


Renato: Still on your history with Candlemass, the album "Death Magic Doom"

became a much-loved album by fans, with songs that became iconic, such as "Hammer of Doom". I'd like you to talk about the importance of this album in your career and a little about how it was conceived.

Robert: Well, you know, Hammer of Doom is Hammer of Doom. I love playing that song, I love playing it. One of the things about this whole album is that we managed to portray certain things, but this one, this one touches me deeply, you know, because, I mean, there's power.

Leif and the guys, Lars, Lasse and Mappe, you know, great guys, great musicians. And, you know, you have to congratulate those guys.

I mean, I, I didn't do anything. I'm nobody. [laughs]

So I didn't do anything. But being able to release something like that is something that qualifies you, allows you to be who you are. And, again, those times and being with Candlemass were quality moments.


Renato: The next question is about the Solitude Aeturnus era. Tell us, what was it like forming a Doom Metal band in Texas, in the land of Southern Rock and country culture? What were your main inspirations?

Robert: Well, first of all, I need to say that I love being Texan and I will always appreciate that. But what matters is that, as you said, John Perez and Lyle, who has always been a longtime friend of mine, we both listened to, I don't know, Pentagram, Trouble, you know, Celtic Frost, right? And like: "hey, we should do this." And then you think, screw it, let's do it. And then you just did it! [laughs]

But the point is that the quality of these guys, you know, with their instruments and what they do is important, because you can trust your bandmate. Because your bandmate is important when you're on stage or anything else you do: The quality of the friendship. I think that's what makes it so that, whoever it is, you bring that quality to the table, which will allow you to do what needs to be done.

Renato: Now a very important question for me. Roberto: Wow! Yes, yes. Fantastic.

Renato: Perfect. It's considered by many to be the band's masterpiece, a masterful album, man, boasting the best atmosphere and the perfect mix of crushing doom and melody. Tell us what you think about it and if you agree. Of course, what does this album mean to you?

Robert: Well, make this album, and I'll be brief in my answer, which I won't do because it would be a lie. [laughs]

Music needs to take you on a journey, and making this album with these friends of mine, simply, I don't know how else to say it, but you just make it happen!

And the lyrics, and the music, and the time you spend with each one…writing guitar riffs, and/or, you know, hey, how about these lyrics? Or how about this? You know, all of that, the culmination of the whole process is what matters.

And there's so much involved. But I love this album.

Renato: It's a fucking awesome album!

Robert: It really is. And I'm extremely happy to have been a part of this process. I mean, it meant a lot to me to be able to have my bandmates, my friends, to do something together. It meant a lot to me.

Renato: For me, this album is a masterpiece of metal.

Robert: It's the best. That's it, brother.

Renato: And if it's possible to choose: Candlemass or Solitude Aeturnus?
Which one is your favorite? [Laughs]

Robert Lowe: You know what? Both are the best because Candlemass brings something to the table and Solitude brings something too. If I were in the living room, or in the bedroom, and I was going to put on an album to listen to, I would want to listen to Messiah Marcolin on Candlemass, or listen to Solitude Aeturnus... it's one of those things that depends on what speaks to your feelings or emotions. Leif brings that and, as I said before, all the guys from Solitude too. They are all incredible people.

Renato: Thanks, man. Thank you for the music, thank you for your voice. Bye!

Robert Lowe: Thank you. I appreciate your time and see you around. Maybe to smoke something or have a beer, I don't know. The important thing is to enjoy our time. I hope to enjoy it with all the Brazilian fans. Take care, brother!


Interview: Renato Sanson (collaboration: Caco Garcia)
Transcription and Editing: Caco Garcia
Photos: Press release, artist's archives and Terje Tysnes

Acknowledgements: Som do Darma

domingo, 12 de junho de 2016

Candlemass: EP Comemorando 3 décadas de Epic Doom Metal




Os reis do Epic Doom Metal comemoram os 30 anos de carreira com um EP de 4 pedradas, trazendo toneladas de peso e riffs magnificentes! O EP também marca a efetivação de Mats Levén como vocalista da banda.

"Death Thy Lover", faixa título do EP, despeja o Epic Doom dos suecos, mesclado ao Heavy Metal tradicional, peso e melodia. Vibrante e poderosa, certamente vai ganhar a aprovação dos fãs, destacando a performance arrasadora do excelente Mats Levén.

"Sleeping Giant" traz os tradicionais riffs Doom, devidamente inspirados no grande pai Sabbath, seguindo aquele andamento mais cadenciado, guitarras carregadas de peso e Wha-Wha; "Sinister and Sweet" abre com o peso monumental e grave das guitarras, maximizado pela cozinha esmagadora, e entre os tradicionais andamentos Epic Doom e o sempre presente Wha-Wha, trechos mais melodiosos e climáticos, quase que psicodélicos.


Bateria compassada seguida da base pesada e arrastada, cortada por melodias melancólicas, assim é a instrumental "The Goose", que encerra este empolgante EP, que marca com louvores essas três décadas, e anuncia bons ventos nesta fase com Mats nos vocais. Se o que vier pela frente seguir o nível apresentado no EP, preparemo-nos para mais um grande e épico álbum.


Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Candlemass
Álbum: "Death Thy Lover" EP - 2016
País: Suécia
Estilo: Epic Doom Metal
Selo: Napalm Records

Site Oficial

Line Up:
Leif Edling: Baixo
Mats Léven: Vocais
Mats Mappe: Guitarras
Jan Lindh: Bateria
Lars Johansson: Guitarras
Per Wirberg: Teclados

Track List
Death Thy Lover
Sleeping Giant
Sinister And Sweet
The Goose


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Thomas Vikström (Therion): "Eu Nasci Dentro da Música!"




Conforme ele mesmo afirma na entrevista, Thomas nasceu dentro da música, filho de conhecido cantor de ópera suéco, conta que sua vida mudou quando ouviu KISS, e então começou com suas primeiras bandas no colégio, fazendo playback, tocando bateria e depois partindo para o vocal, seguindo uma carreira que tem no currículo desde a primeira banda que considera seu primeiro trabalho sério, o Talk of the Town, alcançando disco de ouro na suécia, trabalhos ao lado de bandas e projetos como Candlemass,Brazen Abbot, Dark Illusion, Storm Wind e muitos outros, e hoje mostra toda sua versatilidade e talento no Therion. 
(Read Here the english version)

Bom, vamos ao que interessa, confira esta entrevista onde Thomas nos conta um pouco mais sobre o início de sua carreira, seus trabalhos, planos futuros, a recente tour pela América e muito mais, rendendo histórias bem legais, com o bom humor e simpatia que é típico do cantor.
 


RtM: Eu gostaria de começar esta entrevista perguntando sobre como você começou sua carreira como cantor, e eu acredito que seu pai era o seu principal incentivador. Conte-nos um pouco mais sobre como começou o seu interesse e os seus primeiros passos na música?
Thomas: Eu nasci dentro da música. Meu pai era um cantor de ópera e entertainer, então eu rapidamente aprendi como o showbiz funcionava. Eu ficava nos bastidores com ele e assim fui indo. Mas levou um pouco de tempo antes de eu perceber que eu iria trabalhar com a mesma coisa. Eu era como a maioria dos meninos, eu queria ser um bombeiro ou um policial. Até achei que provavelmente eu seria um marinheiro (Sim, eu ainda tenho interesse em barcos). Também fui jogador de hóquei sobre o gelo,  foi uma grande coisa para mim, e eu joguei por um longo tempo. Mas a música estava sempre lá você sabe. Eu comecei a cantar muito tarde. Eu tinha 15 ou 16 anos, eu acho.

RtM: E como o Heavy Metal entrou na sua vida?
Thomas: Eu estava na casa de um amigo, deve ter sido  por volta de 1976, e ele colocou um disco do KISS e me mostrou uma foto da banda. Isso mudou minha vida para sempre. Eles eram como super-heróis e ainda tocavam música!! E eu também comecei a entender que garotas se interessavam por você quando você é músico. Fizemos playback shows (KISS e ABBA) na escola e eu dei o meu primeiro beijo depois de tocar KISS. Eu lembro da menina, o nome dela era Elsa.


RtM: Lembranças bem legais, e marcantes.
Thomas: Sim! E naqueles dias a palavra Heavy Metal não era conhecida. Mas para mim Metal e Rock pertencem à mesma família. Eventualmente eu comecei a tocar bateria e minha banda era chamada Power Dogs. Eu estava no terceiro ano e eu tocava com os "big boys" do sexto grau!(risos) Fizemos 2 shows e minha mãe costurou minha primeira roupa de palco (eu ainda tenho isso em algum lugar). Quando eu tinha 15 anos eu comecei a cantar em uma banda que batizamos de Bastard. Mais tarde, mudamos para Octagon. Nós éramos realmente bons. Nós éramos horríveis em nossos instrumentos, mas tínhamos boas músicas e a atitude certa. Eu cantava muito mal naquela época (risos). Todo mundo percebia, menos eu! (mais risos!)

RtM: A música clássica já está presente há muito dentro do mundo do Heavy Metal, que fatores você atribui a união desses mundos, com os fãs de metal e músicos sempre sendo muito ligados à música clássica? 
Thomas: Eu não sei... O Therion é uma mistura entre os dois estilos. Música clássica e Metal não estão tão longe  um do outro. A ideia de criar emoções são as mesmas. E eu estou convencido de que Beethoven ou Wagner gostariam de metal se eles ainda estivessem por aqui.

RtM: E além de vocês, no Therion, que unem esses dois mundos muito bem,  que outros músicos você acha que sabem como unir bem esses dois mundos?
Thomas: Nightwish é um exemplo muito bom eu acho. Grande banda!
 

RtM: E quais são suas inspirações como cantor clássico? 
Thomas: É difícil dizer, mas eu acho que quando se trata de clássico, é meu pai. Eu percebo que hoje, quando eu ouço minhas gravações e as gravações dele, às vezes, o timbre é assustadoramente parecido. Eu acho que é inevitável. Sua filosofia era muito simples quando se trata de cantar: "Divirta-se e cante o mais natural possível!". Se você pode falar você pode cantar. Ele era realmente irritante para muitos de seus colegas na ópera real, que ficavam caminhando ao redor cantando escalas e aquecendo durante horas. Ele achava que eram uns fracotes (risos). Ele foi chamado o punk rocker da ópera real. 

RtM: e como um cantor de Heavy Metal? 
Thomas: Quando se trata do Metal... não sei, Há tantos bons cantores. Rob Halford...Dio, para citar dois. Freddie Mercury é também um verdadeiro herói para mim.


RtM: Você é uma parte da história de bandas muito importantes no Metal, como o lendário Candlemass. Eu gostaria que você nos contasse um pouco sobre seus anos com a banda. 
Thomas: O Candlemass Foi um período estranho na minha vida. Eu gravei o álbum "Chapter VI" com eles. Um álbum que eu gosto muito. Messias estava fora da banda e eu fui literalmente jogado no estúdio, então cantei "The Dying Illusion" e acabei cantando em todo o álbum. Os fãs odiaram. (Não agora. Agora ele se tornou um registro "cult") e eu posso de  de certa forma compreendê-los. O desejo do Candlemass era ficar longe do doom metal, e eles fizeram isso com esse álbum. Nós fizemos alguns shows e um dia a banda simplesmente adormeceu. Agora eles estão indo muito bem e nós ainda somos bons amigos. 


RtM: Além desse trabalho com o Candlemas, você teve os álbuns com Talk of  the Town (banda de Hard e Melodic Rock suéca), banda que obteve resultados bem legais. Fale-nos um pouco sobre esse período!
Thomas: O Talk of the Town foi a minha primeira banda séria. Eu tinha apenas 18 ou 19 quando o nosso primeiro disco saiu. Ele subiu nas paradas na Suécia e eu recebi um disco de ouro com ele. O sucesso que tivemos foi com a música "Free Like An  Eagle". Eu escrevi a música e foi como ganhar na loteria. Este foi o momento em que eu entendi que aquilo era algo que eu sabia como fazer, e eu podia, como bônus, ainda ganhar um bom dinheiro com isso. Talk of the Town era como o Backstreet boys do metal melódico. Cinco caras bonitões (sim, eu fui um cara bonitão!! Era uma vez ... hehehe), com boas canções em turnê ao redor Suécia, com um grande sucesso. Foi um grande período na minha vida. 

Talk of the Town
RtM: E você teve seu álbum solo, "If I Could Fly" (1994). Como surgiu a oportunidade?
Thomas: Meu solo foi realmente um negócio muito simples. Fui convidado por meu editor para fazer uma solo e eu disse que sim. O negócio foi: Você canta, nós escrevemos as músicas. Se você curte Melodic Rock, eu acho que é um grande álbum


RtM: Sim! Tem muitas canções ótimas de Melodic Rock ali, minhas favoritas são "I Love Watch you Move", "Forever and Ever" e "Love and Emotion"
Thomas: Infelizmente quando ele saiu o grunge começou a ficar enorme. Então o álbum não foi um grande sucesso comercial. Mas eu gosto desse álbum. Jeff Scott Soto fez alguns dos backing vocals e Marcel Jacob (RIP) tocou baixo em algumas faixas. Pontus do Hammerfall  também fez alguns solos. Johan do Therion tocou bateria, assim como também Per Lindwall, que  já tocou com todo mundo. Sim!! inclusive com o ABBA.


RtM: Além do Brazen Abbot e Dark Illusion, temos Stormwind, com quem você lançou seis álbuns, é também uma parte importante da sua história no Metal. Como foram os anos com a banda, qual é o seu trabalho favorito com o Stormwind e por que você saiu da banda? 
Thomas: Brazen Abbot e Dark Illusion são projetos. Especialmente o Brazen Abbot,  um projeto que eu gostava de estar envolvido. Stormwind foi legal. Eu jamais deixei a banda. O líder da banda, Thomas Wolff,  decidiu colocar a banda no gelo para fazer outras coisas. Eu acho que Stormwind foi crescendo de álbum para álbum. O primeiro álbum é provavelmente o pior que eu já fiz e o último é um grande álbum de power metal. Minha música favorita do Stormwind é provavelmente "Touch the Flames"


RtM: Bom, você trabalhou com muitas pessoas e bandas, além das que falamos acima, e pode ser uma pergunta difícil de responder, mas de todos os trabalhos que você fez parte, qual deles você gostou mais para participar, e em qual, ou quais, você considera que teve suas melhores performances? 
Thomas: Sem dúvida  no Therion, eu acho. Mas eu nunca estou totalmente satisfeito.
Mas eu aprendi uma coisa ao longo dos anos, que é aceitar e seguir em frente, é só música! Ser muito exigente só destrói a diversão. 

RtM: E, lógico, falando agora do Therion, uma das bandas (a melhor na minha opinião) que combinam de forma excelente a música clássica com metal, e você se encaixa perfeitamente na banda, o que torna difícil para um fã de imaginar a banda sem você, e esperamos ter muitos álbuns com você ao lado do Therion. Conte-nos um pouco como foi a sua entrada no Therion.
Thomas: Sim, vocês tem que se acostumar comigo, eu não tenho quaisquer planos de sair!!  
Tudo começou com um telefonema. "Oi, meu nome é Christofer Johnson. Eu toco em uma banda chamada Therion. Você quer sair em uma world tour?" Isso é como Christofer é. Muito direto. 
Eu lhe disse: Claro, isso soa como diversão. Mas como vocês soam ?? Envie-me algo para que eu possa ouvir. Eu nunca tinha ouvido Therion antes. Eu tinha ouvido falarem deles. No dia seguinte, eu tinha todo o catálogo no meu e-mail. E a primeira música que eu ouvi foi "Mitternachtslöwe". Eu fiquei encantado por ela e chamei Christofer e disse-lhe: "Eu estou dentro!!!"


RtM:  E sobre a atmosfera de "família" que a banda possui. Podemos ver que este clima contribui muito em suas performances ao vivo. 
Thomas: Quando eu fiz a primeira turnê a atmosfera na banda foi ok, mas um pouco tensa. Um certo integrante (sem nomes!!) chamava os fãs de coisas muito feias, e agiu de forma muito mal educada, o que secretamente me deixou muito triste e envergonhado. Mas eu decidi me divertir e eu não me importava por um segundo com aquele ar mal-humorado que pairava na banda. Agora o espírito e a atmosfera na banda é muito, muito relaxada. Nós nos divertimos, e as "discussões" são realmente poucas. Touring é assim que deve ser: Divertido! E eu acho que as pessoas podem sentir isso quando estamos no palco. 


RtM: Falando de Família, sua filha Linnéa (leia entrevista com ela AQUI) também se juntou ao Therion. Como é para você tê-la ao seu lado no palco? Eu acho que deve ser algo muito especial e que lhe enche de orgulho. E eu tenho que dizer, ela está ficando melhor como cantora e performer a cada dia que passa!
Thomas: Eu estou acostumado a tê-la ao meu lado no palco agora. E claro que estou muito orgulhoso dele. Ela está ficando melhor a cada ano. Ela tinha na verdade apenas 18 anos quando fez o primeiro show com a gente. Isso foi no festival Bloodstock, na Inglaterra. Eu estava mais nervoso do que ela. Eu e Linéea temos uma relação muito próxima. Quando estamos em turnê nossa relação se transforma de pai e filha para colegas. Muitas pessoas perguntam se eu fico com ciúmes com todos os garotos que se aproximam dela durante a turnê. Claro que não. Ela é uma adulta agora e faz exatamente o que ela quer. E agora ela tem um namorado firme, ele é o baterista da Dinasty, e era o baterista da Rock Of Ages, show que eu fiz por quase 2 anos. 


RtM: Deve ser muito legal mesmo tê-la ao seu lado, e você demonstram ter uma bela cumplicidade.
Thomas: Eu acho que eu e Linnéa tivemos 2 brigas somente um com o outro. A primeira foi quando ela tinha 5 anos e eu deveria ensiná-la a andar de bicicleta, e a segunda vez quando ela tinha 16 anos e perguntou se poderia fazer uma festa em minha casa. Eu disse: claro que você pode, mas haverá ZERO álcool, é minha casa e não há nenhuma necessidade de sequer discutir o assunto. Eu não fiquei popular depois disso. Mas agora ela realmente me agradece por isso. 


RtM: Falamos sobre seu álbum solo, lá de 1994, você tem planos ou desejo de lançar outro álbum solo? Talvez com Linnéa! Seria legal! 
Thomas: Na verdade, estou trabalhando em um projeto solo. Tem o nome de trabalho "CHURCH OF DECADENCE". Estou realmente muito emolgado com ele. Quando ou se ele vai sair, eu não sei ainda. E não,  não planejei se Linnea estará nele. Mas ... Obrigado pela sugestão!


RtM: E seu papel no Rock Ópera "Antichrist Superstar" (novo trabalho que o Therion está produzindo)? O que você pode nos dizer sobre este trabalho e suas expectativas para tocá-lo ao vivo? 
Thomas: É um grande projeto grande. E para dizer a verdade não sabemos ainda como vamos fazê-lo ao vivo. Mas, de uma forma ou de outra, vamos! 


RtM: Recentemente você esteve de volta na América, passando pelo México, onde o Therion tem uma grande base de fãs, e América do Sul, onde a banda também é amada. Como foi as impressões sobre essa turnê aqui na América, e como você se sente sobre essa cumplicidade e amor dos fãs aqui para com o Therion?
Thomas: Para mim, os fãs são tudo. Sem eles não somos nada! Zero! E sou um cara social que honestamente ama passar o tempo com os fãs fora dos hotéis e assim por diante. Se você é um artista que acha que os fãs são um pé no saco, há uma abundância de Mc Donalds que precisam de seu serviço (risos! grande Thomas!!)
A América do Sul é muito especial para mim, para nós. E uma grande surpresa desta tour foi a primeira vez em Honduras. Foi realmente muito legal e os fãs foram incríveis. 


RtM: A tour também foi especial porque foi a primeira vez da Chiara (Malvestiti, soprano efetivada ano passado no Therion) aqui também. 
Thomas: Chiara é fantástica. Nós, na verdade, começávamos a perder a esperança de encontrar alguém que pudesse manter a qualidade da Lori Lewis. Graças youtube que a encontramos. Ela é uma ótima pessoa e ela está fazendo um grande trabalho. 


RtM: Lembro-me de ter falado de uma forma bem humorada que essa tour  estava sendo a "No Sleep Tour" com vocês fazendo vários shows em poucos dias. Realmente deve ser cansativo, mas acho que tudo vale a pena com a recepção dos fãs, e estar fazendo o que você gosta. 
Thomas: Essa tour foi um passeio com muitos primeiros voos. Às vezes você tem que acordar tipo 04.00h da manhã para voar para outro lugar. E quando chegar, você deve ir diretamente a passagem de som. Depois do show no Uruguai eu perdi a minha voz totalmente (coisa que não acontece) Por sorte, teve um dia de folga e  consegui dormir e me recuperar,  e pude e fazer os shows restantes no Brasil. Se valeu a pena ?? Sim, em torno de 10 vezes! Você tem que ser feito de um material especial para amar esta vida e eu amo! 


RtM: E artisticamente falando, você sente que é um músico realizado ou tem algo que você quer muito ainda na sua carreira? Que coisas você gostaria de realizar? 
Thomas: Eu tenho feito mais do que a maioria das pessoas têm feito em uma vida inteira, eu visitei cerca de 45 países e eu não sei quantos álbuns já fiz. Eu sou rico ??. Nãaa..Não realmente. Mas eu sou rico se falarmos sobre o que tenho visto e experimentado. Mas eu sempre quero tentar coisas novas. Gostaria de fazer mais teatro. E se me fosse oferecido um papel em um filme que eu diria que sim, sem pestanejar. 



RtM: Thomas, obrigado por seu tempo, antes de tudo, eu sou um grande fã de seu trabalho, e espero vê-lo em breve com Therion aqui na América novamente (Em Porto Alegre também, eu espero)! Eu deixei este espaço final para que você envie sua mensagem para os fãs. 
Thomas: Thanks! O prazer é meu!Acho que tenho os melhores fãs do mundo e vamos estar de volta na América Latina novamente. E eu espero que seja em breve !!!!
 Muitos beijos
 Thomas V

Entrevista: Carlos Garcia 

Photos: Foto de abertura (Opening): Tim Tronckoe
Therion & Thomas archives (all photos are not modify, in respect of the autors)
Thomas Fan Page
Therion website

Links relacionados:
Entrevista Com Linnéa Vikström
Matéria Escrita por Adriano  Monteiro (Escritor e membro da Dragon Rouge, assim como Christofer) 










segunda-feira, 23 de julho de 2012

Candlemass: Finalizando a Era Lowe e Carreira em Novo Álbum

Lenda do Doom Metal se cala em último álbum de estúdio


A mudança de um vocalista considerado clássico de uma banda sempre tende a dividir os fãs. Haverá quem jamais aceite um substituto (clamando até mesmo pelo fim da banda), e haverá aqueles que aceitarão as mudanças, com ou sem ressalvas.

Me incluo nesse segundo grupo em relação à banda sueca Candlemass. É sabido que Messiah Mercolin foi e sempre será a grande voz da banda, mas a verdade é que Robert Lowe, que gravou três álbuns com a banda, foi um grande achado.

Robert Lowe é mandado embora devido à problemas na performance ao vivo (substituído por Mats Levén)

Infelizmente, a banda divulgou recentemente a saída de Lowe, numa mudança que abala o processo de divulgação de seu mais recente disco (e o último da carreira, pois a banda já anunciou sua aposentadoria), “Psalms For the Dead” (2012), disco que saiu pela Napalm Records e marca o fim dessa lendária banda.

Com 9 músicas não tão pesadas quanto seu antecessor (o esplêndido “Death Magic Doom” de 2009), este novo trabalho registra a banda caprichado ainda mais na construção das músicas, em alguns momentos, noutros mostrando-se bastante básica.

Músicas como “Prophet”, que abre o álbum, “Waterwitch” e “The killing of the Sun” não ficam devendo nada para alguns clássicos da banda e, num contexto geral do disco, mostra um grupo de Doom Metal clássico em grande forma, com riffs arrastados dos mestres Mats “Mappe” Björkman e Lars “Lasse” Johansson, a bateria pesada e grave de Jan “Janne” Lindh e o baixo marcante de Leif Edling (líder do grupo).

Banda promete seguir tocando ao vivo, mas não gravará mais
Talvez não a despedida esperada (a banda garante seguir excurcionando por mais tempo, mas não gravará novos discos), mas com certeza “Psalms For the Dead” tem os elementos que encontramos nessa última e definitiva era Lowe, que para os shows finais fora substituído pelo reconhecido Mats Levén, famoso pelo seu trabalho com Yngwie Malmsteen e Therion, sendo atual membro da banda Krux.

Dividindo os fãs, mesmo assim um disco do Candlemass não passa despercebido entre os fãs de Doom Metal e se você se encaixa nessa característica, deve ouvir sem medo.

Stay on the Road

Texto: Eduardo Cadore
Edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Candlemass
Álbum: Psalms For the Dead
Ano: 2012
País: Suécia
Tipo: Doom Metal
Selo: Napalm Records

Formação
Robert Lowe (Vocal)
Mats “Mappe” Björkman (Guitarra)
Lars “Lasse” Johansson (Guitarra)
Jan “Janne” Lindh (Bateria)
Leif Edling (Baixo)



Tracklist
1. Prophet
2. The Sound Of Dying Demons
3. Dancing In The Temple (Of The Mad Queen Bee)
4. Waterwitch
5. The Lights Of Thebe
6. Psalms For The Dead
7. The Killing Of The Sun
8. Siren Song
9. Black As Time

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